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Os métodos quantitativos no ensino superior: uma tipologia de representações

PID: S1517-97022009000100002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Ramos Carvalho
É recorrente concluir-se que níveis mais elevados de autoconfiança dos alunos, relativamente às suas capacidades para interagir com a matemática, associados a uma maior utilidade percebida desta concorrem para os alunos terem representações positivas da disciplina. Um dos objectivos deste artigo é averiguar se no contexto universitário se mantém esta tendência linear na relação entre as duas dimensões - afectiva e instrumental - estruturantes das representações das disciplinas de métodos quantitativos. Um segundo objectivo consiste em perceber como é que os alunos de diferentes cursos (de áreas científicas distintas) geram as suas representações relativamente a essas disciplinas. Foi aplicado um inquérito por questionário a uma amostra de alunos numa instituição universitária. Para a definição dos padrões de representações, foi usada a Análise de Correspondências Múltiplas e, para a identificação de factores explicativos dos perfis dos alunos, foi usada a Regressão Categorial. Os resultados evidenciam que o espaço das representações dos métodos quantitativos em contexto universitário é um espaço marcado pela heterogeneidade, mas cuja complexidade ultrapassa essa tendência linear na relação entre a dimensão da utilidade e a dimensão afectiva. Outra das conclusões é a não sustentabilidade da tese que aponta (pelo menos em contexto não universitário) para a feminização da falta de autoestima e da autoconfiança para lidar com disciplinas dessa área científica. Conclui-se, ainda, que parece existir uma certa cultura de curso, na medida em que os cursos tendem a reflectir um padrão predominante de representações dos métodos quantitativos.

Paradigmas, valores e educação

PID: S1517-97022009000200002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Badia
O texto levanta os perfis epistemológico e socianalítico da questão paradigmática. Mauss evidenciara o moule affectif das noções científicas de força e causa. Posteriormente Baudouin falaria na indução arquetípica das noções e a antropologia do imaginário de Durand concluiria pela indução arquetipal do conceito pela imagem. Chegava-se, assim, ao desvendamento do substrato inconsciente das ideações, de um substrato regido pela catexis vetorializada, traduzindo-se nos valores como cerne das ideações. É o famoso a priori emotivo. Portanto, no texto, questionam-se dois mitos, esteios da ciência clássica: o mito da objetividade científica e o da neutralidade axiológica. Destaca, assim, a falácia da existência de uma ruptura epistemológica entre ciência e ideologia. A partir daí, as ideações tornam-se ideologias, sobretudo nas ciências do homem e nas ciências da educação que, ademais, tornam-se suporte de uma disfarçada luta ideológica, na qual, num “colonialismo cognitivo”, as estratégias de conhecimento dissimulam as de preconceito. Entretanto, assumir a realidade desse suporte fantasmanalítico e ideológico propicia uma tarefa educativa salutar: os paradigmas tornam-se fantasias e, nessa relativização crítica, podem ser usados como um campo de objetos transicionais coletivos num ludismo cultural e educativo. No policulturalismo da sociedade contemporânea, o “politeísmo de valores” de Weber transforma-se num “politeísmo epistemológico”, regido pelo “relativismo ontológico” de Feyerabend e por uma ética do pragmatismo. Articulando cultura, organização e educação, a antropologia das organizações educativas e a culturanálise de grupos de Paula Carvalho traduzem as heurísticas dessa dialética transicional.

Possibilidades do ensino médio Integrado diante do financiamento público da educação

