Educação e atualidade brasileira: o concurso de Paulo Freire na Universidade do Recife
PID: S2178-46122022000100304 |
Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) |
Año: 2022
Autores: Beltrao
Resumo “Educação e Atualidade Brasileira”, que conhecemos como um dos livros de Paulo Freire, é, em sua origem, a tese de concurso que ele escreveu quando participou da disputa pela Cátedra de História e Filosofia da Educação, em 1960, na Universidade do Recife (UR), atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Freire dizia sobre o concurso que, apesar de ter perdido a cátedra, ganhou a vida! Que ele ganhou a vida todos sabemos: um dos autores mais citados do mundo, que recebeu mais de quarenta títulos Honoris Causa, Patrono da Educação Brasileira etc. Mas a forma como ele perdeu a cátedra é um assunto pouco estudado na História da Educação Popular, e é justamente sobre esse acontecimento que nos propomos a tratar neste artigo. Para realizar este estudo, utilizamos periódicos publicados na Universidade do Recife e em jornais da época bem como, sobretudo, as teses de concursos dos próprios candidatos: “Educação e Atualidade Brasileira”, defendida por Paulo Freire, e “Pedagogia do Tempo e da História”, defendida por Maria do Carmo Tavares de Miranda. Tentamos entender esses documentos para além do que está escrito, estando atentos às configurações de poder, pois, como orienta Foucault (2007), poder é aquilo que se quer, que se deseja, que se constrói por meio de relações, que exclui e inclui, que está relacionado ao saber e que não se explica só aspectos econômicos e de classe. Concluímos que existia uma tensão entre aqueles que defendiam a escola privada, em sua maioria confessional, e aqueles que defendiam a escola pública e laica (e o destino das verbas públicas). Esse fato provavelmente reverberou no resultado do concurso.