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De olho no conhecimento “encarnado” sobre trabalho associado e autogestão

PID: S2177-62102009000300003 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Fischer Tiriba
Compreendemos que, ao focalizar as múltiplas dimensões do diversificado mundo do trabalho, o campo de estudos e pesquisas sobre Trabalho e Educação contribui para tornar mais transparente a unidade do real. Nesse horizonte, trazemos à superfície situações em que, premidos pela ameaça de desemprego, os trabalhadores e trabalhadoras - como sujeitos coletivos e singulares - buscam assegurar, de forma associada e autogestionária, o seu estar no mundo. Problematizamos o conceito de saberes do trabalho associado, indicando a necessidade de identificar com maior precisão os atributos desse trabalho que chamamos de “trabalho associado”. Considerando que, historicamente, essas experiências de trabalho se configuram no contexto de determinadas relações sociais de produção, indicamos algumas contribuições teórico-práticas da Ergologia quanto à análise do trabalho como atividade humana permeada de “dramáticas de uso de si”. Para finalizar, reivindicamos um “movimento reflexivo encarnado” sobre os saberes do trabalho associado, tecidos na atividade viva do trabalho, nos fóruns de trabalhadores e nos debates políticos e teórico-conceituais.

Direito à universalização da educação básica

PID: S2177-62102009000100003 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Pauly Orth
A tese política de universalização da educação básica é analisada a partir de um panfleto político de Kant e da hermenêutica jurídica proposta por Bobbio para a doutrina dos Direitos Humanos. Desse modo, apresenta-se a tese político-pedagógica iluminista de cidadania como a condição do indivíduo ter direitos. O artigo considera, brevemente, as críticas tanto ao individualismo da concepção moderna de cidadania quanto ao papel do Estado na Educação Básica. Com essa base teórica, analisa-se a universalização da educação básica proposta na legislação educacional brasileira. O confronto entre a teoria e a legislação permite concluir com a proposta de uma definição política, teórica e prática de universalização, estabelecendo critérios a partir dos quais se examina a universalização da Educação Básica no Município de Canoas/RS, evidenciando a distância entre aquela tese política e o desempenho dos sistemas de ensino.

Educação não escolar, universidades e educação popular: horizonte de novos desafios

PID: S2177-62102009000200005 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Moura Zucchetti
Este artigo aborda as práticas de educação não escolar que se desenvolveram à margem de espaços formais de produção do conhecimento e por meio de uma formação em serviço que, em geral, desprovida de um processo de reflexão coletivamente sistematizado, incorpora um sentido ligado ao plano mecânico da tarefa. Contudo, a educação não escolar vem ganhando visibilidade e, de forma crescente, nos últimos anos, temos visto movimentos de aproximação entre as universidades e as experiências que extrapolam a educação escolar e que se ocupam de um amplo espectro de práticas - as intervenções socioeducativas - que acontecem no interior dos movimentos sociais, nas organizações não governamentais, nos grupos de produção associada, entre outros. Entre essas práticas e o ensino superior, a formação em serviço ainda se constitui no modelo privilegiado de formação de educadores, com seus limites e possibilidades. Neste artigo, nos aproximamos desse cenário, contando com a mediação da pesquisa, a fim de contribuir para uma discussão que tensiona as aproximações entre Educação Não Escolar e Educação Popular.

Educação popular: uma história, um que- fazer

PID: S2177-62102009000200006 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Vasconcelos Oliveira
O presente artigo tem como objetivo apresentar o histórico da Educação Popular na América Latina (décadas de 60 à 90 do século XX), por meio de seus principais marcos, e de seu processo de conformação no panorama brasileiro. Visa também apresentar um que- fazer dessa Educação, permeado pelo diálogo e pela construção conjunta de saberes. Abordam-se alguns pontos relevantes na construção de conhecimentos e nas práticas de Educação Popular, buscando colaborar para sua precisão conceitual e delineamento metodológico. Para tanto, são discutidos temas como: a transformação social, a autonomia e o compartilhamento de saberes, a formação de educadores, desde os processos metodológicos e a tematização dos problemas, o papel do educador, assim como as estratégias de ação, reflexão e avaliação. Pretendemos, com este estudo, contribuir para o aprofundamento de estudos na área de educação em geral, atentando principalmente para a urgência de iniciativas, escolares ou não, que visem a fortalecer os mais diferentes processos de humanização.