PID: S1517-97022009000100004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Oliveira
Esse trabalho, tendo como referência a trajetória do Ensino Médio brasileiro nos últimos 16 anos, destaca os limites do financiamento público à edificação do Ensino Médio Integrado. Apoiando-se em uma literatura sobre o Ensino Médio e a Educação Profissional que defende a escola unitária, analisam-se dados concernentes à última etapa da Educação Básica, particularmente das escolas das redes estaduais. Argumenta-se que a intervenção do governo federal brasileiro no financiamento da Educação é um grande obstáculo à efetivação do Ensino Médio Integrado, uma vez que, independentemente do viés ideológico ou do pertencimento partidário daquele que dirige a nação, não se tem colocado essa etapa da Educação Básica como prioridade no raio do financiamento estatal. Registra-se a hegemonia das escolas estaduais na oferta do Ensino Médio e o aumento nas quais há a integração entre o Ensino Médio e a Educação Profissional. Por último, afirma-se que embora o FUNDEB represente uma ação que contemple o Ensino Médio como alvo do financiamento público dos estados, não gerará recursos suficientes para garantir o financiamento da última etapa da Educação Básica, principalmente na modalidade integrada à Educação Profissional. Conclui-se defendendo uma modificação do papel do governo federal no financiamento do Ensino Médio, de forma a garantir que a articulação entre a formação técnica e a formação geral possa universalizar-se e com melhor qualidade nas escolas estaduais.

Problema proposto ou problema resolvido: qual a diferença?

PID: S1517-97022009000300003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Dalto Buriasco
Este trabalho apresenta um estudo sobre a produção escrita presente na questão comum à 8ª série do ensino fundamental e à 3ª série do ensino médio da Prova de Questões Abertas de Matemática da Avaliação do Rendimento Escolar do Estado do Paraná - AVA/2002. A abordagem metodológica adotada é predominantemente qualitativa, orientando-se pelas técnicas da análise de conteúdo como ferramenta de compreensão e inferência da produção escrita dos alunos em uma amostra de 97 provas. Após a correção e a realização de agrupamentos, foram identificadas quatro categorias de resolução da questão. Em cada categoria, foram inferidos enunciados de problemas que os estudantes parecem ter compreendido e resolvido a partir da interpretação que fizeram do enunciado da questão proposta. Como resultados gerais, tem-se que: a) as estratégias utilizadas pelos estudantes para resolver a questão não diferem muito de uma série para outra; b) o desempenho dos estudantes da 3ª série do ensino médio é melhor que o desempenho dos estudantes da 8ª série do ensino fundamental; c) a maioria dos estudantes resolveu a questão utilizando operações aritméticas como adição, subtração, multiplicação e divisão, o que está sendo considerado aqui como uma estratégia aritmética. A análise aponta ainda indícios de que o baixo desempenho dos estudantes está mais associado à dificuldade de compreender o enunciado da questão, e que eles “dominam” parte do “conteúdo matemático” necessário à resolução desta.

Profissão docente: uma instituição psicossocial

PID: S1517-97022009000100011 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Barros Mazzotti
Atualmente ocorre um amplo debate a respeito do caráter profissional da atividade docente. Em uma das vertentes, afirma-se que uma profissão caracteriza-se pela existência de pessoas consideradas modelos ou líderes profissionais, o que não se encontra entre os professores. Para verificar a existência de líderes profissionais, aplicou-se um breve questionário a 700 professores que trabalham no município de Queimados, estado do Rio de Janeiro, com o retorno de 650. Solicitou-se que o entrevistado nomeasse um(a) professor(a) ao qual recorre quando tem algum problema “de ensino” ou “educação” . A ampla dispersão das respostas indica que não há, de fato, líderes profissionais. Desagregando os dados, verifica-se que as indicações tendem a ser no âmbito de cada unidade escolar (61,85%), ainda que ocorram muitas (36,46%) fora de suas unidades. A principal conclusão é que a unidade escolar, como grupo psicossocial, requer um exame mais acurado, pois os professores só o são neles e por eles. Tal grupo condiciona a maior ou menor eficácia de seus trabalhos, e quanto maior a coesão, mais satisfeitos estão, mesmo que o resultado de suas ações não seja o que outros consideram adequado, especialmente os atores sociais externos ao grupo imediato. A não existência de líderes profissionais é uma evidência de que se trata de um trabalho cujas regras e saberes são as dos grupos imediatos, o que nos leva a afirmar que a escola é a unidade psicossocial a ser investigada para compreendermos as resistências às mudanças.

