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Unconscious, mind and human being: psychology and philosophy

PID: S2178-46122021000100102 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2021
Autores: Bosio
Resumo O presente artigo propõe-se confrontar a filosofia do inconsciente e as relativas visões da psicanálise de Freud com a psicologia analítica de Jung. Ambas têm um importante e (infelizmente hoje quase esquecido), inspirador filosófico Eduard von Hartmann, autor de uma obra monumental Filosofia do inconsciente (Philosophie des Unbewussten) de 1869. A conclusão fundamental da análise é que o inconsciente não pode, absolutamente, explicar as informações superiores do mundo do espírito, como as ideias religiosas, as grandes especulações do pensamento filosófico e as mais elevadas produções da arte. Para essas formações superiores é preciso recorrer a um transconsciente que, de um lado, se impõe à consciência reflexa e representativa com uma força totalmente especial, mas, de outro, é privado das enganadoras seduções instintivas e passionais de caráter tórbido próprias do inconsciente.

A Pedagogia Crítica segundo Nietzsche

PID: S2178-46122020000100511 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Tedesco Vilar
Resumo A reflexão tem como objetivo identificar aspectos de um pensamento educacional no conjunto das obras, em Nietzsche, como uma perspectiva de autotransformação. Defende a tese de que a perspectiva educacional do filósofo é crítica e se apresenta como uma antieducação, na medida em que se contrapõe ao modelo educativo tradicional. Tendo como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, recorreu-se à seleção de textos e obras que abordaram a temática da Educação nas três fases do pensamento de Nietzsche. Na primeira fase, consideram-se os textos: “Sobre o futuro dos nossos estabelecimentos de ensino” (1872) e a “Terceira Consideração extemporânea: Schopenhauer como educador” (1874). Neles, identificam-se aspectos de um projeto educativo em devir na filosofia de Nietzsche, voltado à renovação da cultura alemã daquela época. Já na segunda fase, trata-se da ruptura com a filosofia de Schopenhauer, e com a música de Richard Wagner como aspectos fundamentais de um projeto educacional que passou a inaugurar a “Escola da Suspeita” na obra Humano, demasiado humano, que leva Nietzsche a pensar na ciência como um contraponto à forma metafísica de entender o mundo. Ele dá preferência às coisas demasiadamente humanas, ou seja, pensa na Educação como libertação, na perspectiva do espírito livre. Em decorrência do pensamento educacional de Nietzsche, em sua terceira fase na obra Assim falou Zaratustra, identificam-se quatro aspectos da antieducação traduzidos como: o ensino da solidão; o ensino da elevação; o ensino da grande razão; e o ensino da afirmação. Conclui-se que tais aspectos constituem um quadro interpretativo, os quais articulam as lições filosófico-existenciais de uma Pedagogia Crítica na Educação, contrária à tradição ocidental que construiu, em seus processos educativos, uma cultura da gregariedade e da negação da vida.

A estética de Georg Lukács: pressupostos para a prática escolar

PID: S2178-46122020000100508 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Magalhães
Resumo Este ensaio teórico tem a finalidade de caracterizar os pressupostos antropomorfização e realismo na Estética de Lukács. A tensão que a objetividade promove na subjetividade do ser social, proporcionada pela arte realista, possibilita ao homem se aproximar dos ritmos das contradições da realidade. Isso permite ao homem aguçar sua crítica e buscar sua emancipação. Acreditamos que uma prática escolar sustentada pela necessidade de se apropriar da cultura clássica com as múltiplas contradições da realidade constitui-se numa alternativa para proporcionar uma Educação crítico-emancipatória.

