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C. S. Lewis e uma crítica à educação promovedora de abolição do homem

PID: S2178-46122021000100112 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Andrade Filho Costeski
Resumo O presente artigo objetiva colocar em evidência as razões de uma crítica elaborada pelo escritor irlandês Clive Staples Lewis (1898-1963) aos rumos da educação da juventude na Europa, notadamente no Reino Unido, no século XX. Sua crítica ganhou como principal tese aquilo que o escritor chamou de “abolição do homem”, resultante de um sistema educacional promotor de uma pretensa racionalidade que impedia o desenvolvimento de um elemento intermediário no ser humano, entre o cerebral e o visceral. Para Lewis esse elemento intermediário são as emoções que, se forem bem-treinadas, dotam o intelecto com capacidades para lidar com o mero organismo animal. Para esse intento, nosso ponto de partida, neste nosso trabalho, foi delineado pelo recorte de um trabalho mais amplo, que consiste em uma exposição que, em linhas gerais, põe em relevo algumas diretrizes que apontam à composição de uma filosofia da educação em C. S. Lewis. Buscamos colher, inicialmente, os elementos de uma antropologia filosófica, colhidos diretamente, por um procedimento interpretativo, da vasta obra do autor em questão, particularmente: A abolição do homem. Cristianismo puro e simples. O peso da glória. Reflexões cristãs. Os quatro amores. Cartas de um diabo a seu aprendiz. Deus no banco dos réus. Ética para viver melhor. Reflexões cristãs, dentre outras. Além desses textos utilizados como fonte direta, tomamos por orientação de nossa composição, também, o trabalho de Gabrielle Greggersen, intitulado: A antropologia filosófica de C. S. Lewis, no qual a autora faz uma incursão interpretativa nos textos de literatura ficcional do autor, bem como os trabalhos biográficos de Alister MacGrath: Conversando com Lewis e . vida de C. S. Lewis, nos quais são ricamente detalhadas a vida e a obra do filósofo irlandês.

Crítica da concepção de liberdade segundo o neorrepublicanismo de Pettit

PID: S2178-46122021000100109 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Durão
Resumo Pettit desenvolveu uma versão normativa do republicanismo fundado na concepção de liberdade como não dominação, a partir da separação entre liberdade negativa e liberdade positiva de Berlin, constituindo uma terceira forma de liberdade, diferente da não interferência do liberalismo e do autodomínio do populismo. Contudo, a reconstrução do conceito de liberdade, na história da filosofia, mostra que os lados negativo e positivo formam duas caras inseparáveis da mesma moeda, por isso, Hobbes concebeu um conceito de liberdade como movimento/não impedimento, para fundamentar a República de Cromwell, enquanto os liberais, como Locke, pensaram na liberdade como consentimento/não arbitrariedade, e os republicanos, como Maquiavel, engendraram a liberdade como autodomínio/não dominação.

Cultura de estupro: desengajamento moral como ferramenta de análise

PID: S2178-46122021000100301 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Pontin Guerim Barbosa
Resumo Este texto tem por objetivo oferecer uma análise da cultura de estupro a partir do cognitivismo social, especialmente pela abordagem dos mecanismos de desengajamento moral desenvolvidos por Albert Bandura. Através dessa perspectiva, visamos a debater, de forma crítica, as abordagens que explicam a recorrência do estupro pelo prisma evolucionista, como a de Steven Pinker. Nossa hipótese, desenvolvida ao longo do texto, é que o estupro é um fenômeno de cunho social, consequência da permissividade legal, linguística e cultural da violência contra a mulher em contextos sociais marcados pelo machismo e pela misoginia.

