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O Paradesporto como Conteúdo da Educação Física Escolar: uma Revisão Sistemática

PID: S1413-65382024000100704 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: FRAGA SILVA
RESUMO Os paradesportos são práticas esportivas criadas ou modificadas para as pessoas com deficiência (PcD) e, como manifestação da cultura corporal, devem estar presentes no currículo da Educação Física na escola. Assim sendo, este artigo tem como objetivo analisar o trato pedagógico e seus efeitos em intervenções relacionadas ao paradesporto na Educação Física escolar. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática, seguindo as principais etapas propostas pelo PRISMA 2020, de publicações em revistas acadêmicas nacionais e internacionais. Das 9.188 publicações inicialmente identificadas, foram selecionados 14 estudos. Os resultados indicam que os artigos investigados, ainda que demonstrem avanços na relação atitudinal frente às PcD, após diferentes tipos de intervenção com o paradesporto, não abordam as diferentes dimensões que envolvem a cultura do paradesporto no trato pedagógico desse conteúdo na Educação Física escolar, o que implica a demanda por novos estudos.

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO NO CUIDADO À PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NOS CENTROS ESPECIALIZADOS EM REABILITAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO

PID: S1413-65382024000100417 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: HIRAKAWA ROSSIT
RESUMO O Centro Especializado em Reabilitação (CER) faz parte de uma rede de serviços que atua de maneira multiprofissional no atendimento à pessoa com deficiência. Dentre essas deficiências, inclui-se o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse sentido, esta pesquisa tem por objetivo compreender a organização do trabalho nos CERs da cidade São Paulo para atender às pessoas com TEA, na perspectiva do trabalho em equipe e da prática colaborativa. O estudo, de abordagem qualitativa, transversal e descritiva, foi realizado com 14 profissionais das equipes dos CERs. Uma amostra intencional foi constituída progressivamente por um profissional de cada CER Regional, respeitando-se a diversidade entre as categorias, até que se obteve o caráter de saturação da amostra. Da análise de conteúdo, na modalidade temática, emergiram duas categorias: Organização do trabalho da/na equipe; Organização do CER para o atendimento do TEA. Os resultados mostram a importância do atendimento compartilhado; das aprendizagens de uns com os outros na equipe; da ausência de discussões sistemáticas relacionadas às ações, resultados das intervenções e para o planejamento de novas ações. Conclui-se que há necessidade de espaços formativos na perspectiva do trabalho em equipe e da prática colaborativa para possibilitar maior efetividade no cuidado e no fortalecimento da relação entre educação e saúde.

Obstáculos Estruturais e Funcionais na Criação de Escolas Inclusivas: o Caso do Sistema Alemão

PID: S1413-65382024000101200 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: URBAN
RESUMO O presente ensaio visa identificar estruturas e obstáculos funcionais que se opõem à criação de um sistema escolar inclusivo. Essas reflexões serão tecidas tendo como exemplo o sistema alemão. Sua relevância, porém, se estende para além do contexto da Alemanha, já que desdobramentos e problemáticas parecidos podem ser encontrados em todos os sistemas escolares, o que tem por consequência a emergência de outras reflexões fundamentais, referentes à relação entre inovação, transformação e propensão à persistência de estruturas e de formatos procedimentais já diferenciados nas escolas.

PERFIL DE AUTODETERMINAÇÃO DE ADULTOS COM E SEM DIFICULDADES INTELECTUAIS E DESENVOLVIMENTAIS: ESTUDO COMPARATIVO

PID: S1413-65382024000100414 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: PIRES LIMA RIBEIRO MOREIRA SANTOS
RESUMO O reconhecimento da autodeterminação tem vindo a ser evidente também no campo da Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID), visto que a pessoa deve assumir-se como agente ativo e decisor na própria vida. A aprendizagem das competências autodeterminadas é fundamental dada a sua transversalidade contextual, não se devendo restringir apenas à adolescência. Em Portugal, as evidências são escassas e baseadas no anterior modelo. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi identificar o perfil de autodeterminação, à luz da teoria do agente causal, de adultos com DID, no intuito de analisar as variáveis que o influenciam. A versão portuguesa do Inventário de Autodeterminação foi aplicada a 44 participantes entre os 21-73 anos (40.77±12.07), 20 do género feminino e 24 do masculino. Metade da amostra eram participantes com DID, todos institucionalizados. A consistência interna foi aceitável (α=.65). A análise comparativa pelo diagnóstico, género, idade, habilitações académicas, situação profissional e local de residência apontou a tendência para perfis semelhantes (p>.05). As diferenças encontradas estão associadas a perfis mais autodeterminados de adultos com DID, inferindo-se o maior peso das características envolvimentais do que individuais (diagnóstico). As pessoas com DID reconhecem a autodeterminação como relevante e apresentam as habilidades para a decisão. Recomendações para a investigação e para a prática serão avançadas.

PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR DE USUÁRIOS DE IMPLANTE COCLEAR

PID: S1413-65382024000100412 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: LIRA QUEIROGA CORDEIRO
RESUMO Neste estudo, objetivou-se analisar a inclusão escolar de usuários de implante coclear. A pesquisa teve abordagem qualitativa, com desenho transversal e foi realizada em um hospital de alta complexidade em saúde auditiva credenciado ao Ministério da Saúde. A amostra foi por conveniência, constituída por implantados, com idades entre 4 e 17 anos e seus respectivos responsáveis legais. O fechamento amostral deu-se por saturação teórica com um total de 13 participantes. A participação no estudo foi voluntária e seguiu todas as normativas éticas vigentes. A coleta de dados foi realizada, inicialmente, por meio de caracterização sociodemográfica baseada nos prontuários e fichas sociais. Na sequência, foi realizada entrevista narrativa com os responsáveis, permitindo uma análise do corpus em profundidade. Os dados demonstraram situações vivenciadas pelos usuários de implante coclear no processo de inclusão escolar como: negativa de vagas; desconhecimento das equipes de educação; baixo desempenho; situação de bullying; preconceito; e falta de profissional para o atendimento educacional especializado. Os resultados apontaram que os usuários de implante coclear apresentam dificuldades no processo de inclusão escolar e que estas decorrem, principalmente, da falta de articulação das políticas públicas de saúde e educação no que concerne a essa população.

Pessoa com Deficiência Intelectual e o Ambiente de Trabalho

PID: S1413-65382024000100303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: Silva Mietto Chariglione
RESUMO: O objetivo deste estudo foi identificar a compreensão das pessoas com deficiência intelectual sobre o ambiente de trabalho. A pesquisa foi realizada na perspectiva da psicologia histórico-cultural, em uma metodologia qualitativa, com participação de quatro pessoas com deficiência intelectual, maiores de 18 anos, por meio de entrevistas semiestruturadas de perspectiva narrativa. Os resultados indicaram que o conceito complexo Inclusão no Mercado de Trabalho foi formado por sete temas iniciais (sentido do trabalho; relações interpessoais; facilidades no trabalho; dificuldades no trabalho; autopercepção – significado da deficiência intelectual; percepção do outro em relação à pessoa com deficiência intelectual; e perspectivas laborais), que, por sua vez, foram organizados em cinco temas complexos (sentido do trabalho, relações interpessoais, políticas públicas, barreiras atitudinais e perspectivas laborais). A análise da formação conceitual indica que as narrativas apresentaram diversas conotações sobre a inclusão no ambiente de trabalho, sendo um importante espaço de desenvolvimento humano. Concluiu-se que a implementação de estudos com vistas à compreensão da inclusão no mercado de trabalho torna-se relevante para a compreensão do desenvolvimento humano e para a implementação e o planejamento de políticas públicas de inclusão.

Prática Pedagógica, Contextos Físicos e Sociais: Implicações Para a Inclusão

PID: S1413-65382024000100300 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: Makida-Dyonisio Martinic Gimenez
RESUMO: Este estudo compara os contextos físicos, sociais e a prática pedagógica da Educação Infantil com a do Ensino Fundamental e levanta suas respectivas implicações para a inclusão das crianças. Participaram desta pesquisa dois estudantes com deficiência matriculados no último ano da Educação Infantil, comparados com outros dois estudantes com deficiência do Ensino Fundamental. Configura-se uma pesquisa descritiva de cunho quantitativo. O método baseou-se na etologia. Os resultados indicam que, na Educação Infantil, houve altos índices de interação social, variabilidade na utilização de espaços, maior tempo em atividades corporais e o direcionamento da prática pedagógica voltada à interação. Já no Ensino Fundamental, os alunos apresentaram relativo grau de autonomia, mas ainda muito condicionado ao conteúdo.

