☰ Menu
Educ@

Búsqueda por Índice

Filtro por título, resumen, autor, revista y año

Total: 369 | Página 8 de 19
0 resultados seleccionados

La hospitalidad en los contornos del reino de Dios

PID: S2178-46122021000100405 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Pairetti
Resumen Este artículo se propone ensayar de manera abierta, esto es, no conclusiva, una confrontación entre la teología del acontecimiento de John Caputo y su idea de hospitalidad anárquica, con la teología débil de Vattimo, y su noción de hospitalidad antimetafísica, como he decidido llamarla. El eje central de la discusión es una crítica al formalismo ínsito en la hospitalidad anárquica e incondicional, toda vez que, en la apertura indefinida, lo que Caputo llama alteridad absoluta, se desemboca en una concepción formal de la alteridad, desmintiendo así, precisamente lo que se propone defender, esto es, la bienvenida a lo diferente. Mientras que la hospitalidad antimetafísica de Vattimo, por su parte, pareciera mostrarse más propensa a redefinir los contornos de la Iglesia, pero sobre la base de lo que denomina cristianismo mediocre. Evitando de ese modo la total disolución del cristianismo que, en sus conceptos, se identifica con una herencia a la cual pertenecemos y con la cual debemos hacer cuentas regulando su disolución mediante el principio de la caridad.

Letramento, um termo em disputa? As contribuições do materialismo histórico-dialético para esse debate

PID: S2178-46122021000100115 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Silva Paludo
Resumo O trabalho aqui desenvolvido apresenta algumas das reflexões realizadas durante o estudo de Mestrado, no qual nos propomos compreender, mais profundamente, as implicações do debate acerca do letramento na atualidade e seu reflexo nas práticas pedagógicas da escola pública, em especial, nas práticas elaboradas pelos professores da Educação do Campo. O esforço foi o de aproximar o debate do letramento aos pressupostos teórico-metodológicos do materialismo histórico e dialético, como ferramenta de análise e de compromisso propositivo com a educação dos filhos dos trabalhadores. Os caminhos aqui apresentados evidenciam o caráter de disputa, no qual o conceito de letramento vem sendo trabalhado ao longo da trajetória da Educação, como também, as formas sociais de utilização das quais ele vem sendo empregado nas escolas públicas do País. Compreendemos a utilização e o empenho, sobre o debate, do termo letramento, intensificado nas últimas quatro décadas, como fruto das necessidades colocadas à Educação em escala global e as exigências da atualidade do mundo do trabalho. Em contraponto, levantamos a importância de debater o conceito de letramento em seu sentido forte e radical, como capacidade de aprofundar a leitura da palavra e a leitura de mundo. Como nos termos de Freire, a capacidade de compreensão do mundo, juntamente com a aquisição da leitura e da escrita e de todos os conhecimentos historicamente acumulados pela humanidade, qualifica, portanto, o papel social que a Educação pública cumpre na vida dos sujeitos.

O governo de si, dos outros e das almas: um breve estudo sobre técnicas disciplinares

PID: S2178-46122021000100104 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Ribas Tomazetti Oliari
Resumo O presente artigo propõe uma análise dos estudos foucaultianos acerca do tema técnicas disciplinares e sua relação com o governamento de condutas individuais e coletivas. Para tal, concentra-se em demonstrar, a partir das obras Vigiar e punir: nascimento da prisão (2008), A ordem do discurso (2010) e Microfísica do poder (2013), como a disciplina (entendida como uma tecnologia do poder), opera na condução de práticas dos sujeitos (governamento de condutas). Assim, se percorrermos um caminho analítico de diferenciação dos dois usos do termo disciplina, encontrado nas teorizações de Michel Foucault: um no âmbito do saber, a partir do controle da formação dos discursos (hierarquização e pedagogização dos conhecimentos) o qual configura a atuação de um poder que se exerce agindo como um limitador discursivo a partir da regulação e do controle daquilo que pode ser dito e pensado em determinada época. Outro uso, constituído no âmbito do poder, no qual o poder disciplinar atua especificamente no corpo como um conjunto de técnicas engendradas na fabricação de sujeitos. Desse modo o objetivo principal delineia-se em apresentar a disciplina como uma tecnologia de poder que funciona como maquinaria de governamento das condutas, evidenciando suas formas de operação nos domínios empreendidos por Foucault, do saber e do poder, seguindo sua tríade genealógico-filosófica de investigação. O artigo ainda explora o entendimento foucaultiano de que a disciplina e as técnicas disciplinares se configuram como uma engenhosa máquina que se articula na fabricação do humano, sendo necessário compreendê-las não apenas a partir de categorias de repressão, opressão e alienação como muito se fez e ainda se faz. Assim, o filósofo francês nos fornece uma compreensão dessa tecnologia do poder como maquinaria produtiva que diz sim muito mais do que diz não (2013, p. 350).

