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Disseminação de conhecimento em educação especial no Brasil: as contribuições da ABPEE

PID: S1413-65382009000200002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Manzini Corrêa Silva
Este artigo apresenta e discute o desenvolvimento da Revista Brasileira de Educação Especial e sua relação com a Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial. O contexto de fundação da Associação e da Revista esteve relacionado ao crescimento dos Programas de Pós-graduação - mestrado e doutorado - em Educação e Psicologia. Pouco a pouco, os artigos enviados para a revista aumentaram a participação de autores de diferentes Estados do Brasil. Os dados demonstram que, desde a criação, a Associação e a Revista estiveram conectados, o que reflete no elo entre autores e membros da ABPEE. A partir de 2005, a Revista passou a receber artigos internacionais e expandiu sua participação no cenário nacional e internacional. Conclui-se que a Revista trouxe inestimável contribuição para a área de Educação Especial no Brasil.

Educação superior bilíngue para surdos: o sentido da política inclusiva como espaço da liberdade: primeiras aproximações

PID: S1413-65382009000100003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Franco
Este trabalho tem como objetivo apresentar um ensaio acerca da experiência em curso do Instituto Nacional de Surdos (INES), na implantação do Instituto Superior Bilíngue de Educação (ISBE). O diálogo com Hannah Arendt e a concepção de política como espaço da liberdade consubstanciam esta reflexão. Inicialmente, o recente contexto educacional dos surdos, com a aprovação do Decreto n.º 5.626/2005, que regulamenta a Lei n.º 10.436/2002, que oficializa a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), é colocado em cena. Em seguida, traçam-se os elementos constitutivos básicos da recente construção da experiência de ensino superior bilíngue no INES/ISBE, com o curso de Pedagogia e os principais entraves a sua implantação. À guisa de reflexões finais, pretende-se indicar o sentido da política inclusiva no contexto de uma Política Cultural Bilíngue, enquanto abertura histórica de sentido possa representar um ensaio à liberdade.

Estudo comparativo sobre superdotação com famílias em situação socioeconômica desfavorecida

PID: S1413-65382009000100011 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Chagas Fleith
Este estudo teve como objetivo descrever e comparar características de famílias em situação socioeconômica desfavorecida relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação. Participaram da pesquisa 28 famílias residentes no Distrito Federal, sendo 14 com superdotados e 14 sem filhos superdotados. Os dados foram coletados por meio do Inventário de Sucesso Parental - PSI, do Teste de Pensamento Criativo - TCP-DT e de questionário sobre características individuais e familiares do superdotado. Para a análise dos dados foram utilizados o teste t, a correlação de Pearson e estatística descritiva. Foram encontradas diferenças significativas entre os grupos com relação ao nível de comunicação, uso do tempo, práticas de ensino parental e satisfação parental. Os genitores de superdotados e não superdotados avaliaram o nível de comunicação e satisfação parental em relação a comportamento dos filhos de forma mais positiva do que seus filhos. Os resultados também indicaram uma maior participação dos pais de alunos superdotados na vida acadêmica de seus filhos. A maioria dos alunos superdotados, que participou do estudo, era do gênero masculino e ocupava posição especial na família como primogênitos e unigênitos. Além disso, não foi observada relação entre os níveis de criatividade de pais e filhos. Ficou evidenciado, porém, que os alunos superdotados apresentaram desempenho superior no teste de criatividade quando comparados aos alunos não superdotados. Os resultados chamam a atenção para o papel que a família pode desempenhar no estímulo de habilidades, talentos e interesses.

Evoluções motoras e linguísticas de bebês com atraso de desenvolvimento na perspectiva de mães

PID: S1413-65382009000100004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Hekavei Oliveira
O presente estudo teve por objetivo investigar a evolução do desenvolvimento motor e de linguagem em bebês com atraso de desenvolvimento a partir da perspectiva materna. Participaram do estudo seis mães de bebês com atraso de desenvolvimento. A pesquisa foi realizada numa instituição com programa de intervenção precoce e em ambiente domiciliar. Foram feitas entrevistas com as mães, por meio de um roteiro semiestruturado. O modo de compreensão das mães, tanto do processo de desenvolvimento motor, quanto linguístico dos filhos, indicou uma evolução no desenvolvimento dessas crianças. Uma das provas disso, foi a forma como essas mães se referiram ao desenvolvimento das crianças, antes destas ingressarem no programa de intervenção precoce e no momento atual. Conhecer e valorizar as percepções trazidas pelos cuidadores e particularmente pelas mães, implica em ampliar o entendimento dos seus saberes e práticas. Estes valores, por sua vez, podem ser utilizados no sentido de favorecer todo o processo de desenvolvimento infantil.

