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Análise do processo de exame de grau na pós-graduação stricto sensu

PID: S1517-97022009000100003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Pezzi Steil
O artigo tem por objetivo contribuir para o aprofundamento das discussões acerca da qualidade da pós-graduação stricto sensu no âmbito nacional, a partir de um de seus elementos constituintes: o exame de grau. O exame de grau é discutido de forma teórica, por meio da análise sistematizada de pesquisas nacionais e internacionais relacionadas com o tema. Primeiramente, são discutidos os propósitos de mestrados e doutorados, analisados os objetivos dos exames de grau, investigados os procedimentos e os critérios adotados na avaliação dos exames de grau, apontando seus pontos de vulnerabilidade. A seguir, sistematizam-se e analisam-se as variáveis relacionadas à subjetividade dos elementos decisórios de cada examinador e as influências externas às quais a banca está envolta. Em sua conclusão, ressalta-se o alto nível de heterogeneidade associado ao conhecimento e à percepção dos padrões esperados para a formação de um mestre e um doutor, que influencia sistemicamente no processo de exame de grau. Por fim, os temas sugeridos para a continuação da pesquisa visam buscar maior consistência nos procedimentos de avaliação dos exames de grau e uma avaliação mais equitativa do pós-graduando, contribuindo para a qualidade da pós-graduação stricto sensu.

Avaliação e qualidade no ensino superior: os impactos do período 1995-2002

PID: S1517-97022009000300011 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Real
O objetivo deste trabalho consiste em apreender os impactos que a política de avaliação da Educação Superior adotada no período de 1995 a 2002 proporcionou à construção da concepção de qualidade nas instituições de Ensino Superior de forma a compreender a sua lógica intrínseca. Adotou-se como procedimento metodológico a análise documental, a partir dos resultados da sistemática de avaliação desenvolvida pelo Ministério da Educação - MEC - para os cursos de graduação, no período em tela, que considerou os seguintes instrumentos de avaliação: o Exame Nacional de Cursos; as avaliações desenvolvidas por pares para fins de autorização e reconhecimento de cursos; e as informações estatísticas. Para a análise dos relatórios das comissões de avaliação, procedeu-se a um recorte geográfico, considerando as avaliações processadas no estado de Mato Grosso do Sul. Como resultados, observou-se que a avaliação, a partir de 1995, passa a ser utilizada como um mecanismo de expansão de cursos e instituições, a partir da configuração de concepções distintas de qualidade, estabelecidas de acordo com a organização administrativa das instituições de Ensino Superior, o que conformou a diversificação existente constituída por universidade, centro universitário e faculdade. Apesar do impacto positivo da avaliação, observado no contexto institucional, as evidências encontradas permitem apontar para um esgotamento do poder indutor da avaliação na melhoria da qualidade do ensino, na medida em que as instituições vêm procurando atender aos padrões de qualidade estabelecidos pelo MEC em seus aspectos formais sem, contudo, alterar a essência da qualidade do ensino que oferecem.

Conhecimento técnico e atitude no ensino de língua portuguesa

PID: S1517-97022009000300006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Fairchild
Contra a ideia de que os conhecimentos técnicos do professor de língua materna sirvam prioritariamente ao conteúdo de seu ensino ou ao planejamento de suas aulas, neste artigo, discute-se o preceito de que tal conhecimento seja assumido também como base para a elaboração de uma atitude a ser mantida nas interações face a face da sala de aula. Essa atitude diz respeito à constante necessidade de tomar decisões diante do inesperado e aponta para a construção de um lugar discursivo específico do professor de língua - o de quem escuta a palavra do aluno e a enlaça à sua, de maneira a garantir que a assunção de um lugar de sujeito passe por uma reflexão sobre os meios linguísticos disponíveis para tanto. Toma-se como exemplo para esse debate a interpretação inusitada que alguns alunos fazem da palavra "rataria", presente num texto de Monteiro Lobato. Discutem-se certas atitudes que poderiam ser tomadas em relação a esse erro de leitura e suas implicações: requisitar a modificação da resposta, modificar o material didático, explicitar o trabalho linguístico subjacente ao erro ou utilizar o erro como pretexto para outras atividades. Os encaminhamentos discutidos fundamentam-se na premissa de que erros e outras manifestações imprevistas não apenas revelam procedimentos de construção do conhecimento, mas também oferecem oportunidades importantes para que o professor se faça incluir na palavra do aluno, sendo, portanto, um aspecto fundamental na construção de uma relação em que o ensino se torne possível.

