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Educação de Jovens e Adultos S/A: impactos da agenda global no Estado do Espírito Santo, Brasil

PID: S0104-40602024000100303 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Oliose Oliveira
RESUMO Este texto analisa a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Espírito Santo (ES), de 2015 a 2018, no contexto de um Estado que refaz seu mandato (objetivos para a educação), reconduz sua capacidade (os recursos financeiros e humanos) e reconfigura sua governança, composta por sujeitos da Sociedade Civil e da Sociedade Política, que se interconectam para consolidar os objetivos educacionais no contexto de uma agenda global (Dale, 2000, 2008). Metodologicamente, caminha-se pelas Pesquisa Documental e Etnografia de Redes. Os dados indicam mudanças na política educacional relacionadas com a provisão, o financiamento, a governabilidade, e que essas mudanças têm modificado a oferta e a provisão da EJA. Nesse sentido, as conclusões indicam que o mandato para a EJA se articula com consensos hegemônicos, pautados, a rigor, no empreendedorismo e na política da oportunidade, enquanto a capacidade caminha por vias nebulosas e a nova governança aproxima a EJA da dinâmica econômica global, causando impactos no direito à educação.

Educação em territórios e políticas para as infâncias: O caso do bairro Educador (Heliópolis - SP)

PID: S0104-40602024000101809 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Gomes
RESUMO O artigo apresenta resultado de pesquisa qualitativa com o objetivo de compreender e dar visibilidade à experiência do Bairro Educador e a incidência da União de Núcleos de Associações de Moradores de Heliópolis e Adjacências/SP (UNAS) nas Políticas Públicas para as infâncias naquele território. Por meio de pesquisa participante, com observações e registros, além de realização de grupos focais com educadores e lideranças comunitárias da região, buscou-se realizar uma pesquisa com os sujeitos “feito desiguais” (Arroyo, 2010) daquele território. Os achados dos grupos focais com lideranças comunitárias da região envolvidas com ações voltadas às infâncias indicam que o Bairro Educador é fruto de construção coletiva de educação integral e intersetorial, forjado nas transformações curriculares e nas relações articuladas no território de uma escola pública municipal local, aliado às resistências e lutas por moradia e por condições básicas e dignas de vida, com ações conjuntas e coordenadas gestadas do território para as Políticas Públicas, do local para o global, jogando luzes sobre o direito à educação (e à cidade) como perspectivas indissociáveis.

Educação especial na perspectiva inclusiva: uma revisão pautada no direito de todos à educação

PID: S0104-40602024000100141 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Boff Machado
RESUMO No Brasil, legislações e documentos normativos asseguram o direito à educação. Apesar de os estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação terem o direito formal de acesso à escola comum, a participação nas atividades escolares e a aprendizagem desse público ainda é um desafio, desvelando a necessidade de que a perspectiva da educação inclusiva seja incorporada às práticas educativas. Assim, este artigo tem como objetivo mapear, à luz da revisão bibliométrica, as relações entre educação especial e educação inclusiva, trazendo a perspectiva da escolarização em seus diferentes níveis como um direito de todos os estudantes. Por meio de uma revisão bibliométrica realizada na base de dados Web of Science, 445 trabalhos foram identificados, dentre os quais 11 se alinham aos objetivos deste estudo, sendo analisados a partir das duas seguintes categorias: perfil das pesquisas que discorrem sobre educação especial e educação inclusiva e educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Os resultados apontam que as relações entre educação especial e educação inclusiva fazem parte de um arcabouço legal, garantindo os direitos civis, políticos e sociais das pessoas com deficiência. Entretanto, há uma lacuna entre a teoria/legislação e a prática desenvolvida nas escolas, sendo necessário desenvolver uma “cultura institucional para a inclusão escolar”, por meio de espaços formativos junto aos profissionais da educação e à comunidade acadêmica, buscando atender às diferentes necessidades educativas.