Práticas Educacionais Inclusivas na Educação Infantil: Estudo Observacional

PID: S1413-65382024000100424 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: CARVALHO MIRANDA SCHMIDT
RESUMO O ensino inclusivo é um desafio para a Educação Básica, até mesmo para a Educação Infantil. O movimento das práticas baseadas em evidências vem ganhando destaque na educação como um caminho para proporcionar educação de qualidade para todos, inclusive para crianças com necessidades educacionais especiais (NEE). Assim sendo, o objetivo desta pesquisa foi verificar, em uma amostra de cinco professoras da Educação Infantil, se suas práticas cotidianas incluem práticas recomendadas pela literatura para promover a inclusão de crianças com NEE. Foram filmadas 14 atividades conduzidas pelas professoras com as cinco turmas, que incluíam nove crianças com NEE. Para cada filmagem, foi feito um registro de ocorrência de uma lista prédefinida de 29 práticas educativas inclusivas, dirigidas para a classe como um todo, ou para as crianças com NEE especificamente. Houve maior percentagem de ocorrências das práticas para a classe como um todo do que para as crianças com NEE, mas essas percentagens foram baixas para ambos os grupos. Para as crianças com NEE, apenas as “Práticas durante as atividades em geral” se destacaram. Verificou-se que as professoras empregam práticas baseadas em evidências, mas têm dificuldades em identificar quando e com quem utilizá-las. São discutidas barreiras para a inclusão e fragilidades na formação do professor para atender crianças com NEE na Educação Infantil.

Recontextualização do Texto da Política de Inclusão de Estudantes com Deficiência: os (Des)Caminhos da Educação inclusiva

PID: S1413-65382024000100305 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: Oliveira Mello
RESUMO: Neste trabalho, buscou-se discutir a recontextualização do discurso político de inclusão no contexto educacional, a partir do Decreto nº 10.502/2020 e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com aproximações à teoria de Bernstein. Trata-se de uma pesquisa documental, qualitativa, analisada por meio da análise de conteúdo descrita por Bardin. Os resultados evidenciam o apagamento da palavra “inclusão” e a falta de previsão quanto à oferta das acessibilidades. Entende-se que esse indício permite a compreensão de um distanciamento entre currículo, planejamento, práticas pedagógicas e Educação Inclusiva no que tange às diversidades encontradas no contexto escolar, articulação evidenciada pelo Decreto nº 10.502/2020. Destaca-se que o Decreto foi julgado como Ação Direta de Inconstitucionalidade por ferir artigos constitucionais ao possibilitar a segregação de pessoas com deficiência, ocasionando a sua revogação no dia 1º de janeiro de 2023. Conclui-se, a partir deste estudo, que tanto a BNCC quanto o referido Decreto possuem seus percursos marcados pelo campo da recontextualização, conforme a teoria de Bernstein aponta, o que mostra como a distribuição do poder na sociedade e seus princípios de controle social podem afetar o texto político produzido e a sua reprodução no contexto escolar.

Relação entre a Ficha de Observação do Desenvolvimento Mental da Criança de Helena Antipoff e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

PID: S1413-65382024000100306 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: Javarrotti Borges Van Petten
RESUMO: No início do século XX, intensificaram-se as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento infantil. Helena Antipoff (1892-1974) foi uma pesquisadora e professora que dedicou seus estudos a esse tema, principalmente no que se refere ao desenvolvimento das crianças nomeadas na época como “anormais”. Um dos instrumentos elaborados por ela foi a Ficha de Observação do Desenvolvimento Mental da Criança, em 1939. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sugere uma avaliação da condição do sujeito baseada nos aspectos biológicos, psíquicos e sociais, em contraposição a uma avaliação baseada somente no critério da doença ou da incapacidade. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi resgatar a Ficha de Observação proposta por Helena Antipoff e compará-la à CIF, utilizando os guias recomendados por Alarcos Cieza e colaboradores. Os resultados apontam que a maioria dos itens da ficha puderam ser codificados e relacionados à CIF, pois os itens da ficha de Antipoff buscam também avaliar, de forma associada, funções do corpo, atividade e participação, podendo ser utilizados como instrumento de avaliação prévia da criança, devendo, ainda, serem atualizados com uma nomenclatura mais atual, baseada na nomenclatura empregada na CIF.

