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Paulo Freire e o oprimido na educação popular

PID: S2178-46122022000100402 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Teixeira Oliveira
Resumo O objetivo deste artigo é analisar como a Educação Popular de Paulo Freire foi marcada pelo outro oprimido e como essa relação com o oprimido foi construída na sua trajetória de vida, desde a infância. Trata-se do recorte de uma Dissertação de Mestrado, na qual foi realizado o levantamento bibliográfico das produções de Freire e utilizada a análise de conteúdo com ênfase na categorização. Os resultados apontam que a categoria “oprimido” é basilar ao pensamento de Freire para além do título de um livro, sendo uma luta presente em sua produção por toda e qualquer pessoa negada de ser mais. Resultados apontam também que toda a vida de Paulo Freire foi de encontros com o outro, com a diversidade e com o oprimido, capacitando-o, assim, a traçar formas de, juntamente com esses sujeitos, mudar suas realidades. O pensamento revolucionário e transformador de Paulo Freire em favor do oprimido não foi construído somente por meio de leituras e alguns anos de formação acadêmica, foi construído na sua mente, no seu corpo, na sua fome no Nordeste, no seu frio e no frio de seus filhos durante o exílio e no seu reaprender o Brasil com homens; mulheres; trabalhadoras e trabalhadores; educadoras e educadores; militantes dos movimentos sociais; e diversos outros que constituem a Educação Popular. Desde a infância, as dificuldades vivenciadas ensinaram Freire a não se acomodar e a urgência em transformar. Na juventude percebeu que só era possível ser educador se fosse em diálogo. Na vida adulta, com andarilhagens pelo mundo e retorno ao Brasil, notou que a Educação Popular tem que ser reinventada em cada contexto. Ao longo da pesquisa foi possível concluir que a Educação com o outro e não para o outro caracteriza-se como uma premissa da Educação Popular freiriana.

Paulo Freire en la liberación de la educación municipalizada en Venezuela

PID: S2178-46122022000100403 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Rodríguez
Resumen En la indagación realizada como objetivo complejo se sustenta la liberación de la Educación Municipalizada desde el legado de Paulo Freire, se concibe bajo el transmétodo la hermenéutica comprensiva, ecosófica y diatópica. Pasando por los momentos analíticos, empíricos y propositivos. En el momento analítico – empírico: se explica la crisis con los viejos vicios de la educación tradicional impuesta en la Educación Municipalizada, nos llevó a romper paradigmas, en un aren de contradicciones y topoi, más marcado en un pensamiento abismal donde los saberes de las comunidades olvidadas siguen desmitificados de los conocimientos fijos impuestos en las universidades. Se investiga con la línea de investigación titulada: educabilidad – formación universitaria municipalizada – imaginarios sociales complejos, en el marco del Doctorado en Ciencias de la Educación realizado en la Universidad Latinoamericana y el Caribe, Venezuela. El legado de Freire está presente en toda la indagación, se trata de ir al rescate y liberación de la Educación Municipalizada, que defienda la esencia de municipalidad, educación popular, masificación de la educación. Implica explorar nuevos conocimientos, producto de un aprendizaje constante se combinan los aspectos culturales, políticos y económicos se visualizan nuevos escenarios de vida que coadyuvan en el proceso enseñanza aprendizaje. El ser humano por naturaleza posee muchas fortalezas que le resultan viables en su proceso de formación continua. Y ello resulta propicio para que desde la academia se concrete su tarea formativa, se prepare para la vida.

Paulo Freire: ensayo fotográfico de soledades

PID: S2178-46122022000100405 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Parody
Resumen Se tejen vínculos entre el ensayo, las fotografías y el art poética para dar paso a una etnografía artística que no tiene más remedio que ser transversal. Escritura fragmentaria que da cuenta de la soledad de los páramos venezolanos. Aunque el mundo no nos dirige la palabra insistimos en su lectura. Pasar a palabras lo vivido. La retórica fotográfica para cumplir con exigencias de la persuasión, verosimilitud y dialogo con la subjetividad humana. Y detrás de todo, están los postulados de búsqueda de Paulo Freire. Su pedagogía de la ironía nos da la oportunidad de narrar las diferencias. Conclusiones azarosas entre la brevedad fotográfica y la intensidad de las palabras.

