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Conhecimento dos acadêmicos de Medicina da Amazônia acerca das línguas indígenas e da Libras

PID: S1981-52712024000300201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santos Portella Ishtiaq Souza Sequeira
RESUMO Introdução: A qualidade da comunicação entre o profissional de saúde e o paciente é um importante pilar para uma atenção em saúde eficiente. O estado de Roraima caracteriza-se por possuir um alto percentual de indígenas, além de outros grupos que demandam linguagens de comunicação específicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar comparativamente os níveis de conhecimento dos estudantes do curso de Medicina e dos profissionais médicos recém-formados pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e dos discentes de outros cursos de graduação da UFRR, que não pertencem à área de saúde, acerca da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e das línguas indígenas Macuxi, Yanomami e Wapichana. Método: Trata-se de um estudo de corte transversal, observacional e descritivo, com caráter quantitativo, envolvendo 202 participantes, o qual utilizou como ferramenta de coleta de dados um questionário estruturado aplicado de forma virtual. Resultado: O presente estudo envolveu 80 estudantes ou profissionais recém-formados em Medicina (39,6%), 47 estudantes ou profissionais recém-formados de Engenharia (23,3%) e 75 estudantes ou profissionais recém-formados de Direito (37,1%). Dentre a totalidade dos participantes, 100 eram homens (49,5%) e 102 mulheres (50,5%). Houve associação entre cursar Medicina e saber falar pelo menos uma língua indígena (p = 0,0004). Essa relação não foi evidenciada nos cursos de Direito e Engenharia Civil. Também foi identificada a associação entre estar cursando ou ter cursado Medicina e ter interesse em aprender Libras (p = 0,0159) ou ter interesse em aprender uma língua indígena (p = 0,0054). Essa associação não foi identificada entre os alunos que cursaram ou estavam cursando Direito ou Engenharia Civil. Conclusão: Apesar de os participantes de Medicina possuírem um maior nível de conhecimento a respeito de línguas indígenas e Libras, quando comparados aos outros cursos, isso não garante uma atenção em saúde efetiva em sua integralidade, uma vez que se evidenciou uma grande dificuldade no processo de comunicação entre eles com indígenas e pessoas surdas.

Conhecimento, desejo e atitude de estudantes de Medicina e Enfermagem sobre a doação de órgãos

PID: S1981-52712024000200205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Miranda Maia Pontes Pascoal Eufranio Miranda
Resumo Introdução: A necessidade crescente de doadores de órgãos e de profissionais capacitados impulsiona novos estudos que esclareçam o entendimento e comportamento da sociedade perante a doação de órgãos. Estudantes de saúde vêm sendo alvo de estudos por seu influente papel social e, além disso, quando formados, farão parte de etapas fundamentais da doação. Contudo, evidencia-se conhecimento insuficiente dos estudantes apesar de possuírem atitude positiva. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o grau de conhecimento, desejo e atitude perante as doações de órgãos entre os acadêmicos de Medicina e Enfermagem na cidade de Recife, em Pernambuco. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado a partir da análise de questionários respondidos por estudantes de Enfermagem e Medicina nos últimos períodos acadêmicos. Além de dados demográficos, os estudantes foram questionados quanto ao entendimento sobre aspectos da validação de possível doador, diretrizes do protocolo de morte encefálica, motivações e opções pessoais em relação à doação de órgãos. Resultado: De fevereiro a dezembro de 2022, 218 questionários foram coletados, dos quais 208 entraram para a amostra. Dentre os estudantes, 57,2% eram do sexo masculino, a média de idade foi de 24 ± 2,7 anos. Dos graduandos, 85,1% cursavam Medicina, e 14,9%, Enfermagem. Apenas 49% dos estudantes sabiam da não necessidade de neurologista para o diagnóstico de morte encefálica. Ademais, 63% não sabiam quem é o responsável por abordar a família do potencial doador. Grande parte dos acadêmicos já considerou a possibilidade de ser doador de órgãos, representando 92,3% do total de estudantes avaliados. Dos alunos, 67% afirmaram já ter conversado com as próprias famílias sobre a doação de órgãos e que elas conheciam essa decisão. Em caso de familiar apresentar diagnóstico de morte encefálica, 83,2% dos alunos consentiram a doação. Em relação aos possíveis benefícios materiais ou emocionais para a família do doador, 86,1% julgam que a doação de órgãos pode trazer algum benefício. Conclusão: Apesar da atitude positiva, o estudo evidenciou conhecimento insuficiente dos alunos, reforçando a necessidade de ampliação do currículo das universidades e criação de cadeiras direcionadas à aquisição de conhecimento e habilidades quanto à condução de casos de morte encefálica e atuação perante os potenciais doadores.