Contribuições para a construção de uma matriz para avaliação de projetos de educação ambiental

PID: S1517-97022009000200012 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Guanabara Gama Eigenheer
Hoje em dia, presenciamos uma grande proliferação de projetos de educação ambiental, mas não se observa esse mesmo desenvolvimento em relação aos métodos para avaliação destes. O presente artigo teve por objetivo colaborar com a construção de uma matriz para avaliação de tais projetos. Foram utilizados, como exemplo de avaliação, dois projetos desenvolvidos no município de Petrópolis (RJ), que apresentam os resíduos sólidos como tema central. A matriz analisou a adequação dos projetos Araras sem lixo e Petrópolis recicla com as principais políticas públicas que regem a região e o tema escolhido. Foram elaboradas 13 questões para avaliar se os projetos estavam ou não de acordo com os propostos pelas políticas públicas escolhidas. No total, cada projeto poderia pontuar um máximo de 39 e um mínimo de 13 pontos, podendo ser avaliados como: (i) não de acordo com as políticas públicas analisadas (pontuação entre 13-21); (ii) parcialmente de acordo (entre 22 e 30 pontos); e (iii) de acordo (entre 31-39 pontos). Segundo a avaliação, o projeto Araras sem lixo tem seus princípios e objetivos parcialmente de acordo com aqueles propostos pelas políticas públicas analisadas. Já o projeto Petrópolis recicla mostrou-se inadequado aos propostos por essas políticas públicas. A matriz de avaliação mostrou ser um instrumento adequado para avaliação e posterior comparação de projetos de educação ambiental, podendo ser adaptada aos mais diferentes temas e realidades.

Crianças com câncer e o atendimento educacional nos ambientes hospitalar e escolar

PID: S1517-97022009000300007 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Rolim Góes
Este trabalho aborda o atendimento educacional oferecido a crianças com câncer, que precisam afastar-se da escola por períodos longos ou recorrentes em razão do tratamento. O sistema escolar não tem respondido às necessidades desses alunos e são ainda escassas as iniciativas de classe hospitalar e atendimento domiciliar. Para discutir o problema, apresentamos uma pesquisa referenciada na abordagem histórico-cultural e realizada no âmbito de um programa educacional num hospital de câncer infantil. O objetivo foi analisar a significação que as crianças atribuíam ao aprender e sua receptividade a experiências de aprendizagem. Durante o programa, elas mostravam um claro desejo de participar das atividades, mas manifestavam uma grande insatisfação com o retorno à escola. Além de se confrontarem com preconceitos pela doença, não recebiam apoio para alcançar o ritmo da classe e geralmente cumpriam as lições mediante meras cópias. As avaliações eram feitas sem exigências e a promoção, facilitada. Assim, o direito a aprender era tornado um direito a não aprender. Essa mescla de despreparo e condescendência da escola leva ao desperdício do potencial e da vitalidade das crianças e produz uma dor adicional, um senso de inferioridade. Há divergências nessa área quanto à atenção a ser dada às atividades instrucionais, já que é essencial minimizar o sofrimento da criança. Os presentes dados indicam que o conhecimento escolar não deve ser secundarizado, pois ele preserva vínculos com esferas da cultura e, sobretudo, constitui uma fonte de vontade de viver pelo seu valor de futuro projetado.

Cultura escolar e práticas sociais: episódios cotidianos da vida escolar e a transição para a adolescência

PID: S1517-97022009000200010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Campolina Oliveira
É posição corrente que a cultura tem papel central no desenvolvimento psicológico do ser humano. Considerando-se o caráter plural dos contextos socioinstitucionais que participam da configuração de um contexto cultural particular, torna-se fundamental investigar como a cultura escolar participa do desenvolvimento humano, como ela influi nos processos de mudança e demarca trajetórias típicas. O presente estudo investiga a escola como contexto cultural e analisa interações espontâneas ocorridas entre alunos de 5ª e 6ª séries durante o período de recreio, a fim de compreender como a escola contribui para circunscrever um processo de desenvolvimento particular: a transição da infância à adolescência. O método adotado no estudo envolveu seções de observação de atividades cotidianas em sala de aula e no pátio de uma escola pública de Ensino Fundamental localizada na capital do Brasil. Toma-se como material de análise um episódio ocorrido durante o recreio escolar e que envolvia uma brincadeira, em grupo, de faz de conta. A análise do episódio revela a transgressão simbólica de normas escolares e as representações construídas coletivamente sobre a adolescência como seus temas centrais. As análises apontam ainda duas linhas de reflexão sobre o significado da transição para a adolescência na escola: (1) o papel das normas escolares na regulação moral do corpo e da conduta dos alunos; e (2) o papel do jogo e da experiência adolescente na transformação da ordem disciplinar imposta pelo funcionamento das escolas.