Reunindo-Se para Transformar Vidas na Desigualdade: Incluindo o Conhecimento Nativo Baseado em Evidências nas Agendas de Educação Inclusiva

PID: S1413-65382024000101101 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: EBERSӦHN
RESUMO Este artigo utiliza o caso do conhecimento afrocêntrico sobre resiliência para defender a presença do conhecimento nativo nas agendas de educação inclusiva para permitir a transformação em espaços altamente desiguais. A premissa é de que o conhecimento local e nativo serve como evidência de uma proteção eficaz e eficiente contra a desigualdade, que fornece informações sobre opções de transformação de baixo limiar. Quando as pessoas estão em risco estrutural desproporcional, elas têm acesso limitado aos recursos, e o seu potencial para prosperar é limitado - como é o caso em contextos de economia emergente. Ironicamente, embora a necessidade de transformação seja maior em contextos extremamente desiguais, o conhecimento do Sul Global e das economias emergentes continua sub-representado nos discursos globais sobre desenvolvimento. Pelo contrário, as agendas e os mecanismos de desenvolvimento (incluindo para a educação inclusiva) baseiam-se em noções eurocêntricas e do Norte Global de mudança, inclusão, bem-estar, distribuição de recursos e prestação de serviços. O conhecimento nativo fornece provas de como, intergeracionalmente, as pessoas recorrem aos recursos disponíveis como forma de aproveitar recursos limitados e promover um desenvolvimento inclusivo e positivo para muitos. O artigo utiliza as evidências de uma teoria da psicologia nativo-afrocêntrica, Resiliência com Recursos de Relacionamento, para postular o uso do conhecimento nativo na educação inclusiva para permitir a transformação em resposta às dificuldades, a qual promove o bem-estar coletivo e inclusivo.

Sentidos de Política, Práticas e Inclusão na Educação Especial

PID: S1413-65382024000101001 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: SILVA
RESUMO Este texto ancora-se em alguns resultados de pesquisa, em processo de finalização, com o objetivo de expor análises endereçadas aos sentidos de política, práticas e inclusão na constituição de uma hipótese como Educação Especial Moderna, captados na Declaração de Incheon, de 2015, no Marco de Ação da Educação 2030, de 2016, e, no caso brasileiro, na Base Nacional Comum Curricular, de 2018. Na condição de fontes, a Declaração, o Marco e a Base procedem a jogos de palavras que incidem sobre teorizações políticas, educacionais e curriculares que, desde finais do século XX e início do XXI, priorizam a subjetivação das relações entre indivíduos, sociedades e projetos de escolarização. A composição da subjetivação alicerça-se no indivíduo como ser criativo em potencial, possuidor da subjetividade; trata-se, assim, de um conjunto de características individuais e singulares que, apesar de construídas socialmente, subsidiam certa capacidade singular de julgamento, orientadora das suas escolhas, da sua racionalidade e das tomadas de posições.

Soviética, Global e Local: Políticas de Inclusão na Educação Escolar no Azerbaijão e na Rússia

PID: S1413-65382024000101003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: KOSARETSKY MIKAYILOVA IVANOV
RESUMO Neste artigo, é revelado um quadro específico da formação da educação inclusiva nos países da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), utilizando o caso do Azerbaijão e da Rússia. Os processos de desmantelamento do sistema de educação especial soviético e de implementação de princípios globais de inclusão educativa foram válidos para ambos os países. Argumenta-se que, durante a implementação das reformas, ambos os países enfrentaram barreiras culturais e organizacionais semelhantes. Ao mesmo tempo, as especificidades culturais e políticas dos estados manifestaram-se em certas formas de superar essas contradições. Documentam-se as tentativas atualizadas dos países de construir sistemas nacionais globais, nos quais elementos soviéticos, globais e locais estão interligados. As conquistas e os problemas atuais são discutidos.