Construção e validação de um simulador de cricotireotomia não orgânico, caseiro e de baixo custo: um estudo transversal

PID: S1981-52712024000300204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Quadri Oliveira Filho
RESUMO Introdução: A cricotireotomia é um procedimento que pode salvar vidas em caso de insuficiência respiratória aguda de emergência. A cricotireotomia deve ser treinada durante a graduação médica, e simuladores de baixo custo podem oferecer uma solução satisfatória em termos econômicos e práticos. Objetivo: Este estudo teve como objetivos construir e determinar as validades de face, conteúdo e construção de um simulador caseiro de cricotireotomia de baixo custo desenvolvido pelos autores. Método: Quarenta e sete estudantes e nove cirurgiões realizaram três cricotireotomias simuladas sucessivas e responderam a um questionário de validade de face e de conteúdo. A validade de construto foi testada comparando tempos procedurais e um escore de desempenho global intragrupos e intergrupos. Resultado: A maioria dos itens do questionário de validade face e de conteúdo foram avaliados de forma positiva, sem diferença entre os grupos. Assim, estudantes e cirurgiões concordaram que o simulador se assemelha a uma superfície anterior do pescoço humano, é fácil e seguro de usar, permite a realização de etapas críticas da cricotireotomia e apresenta potencial viabilidade de ensino. O tempo de procedimento diminuiu entre a primeira e a terceira tentativa entre os estudantes (diminuição média do tempo = 61,85 s; IC 95% - 41,86 - 81,85; p < 0,001), e foi encontrada diferença significativa entre os tempos de atuação dos cirurgiões e dos estudantes (diferença média = 101,36 segundos [IC 95% = 69,08 - 133,64] p < 0,001), sugerindo validade de construto. Os escores de desempenho dos alunos melhoraram entre a primeira e a segunda tentativa (diferença média = 2,25 pontos; IC 95% = 1,31 - 3,20; p < 0,001). Conclusão: O simulador de cricotireotomia inorgânico, de fabricação caseira e de baixo custo possui validade de face, conteúdo e construção aceitáveis para ser usado como ferramenta de treinamento para estudantes de graduação em Medicina.

Contribuições de egressos de Medicina para a avaliação do curso

PID: S1981-52712024000300215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Senger Castro
RESUMO Introdução: O curso de Medicina do Centro Universitário de Votuporanga (Unifev), aprovado em 2012, teve a primeira turma graduada em 2018. O Projeto Político Pedagógico do Curso (PPC), baseado nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), utiliza de metodologias ativas, entre elas a aprendizagem baseada em problemas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o perfil profissional, a trajetória e a adaptação ao mercado de trabalho do médico formado pelo Unifev, além das fragilidades e fortalezas da matriz pedagógica, a partir das percepções dos egressos. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e qualiquantitativo do qual participaram 114 egressos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Unifev. Aplicou-se, via Google Forms, um questionário semiestruturado sobre dados pessoais, informações profissionais e acadêmicas, opiniões referentes à formação dos egressos e o PPC. Resultado: Responderam 80 (70,2%) egressos distribuídos no estado de São Paulo, com maior representação feminina (71,2%). No primeiro ano após a formatura, 41,5% atuavam na urgência/emergência e 18,4% na atenção primária, com 282 postos de trabalho ocupados (2,6 ± 1,2 postos por pessoa). Sessenta e sete (83,3%) egressos obtiveram financiamento estudantil, sem relação com a faixa salarial mensal atual (dez ou mais salários mínimos para 55,5%). Poucos (n = 27; 33,8%) estavam inseridos em programa de residência; muitos ainda pretendem cursá-lo. Grande parte (72,5%) realizou curso preparatório para residência. A integração das áreas, a capacidade para o trabalho em equipe, o conhecimento das DCN e do PPC, e a ocorrência de momentos de tensão emocional/estresse foram referidos pela maioria dos respondentes (de 88,0% a 100%). Conclusão: Houve expressiva taxa de respostas com contribuições para um currículo mais próximo das necessidades dos alunos, ênfase na aprendizagem de temas das urgências e da pediatria, e no necessário cuidado com a saúde mental dos estudantes. O curso foi bem avaliado pelos respondentes, e o financiamento estudantil provou ser uma importante política, com resultados consideráveis para a jovem instituição. O estudo representa o primeiro passo para a criação de um elo mais robusto entre a instituição e seus egressos, auxiliando na concepção da cultura de acompanhamento frequente de suas trajetórias e repercutindo na avaliação do programa curricular, na medida em que oferece aos gestores do curso um diagnóstico para manter os acertos e alertar sobre possíveis ajustes.

Criação e validação de cenário simulado interprofissional para a pronação de pacientes com SDRA

PID: S1981-52712024000300216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santos Boostel Bortolato-Major Bucco Silva Félix
RESUMO Introdução: Este trabalho versa sobre a construção e validação de um cenário simulado com abordagem interprofissional, que permitirá a utilização no ensino e na educação permanente de profissionais da saúde por meio da metodologia ativa de simulação clínica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos construir e validar um cenário simulado para a pronação de pacientes críticos com síndrome do desconforto respiratório agudo. Método: Trata-se de um estudo metodológico desenvolvido durante o ano de 2022 em uma universidade pública do Sul do Brasil e realizado em duas etapas: 1. delineamento do caso clínico e construção do cenário, e 2. validação de conteúdo e de aparência por 11 juízes com expertise em simulação clínica e/ou cuidado destinado ao paciente crítico, que atenderam aos critérios de Fehring. Aplicou-se um questionário do tipo Likert para a avaliação de 37 itens estabelecidos a partir do referencial de Fabri et al. Para medir o percentual de concordância entre os juízes, adotou-se o índice de validade de conteúdo (IVC). Resultado: Para a construção do cenário, desenvolveram-se o roteiro e guia de apoio ao facilitador e ao participante, e o roteiro para o ator simulado; um quadro de ações esperadas para cada participante; a relação de materiais e equipamentos necessários para o desenvolvimento; e o checklist de observação do desenvolvimento de competências e habilidades para cada profissão envolvida no cenário (médico, fisioterapeuta, enfermeiro e técnico de enfermagem). Os juízes eram predominantemente enfermeiros (63,6%), seguidos por fisioterapeutas (18,1%), médico (9%) e docente de enfermagem (9%). Os juízes responderam a um questionário que abordou os seguintes temas: “experiência prévia do participante/briefing”, “conteúdo/objetivos”, “recursos humanos”, “preparo do cenário”, “desenvolvimento do cenário” e “avaliação”. Todos os itens obtiveram IVC superior ao desejável (0,80) e, portanto, foram considerados válidos. Além disso, os juízes realizaram sugestões de melhorias para o cenário, as quais foram acatadas ou rejeitas e discutidas com a literatura disponível. Conclusão: Este estudo permitiu criar e validar um cenário que reflete a prática real, ao mesmo tempo que oportuniza um ambiente seguro para os participantes e responde aos objetivos da aprendizagem interprofissional.

