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Colcha de retalhos: história de vida e imaginário na formação

PID: S1984-64442009000300005 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Berkenbrock-Rosito
Este texto apresenta a atividade Colcha de Retalhos para falar de vida, formação e autoformação, e o lugar e a importância da educação estética e bioética na formação dos professores, através das histórias tecidas em retalhos, como possibilidade de o professor teorizar a partir da pesquisa de sua própria prática e a emergência da autoria. Tem-se aqui como referencial teórico Josso (2002), Freire (1992; 1997), Hillman (1995; 1997) e Ferreira-Santos (2004). O estudo aponta para a pedagogia imaginal como uma aquisição de saber pela experiência imaginativa para pensar a formação estética no campo das imagens e o lugar das metáforas nas autobiografias como fruição do imaginário.

Desafios e obstáculos da pesquisa em educação para a transformação das práticas pedagógicas

PID: S1984-64442009000300014 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Araújo-Oliveira
As reformas educativas atualmente empreendidas por numerosos países marcam uma ruptura importante com modelos anteriores de ensino e indicam a necessidade de uma transformação das práticas docentes. O presente artigo propõe uma reflexão em torno das contribuições e dos limites das pesquisas científicas no campo das ciências da educação e em particular aquelas que se referem às práticas pedagógicas para a construção de um Referencial de Formação Profissional que possa servir tanto à formação docente (inicial e continuada) quanto à transformação das próprias práticas. Após colocar em evidência a necessária tranformação das práticas pedagógicas que reclamam as reformas atuais, o artigo assinala alguns obstáculos e desafios aos quais as pesquisas em educação têm sido confrontadas atualmente e propõe algumas pistas teórico metodólogicas potencialmente favoráveis a uma melhor articulação entre pesquisa e prática. Se o artigo não dá respostas definitivas às perguntas que ele levanta ao longo da discussão, ele permite levantar certas pistas possibilitando alimentar as reflexões de pesquisadores e formadores de diferentes países onde a análise das práticas representa um desafio essencial para a concretização dessas reformas educacionais.

Didática e práticas pedagógicas no ensino superior: a visão dos alunos de um curso de graduação em ciências biológicas

PID: S1984-64442009000200010 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Dornfeld Escolano
O objetivo deste trabalho foi identificar aspectos da didática e da prática pedagógica de professores do ensino superior sob a visão dos alunos de um curso de graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas. Foi aplicado um questionário que enfocou os aspectos de estratégias de ensino, comportamentos e atitudes do professor. Foram respondidos 69 questionários, sendo que as respostas indicaram que a maioria das aulas é expositiva, porém que os alunos têm preferência por aulas com discussão e debates. Os alunos enfatizaram a importância do domínio de conteúdo, considerando-o o componente mais importante para o bom professor, bem como a utilização de diferentes estratégias de ensino e a relação professor-aluno. Observou-se que os apontamentos dos alunos corroboram a bibliografia disponível sobre o processo de ensino-aprendizagem e didática, especialmente quando se pensa a didática como algo superior ao saber ensinar. Constatou-se também que as práticas pedagógicas aplicadas poderiam ser alteradas para melhorar a aprendizagem e a motivação dos alunos em freqüentarem as aulas. Enfim, o estudo teve grande importância no levantamento das principais questões que ocorrem no cotidiano da sala de aula e das características que o professor deveria possuir para se tornar um bom professor.

Diversidade cultural e políticas públicas educacionais

PID: S1984-64442009000100012 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Kadlubitski Junqueira
O objetivo do presente artigo é verificar como as políticas públicas estão contemplando a “diversidade”. Compreende-se que a implantação de políticas públicas educacionais pode viabilizar um processo de ressignifição da diversidade cultural presente na sociedade brasileira. Este trabalho resulta de uma pesquisa bibliográfica sobre o conceito de diversidade cultural, a contextualização e a sua evolução histórica. Discute o panorama atual das políticas públicas educacionais no Brasil sobre a questão da diversidade cultural. Analisa como a diversidade cultural se tornou sinônimo de diálogo e de valores compartilhados, em oposição à homogeneização e imposição cultural. Identifica numa educação de respeito às diferenças uma das possibilidades mais promissoras no contexto de uma sociedade multicultural e de necessários instrumentos de inclusão e democratização.