De Darwin ao século XXI: uma breve revisão da jornada histórico-epistemológica das ideias sobre evolução1

PID: S2178-46122021000100303 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Araújo
Resumo Teorias sobre as mudanças sofridas pelos organismos ao longo do tempo são conhecidas desde o século XVIII. A mais famosa, no entanto, assim como a mais debatida, foi a de Charles Robert Darwin, expressa na sua mais conhecida obra, A origem das espécies (1859). É importante mencionar que quando esse naturalista nascia, em 1809, um livro do francês Jean Baptiste Antoine Pierre de Monet, cavaleiro de Lamarck (epíteto pelo qual ele ficou conhecido) era publicado o Philosophie zoologique, onde também uma teoria da transformação dos seres vivos fora proposta. Darwin a ela se referiu elogiosamente, em . origem; seus primeiros estudos científicos foram, inclusive, baseados em Lamarck e na sua teoria da herança, a qual foi proposta em outra obra, Variation of animals and plants under domestication (1868), tinha fundamentos lamarckianos, especialmente quanto à herança de caracteres adquiridos. E, de “um início tão simples”, como disse Darwin nas últimas linhas de A origem, aquilo que ele chamou de “teoria da transmutação das espécies”, mudou ao longo do tempo, atingindo uma expressão dominante em todo o século XX, na chamada Síntese Evolutiva. É esse percurso que será apresentado aqui, culminando com uma proposta recente, de 2010, de nova teoria evolutiva, que ainda está sendo confrontada com a anterior.

Desigualdade e Educação: mais uma revolução inacabada?

PID: S2178-46122021000100124 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Streck
Resumo O artigo propõe-se revisitar a relação entre desigualdade e educação, um tema que acompanha a educação nas sociedades modernas. Apesar do acesso a dados sobre a desigualdade na sociedade e na educação, bem como de muitas análises sobre as origens e tendências que provocam verdadeiros apartheids sociais, tem-se a impressão de que a “metáfora do labirinto”, comum na literatura latino-americana, se aplica à educação. O artigo está dividido em duas partes: na primeira, busca situar o tema da desigualdade como um problema da educação e para a educação, com breve referência a obras clássicas e identificação de alguns lugares pedagógicos que podem servir à perpetuação da desigualdade ou de resistência a ela. A segunda parte, tomando por base pensamentos do início da segunda metade do século passado, gira em torno da pergunta: Estaríamos diante de mais uma revolução inacabada na América Latina? São debatidos dois temas: a atualização da noção de conscientização e as nuanças pedagógicas de conceitos como libertação, exclusão social e (de)colonialidade. Na conclusão, acentua a centralidade de Paulo Freire para compreender a relação entre desigualdade e educação e para a criação de inéditos viáveis na educação e através da educação para a promoção de uma sociedade menos desigual e mais justa.

Dos ideários neoliberais à constituição de políticas de formação docente brasileira: tempos de recessão ideológica ou alienação mercadológica?

PID: S2178-46122021000100101 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Barreto Costa Souza
Resumo A formação docente brasileira foi marcada por interlocuções epistêmicas, mudanças e transformações estruturais e conjunturais, atreladas aos âmbitos sociais, culturais, econômicos, jurídicos e políticos, influenciando e (re)configurando as dimensões do ser professor. Sua configuração, como um ser social, permite a transposição dicotômica entre conhecimentos científicos e senso comum, possibilitando reflexões a uma análise conjuntural acerca da realidade posta, efetivando a essencialidade do processo formativo elucidada a partir do rompimento alienado efetivado por meio dos princípios ideológicos que regem, fragilizam e fragmentam essa formação. Propomos analisar evidências delineadas na Resolução CNE n. 6/2018 (BRASIL, 2018), acerca da implementação nacional de políticas institucionalizadas neoliberais para formação docente em Educação Física. Para tal feito, nos ancoramos em características investigativo-descritivas com pressupostos de análise de conteúdo e documental (MINAYO, 2016), sustentados pelo subentendimento da teoria da alienação trazidas por Konder (2008, 2009). Diante das análises, destacam-se indicadores dos ideários neoliberais, transcritos por meio de orientações com vistas à formação docente para atuação no mundo do trabalho. A partir das orientações normatizadas em prol de um processo formativo com competências e habilidades, delineadas nos indicadores destinados à “área de estudo e pesquisa”; “área de conhecimento específico para educação”, “atividade acadêmica para prática pedagógica”; e “componente curricular”, evidenciando os pressupostos de uma formação sistêmica e linear, subscrevendo a formação humana do futuro professor a determinados interesses e com viés que diverge dos pressupostos educacionais, suscitando uma possibilidade de alienação, induzindo à formação docente por meio de uma ideologia prescrita subliminarmente, à qual o profissional em formação será submetido, dificultando, por vezes, a construção de um conhecimento que propicie sua emancipação de forma crítica e reflexiva acerca da realidade social.