Criação e validação de face e conteúdo de simulador realístico para treinamento de cistostomia suprapúbica

PID: S1981-52712024000400210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Anselmo Souza Neto Santos Junior Silva Medeiros
RESUMO Introdução: A realização da cistostomia suprapúbica deve ser uma competência do médico urologista e cirurgião geral. O treinamento dessa competência por meio da simulação surge como alternativa segura, livre de riscos para pacientes e médicos residentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivos criar um simulador realístico para o treinamento de cistostomia suprapúbica e obter sua validação de face e conteúdo. Método: O procedimento foi realizado no simulador por especialistas que posteriormente responderam a um questionário semiestruturado para a avaliação do realismo anatômico e a utilidade do simulador como ferramenta de ensino e treinamento. Resultado: Avaliaram o simulador 21 urologistas com idade média de 41,2 anos. O realismo anatômico teve nota média de 4,24 (nota máxima: 5), e a utilidade como ferramenta de ensino obteve média de 4,76 (nota máxima: 5). Conclusão: O simulador desenvolvido é, portanto, útil para o ensino prático de cistostomia por punção, pois foi validado em face e conteúdo, e, por isso, pode ser incorporado aos currículos da formação de médicos residentes, sobretudo em cirurgia geral e urologia.

Depressão, estresse e ansiedade em médicos residentes durante o período de pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712024000300214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Noronha Gondim Tardivo
RESUMO Introdução: A pandemia do novo coronavírus trouxe um agravamento de transtornos psíquicos, especialmente em populações específicas, como profissionais de saúde. Nesse contexto, vem à tona a residência médica (RM), período de treinamento intenso e com importantes modificações na rotina durante a pandemia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os sintomas de depressão, estresse e ansiedade, por meio da Depression, Anxiety and Stress Scale - Short Form (DASS-21), nos médicos residentes de um hospital universitário no Nordeste do Brasil, buscando possíveis associações com parâmetros sociais, de carga horária de trabalho e de hábitos de vida. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, realizado no período de outubro de 2021 a fevereiro de 2022, envolvendo médicos residentes ativos, pertencentes aos programas de RM entre março de 2021 e fevereiro de 2022. Resultado: Avaliaram-se 41 residentes, 68,3% do sexo feminino, com média de idade de 30,5 ± 3,7 anos. Algum sintoma de depressão, estresse e ansiedade estava presente em 68,3%, 41,5% e 85,4% da amostra, respectivamente. Nove usaram psicotrópicos no último ano, 13 realizaram psicoterapia e cinco passaram por acompanhamento psiquiátrico. Houve associação estatisticamente significativa entre o uso de psicotrópicos nos últimos 12 meses e maior pontuação na subescala de estresse da DASS-21 (18,00 ± 12,61 versus 9,81 ± 9,34; p = 0,038). Houve associação entre uma menor média de tempo de sono por dia e a presença de algum sintoma de depressão apontada pela DASS-21 (6,03 ± 0,79 versus 6,77 ± 1,01; p = 0,016). Conclusão: Observou-se frequência elevada de sintomas de ansiedade, estresse e depressão nos médicos residentes, havendo baixos índices de acompanhamento psiquiátrico e de intervenção psicoterapêutica ou farmacológica.

Desempenho acadêmico de alunos de Medicina beneficiados pelas ações afirmativas

PID: S1981-52712024000200211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Valle Hamamoto Filho Marco Ferras Dias Boas
RESUMO Introdução: A Universidade Estadual Paulista (Unesp) implantou o sistema de cotas (ações afirmativas) para ingressantes em 2014, por meio do sistema de reserva de vagas destinada a alunos oriundos de escolas públicas. As principais ressalvas quanto ao sistema de cotas dizem respeito às dificuldades de adaptação desses alunos ao meio acadêmico universitário, que poderiam interferir em seu desempenho durante a graduação. Por isso, é necessário conhecer o desempenho desses alunos para poder propor alternativas viáveis para suas necessidades. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o desempenho acadêmico pelo coeficiente de rendimento (CR) escolar dos egressos do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp segundo forma de ingresso no vestibular. Método: Foram avaliados os CR finais dos alunos que finalizaram o curso de Medicina nos anos de 2019, 2020 e 2021. Os dados foram obtidos na Seção de Graduação da FMB. Realizaram-se comparações das médias do CR entre os grupos (ingresso universal - IU e ação afirmativa - AA). Resultado: No período de 2019 a 2021, graduaram-se 252 alunos: 184 do IU (73%) e 68 (27%) de AA. A média geral do CR foi de 8,41 + 0,61. As médias do CR dos alunos do IU foram de 8,45 + 0,61 e de AA de 8,31 + 0,60 (p = 0,414). Conclusão: A análise do CR dos formados em três anos do curso de Medicina da FMB revela que o desempenho dos ingressantes por AA e IU é semelhante.

