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Transversalidade de gênero e políticas sociais no orçamento do estado de Mato Grosso

PID: S0104-026x2010000200008 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2010
Autores: Pereira Silva Ciriaco Rambla
As desigualdades existentes entre mulheres e homens no que se refere à qualidade de vida são patentes no Brasil e evidenciadas por indicadores socioeconômicos. Programas e ações governamentais concebidos e executados sem a adoção da perspectiva de gênero são um dos elementos que impedem a concretização do princípio de igualdade de oportunidades. A incorporação da transversalidade de gênero nas políticas públicas no Brasil é recente, assim como os estudos e a avaliação dos orçamentos públicos. Este artigo pretende contribuir para o avanço desse tema, discutindo e analisando a política social proposta no Plano Plurianual do governo de Mato Grosso à luz do enfoque transformador e da teoria feminista. Busca-se, também, refletir em que medida o governo local está observando o compromisso político assumido com o governo federal de enfrentar as desigualdades de gênero e de realizar a gestão transversal de políticas públicas, explicitadas no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.

Transversalização da perspectiva de gênero ou instrumentalização das mulheres?

PID: S0104-026x2010000300015 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2010
Autores: Labrecque
Este artigo é baseado numa pesquisa desenvolvida no sul do México1 na qual tratou-se de observar de que maneira uma recomendação formulada no plano internacional, como a transversalização do gênero, transforma-se em contextos nacional e local. Foi, de fato, a perspectiva de transversalização do gênero que norteou de maneira evidente a instauração do programa mexicano de igualdade de gênero e, por consequente, a criação dos institutos de igualdade de gênero. Sabe-se que esta abordagem vem se impondo desde a Declaração e o conjunto de ações da Conferência de Beijing, em 1995, quando foi declarado que, a partir de então, seria preciso levar em conta as consequências de toda decisão no âmbito do desenvolvimento dos homens e das mulheres respectivamente.

“Mujeres”: destinatarias privilegiadas de los planes sociales de inicios del siglo XXI - reflexiones desde una perspectiva crítica de género

PID: S0104-026x2010000300006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2010
Autores: Anzorena
Desde fines de los 1990 tanto en Argentina como en Latinoamérica, se han introducido planes sociales destinados a atenuar las condiciones de pobreza producto del modelo neoliberal. Estos procesos afectan de modo particular a las mujeres en cuanto las ubica como 'destinatarias' privilegiadas de estas medidas. En este ensayo buscamos explorar en que sentido en que algunos supuestos de la Nueva Economía de la Familia (NEF) promueven la naturalización del rol reproductivo y doméstico para las mujeres, y las define como funcionales a los objetivos de las políticas sociales paliativas de los 1990. Esta visión, que promueve el aprovechamiento de las supuestas 'virtudes maternales' de las mujeres, reproduce la discriminación de género y clases, y refuerza la supuesta naturalidad de la división sexual del trabajo.

A cor do invisível: saberes nas experiências educativas organizadas pela Central das Associações das Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto da Região de Senhor do Bonfim - Bahia

PID: S0104-70432010000200009 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Menezes
Os saberes e sentidos dos arranjos formativos inseridos na atuação política da Central de Associações Agropastoris de Fundo e Fecho de Pasto, em Senhor do Bonfim - Bahia, são os focos deste artigo. A escolha do objeto de estudo é resultado de um olhar ampliado e polissêmico do fenômeno educativo que pensa a educação para além dos muros da escola e, portanto, reconhece a relação complexa e multifacetada entre Movimentos Sociais e Educação como possível e importante de ser estudada. Desta forma, a compreensão das tramas e sentidos das experiências instituintes de coletivização e defesa de saberes indispensáveis para a vida dos sujeitos das comunidades tradicionalmente ocupadas de Fundo e Fecho de Pasto é tomada aqui como preponderante. Nestes termos, apresento em linhas gerais um texto oriundo de uma pesquisa de cunho etnográfico em andamento, na qual a relação entre Educação e Movimentos Sociais tem um imbricamento mais próximo dos saberes que circulam no cotidiano da atuação dos sujeitos atores-autores em movimento e, por isso mesmo, está ancorada no dizer (memória e oralidade) destes sujeitos, nos seus modos de vida - sua cultura e natureza e na circularidade que envolve movimento e comunidade. Enfim, o artigo busca apresentar inicialmente o que significa comunidades tradicionalmente ocupadas de Fundo e Fecho de Pasto, em seguida descreve a estrutura e a dinâmica da Central, bem como os sentidos que envolvem os saberes contidos no seu fazer político-educativo para e com as comunidades de Fundo e Fecho de Pasto da região de Senhor do Bonfim, comunidades que, apesar das ameaças e de uma “invisibilidade” intencionalmente desenvolvida, permanecem preservando e recriando o seu jeito de viver no sertão.