Experiência e formação experiencial: a especificidade dos adquiridos experienciais

PID: S2177-62102009000300005 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Cavaco
Este artigo tem por objetivo sistematizar e analisar possíveis respostas a indagações relacionadas à experiência e à formação experiencial. A síntese e a análise desenvolvidas são orientadas por quatro questões. O que é a experiência? A experiência é formativa? Como se processa a formação experiencial? Que dificuldades estão inerentes ao estudo dos adquiridos experienciais? A emergência de políticas e práticas fundamentadas na valorização da experiência e no reconhecimento dos adquiridos experienciais contribuíram para que a questão da experiência surgisse no domínio público, registando-se uma tendência de naturalização que, progressivamente, dificulta a análise crítica destas novas práticas sociais. A investigação neste domínio revela-se imprescindível para a compreensão dos processos de formação experiencial e para consolidação de práticas de reconhecimento de adquiridos, mas também é marcada pela complexidade e especificidade do objeto de estudo.

Identidades-en-acción: sobre la fragilidad del discurso y la identidad en el aula de matemáticas

PID: S2177-62102009000200002 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Stentoft Valero
La noción de identidad ha sido recientemente usada en la investigación internacional en educación matemática en un intento de vincular las comprensiones individual y social del aprendizaje. En este artículo revisamos la literatura existente que hace uso del concepto de identidad, y señalamos algunas de las fortalezas y de las debilidades en las maneras como ha sido construida la noción de identidad en relación con la enseñanza y el aprendizaje de las matemáticas. Proponemos una conceptualización de la noción que apunta a la fragilidad y la inestabilidad de los procesos de identifi cación que están inmersos en el discurso. Sostenemos que una noción de identidad formulada desde una perspectiva postestructuralista y que enfatiza la relación dialéctica entre la identifi cación y el discurso ofrece posibilidades interesantes para interpretaciones del aprendizaje matemático como un proceso frágil que se caracteriza más por discontinuidades e interrupciones que por su continuidad. La noción postestructuralista de identidades frágiles-en-acción nos permite llamar la atención hacia lo que normalmente se considera como “ruido” o “imposibilidades” en nuestras comprensiones de la educación matemática y la interacción en la clase de matemáticas.

Indisciplina e violência na escola: reflexões no (do) cotidiano

PID: S2177-62102009000200003 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Naiff
A sociedade moderna funda o poder disciplinar que organiza o funcionamento social em prol da produção de um sujeito homogeneizado e adaptado. O chamado sujeito da moral emerge desse contexto como o cidadão idealizado pelos padrões sociais. A escola é um importante difusor dessa lógica e produz, na sua interioridade, uma classificação dos sujeitos quanto à aptidão para desempenharem sua função na sociedade. Comportamentos indisciplinados e violentos são considerados disruptores e são punidos com o rebaixamento daqueles que dele se servirem, usando- se, nesse sentido, não mais a violência, mas a exclusão. A indisciplina precisa ser vista como um movimento de crítica e questionamento à ordem estabelecida, fato que deve gerar reflexão, em vez de provocar, na escola, o silenciamento. Dessa experiência, a escola pode construir caminhos de diálogos e de participação coletiva e ampliar as leituras possíveis, de modo a favorecer o agenciamento de desejos.

Limites e possibilidades de apropriação da pedagogia histórico-crítica na prática escolar

PID: S2177-62102009000100006 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Magalhães Silva Júnior
O objetivo desse artigo é refletir sobre os limites e as possibilidades de realizar uma prática escolar com base na pedagogia histórico-crítica sob a égide do capital. Embora alguns obstáculos para a objetivação da pedagogia histórico-crítica já tenham sido destacados pelo seu precursor (Saviani, 1994, 2003), cremos que uma análise ontológica das possibilidades de apropriação da pedagogia histórico-crítica faz-se necessária para identificarmos no ser social, professor, a sua capacidade de pensar contra o seu pensamento e com isso elaborar uma teleologia educacional condizente com uma prática educativa emancipatória. Isso significa objetivar uma prática escolar que tenha como teleologia uma educação contra o capital.