A formação inicial como espaço de desconstrução da experiência primeira: a construção do espírito científico do profissional pedagogo

PID: S2178-46122020000100125 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Castaman Junges Júnior Vieira
Resumo Partindo do pressuposto de que os obstáculos epistemológicos, propostos por Gaston Bachelard, provocam situações de imobilidade frente ao conhecimento, impossibilitando, na maioria das vezes, o desen volvimento científico e bloqueando as capacidades dos sujeitos para uma atuação crítica e questionadora, característica da nova ciência, este artigo tem a finalidade de refletir sobre as contribuições da formação inicial do pedagogo para a desconstrução da experiência primeira. Para tanto, optou-se por uma pesquisa bibliográfica e documental pautada nos estudos de Bachelard que trata dos obstáculos epistemológicos à formação do espírito científico, nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia e dados de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu de 08 (oito) Instituições Públicas e Privadas de Ensino Superior dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, no recorte temporal de 2018. Tal relação, entre o que descreve as Diretrizes e o que Bachelard pontua na formação do espírito científico, apresenta-se como possibilidade de compreensão e abertura de discussões a respeito do distanciamento de profissionais pedagogos dos espaços de pesquisa e experiências científicas em educação. A partir do contato com as obras pesquisadas e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, Licenciatura (BRASIL, 2006), percebeu-se entendimentos sobre a formação do pedagogo pesquisador, assim como pretextos para a necessidade de se continuar insistindo nessa dimensão formativa. Ainda, constatou-se que a formação inicial pode colaborar para a constituição do espírito científico do pedagogo, ampliando suas atuações enquanto cientista da educação. Para isso, torna-se necessário que os cursos de formação inicial tenham como fundamento a existência de obstáculos que podem, de modo negativo, contribuir para a inércia de seus estudantes.

A intuição doadora de sentido é o termo último da fenomenologia?

PID: S2178-46122020000100129 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Bragagnolo Cescon
Resumo O objetivo deste artigo é analisar quais são os pressupostos teóricos contidos na intuição doadora de sentido husserliana e na ontologia fundamental heideggeriana que possibilitaram a Marion pensar na fenomenologia da doação. Para tanto, retomamos a teoria da intuição de Husserl conforme a sua obra Investigações lógicas (1901); refletimos a partir dos Prolegômenos (1925) de Heidegger sobre uma possível crítica ao projeto de redução do ser à intuição categorial e de sua transposição à esfera da existência; e, em Marion, recorremos às obras Redução e doação (1989) e Sendo dado (1998) para discorrer criticamente sobre a tese de que Heidegger, ao mesmo tempo que volta ao estudo do ser, indica a possibilidade de pensar a doação como horizonte de pertencimento do próprio ser.

As Ciências Humanas em tempos de mercantilização da Educação

PID: S2178-46122020000100503 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Soares
Resumo Com o rápido desenvolvimento da técnica e da tecnologia, o campo educacional tem se mostrado estratégico para transformar a racionalidade humana em racionalidade tecnológica, alterando a consecução dos fins da própria Educação. O objetivo do artigo é analisar as contradições entre o processo de reprodução da vida material nas sociedades capitalistas e a perda de liberdade dos indivíduos inseridos e ajustados aos seus critérios e, da mesma forma, o ajustamento dos estudantes às demandas socialmente úteis ao sistema em decorrência da pretensa extinção dos cursos de Ciências Humanas dos currículos, que tende a afastar a Educação de sua prerrogativa fundamental que é educar para a emancipação. A Teoria Crítica do filósofo frankfurtiano Herbert Marcuse refere que o restabelecimento da razão humana é tarefa para uma Pedagogia Radical como forma de resistência em tempos de mercantilização da Educação. Seus argumentos contribuem para uma análise crítica e contextualizada da Educação brasileira em tempos de contrarreformas.