Desenvolvimento e validação de aplicativo para ensino de abordagem da dor em cuidados paliativos

PID: S1981-52712024000100201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Gondim Peixoto Junior Marçal Melo Rocha Peixoto
Resumo Introdução: Avaliação e manejo adequados da dor têm se tornado uma preocupação cada vez maior dos profissionais de saúde. Segundo a definição de cuidados paliativos da Organização Mundial da Saúde, são importantes a identificação precoce, a avaliação e o tratamento da dor. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e avaliar um aplicativo para dispositivos móveis voltado para o ensino de abordagem da dor em cuidados paliativos. Método: Foi desenvolvido um aplicativo móvel, seguido de sua utilização por médicos residentes e de avaliação qualiquantitativa prospectiva. Aplicou-se o teste de conhecimento. Obtiveram-se a usabilidade do aplicativo, por meio da System Usability Scale (SUS), e a satisfação, por meio do Net Promoter Score (NPS). Os dados foram tabulados no Microsoft Office Excel® e exportados para o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0 (IBM): na realização das análises, adotou-se uma confiança de 95%. Para a análise qualitativa das avaliações, o conteúdo das respostas foi transcrito e organizado em nuvens de palavras para destacar as ideias centrais. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Centro Universitário Christus. Resultado: Desenvolveu-se o PaliPain App, aplicativo constituído de casos clínicos de pacientes em cuidados paliativos com manifestações de dor, além de questões, vídeos e imagens, disponibilizado nas plataformas Android e iOS. Utilizaram o aplicativo 13 médicos residentes. A média de acertos de questões no pré-teste sobre dor em cuidados paliativos aumentou de 6,08 para 7,54 após manuseio do aplicativo. Na avaliação sobre a usabilidade do aplicativo, obtivemos na SUS uma média de 89,2, acima do nível considerado adequado de 70,0. Na avaliação de satisfação, 54% dos médicos responderam com pontuação 10 à pergunta: “Em uma escala de 0 a 10, quanto você recomendaria o aplicativo PaliPain a um amigo ou colega?”. Conclusão: O PaliPain App, desenvolvido e disponibilizado nas plataformas Android e iOS, foi bem avaliado pelos médicos residentes, apresentando ótimos escores de usabilidade e de satisfação. Identificamos que houve ganho de conhecimento, com pontuação média na resolução de questões aumentando de 6,08 para 7,54 após livre uso da aplicação. O PaliPain App pode ser uma ferramenta útil para ensino de abordagem de dor para médicos residentes.

Desenvolvimento e validação de aplicativo para o ensino da dermatologia na graduação em Medicina

PID: S1981-52712024000400218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Silva Sousa Cavalcante Costa Carneiro Pereira
RESUMO Introdução: As doenças de pele são comuns nas consultas da atenção primária à saúde (APS), com mais da metade dessas consultas realizadas por médicos não dermatologistas e frequentemente encaminhadas para especialistas. Profissionais da APS parecem ter conhecimento limitado em dermatologia devido à escassez de práticas durante a graduação, de modo que as tecnologias para o ensino da medicina tem sido cada vez mais utilizadas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e validar uma ferramenta tecnológica educacional dermatológica, em forma de aplicativo, para alunos do curso de Medicina e para médicos que atuam na APS. Método: Realizou-se um estudo de desenvolvimento técnico-metodológico para a elaboração e validação de aparência e de conteúdo do aplicativo, no qual a primeira etapa consistiu na elaboração de um aplicativo móvel intitulado Dermap para os sistemas operacionais Android e iOS, composto por telas com definição, quadro clínico, diagnóstico e tratamento das dermatoses mais frequentes, seguido de validação de conteúdo e aparência por juízes especialistas dermatologistas e profissionais da tecnologia da informação, respectivamente. Resultado: O aplicativo Dermap apresenta, em sua tela inicial, uma página contendo 23 doenças que podem ser acessadas individualmente, e a exposição de conteúdo é realizada por meio não somente de textos, como também de imagens, com o objetivo de facilitar o entendimento, e seguida sempre de legendas. Nos quesitos de validação de objetivos, conteúdos, estrutura e relevância, o índice de validade de conteúdo por dermatologistas foi de 100%. Nos quesitos qualidade de interface, estética e linguagem, o índice de validade de conteúdo foi superior a 85% em todos os quesitos avaliados por profissionais de tecnologia da informação. Conclusão: O Dermap demonstrou ser uma ferramenta viável para ser empregada por estudantes, residentes e profissionais envolvidos na instrução e prestação de cuidados de saúde. Pode ser aplicado tanto em ambientes educacionais formais, como salas de aula, quanto em contextos não formais, como ambulatórios, clínicas de saúde e hospitais, com o intuito de aprimorar o ensino da dermatologia. Além disso, possui aspectos de alcance social, visibilidade e transparência.