O problema da normatividade na teoria do reconhecimento de Honneth

PID: S2178-46122021000100103 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Camati
Resumo O texto se propõe fazer uma avaliação das possíveis respostas normativas presentes na teoria do reconhecimento de Axel Honneth. Identifica três grandes respostas nas obras de Honneth que pretende analisar aqui: uma primeira teleológica, uma segunda antropológica e uma terceira ancorada na eticidade formal. Pretende mostrar a insuficiência das duas primeiras respostas porque estão baseadas em elementos contingentes e dependentes de contextos particulares. A terceira resposta apresenta elementos mais completos para o desenvolvimento de uma teoria normativa, ou também de uma teoria da justiça. O ponto decisivo apresentado por Honneth consiste na busca de um equilíbrio entre elementos normativos e elementos imanentes, tendo a reconstrução normativa como método. O que ele busca mostrar é que os critérios apontados por Honneth, a saber, ganho de individuação e de socialização, precisam de uma ancoragem moral que possa ser fornecida pelo critério de igualdade ou do igual respeito pela autonomia individual. Esse desenvolvimento é apresentado pelo próprio Honneth e, dessa forma, busca apenas identificar e problematizar as respostas do filósofo alemão. A busca aqui desenvolvida se direciona no sentido de pensar a teoria de Honneth como crítica sem abrir mão de uma fundamentação moral.

Política e religião como expressões do homem-no-mundo: contribuições buberianas

PID: S2178-46122021000100402 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Röhr Silva Lira
Resumo O presente artigo objetiva pensar na política e na religião como expressões do homem-no-mundo e a compreender que tais expressões comportam inúmeras formas de se apresentar, as quais podem ser modificadas a partir das vivências humanas e das relações que o homem estabelece ao longo de sua vida. É dentro dessa atmosfera de compreensão sobre a política e a religião, vistas de uma forma mais ampla e mais relacional, que trazemos o filósofo austríaco, Martin Buber, para nos subsidiar nesse caminho de reflexão sobre outras formas de encarar essas temáticas. Vale ressaltar que não temos a intenção de apresentar Buber como um modelo ou um herói, mas como uma pessoa que, mesmo tendo sido educado dentro de uma perspectiva religiosa ortodoxa (judaísmo); que, mesmo tendo vivido três grandes guerras, não sucumbiu diante das atrocidades e nem se fechou dentro dos rituais e dos dogmas da religião à qual foi inserido desde criança. Pelo contrário, ele enfrentou a realidade partindo de sua autenticidade, se contrapôs aos conteúdos de fé transmitidos pela religião na qual foi criado e não se curvou diante das adversidades impostas por aqueles que pensavam diferente dele. Para Buber a responsabilidade humana está interligada ao mundo concreto que o cerca. E é aqui que a noção de religiosidade do referido filósofo nos lega um importante aprendizado: vivemos imersos em contextos que nos falam e que nos exigem uma resposta; e temos a oportunidade, o tempo todo, de dedicar nossa atenção a esses contextos e a respondê-los da forma mais singular possível, movidos por uma ética da responsabilidade. A partir das reflexões apresentadas, podemos dizer, ainda, que a política e a religião, entendidas como expressão do homem-no-mundo, devem ser vistas como responsabilidades desse homem singular. Não queremos, com isso, dizer que os condicionamentos externos não influenciam o homem na resposta que ele dá ao mundo, mas queremos enfatizar que a dualidade da existência humana (Eu-Tu/Eu-Isso) permite ao homem responder a partir de todo o seu ser ou apenas com fragmentos dele.