As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violências Escolares na Rede Pública Estadual de Ensino de Viamão: desafios e perspectivas

PID: S2178-46122020000100507 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Cheron
Resumo Dado o crescente aumento da ocorrência e da gravidade dos conflitos em ambientes escolares, o presente estudo dedica-se a observar como tem sido conduzida a iniciativa das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violências Escolares (CIPAVEs), tendo por cenário as escolas da rede pública estadual de Viamão, Rio Grande do Sul. A observação do aumento e do agravamento dos conflitos não se restringe aos ambientes escolares. De forma generalizada, é possível verificar que a sociedade tem sofrido crescentemente com situações de conflito, o que se pode verificar com o volume cada vez maior de processos judiciais e com a escalada da violência e da criminalidade, por exemplo. No Município de Viamão, essas questões são bastante evidentes. Na condução das análises, a questão norteadora para a elaboração do problema de pesquisa busca investigar, como instrumental de gerenciamento de conflitos e violências em ambiente escolar, quais são os principais limites e potencialidades das CIPAVEs segundo a percepção dos integrantes das equipes gestoras das escolas investigadas. Para responder a essa questão, foram analisadas ocorrências registradas durante os anos de 2016, 2017 e 2018 pelas escolas da Rede Pública Estadual de Ensino do Município de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul, na base de dados Mapeamento CIPAVE, política pública de iniciativa estadual voltada ao manejo de conflitos escolares. Também foram investigadas as percepções manifestadas por integrantes das respectivas equipes gestoras acerca do gerenciamento das ocorrências referidas. A estratégia metodológica desenhada para o estudo é descritiva, exploratório-sequencial, combinando as abordagens quantitativa e qualitativa. Inicialmente, a moldura teórica da pesquisa é delineada a partir de revisão bibliográfica acerca da gestão de conflitos escolares, subsidiando a análise dos dados registrados na base da CIPAVE, compondo um panorama interdisciplinar para instrumentalizar o exame dos casos que se destacaram, empreendendo visitações nas escolas e entrevistas com os gestores.

As Tecnologias da Informação e Comunicação em educação e a racionalidade hermenêutica

PID: S2178-46122020000100119 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Palhano Souza
Resumo O presente artigo procura refletir como elementos das tecnologias da informação e comunicação na educação se localizam na epistemologia hermenêutica. Essa realidade acaba gerando um enorme desafio à educação no sentido de encontrar “razões” que justifiquem, não só metodologias, mas o seu sentido de ser no mundo conectado. Partindo da “compreensão” como modo de ser do indivíduo humano (Heidegger) e, consequentemente, lócus apropriado para a reflexão e o fazer pedagógico (Gadamer) pretende-se apresentar uma abordagem viável da TIC no processo educativo a partir da epistemologia hermenêutica. O trabalho pretende apresentar a racionalidade hermenêutica como uma epistemologia totalmente viável para promover a compreensão teórica-conceitual da utilização das novas tecnologias da comunicação e informação no âmbito dos processos educativos contemporâneos, para tanto se ancora nas noções de compreensão (Heidegger) e de linguagem (Gadamer), bem como nas noções de ciberespaço e hipertexto (Levy). Resultado de uma pesquisa bibliográfica nos autores já mencionados, bem como seus comentadores, na primeira parte procura apresentar a hermenêutica como alternativa epistemológica em face da crise da razão metafísica e científica, e na segunda parte, busca-se apresentar a relação entre as novas tecnologias da informação e comunicação e a racionalidade hermenêutica. Ao romper com a racionalidade técnico-científica da modernidade, compreende a hermenêutica como um paradigma epistemológico viável com vista à compreensão das tecnologias da informação e comunicação na educação, uma vez que, em função de tais tecnologias, a capacidade do homem contemporâneo de refletir e dizer a realidade requer bases teóricas e metodológicas que preservem as dimensões históricas e culturais nas quais o homem contemporâneo está inserido.

Base Nacional Comum Curricular: garantia ou ameaça à consolidação da identidade da Educação Infantil?