Do método do caso ao case: a trajetória de uma ferramenta pedagógica

PID: S1517-97022009000100009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Menezes
O presente trabalho procura distinguir os conceitos acerca do método de estudo de casos e o método do caso dentro das Ciências Sociais e suas aplicabilidades, assim como diferenciar o modo empírico/indutivo e o teórico/dedutivo de pensar, sendo apresentado no trabalho como característicos de americanos e alemães respectivamente, fatores que diferenciam o ensino nos dois países. Para tanto, realiza uma descrição sobre o momento do surgimento do método do caso na escola de Direito em Harvard, destacando a conjuntura social, econômica e cultural que possibilitaram a criação desse instrumento pedagógico e, concomitantemente, apresenta o estudo de caso que, como proposto por Yin, cuja obra referenciou o trabalho em questão, se configura em um dos mais utilizados métodos nos estudos científicos, rompendo com o credo de que é um método fácil de ser aplicado, antes, exige do pesquisador dedicação e rigor científico, além de uma elaboração do problema de maneira a não torná-lo óbvio, um simples relato de experiência. Já o método de casos, criado por Christopher Columbus Langdell, não busca a pesquisa empírica como resposta a um determinado problema, antes, é uma ferramenta pedagógica utilizada na formação de advogados, juristas e administradores de empresas em que a teoria é um subsídio à análise de jurisprudências e experiências em administração, não apenas o objetivo puro e simples da academia.

Educador social: uma identidade a caminho da profissionalização?

PID: S1517-97022009000300005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Silva
O objetivo deste artigo é apresentar uma síntese da pesquisa de mestrado A construção de identidade do educador social na sua prática cotidiana: a pluralidade de um sujeito singular, na qual se buscou conhecer características da identidade que o educador social, de nível universitário, da cidade de São Paulo, vem construindo na sua prática cotidiana. A metodologia desenvolvida para este estudo constou de um instrumento elaborado pelo pesquisador e preenchido, entre início de março e final de setembro de 2006, por quinze educadores sociais de áreas de formação diversas: Psicologia, Serviço Social e Pedagogia. Verificou-se, dessa maneira, o perfil socioeconômico e cultural desses educadores, complementando com aspectos qualitativos de sua prática cotidiana relatada mediante questões semidirigidas e duas cartas propiciadoras de livre expressão. Para a análise, contou-se com a Psicologia Histórico-Cultural e o diálogo com autores da Sociologia, Pedagogia e Serviço Social. Os resultados analisados apontaram a desvalorização, a impotência e a resignação como características marcantes dessa identidade em construção. A precariedade para o desenvolvimento do trabalho e a descontinuidade (principalmente dos Programas de Assistência Social) sustentam a queixa instaurada no discurso desses sujeitos. Constatou-se também certo apelo à necessidade de aprimoramento da formação (especialização, qualificação etc.), o que nos levou a pensar na profissionalização desse educador. Apontou-se, então, a universidade como campo dinâmico de reflexão, discussão, acolhimento e construção de saberes específicos e facilitadores de ressignificação do trabalho desenvolvido. Isso destituiria, assim pensamos, o caráter “missionário” dessa prática como um dos álibis da desesperança.