Pragmática em Marcelo Dascal: a relevância da controvérsia

PID: S2178-46122021000100307 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Stefani Niederauer
Resumo Este estudo tem por objetivo discutir a crise em que se encontra a filosofia da ciência a partir do enfraquecimento da lógica-positivista, tendo como base o proposto por Marcelo Dascal, que defende a ideia de que um estudo mais atento da controvérsia poderia colaborar no processo de evolução de questões científicas. Para tanto, o filósofo sugere um olhar pela perspectiva da pragmática, isto é, pela perspectiva da língua em uso. Em vista disso, são abordadas: a relação entre linguagem e ciência, as polêmicas geradas pela ciência e a relação entre pragmática e controvérsia. Esta investigação possibilita demonstrar a solidez dos fundamentos utilizados por Dascal, o que autoriza dar à controvérsia e à pragmática lugar de destaque na filosofia da ciência, orientando as modernas filosofias da linguagem na direção do uso da linguagem e da controvérsia como um espaço aberto para o novo, para o mundo real, cotidiano.

Questões atuais sobre corpo e linguagem: cognição corporificada, agenda empírica e enativismo linguístico

PID: S2178-46122021000100306 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Figueiredo Siman
Resumo Abordagens corporificadas da cognição humana enfatizam o papel do corpo nos processos de compreensão e produção linguística. Diversas pesquisas empíricas apresentam evidências para essas abordagens. A recente abordagem enativista linguística da cognição, por sua vez, sugere que temos que aprofundar nossa concepção de corpo. Nesse contexto, apresentamos: 1) evidências neurológicas e psicológicas para a reivindicação de que os conceitos são corporificados; 2) duas abordagens corporificadas nas ciências cognitivas: a cognição grounded e outra abordagem baseada na teoria de sistemas dinâmicos – nosso foco está no sistema conceptual segundo essas duas perspectivas; e 3) a abordagem enativista linguística da cognição. Em seguida, a partir de esclarecimentos introdutórios sobre esses três domínios, sugerimos que as evidências empíricas sustentam apenas uma perspectiva rasa do papel do corpo na cognição, se considerarmos a concepção enativista linguística, e ressaltamos a importância de considerar o alcance empírico do enativismo linguístico.

Reconhecimento, consenso, realização, dignidade e pessoa moral: algumas categorias importantes para o entendimento do agir ético e da vida ética segundo Lima Vaz

PID: S2178-46122021000100123 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Casagrande Nodari
Resumo O presente artigo tem o objetivo de analisar algumas categorias importantes da ética de Lima Vaz, tais como: reconhecimento, consenso, realização, dignidade e pessoa moral, a fim de provar a ideia de que não há agir ético na comunidade ética senão reconhecendo que os sujeitos éticos precisam reconhecer, reciprocamente, a dignidade de todo ser humano e consentir na busca do Bem. Para tanto, objetiva-se articular o texto em três momentos: primeiro, busca-se argumentar que o ser humano, como ser estrutural (ser-em-si) e ser relacional (ser-para), quer realizar-se como tal; segundo, trata-se de mostrar que o agir ético se efetiva dialeticamente, no seio e na vida da comunidade, que assume como fim (telos) o horizonte do Bem no qual o sujeito ético alcança sua realização; e, terceiro, apresentar a categoria de pessoa moral como o coroamento da ética de Lima Vaz, uma vez que realizar a própria vida supõe, fundamentalmente, um apelo ao ser humano para se tornar, no plano do dever ser, ou seja, no plano da ética, aquilo que já é no plano ontológico, a saber, pessoa.