Pensar a raça: Educação como prática da liberdade para superação do racismo

PID: S2178-46122022000100105 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Ketzer Rocha
Resumo O presente artigo consiste em uma pesquisa bibliográfica que propõe a educação como prática da liberdade para superação do racismo. O trabalho está dividido em três partes: na primeira, abordaremos o racismo como uma construção social baseada na ideia de raça, que a partir da racialização produz lugares sociais de submissão e tende a se agravar com o esvaziamento da educação; num segundo momento, destaca-se o papel do Movimento Negro na luta pela educação e na valorização de outros tipos de saberes; por fim, a partir de bell hooks, argumentamos que uma educação como prática da liberdade, baseada em uma pedagogia engajada, pode contribuir para a diminuição do racismo.

Percepções de professores de filosofia sobre a especificidade da disciplina de filosofia

PID: S2178-46122022000100113 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Gabriel Pereira
Resumo Este artigo, um recorte de pesquisa de Doutorado, objetiva desvelar as percepções de 208 professores de Filosofia do Paraná no sentido de buscar evidenciar quais seriam as especificidades dessa disciplina em relação a outras do currículo. Inicialmente, disserta-se sobre a intermitência da disciplina de Filosofia no currículo da Educação Básica, com base em Deleuze e Guattari (2010), os quais demarcam o entendimento da Filosofia como criação de conceitos. Em seguida, fundamentando-se em Rodrigues e Gelamo (2019), entre outros autores, reflete-se sobre o modo de compreender a Filosofia, que pode oscilar entre uma compreensão enciclopédica com base na memorização dos sistemas filosóficos e a experiência filosófica. Por fim, por meio da análise de conteúdo de Bardin (2016), a seguinte questão de um questionário que envolvia outras dez foi analisada: “Você acredita que a Filosofia proporciona espaços ou momentos diferenciados em relação aos das outras disciplinas? Se sim, no que ela se diferencia?”. Das respostas dos 208 docentes, emergiram as seguintes categorias: criação de conceitos, espaço para debate/reflexão de ideias, possibilidade da experiência filosófica e superação do senso comum. Os resultados apontam, assim, um sentido de que a disciplina de Filosofia não deve limitar-se a um conhecimento enciclopédico, mas tratar-se de um conhecimento que se relaciona com o cotidiano de seus interlocutores. Faz-se necessário, porém, saber valorizar adequadamente a história da Filosofia, pois, ao valorizá-la demais, pode-se incorrer a um ensino meramente descritivista; contudo, ao não a valorizar, pode-se debruçar em discussões sem conteúdo filosófico.

Pesquisa: três dimensões formativas

PID: S2178-46122022000100110 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Boufleuer Cossetin Johann
Resumo Este artigo apresenta a pesquisa como princípio formativo e destaca a sua relevância para a dimensão do conhecimento e da aprendizagem, trazendo evidências de que ela é o modo humano de conhecer e compreender. Objetiva-se chamar a atenção para diferentes dimensões formativas da pesquisa que, em certo sentido, podem ser situadas como pressupostas ou anteriores a quaisquer modalidades, métodos, tipos ou estratégias de sua realização específica. Nessa direção, a pesquisa pode ser compreendida, em termos gerais, como constituidora do modo de ser humano e, em termos específicos, do modo de ser estudantil e docente. Para tanto, argumenta-se que a linguagem é um traço distintivo dos humanos que lhes permite simbolizar, interpretar, compreender e transformar; tais aspectos permitem dizer que a constituição do mundo humano é uma autocriação. Por fim, destaca-se a pesquisa como esforço para compreender as situações práticas mediante o recurso a categorias teóricas e/ou interpretativas e como uma atividade humana de fundamental importância, que tem nas instituições educativas um lugar privilegiado para a sua otimização, na medida em que inter-relaciona o ensino, a pesquisa e a experiência prática da vida.