Educar sem reprovar: desafio de uma escola para todos

PID: S1517-97022009000300010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Jacomini
Neste artigo, discute-se a realização do direito à educação e a forma de organização do ensino na perspectiva de democratizá-la. Tem-se como pressuposto que os ciclos e a progressão continuada podem ser uma forma de organização do ensino que favorece a construção de um processo educacional capaz de incluir e oferecer condições de aprendizagem a todos. No entanto, para que o ensino organizado em ciclos e a progressão continuada contribuam para o atendimento das demandas de uma escola universal, faz-se necessário que, juntamente com a ruptura de uma prática educacional seriada, fragmentada e permeada pela reprovação anual, discuta-se um conceito de educação que leve em consideração a apropriação da cultura de forma ampla. Isso implica numa mudança paradigmática que envolve o campo da teoria, da política e da prática educacionais. Essa discussão é importante porque, embora nos últimos 30 anos algumas propostas educacionais tenham questionado a reprovação, ela continua presente na concepção de educação escolar dos educadores. Assim, para superar a reprovação escolar, é fundamental buscar, nos pressupostos de um processo educativo contínuo, concepções e práticas que rompam com a dicotomia promoção/reprovação. Nessa perspectiva, os ciclos e a progressão continuada precisam ser compreendidos como parte de uma política educacional mais ampla de construção da qualidade social de uma escola para todos.

Educação ambiental crítica: do socioambientalismo às sociedades sustentáveis

PID: S1517-97022009000100010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Lima
O artigo reflete sobre o contexto histórico e teórico de formação da educação ambiental brasileira a partir da perspectiva do que se convencionou chamar de educação ambiental crítica. Partindo de um referencial teórico-conceitual da ecologia política, da teoria crítica e do pensamento complexo, problematiza as origens e os desdobramentos político-culturais, os argumentos e movimentos sociais que formataram essa tendência pedagógica de marcante presença na realidade educacional e ambiental brasileira. À luz desses referenciais, o artigo revisa e sistematiza a produção pertinente a esse novo campo de conhecimento e ação e, nesse sentido, dialoga, por meio desta produção, com os pesquisadores, educadores, agentes públicos e de organizações da sociedade civil que, nas décadas recentes, se envolveram com práticas e reflexões sobre a relação entre sociedade, educação e meio ambiente no Brasil. Investiga, para tanto, o debate, a diferenciação e as disputas internas ao campo da educação ambiental no Brasil, o processo de constituição do socioambientalismo que se coloca em contraposição a outra tendência conservacionista de educação ambiental e a construção de uma crítica a uma educação para o desenvolvimento sustentável, proposto pela UNESCO e demais setores interessados na conservação do status quo e numa sustentabilidade orientada pelas forças do mercado. Destaca, assim, em uma perspectiva histórica, as matrizes filosóficas, as posições político-pedagógicas e as forças sociais que inspiraram a emergência da educação ambiental crítica assim como as contribuições decisivas que esse processo legou ao avanço ético e político das relações entre a educação, a sociedade e o meio ambiente no Brasil.

Escola versus cultura?

PID: S1517-97022009000300002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Canêdo
Originariamente uma aula magna proferida num concurso para professor titular, o artigo reúne instrumentos para uma reflexão sobre a relação entre escola e cultura, tendo em vista a coincidência que se costuma estabelecer entre a instituição escolar e a cultura. Essa coincidência, à priori impossível, realiza-se na prática, ainda que seja contestada, pois como a história registra, ela é feita com o uso de recursos de grande brutalidade. Primeiramente discute-se como a cultura (definida como o conjunto de atividades que fornece descrições do mundo por meio da "livre expressão") é vivida na prática da instituição escolar. Em seguida, são mostradas as fórmulas políticas que escondem a relação de força por trás da obra da institucionalização da escola, a qual, fundando-se na premissa de que só ela é eficiente para educar os indivíduos, vem se apresentando como solução duradoura para o dilema. Procura-se demonstrar que o dilema da coincidência entre escola e cultura existe porque fórmulas sedutoras conseguem esconder o segredo de uma lógica que repousa nas relações de força existentes na obra de construção do Estado Nacional da qual nós, assim como a escola, somos produto. Nesse contexto, a análise da relação escola versus cultura é feita em analogia com a que vincula Estado versus nação.

Estratégias educativas de internacionalização: uma revisão da literatura sociológica