Linguística da enunciação e ergologia: um diálogo possível

PID: S2177-62102009000300007 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Teixeira Cabral
Este texto propõe que a perspectiva enunciativa de estudo da linguagem de Émile Benveniste apresenta pontos de contato com a ergologia (Schwartz, 2000), podendo com ela dialogar em investigações sobre a atividade de trabalho. A ergologia interessa-se pelo trabalho como atividade efetivamente realizada por sujeitos, entendendo o termo “atividade” como uma dialética entre duas dimensões da atividade humana que estão ligadas no trabalho: o dizer e o fazer. A linguística da enunciação interessa-se pelo ato de tomada da palavra, entendendo que a língua fornece um sistema formal de base (um conjunto de normas) que o falante, quando a utiliza, arranja num estilo particular (renormaliza). Ambos os saberes não se detêm em observar somente regularidades, mas, particularmente, focalizam os efeitos da intervenção sempre singular do sujeito no uso da linguagem/na atividade de trabalho. Uma análise de verbalizações sobre a atividade de trabalho é trazida para ilustrar as considerações teóricas.

Lições de pedra: das minas de saberes e valores

PID: S2177-62102009000300006 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Cunha
O artigo discute a produção de saberes sobre trabalho no contexto de uma experiência de Dispositivo Dinâmico a Três Polos (abordagem ergologica do trabalho) desenvolvida por pesquisadores e trabalhadores do setor mineral.

Mulher e educação na República Velha: transitando entre o discurso histórico e o literário

PID: S2177-62102009000100005 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Menezes Machado Nunes
Este trabalho, vinculado ao grupo de pesquisa HISTEDBR/GT-PB e ao projeto de pesquisa “Educação e educadoras na Paraíba do século XX: práticas, leituras e representações”, tem por objetivo compreender os significados do magistério e da educação feminina na República Velha a partir das representações de mulher correntes na sociedade brasileira nesse período. A metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica, com análise de duas obras, A educação nacional, de José Veríssimo Dias de Matos, publicado em 1890 e reeditado em 1906 com o acréscimo do capítulo A educação da mulher brasileira, e o romance O quinze, de Raquel de Queiroz, publicado em 1930, que tem como personagem principal a professora Conceição. A pesquisa se inscreve nos Estudos de Gênero e nos pressupostos teórico-metodológicos da Nova História Cultural. Embora no período em estudo o incentivo ao magistério feminino e à educação da mulher fosse justificado pela associação desta à representação de mãe, esposa e dona-de-casa, primeira e principal educadora dos futuros cidadãos, as obras analisadas também desvelaram a incipiente inserção feminina num processo social mais amplo, com as mudanças no comportamento da mulher e a paulatina conquista do espaço público, avanços ligados ao acesso das moças à continuidade da educação escolar e ao mercado de trabalho por meio do magistério.

O conhecimento informal dos trabalhadores no chão de fábrica

PID: S2177-62102009000300002 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Franzoi
Este artigo retoma resultados de pesquisa realizada por Franzoi (1991), que se inscreve na forte tendência da década de 1980, que unia teóricos em torno do mundo do trabalho, em especial na educação. Nesta perspectiva, o estudo aborda o saber dos trabalhadores - entendido como aquele que se desenvolve no chão de fábrica, no ato da produção - a partir de uma pesquisa feita em uma empresa do ramo metal- mecânico, do Rio Grande do Sul, que introduzia o Modelo Japonês de gestão do trabalho. O objetivo da referida pesquisa foi investigar como tal Modelo lidava com o saber dos trabalhadores, enfatizando que é impossível uma separação total entre concepção e execução e que os trabalhadores, por estarem em contato com o processo produtivo, detêm um conhecimento que é só seu.

Os limites da democracia: quando a política (des)educa e a educação (des)politiza

PID: S2177-62102009000300009 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Baquero Baquero
O papel do cidadão na arena política da América Latina é um dos temas que mais atenção tem recebido nos últimos anos. No entanto, o resultado dessas reflexões tem sido inversamente proporcional à real eficácia política das pessoas. Neste contexto, este artigo tem por objetivo examinar os dilemas da democracia contemporânea na América Latina, a partir de uma reflexão de natureza interdisciplinar que problematiza as relações entre educação e política e o papel que as mesmas assumem na equação da construção democrática nesta Região. A reflexão se apóia em autores da área da cultura política e da vertente crítica em educação. O artigo destaca a assimetria entre a democracia formal procedimental e a democracia na sua dimensão social e propõe o conceito de democracia inercial como uma alternativa para a compreensão do paradoxo democrático desta Região. Neste contexto, sinaliza para a importância de uma educação emancipatória como instrumento de fortalecimento democrático.