Due concezioni della sopravvivenza: l’eternità e l’immortalità

PID: S2178-46122021000100410 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Andolfi
Resumo O ensaio considera as concepções da sobrevivência de três autores do século XIX, Schleiermacher, Feuerbach e Guyau, e se interroga sobre a possibilidade de pensar formas de imortalidade dos indivíduos no quadro de uma religião sem Deus.

Educação em direitos humanos nos cursos jurídicos do Estado de Alagoas e seus reflexos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes: um estudo de caso

PID: S2178-46122021000100128 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Cordeiro Palmeira Prado
Resumo O presente trabalho busca investigar a formação propagada pelos cursos de Direito do Estado de Alagoas, objetivando avaliar se atendem aos postulados da Educação em Direitos Humanos. Partindo-se do pressuposto de que ainda preponderam o dogmatismo e o olhar legalista na formação dos futuros bacharéis, deixando em segundo plano a formação humanística, adotou-se como opção teórico-metodológica a abordagem de natureza qualitativa, com ênfase na revisão de literatura e na análise dos 18 currículos dos cursos de Direito ofertados em Alagoas. Para a análise dos dados utilizou-se a Análise de Conteúdo de Bardin, elegendo como categorias a presença da disciplina “Direitos Humanos” nos currículos dos cursos de Direito e a proporção de disciplinas de Formação Humanística em relação às técnico-jurídicas. A fim de compreender como a educação em direitos humanos pode influenciar a formação do estudante de Direito, foram analisados os resultados do Enade nos anos de 2006, 2009, 2012 e 2015, nas questões que abordaram, de forma direta ou indireta, os direitos humanos. O referencial teórico pauta-se por autores como: Tardif, Apple, Giroux, Tomaz Tadeu, Barbosa, dentre outros.

Educação na sociedade da informação: contribuições para uma prática emancipatória

PID: S2178-46122021000100126 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Schwartz Batista
Resumo Este artigo trata da educação no contexto da sociedade da informação, visa a identificar desafios que recaem sobre o campo educacional, principalmente no que se refere à instrumentalização da educação pelo capital, às implicações que acometem a formação e a atuação docente, assim como influências da expansão das Tecnologias de Informação e Comunicação, reverberando nas atuais formas de conceber os processos educativos. Desafios, esses, evidenciados à luz da Teoria Crítica, mais especificamente, apoiados nas categorias conceituais Bildung (formação) e Halbbildung (semiformação) de Adorno, no ensaio Teoria da semicultura (2005). Compreende uma pesquisa bibliográfica, de caráter analítico, que possibilitou dialogar com estudiosos de Theodor Adorno e da Teoria Crítica, defendendo as discussões em torno da semiformação institucionalizada e da falência da formação ante as interferências da indústria cultural, como forma de resistir às forças opressivas e de padronização impostas pela ordem vigente. Entende que a educação, na sociedade da informação se encontra, em muitos aspectos, vinculada aos interesses econômicos e ideológicos neoliberais, resultando na semiformação, comprometendo a verdadeira missão do ensino escolar e uma ampla formação humana, resultando na semiformação, na desvalorização e no esvaziamento do papel de importância das instituições e dos profissionais da educação. Conclui que a educação utilitarista e pragmática contribui para a permanência de um arranjo social que conduz os sujeitos à inabilidade crítica, à perda de identidade, à submissão, à insensibilidade em relação a si e aos outros, ao retrocesso e à limitação da potencialidade humana, que, uma vez alienada, impede o rompimento com os processos de manipulação e padronização de comportamentos que conduzem à barbárie.