Programa Educação inclusiva: direito à diversidade - uma análise a partir da visão de gestores de um município-polo

PID: S1517-97022009000200006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Caiado Laplane
O presente estudo busca compreender os rumos da implementação da política inclusiva por meio da confrontação do discurso oficial com as práticas sociais. A história da educação especial no Brasil está marcada pela exclusão social e educacional, entende-se que garantir o direito à educação das pessoas com deficiência é um processo complexo e que exige ações políticas de diferentes dimensões. A reflexão sobre as diretrizes, materiais e documentos do Programa Educação inclusiva: direito à diversidade a partir dos depoimentos de gestores de um município-polo permitiu levantar algumas questões relacionadas ao modo como a política inclusiva está sendo implantada. A análise revela que há tensões e conflitos relacionados às possibilidades de efetivação das ações de formação e multiplicação; à própria discussão conceitual sobre a inclusão; ao lócus de atendimento ao aluno com deficiência; ao financiamento e às relações entre o público e privado; assim como, quanto às responsabilidades dos diferentes atores envolvidos no processo. Os resultados apontam que essas tensões podem ser entendidas a partir das múltiplas relações que se estabelecem entre um ensino que tende para a homogeneização e os princípios inclusivos, que supõem o respeito aos direitos, a valorização da diversidade e o atendimento de necessidades individuais.

Reconhecer os alunos para reinventar a escola: da afirmação de uma necessidade aos equívocos de um desejo

PID: S1517-97022009000200004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Trindade
O Movimento da Escola Moderna Portuguesa - MEM - constitui- se, neste artigo, como um objecto de reflexão teórica cuja pertinência deriva da necessidade de se reflectir, por meio desse movimento, os propósitos, as reivindicações e os sentidos dos projectos de mediação curricular e didáctica de todos aqueles que reivindicam, de forma explícita, o seu distanciamento conceptual e praxeológico face ao campo das pedagogias da instrução. É tendo em vista esse propósito que se começa por identificar os eixos estruturantes do campo das pedagogias da aprendizagem a partir da leitura das obras de alguns dos pedagogos mais emblemáticos do Movimento da Educação Nova, confrontando-os, posteriormente, com o legado pedagógico do MEM, de forma a poderem interpelar-se, num primeiro momento, as zonas de luz e de sombra que atravessam, hoje, os discursos pedagógicos, curriculares e didácticos que reivindicam a sua pertença ao campo atrás referenciado e, num segundo momento, a reflectir-se sobre as respostas que no seio do MEM se foram construindo, de forma a cumprirem-se os desígnios de um projecto educacional que se caracteriza por valorizar os alunos como interlocutores e produtores de cultura.

Significado, desempeño y logro estudiantil en tareas instruccionales cotidianas

PID: S1517-97022009000200011 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Volante Huepe Cornejo
El objetivo de este estudio es investigar la relación entre el significado que los estudiantes elaboran respecto de sus tareas escolares y el nivel de desempeño que alcanzan en ellas. Basada en un enfoque de cognición situada, se diseñó una estrategia videográfica para elicitar, registrar e interpretar los significados que emergen cuando los estudiantes observan su propio desempeño a través de videos previamente filmados en su sala de clases. Las respuestas de los estudiantes fueron filmadas y sometidas a un análisis semántico y gestual. En los resultados se evidencian tres patrones de significado: automático, instrumental y proyectivo. Estos patrones sitúan a los estudiantes en tres cursos de acción diferentes, a pesar de que se trate de la misma tarea escolar. En particular, los estudiantes que desde la observación de sus tareas elaboran significados proyectivos, demuestran mejor comprensión, mejor desempeño y, a su vez, calificaciones superiores. En las conclusiones se destaca el valor metodológico y pedagógico del diseño de este estudio, pues facilita la comprensión de los diferentes significados que elaboran los estudiantes y evidencia cómo éstos influyen en el desempeño y logro educativo.