Processos educativos populares na/da alimentação: a prática do saber e o saber da prática

PID: S2178-46122022000100306 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Simon Moretti Ploia
Resumo O presente artigo tem por objetivo compreender os processos educativos que emergem na/da relação entre trabalho e alimentação. Metodologicamente, resulta da análise qualitativa de dados produzidos em entrevistas semiestruturadas, anotações em diários de campo e narrativas com mulheres da região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Desse modo, selecionamos onze registros de mulheres de diferentes municípios da região, analisados a partir da codificação e da decodificação das narrativas de memória, valorizando a perspectiva crítica que é própria da Educação Popular na/da leitura de mundo. A categoria conceitual de memória é relevante para a compreensão da relação trabalho-educação-alimentação. A memória, como objeto de estudo epistemológico, torna-se vetor de uma vivência de pertencimento coletivo e popular, revela tradições, costumes e experiências dos grupos sociais bem como manifesta a organização das comunidades por seu trabalho, saberes e processos educativos que emergem no tempo e no espaço vividos. Em um primeiro momento identificamos como processos educativos emergentes: a relação entre comida e saberes; a produção e a manifestação de memórias partilhadas entre as mulheres; e o fortalecimento e a (re)existência de práticas alimentares. Destacamos, por conseguinte, o desvelar de práticas e saberes que se diferem em: 1) conservas, salgadas e aciduladas; 2) doces cremosos, compotas cristalizadas ou secas; e 3) derivados dos laticínios. Portanto, neste artigo, foi possível observar que experiências, saberes e práticas de alimentação estão relacionados ao trabalho. Consequentemente, entendemos que as mulheres ressignificam suas memórias. Logo, “ser mulher” implica partilha e reciprocidade bem como pertencimento pela consciência de saberes e práticas populares.

Professores(as) formadores(as) e suas concepções sobre o papel do(a) professor(a): uma análise a partir de Giroux, Freire e Gur-Ze’ev

PID: S2178-46122022000100112 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Poziomyck Guilherme
Resumo Este artigo discute o papel do(a) professor(a) na Educação a partir da produção teórica dos autores Henry A. Giroux, Paulo Freire e Ilan Gur-Ze'ev e de uma pesquisa de campo aplicada a professores(as) formadores(as) no Brasil. Para tanto, aborda alguns conceitos propostos por cada um dos três autores, como o conceito de intelectual transformativo proposto por Giroux, a perspectiva do(a) professor(a) como um(a) libertador(a) político(a) desenvolvida por Freire e o conceito de professor-improvisador descrito por Gur-Ze’ev na sua teorização sobre a contraeducação. Na segunda parte as contribuições teóricas desses autores servem como referência para interpretar os dados obtidos em uma pesquisa qualitativa aplicada a professores(as) de disciplinas pedagógicas de cursos de Licenciatura de uma universidade pública federal no estado do Rio Grande do Sul sobre o papel do(a) professor(a) na Educação contemporânea. Na análise de dados, retoma-se a questão do emprego do termo “papel” apresentada na introdução bem como do emprego da expressão “papel do(a) professor(a)” como categoria de análise da pesquisa em relação à qual os entrevistados demonstraram, em sua maioria, identidade conceitual. Dentre as falas dos entrevistados, destacam-se as temáticas da intencionalidade da ação docente, da neutralidade e da politicidade da ação docente, as quais têm grande relevância na obra dos autores estudados e repercussão no debate social brasileiro, vide os mais variados projetos de lei apresentados nas casas legislativas brasileiras que intentam, à sua visão, despolitizar a Educação no país.