Dois grupos de pesquisa... falas convergentes... imaginários que se aproximam

PID: S1984-64442009000300003 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Oliveira Peres
Nosso projeto, ao organizar o texto a quatro mãos, materializou um desejo, através da escrita, de explicitar duas trajetórias que se encontram no território do simbólico e nos caminhos do imaginário, mostrando inscrições teóricas de dois grupos de estudos, pesquisas e formação o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Imaginário Social (Gepeis) e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Imaginário, Educação e Memória (Gepiem), no espaço da educação. Mostramos, inicialmente, a constituição dos grupos inscritos em espaços institucionais distintos. O lugar do imaginário nos dois grupos e nossas aproximações e referências são analisados num segundo momento do texto. Na perspectiva de não finalizarmos essa escrita, mas de abrir outras, elegemos um terceiro momento, no qual mostramos contribuições e conversas em um processo “para não concluir”, através das múltiplas aprendizagens realizadas e que ainda projetamos realizar por meio de ações criativas e criadoras movimentadas nos imaginários grupais.

Ensinar a nação pela região: o exemplo da Terceira República Francesa

PID: S1984-64442009000100002 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Thiesse
A Terceira República francesa (1870-1940) realizou uma obra escolar de grande amplitude. A escolarização das crianças de 6 a 12 anos tornou-se obrigatória, e ensino nas escolas públicas era gratuito e laico. O Estado investiu na construção de escolas em todo o país e em uma formação de bom nível dos professores das escolas primárias. Freqüentemente apresentado na historiografia francesa como um momento de centralismo - e até de “jacobinismo” - intenso a Terceira República precenciou o desenvolvimento de um forte movimento regionalista. Raramente hostil à unidade nacional, o regionalismo foi muitas vezes apresentado como o mais autêntico nacionalismo. Na escola primária, o amor pela “pequena pátria” foi utilizado para desenvolver o amor à grande pátria. Numerosos manuais escolares regionalistas foram publicados. Eles forneceram aos professores primários e aos escolares uma educação intelectual, mas também estética e afetiva sobre as “pequenas pátrias”.

Entre o ecoísmo- narcisismo e a figura da linguagem docente

PID: S1984-64442009000300012 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Luiz Trevisan
Este trabalho consiste numa reflexão hermenêutica sobre a imagem docente perante o mundo racionalista, tendo como ponto de partida dois estudos críticos de Theodor W. Adorno: Tabus que pairam sobre a profissão de ensinar e A filosofia e os professores. Nesse contexto, os fenômenos que se reificaram, prevalentemente analisados, além de contemplarem uma explanação do esquema sujeito-objeto, são enfocados pelo viés da figura da linguagem docente e da linguagem como experiência e revelação de mundo. Nesse sentido, buscamos investigar o modo de como a figura da linguagem de Eco e Narciso pode auxiliar na compreensão pedagógica docente. Assim, consideramos que a razão sistêmica decorrente do iluminismo retorna ao mito, ao valorizar o mundo técnico- científico e a coisificação da pessoa; a ação instrumental em detrimento da ação comunicativa docente. Essa outra racionalidade, que aqui buscamos tematizar, aciona a premissa de que a comunicação efetiva na relação pedagógica deve transcender a metamorfoses de linguagens patológicas tais como as de Narciso e Eco, bem como à superação das mesmas nas tessituras hermenêuticas. Desse modo, pela via da compreensão na relação pedagógica, envolve mais do que metalinguagem mítica, mas uma abertura à ação comunicativa. Se tudo é linguagem, mesmo os tabus, quando cristalizados nesse mundo, dissolvem-se juntamente com a aporia da relação sujeito-objeto. Por fim, nessa intencionalidade, situamos a razão comunicativa de Jürgen Habermas como um outro horizonte à relação pedagógica em dias contemporâneos.