PID: S2178-46122020000100404 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Barbosa Flores
Resumo O objetivo do artigo é colocar em evidência algumas disputas em torno da identidade da Educação Infantil, explorando como tema central os processos de construção e implementação da Base Nacional Comum Curricular para a primeira etapa da Educação Básica. Para contextualizar nossa argumentação, colocamos a base em diálogo com outras mudanças no campo das políticas educacionais, que incidem sobre a organização curricular, tais como: o Documento Referência para o Sistema de Avaliação da Educação Básica; a Política Nacional de Alfabetização; e a Base Nacional Comum para Formação de Professores da Educação Básica; e orientações ou normativas que visam a produzir (re)definições curriculares, com desdobramentos para a educação das crianças de creche e/ou de pré-escola. A metodologia contemplou revisão bibliográfica e análise documental, incluindo os documentos orientadores para as políticas elaborados pelo Ministério da Educação e o ordenamento legal recente do País. A revisão de literatura aponta no sentido de que grupos de interesse mercantil transnacionais ganham, cada vez mais, espaço na formulação de políticas educacionais no Brasil, juntamente com outros coletivos ligados a matrizes neocon servadoras e anticientíficas. As repercussões para a organização da oferta de Educação Infantil são analisadas a partir de estudos que tematizam as especificidades curriculares da educação de crianças de até 6 anos, questionando o uso de modelos padronizados de educação; propostas uniformizadas para a formação inicial e continuada de docentes; e a realização de avaliações em larga escala. Dada à exigência legal de implementação da base, argumentamos sobre a importância dos movimentos de (re)leitura desse documento, a serem realizados em espaços voltados à formação continuada em serviço no nível local. Essa seria uma condição para efetivar a construção e a consequente vivência de currículos mais contextualizados, pensados a partir do documento nacional, mas avançando para além desse, no sentido de garantir um protagonismo das equipes profissionais e colocar crianças concretas no centro do processo de planejamento, promovendo práticas cotidianas em consonância com os direitos de aprendizagem e de desenvolvimento e em diálogo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

Cartografia Social: produção de experiências de uma Estética da Educação

PID: S2178-46122020000100510 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Dalmolin Passos Ribeiro
Resumo Este artigo aborda o conceito de Cartografia Social no contexto da Educação, compreendendo que essa pode ser uma ferramenta potente neste campo. Ainda: interessa compreender de que modo a Arte e a dimensão estética são capazes de ser utilizadas como ferramenta nesse mesmo contexto. Assim, o objetivo deste texto é entender de que modo a cartografia social é capaz de potencializar a construção de uma Estética da Educação. A discussão é apresentada a partir de três seções distintas que irão explorar o tema em questão. A primeira seção apresenta o conceito de Cartografia Social, estratégia metodológica de pesquisa-intervenção que visa a construir mapas vivos e fluxos de vida, apresentando a composição de territórios existenciais na sua dinamicidade e multiplicidade. A segunda seção busca demonstrar de que modo a experiência, na perspectiva da Cartografia Social, produz sujeito e objeto em meio ao seu processo, permitindo, assim, que possamos pensar a produção de modos de vida que tenham como intenção fazer dessa uma obra de arte. Para isso, utilizamos o conceito foucaultiano de “cuidado de si” como exercício de produção de uma vida que se pretenda obra de arte. Por fim, na terceira seção, apresentamos a ideia de Cartografia Social como dispositivo à produção de uma Estética da Educação. Para exemplificar tal possibilidade, apresentamos uma cartografia realizada com crianças, na qual desenharam um personagem fictício do seu bairro. Constatamos que a experiência de desenhar e de criar o personagem em si, oferecem a oportunidade de cartografar outros mundos possíveis a partir do exercício imaginativo, possibilitando a composição de uma Estética da Educação.

