O presente texto trata de uma reflexão a partir da pesquisa que realizo com recicladores em uma associação de reciclagem, na periferia urbana de Porto Alegre/RS, em função de minha proposta de tese de Doutorado, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Assim, trago alguns registros e análises cujo mote é a minha inserção em campo que faz ver as ambiguidades, as contradições, e a diferença no cotidiano do galpão. Igualmente, apresento singelo recorte de tramas e manhas vividas nesse grupo, cuja perplexidade ante a complexidade aponta ao pesquisador a necessidade da adoção de uma sociologia das ausências e das emergências, a fim de contribuir com a investigação nesses grupos de reciclagem.
O artigo analisa práticas discursivas de conselheiros escolares de escolas públicas, problematizando o discurso da gestão democrática e as formas de participação nas reuniões ordinárias do Conselho Escolar do Sistema Municipal de Educação de Recife. Os dados, coletados por meio do acompanhamento das reuniões ordinárias, foram tratados na perspectiva da análise de discurso. Conclui-se que as ações dos sujeitos que poderiam contribuir para a materialização dos princípios democráticos na escola são desarticuladas ou silenciadas por um conjunto de fatores, dentre os quais se encontram a elasticidade dos períodos entre as reuniões do conselho e interditos que caracterizam as práticas discursivas na escola. Apontase que o poder é exercido nas reuniões do conselho escolar sem que qualquer de seus sujeitos identifique-se como seu titular. Não obstante, percebe-se que a palavra constitui um poderoso instrumento utilizado pela direção escolar no sentido de se impor no processo decisório como projeto de gestão escolar.
Este artigo discute a formação de uma subjetividade ecológica constituída como um habitus no processo de subjetivação de um campo de preocupações ambientais na sociedade contemporânea. Destacamos as relações entre uma subjetividade ecológica e aquelas práticas pedagógicas nomeadas como educação ambiental que assumem o cuidado de si e do ambiente como parte da formação de um sujeito virtuoso. Analisamos as contradições internas do projeto ecologista, crítico à modernidade sem, no entanto superar as dicotomias instauradas por esta. Em contraposição ao ideário ecologista, apresentamos as possibilidades anunciadas pelo que chamamos de epistemologias ecológicas construídas aqui principalmente desde as contribuições da filosofia da percepção de Merleau-Ponty, da antropologia fenomenológica de Thomas Csordas e da epistemologia ecológica de Tim Ingold. Exploramos as conseqüências epistemológicas para a educação desta virada ecológica e os possíveis deslocamentos para a educação ambiental na direção de uma educação da percepção.
O presente artigo tem por objetivo analisar a relação entre o saber estatístico e a governamentalidade. Na primeira seção, destacamos aspectos históricos das práticas sociais na constituição da estatística como saber do Estado. Na segunda seção, mostramos como, na governamentalidade neoliberal contemporânea, a estatística torna-se uma tecnologia de governo para gerenciar áreas de risco social. Para isso, analisamos um programa de redução do analfabetismo no Brasil, mostrando, por um lado, os usos que o programa faz do saber estatístico para a gestão do risco social; por outro, como os números operam para tornar o programa auditável, ou seja, para manter sua credibilidade na aferição do investimento financeiro na diminuição do analfabetismo.
O texto apresenta os resultados da primeira etapa de um estudo sobre a educação oferecida aos alunos com necessidades especiais na Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro, bem como discute o papel e as ações desenvolvidas pela Educação Especial no âmbito da proposta de Educação Inclusiva em vigor. Com base em entrevistas semiestruturadas e dados quantitativos oficiais, a pesquisa evidenciou, entre outros resultados, que o projeto político-pedagógico dessa Rede é direcionado para uma proposta de Educação Inclusiva. Mostrou também a importância do suporte especializado e da articulação da Educação Especial com o ensino regular para a efetivação da proposta de inclusão escolar nessa rede escolar.