Entre senhas e telas: as reconfigurações do trabalho docente

PID: S1984-64442009000200011 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Cecílio Sousa
No contexto da reestruturação produtiva e da cultura digital, analisam-se aqui os efeitos das transformações tecnológicas e culturais no ensino superior. Mediante a mudança cultural e os novos conteúdos e relações sociais que delineiam o trabalho docente, com base em um estudo de caso, avaliam-se os desafios postos à profissionalidade de professores e sua formação para atuar em uma sociedade em rede. Trata-se de compreender como eles entendem o seu trabalho, as mudanças que nele ocorrem e como este reconfigura sua subjetividade. Os resultados variam da percepção das novas exigências e ritmos de trabalho trazidos pelas tecnologias digitais e sua visão como recursos de atualização até a preferência pela educação tradicional. Persistem o reconhecimento do papel social do educador e a reafirmação de valores que independem da ação das tecnologias digitais. Apesar da consciência de que algo não vai bem na profissão, a percepção da historicidade do processo educativo mostra-se frágil. Falta aos sujeitos suficiente clareza das condições que contribuem para fortalecer o isolamento e a expansão da mentalidade individualista reforçados pela sobre implicação em um trabalho que tende a níveis de precarização cada vez maiores. As tecnologias da informação e da comunicação têm uma ação ambivalente no trabalho docente. Tanto podem contribuir para a mudança, quanto podem manter antigas práticas, com a aparência de inovação. Resta aos professores, diante tal quadro, buscar o seu desenvolvimento profissional, de modo que nele encontrem bases para uma ação que lhes propicie engajamento, realização profissional e autonomia diante as transformações contemporâneas.

Entrelugares: antropologia e educação no Brasil

PID: S1984-64442009000100003 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Gusmão
O aparato teórico e metodológico da antropologia no fazer de outros campos e áreas de saber, além de implementar o diálogo interdisciplinar, é uma tarefa que expõe a situação curricular em que a antropologia é inserida em diferentes cursos e áreas de conhecimento. Neste texto se busca resgatar alguns debates no âmbito das reuniões bianuais da Associação Brasileira de Antropologia - ABA - com a finalidade de mapear, especificamente, a realidade do atual diálogo entre antropologia e educação, bem como apreender possíveis avanços e limites na dimensão da existência de uma Antropologia da Educação no Brasil e dos objetos, dos métodos e dos temas que contempla. No espaço/tempo restrito a cinco reuniões da ABA, entre 2000 e 2008 e a partir do debate em torno da antropologia e educação e dos conteúdos apresentados, configura-se uma visão possível de antropologia no movimento de busca pelo espaço exclusivo da ABA e pelo diálogo com e entre os antropólogos. O que se apresenta dos fóruns e GTs de 2000 a 2008 pelos múltiplos temas e abordagens, pelos projetos, pelas pesquisas e pelas experiências de ensino diz de um debate ainda em aberto em termos de uma antropologia da educação. No entanto, são ainda pequenos os esforços para se pensar criticamente as relações entre antropologia e educação, em razão das formas de apropriação da antropologia pelos outros campos e em razão de um humanismo que embota a visão e gera uma banalização do fazer antropológico, de seus conceitos centrais e de seus respectivos suportes teóricos.

Experiências educativas em química com jovens e adultos: incursões em ciência, trabalho e ideologia e suas implicações curriculares

PID: S1984-64442009000200008 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Silva Rosa Flores Costa
O cenário contemporâneo de desemprego massivo e de intensificação da precarização do trabalho têm levado para o interior dos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) o imaginário de que a escolarização média é fundamental para a qualificação profissional e a conquista de (melhores) empregos. O objetivo deste trabalho é problematizar o currículo da disciplina de Química diante do interesse destes jovens e adultos em se qualificarem para o mundo do trabalho. Para isso utilizamos as contribuições da teoria social marxiana de Gramsci como instrumentos teórico-metodológicos a fim de investigarmos os aspectos hegemônicos nos quais o currículo está imerso. Tomando o currículo como espaço de disputa pela hegemonia social. Concluímos que é promissor explorar a abordagem histórica do conhecimento químico como elemento mediador de práticas educativas contra- hegemônicas.

