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Políticas Educacionais Integradoras: propostas curriculares do Brasil e da Argentina

PID: S2178-46122016000100132 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Santiago Ranzi Carvalho Carneiro
Resumo: O objeto desta reflexão, neste artigo, são as propostas curriculares veiculadas a partir da segunda metade do século XIX, no Brasil e na Argentina, no período de construção de sua nacionalidade e, posteriormente, a partir de 1995, com a implantação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, no Brasil, e dos Contenidos Básicos Comunes, na Argentina. A intenção é perceber quais são os conteúdos que estão incluídos e os que têm permanecido sobre a América Latina, nessas propostas curriculares; se há semelhanças e diferenças entre esses documentos; e se os conteúdos refletem mudanças que estão sendo propostas pelo Mercosul - Setor Educacional - para o ensino de História. O texto foi dividido em dois subtemas, tendo, no primeiro, os dados referentes à América Latina quanto ao Ensino Médio, as propostas curriculares veiculadas desde o século XIX até a década de 1980 do século XX. No segundo subtema, são trazidos os conteúdos da América Latina que estão propostos para o 7º e o 8º anos, nos PCNs, do Brasil e para o 8º e 9º anos, nos CBCs, da Argentina. É possível concluir que o lugar da América Latina ficou bastante restrito no contexto em que ascenderam suas preocupações com o nacionalismo. No Brasil, os conteúdos da América Latina permaneceram, em boa parte dos currículos, diluídos em temas que a colocavam como aporte de uma história maior, ou seja, retratando a história universal. Essa lógica foi igualmente percebida na Argentina, que tinha a sua história como apêndice de uma história universal, privilegiando o olhar sobre o Estado, excluindo os conteúdos sobre a América Latina. Já as propostas curriculares veiculadas a partir de 1995, no Brasil e na Argentina, além da permanência de conteúdos expostos em propostas anteriores, foi possível perceber que houve essa escassa inclusão de conteúdos sobre a América Latina e sinais do predomínio de uma história latinoamericana que inicia com a intervenção dos europeus sobre ela.

Por um aprender da invenção: modos de ler-escrever em oficinas de escrileituras

PID: S2178-46122016000200362 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Rodrigues Schwantz
Resumo: Levando em consideração a ideia de aprender para Deleuze (1988), este artigo tem por objetivo investigar os modos como vêm sendo realizadas intervenções nas práticas de leitura e de escritura em escolas brasileiras da rede pública que aderiram ao projeto denominado Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida (Obeduc, 2010 - Capes/Inep), durante seus quatro anos de desenvolvimento, de 2010 a 2014. Este trabalho prioriza a análise de oficinas planejadas e desenvolvidas por diferentes universidades do País na composição de quatro núcleos de pesquisa. Filoescritura com Kafka (UFRGS); Cores, sabores e texturas (UFMT); e Vida! (Unioeste) foram as atividades escolhidas para o exercício de análise, sendo aquelas direcionadas aos estudantes do Ensino Fundamental e disponibilizadas na coleção intitulada Caderno de notas 5. (RODRIGUES, 2013). De maneira a contemplar todos os núcleos do projeto, analisa-se, também, a oficina denominada Filodança (UFPel). Como resultado, compreende-se que um aprender, observado pela perspectiva filosófica deleuziana e experimentado em oficinas de Escrileituras, constitui-se pela invenção, ao vivenciar outras formas de se relacionar com o pensamento, seja lendo, seja escrevendo, seja criando. Torna-se, dessa forma, um processo não somente de solução, mas de invenção de outros problemas ainda não existentes. A aprendizagem acontece pelo meio, entre o não saber e o saber. (DELEUZE, 1988). Dos possíveis agenciamentos realizados e dos efeitos produzidos durante as atividades, percebe-se um modo artistador de operar com o ler-escrever, levado pelas circunstâncias que provocam tal ação a partir dos signos emitidos daquilo que se reúne da arte, da filosofia e da ciência.

Projeto Político-Pedagógico: possíveis articulações com aspectos culturais locais e educação do campo