Educação para o pensar: uma análise epistemológica do método dialético-socrático aplicado à pragmática filosófica de Lipman

PID: S2178-46122021000100114 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Costa
Resumo O presente trabalho faz uma análise comparativa entre o pensamento dialético de Sócrates e a proposta pedagógica do filósofo Matthew Lipman, principalmente em suas obras: A Filosofia vai à escola (1990) e O pensar na educação (1995). Para tanto, identificamos que o pensamento dialético como método aparece em Sócrates através da maiêutica, em que, por meio do diálogo, busca-se chegar a um pensamento correto. Esse exercício conceitual acompanha a história da Filosofia e ganha um lugar central nas reflexões epistemológicas sobre o processo de conhecimento que pode, ou não, provir de um sujeito autônomo e engajado no mundo em que vive, como podemos identificar no livro VII de . República (1949) e no diálogo de Críton (1997). Lipman, com sua Filosofia pragmática, é um desses autores influenciados pela dialética socrática que encontra, no debate público, o caminho para pensar numa prática educacional engajada nos desenvolvimentos intelectual e social dos envolvidos no processo de ensino de Filosofia da infância. Destacamos que essa proposta de ensino endossa uma crítica ao modelo de educação conteudista e insere a educação para o pensar nos anos iniciais da Educação Básica como um processo reflexivo contextualizado e dialógico. Nesse sentido, destacamos o método socrático adaptado à Filosofia para crianças como resultado de uma visão pedagógica pautada pelo pensamento dialético que possibilita a formação de um sujeito epistemológico e moral. Pensar a Educação como ferramenta de evolução social ao formar indivíduos seguros de suas posições conceituais e abertos às diferenças, sejam elas epistemológicas, sejam elas ideológicas, parece ser uma das principais contribuições extraídas da abordagem dialético-pragmática da Filosofia para o pensar.

Educação, formação humana e ética: desafios à política neoliberalismo ortodoxo no Brasil educacional no contexto do neoliberalismo ortodoxo no Brasil

PID: S2178-46122021000100116 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Santos Gonçalves Taddei
Resumo Neste ensaio, discutimos a relação entre educação, formação humana e ética no contexto do neoliberalismo ortodoxo, bem como alguns desafios apresentados à política educacional do Brasil. Caracteriza-se como um estudo exploratório de cunho teórico e faz parte de um conjunto de três projetos de pesquisa em nível de doutorado, realizados em uma universidade do Sul do Brasil, no período de 2017 a 2020. Ao contextualizarmos o atual momento do neoliberalismo no País e apresentarmos alguns fundamentos de uma formação humana e ética, acenamos aos desafios atuais presentes para consolidação de uma política educacional cujo horizonte seja a plena formação humana. Os estudos demonstram que a política educacional sob a perspectiva da formação humana, na atualidade, necessita garantir condições que articulem, no âmbito da escola, acesso aos conhecimentos científicos, criatividade e auto-organização dos sujeitos do processo pedagógico em sua totalidade.

Em nome do Pai: a (não) laicidade em instituições e escolas públicas

PID: S2178-46122021000100400 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Santos Santos Grando
Resumo Como a religião é vivenciada nas instituições públicas? Nas escolas existe o respeito às diversas religiões ou os professores legitimam as próprias crenças? Para compreensão de tais questões, participamos das aulas de Ensino Religioso, entrevistamos professoras e servidores da Câmara e da Prefeitura Municipal. Dos resultados podemos apontar: Os símbolos e as práticas religiosas estão presentes nos espaços públicos, onde deveriam primar o princípio da laicidade, o Ensino da Religião, onde, em geral, prevalece a religião do professor; as demais são vistas como crendices; a criança que se posiciona contrária à atitude do professor acaba vítima de discriminação e exclusão.

Embrutecimento ou emancipação: A relação entre professor e aluno em sala de aula a partir de diferentes enquadramentos