VALIDAÇÃO DE TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA MÃES E PAIS COM DEFICIêNCIA VISUAL: ENFOQUE NA INTRODUÇÃO ALIMENTAR DO LACTENTE

PID: S1413-65382024000100421 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: ROSCOCHE OLIVEIRA GRIMALDI AGUIAR
RESUMO Mães e pais com deficiência visual podem ter dificuldades na introdução alimentar de seus filhos. Desse modo, foi desenvolvida uma Tecnologia Assistiva (TA) sobre essa temática. Objetivou-se, assim, validar a TA sobre introdução alimentar do lactente. Trata-se de um estudo metodológico conforme adaptação do modelo de Pasquali (2010). A TA foi previamente construída e avaliada por especialistas e por um teste piloto com a população meta. O presente estudo contemplou o polo empírico, por meio do qual a TA foi avaliada por um novo e amplo grupo de mães e pais. Todos responderam a um instrumento em formato de escala do tipo Lickert a respeito do conteúdo, dos aspectos pedagógicos e da acessibilidade da TA. Outrossim, o estudo contemplou o polo analítico por meio da análise estatística dos dados. Respeitaram-se os aspectos éticos de pesquisas envolvendo seres humanos. Participaram 89 mães e pais, principalmente mulheres (53,9%), com deficiência visual congênita (55,1%), com idade média de 37,91 anos, não casados (52,8%), com ensino médio (60,7%) e exercendo atividade remunerada (56,2%). Dentre os tópicos da tecnologia, todos apresentaram médias favoráveis, sendo melhor avaliado o conteúdo (91,1±11,7), seguido de acesso online (84,4±18,9) e aspectos pedagógicos (82,9±15,9). A TA é meio válido de disseminação de informações a mães e pais com deficiência visual.

VALIDAÇÃO DE UM QUESTIONÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA: VERSÃO PARA PROFESSORES E ALUNOS

PID: S1413-65382024000100419 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: SEMIÃO SANTOS FREIRE TINOCA MOGARRO
RESUMO Os atuais normativos no âmbito da educação inclusiva exigem metodologias de recolha de informação alinhadas com os mais recentes paradigmas. Assim, este estudo objetiva analisar as qualidades métricas (fiabilidade e validade) do Questionário sobre Educação Inclusiva, na dupla versão: professores e alunos. A partir da revisão de literatura e da consulta de instrumentos validados, estabeleceu-se uma versão inicial, avaliada por dez peritos, para a análise da validade de conteúdo (VC). Todos os itens foram considerados representativos, apresentando índices (IVC) superiores a .90 e acordos tendencialmente moderados (k>.30). No pré-teste, com dez participantes (n professores=5, n alunos=5), foi confirmada a fiabilidade ao nível da consistência interna total (α professores=.83; α alunos =.95) e estabilidade temporal (r professores=.92; r alunos=.80). A validade de constructo foi analisada com a aplicação da versão final a 305 professores, entre os 27 e os 68 anos (M=51.41; DP=7.73) e a 82 alunos, entre os 6 e os 20 anos (M=12.96; DP=3.32). As correlações entre secções são moderadas, mas contribuem significativamente (.74>r<.85) para o total. A análise fatorial exploratória aponta uma solução trifatorial e unifatorial explicando 41.88% e 48% da variância total, para professores e alunos, respetivamente. O questionário apresenta-se como um instrumento fiável para estudar perceções, práticas e culturas inclusivas vivenciadas na escola.

“UM ESTRANHO NO NINHO”: TENSÕES E CONTRADIÇÕES DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA CONFRONTADAS PELA PRESENÇA DE ESTUDANTES COM TEA EM SALAS DE AULA COMUNS

PID: S1413-65382024000100411 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2024
Autores: ROSA BORGES
RESUMO Este artigo problematiza as tensões e as contradições da educação inclusiva confrontadas pela presença de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em salas de aula comuns. Parte-se da premissa de que os princípios que orientam as políticas de Educação Especial na perspectiva inclusiva conflitam com o projeto social e educacional da Modernidade, potencializado por mecanismos excludentes instaurados pelo neoliberalismo contemporâneo. O texto discute fragmentos de uma pesquisa qualitativa que teve como objetivo compreender os desafios e as possibilidades dos processos de inclusão e escolarização de alunos autistas matriculados na rede municipal de ensino de Santo André, São Paulo. A análise de dados documentais e de campo, obtidos em uma roda de conversa com gestores escolares, evidencia as tensões e as ambivalências geradas no confronto entre perspectivas epistêmicas, pedagógicas e políticas antagônicas.