Singularidade e formação (Bildung) em Schopenhauer como educador de Nietzsche

PID: S1517-97022009000200003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Weber
A partir do escrito Schopenhauer como educador, buscar-se-á explicitar a dimensão modelar de Schopenhauer, tanto para a constituição do ideal de filósofo e pensador que Nietzsche cria para si, quanto para a edificação da sua teoria da formação (Bildung). Isso será dado, num primeiro momento, pela apresentação do pendor crítico do pensamento schopenhaueriano e da sua insubmissão às tendências filosóficas e culturais do seu tempo; num segundo momento, pela elucidação da especificidade da teoria nietzschiana do autoconhecimento e da sua concepção da singularidade, com o que se revelará sua teoria do fundamento metafísico da natureza, que o leva a conceber o filósofo, o artista e o santo como os tipos singulares por excelência nos quais a natureza justifica os seus esforços e supera a mera necessidade. Essas tipologias revelam as tarefas que a educação deve, ao juízo de Nietzsche, perseguir se não quiser se tornar mero abstracionismo ou mera aderência acrítica ao mundo: jamais condescender aos modismos culturais; não separar pensamento e vida com o que se diz, também, que teoria e prática não estão separadas; incorporar a singularidade como aquilo que a educação promove; e, por fim, eleger a autossuperação como a tarefa mais imperiosa para a constituição do humano no seu sentido mais pleno.

Trajetória de herdeiro entre dois projetos políticos

PID: S1517-97022009000100007 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Bittencourt
A trajetória intelectual e social do educador Anísio Teixeira é estudada neste artigo considerando suas origens geográficas na Bahia - estado politicamente periférico em relação a outros da federação brasileira situados no sudeste e sul -, bem como suas origens sociais, que não o predestinavam a jogar um papel de primeiro plano na cena nacional, muito menos antes de completar 40 anos. Uma série de documentos com registros de suas viagens internacionais permite aqui a análise dos momentos-chave de suas primeiras coletas de informações sobre o tema da educação e o uso que fez dos seus contatos com intelectuais e políticos em instituições de ponta na Europa e Estados Unidos, visando o desenho de um projeto brasileiro de Educação num momento de transição política, ou seja, o período 1925 a 1934. Com ênfase nos encontros de Anísio Teixeira com intelectuais fascistas na Itália e França e com os proponentes da educação democrática nos Estados Unidos, o artigo está voltado para mostrar também como essas viagens permitiram a redefinição da carreira em função de bloqueio dado pela revolução ao destino que sua educação familiar lhe projetara. Aproximações e articulações do grupo baiano com intelectuais paulistas na capital da República encarregaram-se de reposicionar o herdeiro em sua trajetória de homem político.

Travessias da aula em campo na geografia escolar: a necessidade convertida para além da fábula

PID: S1517-97022009000100013 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Oliveira Assis
O ensino de geografia cultiva um vínculo de identidade com o mundo exterior: a aula em campo. Os desafios para investigação escolar das instituições, localidades e relações são enormes. Esse exercício didático é o alvo do presente texto, cujo objetivo é mostrar a preocupação e o avanço, de alguns estudiosos, na construção de uma 'teoria' das aulas de campo, aqui denominadas aulas em campo. A proposta corresponde à apresentação e discussão de certas abordagens específicas para esse tipo de aula. No entanto, esse cultivo não se realiza de forma contínua nem está no centro do planejamento da geografia escolar. Ele aparece como uma exceção contra a qual os autores aqui citados reagem, caracterizam limites e potencialidades e direcionam soluções. Para tanto, propõem seu resgate nas diversas formas de atividades externas ao espaço escolar: excursões, visitas, estudos do meio, turismo. A força pedagógica da aula em campo encontra-se, todavia, na capacidade da interação professor-aluno em apreender com o lugar-mundo e planejar-se no improviso, o que, na conclusão do artigo, aparece como defesa de uma postura estratégica da gestão do retorno à sala de aula. Chamada de autobiografia coletiva da aula anterior, o texto propõe ampliar a relevância das discussões sobre a experiência do campo para potencializar os conteúdos e métodos de aprendizagem, lembrando que a aula em campo é, tal qual inspiração artística, um vetor insubstituível de compreensão do espaço em nível escolar.