Educação patrimonial com crianças: memórias e produção de representações sociais sobre a cidade

PID: S0104-40602024000101817 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Cunha Andrade
RESUMO O presente texto busca contribuir para o estudo a respeito das representações sociais de crianças sobre a cidade, sendo esta compreendida como material, matriz e artefato cultural e, portanto, legítimo objeto acerca do qual diferentes grupos sociais compartilham e produzem significações. Os Centros Históricos das cidades são possuidores de objetivações pois detêm, em seus espaços, as marcas de acontecimentos históricos, evocam o passado em sua forma de organização específica e contam a memória do lugar. Especificamente, o debate apresentado pretendeu analisar as vivências de crianças no Centro Histórico de Cuiabá, considerando o espaço físico um lugar de memórias, afetos e identidade cultural, sustentado por um projeto representacional associado a diferentes e contraditórios valores historicamente constituídos. Trata-se de um estudo de caso único, ancorado na epistemologia dialógica, que tem, como sujeitos, crianças entre 7 e 11 anos, participantes de um projeto cultural. Para a produção de dados, utilizou-se uma vivência no Centro Histórico de Cuiabá, por meio de um roteiro narrativo. Os dados foram agrupados em episódios e analisados segundo a noção da análise compreensiva. As crianças deste estudo revelaram a constatação do fenômeno do esvaziamento e silenciamento do Centro Histórico e a ruptura do diálogo intergeracional, que tem impedido a reposição da memória social, sendo o Centro Histórico uma testemunha.

Entre a prescrição curricular e as práticas docentes: o currículo de Ciências Humanas da escola do Quebec e o seu ensino no primário

PID: S0104-40602024000100139 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Moerbeck Araújo-Oliveira
RESUMO Os debates em torno da concepção da disciplina História no Programme de Formation de l’École Québécoise (PFEQ) para o primeiro segmento do ensino fundamental (primaire) começaram muito antes de sua publicação em 2001 (Québec, 2006). Passados 20 anos, o que dizer da relação entre as concepções de história e do pensamento histórico veiculadas no PFEQ e aquelas expressas por professores do primário? Essa é a pergunta que anima nossa reflexão, que oferece uma análise comparativa a partir de fontes de diferentes naturezas. Utilizando-se de dados provenientes de entrevistas semidirigidas realizadas com 13 professores do ensino básico, relativas a uma atividade de ensino-aprendizagem planejada e implementada, este artigo tem como objetivo conhecer a articulação do pensamento histórico mobilizado pelos professores em suas aulas e, em que medida, ela é complementar ou divergente no que diz respeito às concepções de História veiculadas no PFEQ.

Escolas Internacionais e bilíngues como representação global de currículos internacionalizados na Educação Básica brasileira

PID: S0104-40602024000100307 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Thiesen
RESUMO O principal objetivo do trabalho é evidenciar a potência discursiva produzida em torno dos modelos curriculares das chamadas escolas internacionais e escolas bilíngues de prestígio, ambos caracterizados como representação global de currículos internacionalizados, indicando, inclusive, reflexos desse movimento nas políticas curriculares para a Educação Básica no Brasil. Com esse propósito, apresenta-se na primeira seção um panorama geral com informações relativas à normatização, tipologias, dados quantitativos e comentários sobre escolas com currículos internacionalizados envolvendo esses dois modelos na Educação Básica no Brasil atualmente. Na segunda seção, destaca-se a potência discursiva que vem sendo construída por agências e organismos internacionais, gestores dos sistemas educacionais e pelas próprias escolas em torno desse ideário de formação escolar. Para concluir, são indicados reflexos desse movimento na produção de textos de políticas curriculares no Brasil, notadamente em diretrizes curriculares oficiais tais como a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, a Lei que instituiu o chamado Novo Ensino Médio e outros documentos curriculares de sistemas estaduais e locais de educação.

Formação do professor de dança para o contexto escolar: visões e realizações no passo da experiência

PID: S0104-40602024000100137 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Batalha Cruz
RESUMO O artigo tem como foco a formação do professor de dança para o contexto escolar, e teve por objetivo compreender como se configura a formação inicial do professor de dança no Brasil, no âmbito de uma universidade pública com trajetória consolidada na área. Duas perspectivas teóricas da formação docente funcionaram como catalisadores do processo de investigação: a ideia de profissional prático reflexivo em articulação com o conhecimento profissional docente. Sua metodologia desenvolveu-se com análise documental e entrevistas narrativas, tendo como aporte epistêmico-metodológico a perspectiva (auto)biográfica. A análise foi construída a partir de aspectos que se debruçam sobre a formação inicial do professor de dança, e as concepções e práticas de formação em dança. Os resultados indicam que a reflexão acerca dos elementos da dança e a vivência no campo artístico são consideradas nos processos de ensino e aprendizagem em dança. Constatou-se a compreensão da dança enquanto arte, a presença de metodologias favorecedoras de processos criativos e uma concepção de formação interativa e colaborativa.