Favorecer-se outro. Corpo e filosofia em contato improvisação

PID: S1984-64442009000300009 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Farina Albernaz
Este texto ensaia com uma pergunta combustível: como levar para uma escrita científica sobre processos de formação o pensamento surgido no contato entre corpos em dança? Dito de outro modo, como produzir um conhecimento rigoroso com os efeitos de sensações irrompidas entre corpos dançando Contact Improvisation? Como escrever sobre um processo coletivo de formação de professores com experiências estéticas e conceituais que investiga suas próprias formas de expressão? E de maneira mais ampla, como produzir um conhecimento em educação que se experimenta corporal e coletivamente? Seguramente, percebe-se o risco e a ousadia da empreitada. Mas parece que é hora de praticar academicamente esta relação que os campos do saber na atualidade dão por sentada: que corpo e mente, sensível e inteligível, sujeito e objeto, dão- se um pelo outro e ao mesmo tempo. Pretende-se aqui praticar essas relações nas próprias formas de saber que se configuram neste ensaio. Pretende-se acolher a dimensão filosófica que ativa esta dança e a dimensão sensorial que vive nas filosofias da diferença.

Filmes na sala de aula: recurso didático, abordagem pedagógica ou recreação?

PID: S1984-64442009000300013 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Christofoletti
O cinema é amplamente usado em sala de aula e em situações de ensino e aprendizagem. Docentes dos mais diferentes níveis de ensino recorrem à exibição de filmes de ficção e não- ficção, seja para ilustrar os conteúdos curriculares, seja para reforçar conhecimentos que se pretende fixar. Entretanto, pouco se sabe sobre o uso do cinema por parte dos professores, já que não existe uma pedagogia específica para esse recurso nem tampouco se conhecem regras que ajudem a orientar a utilização dessa tecnologia. Nos anos iniciais da educação escolar, o cinema pode até ser recreativo, mas e no ensino superior, mais orientado para a formação profissional e mais ampla dos sujeitos, de que forma vídeos e filmes funcionam como suportes pedagógicos? Perseguindo esse aspecto, esta pesquisa questionou 55 docentes de 11 cursos de uma instituição de ensino superior, abordando dimensões como as da rotina do uso do cinema em sala de aula, a natureza desse recurso pedagógico e a capacitação docente para essa utilização. As respostas colhidas em questionários permitem refletir sobre a relação entre cinema, tecnologia e educação.

Formação de infâncias ledoras-escrevedoras: desafios da Escola do Campo

PID: S1984-64442009000100013 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Gehrke
Este trabalho insere-se no contexto e no debate da Educação do Campo no Brasil desde os movimentos sociais e apresenta uma atividade de pesquisa realizada pelo Curso de Pedagogia da Terra, parceria entre a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - UERGS e o Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária - ITERRA, junto às Escolas do Campo sobre as práticas de leitura e escrita desenvolvidas nas mesmas e com elas e sobre elas, estabelece um conjunto de análises sobre a função social da leitura e escrita na perspectiva da formação de sujeitos ledores-escrevedores no contexto do campo. Traz como referência teórica básica: Caldart, Freire, Kaufman e Rodrigues, Kleiman e Soares. Apresenta ainda, nesta perspectiva, a prática de ler, escrever e trocar cartas da Escola Municipal Irmão Cirilo do Assentamento Missões de Francisco Beltrão, Paraná, a qual considerou-se relevante e transgressora no sentido da formação humana pretendida, fechando com os desafios que pedagogos têm e precisam assumir no trato com a leitura e a escrita na Escola do Campo.

Imaginario grupal y formaciones grupales en torno al saber

PID: S1984-64442009000300002 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Souto
Imaginario grupal será el concepto central en este artículo. Para captar sus sentidos se hará un recorrido por los significados atribuidos al término en los diccionarios y en la literatura especializada, en especial la psicoanalítica. El imaginario en el campo pedagógico será pensado como el despliegue de escenas de lo grupal, de “otras escenas” que más allá de los aspectos manifiestos y visibles de un encuentro grupal se repliegan y despliegan en la vida y el devenir de un grupo. Pensar al grupo como escenas permite sobrepasar el sentido representativo icónico de la imagen para adentrarse en el de la imaginación y desde allí aventurarse en ese registro de lo imaginario como creador y revelador de sentidos. Lo imaginario grupal será pensado como aquello que desde la grupalidad puede escenificarse en tanto guión grupal, expresión de significados más o menos concientes o inconcientes, vinculados a la fantasía, a aquello que late, se despliega o repliega en los movimientos del acontecer grupal, haciéndose presente de diversas maneras. Esas escenas son, por un lado, reveladoras de sentidos concientes e inconcientes y a la vez creadoras de nuevos sentidos. Plantearemos el lugar del imaginario en algunas formaciones grupales que hemos conceptualizado en el campo pedagógico y desarrollaremos en este artículo, un tipo de formación propia de los grupos de enseñanza y de formación: las formaciones en torno al saber.