Cisnormatividade, violência e instituição escolar

PID: S2178-46122020000100128 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Faermann Costa Couto
Resumo Este artigo tem como objetivo elucidar as diversas formas de violência vivenciadas pela população transgênera no Brasil, centrando-se nos desafios e nas dificuldades que encontram no âmbito educacional. Estudos comprovam reiterados processos de discriminação, ódio, preconceito e abandono familiar e social envolvendo esse grupo, o que o expõe a situações degradantes de vida e viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), construída sob a premissa de que a sociedade deve ser capaz de garantir justiça, vida e liberdade. Contudo, na contramão desse tratado, a violência contra a população trans tem se manifestado em todos os espaços da sociedade brasileira de modo implícito e/ou explícito, reproduzindo-se nas instituições educacionais. Em que pese a natureza dessa instituição – locus por excelência do estímulo à pluralidade de ideias, culturas, jeitos de ser e fazer, portanto, lugar de encontro, acolhimento e formação humana – a escola tem reproduzido a cisnormatividade, ou seja, validando normas, regras e valores considerados adequados e normais pela sociedade burguesa, infringindo, dessa forma, o respeito à diversidade sexual e de gênero, à transgeneridade. Esse cenário requer esforços contínuos dos movimentos sociais, das instituições e da sociedade civil para garantir os direitos sociais e o respeito à população transgênera, além de nos provocar a seguir questionando as hipocrisias, criando transgressões e filosofando, como sugere Noel Rosa em sua composição “Filosofia”.

Consequências de modelos formativos: entre o moderno e o pós-moderno

PID: S2178-46122020000100121 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Henning Oliveira Neto
Resumo O presente artigo pode ser justificado como um breve panorama do debate entre modernidade e pós-modernidade em suas implicações ao campo da educação e formação humana, diante da emergência de nova humanidade, fruto do capitalismo tardio, com suas promessas não cumpridas, diante da colonização de todas as esferas, inclusive da própria educação. Assim, este trabalho visa a traçar alguns contornos do complexo liame entre modernidade e pós-modernidade, bem como a concepção de homem decadente, por um lado, e de homem emergente, de outro, ante essa nova condição geracional. Para tal, o trabalho se constitui de uma pesquisa de metodologia teórico-conceitual, propondo-se como uma contribuição ao recorrente questionamento sobre a relevância das metanarrativas na formação humana, tomando como autores “estelares” Kant e Nietzsche, justificando, inclusive, uma espécie de pré-história do debate entre os metarrelatos. Daí, portanto, as escolhas conceituais deste artigo, que se deu por agenciamentos que possibilitassem a defesa de uma concepção vitalista, inerentemente criativa, como uma disciplina do pensamento indispensável a uma humanidade que se queira para além da mera reprodução erudita, do cinismo mercadológico ou, ainda, dos desígnios tecnocientíficos e rudeza materialista-determinista que rondam o tempo presente. Portanto, o artigo sugere que o novo paradigma em construção, ao se pautar por uma nova lógica, nos possibilita, considerando as críticas à modernidade, dar vazão a novo horizonte ético, que considere o homem em sua integridade. Ou seja, compreendido como “sujeito peninsular” (que habita entre o biológico e o cultural), e não, como sonhava a modernidade, como homem “insular”, tido como sobrenatural, desenraizado do corpo e da natureza.

Constituição de impulsos lúdicos pela educação estética de docentes: um olhar schilleriano

PID: S2178-46122020000100120 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Moraes Ribeiro
Resumo Este texto reflete sobre possibilidades de educação estética na universidade como necessidade premente à formação inicial de docentes, mais especificamente de pedagogos, no sentido da ampliação e do aperfeiçoamento de sua percepção estética, aliadas ao desenvolvimento de uma postura atenta aos contextos sócio-históricos vivenciados. Nessa direção, problematiza sobre quais dispositivos pedagógicos podem ser acionadores de impulsos lúdicos na formação de docentes, sob a luz das concepções de Schiller (2009, 2011). Dentre outras contribuições teóricas, o texto cita ainda Freire (1996), que tece importantes considerações sobre as relações entre estética e ética na formação de professores, e que, a nosso ver, o aproxima das ideias de Schiller; Snyders (1995), que trata do espaço universitário como locus privilegiado para se gerar a alegria cultural, energia necessária à aprendizagem diversificada e enriquecedora do repertório científico-cultural dos estudantes; Moraes e Therrien (2018) que refletem sobre a necessidade de ampliação do repertório cultural dos docentes; e Moura (2012) que aponta à maleabilidade pedagógica do professor como exigência de um perfil flexível e complexo. O trabalho constitui um estudo bibliográfico imerso no campo da filosofia da educação, guiado, entretanto, por reflexões amparadas em experimentações estético-pedagógicas vivenciadas, em processos de formação inicial docente, no âmbito de uma universidade pública estadual brasileira. Com o estudo, infere-se que à universidade cabe o papel decisivo de garantir e estimular o acesso a experiências estéticas que tanto ampliem o repertório artístico-cultural de estudantes como também neles favoreça a criação de impulsos lúdicos, tornando-os mais perceptivos e criativos, sendo que isso se materializará por meio de proposições curriculares de cada curso, aliadas às condições estruturais concretas dessa universidade.