PID: S1517-97022009000100005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Aguiar
Este artigo traça um panorama das contribuições de pesquisas estrangeira e nacional sobre o tema das estratégias educativas de internacionalização. São trabalhos que, em geral, versam sobre modalidades recentes de investimento por parte de famílias socialmente favorecidas em uma dimensão internacional do capital cultural. A aquisição desses recursos o acúmulo de competências linguísticas, culturais e sociais, além da própria mobilidade - é interpretada, por esses grupos, como o vetor da constituição de disposições que resultariam em certa desenvoltura de atuação de seus filhos em meios internacionais. A análise do conjunto de resultados fornece pistas importantes, na medida em que permite a visibilidade a estratégias comuns, próprias do momento atual, mas sinaliza também a necessidade de maior compreensão das particularidades que caracterizam ações e valores distintos atribuídos ao capital simbólico internacional por parte de populações de nações diversas. Nesse sentido, o texto realça a relevância sociológica do objeto, em particular, no caso brasileiro. É que o recurso recente a esse capital como estratégia educativa não só das elites, mas também de grupos em ascensão, vem tornar mais complexo, ou mesmo agravar, o quadro de desigualdade de oportunidades escolares que, tradicionalmente, tem marcado a disputa pelas melhores posições na hierarquia social do país. Assim, o interesse renovado pela dimensão internacional do capital cultural parece se constituir, recentemente, em um fator a mais a aprofundar e consolidar fronteiras já existentes entre os que podem se beneficiar da rentabilidade de tal investimento, ao longo de sua escolarização, e aqueles que se limitam aos recursos nacionais.

Ferramenta de autoria multimídia para ensino de língua estrangeira em ambiente multiagente

PID: S1517-97022009000100006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Rossetti Albuquerque Silva Filho Todesco Gauthier
A comunicação é essencial nas atividades do mundo globalizado, onde conhecimento e tecnologia são a chave do progresso. Dominar outros idiomas nesse cenário é vital para a sustentação das pessoas no exercício de suas atividades. O sistema de ensino de línguas estrangeiras no Brasil, tanto nas escolas públicas quanto em parte das escolas particulares, não oferece condições para que as pessoas adquiram conhecimentos sólidos de língua estrangeira, conforme suas potencialidades e disponibilidades de tempo, sem prejuízo de outras atividades que exerçam no seu cotidiano. O objetivo deste artigo é apresentar uma ferramenta de autoria multimídia para ensino de língua estrangeira, disponível continuamente na Internet, que possa ser acessada de qualquer local e a qualquer momento. A ferramenta será construída baseada em arquitetura multiagente, constituindo um ambiente compartilhado semelhante à cooperação entre pessoas, cumprindo eficazmente a tarefa de ensino. Os idiomas, inicialmente inglês e francês, constarão de três módulos: básico, intermediário e avançado. Após ser disponibilizada na Web, a ferramenta será validada com base na crítica dos usuários por cerca de seis a doze meses e será avaliada periodicamente pelos gestores do programa. A ferramenta propiciará o acesso ao aprendizado eficaz de idiomas estrangeiros a quaisquer interessados, de acordo com suas potencialidades, seus interesses e tempo disponível.

Ficção científica e ensino de ciências: para além do método de “encontrar erros em filmes”

PID: S1517-97022009000300008 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Piassi Pietrocola
Obras de ficção científica têm sido apontadas como um recurso importante para o ensino de ciências. Entretanto, mais do que um possível recurso didático para facilitar o aprendizado de ciências, a ficção científica constitui por si só uma modalidade de discurso sobre a ciência na medida em que expressa, por meio do cinema e da literatura, interesses e preocupações em torno de questões científicas presentes que influem diretamente no âmbito sociocultural. É comum, entretanto, considerar a possível qualidade didática das obras ficcionais apenas em função da suposta correção científica dos conceitos que apresenta, procedimento esse que ignora as condições de produção do discurso ficcional. Neste trabalho, propõe-se uma metodologia de análise do conteúdo de obras de ficção científica em sua relação com o conhecimento científico, que procura evidenciar, mediante elementos de análise literária e de semiótica, o processo de construção daquilo que denominamos elementos contrafactuais. Tal análise assume a obra não como um simples recurso didático, mas como um discurso regido por mecanismos ficcionais e que se vale desses mecanismos para veicular posições, ideias e debates em torno de temas científicos atuais. Como resultado, foi produzida uma categorização dos elementos construída a partir da semiótica greimasiana, empregando uma base de traços distintivos assumidos como lexemas, para a elaboração das categorias. Cada uma dessas categorias, ao representar mecanismos narrativos distintos, tem a potencialidade de uma forma de exploração diferente em termos didáticos.