Política educacional e representações de justiça, êxito e fracasso na escola: o exame do periódico Ideias (l988-2004)

PID: S2177-62102009000200008 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Moraes Souza Amparo
O texto analisa o ciclo de vida, as práticas discursivas e os conteúdos da Série Ideias, periódico educacional publicado pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). A maioria dos números foi publicada entre 1988 (Nova Constituição) e 1996 (aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Entendemos que as medidas tomadas pelo Estado Brasileiro, assegurando a universalização do acesso e a ampliação da escolarização obrigatória, produziram, além de um corpo de leis e instruções oficiais, processos de socialização e construção de identidades, os quais viabilizaram modos de gestão e controle de mudanças das políticas educacionais. Nesse sentido, buscamos uma fonte histórica capaz de indicar as tensões, acomodações e resistências dos atores sociais e de reconstruir as questões educacionais no momento mesmo em que estavam se formando e sendo discutidas. Adotamos os termos discursos pedagógicos intermediários, espécie de literatura cinzenta, indeterminada, os quais são postos em circulação por meio de apostilas e cadernos de formação continuada, coleções de leituras para professores, textos técnicos e uma gama de publicações de origem oficial, mas distintos do texto legal, para apreender representações sobre a profissão, a escola, a teoria e a prática pedagógica modeladas pelas ideias de justiça, êxito e fracasso na escola, tomadas como ideias móveis e sensíveis ao movimento dos campos político, científico e educacional.

Políticas transversais (gênero, raça/etnia e deficiência) e educação/qualificação para o trabalho

PID: S2177-62102009000100004 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Yannoulas Soares
O artigo explora potencialidades e limites da proposta de transversalização de políticas públicas (gênero, raça/etnia e deficiência), à luz da experiência brasileira recente quanto à formulação e à implementação de políticas públicas de educação/qualificação para o trabalho. Se educação e trabalho são dois tópicos importantes nas propostas dos organismos governamentais específicos que tratam das questões transversais (CORDE, SPM e SEPPIR), a relação entre esses grandes tópicos, isto é, a educação/qualificação para o trabalho, não consta entre as principais preocupações contempladas nos planos e relatórios desses organismos governamentais. Em grande medida, essa ausência relativa pode ser explicada pelos entraves na transversalização das problemáticas ao interior das políticas sociais específicas (ou setoriais, como são as políticas de educação e de trabalho).

Produzir saberes entre aderência e desaderência

PID: S2177-62102009000300010 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Schwartz
Este artigo problematiza o conceito de desenvolvimento a partir de uma concepção da vida como negociação permanente entre a obrigação de viver as solicitações e coerções do presente local-espacial e normas antecedentes de diversos tipos instituídas a distância dessas aderências locais. Nesse sentido, propõe uma postura ético-epistemológica que propicie um novo regime de produção de saberes, considerando os saberes e valores produzidos no local pelos atores sociais.

Rompendo fronteiras: a escola aberta às parcerias e à territorialização educativa

PID: S2177-62102009000100007 | Revista: Educação UNISINOS (2177-6210) | Año: 2009
Autores: Martins
O estudo, de âmbito teórico e no contexto português, aponta para a importância das relações entre a escola, a comunidade e a autarquia (parcerias e partenariado), como vetor do desenvolvimento e da inovação. Para isso, deve-se partir da construção real de práticas de cooperação entre as comunidades locais e as instituições sociais e educativas, numa partilha de iniciativas e de projetos comuns com a escola (projeto educativo). A constituição de comunidades territoriais de educação é uma forma de desenvolver os valores e manter as tradições, o património ambiental, cultural e artístico, a promoção dos recursos e das sinergias, com o objetivo de um desenvolvimento em rede, de uma cidadania europeia e para o intercâmbio de proximidade. O autor estruturou o estudo em quatro pontos. No primeiro aborda as parcerias entre a escola e a comunidade local, destacando o significado de parceria e o papel do partenariado na realidade educativa portuguesa. No segundo ponto explica-se a relação interativa entre parceria, participação e poder local. No terceiro ponto analisam- se as lógicas e as dinâmicas de parceria “educação - escola” e, no último ponto a parceria “escola - autarquia”, de modo a promover a participação dos atores educativos, da escola e da comunidade.