PID: S2178-46122016000100114 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Paglia Pillotto
Resumo: O presente artigo é fruto de pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Educação e de uma demanda da Escola Agrícola Municipal Carlos Heins Funke, em que temos atuado em projetos de extensão desde 2014. A referida escola tem se preocupado em ressignificar seu Projeto Político-Pedagógico (PPP), tentando articular aspectos culturais locais ao currículo, sobretudo, em suas práticas. Dessa forma, a pesquisa centrou seus estudos e ações educativas/investigativas nas seguintes indagações: Como realizar ações a partir das questões culturais locais? Em que sentido essas questões contribuem para um ensino e aprendizado significativos? Como construir um PPP, que articule essas questões e que tenha realmente a participação de todos os segmentos - gestão, professores, alunos, comunidade e pesquisador? Portanto, o objetivo da pesquisa é ressignificar e implementar o PPP na Escola Agrícola Municipal Carlos Heins Funke, em Joinville - SC, juntamente com seus protagonistas (gestores, professores, funcionários, estudantes e representantes da comunidade), a fim de analisar as contribuições de um projeto que articula experiências culturais e questões técnicas e conceituais. Para ajudar no desenvolvimento da pesquisa, alguns autores foram fundamentais, a exemplo de: Saviani (1983); Veiga (2013); Gadotti (2000); Freire (2002); Arroyo (2008); Caldart (2004). Ferreira (1995), entre outros. Pensando em uma pesquisa com abordagem qualitativa, que levasse em conta a participação de todos e que fosse interativa, a metodologia utilizada foi a Pesquisa-Ação fundamentada em Thiollent (2011) e o instrumento Grupo Focal baseado nos preceitos de Dias (2015) e Gatti (2005). Foram desenvolvidos dois grupos focais para preservar as características e similaridades dos participantes: o primeiro grupo com professores e gestores, e o segundo com pais, Associação de Pais e Professores (APP) e estudantes. Os dados coletados foram transcritos, organizados e analisados utilizando a Análise de Conteúdo, à luz de Bardin (2011). Os resultados demonstram que as demandas da comunidade acadêmica, tais como: interdisciplinaridade, eventos culturais locais, uniforme dos estudantes, transporte dos alunos e características diferenciadas da escola devem estar presentes no PPP, pois, assim, tais peculiaridades serão oficializadas e valorizadas no documento e perpetuadas na memória e na identidade de toda a região.

Saberes docentes e axiologia: os valores no processo de formação inicial de professores*

PID: S2178-46122016000300514 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Lucas Passos Arruda
Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar um estudo teórico acerca das influências axiológicas (valorativas) no processo de formação inicial de professores. Para esse empreendimento, foi realizado um levantamento bibliográfico de autores que investigam a formação desses profissionais, com ênfase nos referenciais que tratam dos saberes docentes e da filosofia dos valores. Uma análise crítico-reflexiva dos trabalhos pesquisados possibilitou evidenciar discussões ricas em elementos axiológicos implícitos e/ou explícitos nas obras de muitos autores estudados que, em síntese, inferem sobre a não neutralidade da formação e da prática docente, defendem a existência de uma relação indissociável da educação com os valores e, por fim, o fato de os valores terem uma implicância direta na construção do repertório de saberes dos docentes e de seus alunos.

Significatividade e mundo nos escritos do joven Heidegger

PID: S2178-46122016000100015 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Ilari
Resumo: Heidegger foi um dos pensadores mais influentes do século passado. Muitas de suas contribuições conceituais têm sido aplicadas tanto às ciências humanas quanto às naturais. Dasein, ser-no-mundo, facticidade, sentido, cuidado, etc. são familiares a qualquer filósofo. Neste trabalho tento reconstruir duas das noções centrais do jovem Heidegger. Analiso parte do caminho que leva o jovem Heidegger às noções nucleares da grande obra de 1927: significatividade e mundo. Meu interesse é duplo: em primeiro lugar, buscar uma clarificação progressiva desses conceitos e, em segundo lugar, exibir (historicamente) a gênese de Ser e tempo. Animame a ideia (já confirmada) de que o modo de tratamento desses conceitos nesses anos (1919-1925) ilumina grande parte do pensamento heideggeriano e, com ele, do século XX.

Subjetivações em meio à vida universitária e sua interface com o aprender inventivo

PID: S2178-46122016000300538 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Rodrigues Osório
Resumo: O objetivo é problematizar os modos de subjetivação em interface com o aprender que se circunscreve em meio à vida no ambiente universitário. Para além de critérios avaliativos e paradigmas psicológicos, buscamos a temática do aprender sob o viés das filosofias da diferença, perpassando pelo escopo da inventividade. (KASTRUP, 2007). Nessa direção, encontramos, em Deleuze (2000, 2010), a ideia de que o pensamento produz uma diferença quando é coagido pelo encontro com os signos que o forçam, desdobrando, daí, algo que lhe confira novo sentido. Partimos de um contexto educacional que se encontra em constante mudança diante do aumento demográfico e sociocultural, em face das novas formas de ingresso no Ensino Superior, nos últimos anos, e no qual se constatou um crescente não aproveitamento acadêmico de estudantes bolsistas da Assistência Estudantil da Universidade Federal de Pelotas. Isso impulsionou a realização de análise documental (LUDKE; ANDRÉ, 1986) com 557 alunos que não atingiram a média de 70% em 2013/1. Os dados quantitativos foram obtidos através dos softwares EPI INFO e SPSS e utilizamos os testes estatísticos ANOVA e Teste-t para analisar as variáveis em exposição, associando-as ao aproveitamento acadêmico. Articulamos essa análise com o método cartográfico, o qual visa a acompanhar os processos subjetivos. (BARROS; KASTRUP, 2014). Distanciando-nos de aspectos representacionais e identitários, os resultados indicaram que o baixo aproveitamento acadêmico relaciona-se menos com dificuldades cognitivas e mais com contingências do contexto acadêmico, sofrimento psíquico e heterogeneidades, em que as subjetividades (GUATTARI, 2012) emergem como territórios existenciais em condições de provisoriedade. Diante das distintas geografias, variados modos de composição familiar, diferentes tipos de moradia, diversos vínculos com os cursos de graduação e com a universidade, as singularidades estudantis ganham expressões que são transversalizadas pelos modos de ser e estar jovem, que permeiam o aprender em meio à vida. Dessa forma, os achados desta investigação reverberam a oportunidade de pensar novas práticas no campo da educação.