Religião e condição humana: uma leitura comparada entre Ludwig Feuerbach e Georg Simmel

PID: S2178-46122021000100404 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Serrão
Resumo O presente artigo aborda, em leitura comparada, alguns aspectos centrais da filosofia da religião de Ludwig Feuerbach e de Georg Simmel. Para além das diferentes orientações filosóficas, aproxima-os uma perspectiva genética que reconduz as religiões historicamente instituídas à sua fonte na subjetividade. Na origem da religião estão a fé viva (Feuerbach) e a religiosidade (Simmel), expressões da experiência vivida que incluem dimensões não intelectuais, como o sentimento e a emoção. Ao aceder a zonas não conceptualizáveis do ser humano, a filosofia da religião trava estreitas articulações com a antropologia, explicitamente defendidas por Feuerbach e subjacentes em Simmel. Nos três primeiros pontos, o artigo analisa os desenvolvimentos do método regressivo que conduz da religião até o núcleo da religiosidade. Nos pontos finais, acentua a divergências entre as duas visões de mundo, sendo que Simmel defende a assunção de um núcleo metafísico na alma humana, e Feuerbach aponta à transformação dos impulsos religiosos em realização intersubjetiva e comunitária da humanidade.

Religião e educação: elementos para a autotransformação do ser humano

PID: S2178-46122021000100401 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Trevisan Luz
Resumo Esta ilustração tem por objetivo apresentar as contribuições da religião, como alerta, para o distanciamento dos diversos tipos de criminalidade. Identifica quais são os benefícios que a experiência religiosa – mais especificamente, os sentimentos de fé e religiosidade – traz para a pessoa que se encontra em situação de conflito com a lei e à margem da sociedade devido a atos cometidos contra as normas estabelecidas para a convivência harmônica da sociedade. Além disso, procura apresentar fatores sociais imbricados com a situação delituosa, ou seja, elementos que podem contribuir para que o indivíduo se incline para a desventura. Na execução do presente estudo, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, a partir da consulta a livros e artigos científicos, teses e monografias afins sobre o tema. Além disso, buscou-se problematizar tais situações a partir das ilustrações do francês René Girard (1990), que apresenta suas teorias do desejo mimético e do bode expiatório. Há, também, respaldo em outros autores, entre eles Friedrich Nietzsche (2014), Karl Marx (1983) e Jessé Souza (2018). Por conseguinte, apresenta várias contribuições que a religião pode promover a pessoas que se encontram em situação de criminalidade, como também procurou identificar o papel da religião dentro de uma sociedade. Dessa forma, o texto visa a expor algumas das contribuições da religião que foram encontradas na pesquisa bibliográfica realizada, a fim de compreender como o sentimento de fé e religiosidade pode beneficiar as pessoas, de modo geral, mas também àquelas que hoje, por determinados motivos, encontram-se em situação desfavorável, ou seja, em situação de delinquência e também aqueles que podem estar inclinados a atos considerados antissociais.

Religião e violência: uma relação ambivalente

PID: S2178-46122021000100406 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Correia
Abstract In this paper, we sustain the thesis that there is a violent aspect in the religious attitude. However, it is also true – as paradoxical as it might sound – that religion has been the privileged field to limit all kinds of violence in human societies.

Religión y límite: espaciotemporalidad y praxis política en Ludwig Feuerbach

PID: S2178-46122021000100403 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Dacuy Lima Filho
Resumen En el presente artículo – y a través de un análisis hermenéutico de carácter textualista – haremos un recorrido sobre una interpretación particular de la política en Ludwig Feuerbach. La lectura que hacemos es que se halla implícita en el periodo 1839-1843 una idea de política como autolimitación (Selbsbeschränkung) del hombre, superada la crítica al cristianismo. Para su puesta en acto es menester – según entendemos – vincular política y religión: entendida ésta como el pasaje de la mirada crítica desde el interior (de la esencia) al exterior (el género que existe en la naturaleza). A través de dicho vínculo, el hombre – al reivindicar asimismo la sensibilidad – limita espaciotemporalmente su práctica política, montándose con ello el escenario para el ejercicio efectivo de la praxis.

Silencio, fe y secularidad

PID: S2178-46122021000100407 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Castro
Resumen Vivimos en una era donde lo secular tiene su sello. El curso de la historia así lo revela. Independiente de esta situación sostengo la viabilidad de la experiencia religiosa, en un contexto de explicaciones sobre el rumbo de la existencia marcada por el imperio de la razón. Para su comprensión como posibilidad de sentido, apelo al silencio como clave interpretativa por entender que en el silencio se revela el diálogo creyente en cuanto condición de apertura, por tanto, condición de aceptación de una realidad que trasciende la simple explicación racional y que, no en pocas ocasiones, determina el rumbo de la existencia tanto personal como colectiva.