A criança (pobre) em escola católica na cidade paroquial de Jardim do Seridó (Rio Grande do Norte,1943-1951)

PID: S1982-596x2009000200003 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2009
Autores: Araújo
A escolarização primária da criança pobre nas décadas de 1940 e 1950, no Rio Grande do Norte, postula ao historiador da educação investiga-la a partir de constatações empíricas. Por um lado, a educação escolar e a assistência social e material estiveram conjugadas pela cooperação celebrada por órgãos federais, organismos internacionais, instituições estaduais e a Igreja Católica. Por outro lado, impelido pela grave situação social da criança sem escola, mal vestida, de pés-descalços e subalimentada, a vaguear ociosamente nas cidades paroquiais e em suas capelas, na então região do Seridó, Dom José de Medeiros Delgado (1941-1951), o primeiro bispo de Caicó (RN) implantou nesses lugares uma rede de 18 escolas católicas primárias genericamente denominadas Escolas do Pobre, orientadas pela Casa do Pobre, à época órgão de direção das atividades assistenciais da Igreja Católica local. A investigação nucleada em tomo da problemática do alfabetismo tem o objetivo de refletir sobre a materialidade educativa instaurada na Escola (do pobre) Rural "Jardim Seridoense", da cidade paroquial de Jardim do Seridó (RN) no período de 1943 e 1951. Considerando estritamente as singularidades dessa instituição católica, ancoramo-nos em construtos teóricos de cultura escolar e de cultura de escola, desenvolvidos pelo historiador da educação João Barroso (2004), que partiu das inter-relações entre organização societária e instituição educacional. Coincidindo sua instalação com a fase correspondente à planificação nacional da escolarização primária, a Escola (do Pobre) Rural "Jardim Seridoense" ergue-se, à semelhança de suas congêneres, como instituição social por excelência com o ensejo de que as crianças de 7 a 12 anos se apossassem de conhecimentos culturais mínimos e de hábitos de trabalho para ofícios em demandas à época.

A cultura material escolar em trabalho e educação. A memória fotográfica de sua transformação

PID: S1982-596x2009000200004 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2009
Autores: Ciavatta
Este trabalho tem por objetivo resgatar a historicidade de alguns aspectos da cultura material de escolas do trabalho e das escolas profissionais e técnicas ou tecnológicas. Ele tem por base pesquisas que desenvolvi ao longo da década de 1990 e início dos anos 2000, buscando compreender como a relação trabalho e educação ganha forma e significado nas escolas que preparam pequenos e jovens trabalhadores para o trabalho, no contexto das relações sociais capitalistas e do desenvolvimento das forças produtivas. As fontes de pesquisa são documentos escritos e fotografias que provêm dos escassos arquivos das instituições e de arquivos públicos da cidade do Rio de Janeiro. A identificação de conteúdo, período e contexto foram objeto de investigação em documentos escritos e em entrevistas com ex-alunos e/ou professores ou ex-professores. As singelas ferramentas e aparelhagens eletromecânicas foram cedendo espaço a laboratórios e à aprendizagem de experimentos científicos com novos equipamentos e novas tecnologias.

A presença de Simmel na obra de Habermas

PID: S1982-596x2009000200012 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2009
Autores: Borges
Este artigo faz um levantamento das passagens em que Habermas cita Georg Simmel (1858-1918), pensador muito criativo e popular, mas preterido pela academia alemã. Autor de uma Filosofia do amor e de uma Filosofia do dinheiro, foi também o fundador da disciplina Filosofia da Cultura, que influenciou Adorno e Horkheimer, em suas teses sobre a cultura de massas. Ao reuni-lo com outros tantos filósofos judeus, que compuseram grande parte do idealismo alemão, Habermas aponta no antissemitismo um dos preconceitos que prejudicaram a carreira acadêmica de Simmel e sua recepção pelas gerações seguintes.
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