No presente artigo, procuro trazer a análise de vivências como sujeito atuante no campo ambiental, incluindo tanto atividades acadêmicas quanto inserções junto a coletivos de trabalhadores da reciclagem na periferia da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Neste sentido, problematizo alguns dos elementos que constituíram e/ou constituem perplexidades que compõem a história do campo em questão em suas complexidades baseadas na minha trajetória pessoal e profissional. Tais condições expressam-se nas conexões entre posicionamentos práticos e teóricos, aproximando minhas práticas de distintos referentes em uma caminhada que entrelaça educação popular e educação ambiental. Assim, apresento questões de ordem teórica e metodológica trazidas por autores como Brandão, Freire, Fonseca, Melucci, Leff, Carvalho e Unger, dentre outros, visando provocações reflexivas para ações de educação e pesquisa.
A partir da análise de políticas de assistência e de educação, o artigo problematiza a exclusão via políticas de inclusão social. Para tanto, desenvolve conceitos como os de inclusão, de exclusão, de norma, de normalização e de governamentalidade. Articuladas a tais conceitos, são trazidas tecnologias de governamento e de dominação em operação na educação dos indivíduos, a fim de sustentar o argumento de que a inclusão e a exclusão são invenções constituídas também no jogo econômico de um Estado neoliberal. Afirma-se que a promessa da mudança de status dentro de uma rede de consumo que chega àquele que vive em condições de pobreza absoluta, articulada ao desejo de mudança de condição de vida, são fontes que mantêm o Estado na parceria com o mercado e que mantêm a inclusão como um imperativo do próprio neoliberalismo.
O presente artigo propõe uma atenção analítica, no domínio da pesquisa educacional, aos processos de governamentalização em curso na atualidade escolar, apontando para as relações simultâneas e indissociáveis entre poder e liberdade, na acepção foucaultiana. Por meio de quatro pesquisas levadas a cabo junto à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, analisa-se a articulação entre as tecnologias de si e determinados acontecimentos escolares cotidianos. O foco teórico-metodológico volta-se, portanto, à problematização das estratégias de governo da alma tanto discente quanto docente, as quais atuariam, sobretudo, por meio da convocação psicologizante ao exercício de uma liberdade intimizada e autorregulatória por parte dos sujeitos escolares.
O texto analisa o projeto “Universidade Nova” ou, como foi denominado em seu último formato, “Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI”. Procura desvelar a retórica dos discursos e documentos oficiais que proclamam a retomada do crescimento do ensino superior público em todo país, em prol da justiça social, sem a contrapartida orçamentária, comprometendo, assim, a qualidade das funções que a universidade deve desempenhar, precarizando o trabalho docente e ampliando a heteronomia universitária. Destaca, ainda, o forte apelo ideológico presente no REUNI e conclui reafirmando que as condições de oferta desse programa, sem o suficiente aporte de recursos, favorecerão tão somente a precarização da instituição e um ensino de “qualidade” duvidosa.
En este artículo se analizan las principales reformas curriculares realizadas en México en la formación inicial de docentes de primaria (primer ciclo de la educación básica), contextualizándolas en los correspondientes periodos históricos y proyectos educativos del país. Se sostiene que, pese a los cambios, no se ha logrado formar agentes de una praxis educativa.
A desigualdade educacional atinge níveis alarmantes no Brasil. No ensino superior, é notório que instituições públicas apresentam difícil acesso para a parcela economicamente mais vulnerável da população. O presente trabalho pretende demonstrar, por meio de uma pesquisa empírica, que essa desigualdade também ocorre no acesso a instituições públicas de ensino fundamental e médio que se destacam pela excelência ou tradição. Nossa investigação se volta para o concurso realizado pelo Colégio Pedro II no início do ano de 2007 no qual, ao final do processo, candidatos egressos da rede particular de ensino ocuparam nada menos do que 87,14% das vagas disponibilizadas. Nosso intuito foi demonstrar que o caráter gratuito de uma instituição não necessariamente se traduz na garantia de um acesso verdadeiramente público e igualitário.