Singularidade privada, vida cotidiana e necessidade José Deribaldo Gomes dos Santos religiosa: anotações lukacsianas sobre a arte moderna

PID: S2178-46122021000100111 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Santos
Resumo O artigo busca desenvolver a articulação entre a pessoa privada e a necessidade religiosa. Toma-se como base o chão do cotidiano, dado que é ali onde o sujeito singular vivencia sua práxis. Com base na relação entre a vivência cotidiana do sujeito singular e sua elevação a um patamar superior de vivência, tematiza-se o papel da religião, da ciência e da arte no soerguimento desse sujeito a tal patamar superior de convivência. O texto, metodologicamente, realiza um estudo de caráter teórico-bibliográfico, em que se elege, como meio para atingir a finalidade proposta pelo objeto, a leitura imanente do Capítulo 16 da Grande estética de Georg Lukács. A título de considerações, problematiza-se que a relação entre a necessidade religiosa e a arte se apresenta de modo distinto, na contemporaneidade, do que foi, por exemplo, no Renascimento, haja vista que, nessa nova forma contemporânea, a configuração entre religião e arte mostra-se problemática para o complexo artístico. As consequências dessa problemática acarretam dificuldades para que a arte mantenha seu caráter realista. Com isso, a capacidade artística de desenvolver as determinações necessárias da criação, fica comprometida. Consequentemente, a obra não consegue apanhar, por meio da dialética imanente da vida humano-social, os caracteres que possibilitam configurar seres humanos e suas relações socialmente típicas. Quanto mais esse efeito cresce, mais os artistas procuram introduzir, em suas composições, categorias externas ao campo da arte, a exemplo de descrições científicas. Isso cria sérias dificuldades para que o realismo artístico possa ser plasmado na obra acabada. O resultado desse quadro é o aumento dos obstáculos para que a arte registre a autoconsciência humana.

Sintonias corpóreas: Neurociência afetiva e empatia

PID: S2178-46122021000100305 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Cavalieri
Resumo Nas últimas décadas, as Neurociências alcançaram objetivos consideráveis na compreensão dos processos mentais e do comportamento humano, superando as separações clássicas entre mente e corpo, razão e paixão, penetrando nos meandros da nossa vida cognitiva e emocional para explicar suas raízes corporais e suas interações com o meio ambiente. E, se, até poucos anos atrás, as pesquisas psicológicas e neurocientíficas negligenciavam o estudo da vida emocional para se concentrarem apenas nas funções cognitivas tout court, atualmente, existe até um setor específico denominado Neurociência afetiva. Ao reconstruir amplamente o panorama geral da Neurociência e, em particular, daquela afetiva, este ensaio se concentra na contribuição que as pesquisas sobre neurônios-espelho trouxeram para a compreensão dos mecanismos da intersubjetividade e, sobretudo, daquele componente da cognição social que é a empatia. O objetivo é compreender como reconhecemos as emoções dos outros e explicar do que depende a capacidade humana para interpretar as ações e as intenções dos outros como se fossem nossas, para conhecer melhor como funcionamos e como nos relacionamos com os outros. As pesquisas sobre os neurônios-espelho, em uma perspectiva corporalizada, mostram como o cérebro é um órgão ligado a um corpo que age, se move e sente, na sua interminável interação com o mundo.

Tensor: o que passa na escrileitura?