Vulnerabilidade ao stress, estratégias de coping e autoeficácia em professores portugueses

PID: S1517-97022009000200009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2009
Autores: Pocinho Capelo
Neste trabalho, apresentamos uma investigação realizada com professores, no qual se procura determinar a vulnerabilidade ao stress; identificar as principais fontes de stress; estabelecer as principais estratégias de coping; analisar se as estratégias deste condicionam a presença de stress laboral; e reconhecer se a autoeficácia percebida é preditora desse tipo de stress. Trata-se duma investigação por questionário, do tipo correlacional, e a amostra é constituída por 54 professores do Ensino Básico público português. As respostas ao Questionário sociodemográfico e profissional; ao Questionário de Vulnerabilidade ao Stress - 23QVS (Serra, 2000); ao Questionário de Stress nos Professores - QSP (Gomes et al., 2006; Gomes, 2007); ao Coping Job Scale - CJS de Latack (adaptação de Jesus & Pereira, 1994); e à Escala de Avaliação de Autoeficácia Geral (Ribeiro, 1995) revelam que 20,4% dos docentes são vulneráveis ao stress; os comportamentos inadequados/indisciplina dos alunos são as principais fontes de stress; as estratégias de controlo são as mais utilizadas pelos participantes para enfrentar o stress, seguidas das de escape e das de gestão de sintomas. Os professores não vulneráveis ao stress utilizam principalmente estratégias de controlo e apresentam níveis mais elevados de eficácia perante a adversidade, bem como de iniciativa e persistência em relação aos professores vulneráveis ao stress.

A apropriação da herança cultural

PID: S0100-31432009000100002 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Singly
François de Singly aborda os mecanismos pelos quais ocorre a apropriação da herança cultural, e, para isso, aproxima-se dos indivíduos, a fim de introduzir a noção de mobilização. Para o autor, o herdeiro tem de preencher duas demandas contraditórias da modernidade para reconhecer-se como herdeiro. Nesse sentido, os movimentos de desfiliação e de resgate da filiação são cruciais para que os filhos se tranquilizem na construção de uma identidade autônoma. Em relação ao gosto pela leitura, isso ocorre a partir de um distanciamento dos gostos da geração precedente e de uma crítica a eles, sobretudo em se tratando daqueles da mãe. Por fim, o autor demonstra que os herdeiros submetem-se a um duplo vínculo que oscila entre a obediência e a espontaneidade, em um movimento de transação entre gerações.

A educação para a cidadania entre passado, presente e futuro

PID: S0100-31432009000100009 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Cardoso
Com base na definição de educação como iniciação em tradições herdadas, este artigo visa estabelecer a educação para a cidadania com um foco no passado, em oposição às propostas em voga - educação por competências, pós-convencionalidade - que estabelecem esse foco no presente ou no futuro. Para isso, este artigo analisa a polissemia do conceito de cidadania, o impacto da ausência de limites entre público e privado para a definição de espaço público, o efeito da oscilação entre universalismo e comunitarismo para a definição de coletividade política, o que influi na definição de educação para a cidadania. Este artigo analisa ainda as diferenças entre formação - ðáéäåéá - e educação para concluir que apenas essa última pode existir no mundo Moderno.

A governamentalidade e a história da escola moderna: outras conexões investigativas

PID: S0100-31432009000200007 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Ó
A partir do conceito foucaultiano de governamentalidade, faz-se a defesa de um quadro analítico e de uma heurística que nos permitam devolver a ocultada evidência de que o projecto de uma escola para todos corresponde ao aprofundamento histórico do esforço do Estado-nação para a expansão ilimitada dos instrumentos e dos mecanismos de controle social. Nesses termos, tanto o figurino institucional quanto as categorias identitárias que a instituição escolar pôs a circular, desde finais do século XIX, são produtos e instrumentos de um estilo liberal de governo das populações que não tem cessado de fundir a dimensão política com a ética. Uma analítica desses regimes de governamentalidades múltiplas levar-nos-á a formular novas perguntas e a ousar outras narrativas historiográficas em torno da instituição escolar e dos seus habitantes.