A diversidade e a reivindicação de direitos nos movimentos sociais

PID: S0104-70432010000200004 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Rangel
Este artigo tem o objetivo de construir uma argumentação sobre a importância do respeito e acolhimento à diversidade, como direito humano e sociopolítico, assinalando-se que a reivindicação desse direito é uma proposta comum de ONGs e movimentos sociais. A metodologia é recorrente ao ensaio, com encaminhamento teórico-analítico. Observa-se que as ONGs fortalecem os movimentos sociais e ambos, conforme os exemplos apontados neste texto, promovem a mobilização em favor da diversidade. Considera-se, na perspectiva arendtiana, a relevância política da mobilização da sociedade e do atendimento a seus interesses, compreendendo esse atendimento como requisito de legitimação dos governos. Ressalta-se, então, a relevância do amplo movimento social de 2009, que mobilizou educadores, associações e representantes de várias instâncias da sociedade em vista de propostas à Conferência Nacional de Educação (CONAE) e seus indicativos à Reforma do Sistema Educacional Brasileiro. Abordam-se, nesse movimento, os seus eixos temáticos de discussão e neles, a reivindicação de direitos e a ênfase no respeito à diversidade.

A educação escolar entre os Tupinambá da Serra do Padeiro: reflexões sobre a prática docente e o projeto comunitário

PID: S0104-70432010000100015 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Messeder Ferreira
O presente artigo pretende apresentar uma parte dos dados etnográficos coletados para uma pesquisa de mestrado sobre a educação escolar indígena na comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro, localizada no município de Buerarema, sul do estado da Bahia. Inicialmente, trataremos de situar a construção da identidade étnica da comunidade no âmbito de um amplo processo de organização dos povos indígenas no Nordeste e destacar o componente religioso dessa trama identitária. Esta breve caracterização, que remete a outras pesquisas centradas sobre os processos propriamente políticos, sociais e simbólicos de elaboração da etnicidade Tupinambá, permite compreender o significado atribuído à educação escolar e como esta incorpora, por seu turno, as orientações mais amplas do projeto comunitário. A contextualização da escola permite-nos, em seguida, descrever e analisar práticas e discursos dos professores sobre o que consideram como educação diferenciada. Ao final, buscamos compreender os dilemas e as possibilidades colocadas pela experiência escolar indígena desenvolvida por essa comunidade específica, analisando uma modulação possível de construção da educação diferenciada.

A educação escolar indígena nos sistemas de ensino do Brasil

PID: S0104-70432010000100003 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Almeida
Neste texto a autora faz uma análise acerca de uma das principais discussões da educação escolar indígena nos dias atuais, que é o debate em torno de qual ente federativo deve se responsabilizar por essa política e como deve se organizar a administração pública brasileira para dar conta dessa responsabilidade, respeitando a especificidade dos povos indígenas no país. O texto foi produzido a partir dos dados coletados em entrevistas e em pesquisa documental durante uma pesquisa que a autora fez para o Conselho Nacional de Educação em 1997. No texto, mostra-se como esse debate sobre quem deve-se responsabilizar pela educação escolar indígena vem desde 1991 até os dias atuais com a publicação do Decreto 6.861/09 e proposta do Estatuto dos Povos Indígenas da Comissão Nacional de Política Indigenista.