Abordamos a problemática da relação entre saber e práticas corporais, procurando localizá-la no trânsito entre aqueles que ensinam e aprendem nas aulas de Educação Física. Consideramos um conjunto de crenças e mal-estares das aulas de Educação Física, nas quais o fracasso aparece como protagonista. Isso nos conduz a perguntar o que limita o aprendizado dos alunos, desde questões técnicas até a busca de elementos objetivamente subjetivos. Circunscrevemos três registros da relação ensino-aprendizagem: saber/fazer, saber-sobre-o-saber/fazer (secundarização), contextualização histórica e cultural da prática corporal. Salientamos a importância do estudo de situações concretas que evidenciem as diferentes relações que os alunos estabelecem com a escola e os saberes.
A sociedade da aprendizagem é um conceito que expressa princípios de uma Humanidade universal e de uma promessa de progresso que parece transcender à idéia de Nação. Este artigo indica como essa sociedade é governada em nome de um sujeito cosmopolita ideal que, a despeito de suas pretensões universalistas, incorpora modos particulares de inclusão e de exclusão. Isso se deve à inscrição de distinções e de diferenciações entre as características daqueles que incorporam uma razão cosmopolita e aqueles que não incorporam os princípios de civilidade e de normalidade desse cosmopolitismo. Ao mapear a circulação da noção de sociedade da aprendizagem, no âmbito do sistema de saúde e da justiça criminal suecas e nas reformas escolares suecas e americanas, examina-se o modo de vida do cidadão dessa sociedade: o aprendente, representante de um cosmopolitismo inacabado.
Considerando a legitimação da questão ambiental com argumentos junto a conflitos sociais, na composição de esferas institucionais e na interiorização e instituição de novas práticas sociais (Lopes, 2006), analisamos as atividades voltadas à reciclagem de resíduos sólidos e os coletivos construídos a partir daí. Procuramos acompanhar movimentos e configurações do campo ambiental (Carvalho, 2005; 2002) junto a ações coletivas vinculadas à coleta, triagem e comercialização desses resíduos em Porto Alegre/RS, buscando compreender a relação entre os trabalhadores de unidades de triagem com o ambiental, como discurso e universo simbólico. Partimos de narrativas dos sujeitos atuantes, considerando trajetórias de vida e trabalho, bem como suas tomadas de posição, observando como, ao se inscreverem em um campo que os antecede e ultrapassa, os sujeitos o reescrevem.
Neste artigo destacamos a vinculação entre valores concernentes ao meio ambiente e aos processos educativos formais. O sistema educacional mexicano assume as ações relacionadas ao meio ambiente como parte das ciências naturais, um enfoque já superado em outros países, inclusive em países menos desenvolvidos do que o México. Obviamente isso impede o entendimento da dimensão ambiental de muitos problemas sérios da nação, como o consumismo, a migração e a desigualdade social, para citarmos alguns. Propomos reflexões que nos instiguem a ressignificar a ética centrada no presente e nas relações interpessoais, para uma ética do futuro com ênfase nas relações entre seres humanos e destes com seu entorno.
PID: S0102-46982009000300018 |
Revista: Educação em Revista (0102-4698) |
Año: 2009
Autores: Silveira
A educação ambiental tem a tarefa de buscar novas formas de relacionamento entre ser humano e natureza, pautadas em um posicionamento ético, mas carrega as dificuldades impostas por um modelo de educação engessado, pautado na lógica da racionalidade técnico-científica que permeia toda a sociedade. Na tentativa de superar essa condição, propomos a educação estética ambiental como forma de o ser humano relacionar-se com o mundo que habita, tendo o desafio de provocar o reencontro do humano com as dimensões sensível, afetiva e poética que o compõem. Tendo este campo como fundamento, buscamos, teoricamente, refletir sobre a inserção de uma proposta artística como meio de se chegar aos objetivos necessários à educação ambiental. No campo da arte, voltamo-nos ao teatro do oprimido, que tem como principal objetivo a democratização do teatro, considerada atividade orgânica do ser humano. Identificamos nele aproximações com os princípios e objetivos buscados pela educação estética ambiental.