Sobre a filosofia como pedagógica do sagrado: uma abordagem decolonial

PID: S2178-46122022000100114 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Alexandre
Resumo Trata-se, neste artigo, de investigar as noções de filosofia, pedagogia e sagrado à luz do chamado giro decolonial. Assim, a partir de um diálogo que procuro estabelecer com Enrique Dussel, Catherine Walsh e M. Jacqui Alexander, desenvolvo duas hipóteses. Em primeiro lugar, pretendo defender que para esses autores haverá uma noção de pedagogia que não se confunde unicamente com um instrumento, meio ou termo acessório para a filosofia. O importante é que, para esses intérpretes, isso pretende enunciar que haverá uma dimensão de pedagogia que está na base da constituição da própria ideia de filosofia. Em segundo lugar, e com mais importância, argumento que essa concepção de filosofia precisará ser ainda entendida de um duplo modo: (i) como uma epistemológica /pedagógica indispensável para a abordagem, o conhecimento e o tratamento da realidade; e (ii) como o prolongamento do encontro com uma realidade, ao mesmo tempo, indeterminada e sagrada. A relação entre essas duas dimensões filosóficas poderá ser assim sumarizada: mediante o aprender e o ensinar alternadamente (como práxis, atitude e método filosófico por excelência) é que se permitirá que a realidade apareça, ou seja, que o Outro possível apareça (para que fale, conheça e seja). Tal realidade sempre Outra – que não se pode localizar em qualquer lugar ou tempo, na mesma medida em que se faz presente em todos os lugares e momentos – é o que se poderá caracterizar como o sagrado. E é o que fará do sagrado, por conseguinte, agência de resistência e perturbação a todo esforço epistemológico, tanto quanto (e por isso mesmo) a atitude notadamente epistemológico-pedagógica como instância de revelação de um mundo prenhe de sentidos possíveis.

Um lugar para a leitura literária em bibliotecas universitárias

PID: S2178-46122022000100202 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Sanches
Resumo O presente estudo tem como objetivo, por um lado, refletir sobre as práticas de leitura no seio da biblioteca universitária, descrevendo e explicando as diversas possibilidades e a sua ligação com o propósito da formação universitária, e por outro demonstrar como uma atividade de leitura extraletiva na academia – um grupo de leitura – pode proporcionar experiências de leitura significativas para os envolvidos. Para tal, o estudo desenvolve uma reflexão teórica, baseada numa revisão de literatura, que evidencia os contributos da leitura literária e dos grupos de leitura em contexto académico para a dinâmica da aprendizagem ao longo da vida. Seguidamente, analisam-se entrevistas a participantes de um grupo de leitura, levado a cabo numa biblioteca universitária, procurando explorar o impacto das experiências declaradas neste âmbito no seu quotidiano. Conclui-se que os grupos de leitura se assumem como uma estratégia essencial de promoção da leitura literária e de aprendizagem de competências transversais, designadamente competências académicas assentes na reflexão crítica, na oralidade e na interação relacional, revelando-se, a par, o entrelaçamento da leitura partilhada com o quotidiano de cada um dos participantes, que vai para além da vida na academia. O estudo deixa pistas para um campo extenso de reflexão e ação.

Um olhar histórico sobre a educação popular na América Latina

PID: S2178-46122022000100301 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Adams
Resumo O presente ensaio brotou das reflexões decorrentes da leitura de Adriana Puiggrós em diálogo com outros autores. Busca, assim, valorizar a sua contribuição na perspectiva histórica para melhor compreender a caminhada da Educação Popular na América Latina. Este estudo bibliográfico com uma abordagem crítica tem por objetivos aprofundar a compreensão das características das expressões da Educação Popular nos seus variados contextos e indicar algumas influências significativas sobre a forma de ser e o seu desenvolvimento nas diferentes realidades. Entre os principais resultados está a reunião de elementos compreensivos de fontes pedagógicas, tendências e características da Educação Popular no decorrer da história. Evidenciam-se as contribuições de Simón Rodríguez, José Martí, Elizardo Pérez, José Carlos Mariátegui e Paulo Freire, que reconhecidamente são referências identificadas com a história e a prática social da Educação Popular na América Latina. Conclui-se que, em que pese a diversidade dos modos de ser, a mirada histórica mostra que há potencial e sentidos reais para a sua recriação para resistir e produzir mediações pedagógicas que contribuam na transformação social de nossas sociedades mergulhadas na desigualdade social. O campo de atuação da Educação Popular se amplia na sociedade, podendo abranger a Educação escolar e os espaços múltiplos da sociedade, na compreensão de que a Educação não é o único meio para transformar a sociedade, porém, igualmente, não se constitui um mero aparelho ideológico do Estado unicamente voltado à reprodução da ideologia dominante. Na visão dialética não há lugar para concepções essencialistas ou idealistas nem mecanicistas.