Efeito de grupos de apoio entre pares na saúde mental de estudantes da saúde

PID: S1981-52712024000400204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Campos Val
RESUMO Introdução: Os grupos de apoio entre pares se valem do construto do apoio social e são formados por membros que apresentam características comuns. Os grupos podem ser utilizados em diversos contextos para a manutenção da saúde mental de seus participantes. Em 2020, criaram-se os grupos de apoio entre pares da FCM/Unicamp, nos quais, para avaliar os efeitos na saúde mental de seus participantes, foi realizada a pesquisa apresentada neste artigo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito dos grupos de apoio entre pares na saúde mental de estudantes universitários da área da saúde, visando compreender as percepções deles, assim como comparar o apoio social percebido pelos participantes e não participantes dos grupos. Método: Para análise qualitativa, realizaram-se entrevistas em profundidade com os participantes dos grupos, que posteriormente foram submetidas à análise temática. Resultado: Observou-se que a criação de uma identidade grupal e a identificação de problemas comuns aos participantes auxiliaram na construção do vínculo que, por sua vez, foi essencial para o exercício da função de apoio social dos grupos. Conclusão: Tem-se reforçado o efeito benéfico e protetivo dos grupos para a saúde mental de seus participantes. Assim, concluímos que os grupos de apoio entre pares são uma estratégia de apoio social versátil e viável de se aplicar em ambientes universitários, podendo auxiliar na manutenção do bem-estar psicológico de seus participantes.

Elaboração e validação da Escala Brasileira de Empatia Clínica (EBEC): teste-piloto

PID: S1981-52712024000400207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Generoso Cordeiro Peixoto Moura
RESUMO Introdução: A empatia, um elemento primordial do humanismo, tem sido alvo de crescente interesse no ensino médico. No contexto das profissões de saúde, a empatia no atendimento ao paciente é um atributo que envolve a compreensão das experiências, da dor, do sofrimento e das preocupações do paciente combinados com a capacidade de comunicar esse entendimento e uma intenção de ajudar. Apesar do desenvolvimento de práticas que estimulam a empatia nos estudantes de Medicina, um desafio presente na vida acadêmica é mensurar essa habilidade. Objetivo: Este estudo teve como objetivos elaborar e validar uma escala brasileira de empatia no contexto do atendimento clínico. Método: Trata-se de estudo-piloto de construção e validação de uma escala psicométrica, realizado em cinco etapas: 1. definição das dimensões do construto baseada em revisão da literatura; 2. itens submetidos à análise teórica com juízes especializados no tema, objetivando identificar a pertinência do item dentro do construto; 3. realização de um pré-teste com a população-alvo visando avaliar o entendimento dos itens; 4. validação da escala com aplicação a 207 estudantes de Medicina brasileiros; 5. aplicação de testes estatísticos que auxiliam na validação da escala. Resultado: Ao final do estudo, a escala de empatia elaborada continha 21 itens, com respostas em escala de Likert, distribuídos em dois fatores: compreensão empática e ação empática, que apresentaram boa confiabilidade proposta (> 0,842) e boa consistência interna (H-latente > 0,879 e H-observado > 0,864) com total de variância explicada de 44,95%. Conclusão: A aplicação da escala de empatia clínica em estudantes de Medicina resultou em um instrumento que atendeu aos critérios de adequação semântica e cultural, e revelou evidências preliminares de validade.

Elaboração e validação de Instrumento de Identificação de Assédio Sexual de Estudantes de Medicina (IIASEM)

PID: S1981-52712024000100208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Falbo Neto Araújo Arruda Barros
Resumo Introdução: O assédio sexual é uma realidade que permeia as relações de poder hierárquicas e de gênero. Embora perceptível nos meios médico e acadêmico, é considerado uma violência silenciada que acarreta agravos orgânicos e psíquicos com grandes consequências para a vítima. Objetivo: Este estudo teve como objetivos elaborar e validar um instrumento de identificação da ocorrência de assédio sexual em estudantes de Medicina. Método: Após revisão da literatura sobre o tema, elaborou-se um instrumento, com repostas do tipo Likert em cinco níveis de opção, que possui duas partes: a primeira com informações sobre características sociodemográficas e acadêmicas dos participantes, e a segunda contendo 21 itens agrupados em três dimensões: formas de assédio, fatores facilitadores e identificação do assediador no meio acadêmico e na prática hospitalar. Efetuaram-se as validações semântica e de conteúdo por consenso de especialistas, e a validação FACE realizada por grupo focal de 12 estudantes, sendo dois de cada ano do curso. Para verificação da confiabilidade, o instrumento foi enviado a 1.146 estudantes de Medicina uma vez por semana, por quatro semanas. Obteve-se a resposta de 350 (30,5%) estudantes no teste, seguindo a recomendação para estudos psicométricos. Após 15 dias, iniciou-se o reteste com os 350 respondentes do teste, seguindo a mesma cronologia de envio para a verificação da estabilidade. No reteste, obtiveram-se 69 respostas. Para a elaboração do banco de dados, utilizou-se o programa Excel versão 16, e, para a análise, adotou-se o programa estatístico Stata versão 13. O instrumento foi aplicado on-line pelo software livre LimeSurvey. Resultado: A confiabilidade do instrumento ficou evidenciada pelo alfa de Cronbach de 0,8163 e de 0,7826 para o teste e reteste, respectivamente. Para a constatação da estabilidade, utilizou-se o teste de Stuart-Maxwell que apresentou um valor de p = 0,126. Adotou-se ainda o Kappa ponderado, em que o resultado de todas as 21 assertivas está contido no intervalo de confiança, demonstrando a homogeneidade da distribuição dos escores médios entre o teste e o reteste. Conclusão: Como o instrumento validado se mostrou confiável e estável, pode ser utilizado em escolas médicas para a identificação do assédio sexual em estudantes de Medicina.