A pesquisa sobre trabalho e saber docente no Brasil: perspectivas metodológicas

PID: S0104-70432010000100018 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Alves
Os estudos sobre os saberes dos docentes parecem ter encontrado boa acolhida junto a importante parcela dos estudiosos que, no Brasil, se dedicam às pesquisas sobre os professores, sua formação e seu trabalho. Autores como Maurice Tardif, Donald Shön, Kenneth Zeichner, António Nóvoa se tornaram recorrentes na literatura do campo educacional e algumas de suas indagações e teorizações foram assumidas pela pesquisa acadêmica. O objetivo deste trabalho, de natureza teórica, é justamente o de examinar algumas das perspectivas que vêm informando os procedimentos metodológicos nos estudos sobre os saberes docentes e apresentar algumas contribuições que as disciplinas que estudam o trabalho, especialmente a Psicologia do Trabalho e a Ergonomia da Atividade, podem oferecer aos pesquisadores interessados em compreender o saber e o trabalho do professor. Conclui apontando para a necessidade de se pensar o ensino como atividade humana de trabalho, bem como a importância de conhecer e reconhecer que o trabalho é algo complexo e difícil de ser apreendido; ignorar isso é uma especial porta de entrada para que os objetivos sociais do trabalho de ensinar não sejam alcançados.

A sedução despedaçada: representações e práticas de leitura de alunos do ensino médio de uma escola pública carioca

PID: S0104-70432010000100016 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Ferreira
A pesquisa apresentada neste artigo tem como objetivo buscar indícios das representações e práticas de leitura de alunos de uma escola pública carioca, cursando o terceiro ano do ensino médio. O foco da investigação é a influência do ensino de língua e literatura na relação dos alunos com a leitura. A abordagem de representações utilizada tomou por base os trabalhos de Roger Chartier, na perspectiva da História Cultural, que as identifica como esquemas construídos de classificação e julgamento que organizam a apreensão do mundo. Os fenômenos educacionais foram observados com o apoio de conceitos e estratégias do campo antropológico. Para isto, foi realizado um trabalho de campo etnográfico. A análise dos dados mostrou que, no que diz respeito à maioria dos alunos, a professora não consegue atingir sua meta de contribuir para o letramento literário dos alunos.

Articulação do trabalho e da educação do campo: uma leitura sócio-histórica da construção de dois projetos distintos

PID: S0104-70432010000200011 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Zart Gitahy
As reflexões deste artigo surgiram durante a experiência do Curso de Agronomia dos Movimentos Sociais do Campo (CAMOSC), graduação especial para camponeses, que relaciona atividades de ensino e de extensão universitárias, e que está sendo desenvolvido na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Este curso faz parte da política pública desenvolvida pelo Programa Nacional para a Educação na Reforma Agrária (PRONERA). Ao tentar compreender, durante as práticas educativas, o contexto que envolve a agricultura familiar camponesa e agroecológica, surgiram perguntas instigantes, que tentamos formular utilizando abordagens que nos permitem problematizar os sentidos do trabalho e da educação, do campo e do rural, da socioeconomia solidária e da agroecologia.

Construindo trincheiras em território minado: a educação no movimento sindical dos trabalhadores rurais sob o fogo cerrado da linha dura e do governo da distensão: o caso da Bahia nos idos dos anos de 1972 a 1990