PID: S2178-46122021000100122 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Oliveira Oliveira
Resumo Neste artigo, nosso objetivo é desenvolver o seguinte questionamento: Na relação entre professor e aluno em sala de aula, é possível, através do reconhecimento mútuo, romper com o princípio da desigualdade das inteligências, que produz o embrutecimento, em prol de uma educação para a emancipação? De início, principalmente, a partir de Judith Butler (EUA, 1956), descrevemos o processo de reconhecimento mútuo e buscamos mostrar que, tanto nas relações entre professor e aluno como em outras possíveis conjunturas, o reconhecimento mútuo ocorre mediante determinadas normas que condicionam os modos de reconhecimento. Em seguida, com Jacques Rancière (Argélia, 1940), focamos o princípio da desigualdade das inteligências que, de acordo com o filósofo franco-argelino, se faz presente como verdade inquestionável ou crença inabalável na relação entre mestre e aprendiz. Situada dentro do enquadramento da desigualdade das inteligências, a relação entre professor e aluno se configura em duplas polarizadas, de modo que temos, de um lado, o professor posto como sábio, sujeito ativo, explicador e capaz de usar sua própria inteligência; e, do outro, o aluno tido como ignorante, espectador passivo, incapaz de aprender por si mesmo e sempre dependente do mestre explicador. Em tais termos, o reconhecimento mútuo entre eles se torna impossível. Por fim, postulamos, ainda, a partir de Rancière, o princípio da igualdade das inteligências e ensaiamos a possibilidade de ruptura com o princípio da desigualdade das inteligências, em prol de uma educação comprometida, não com o embrutecimento e a submissão da inteligência do aprendiz àquele mestre, mas com a emancipação de ambos, compreendidos, daí por diante, como interatores, iguais em inteligência na sala de aula.

Espólios filosóficos na Base Nacional Comum Curricular – Ensino Médio: a dimensão ética

PID: S2178-46122021000100121 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Heuser Dias
Resumo Este artigo considera a marcante instabilidade da Filosofia nos currículos da educação brasileira, assim como o seu desaparecimento como disciplina, na versão aprovada da Base Nacional Comum Curricular. Apresenta as prováveis alterações que esse documento promoverá na educação, referente à formação dos professores, ao impacto político e à autonomia docente na criação de aulas, para, então, dedicar-se aos espólios filosóficos restantes na Base, sobretudo àqueles relativos à .tica. Mostra que a dimensão ética atravessa o documento e está presente nas “Competências Gerais” a serem desenvolvidas ao longo da Educação Básica, sendo, portanto, uma preocupação de todas as áreas do conhecimento, sobretudo no que se refere às tecnologias digitais de informação e comunicação e à sustentabilidade ambiental. Volta-se à definição de ética do documento e a suas bases, a saber, justiça, solidariedade e livre-arbítrio; problematiza seus sentidos e marca algumas incoerências. Evidencia que o documento, apesar de incentivar que a educação dos jovens esteja, de um lado, voltada para aquilo que fizemos e sabemos do mundo, por outro, para o aberto e indeterminado, dá ênfase excessiva à busca de soluções e ao aprendizado de respostas, dando prioridade, no que respeita à Filosofia, à resposta socrática para a questão “O que é o ser humano?”. Destaca a ideia apresentada no documento de que o nosso tempo requer uma “nova mentalidade”, regida por uma “ética diferente”, e defende que é por meio do contato com modos de pensar filosóficos, presentes nos textos primários de Filosofia, trabalhados por professores habilitados para isso, que os estudantes tornar-se-ão competentes e hábeis nos dois principais sentidos éticos da Base – 1) da nossa relação com a natureza, com o planeta e seus bens finitos; e 2) da relação consigo mesmo, o modo de ser. Afirma, por fim, que, apesar da espoliação sofrida pela Filosofia na Base, nenhum projeto de Educação pode ser sustentado sem ela.

Estágios supervisionados de enfermagem e a dimensão humana da formação na concepção dos docentes

PID: S2178-46122021000100130 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Leal Melo
Resumo A formação do Enfermeiro é um processo dinâmico que está em constante transformação. Atualmente, deseja-se o perfil de um profissional que contemple não somente habilidades técnico-científicas, mas que também adote uma postura crítico-reflexiva e humanista alicerçado na ética. O aprender a cuidar em Enfermagem perpassa por questões que vão além do saber teórico, exigindo outras formas de agir, no que tange à formação e prática apoiadas na humanização. O presente estudo teve por objetivo geral compreender os sentidos de humanização na relação docente-discente durante os estágios supervisionados nos serviços de Atenção Terciária à Saúde, de um curso de Graduação em Enfermagem do interior de Pernambuco. E como objetivos específicos: Investigar qual a percepção sobre relação humana entre docente e discente durante os estágios supervisionados; identificar como é desenvolvida a relação entre docentes e discentes durante tais atividades e analisar como esta relação pode repercutir e/ou impactar no desenvolvimento e atuação dos pares. Salientamos que o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, com o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAEE) de n. 05009218.4.0000.5208. A pesquisa em questão caracterizou-se por uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e para obtenção dos dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas e audiogravadas, no período de março a maio de 2019, com sete professores orientadores de uma Instituição Privada de Ensino Superior do Agreste de Pernambuco, que acompanharam os Estágios Supervisionados na Atenção Terciária à Saúde. A análise dos dados se deu a partir da perspectiva de Bardin e os resultados obtidos apontaram que os docentes compreenderam e reconheceram que uma relação humanizada, no contexto dos estágios supervisionados, é baseada no respeito às crenças, valores e princípios, com vistas à integralidade do ser humano. Além disso, os achados nos mostram que o tipo de relação estabelecida entre este binômio pode impactar de diversas formas no desenvolvimento de suas atividades. A referida pesquisa possibilitou identificar e compreender os sentidos de humanização na relação docente-discente durante o exercício dos Estágios Supervisionados, mediante uma prática alicerçada na integralidade do ser.