Vigotski e Freire: tecendo caminhos para uma educação inclusiva e emancipatória de pessoas com deficiência

PID: S2178-46122022000100310 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Silveira Moreira
Resumo O texto consiste em um diálogo entre a Psicologia Históricocultural de Lev Vigotski e a Pedagogia de Paulo Freire no que se refere às possibilidades da Educação Inclusiva das pessoas com deficiência. Vigotski entende a deficiência como um fenômeno construído e mediado socialmente. A forma como a pessoa encara as suas limitações está condicionada ao meio social, que está construído em função de um padrão de normalidade, o qual comumente cria barreiras físicas, educacionais e atitudinais para a participação social da pessoa com deficiência. Assim, não é o biológico que determina a deficiência de uma pessoa, mas as mediações que ela encontra no contexto social. Freire defende uma Pedagogia para a libertação dos oprimidos, o que requer que a prática educativa seja possibilitadora da realização da condição ontológica de “ser mais” de todos os seres humanos. Entendemos que as pessoas com deficiência inseridas em um meio social que enxerga a deficiência como defeito e como limitadora do sujeito se inserem na categoria freiriana de oprimidos. Uma Educação Libertadora implica ouvir a voz de todos, procurar a pronúncia do mundo de todos, sem homogeneizações, sem padrões de normalidade, vendo todas as pessoas como sujeitos históricos e trabalhando para a sua conscientização. Os legados de Vigotski e Freire podem nos ajudar a construir uma Educação mais inclusiva de fato, sobretudo pela sua aposta no ser humano como ser potente e na sua capacidade de superação, apesar das condições adversas conferidas pela deficiência no meio social.

É possível eliminarmos a transferência no ensino?

PID: S2178-46122022000100108 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Manzi
Resumo Este artigo visa contribuir no modo como pensamos a relação da psicanálise freudiana e a educação. Dentre os vários clássicos que lidam com essa questão, voltamo-nos ao livro de Catherine Millot, Freud anti-pédagogue, por este proporcionar uma visão ampla sobre nosso tema e ter uma conclusão polêmica: uma antinomia entre educar e analisar. Se isso for verdade, há como pensarmos em uma relação entre pedagogia e psicanálise? Millot nos diz que não pode haver uma pedagogia analítica no sentido de uma ciência da educação, considerando a referida ciência tal como se emprega o saber adquirido pela experiência psicanalítica sobre o inconsciente. Esse discurso bem articulado de Millot nos levou a crer (no meio acadêmico) que há um afastamento definitivo entre esses campos. Nossa questão aqui é: podemos pensar de outra forma? Para a presente reflexão, acompanhamos a posição de um pensador contemporâneo brasileiro: Rinaldo Voltolini, o qual argumenta que o problema da posição da psicanálise no campo educativo está voltado a um discurso de mestria. Pensaremos então sobre a impossibilidade do educar e o papel do ideal do eu na educação. Voltolini afirma que uma mestria é impossível. Em sua argumentação, mestria é entendida como uma maximização do efeito da educação sobre a criança em uma direção desejada. Em outras palavras: um direcionar-se a um ideal. Nesse sentido, podemos nos questionar: é possível, afinal, eliminarmos a transferência no ensino? Ou podemos nos utilizar da transferência no saber? Nossa conclusão se volta à ideia de que o educador trabalharia a partir de seu poder sugestivo; sabendo disso, ele pode se servir de tal poder na educação.