Empatia e espiritualidade em estudantes e residentes de Medicina

PID: S1981-52712024000400202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Dedivitis Matos Castro Castro Giaxa Tempski
RESUMO Introdução: A empatia tende a diminuir ao longo da formação médica. A relação entre espiritualidade e empatia não tem sido amplamente explorada. Objetivo: Este estudo teve como objetivo correlacionar empatia e religiosidade/espiritualismo por meio de questionário voluntário, entre estudantes e residentes de Medicina. Método: Trata-se de um estudo transversal exploratório por meio de um questionário online para preenchimento voluntário entre estudantes de medicina e residentes, composto por: dados sociodemográficos, questionário de empatia e questões sobre religiosidade/espiritualismo. Resultado: De 1.550 convites, 273 participantes voluntários responderam (17,6%). A maioria era católica (103 - 37,7%), seguida de agnósticos (84 - 30,8%), protestantes e kardecistas (27 - 9,9% cada). A Escala de Empatia de Jefferson apresentou pontuação média de 120,4 (de 90 a 140). Não se constatou correlação entre a crença religiosa e o grau de empatia. Ambos os conceitos não indicaram diferença significativa ao longo do período da educação médica. Conclusão: Empatia e religiosidade/espiritualismo não apresentaram correlação entre estudantes e residentes de Medicina.

Ensinando o Método Clínico Centrado na Pessoa na graduação em Medicina: uma revisão narrativa

PID: S1981-52712024000400304 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Yogui Magalhães Bivanco-Lima
RESUMO Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para Graduação em Medicina preconizam que o egresso seja empático e humanizado, crítico e reflexivo, com a formação articulada às necessidades da sociedade, centrado na pessoa, na família e na comunidade. Objetivo: Este estudo de revisão narrativa da literatura centrou-se em verificar as estratégias utilizadas no processo ensino-aprendizagem do Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) na graduação em Medicina. Método: Utilizaram-se as produções científicas disponibilizadas nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed/Medline, que foram selecionadas por conveniência e pela relevância nas áreas que abordam o tema deste estudo, no período de 1990 a 2021. Também se utilizaram legislações e publicações encontradas nos sites governamentais e na literatura cinzenta, via Google Scholar (2002-2018), além de livros de acervo particular (2010-2017). Resultado: Evidenciou-se que é fundamental incorporar o ensino do MCCP, que articula aspectos de comunicação, poder na relação médico-paciente, profissionalismo, centrado na autonomia dos pacientes. O MCCP incorpora competências integrativas, como comunicação, valorização do vínculo e de boa relação médico-paciente, sensibilização quanto aos aspectos humanísticos do cuidar, além de habilidades de orientação e pactuação. Por sua complexidade, o MCCP requer uma multiplicidade de métodos no processo ensino-aprendizagem, com ênfase nas metodologias ativas, no ensino das humanidades em saúde e na aplicação na prática real, de forma longitudinal no currículo. Conclusão: Dessa forma, o ensino do MCCP se configura como central na construção de um profissional de saúde humanizado e centrado na pessoa. É fundamental que o ensino do MCCP seja inserido nos currículos de graduação em Medicina de forma sistemática e longitudinal, com ampliado uso de metodologias para a construção das competências relativas ao cuidado centrado na pessoa.

Ensino de pediatria e puericultura no curso médico: cenários de prática em discussão

PID: S1981-52712024000300218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Puccini Ribeiro Bicudo Alves Sarinho Cavalcante Strufaldi Souza
RESUMO Introdução: A integralidade da atenção à saúde da criança constitui diretriz para o ensino de pediatria, sendo essenciais as atividades práticas em todos níveis de atenção do Sistema Único de Saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever carga horária, cenários de práticas e preceptoria utilizados no ensino da saúde da criança e do adolescente. Método: Trata-se de um estudo transversal, com aplicação de questionário constituído por 43 questões objetivas e duas questões abertas, encaminhado por meio de formulário eletrônico para 247 escolas médicas do país que contavam com pelo menos uma turma formada em 2019. Resultado: Responderam ao questionário 37 (14,97%) escolas médicas, sendo 16 públicas e 21 privadas de 14 estados da Federação e das cinco regiões. Verificou-se mediana de 940,5 horas direcionadas à saúde da criança e do adolescente, equivalente a 11% da carga horária total dos cursos; 13 escolas apresentaram inserção de temas de saúde da criança desde o primeiro ano, e a maioria (75,8%), a partir do terceiro ano. Atividades práticas predominaram no internato: 87,5% (quinto ano) e 88,8% (sexto ano). Os cenários incluíram unidades básicas de saúde, comunidade, ambulatórios de pediatria geral e especializados, unidades de internação, serviços de neonatologia, urgência e emergência e laboratórios de habilidades e simulação. Foi referido que o ensino de puericultura é desenvolvido em ambulatórios de pediatria geral (32 escolas) e em unidades básicas de saúde dos municípios (32 escolas), estas consideradas essenciais para formação. Docentes pediatras desenvolvem preceptoria na maioria dos cenários de práticas; pediatras da instituição de ensino ou do sistema local de saúde estão mais presentes em unidades de internação (70,3% e 54,0%, respectivamente) e ambulatórios especializados (54,0% e 35,1%, respectivamente). Conclusão: Com participação de 37 escolas médicas, este estudo apresenta limitações para generalizações sobre o ensino no país. Neste estudo observou-se que o ensino sobre saúde da criança e do adolescente desenvolve-se em todos níveis de atenção à saúde, visando à integralidade, sendo destinados em média 11% da carga horária total do curso para esse ensino. Houve predominância de docentes e médicos pediatras na preceptoria, e a puericultura permaneceu como componente relevante na atenção básica, sendo apontados desafios para manutenção desse cenário de práticas.