PID: S0104-70432010000200003 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Nascimento
Este artigo resulta de uma pesquisa sobre a relação entre a sociedade civil e o Estado, abordando negociações e tensões entre os movimentos sociais de trabalhadores rurais e a estrutura sindical que lhe é correspondente, atrelada formalmente ao Estado, nos moldes da estrutura sindical do país. Embora muitas outras relações tenham sido observadas nesse processo de investigação, o foco do presente trabalho tem como base principal o programa educacional que abrangeu tanto as bases de trabalhadores e dirigentes sindicais, como setores da sociedade civil mais amplamente sensíveis às causas populares. A narrativa constituiu-se com base nos testemunhos das lideranças e dos sobreviventes da conjuntura histórica no cenário das lutas sindicais baianas. As fontes documentais consultadas foram, principalmente, os arquivos da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura e das Comunidades Eclesiais de Base nas Dioceses de Juazeiro, Bom Jesus da Lapa e de Vitória da Conquista, assim como os arquivos da Comissão Pastoral da Terra em Salvador. O estudo evidencia o impacto da ação dos movimentos sociais nascidos fora da ordem estatal, a despeito do controle militar, que contribuiu para alçar a estrutura sindical dos trabalhadores rurais na Bahia de uma posição de indiferença para uma posição de reconhecimento e apoio às reivindicações de suas bases sociais.

Deseos encontrados: escuelas, profesionales y plantas en la Amazonía Peruana

PID: S0104-70432010000100010 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Belaunde
Este artículo examina las transformaciones que la escolaridad y el deseo de profesionalización están generando en la transición de la oralidad a la escritura, los cambios residenciales, el surgimiento de nuevas élites políticas y la monetarización de la economía indígena. También presenta la propuesta de algunos pensadores indígenas de usar plantas con el propósito de encontrar un camino para salir de las contradicciones y los reveses generados en torno a la escolarización. El análisis se basa sobre datos recogidos durante varios viajes de campo realizados en 2008 y 2009, recorrendo comunidades de diversos grupos étnicos del Perú, especialmente shipibo-konibo, achuar, kichwa y ashaninka.

Economia solidária e processo de incubação: a experiência da Universidade Federal de Sergipe

PID: S0104-70432010000200013 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Vasconcelos Oliveira Andrade Felizola
No contexto contemporâneo observa-se a proliferação de diversas iniciativas produtivas com foco na organização do trabalho coletivo autogerido, diante de um cenário de mudanças que estão ocorrendo no mundo do trabalho, acompanhadas de diversas transformações não só nas formas de gestão, mas de organização do sistema produtivo. Este cenário tem trazido rebatimentos para os trabalhadores com a diminuição de postos de trabalho, trabalhos precários, aumento da informalidade etc. Diante dessa situação, vários trabalhadores passam a encontrar outras possibilidades de gerar renda, dentre elas a economia solidária. São iniciativas produtivas que têm procurado trilhar um caminho diferente da forma como foi iniciada a história do cooperativismo brasileiro e têm contado com a contribuição da academia para auxiliar no processo de constituição e desenvolvimento de empreendimentos econômicos solidários que desejam trabalhar sob o enfoque da autogestão. Este artigo tem como objetivo mostrar a experiência desenvolvida pela equipe do Núcleo da Unitrabalho/Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Econômicos Solidários da Universidade Federal de Sergipe (UFS) no campo da economia solidária, especificamente da atividade de incubação. O Núcleo/Incubadora/UFS vem desenvolvendo três linhas de ação: formação de formadores; formação periódica da equipe da Incubadora; trabalho de acompanhamento sistemático junto aos empreendimentos. O processo de incubação tem exigido a adoção de algumas diretrizes metodológicas, cuja base apoia-se em processos pedagógicos construídos com base em experiências, trocas de saberes, conhecimentos e de estratégias comunicacionais que objetivam dar maior visibilidade interna e externa às ações desenvolvidas. Esse caminho tem revelado que é preciso compreender várias nuances que envolvem a postura da equipe envolvida na incubação, as condições objetivas enfrentadas pelos empreendimentos, a necessidade de políticas públicas que apóiem os grupos, mudanças culturais, entre outros.