PID: S2178-46122021000100117 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Araujo Santos
Resumo O presente artigo tangencia o conceito de tensor esgueirando-se pelos platôs linguísticos de Mil platôs, agenciando o que Deleuze e Guattari potencializam em o que passou?, e que buscamos atualizar em o que passa? Nesse sentido, buscamos a articulação entre o que ambos os conceitos movimentam: isso, que acontece na relação entre dois ou mais estratos. Percebemos que o tensor transversa a obra de Deleuze e Guattari e, mesmo que não exerça um relevo, está lá, estrategicamente em funcionamento. Destarte, desejamos articular com esses conceitos de partida, uma possibilidade para poder inventariar os deslocamentos imanentes de escrileitura, como forma de aproximar procedimentos didático-tradutórios, que possam vir a ser envolvidos em uma pesquisa, que deseja experimentar-se em momentos de invenção. Para tanto, problematizamos uma tríade conceitual – tensor, o que passa?, e escrileitura, de modo a possibilitar perspectivas de composição e de funcionamentode uma máquina abstrata escrileitora de invenções. Com o Método Maquinatório de Pesquisa, afirmamos a busca por dar vez e voz a um processo de maquinações, que possam vir tensionar uma crítica sintomatológica, duplamente articulada a uma clínica maquinatória; um Plano de Organização tensionado por um Plano de Invenção; e, no intermezzo desses encontros, algo passa, algo pode passar; e, assim, persistem os rastros de uma escrileitura, envolta e revolta em um contínuo recursivo: escrever-ler-escrever. Nesse percurso, jogamos os dados em um tabuleiro desejante; procuramos abrir um caminho para a passagem de procedimentos escrileitores de invenção, e ensaiamos uma aposta: poder tensionar a transitividade atual-potencial do fazer linguístico, literário e escritureiro.

Transtorno opositor desafiador: relações de poder na sociedade governamentalizadora

PID: S2178-46122021000100125 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Martins Morais Conceição
Resumo O diagnóstico do Transtorno Opositor Desafiador em crianças e jovens, é abordado pela saúde como um transtorno que apresenta um compilado de características que podem, inclusive, tornar o transtorno facilmente camuflado ou confundido com outros, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou Transtorno de Conduta. Para além das discussões sobre um viés clínico desse transtorno, é necessário desconstruir algumas normativas e olhar para essa diferença por outro ponto de vista, possibilitando, com isso, que emerjam reflexões a partir de uma concepção social-filosófica. Sendo assim, o presente artigo busca problematizar as relações entre o discurso científico médico e o campo da filosofia sobre o transtorno em estudo, no intuito de discuti-las através de aportes propostos por Michael Foucault no campo da governamentalidade, sendo essa uma ação exteriorizadora de manifestação do poder condutor de sujeitos. Como resultado, a problematização teórica apontou que é fundamental analisar e acompanhar o comportamento de crianças com suspeita de terem esse transtorno em diferentes contextos, não considerando somente as orientações apresentadas em manuais de critérios e características médicas. Ainda como resultado, ao relacionar o discurso clínico aos conceitos da filosofia da diferença, pode-se observar que a sociedade julga/considera as crianças com Transtorno Opositor Desafiador, como seres que realizam desvios de regras, por meio de manifestações de contracondutas ou de resistências às regras advindas de uma sociedade normalizadora nas diversas instituições espalhadas pelas malharias sociais, sejam essas, a escolar ou a familiar. Em suma, a sociedade precisa construir maneiras distintas e desconstruídas de subjetivações de crianças e jovens para que se formem futuros sujeitos praticantes da liberdade.

Uivando exigências: o papel das emoções nos comportamentos de aprovação e censura em alcateias

PID: S2178-46122021000100300 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Silveira Sulich
Resumo O ponto central deste artigo é explicar como as emoções desempenham um papel fundamental no comportamento moral dos mamíferos sociais. Entendida como um fenômeno natural, a moralidade é caracterizada como um sistema de exigências recíprocas, em que os lobos estão envolvidos desde o nascimento, e o vínculo emocional entre os membros da matilha desempenha um papel fundamental. O argumento é empiricamente informado para apresentar uma possível relação entre emoções e instintos sociais com relação à aptidão dos lobos para comportamentos sociais moralmente qualificados, com base na existência de um sistema social complexo dentro da alcateia. O artigo relaciona pesquisas cognitivas sobre emoções e sistemas psicobiológicos a estudos contemporâneos em etologia de lobos para apoiar, empiricamente, a tese filosófica de que emoções surgem em resposta a uma série de eventos socialmente significativos. Assim, o objetivo é elucidar a natureza das demandas emocionais inerentes à moralidade, bem como sua relação com as características naturais que permitiram aos lobos desenvolver uma vida social complexa. Nesse sentido, o artigo pretende apresentar os elementos necessários para o surgimento de um fenômeno moral inerente aos mamíferos com vida social complexa, o que parece ser um forte argumento a favor de uma teoria que explique a moralidade em bases evolutivas.