Estratégias de ensino-aprendizagem de neuroanatomia: uma revisão integrativa da literatura

PID: S1981-52712024000200301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Reis Coelho Cortez
Resumo Introdução: Uma significativa parcela dos estudantes de Medicina considera a neuroanatomia um conteúdo de difícil compreensão, muitas vezes desprovido de aplicações práticas devido à sua extensa e monótona apresentação. Além disso, ao longo das últimas décadas, houve uma redução no tempo dedicado à apresentação teórica da neuroanatomia. Corroborando tal afirmativa, durante a pandemia de Covid-19, observou-se um distanciamento crescente entre professores e alunos, o que, por sua vez, agravou ainda mais os desafios no ensino da disciplina. Objetivo: Este estudo possui como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura no intuito de explorar estratégias para aperfeiçoamento do ensino da neuroanatomia no curso superior de Medicina. Método: Para atingir esse objetivo, os subscritores efetivaram uma pesquisa integrativa de artigos publicados sobre estratégias de ensino-aprendizagem de neuroanatomia para estudantes de Medicina no período entre 1º de janeiro de 2000 e 26 de maio de 2023. Para obtenção de tais dados, os autores utilizaram três bases de dados - PubMed, SciELO e BVS -, empregando os seguintes descritores e o operador booleano “AND” em ambos os idiomas (português e inglês): “ensino”, “aprendizagem”, “neuroanatomia”, “estudantes de medicina”, “learning”, “teaching”, “neuroanatomy” e “medical students”. Resultado: A revisão da literatura revelou uma crescente exploração de novas abordagens de ensino e aprendizado em neuroanatomia, destacando-se o uso de tecnologias como realidade virtual, cursos de neuroanatomia assistidos por computadores, modelos anatômicos de argila e a aplicação de estudos de casos clínicos. Conclusão: Nota-se nos últimos anos um notável surgimento de novas estratégias de ensino-aprendizagem no cenário acadêmico, que, por sua vez, visam aprimorar o conhecimento e a experiência dos alunos nos mais variados campos, inclusive na neuroanatomia.

Estratégias pedagógicas de ensino de diagnóstico por imagem nas escolas médicas brasileiras: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712024000300303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Brito Sousa Silva Hanna
RESUMO Introdução: A competência dos profissionais de saúde em radiologia não apenas desempenha um papel fundamental no controle de custos, mas também na prevenção de erros médicos decorrentes da inexperiência durante a prática clínica. Objetivo: Este estudo realiza uma revisão sistemática com o objetivo de investigar as estratégias pedagógicas empregadas no ensino de diagnóstico por imagem nas instituições médicas brasileiras, bem como analisar o nível de conhecimento adquirido pelos estudantes de Medicina ao longo de sua graduação. Método: A revisão sistemática da literatura seguiu as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) e abrangeu as bases de dados PubMed, LILACS/BVS, Scopus, Web of Science, Embase e ScienceDirect. A busca visou identificar artigos que abordassem metodologias e estratégias de disseminação do conhecimento em imagiologia médica. A avaliação do nível de evidência foi conduzida utilizando a abordagem GRADE. Resultado: Dos 152 artigos inicialmente identificados, 13 foram selecionados após a remoção de duplicatas e análise de títulos e resumos. Durante a leitura completa, excluíram-se oito artigos por causa de metodologias inadequadas ou desalinhamento com os objetivos da pesquisa. Os estudos elegíveis envolveram 461 alunos de Medicina em 49 instituições brasileiras, principalmente privadas, caracterizadas por um sistema híbrido de ensino e uma ênfase particular em módulos de radiologia médica. Salas de aula foram destacadas como os principais ambientes de ensino. No contexto do ensino de diagnóstico por imagens, muitos alunos ainda enfrentam dificuldades na avaliação de exames, independentemente do período letivo. O estudo aponta para a falta de uniformidade nos benefícios das políticas governamentais, resultando em segregação regional e financeira no acesso ao ensino. Conclusão: A despadronização do ensino contribui para uma formação deficiente em radiologia, deixando os profissionais despreparados para a interpretação adequada de exames. Diante da escassez de estudos e das disparidades identificadas, torna-se imperativo estabelecer parâmetros mínimos para os currículos em radiologia médica, proporcionando uma base estruturada para as instituições de ensino nacionais e visando à melhoria da qualidade do ensino e da formação profissional.