Ética, liberación y filosofía política en el legado freiriano: un análisis transmetódico

PID: S2178-46122022000100401 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2022
Autores: Rodríguez
Resumen En el proyecto decolonial planetario como objetivo complejo sustentamos la ética, liberación y filosofía política en el legado freiriano desde un análisis transmetódico. Bajo la deconstrucción rizomática. En la que develamos aristas importantes para el análisis de dichas categorías. La indagación lleva estudios continuados en la línea de investigación titulada: Paulo Freire: el andariego de la utopía en las transmetodologías. En la reconstrucción, más allá de conclusiones acabadas develamos esencias de la utopía en la praxis freiriana en el campo de acción de la opresión, más allá de las letras muertas de los currículos y las políticas soslayadoras del momento disfrazadas de decoloniales. En el legado freiriano es digno reconocer el ser y hacer como conjunción irrevocablemente convocativo a la liberación, una filosofía política de servicio y fe en el ser humano, empantanado de su dolor y develando su potencial de grandeza de creación. Urgente la concientización-concienciación de que no hay educación popular, liberadora sin la ética, es inclaudicable para Paulo Freire la ética, guía de accionar, antropoética en la responsabilidad en el accionar y acción política hacia el oprimido. La esperanza para el oprimido y el amor por los seres humanos; esa talla del pedagogo debe ser llevada en los análisis considerando que llevó la lucha del oprimido y que le enseño como empoderarse en su lucha, que era el de su coterráneo, que es la de cada oprimido que grita en el mundo; pero también del que calla. Mucho del que calla, del conformista e indefenso.

Bullying a partir de uma narrativa biográfica: família e escola no cerne da questão

PID: S2178-46122021000100106 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Aragão
Resumo A violência percebida – e vivida – por estudantes manifesta-se de múltiplas maneiras, no ambiente escolar, entretanto um dos tipos de violência que provoca grande dano físico e psíquico ao estudante é a agressão conhecida como bullying (valentão ou brigão em tradução livre para a língua portuguesa). Esse pode ser compreendido como práticas de atos violentos, intencionais e repetitivos de uma pessoa contra outra. Como decorrências, a vítima pode sofrer desde sintomas de ansiedade, depressão, baixo desempenho escolar, comportamentos antissociais e stress, até autoflagelação e suicídio. Partindo desse contexto, o presente artigo objetivou discutir, criticamente, o papel da família e da escola como espaços que podem erigir e potencializar o fenômeno bullying, bem como sugerir possibilidades de ação na perspectiva da cultura de paz no ambiente escolar. Como caminho metodológico, foi entrevistado um estudante que, por longos anos, foi vítima de bullying. As entrevistas ocorreram na perspectiva da História Oral, a qual impele um olhar sociocultural ao fenômeno narrado, compreendendo que nenhuma história é apenas individual, mas está inscrita num cenário social e culturalmente construído. O suporte teórico está apoiado nos estudos de Pierre Bourdieu (1996), Cleo Fante (2011), Miriam Abramovay (2010), entre outros autores, que auxiliam a refletir sobre as relações socioculturais na interface com a violência escolar. O texto foi finalizado com uma análise crítica a respeito do papel da escola no combate e na prevenção do bullying, bem como indicando possibilidades de ação para lidar com o problema, tendo como base a comunicação não violenta, a disciplina positiva, dentre outros caminhos que se inserem na perspectiva da cultura de paz.

A atualidade do pensamento pedagógico de Otto Willmann

PID: S2178-46122021000100120 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Tourinho Mocarzel Menegat
Resumo Este ensaio teórico tem como objetivo central analisar e debater o pensamento, principalmente na área educacional, do pedagogista e filósofo austríaco Otto Willmann, considerado o fundador da pedagogia social moderna. Trata-se de um estudo de caráter bibliográfico, que faz uso, em primeiro plano, da única obra do autor traduzida para o português e de outras escritas por comentaristas contemporâneos, bem como textos recentes de reflexão, nos quais são analisados o contexto histórico, as influências que ele sofreu, como as teorias de Johann Friedrich Herbart, a sua biografia, as suas obras e não somente a sua contribuição à história do pensamento pedagógico, mas também possíveis contribuições à situação educacional dos dias de hoje. Em um período de grandes mudanças de pensamento no Ocidente, principalmente no mundo germânico do século XIX, um dos aspectos discutidos é como Otto Willmann conseguiu conciliar o aspecto individual com o social na pedagogia, evitando alguns dos extremismos característicos de sua época, como o psicologismo e o determinismo sociais, sendo um pioneiro da pedagogia social. Além disso, busca demonstrar como ele se constituiu um intelectual público, no sentido cunhado por Henry Giroux, contribuindo para transformações em sua realidade, no caso, o Império Austríaco. Entende-se, então, que Willmann se tornou um pensador que buscou a conciliação entre os aspectos individual e social na pedagogia e na didática, justificando, a partir disso, a cientificidade de ambas as áreas, demonstrando a importância do estudo da sociologia e da história da educação (inclusive da história das ideias pedagógicas) como ciências auxiliares da educação.