Contribuições críticas sobre a produção científica na atualidade

PID: S2178-46122020000100512 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Accorssi Clasen Silveira
Resumo O teórico Michael Löwy afirmou que o campo científico é social e politicamente condicionado, não sendo viável estabelecer um distanciamento entre ciência e ideologia. No atual momento, é possível visualizar a clareza dessa afirmação, na medida em que o campo científico se demonstra obstruído diante do cenário político vivenciado. O pensamento crítico e problematizador é tido como um perigo eminente perante a conjuntura conservadora e antidemocrática que se acentua. Com isso, a produção de pensamento crítico e o posicionamento de resistência, diante da formação conservadora, assume a denominação de doutrinação, e o debate gerador de reflexão tende a ser calado, sobretudo se não confirmar a lógica dominante. Ao compreendermos a necessidade de reafirmar o teor questionador da produção de conhecimento, como elemento central na formação social, entende-se sua relevância na construção de um caminho democrático do pensamento social. Neste trabalho, buscamos levantar reflexões a partir de uma revisão bibliográfica, procurando entender produção de conhecimento em um período de anti-intelectualismo. Em contraposição ao conceito positivista de neutralidade do conhecimento, pretende-se investigar a relação dialética entre representação política e formação intelectual. Nossa concepção de pesquisa científica situa-se em um campo que não é neutro, mas permeado de diferentes concepções de mundo, de ser humano e de conhecimento, bem como engendrada por relações que ocorrem entre sujeitos, que propendem a produzir conhecimentos científicos a partir do seu lugar social, um lugar suficientemente privilegiado. Este trabalho se propõe examinar essas questões, ao referenciar a formação social como aspecto determinante na produção de conhecimento. Aponta-se à figura do intelectual orgânico como elemento essencial para pensar essa questão, ao salientar a contraposição ao retrocesso científico imposto no último período e a valorização do pensamento crítico, mais do que nunca como pensamento que resiste no campo da pesquisa e diante do sistema produtivista que o concebe.

Criança, currículo e campos de experiência: notas reflexivas

PID: S2178-46122020000100403 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Fochi
Resumo Este artigo é resultado de reflexões emergentes a partir de uma série de conferências que se inscrevem no campo do currículo e da Educação Infantil. A organização do texto se dá, inicialmente, pelo debate sobre criança e currículo, retomando as ideias apontadas por John Dewey (2002) em um célebre texto que aborda a relação entre esses dois campos, não na perspectiva da oposição, mas da complementaridade. Na sequência, centro a discussão sobre como tenho lido o documento Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil e de que modo compreendo que esse documento, pode nos auxiliar na implementação de princípios, condições e objetivos já anunciados nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEIs). Por fim, aponto alguns elementos que podem ser estruturantes para compreender a noção de campos de experiência.