Formação inicial de professores para a docência com bebês: as perspectivas de docentes, discentes e egressos do curso de pedagogia da Universidade Federal do Ceará, Brasil

PID: S0104-40602024000100146 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Rodrigues Cruz
RESUMO O presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como principal objetivo analisar as contribuições do curso de Pedagogia presencial oferecido pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará para a formação inicial de professores visando a docência com bebês, a partir das perspectivas de docentes, discentes e egressos do curso. A pesquisa foi fundamentada nos conhecimentos sobre a formação de professores para a Educação Infantil e sobre a educação de bebês (Barbosa, 2010; Barbosa; Fochi, 2015; Kishimoto, 2005; Oliveira-Formosinho, 2001), seguindo os pressupostos da abordagem qualitativa de pesquisa. O estudo de caso desenvolvido revelou que a formação inicial oferecida no referido curso de Pedagogia não contemplava efetivamente a complexidade e as peculiaridades da prática docente com os bebês; oferecia poucas oportunidades curriculares e extracurriculares que possibilitassem aos estudantes de Pedagogia a apropriação de temas importantes relacionados aos bebês e aos seus processos educativos e apresentava uma série de fragilidades que limitam a qualidade da formação inicial visando à docência com bebês. A pesquisa oferece elementos para enriquecer os debates sobre a elaboração ou reformulação de currículos para o curso de Pedagogia e, no caso do curso enfocado, indicou a urgência de mudanças em seu currículo a fim de que os futuros pedagogos formados nessa Faculdade tenham os necessários subsídios teóricos e práticos para desenvolver uma docência de qualidade voltada para bebês.

Gestão da Educação Infantil: desafios, necessidades e possibilidades

PID: S0104-40602024000100134 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Fernandes
RESUMO O propósito deste artigo é apresentar algumas reflexões sobre conceitos e campos de atuação da gestão da educação e da implementação de políticas que permitam delimitar o campo da gestão educacional e escolar e oferecer possibilidades para que se possa estabelecer parâmetros e indicadores para monitorar e avaliar a educação infantil. A argumentação caminhará no sentido de delimitar alguns conceitos, distinguir campos de atuação na gestão educacional, problematizar concepções e decisões tomadas no âmbito das políticas para a educação infantil e apresentar o monitoramento e a avaliação como ferramentas importantes para subsidiar a gestão educacional e a gestão das instituições de educação infantil com dados que sejam relevantes para o aprimoramento da qualidade da oferta educativa em creches e pré-escolas, partindo do pressuposto de que não há política municipal de educação infantil que atenda às crianças de forma qualificada, sem que a gestão educacional e a gestão da instituição educativa sejam imbuídas de mecanismos de acompanhamento das ações de avaliação do processo e dos resultados obtidos. Nessa perspectiva, um dos grandes desafios a ser enfrentado é a tradução das políticas formuladas em práticas e ações e o desenvolvimento de processos de acompanhamento e avaliação que garantam o acesso e a oferta de uma educação infantil qualificada.

Há docentes à escuta? O devir-pergunta de uma criança que ensina a ensinar

PID: S0104-40602024000100122 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Kohan Carvalho
RESUMO A presente escrita surgiu de uma irradiação a partir de experiências com três crianças reais - a Lara, o Luiz e o Tomás - e a inspiração de um menino ficção. Começamos com duas perguntas infantis sobre a tensão que atravessa o dentro e o fora do pensamento, buscando quebrar barreiras entre um sujeito pensante e um mundo circundante. Devemos essa quebra a José Gil (2009), ao seu devir-criança do pensamento, que traz um devir-animal e um devir-pergunta da escrita. Partimos, também, da inspiração trazida pelo menino ficcionado de um conto de Mia Couto (2021), que experimenta a escuta como divergência e diferença e desafia formas adultocêntricas de exclusão e de repressão. Escutamos, depois, as perguntas de duas crianças, colocando-nos o desafio de equacionar um dentro e um fora do pensamento. Seguimos para uma experiência de encontro com o fora como distância sem medida, que desmonta a divisão entre uma individualidade e o seu entorno. Terminamos como começamos - entre as vozes que se escutam e as palavras que se dizem -, encontrando na afetividade do corpo infantil a abertura ao irradiar das intensidades do mundo. Quem sabe seja uma oportunidade para (re)pensarmos a formação docente e, em particular, o lugar da escuta nela. O exercício é um convite docente aos e às docentes a escutar expressões de um filosofar menino que põem em marcha o avesso do pensamento como a sua potência mais íntima.