Inclusão escolar: um estudo acerca da implantação da proposta em escolas de ensino básico

PID: S1413-65382009000200008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Leonardo Bray Rossato
Este estudo teve por objetivo verificar como estão sendo implantados os projetos de Educação Inclusiva no ensino básico, em escolas públicas e privadas, do interior do Paraná. A amostra da pesquisa foi constituída por dois grupos de professores que possuem em sala de aula alunos com deficiência incluídos: (G1- professores de duas escolas públicas) e (G2- professores de duas escolas privadas), totalizando 26 participantes. Foram aplicados questionários, cujos dados foram examinados mediante análise de conteúdo e organizados em categoria. Os resultados obtidos revelaram que, tanto as escolas públicas como as privadas, ainda não possuem infraestrutura adequada para desenvolver projetos inclusivos, principalmente no que diz respeito a recursos humanos. Os profissionais, em sua maioria, mostraram-se sem conhecimento e preparo para lidar com a diversidade dentro da sala de aula. Ademais, em nenhuma das quatro escolas da pesquisa estão sendo aplicadas metodologias ou desenvolvidos recursos didático-pedagógicos adequados às necessidades dos alunos especiais. Assim, as práticas de inclusão escolar apresentam-se de modo restrito e, consequentemente, com poucas condições de realizar um ensino inclusivo de qualidade, negligenciando, desta forma, os direitos dos alunos com deficiência à aprendizagem, ao desenvolvimento e à participação efetiva na sociedade.

Intervenção precoce na epilepsia

PID: S1413-65382009000300002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Ramalho Silva Cruz
A necessidade de intervir precocemente junto de crianças em situação de risco reveste-se de fulcral importância, principalmente nos seus primeiros anos de vida, em que todas as experiências a que está sujeita condicionam todo o seu desenvolvimento posterior. Desta forma, preconiza-se que quanto mais precoce for a intervenção, maiores serão os benefícios para a criança, devida à plasticidade que uma criança de tenra idade apresenta e esta deverá ser utilizada para prevenir incapacidades secundárias. O presente artigo procura elaborar de um programa de intervenção na epilepsia baseado em programas educativos individuais que focam o nível de realização atual da criança, assim como a avaliação e posterior intervenção assumindo a família e a escola papéis primordiais no desenvolvimento das crianças com esta perturbação, já que se constituem como agentes impulsionadores para o sucesso dos respectivos planos de intervenção.

O atendimento em salas de recursos para alunos com altas habilidades/superdotação: o caso do Paraná

PID: S1413-65382009000300011 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Mori Brandão
Este estudo objetivou conhecer o atendimento educacional realizado em Salas de Recursos para alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) no Estado do Paraná. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com duas professoras que atuam neste contexto escolar. Os relatos foram analisados sob a perspectiva da Teoria Histórico-Cultural, que pressupõe a disponibilidade de mediadores materiais e simbólicos como condição essencial para o acesso à cultura. Os resultados indicam práticas pedagógicas pautadas no ecletismo e o esforço pessoal das docentes para equipar as suas salas. Conclui-se que, apesar das dificuldades identificadas, a continuidade e efetivação da proposta pode se constituir em uma importante contribuição para o enriquecimento dos níveis conceituais dos alunos superdotados.

O cuidar do aluno com deficiência física na educação infantil sob a ótica das professoras