Educadores do campo: descobrindo os caminhos da formação inicial para os monitores das Escolas Famílias Agrícolas do Estado da Bahia

PID: S0104-70432010000200012 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Araújo
A intenção deste texto é apresentar reflexões teóricas sobre formação de educadores do campo, a partir de uma experiência de formação inicial para os monitores/formadores das redes das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), do Estado da Bahia, por meio de convênio com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). As discussões encontram-se no campo teórico e, deste modo, o texto está assim organizado: na introdução, problematiza questões contemporâneas sobre a educação do campo; posteriormente, discute aspectos referentes às políticas públicas de formação de educadores, entre estas, sobre a formação dos educadores do campo. Em seguida apresenta os pressupostos metodológicos que orientam o estudo. Posteriormente, descreve a justificativa e os objetivos dos cursos para os monitores/formadores das EFAs. Nas considerações finais, ressalta a relevância da pesquisa tomando como referência as estatísticas oficiais sobre este nível de ensino para os educadores que atuam nas escolas do campo, diferentemente dos da cidade

Educação e economia solidária: contribuições da “pedagogia da alternância” para a formação dos catadores de materiais recicláveis

PID: S0104-70432010000200005 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Mazzeu
Este texto destaca a metodologia da Pedagogia da Alternância, apontando contribuições dessa proposta para re-pensar a formação dos catadores de materiais recicláveis. Considerando que a utilização dessa abordagem na área urbana ainda é pouco comum, procura-se iniciar uma reflexão que provoque elaborações futuras. Inicialmente apresenta-se uma visão geral da Pedagogia da Alternância e são citados os principais instrumentos usados nessa abordagem. Em seguida, são destacados dois aspectos teórico-metodológicos que constituem desafios para o trabalho de formação de catadores de resíduos: as relações entre Educação e Trabalho e entre Teoria e Prática, apontando para a necessidade de superar a dicotomia entre essas dimensões da atividade humana que predomina na sociedade atual. O trabalho dos catadores revela a exclusão dos trabalhadores que atuam nos setores menos organizados das cadeias produtivas, com poucas oportunidades de qualificação e baixa renda. Superar esse abismo requer uma intensa formação para os trabalhadores da reciclagem. Para dar conta desse desafio sugere-se que não basta implementar processos de alternância entre estudo e trabalho nas cooperativas de catadores. É preciso transformar as formas e conteúdos tanto do estudo quanto do trabalho, para que se possam criar atividades emancipatórias em que essa alternância conduza efetivamente a um pleno desenvolvimento dos trabalhadores.

Educação e povos indígenas: legislação e experiência com produção de material didático de autoria indígena na Bahia

PID: S0104-70432010000100006 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Guimarães
Este artigo consiste numa reflexão sobre a educação escolar indígena no Brasil, considerando aspectos históricos e legais, destacando as mudanças ocorridas com o advento da constituição de 1988, que assegura, no campo educacional, o direito às especificidades étnico-culturais indígenas. Nesse sentido, destaca uma experiência com pesquisa, produção e adoção com livros didáticos de autoria indígena no âmbito do curso de Magistério Indígena na Bahia, que contempla uma proposta de pesquisa colaborativa na área de educação, cujo objetivo de investigação e os métodos previamente indicados foram discutidos e negociados com os professores pesquisadores indígenas, visando ao desenvolvimento de uma prática de pesquisa comprometida com uma perspectiva cognitiva e intelectual indígena. Entre os resultados desse trabalho temos a publicação dos livros Vida e Cultura do Povo Tuxá de Ibotirama; Nosso Povo: Leituras Kiriri - Educação Diferenciada na Visão do Povo Kiriri e Leituras Pataxó: Raízes e Vivências do Povo Pataxó, que estão sendo adotados pelas escolas indígenas dessas etnias.

Educação escolar indígena: estado e movimentos sociais

PID: S0104-70432010000100004 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Baniwa
O depoimento objetiva produzir reflexões políticas e teóricas sobre o alcance prático dos direitos indígenas no Brasil, no campo das políticas de educação escolar indígena, a partir das mudanças provocadas pela Constituição Federal de 1988. Recorrer à história recente de processos de escolarização dos povos indígenas possibilitará sugerir a necessidade de um aperfeiçoamento nas estratégias desenhadas no âmbito dos planos de médio e longo prazo do movimento indígena e indigenista brasileiro para a ampliação e efetivação dos direitos a uma educação intercultural específica e diferenciada, ameaçados pela nova onda de igualitarismo e universalismo. Os direitos à educação escolar dos povos indígenas, antes de 1988, no Brasil, tiveram como fundamento e fim garantir e facilitar o processo de integração dos índios à chamada comunhão nacional ou mesmo a uma eliminação física, para abrir caminho aos projetos de expansão territorial e econômica do Poder Colonial. A escola foi considerada e tratada como um poderoso instrumento para isso. Em razão disso, os principais desafios enfrentados na atualidade passam pela necessidade de superação das práticas seculares de tutela ou semi-tutela para apostar no verdadeiro protagonismo e autonomia indígena na construção e gestão de seus processos de educação associados aos seus projetos societários do presente e do futuro.