Formação de professores em serviço: fragilidades e descompassos no enfrentamento do fracasso escolar

PID: S1517-97022009000200007 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Bahia
Este artigo apresenta resultados de um estudo realizado em uma escola pública da rede estadual de São Paulo, no município de Diadema, durante três anos. Acompanhou-se a trajetória de 52 alunos que participaram do Projeto Classes de Aceleração, em 1999, e o retorno destes para o ensino regular, em 2000 e 2001, com uma proposta de Progressão Continuada. O artigo prioriza reflexões sobre o desempenho dos alunos que frequentaram as Classes de Aceleração e, posteriormente, seguiram estudos nas séries finais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) e também sobre o preparo (capacitação) dos professores diante da implantação dessas ações. O estudo de caso foi realizado por meio de observações em salas de aula e entrevistas com alunos, professores e coordenação. Os resultados apontam para alguns descompassos: entre os professores, sobre a compreensão dos objetivos e os pressupostos do projeto Classes de Aceleração; envolvimento diferenciado dos professores quanto aos problemas ou às dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos; a proposição de programas de capacitação e/ou orientações de preparo dos professores para a implantação dos dois projetos que ocorre apenas para os professores das Classes de Aceleração e não para os demais. O propósito das ações governamentais para o combate à defasagem idade-série, bem como para o alcance de uma escola de qualidade, não é observado no estudo. Muito pelo contrário. Ao invés de uma inclusão dos excluídos na escola, foi observada a sua reclusão, porque não se está garantindo a melhoria do desempenho dos alunos.

La mediación social en la apropiación de una nueva propuesta para la alfabetización inicial

PID: S1517-97022009000200008 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Espinosa Tavera Mercado Maldonado
Este artículo muestra la importancia de la mediación social en los procesos de apropiación, por parte de los docentes, de nuevas propuestas para la enseñanza derivadas de las reformas. Se muestra la apropiación como un proceso social activo en el que los maestros construyen y reelaboran sentidos y saberes a partir del uso de las nuevas herramientas que les son propuestas. Desde una perspectiva etnográfica se describen algunas de las formas y significados mediante los cuales las docentes del estudio se apropian de una nueva propuesta pedagógica introducida a nivel nacional para la alfabetización inicial. Se identifica cómo, al interactuar con la propuesta, las profesoras desarrollan interpretaciones y prácticas propias que no corresponden a la reproducción puntual de la misma, sino a un proceso de apropiación. Ésta también es producto de una construcción colectiva entre las docentes, pues quienes intentan poner en práctica la propuesta comparten sus reflexiones, dudas y decisiones con otras profesoras que ya la han experimentado, como la maestra "asesora" y otras colegas de la misma escuela. El análisis tiene como referencia las experiencias descritas por maestras de primer grado en escuelas mexicanas al participar en un programa de asesoría derivado de la reforma que dio lugar al Programa Nacional para el Fortalecimiento de la Lectura y la Escritura en la Educación Básica (PRONALEES).

La reproducción de las desigualdades educativas a través del fenómeno de la “sobre-edad” en Brasil

PID: S1517-97022009000200005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Pereira Rambla
El sistema escolar brasileño tiene elevada participación (mas de 60%) de estudiantes con una edad cronológica superior a la edad escolar correspondiente al curso en que se han matriculado (fenómeno de la "sobre-edad"). En este artículo queremos indagar los mecanismos causales de la "sobre-edad", desde una perspectiva sociológica, indagando si sus causas estriban en una estructuración concreta de las acciones sociales y las normas que constituyen la estructura social. Nuestra hipótesis argumenta que una de las causas de la "sobre-edad" es el efecto primario de la distancia cultural establecida entre el sistema escolar y el origen socioeconómico de los estudiantes, en especial de los negros. Sin embargo, también se observa otra causa que opera a través del efecto secundario de las decisiones individuales. Ciertamente, los individuos de estos orígenes sociales toman la decisión de continuar repitiendo los cursos que les quedan pendientes, pero sus resultados académicos y sus expectativas de futuro se resienten ante las dificultades que les esperan en este camino. En las encrucijadas escolares parecen exacerbarse los sesgos de clase y etnia debido a la desigual percepción de las ventajas y de los inconvenientes de continuar los estudios. Nuestro análisis, por tanto, da cuenta de estas circunstancias a partir de las acciones sociales y de sus condicionantes estructurales (cf. el modelo de Boudon, 1983; Goldthorpe, 1996).