Da revolução ao constitucionalismo: uma análise das propostas de escolarização de adultos em Portugal (1974-1986)

PID: S2178-46122020000100114 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Rodrigues
Resumo O presente artigo pretende analisar as propostas de escolarização de adultos em Portugal, no período demarcado entre os anos de 1974 a 1986. As lutas sociais impulsionadas pela revolução de 25 de abril de 1974 potencializaram propostas de escolarização de adultos orientadas pelas concepções de mundo, pelos valores políticos e pelas tradições socioculturais da classe trabalhadora. Destaca-se a crítica à concepção reducionista, supletiva e aligeirada da escolarização de adultos, bem como a permanência de um ensino voltado para a adaptação dos sujeitos às exigências da produção capitalista. A intenção era de promover a dimensão educativa das práticas sociais, permitindo a elevação da consciência dos trabalhadores a um novo patamar de compreensão e de enfrentamento dos desafios e das perspectivas colocadas em termos da superação das desigualdades. Desse modo, o artigo se orienta pela seguinte questão: Como o processo revolucionário português marcou as propostas de escolarização de adultos, na recente história política da sociedade portuguesa? Especificamente, abordou-se a proposta de criação de um Subsistema de Educação de Adultos, que se constituiu no período da restauração constitucionalista, que se consolidou com a aprovação da Lei de Bases do Sistema de Ensino n. 46/1986. A análise foi desenvolvida com base na produção teórica e crítica do campo da educação de adultos em Portugal, tendo por referência suas formulações históricas e sociológicas. Trata-se de reconhecer que a educação de adultos não pode ser reduzida, aligeirada e negligenciada nos e pelos processos de escolarização. Ao contrário, suas reivindicações históricas, suas especificidades sociais e suas características políticas constituem-se em referência para a continuidade das lutas e proposições de escolarização de adultos.

Discussões sobre o genocídio da juventude negra brasileira à luz de Frantz Fanon

PID: S2178-46122020000100513 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Santos Guilherme
Resumo O presente trabalho reflete sobre a significativa e desigual morte de jovens negros no País. Para tanto, a produção traz uma discussão sobre o teórico martinicano Frantz Fanon que, com suas ideias sobre racismo e colonialismo, nos ajuda a reconhecer o racismo brasileiro e a condição em que vivem os jovens negros do Brasil. Apesar de Fanon afirmar que suas considerações se referem apenas ao momento histórico em que escreve e aos estudos de colonialismo, acreditamos ser fácil fazer um paralelo entre sua obra e o momento histórico brasileiro quanto à morte de jovens negros. Analisamos as três formas de violência trazidas pelo teórico: psicológica, estrutural, e física, dentro das quais vivem e morrem tais jovens. Buscamos, ainda, refletir sobre a construção das identidades e juventudes negras para compreender, onde e de que forma, estão inseridas na sociedade brasileira. Para tanto, acreditamos ser necessário analisar de que modo se dá o racismo brasileiro e conhecer o que denominamos de falso mito da igualdade racial, contra o qual lutamos constantemente, em busca de reconhecimento do problema, para que possamos buscar soluções. O trabalho aborda a Lei n. 10.639/2003 que versa sobre a obrigatoriedade de se trabalhar na escola a cultura africana e afro-brasileira. Consideramos a lei uma importante política pública na promoção de igualdade racial, através da valorização da cultura vinda do continente africano. Acreditamos que a implementação efetiva dessa lei apoia a construção de identidades negro-positivas tanto para negros quanto para não negros e que essa valorização das identidades serve como importante ferramenta na luta contra a significativa morte de jovens negros no País.