Imaginário e literatura infantil

PID: S1984-64442009000300007 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Chaves
O texto apresenta uma retrospectiva histórica da literatura no Brasil com destaques para o imaginário evocado a partir dos textos literários produzidos desde o século XV até hoje, o qual pode ser, em linhas gerais, assim descrito: a) no século XVI, a imagem paradisíaca/a fascinação do novo; b) no século XVII, o jogo das aparências; c) no século XVIII, a idéia da independência; e (d) no século XIX, a radiografia da alma humana. Em seguida, este artigo destaca os escritores de maior expressão na Literatura Infantil no país, chegando à discussão sobre as experiências desenvolvidas, em escolas brasileiras, com livros de Literatura Infantil. Em síntese, mostra que o texto literário deve ser visto como um encontro entre o leitor e os personagens, que possibilita interpretações e desdobramentos de idéias e sentimentos. Reforça, ainda, a Literatura Infantil como ponte que liga as letras ao sentido, à análise, à interpretação, à realidade, ao sonho, à imaginação.

John Dewey e a educação como “reconstrução da experiência”: um possível diálogo com a educação contemporânea

PID: S1984-64442009000300011 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Carlesso
Este texto é resultado da pesquisa cujo objetivo principal foi o de conhecer o conceito de experiência presente na obra de John Dewey, na expressão “educação como construção e reconstrução de experiência”. Através da pesquisa bibliográfica em algumas obras sobre educação de John Dewey, delinearam-se elementos caracterizadores da experiência. A investigação ocupou-se, também, em entender e refletir, por meio da literatura atual, o que caracteriza a cultura escolar hoje e quais são as concepções que alimentam a valorização da cultura experiencial do aluno no ambiente da escola. Com o intuito de abranger os discursos educacionais atuais de valorização da experiência proferidos dentro do próprio ambiente da escola, também foram trazidas para a reflexão, mediante entrevistas semi- estruturadas, os discursos de seis professoras atuantes na educação de crianças de uma escola pública. Tais entrevistas, analisadas através da técnica de análise de conteúdo e de análise textual, receberam uma leitura voltada para a compreensão daquilo que sustenta o conceito de experiência. Ao comparar a concepção deweyana de educação e o que hoje se apresenta na escola como elemento caracterizador da experiência, nossa pesquisa conclui que ainda estamos assentados em uma educação basicamente tradicional que, embora se diga fomentadora de experiências no espaço da escola, reduz esta compreensão ao “ir lá e fazer”. E, quando se afirma como conhecedora das experiências do aluno, não as concebe como possibilitadoras de novas construções, no sentido do processo de construção do conhecimento. Esta impossibilidade de confluir o conceito deweyano de experiência com o que é proferido nos discursos educacionais atuais se deve, especialmente, à falta de fundamentação daquilo que se professa nos tempos de hoje.

Literatura, intercultura e formação docente: um entre- lugar a ser visitado

PID: S1984-64442009000300008 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Barcelos
Neste ensaio trago para reflexão algumas questões referentes à literatura como um território de formação docente. A literatura não apenas como técnica, mas um território de produção de conhecimento (BARCELOS, 2001). A leitura como um entre- lugar (BHABHA, 2003) de trocas interculturais. Como se estabelecem as relações entre a literatura e a educação em geral e, em particular, com a formação docente? Como a literatura pode contribuir para a construção do conhecimento em educação em geral e, em particular, para a formação docente levando em conta a produção do ser professor? É para designar esse papel da leitura que nos referimos a ela como algo semelhante ao que Bhabha denomina de um entre- lugar de acontecimento(s). No caso do profissional da educação, seria um entre- lugar de formação docente. Defendemos nesse texto que essa trama que se cria entorno do leitor/texto/escritor/sociedade é um entre- lugar de formação docente. Um entre- lugar, talvez, por muitos e muitas ainda por ser visitado. Por outro lado, para aqueles que já visitam ou visitaram há que lembrar o que ensina o poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz, para quem os livros são como cidades feitas de letras, e assim como mudam as cidades a cada visita, mudam, também, os livros a cada leitura.