Mediações simbólicas na atividade pedagógica

PID: S1517-97022009000300004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Bernardes Moura
A pesquisa apresenta a análise de uma investigação didática, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, que identifica a essência das ações e operações na atividade de ensino. Estas criam condições favoráveis para o desenvolvimento do pensamento teórico de estudantes e educadores a partir das mediações instituídas na relação ensino e aprendizagem. O objetivo da pesquisa é investigar os diferentes tipos de mediação simbólica na atividade pedagógica. Estes criam condições para o desenvolvimento do pensamento como um dos processos psicológicos superiores do gênero humano a ser desenvolvido no contexto escolar. O método de investigação fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, na psicologia histórico-cultural e na teoria da atividade como instrumentos de análise da constituição da individualidade humana. No campo empírico, é realizado um estudo comparativo entre dois momentos distintos da investigação didática, tendo em vista a lógica que fundamenta a organização do ensino. Isso possibilita mudanças de qualidade na apropriação de conceitos, expressas pelas manifestações do pensamento nas formas de juízo, conceito e dedução. Os resultados identificam como mediações simbólicas as relações dos sujeitos com o objeto de estudo historicizado e as ações e operações coletivas e cooperativas dos sujeitos nos aspectos cognitivo, volitivo e afetivo. Como conclusão, considera-se que essas mediações somente se efetivam a partir da apropriação de conhecimentos teórico-científicos por parte dos educadores, pois estes promovem a criação de condições e circunstâncias que possibilitam a efetivação de um sistema integrado, instituindo práticas sociais no contexto escolar que viabilizam a superação das condições alienantes próprias do sistema escolar vigente e da sociedade contemporânea.

Na dança e na educação: o círculo como princípio

PID: S1517-97022009000100012 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Ostetto
Articulando dança e educação, este artigo fala de possibilidades. Tomando os processos educativo-formativos de educadores como foco mobilizador, apresenta e discute conteúdos fertilizados no contexto de uma pesquisa de doutorado, realizada com diferentes grupos de educadoras e desenvolvida por meio de “encontros para dançar em roda”. Na relação constituída entre a experiência com uma específica forma de dança - a dança circular -, e a reflexão sobre a formação de professores, foram identificados alguns núcleos temáticos para a análise. Entre eles, destaca-se a necessidade de contemplar, na jornada de formação, a dimensão estética, cultivando o “ser sensível” presente-escondido no adulto-educador. Considera-se, pois, a implicação de propostas que contribuam para a construção de processos educativos mais inteiros, reaproximando razão e emoção, cognição e afeto. No desenvolvimento da referida pesquisa, o estudo sobre a simbologia do círculo revelou-se essencial e, no presente artigo, configura o eixo central da discussão. São propriedades simbólicas do círculo a perfeição e a ausência de distinção ou divisão. Sua imagem evoca equilíbrio, totalidade, integração de diferenças, interdependência. Roda, círculo, mandala: não é uma bela imagem para a prática educativa? O círculo dançante: não seria uma oportunidade para o aprendizado da circularidade na educação? Perpassando tais questões que envolvem a potencialidade do símbolo, propõe-se uma discussão sobre a necessária circularidade dos processos educativos.

O predomínio dos negros nas escolas de Minas Gerais do século XIX

PID: S1517-97022009000300012 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Fonseca
O período que compreende os anos de 1820 a 1850 marca o início da construção e da estruturação de uma política de instrução pública com objetivo de educar o povo da província de Minas Gerais. Este artigo procura analisar o nível de relação entre esse processo e o segmento mais expressivo dentro da estrutura demográfica de Minas Gerais, ou seja, a população negra livre. Para realizar a análise, utilizamos como referência uma documentação censitária que tentou contabilizar a população de todos os distritos mineiros e registrou as crianças que estavam nas escolas. A partir do registro censitário, construímos um perfil racial das escolas, confrontando-o com informações fornecidas por outros documentos (listas de professores, relatos de viajantes, memórias) que revelaram uma presença majoritária dos negros nas escolas de instrução elementar. A interpretação que produzimos em relação à presença dos negros nas escolas mineira indica que essa instituição era um dos elementos acionados por esse grupo com objetivo de afirmação no espaço social. Em relação a isso, destaca-se o fato de que a escolarização adquiriu significados específicos em meio à população negra, ou seja, representava a sua inserção na cultura letrada, mas também uma forma de demarcar um distanciamento do mundo da escravidão e uma demonstração de domínio dos códigos de conduta das pessoas livres.
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