Crisis Resource Management na graduação médica: estudo quase-experimental

PID: S1981-52712024000300205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Bernardes Talarico Pagan Miras Garcia Marton Filho
RESUMO Introdução: O atendimento médico de emergência é uma situação complexa, na qual o paciente necessita de cuidado seguro e de alta qualidade. Para evitar falhas, é necessário não apenas o conhecimento técnico, mas também competências não técnicas. O Crisis Resource Management (CRM) é um método de treinamento criado na aviação que tem ganhado amplo uso em diversos cenários médicos, com o intuito de diminuir erros e falhas, garantindo um atendimento mais efetivo e aprimorando as competências de CRM. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar o desempenho de estudantes de Medicina em atendimento simulado de emergência antes e depois de um debriefing estruturado com conceitos de CRM. Método: Trata-se de estudo transversal, analítico e quase-experimental com abordagem quantitativa, com avaliação antes e depois de debriefing com conceitos de CRM, em um mesmo grupo de participantes. Os participantes receberam treinamento prévio sobre competências técnicas, para nivelamento. Utilizaram-se um formulário de avaliação de competências técnicas e um formulário de avaliação de competências de CRM. Os dados foram apresentados em análises descritivas e as comparações de variáveis contínuas com distribuição normal foram analisadas pelo teste t de Student. O nível de significância foi de p < 0,05. Resultados: Participaram 21 estudantes de Medicina. As competências técnicas, avaliadas em grupo, apresentaram melhora sem variação significativa. Na análise do desempenho individual relacionado às competências de CRM, a maioria dos itens teve aumento da pontuação média após a realização do treinamento sobre CRM, com diferenças estatisticamente significantes. Conclusão: O debriefing, como ferramenta de ensino de princípios de CRM, é capaz de aumentar o desempenho de equipes quando analisadas competências de CRM, fato que tem importante impacto na melhoria da qualidade assistencial e segurança do paciente, durante atendimento de emergência.

Design thinking como metodologia na elaboração de uma proposta de matriz curricular

PID: S1981-52712024000100211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Castro Castro Dedivitis Santos Diniz Fraiz
Resumo Introdução: A matriz curricular do curso de Medicina pode variar de acordo com o projeto pedagógico de curso (PPC) de cada instituição de ensino superior (IES). Nem sempre a visão da coordenação e do corpo docente do curso de Medicina está alinhada às opiniões dos alunos. Assim, a utilização de uma metodologia para identificar a visão do corpo discente seria fundamental. O design thinking (DT) é um processo que propõe a busca, de forma empática, colaborativa e criativa, de soluções para problemas complexos. Objetivo: Este estudo apresenta o DT como uma metodologia para identificar como os alunos do internato acreditam que deva ser a matriz curricular do primeiro ao quarto ano de um curso de Medicina no estado de São Paulo, e, para tanto, coletaram-se sugestões e pontos que exigiram a reavaliação na matriz original. Método: Realizou-se uma avaliação qualitativa com base no modelo do DT. Os alunos foram divididos em três grupos de cinco alunos, e cada grupo dedicou-se a discutir livremente sobre suas ideias acerca da matriz curricular. Posteriormente, apresentou-se um painel para cada grupo com a separação dos semestres correspondentes - do primeiro ao quarto ano - com post-it representando a matriz curricular vigente do curso de Medicina, e cada grupo teve uma hora para remontar a matriz curricular da maneira que julgasse mais adequado. Resultado: Após a fase de discussão, cada grupo montou sua matriz curricular, e propuseram-se algumas mudanças do ano em que a disciplina era ministrada e a inclusão de algumas matérias. A maioria das sugestões foi julgada procedente e incorporada na matriz curricular. Conclusão: A metodologia do DT contribuiu para a identificação de várias demandas acerca da matriz curricular de uma forma ordenada, empática e colaborativa, levando em consideração a opinião do estudante, sendo, portanto, uma estratégia de planejamento capaz de evidenciar fragilidades e fortalezas do currículo que talvez não fossem percebidas por outras estratégias.