A descolonização do pensamento e a perspectiva em Ciência, Tecnologia e Sociedade

PID: S2178-46122021000100108 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Lourenço Haliski Baptistella
Resumo A filosofia e os filósofos ocidentais, desde sua gênese na Grécia Antiga, acreditavam que apenas os gregos possuíam epistemologias e racionalidades. As sociedades africanas, por exemplo, eram consideradas a-históricas e tinham sua contribuição na estruturação do conhecimento científico negada pelos filósofos ocidentais. Durante muitos séculos, essa ideia foi difundida ao redor do mundo, inclusive, durante o projeto de colonização das Américas. Assim, o objetivo deste artigo é compreender, através de uma revisão bibliográfica, como a falta de reconhecimento dos povos diásporos por parte da filosofia ocidental acarretou o silenciamento da filosofia africana, articulando os estudos em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) como aliados no processo de descolonização do conhecimento da sociedade brasileira. Com o intuito de deslocar o pensamento do eurocentrismo, nosso referencial teórico é composto por filósofos pós-coloniais e/ou descoloniais, como Dantas (2018), Ribeiro (2017), Fanon (1968), Quijano (2005, 2009), dentre outros, que, através de seus estudos, evidenciam a necessidade de libertação do colonialismo presente na diáspora. De início, apresentamos, brevemente, o berço da filosofia ocidental, destacando a ausência da filosofia africana em sua concepção, e as duas ferramentas desenvolvidas pelo eurocentrismo para este fim: o epistemicídio e a colonialidade. Na sequência, relacionamos o conceito de descolonização com os estudos em CTS, uma vez que ambos visam a romper os paradigmas estabelecidos pelo modelo predominante de ciência. Por fim, nas considerações, apontamos os desafios e as perspectivas da educação brasileira sobre o ensino de filosofia africana, através de uma visão afroperspectivista, indicando possíveis caminhos para uma descolonização do conhecimento em sociedades afrodiaspóricas. As investigações, estabelecidas no presente artigo, têm como ponto de discussão a importância do ensino de filosofia africana em países afrodiaspóricos, especialmente no Brasil. A principal intenção, aqui, é apontar horizontes que vão além da filosofia ocidental.

A genealogia como expansão da crítica no pensamento de Michel Foucault

PID: S2178-46122021000100118 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Valeirão Bandeira Schmidt
Resumo Este artigo faz um traçado temporal/metodológico na obra de Michel Foucault, a partir dos eixos teórico-metodológicos da arqueologia e da genealogia e busca demonstrar que a passagem de um eixo para outro significa, igualmente, uma alteração de método e de objeto de pesquisa. Todavia a dimensão arqueológica não é posta de lado, trata-se, antes, de uma expansão da crítica, pois essa se mantém de forma contundente, apesar de o tipo de questão metodológica mudar, e a análise passar a centrar-se, então, na correlação entre poder e saber. A metodologia utilizada para a escolha das obras referenciadas no presente artigo deu-se a partir da seleção de passagens, no conjunto dos textos, que tratam dos temas abordados e que corroboram os argumentos propostos. Visa, ainda, a detalhar os elementos metodológicos da genealogia, apresentando o seu potencial crítico, a partir do entendimento de que a crítica genealógica é local, contingente, provisória; é um empreendimento para libertar os saberes históricos; é preciso ultrapassar/criticar uma tradição que defende que só há saber onde/quando se suspendem as relações de poder. Por fim, quando se define o exercício de poder, como um modo de ação sobre a ação dos outros, quando o caracteriza pelo governo dos homens, por uns ou outros, no sentido mais lato dessa palavra, inclui-se um elemento fundamental: a liberdade. O poder só se exerce sobre sujeitos livres e enquanto são livres – a relação de poder e a insubmissão da liberdade não podem ser separadas. A genealogia instaura uma ontologia histórica (limitada, determinada e sempre passível de recomeço), e o que se propõe é um êthos, uma vida filosófica em que a crítica do que somos é a análise histórica dos limites que nos são colocadas e a experiência da sua transgressão possível. Vida que procura promover e dar forma à impaciência da liberdade, segundo o princípio da autonomia.