Evolução, evolucionismo e antropologia sociocultural: contribuições para um debate inconcluso

PID: S2178-46122021000100302 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Sordi
Resumo Está bem-estabelecido que a moderna noção de ser humano está firmemente ancorada no conceito de evolução natural, no que diz respeito à sua origem biológica e, no conceito de cultura, no que diz respeito à sua condição existencial e à sua multiplicidade de modos de vida. Este artigo discute a relação entre o paradigma evolucionista nas ciências naturais e o pensamento antropológico moderno, analisando as raízes de alguns mal-entendidos entre as duas tradições intelectuais. Notadamente, o embaralhamento entre os legados da obra do naturalista Charles Darwin e do filósofo Herbert Spencer para a escola de pensamento conhecida como “evolucionismo social”, hegemônica entre a década de 70 do século XIX e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) no contexto antropológico. A partir da crítica dirigida aos autores dessa escola por Franz Boas, fundador da antropologia cultural norte-americana, o artigo demonstra que o conceito evolutivo empregado por evolucionistas sociais como Edward B. Tylor e Lewis H. Morgan remete mais às concepções teleológicas e dedutivas de Spencer da evolução, como uma lei, que às formulações de Darwin da seleção natural como um mecanismo. Por fim, o artigo salienta afinidades entre a teoria da cultura de Boas e a visão darwiniana maiores do que se poderia supor, dentre as quais: uma perspectiva mais retroditiva que preditiva sobre o processo de variação natural-cultural; a substituição da ortogênese determinada pela filogênese indeterminada; e da crença no progresso absoluto e no excepcionalismo humano pelo relativismo com respeito ao lugar da humanidade e às suas formas de vida cultural no mundo.

Extensão rural: método para as tipologias de ação extensionista

PID: S2178-46122021000100129 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Piovezana Domingues
Resumo O artigo apresenta o método documentário para extensão rural, identificando tipologias da ação extensionista. É um estudo de caso e dos pressupostos da ação dos extensionistas rurais e da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. O método documentário possibilitou produzir informações com entrevistas narrativas referenciado por um roteiro. A análise de informações se desenvolveu a partir de cinco etapas: organização temática; interpretação formulada; interpretação refletida; análise comparativa; e construção de tipologias. O estudo aponta para três tipologias: extensionistas de tipo especialista com atuação individual; generalista com atuação individual; e generalista com atuação grupal. O resultado revelou uma estrutura básica de atuação profissional e, ademais, responde à questão: Por que os extensionistas fazem o que fazem, isto é, porque são mais ou menos dedicados à política nacional?

Interculturalidade: uma experiência de troca de cartas entre alunos do Brasil e do Japão