System for Evaluation of Teaching Qualities (SETQ) Smart para o uso no Brasil: versão para residente

PID: S1981-52712024000300209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Bezerra Lombarts Naiz Castanhel Grosseman
RESUMO Introdução: Já se reconhece que o incremento do potencial de aprendizagem dos alunos está diretamente relacionado às qualidades do preceptor. Nesse sentido, a avaliação da prática dos docentes impõe-se como um elemento essencial da garantia de qualidade na formação de novos especialistas. Todavia, no contexto da educação médica no Brasil, existem atualmente poucas pesquisas sobre avaliação de preceptores e escassez de instrumentos para essa finalidade. Um dos instrumentos atualmente disponíveis é o System for Evaluation of Teaching Qualities (SETQ). Objetivo: Este estudo teve como objetivo executar a adaptação transcultural e a validade de conteúdo do SETQ para uso no Brasil. Método: Esse instrumento é composto por duas versões, e neste estudo foi adaptada a versão dos residentes para avaliação do preceptor. A adaptação cultural seguiu cinco etapas: duas traduções iniciais do inglês para o português brasileiro; duas traduções de síntese; duas retrotraduções; uma avaliação do comitê de especialistas em termos de análise conceitual, equivalência semântica, idiomática e cultural; e um pré-teste. Além disso, um painel de juízes especialistas conduziu a validação de conteúdo. Resultado: Quarenta médicos residentes, com idade mediana de 30 anos (IQR = 6,25), participaram do pré-teste. Oitenta por cento dos participantes classificaram os componentes que compõem o SETQ Smart como claros e culturalmente apropriados, exceto pelo enunciado do questionário. O painel de juízes especialistas incluiu dez residentes, 70% do sexo feminino. As taxas de concordância variaram de 80% a 100% em relação à clareza, adequação cultural, representatividade dos itens dentro de seus respectivos domínios e permanência de cada item nas avaliações do instrumento. Conclusão: Este estudo adaptou culturalmente uma das duas versões do SETQ Smart para uso no Brasil e forneceu evidências preliminares de validade dessa versão por meio da validação de conteúdo.

Team-Based Learning online: percepção dos graduandos de saúde e influência do perfil comportamental do estudante

PID: S1981-52712024000100209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Farias Mohallem
Resumo Introdução: O Team-Based Learning (TBL) é uma metodologia ativa que tem se mostrado efetiva para a formação de profissionais de saúde. Em 2020, devido à pandemia da Covid-19, a aplicação do TBL migrou da modalidade presencial para online síncrona. Objetivos: Este estudo objetivou avaliar a percepção de graduandos de saúde sobre o TBL online e analisar se existe diferença de percepção dessa modalidade entre os grupos de estudantes com níveis distintos de exposição anterior às sessões presenciais e online do método, além de verificar se tal percepção pode ser afetada pelo perfil comportamental do estudante. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal de caráter descritivo-exploratório, comparativo, relacional, de abordagem quantitativa, realizado nos cursos de graduação em Medicina e Enfermagem, entre setembro e dezembro de 2021. Aplicou-se, virtualmente, um questionário sobre os dados sociodemográficos, além dos instrumentos Avaliação da Percepção do Aluno-Team-Based Learning (APA-TBL) e Teste de Perfil Comportamental DISC. Resultados: Dos 241 estudantes participantes, houve predominância do sexo feminino (81%), na faixa etária de 20,8 a 24,4 anos, que já tinham frequentado mais de 10 sessões de TBL presencial (90%) e TBL online (53%). Das 24 questões do APA-TBL, 17 obtiveram índice igual ou superior a 75% na soma das respostas “concordo totalmente”/“concordo”, valores considerados como percepção positiva neste estudo. Os alunos com exposição a mais de 10 sessões do TBL online apresentaram uma percepção significativamente mais negativa em três das quatro dimensões do APA-TBL, quando comparados aos menos expostos. O grupo que havia participado de mais de 10 sessões de TBL presencial apresentou uma percepção significativamente mais negativa em apenas uma dimensão do instrumento, quando comparados aos menos expostos. O principal fator DISC encontrado entre os perfis comportamentais dos participantes foi a estabilidade (“S”). Não houve correlação entre o perfil comportamental do aluno e sua percepção sobre o método na versão online. Conclusões: Observou-se uma percepção favorável dos graduandos de saúde sobre o TBL online. A exposição anterior prolongada ao método, tanto no modo online, quanto presencial, impactou negativamente a percepção dos estudantes sobre o TBL online. Não foi evidenciada influência do perfil comportamental do estudante em sua percepção do método.
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