Indagações sobre a pobreza: o que dizem as crianças matriculadas na educação infantil

PID: S0104-40602024000100151 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Matiazzi Simões Vieira
RESUMO Este artigo provém das indagações que surgiram nos encontros com crianças de 5 e 6 anos, matriculadas em uma turma de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), localizado em um bairro periférico da cidade de Vitória, no Espírito Santo. Investiga o modo como as crianças compreendem a pobreza e o que (re)produzem a partir dos imaginários sociais sobre ela, ao passo que problematiza essa condição social conceituando-a como um fenômeno complexo e de múltiplas facetas. Como metodologia, adota a pesquisa participante, com a realização de rodas de conversas e a produção de desenhos pelas crianças, elementos pertinentes ao cotidiano pedagógico da Educação Infantil. Para fundamentar o debate, recorre a autores como Arroyo (2019), Sarmento (2002, 2004) e Rego e Pinzani (2014). Os resultados evidenciam que as crianças não estão alheias aos contextos empobrecidos em que vivem, anunciando como interpretam a condição de pobreza e lidam com ela. As crianças entendem que essa condição pressupõe a negação de direitos fundamentais, como direito à moradia e à alimentação, além da privação da utilização de serviços sociais básicos. Considerando que as crianças são sujeitos de conhecimentos e culturas, a escola não pode negligenciar o debate sobre a temática da pobreza na Educação Infantil, buscando superar visões moralizantes.

Influências da política educacional no sindicalismo docente brasileiro

PID: S0104-40602024000100126 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Vaz Masson
RESUMO O objetivo deste artigo é apresentar uma análise das relações entre o sindicalismo docente e a política educacional no Brasil, desvelando as determinações dessa relação na luta pela garantia de uma remuneração justa. Resultado de uma pesquisa mais ampla de Doutorado sobre sindicalismo docente, este texto se fundamenta nos pressupostos teóricos e metodológicos do marxismo e se caracteriza por ser um estudo bibliográfico e documental. Com base no estudo realizado, é possível indicar que a luta econômica sindical dos professores é mediada e influenciada pela política educacional, sobretudo aquelas que determinam o financiamento (como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb) e a valorização dos profissionais do magistério (como o Piso Salarial Profissional Nacional - PSPN), condicionando o caráter das lutas e o conteúdo das pautas reivindicativas. Se, por um lado, a aproximação do sindicalismo docente com as políticas educacionais representa um avanço, no sentido de uma carreira docente legislada; por outro lado, contraditoriamente, condiciona o sindicalismo ao ritmo das políticas do Estado.

Infâncias, movimentos sociais e cidade: reflexões urgentes em meio à “fadiga da compaixão”

PID: S0104-40602024000101800 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Gobbi Anjos
RESUMO Este artigo tem como objetivo aproximar-se do tema amplo infância, movimentos sociais e o urbano e sua relação com processos de formação de professores e professoras e a relação com currículos escolares, os quais, muitas vezes, desconsideram o que há em torno das escolas, desde a creche, e demais formas de organização política e social, como elementos fundamentais a serem desenvolvidos de modo sensível e aprofundado em todos os segmentos educacionais: infância, pobreza, populações indígenas e de rua, vida urbana, processos participativos, patrimônio e cidade, são temáticas que se relacionam na produção da vida de todas as pessoas, desde bebês, que também inventam e produzem as cidades. Não há qualquer intenção de realizar a apresentação do estado da arte ou do conhecimento, mas apenas de tocar em questões importantes e produzir pensamentos sobre elas. Ao final, buscamos orientar a mostra de artigos contidos neste dossiê e que abordam o tema oferecendo contribuições para a continuidade dos debates aqui iniciados.

Investigações sobre o currículo para a alfabetização de jovens, adultos e idosos: o que dizem as propostas?