PID: S1413-65382009000100009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Melo Ferreira
Esse estudo é um recorte da pesquisa intitulada "O cuidar da criança com deficiência física na educação infantil: perfil e conhecimento dos professores". O objetivo do trabalho foi identificar como as crianças com deficiência física são cuidadas no contexto da Educação Infantil e qual é a importância do profissional de saúde, segundo a visão dos professores. O estudo realizado adotou uma abordagem qualitativa utilizando o método Estudo de Caso. A coleta de informações realizou-se através de entrevistas semi-estruturadas com oito professoras de crianças com deficiência física, alunos de uma escola de Educação Infantil pública do município de Natal/RN, como também de observações livres. Os dados foram analisados qualitativamente tomando por base duas categorias: o cuidar da criança com deficiência física e a contribuição do profissional de saúde nesse contexto. Concluiu-se nesse estudo que há uma necessidade de se incluir na formação de pedagogos conteúdos específicos que possibilitem aos professores saber lidar com as particularidades que envolvem o cuidar da criança com deficiência física, particularmente, daquelas que apresentam seqüelas neurológicas, como os aspectos relacionados ao manuseio, transferências, auxilio a locomoção, posicionamento corporal adequado, entre outros. Além disso, evidenciou-se também na fala dos professores a importância atribuída aos profissionais da saúde, especificamente do fisioterapeuta, na equipe escolar, quanto às informações e orientações específicas que esses profissionais podem dar acerca da condição da deficiência física apresentada pela criança, ajudando assim, para a promoção e efetivação da inclusão escolar dessas crianças no ensino regular.

O processo de inclusão de crianças com deficiência auditiva na escola regular: vivências de professores

PID: S1413-65382009000100007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Rios Novaes
O objetivo do presente estudo foi descrever e discutir, a partir da vivência de professores, o processo de inclusão de crianças com deficiência auditiva em escola regular. Foram selecionadas três crianças entre 05 e 08 anos de idade, e seus respectivos professores. Por meio de entrevistas com as professoras das crianças, foi selecionado o material que permitiu caracterizar o processo de inclusão de cada criança do estudo. Os relatos das professoras sobre suas experiências com as crianças deficientes auditivas deste estudo parecem indicar que, ainda hoje, apesar da evolução das práticas inclusivas, prevalecem nas escolas muito mais os pressupostos da integração do que da inclusão. As professoras foram unânimes em admitir que não vêm sendo suficientemente preparadas para receber deficientes auditivos e pouco sabem sobre o desenvolvimento da audição, da linguagem e sobre como esses aspectos influenciam e determinam formas particulares de apreensão de conteúdos. Prevalece a idéia de que é a criança com necessidades educacionais especiais quem deve se adaptar ao ambiente, empenhar-se para ser nele integrada; ou então, as professoras buscam estratégias individuais de aproximação, sem que essa questão seja problematizada junto ao corpo técnico da escola, que ainda não vem efetivando transformações em sua organização para receber esses alunos.

Percursos educativos, formativos e profissionais na síndrome de down

PID: S1413-65382009000200003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Pereira Batanero
O emprego e a sua manutenção são aspectos fundamentais para todas as pessoas sobretudo para os portadores de deficiência, não só em termos da respectiva autonomia, mas também ao nível da conservação de uma saudável autoestima e bem-estar. Mas, para que estas pessoas se sintam verdadeiramente integradas e felizes com a sua condição de trabalhadores não basta possuírem um emprego. É necessário que se sintam capacitadas para o respectivo posto de trabalho e que nele se sintam felizes. Face a estes considerandos entendemos desenvolver para este estudo o seguinte objetivo principal: conhecer o grau de satisfação dos trabalhadores com Síndrome de Down relativamente à sua integração profissional (satisfação laboral, satisfação com o processo de integração na vida ativa). A amostra desta investigação é constituída por 14 sujeitos com Síndrome de Down, de ambos os sexos com idades compreendidas entre 20 e os 36 anos, todos residentes na zona que abrange Lisboa e Vale do Tejo.

Pessoas com deficiência no mercado de trabalho: considerações sobre políticas públicas nos Estados Unidos, União Europeia e Brasil