Não é fita, é fato: ensões entre instrumento e objeto- um estudo sobre a utilização do cinema na educação

PID: S1984-64442009000200003 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Cipolini Moraes
Este trabalho aborda a relação entre a escola e os recursos audiovisuais utilizados por ela, destacando-se entre estes o cinema. A premissa é a de que mesmo as escolas estando cada vez mais equipadas, a inserção do cinema no cotidiano escolar, efetivamente, não se realiza. Com o avanço tecnológico e o aperfeiçoamento dos equipamentos audiovisuais, hoje, a grande maioria da população tem acesso às grandes produções cinematográficas através de fitas de videocassete e DVD. Tal crescimento parece ser ignorado pela educação escolar, e as administrações públicas divulgam largamente o fato de equiparem as escolas para a reprodução de filmes, mas sem uma preocupação paralela de formação e capacitação dos professores para tal empreendimento. Este trabalho também tece reflexões sobre a importância histórica da linguagem do cinema e de seu caráter de conhecimento historicamente acumulado a ser transmitido pela escola aos que a ela chegam. As hipóteses deste projeto - de que a linguagem do cinema, além de ser um instrumento pedagógico (recurso didático), também é um objeto de conhecimento que possibilita a percepção da realidade mais ampla, e de que os cursos de formação de professores não os preparam para uma adequada utilização deste recurso e para a apropriação desta linguagem - foram, durante a trajetória teórica e empírica, confirmadas, o que comprova que a escola ainda faz uma utilização fragmentada, inadequada e incipiente das novas linguagens, tecnologias e saberes; obtendo, conseqüentemente, resultados muito aquém dos que poderia atingir através de uma apropriação efetiva dessas linguagens, tecnologias e saberes.

O fazer-se professor de língua portuguesa: constituição de identidades

PID: S1984-64442009000100014 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Luz Westphalen
Esta pesquisa nasceu da vontade de conhecer um pouco mais sobre o ser e o fazer-se professor de língua portuguesa, em especial, dos egressos do curso de Letras da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó). O projeto visou analisar o discurso do professor de língua portuguesa acerca de suas concepções teóricas e da relação disso com sua prática, observando como o educador tem constituído sua identidade e como tem se apropriado das mudanças didáticas e pedagógicas que norteiam o ensino da língua portuguesa. Foram sujeitos dessa pesquisa os egressos que se formaram em diferentes organizações curriculares, com diferentes habilitações e, por conseguinte, diferentes concepções teóricas e práticas, no curso de Letras da Unochapecó. Desse grupo de egressos foram selecionados 10 sujeitos para participarem de entrevistas semi- estruturadas, que serviram como instrumento de registro de experiências relativas à formação e as práticas docentes. Em seu dizer, os sujeitos marcam a importância do curso de graduação para a sua formação como professor de língua e enfatizam que o modo como optaram e se constituíram em sua profissão é influenciado pela instituição família e pelos conhecimentos teóricos e práticos estudados. No discurso, o professor marca sua plena identificação aos saberes advindos de sua formação e hoje os vê como fundamentais para sua constituição como professor de língua portuguesa.

O “espírito do comentário”: a idéia de educação e de cultura como demarcadores étnicos

PID: S1984-64442009000100009 | Revista: Educação UFSM (1984-6444) | Año: 2009
Autores: Bahia
Este trabalho investiga a memória dos ativistas de esquerda da comunidade judaica, sua participação na Associação Scholem Aleichem (ASA) e no Instituto Cultural Israelita Brasileiro² (ICIB), respectivamente localizados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, e sua relação com os demais membros da comunidade no período de 1920 a 1960. Instituições de esquerda, fundadas por imigrantes judeus, fundamentais para instituir redes de sociabilidade judaica, tiveram forte papel político na sociedade nacional. Enfatizaremos a análise dos modos de construção da identidade judaica, reconstituindo a trajetória dos ativistas de esquerda entrevistados e seu cotidiano nas referidas associações, sobretudo no que tal trajetória oferece de material para a reflexão sobre as diferenciações internas na comunidade de origem e os modos de construção de sua identidade étnica nas idéias que possuem sobre “educação e cultura progressista” e sobretudo a importância da argumentação e do chamado “espírito do comentário”.
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