PID: S0104-40602024000101912 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Silva
RESUMO O artigo apresenta os principais resultados de uma pesquisa que tem como objetivo principal conhecer e analisar as propostas curriculares de alfabetização na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em municípios do estado do Rio de Janeiro. A pesquisa situa-se no âmbito do Programa de Incentivo à Docência na Graduação (Prodocência), vinculado à Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O estudo aborda três temáticas interligadas: EJA, alfabetização e currículo. Assim sendo, os aportes teórico-metodológicos partem da intenção de integrar estes campos. Baseado em uma pesquisa documental, de abordagem qualitativa, o desenho metodológico da pesquisa compreende a necessidade de conhecer e reconhecer as propostas curriculares, questionando-as sobre o atendimento aos sujeitos da EJA, no sentido do cumprimento da garantia do direito à educação para todos. Ao mesmo tempo, mobiliza olhares para a alfabetização na modalidade e seus princípios, atualizando conceitos e refletindo sobre os contextos educacionais. As principais conclusões da pesquisa apontam o “alinhamento” inadequado das propostas curriculares à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), principalmente em relação à invisibilidade da EJA no documento. O estudo assinala ainda, nas propostas das redes municipais, a ausência de uma formação docente continuada/permanente e a falta, tanto de concepções de alfabetização que orientem os currículos, quanto de intergeracionalidade.

Letramento/s em Políticas Curriculares de Alfabetização: sentidos em disputa

PID: S0104-40602024000101903 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Rangel
RESUMO Este artigo objetiva mobilizar o campo das políticas curriculares de alfabetização na tentativa de destacar articulações discursivas que produzem sentidos sobre letramento/s. Neste percurso, realço sentidos, especialmente, na Política Nacional de Alfabetização (PNA). Apoiada em uma perspectiva pós-estrutural e pós-fundacional, localizo letramentos na ordem do rastro, em uma lógica não essencialista, a fim de operar com a disseminação de sentidos que tensiona o campo discursivo sem a pretensão de superar essa tensão. Afasto-me de concepções clássicas de currículo como um guia para a prática, como orientações produzidas por especialistas e implementadas por professores. Admito uma compreensão de políticas curriculares como política de significação que opera por traduções. Argumento, com base na espectrologia derridiana, que o acesso pleno ao outro (ou a alguma coisa) é da ordem do impossível e que, ao assumir a impossibilidade de acessar as coisas mesmas, somos provocados a responder considerando letramentos outros - talvez possíveis de serem significados, contingentemente, como leitura, escrita, imagens, sons, oralidade, gestos, expressões - letramentos-processo discursivo, em que não há precisão e garantias, apenas indecidibilidades que nos demandam responsabilidades como uma postura ético-política da filosofia do por vir.

Libertação Freiriana hoje: a emergência de uma política educacional como humanidade na terra - pátria

PID: S0104-40602024000100304 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Rodríguez Fortunato
RESUMO Apresenta-se a necessidade contínua do legado de Paulo Freire na práxis das políticas educacionais atuais, especialmente no contexto da decolonização e dos direitos humanos. Discute-se como muitas políticas educacionais que se autodenominam Freirianas podem carecer do verdadeiro amor e comprometimento que ele defendeu. A investigação é realizada através de transmetodologias, com a desconstrução rizomática, focando na complexidade e na decolonização. Discute-se a importância da revolta contra a injustiça para sustentar a Libertação Freiriana como política educacional atual da humanidade na terra - pátria. Argumenta-se que a verdadeira libertação envolve um processo doloroso e necessário de desconstrução e reconstrução de estruturas opressivas. Há críticas aos exames padronizados e aos currículos uniformes que reforçam a ideia de meritocracia e competição, em vez de incentivarem o pensamento crítico. Aponta como a educação institucionalizada, em vez de promover a libertação e a transformação, perpetua o status quo opressivo. Por fim, defende-se uma reconstrução da educação baseada nos princípios Freirianos, que inclua uma perspectiva transdisciplinar decolonial, assumindo o compromisso dos educadores com a libertação.

Métodos de avaliação para aprendizagem: o que evidenciam os professores de países latino-americanos no questionário contextual do PISA 2018?