Dispositivos de disciplinamento e controle na formação de professores

PID: S2178-46122020000100107 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Loureiro Lima
Resumo A formação docente pode ser analisada sob várias perspectivas. Neste artigo procura-se enfocar a formação docente como um instrumento político de manipulação e de controle das racionalidades e subjetividades dos sujeitos em formação. Procura-se entender essa dominação sobre os alunos. Trata-se de um exercício estratégico de biopoder exercido por uma governamentalidade dominante. Esse papel da formação parece ser um dos principais elementos motivadores das licenciaturas e da formação continuada de docentes no Brasil. A mobilização das racionalidades e subjetividades esperada pela governamentalidade gera estratificações nas relações entre os atores envolvidos com Educação, criando grupos definidos de cooperação e rompimentos entre os sujeitos. A formação, como um espaço de manifestação dos dispositivos disciplinares e de poder é identificada nas ações de formação docente e corresponde à estratificação e à manutenção do biopoder de controle das racionalidades e das subjetividades do indivíduo. O objetivo deste trabalho é analisar as condições de existência do poder exercido sobre a formação docente. Busca-se reconhecer três formas estratégicas através das quais esses dispositivos de disciplinamento são exercidos. A primeira se dá em relação ao posicionamento dos formadores e formandos em questões étnicas, sociais e religiosas que estabelecem padrões éticos e morais aceitáveis pela governamentalidade. A segunda, pelas formas de dominação exercidas na formação docente que tendem a separar os indivíduos de seus produtos intelectuais e subjetividades. A terceira, pelas formas de sujeição praticadas em relação ao indivíduo mobilizadas externamente pelas instituições ou internamente pelo próprio indivíduo, submetido a processo formativo, assegurando sua submissão ao biopoder dominante.

Diálogos entre neoliberalismo, política e Educação: docência em pauta na América Latina

PID: S2178-46122020000100514 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Klaus Leandro
Resumo Neste artigo, compreende-se o neoliberalismo como um fenômeno complexo, em constante transformação, dotado de racionalidade. Defendese a Educação como um dos elementos centrais para aplicação e atuação de tecnologias políticas constituintes da racionalidade neoliberal. O artigo resulta da articulação dos achados de duas pesquisas, no sentido de compor uma trama analítica de discursos sobre docência, divulgadas veiculados na contemporaneidade. Trata-se de uma análise macro – campanhas e projetos com foco na docência divulgadas pela Rede Latino-Americana pela Educação (Reduca) – e de seus desdobramentos discursivos em termos micro – especialmente nas campanhas eleitorais brasileiras. As análises realizadas compreendem a articulação entre as campanhas e os projetos da Reduca e as propostas político-eleitorais brasileiras como um conjunto de práticas materializantes e constituintes da agenda educacional-neoliberal latinoamericana. Inscreve “a formação continuada e a valorização de professores” como categoria analítica emergente dos documentos analisados. Tal categoria exerce papel central na consolidação da racionalidade do projeto neoliberal, resultando em inúmeras formas de pautar a Educação a partir da (des)profissionalização e da (des)legitimação do papel docente. Conclui-se que a ressignificação de “boas” práticas pedagógicas na contemporaneidade se constituiu a partir de processos de responsabilização dos docentes, principalmente pautados pela premissa neoliberal da performance individual, presente tanto nos discursos políticos eleitorais brasileiros quanto nos empresariais. Além disso, existe uma forte atuação dos empresários na área da Educação, em diferentes países da América Latina, de modo que compreender como a Educação vem sendo reinscrita a partir dessa e de outras redes de políticas educacionais é fundamental para se desnaturalizar os discursos transmitidos por tais redes, que materializam a agenda educacional contemporânea.

Educação continuada de professores: diálogos emergentes a partir da visão de Gert Biesta

PID: S2178-46122020000100118 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Guilherme Santos Spagnolo
Resumo A Educação Continuada de professores é reconhecida como indispensável e fundamental para a qualificação dos processos de ensino e aprendizagem. Para tanto, neste estudo, levaremos em consideração alguns aspectos dessa temática. Em primeiro lugar, precisamos ter conhecimento das diretrizes que tratam da Educação Continuada de professores, ou seja, compreender de onde viemos e qual é a proposta das legislações nacional e internacional. Em segundo lugar, explanaremos e discutiremos conceitos teóricos que tratam da temática, em especial a visão de Gert Biesta, o importante filósofo da educação. Finalmente, com base nos dois itens citados, entrelaçaremos considerações e indagações para uma Educação Continuada que possa fazer diferença no cotidiano dos professores. Portanto, o principal foco desta pesquisa é analisar, criticamente, essa educação dos professores, à luz das concepções propostas por Gert Biesta.
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