Estudante com perfil de dominância na Aprendizagem Baseada em Problemas: percepção dos docentes e discentes

PID: S1981-52712024000400201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Coelho Araujo Caminha Falbo
RESUMO Introdução: A Aprendizagem Baseada em Problemas ocorre por meio do trabalho em pequenos grupos, facilitado pelos tutores, devendo haver contribuição de todos para o alcance dos objetivos de aprendizagem. O estudante com perfil dominante pode desequilibrar essa dinâmica do grupo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender, na perspectiva da aprendizagem colaborativa, os significados atribuídos pelos docentes e discentes à presença do estudante com perfil dominante no grupo tutorial. Método: Realizaram-se dois estudos, de natureza qualitativa, com tutores e estudantes de uma faculdade do Nordeste do Brasil. O primeiro estudo objetivou compreender a percepção dos docentes sobre presença do estudante dominante no grupo tutorial. Para tanto, utilizaram-se entrevistas semiestruturadas para coleta das informações. A população foi composta por tutoras da graduação de Fisioterapia, com mais de dois anos facilitando grupos tutoriais. O segundo estudo objetivou compreender os significados atribuídos por discentes à presença do perfil de dominância nas tutorias. Utilizou-se o grupo focal como método de coleta. Participaram estudantes de Medicina dos quatro primeiros anos do curso. O processo de análise e interpretação das falas dos dois estudos foi ancorado nos pressupostos teóricos da aprendizagem colaborativa, os quais também serviram de referência para elaboração do roteiro das entrevistas e do grupo focal. Adotou-se a técnica da análise de conteúdo de Bardin. Os estudos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com CAAE nº 26191119.5.0000.5569 e CAAE nº 38005320.5.0000.5569, respectivamente. Resultado: Os tutores e estudantes enfatizaram a diversidade encontrada no perfil de dominância. Caracterizaram o estudante com esse perfil como colaborativo, participativo e preparado. Apontaram também características de impaciência, dificuldade em escutar e aceitar colocações contrárias às suas, além de comportamento intrusivo, silenciando e limitando a participação de outros. As tutoras reforçaram a dificuldade em lidar com o estudante dominante, inclusive em dar feedback. Os discentes relataram que os tutores, perante o estudante dominante, não percebiam a ausência de colaboração no grupo e apresentavam insegurança para intervir. Conclusão: Os discentes expressaram tolhimento e insegurança diante da presença do estudante dominante, com prejuízo na construção do conhecimento do grupo e no desempenho individual, bem como decepção quanto à atuação do tutor. Os tutores demonstraram reconhecer as sutilezas dentro do perfil de dominância, apesar de suas dificuldades em intervir adequadamente.

Estudo sobre fatores que influenciaram concluintes do curso de Medicina na futura carreira

PID: S1981-52712024000400203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Onuki Alves Skylis Amorim Bizetti Abujamra Figueira Focaccia
RESUMO Introdução: Os avanços da medicina desencadearam um aumento significativo do grau de especialização dos médicos. Entretanto, apesar da crescente procura dos médicos por especialização, existe escassez de profissionais em determinadas áreas, o que torna relevante compreender os fatores e as barreiras que influenciam os alunos de Medicina na tomada da carreira futura. Essa decisão passa por inúmeras reflexões, e o tema tem sido extensamente abordado no mundo tudo. Objetivo: Esta pesquisa visou estudar os principais fatores e motivações que levaram os estudantes do sexto ano da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) a escolher a especialidade médica. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal com abordagem quantitativa. Foi realizada uma análise estatística não paramétrica em que se utilizaram a linguagem R versão 4.2.3 e o teste exato de Fisher para testar as hipóteses. Dos 106 alunos matriculados, apenas 90 participaram voluntariamente da pesquisa. Resultado: Na pesquisa, 57 alunos identificaram-se como do gênero feminino e 33 como do masculino, sendo a maioria entre 23 e 26 anos. A grande área médica mais desejada foi a clínica médica (35,6%), seguida da clínica cirúrgica (23,2%), ginecologia e obstetrícia (22,2%) e pediatria (11,1%), sendo as duas últimas escolhidas, majoritariamente, pelo gênero feminino. Entre as especialidades citadas, destacou-se a anestesiologia (13,3%). Os principais fatores e motivações de influência foram: “qualidade de vida e retorno financeiro” (55,6%) e “presença de docente do internato” (53,3%), porém sem significância estatística como as especialidades escolhidas. A área da clínica médica se correlacionou estatisticamente com “oferecer maior envolvimento integral com o paciente, permitindo melhor assistência, além de prática ambulatorial” e a clínica cirúrgica e ginecologia e obstetrícia com “prática de procedimentos invasivos e atendimento de emergência, e predomínio de prática hospitalar”. Dos concluintes, 30% mudaram de opinião durante a graduação e 32,3% pretendem atuar como médicos generalistas e realizar especialização posterior. Conclusão: Este estudo demonstra como diversos fatores dentro da graduação exercem influência direta na escolha da carreira médica pelos estudantes de Medicina. Estudos adicionais são necessários, assim como estratégias de aconselhamento acadêmico, com a finalidade de esclarecer as oportunidades possíveis para cada área médica.
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