Uma incursão pela tríade: currículo, filosofia da ciência e formação de professores da área de ciências naturais

PID: S2178-46122016000300604 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Leitinho Máximo Júnior
Resumo: O presente artigo apresenta o estado da questão sobre a tríade: filosofia da ciência, currículo e formação de professores, que é parte de pesquisa em andamento realizada em um Programa de Pós-Graduação (Mestrado em Educação), que tem como objetivo compreender a importância da filosofia da ciência no currículo dos cursos de licenciatura na área de ciências naturais. A construção do estado da questão possibilitou o mapeamento das pesquisas referentes ao nosso objeto de estudo, bem como desvelou o conhecimento sobre como se encontra o tema investigado no contexto atual das produções científicas. Foi realizado um levantamento de artigos nos periódicos com conceitos Qualis de A1 a B2 no Portal da Capes, nas produções presentes no Banco Digital de Teses e Dissertações (BDTD) e nos trabalhos publicados na Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (Abrapec), no intuito de identificar artigos, teses e dissertações referentes a nossa temática. Os dados coletados foram organizados e analisados considerando os objetivos, o referencial teórico e a metodologia dos trabalhos encontrados. Os resultados demonstraram que a grande maioria dos trabalhos pertence à Região Sul e à Sudeste, e que ainda são raras as pesquisas nessa área de estudo, principalmente no Nordeste. Demonstraram também que as pesquisas têm como sujeitos professores, mas não professores-formadores, e que as mesmas utilizam metodologias semelhantes com os mesmos instrumentos de coleta de dados, revelando nos que o caminho escolhido para a realização do nosso estudo encontra-se afinado com aquilo que se tem pesquisado na área, mas também demonstrou o quanto esta pesquisa pode contribuir, pois lança um novo olhar sobre o tema, quando pensa sobre o professor- formador e inova com o uso de uma metodologia ainda não utilizada nos trabalhos encontrados referentes a essa temática.

Virtualização e sociedade digital: reflexões acerca das modificações cognitivas e identitárias nos sujeitos imersivos

PID: S2178-46122016000200420 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Borges Oliveira
Resumo: Este artigo tem como objetivo refletir sobre as modificações cognitivas e identitárias nos/dos sujeitos da sociedade digital - denominados aqui de sujeitos imersivos, no sentido proposto por Santaella. Para tanto, considera-se a hipótese de que a compreensão de conceitos como ciberespaço, cibercultura e virtualização exige, antecipadamente, o resgate do sentido de termos, como: virtual, real, realidade e atualidade. O marco teórico destaca, principalmente, os argumentos apresentados por Lévy e Deleuze. Parte-se do questionamento da fronteira entre mente e corpo, entre real e virtual. Posteriormente, são identificadas algumas mudanças provocadas pela virtualização e seus efeitos nos espaços escolares. Os procedimentos metodológicos são demarcados pela abordagem qualitativa com amparo na pesquisa bibliográfica. Os resultados indicam a emergência de um novo sujeito de aprendizagem com processos cognitivos distintos e novas demandas sociais. Essas condições impõem um redimensionamento dos saberes e das atitudes de professores e especialistas em educação. Os apontamentos finais sugerem a necessidade de intensificação de estudos acerca da virtualização da sociedade contemporânea, a fim de compreender as características identitárias dos sujeitos imersivos.

Ética da alteridade e o paradoxo da hospitalidade ao outro na educação

PID: S2178-46122016000200406 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Miranda
Resumo: No cenário contemporâneo, a discussão sobre diferença e alteridade revela-se um problema central no pensamento filosófico, bem como no campo das políticas e práticas educacionais. Com base no pensamento filosófico de Levinas e Derrida, o presente texto tem por objetivo discutir a questão da alteridade e o paradoxo da hospitalidade problematizando os modos de integração, a postura de tolerância e as regras de aceitação do outro na educação. Destaca a permanente tensão existente entre a Lei da Hospitalidade Incondicional e as leis que condicionam o acolhimento ao outro. Traduzido para o contexto educacional, a escola abre suas portas à inclusão do outro, mas também determina sob que condições essa inclusão deve acontecer. Ante a essa tensão, busca-se questionar: O que significa pensar a educação como hospitalidade? Que pedagogia seria capaz de fazer da experiência educativa um gesto de hospitalidade não hostil ao outro? Em que consiste o paradoxo da hospitalidade ao outro no contexto da educação? Como educar para a construção de uma relação ética entre alteridades? Esses questionamentos lançam desafios às políticas e práticas educativas, pois problematizam os diferentes modos de pensar a questão do outro na educação. Por fim, ressalta-se que pensar a educação na perspectiva da ética da hospitalidade exige construir novas formas de relação entre saber e poder, como também a invenção de novos modos de ensinar e aprender, além de uma sensível atenção à palavra do outro e aos diferentes modos de narrar sua história.
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