PID: S0102-46982009000200010 |
Revista: Educação em Revista (0102-4698) |
Año: 2009
Autores: Cavalcanti Neto Aquino
O estudo faz uma análise de concepções de professores da 3ª série do ensino fundamental II da cidade do Ribeirão/PE sobre avaliação da aprendizagem. A pesquisa, de caráter qualitativo, utilizou a entrevista semiestruturada como metodologia de coleta de dados. A análise desses dados, fundamentada nos princípios da avaliação como ato amoroso de mediação entre ensino e aprendizagem defendida por Luckesi, leva a concluir que, apesar da identificação de alguns elementos na ação pedagógica desses professores que representavam acolhimento, integração e inclusão, a significação de avaliação como momento pontual, classificatório e seletivo ainda é bastante evidente. Dessa forma, acredita-se que o caminho para uma real mudança nas concepções e, consequentemente, na ação pedagógica dos docentes está numa formação, tanto inicial quanto continuada, coerente com essa proposta pedagógica.
PID: S0102-46982009000300015 |
Revista: Educação em Revista (0102-4698) |
Año: 2009
Autores: Jimenez Terceiro
Este artigo está associado a uma pesquisa em andamento que examina, de forma mais ampla, os paradigmas e políticas educacionais emanados do Projeto de Educação para Todos, tendo como referência a perspectiva da ontologia marxiana. Sob esse prisma, intenta oferecer elementos críticos introdutórios quanto ao tratamento conferido de forma dominante à questão da crise ambiental e seus desdobramentos na educação para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, apresenta, em linhas gerais, o que de mais recorrente encontra-se sobre a problemática ecológica, revisitando acontecimentos expressivos da agenda ambientalista e pontuando, nesse contexto, o papel atribuído à educação. Com base nas contribuições de estudiosos atentos às relações entre ecologia, educação e o complexo da reprodução social, aponta para a superação da ordem vigente como condição imperativa de resolutividade dos problemas atinentes à sobrevivência da espécie humana, assim como da emancipação plena da humanidade.
PID: S0102-46982009000300003 |
Revista: Educação em Revista (0102-4698) |
Año: 2009
Autores: Moreira
Este artigo focaliza as condições em que se desenvolve a pesquisa no âmbito da pós-graduação stricto sensu no país, reportando-se particularmente às mudanças provocadas nos programas e nos docentes pela avaliação coordenada pela CAPES. Após uma breve apresentação do surgimento e dos recentes rumos da pós-graduação em educação no Brasil, associam-se princípios, procedimentos e efeitos da avaliação às características da cultura da performatividade, tal como concebida pelo pesquisador inglês Stephen Ball. Destaca-se a utilidade dessa categoria para a análise da avaliação em pauta. Nas considerações finais, compara-se o estudo de Ivor Goodson sobre reações de docentes a recentes reformas curriculares ao ambiente vivido hoje nos programas de pós-graduação, marcado pela cultura da performatividade. Cogita-se, ao final, da possibilidade de alternativas.
PID: S0102-46982009000100015 |
Revista: Educação em Revista (0102-4698) |
Año: 2009
Autores: Moura Silva
O objetivo deste artigo é demonstrar o quanto os conceitos psicanalíticos contribuíram para o ato transformador que pretende a escola. Para isso, foi feita uma análise exaustiva de diretrizes educacionais do estado de Minas Gerais, dos Parâmetros Curriculares Nacionais, do Ciclo Inicial de Alfabetização e do Conteúdo Básico Comum, com o intuito de averiguar não só os aspectos subjetivos presentes direta ou indiretamente nesses materiais, como encontramos, mas também de observar o que se mantém ou é reformulado de um material a outro, confirmando que os mais recentes se baseiam principalmente nos PCN's, com poucas ressalvas. Analisamos o planejamento pedagógico de uma escola municipal da região e constatamos que a subjetividade, indiretamente presente nas diretrizes, mantém-se naquela realidade. Entretanto, constatamos que, nas diretrizes e no projeto pedagógico, a menção ou consideração que seja da subjetividade do professor no processo de ensino-aprendizagem é escassa ou nula.