A mercantilização da educação superior: uma trajetória do bem público ao serviço comercial

PID: S0100-31432009000300014 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Bertolin
Este artigo aborda e analisa o processo de mercantilização da educação superior. Inicialmente, é apresentada a trajetória da educação superior como serviço comercial, destacando desde as argumentações de Adam Smith até as propostas do Banco Mundial e da OMC. Logo após, são abordados aspectos característicos da mercantilização, tais como a regulação híbrida, o gerencialismo, o financiamento privado e o ensino e a pesquisa para o mercado. Por fim, conclui-se, propondo um conceito para o fenômeno da mercantilização da educação superior.

As teorias da socialização e o novo paradigma para os estudos sociais da infância

PID: S0100-31432009000100014 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Marchi
Este artigo apresenta a crítica contemporânea, realizada no âmbito da denominada nova Sociologia da Infância (SI), às abordagens clássicas da socialização. Os estudos nesse novo campo interrogam sobre as imagens tradicionais da infância, da criança e de sua educação, propondo a desconstrução da obviedade e legitimidade presentes no paradigma tradicional da infância como fase 'natural e universal' da vida e das crianças como objetos passivos da socialização adulta. O princípio da criança ator incita a se passar da visão determinista com ênfase nos fatores estruturais que pesam sobre ação social para a análise da capacidade de ação (agency) da criança e o princípio da construção social da infância questiona a idéia desta como categoria definida simplesmente pela biologia e passa a entendê-la como variável do ponto de vista histórico, cultural e social e sempre sujeito a um processo de negociação tanto na esfera pública quanto na privada.

Cinema e imaginário infantil: a mediação entre o visível e o invisível

PID: S0100-31432009000200013 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Fantin
Este texto analisa a relação entre cinema e criança a partir de alguns entendimentos teórico-conceituais sobre o cinema como arte, indústria, dispositivo e linguagem. Da relação entre cinema e imaginação, busca-se entender como os diferentes modos de ver filmes atuam na construção do imaginário infantil para compreender as representações que as crianças têm da experiência com o cinema. Considerando que a pesquisa com crianças pode ser uma forma de compreender criticamente a produção cultural de nossa época, o texto apresenta aspectos de uma pesquisa empírica realizada com crianças em diferentes contextos socioculturais e sugere algumas possibilidades de mediação para pensar o cinema no contexto da educação.

Complexidade, racionalidade ambiental e diálogo de saberes

PID: S0100-31432009000300003 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Leff
O saber ambiental reafirma o ser no tempo e o conhecer na história; estabelece-se em novas identidades e territórios de vida; reconhece o poder do saber e da vontade de poder como um querer saber. O saber ambiental faz renascer o pensamento utópico e a vontade de liberdade em uma nova racionalidade, na qual se fundem o rigor da razão e os excessos do desejo, a ética e o conhecimento, o pensamento racional e a sensualidade da vida. A racionalidade ambiental abre caminho para uma reerotização do mundo, transgredindo a ordem estabelecida, a qual impõe a proibição de ser. O saber ambiental, interrompido pela incompletude do ser, pervertido pelo poder do saber e mobilizado pela relação com o Outro, elabora categorias para apreender o real desde o limite da existência e do entendimento, a diferença e alteridade.

Conceito lipmaniano de experiência: perspectiva estética e seus desdobramentos pedagógicos

PID: S0100-31432009000100010 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2009
Autores: Henning
Este trabalho se propõe a analisar o conceito de experiência em Matthew Lipman por meio da gênese do processo de criação artística e da experiência estética. Para o autor, é na ambientação natural, material ou real que se dá a resposta mais primitiva aos problemas encontrados pelos homens e é esse contexto que funda a base para as nossas experiências educativas, o que, no seu caso, pode ser exemplificado na sua proposta do Programa de Filosofia para Crianças. O foco de análise do conceito lipmaniano de experiência segue os traços presentes na tradição deweyana, a saber, uma destacável perspectiva estética. Um dos motivos de Lipman ter seguido essa trajetória de análise da experiência humana se dá pelo seu trabalho acadêmico iniciado na disciplina de estética, pela grande influência de Dewey em seu pensamento e de outros renomados esteticistas da sua época.
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