Escrito no corpo: gênero, educação e socialidade na Amazônia numa perspectiva Kaxinawá

PID: S0104-70432010000100008 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: McCallum
Nos anos 1980, a Comissão Pro-Índio do Acre (CPI-Acre) desenvolveu um projeto educacional que visava treinar professores indígenas, apoiá-los na alfabetização de seus parentes e criar escolas verdadeiramente indígenas. O seu objetivo era empoderar2 os índios e pôr um fim às relações de escravidão, baseadas no endividamento permanente para com seus patrões e comerciantes brasileiros aos quais haviam sido submetidos historicamente. Este artigo apresenta uma discussão etnográfica dos primeiros anos do projeto do CPI-Acre, focando as escolas Kaxinawá. Com poucas exceções, todos os professores escolhidos pelos Kaxinawá e todos os alunos eram do sexo masculino. Este artigo discute a relação entre os conceitos de gênero, pessoa, socialidade3 e educação escolar, entre os Kaxinawá, focalizando a questão da ausência das mulheres nas salas de aula, naquela época. Levanta a questão do risco de desempoderamento das mulheres no dinâmico contexto social, político e econômico em que estavam inseridas. A discussão etnográfica mostra que a educação escolar feminina não era entendida como empoderamento. Pelo contrário, as mulheres se preocupavam em fortalecer a sua participação na produção de socialidade, procurando aumentar o seu acesso à arte de tecer o desenho gráfico. O artigo sugere que a grande predominância de homens entre os professores indígenas no Brasil pode ser explicada como o resultado de lógicas semelhantes, no que diz respeito a gênero, epistemologia e socialidade entre outros povos indígenas.

Estratégia de comercialização para melhorar a renda de pequenos produtores familiares rurais de leite

PID: S0104-70432010000200016 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Culti Souza
A importância da agricultura familiar para o desenvolvimento econômico vem ganhando maior força nos últimos anos em razão do impulso gerado pela ampliação da discussão sobre o desenvolvimento sustentável, maior segurança alimentar, geração de emprego e renda. A comercialização é um dos principais gargalos para o desenvolvimento desse sistema de produção. Este estudo refere-se à estratégia de comercialização para a atividade leiteira nos assentamentos rurais nos municípios de Peabirú e Quinta do Sol, onde 53% das propriedades familiares dedicam-se à produção do leite. Também faz parte do estudo, o grupo de produtores familiares de leite do município de Engenheiro Beltrão. Os resultados da pesquisa mostram a viabilidade de uma estratégia de comercialização que os une por meio de uma logística de coleta do leite de cada produtor individual para aumentar o volume e viabilizar a venda com melhores preços e mais independência por meio da formação de um empreendimento coletivo autogestionário.

Gerenciamento da educação escolar indígena, poder público e a relação com o movimento indígena: experiência e reflexão

PID: S0104-70432010000100005 | Revista: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Año: 2010
Autores: Tuxá
Este artigo tem como propósito socializar uma nova dimensão do Campo Educacional Indígena. Nova, porque, diante da atual conjuntura em que vivem as sociedades contemporâneas, torna-se necessária a reafirmação da identidade étnico-cultural indígena através de um modelo específico de educação, mostrando que são possíveis outros modos de entender e valorizar a existência humana. E, nessa perspectiva, contextualizar a luta do movimento indígena pela efetivação das políticas públicas da Educação Escolar Indígena.
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