PID: S2178-46122021000100100 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Bruschi Menin Pereira
Resumo O objetivo deste artigo é promover uma análise da experiência intercultural realizada através de troca de cartas com crianças da cidade de Ninomiya, Província de Kanagawa – Japão, com crianças da Rede Municipal de Ensino do Município de Veranópolis, Rio Grande do Sul – Brasil. As trocas acontecem anualmente por meio do serviço de Correios e Telégrafos do Brasil e do Japão, entre alunos do 3º ao 9º anos dessa rede. As crianças japonesas escrevem para as veranenses e vice-versa. Elas contam fatos de sua rotina, de sua cidade, aspectos peculiares de seu cotidiano, incluindo fotos e características geográficas e culturais próprias de cada espaço local. Essa experiência nos convida a estender o olhar sobre a importância de estarmos tematizando, no processo educacional, aspectos socioculturais de diferentes povos, grupos sociais, costumes e modos de ser e conviver. Desafiamo-nos a refletir como essa prática de troca de cartas, entre crianças de dois países muito distintos tanto social como culturalmente, consegue despertar a consciência sobre questões ligadas à interculturalidade como um campo de debate sobre processos identitários que constituem um ambiente. Além disso, nos possibilita analisar questões ligadas à desenvoltura da escrita e à simbologia utilizada para descrever aspectos relacionados ao cotidiano de cada criança, bem como a subjetividade em cada mensagem no intercâmbio de cartas. A reciprocidade nas trocas, o cuidado com os detalhes presentes em cada relato, a riqueza que compõe a escrita e como o cotidiano se apresenta com semelhanças e diferenças na vida de cada aluno, seja aqui ou no Japão, são componentes essenciais na construção desta análise.

Juventude, gênio e romantismo em Walter Benjamin

PID: S2178-46122021000100119 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Silva
Resumo Neste artigo, busca-se articular a noção de juventude romântica como ideal de formação no pensamento do estudante Benjamin. Nos primeiros ensaios dedicados a temas pedagógicos, o filósofo propôs um novo modelo de educação apoiado no romantismo, partindo de uma crítica às instituições de sua época que cindiram a totalidade e a unidade da vida do jovem. Em seus escritos enquanto era estudante, Benjamin recupera, com sua crítica, a necessidade de olhar a arte, a literatura, a educação, em suma, toda a cultura humana, como um conjunto reunido de vivências históricas. O romantismo, no pensamento de Benjamin, será, portanto, basilar às discussões pedagógicas. A juventude, vista como comunidade, tem o dever de ser criadora, de se transformar em uma convenção de gênios do tempo presente, em seus espaços de atuação, ou seja, nas instituições de formação. De modo geral, só é possível perceber e adquirir o saber específico de uma profissão se as instituições acadêmicas perceberem que devem visar à formação universal, pelo modelo de criação do gênio, pois a juventude é entendida como aquela que garante a produção de valores novos, opostos aos da experiência - sinônimo de rigidez dos conhecimentos - que não estabelecem vínculo com a vida. Para encontrar essa verdade da vida, é necessário um ato de coragem e de sentido para se estar, assim, diante de espíritos livres. A juventude, dessa forma, traduz-se como um conceito ou categoria humana dependente de um despertar da consciência de si mesma. Diante disso, conseguirá promover mudanças dentro do âmbito institucional-escolar e acadêmico, mas, ao mesmo tempo, esse despertar da consciência histórica do jovem definirá um modo específico de se lidar com a cultura humana. Portanto, neste artigo, sob à luz dos aspectos românticos, procurou-se mostrar a juventude como categoria humana, com faixa etária determinada, cercada de preocupações acerca da realidade escolar e acadêmica e, também, do ponto de vista universal, isto é, filosófico-pedagógico, como uma categoria do pensamento que significa a vanguarda, tudo aquilo que não está determinado e fixado, criando novos preceitos e formas de vida.

Kénosis e Caritas como chaves de leitura do cristianismo não religioso de Gianni Vattimo

PID: S2178-46122021000100409 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Maia Oliveira
Resumo O presente artigo apresenta as categorias da kénosis e da caritas como chaves de leitura interpretativa da experiência de Deus na contemporaneidade no horizonte do chamado cristianismo não religioso pensado pelo filósofo italiano Gianni Vattimo. A hipótese central do texto considera que uma reflexão sobre a experiência de Deus hoje a partir de tais categorias implica compreendê-la como experiência que não desemboca em violência, fundamentalismos e intolerâncias. A experiência de Deus na contemporaneidade, marcada pela pluralidade cultural e religiosa, exige o exercício hermenêutico ininterrupto das mensagens religiosas. Nesse sentido, cabe também explicitar a relação entre secularização, kénosis e caritas como conceitos fundamentais para a compreensão da experiência religiosa para além do pensamento metafísico.
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