As religiões e o modus operandi neoliberal: A fé como produto à la carte

PID: S2178-46122021000100408 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Pizzi
Resumo A lascividade dos discursos religiosos engendra uma capacidade estupefata de atrair e perverter os fiéis. Como únicos intérpretes do texto sagrado, a versão ortodoxa se apoia em um fundamentalismo que entorpece a capacidade crítica. Quem se atrever a dar outra interpretação passa a ser apontado como satânico. Uma das referências do fundamentalismo religioso está no pietismo europeu que, aos poucos, migra para os Estados Unidos. Mais recentemente, esse fundamentalismo religioso chega na América Latina. No Brasil, ele aparece sob a denominação de “igreja”, com distintas e variadas denominações. Atualmente, a noção de fundamentalismo abarca outros setores da vida social, política, cultural e econômica. No horizonte de uma economia neoliberal, “tudo”, ao menos implicitamente, se transforma em mercadoria. O triunfalismo do mercado passa a considerar a fé também um produto à la carte. O neoliberalismo é, então, a prospectiva para a concentração cada vez maior da riqueza, tornando a fé um instrumento que favorece uma minoria, cada vez mais avantajada. No caso do Brasil, a proliferação de “igrejas” consolida ainda mais as desigualdades sociais e econômicas.

Avaliação da educação: o uso dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no contexto escolar

PID: S2178-46122021000100127 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Ferreira Silveira
Resumo A proposta que se insere neste artigo é a de ampliar a discussão sobre a presença da Filosofia na Educação Básica, a partir das formulações propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), instituídas a partir do Parecer CNE n. 15/2017 e da Resolução CNE n. 2/2017 e suas relações com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado, anualmente, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC) e aplicado a estudantes e egressos do sistema educacional brasileiro, ou seja, o exame é de adesão voluntária e se propõe a avaliar os conhecimentos que os inscritos indicam saber (autoavaliação) sobre os conteúdos apreendidos durante os anos finais de formação na Educação Básica. O estudo utiliza a investigação exploratória e tem como objetivo estudar os resultados do Enem entre os anos 2013 e 2018, seu histórico, suas dinâmicas e propor uma análise sobre a avaliação do desempenho escolar por meio de habilidades e competências. Busca-se, também, compreender as avaliações externas, seus aspectos históricos e sua evolução com base em autores como Borges e Rothen (2019), Ferreira (2019), Minhoto (2017), Oliveira (2020), Soares (2020), Vieira (2020), entre outros, além das normativas legais que impactam e regulam as ações do microespaço da sala de aula. As análises indicam que a disciplina de Filosofia, possivelmente, desaparecerá do currículo escolar, uma vez que seus conteúdos se encontram diluídos nos chamados itinerários formativos dentro das disciplinas de Ensino Religioso (Ensino Fundamental) e de História (Ensino Médio), reforçando a afirmação de Soares (2020) de que as “demandas socialmente úteis ao sistema capitalista tendem a fortalecer ideias perigosas, como a possível extinção dos cursos de Ciências Humanas dos currículos, bem como afasta a educação de sua prerrogativa fundamental, que é educar para a emancipação”.
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