Uma análise epistêmica para a elucidação do complexo de espécies crípticas

PID: S2178-46122021000100304 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Allgayer Hiller Valiati
Resumo Historicamente, a taxonomia, que é a área responsável por descrever novas espécies, utilizou, a priori, somente características morfológicas. Darwin (1872) já ressaltava que havia uma divergência muito grande entre os taxonomistas quando classificavam algum organismo como uma espécie. Quando uma nova espécie é descrita, devido ao peso histórico, os caracteres morfológicos são considerados como o primeiro critério de demarcação de espécie, porém, com o avanço da genética e da biologia molecular, ocorre a adição de novos métodos. A utilização de múltiplos métodos parece ser necessária para desenvolver uma taxonomia contemporânea; sendo assim, a pouco mais de uma década, surgiu a “taxonomia integrativa”, que se refere a uma taxonomia que tem como objetivo integrar todas as fontes de dados disponíveis para enquadrar os limites das espécies. A integração de dados não é possível, pois não se tem capacidade tecnológica para tal. Visto isso, pode-se interargir com os dados através da taxonomia interativa, que sugere uma forma de tratar os dados tendo como pressupostos diferentes linhas de evidência, através das quais, as explicações possuem consequências lógicas passíveis de teste mitigando o subjetivismo do sujeito no processo. As interações de dados podem se sobrepor às descrições taxonômicas, pois podem abarcar diferentes fenômenos e a resolução de problemas, mitigando, dessa forma, o subjetivismo. Para tanto, em diferentes campos, seriam necessários, no mínimo, dois indícios, que poderiam estar contidos em duas abordagens distintas: uma hipotética e uma por estimação. Tais interpelações conteriam indícios com pressupostos distintos e características de dados dissemelhantes, aumentando, dessa maneira, o número de indícios, bem como melhorando a confiabilidade do argumento. Desse modo, pode-se trazer à luz novas espécies com um viés mais objetivo e com menor probabilidade de erro.

Uma política do corpo como alvo das tecnologias de poder em Michel Foucault: tensionamentos aos discursos que circulam na revista AnaMaria

PID: S2178-46122021000100105 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Garré Costa
Resumo O presente artigo tem como objetivo problematizar o discurso de emagrecimento presente na mídia contemporânea. Para tanto, foi realizada uma discussão teórico-conceitual acerca de uma política de corpo como alvo das tecnologias de poder em Michel Foucault, tomando-se, como corpus empírico, reportagens da seção “dieta” de alguns exemplares das edições semanais da revista AnaMaria. Tal revista é uma mídia impressa e eletrônica, com periodicidade semanal. Na análise, utilizam-se ferramentas foucaultianas para tensionar e provocar fissuras em discursividades que reverberam pelos mais diversos ambientes de circulação social e que corroboram a fabricação de um padrão corporal. Tal padrão parece ser o modelo estético vigente na atualidade, segundo o qual os corpos “devem” ser magros. Compreende-se que o corpo dos sujeitos é fabricação condizente com os contextos histórico e social aos quais pertencem, e que tais corpos são subjetivados pelas e nas relações de poder em que estão inseridos. Entende-se que há um processo de subjetivação operacionalizado não só pela revista, mas também pela mídia contemporânea em geral, através de uma interpelação sutil e convidativa. Toma-se a mídia como uma pedagogia cultural, que ensina, educa e fabrica sujeitos e subjetividades para além dos muros escolares. O referencial teórico-metodológico operou com alguns conceitos do filósofo Michel Foucault como ferramentas de análise. A pesquisa possibilitou compreender que existem processos de subjetivação que perpassam a vida dos sujeitos, aqui especialmente, modos de subjetivação atrelados ao corpo que deve transformar-se num corpo considerado normal, saudável, belo e feliz.
Reportar erro A