PID: S0104-40602024000102006 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Stieg Soares Santos
RESUMO O Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA) é um exame padronizado realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de mensurar o nível educacional de jovens de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciência. O objetivo deste artigo consiste em analisar quais são e com que frequência os docentes utilizam métodos de avaliação da aprendizagem de seus alunos para além do PISA. Caracteriza-se como uma pesquisa de natureza mista que utiliza as respostas dos professores de cinco países da América Latina (Brasil, Chile, Panamá, Peru e República Dominicana) que responderam ao questionário contextual do PISA de 2018. Os resultados permitiram organizar as discussões a partir de três categorias de análises que se alinham com os métodos de avaliação para aprendizagem, concentrando-se nas dimensões: a) heteroavaliação; b) autoavaliação; e c) retroalimentação. Predominantemente, a heteroavaliação foi a abordagem central, refletindo uma tradicional ênfase no papel ativo do professor avaliador. A ausência de coavaliação e avaliação compartilhada destaca uma lacuna nas práticas avaliativas, indicando a necessidade de promover avaliações mais colaborativas e entre pares. Conclui que esses resultados devem ser interpretados considerando as diferenças contextuais e políticas locais, revelando a complexidade das práticas avaliativas e indicando a importância de adotar métodos abrangentes e colaborativos para aprimorar ambientes educacionais mais inclusivos e preocupados com os processos de aprendizagem dos estudantes da educação básica.

O Tempo de Aprender e o silenciamento do letramento no processo de alfabetização

PID: S0104-40602024000101906 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Kappi Mello
RESUMO O presente artigo tem como objetivo analisar a concepção de linguagem e aprendizagem presente na proposta didática de alfabetização do curso de formação continuada do programa Tempo de Aprender de 2020, tendo como pano de fundo a Política Nacional de Alfabetização (PNA) (Brasil, 2019). O estudo caracteriza-se como qualitativo com foco descritivo-analítico e a metodologia empregada contempla análises de texto documental. O material empírico selecionado para análise corresponde ao eixo 1 - Formação continuada de profissionais da alfabetização e eixo 2 - Apoio pedagógico para alfabetização do documento que orienta o programa de formação docente. No contexto da pesquisa, destacamos dois tópicos analíticos: (1) Cadê o estudo da consciência fonológica, a promoção da curiosidade metalinguística e a ludicidade que estavam presentes nos cursos de formação docente para alfabetizadoras? E (2) Cadê a reflexão sobre o processo de alfabetização aliada às práticas de leitura e produção de texto presentes em produções acadêmicas no Brasil? Neste artigo, a ênfase é no primeiro tópico analítico. Os resultados da pesquisa possibilitaram a identificação de algumas fragilidades na proposta do curso como: a hierarquização do conhecimento de unidades menores para unidades maiores no processo da aprendizagem da leitura e da escrita; a padronização da instrução fônica como proposta de ensino; e o treinamento motor para a correta grafia das letras. Os tópicos destacados colocaram em evidência o silenciamento do letramento no processo de alfabetização.

O GERME e a estetização da existência na educação física escolar

PID: S0104-40602024000100308 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Novaes Triani Telles
RESUMO GERM é a sigla em inglês para Global Education Reform Movement, ou “Movimento Global pela Reforma da Educação”. Esse movimento, capitaneado por organizações internacionais como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), visa homogeneizar a educação mundial por meio de uma racionalidade empresarial. Se manifesta por meio de reformas educacionais de cunho neoliberal, como a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil, em 2017. Este texto tem como objetivo investigar as mudanças no currículo da Educação Física, marcadas pela produção de capital humano, ao passo que as contrapõe com uma estetização da existência. Para tal, discute primeiramente os efeitos das reformas neoliberais no currículo da Educação Física escolar ao evidenciar a atuação de atores privados nas políticas públicas. Em seguida, aponta a estética da existência como alternativa para o fazer curricular do professor de Educação Física, assim como destaca alguns pontos de fuga à lógica neoliberal.

O Grupo Banco Mundial no campo da educação superior da América Latina: uma análise das dissertações e das teses publicadas no Brasil sobre o tema

PID: S0104-40602024000102008 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2024
Autores: Santos
RESUMO O presente estudo objetivou analisar as dissertações e as teses publicadas no Brasil sobre as atuações do Grupo Banco Mundial (BM) no campo da educação superior da América Latina, disponibilizadas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Por meio de uma análise de conteúdo, os textos encontrados foram destrinchados quanto aos aspectos da subtemática privilegiada e do trato metodológico dado para o entendimento desta. Os resultados apontaram o baixo aprofundamento dos(as) autores(as) das dissertações e das teses sobre como, de fato, ocorrem os acordos entre o BM e seus Estados-membros; e, a secundarização da discussão a respeito da interferência dos movimentos políticos internos a cada Estado nas atuações desse organismo internacional. Ao final deste artigo, é apontada uma nova perspectiva de análise da atuação do BM no campo, tendo em vista a necessidade do fomento de outras pesquisas na ambiência dos Programas de Pós-graduação em Educação.
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