PID: S1413-65382009000200004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Oliveira Goulart Júnior Fernandes
Atualmente, discussões a respeito da construção de uma sociedade inclusiva, ou seja, responsiva às diferenças, têm ocorrido em diversos países. De acordo com os princípios da inclusão social, a participação das pessoas com deficiência na sociedade depende de profundas transformações, cabendo à sociedade prover os suportes necessários para que esses indivíduos tenham acesso a todos os recursos disponíveis no meio social e, além disso, ao convívio de maneira não-segregada. Uma questão importante, nesse sentido, é a elaboração de políticas públicas no âmbito do trabalho voltadas para pessoas com deficiência. Embora o acesso ao trabalho seja considerado um dos principais direitos civis dos indivíduos, as pessoas com deficiência ainda encontram diversas barreiras para ingressar no mercado profissional. Partindo dessas afirmações, este artigo teve como objetivo discutir alguns dos principais aspectos das políticas de emprego adotadas nos Estados Unidos, na União Europeia e no Brasil para favorecer a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho. Para tanto, três documentos legais, sendo um Nacional, um procedente dos Estados Unidos e outro, da União Europeia, foram analisados quanto aos itens: a) ano de publicação do documento; b) objetivos; c) definição de deficiência; e d) estratégias de inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. A partir das considerações realizadas, pode-se dizer que existem avanços e divergências nas políticas de emprego e que estas estão relacionadas às particularidades de cada um dos contextos; no entanto, existe uma preocupação comum em garantir à pessoa com deficiência o ingresso na atividade profissional.

Software livre de produção textual com predição de palavras: um aliado do aluno especial

PID: S1413-65382009000300004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Jordan Nohama Britto Júnior
A dificuldade em comunicar-se naturalmente, seja através da fala ou da escrita, pode fazer com que uma pessoa seja impedida de demonstrar e desenvolver seus potenciais cognitivos, sociais e criativos. Essa realidade tem sido amplamente estudada, buscando cada vez mais e melhores soluções que contornem tal limitação, pela ciência multidisciplinar conhecida como Comunicação Alternativa e Aumentativa. Dentre as soluções encontradas, algumas delas fazem uso do computador como ferramenta de apoio à comunicação. A predição de palavras e simuladores de teclado para produção textual estão entre essas soluções. Este artigo vem divulgar e discutir os resultados obtidos com a aplicação de um simulador de teclado em conjunto com uma técnica de predição de palavras baseada nos grupos das classes gramaticais da língua portuguesa, o qual oferece ao usuário facilitação na produção de textos com qualidade gramatical. Dados obtidos com adolescentes com seqüelas de paralisia cerebral mostraram que o uso do aplicativo é construtivo, amplia a comunicação e pode auxiliar no processo de aprendizado da língua portuguesa. Ampliar a comunicação sem prejudicar a qualidade gramatical é uma forma de auxiliar no processo de educação e inclusão social de pessoas com deficiência, tornando-as socialmente mais participativas e melhorando a qualidade de suas vidas.

Superdotação: conceitos e modelos de diagnóstico e intervenção psicoeducativa

PID: S1413-65382009000100002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Pocinho
A definição de sobredotação não está isenta de inseguranças e de controvérsias. O conceito não é estático, está em constante evolução, sendo que a tendência actual é caracterizada pela ponderação de outras variáveis além das cognitivas e da inteligência. Segundo o World Council for Gifted and Talented Children, considera-se sobredotada a pessoa com elevado desempenho ou elevada potencialidade, em qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: capacidade intelectual geral, aptidão académica específica, pensamento criativo ou produtivo, talento especial para as artes visuais, dramáticas e musicais, capacidade motora e capacidade de liderança. A multiplicidade de conceitos acaba, assim, por traduzir a multiplicidade de critérios a ter em conta na definição de sobredotação, implicando que a avaliação seja também multirreferencial, abrindo, consequentemente, um leque diversificado de propostas de intervenção assim como o recurso a diferentes agentes, procedimentos e instrumentos de avaliação.

Surdez e letramento: pesquisa com surdos universitários de Curitiba e Florianópolis

PID: S1413-65382009000100008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Guarinello Berberian Santana Bortolozzi Schemberg Figueiredo
Objetivamos com essa pesquisa apresentar aspectos que caracterizam as condições de letramento de surdos estudantes universitários, investigando o desempenho desses surdos em atividades de leitura e de escrita. Participaram dessa pesquisa vinte surdos Universitários. Para coleta de dados foram utilizados dois instrumentos: um questionário com questões abertas e fechadas a partir do qual foram coletadas informações sobre as práticas de leitura e de escrita vivenciadas cotidianamente pelos sujeitos da pesquisa e seis textos formulados em diferentes gêneros textuais, os quais os sujeitos deveriam ler e formular respostas acerca de seus conteúdos Percebe-se por meio da análise que as condições de letramento de cada sujeito têm uma correlação direta com as práticas de linguagem vivenciadas em seus contextos de vida. Conclusões: no contexto da surdez, ainda contamos com leitores e escritores que apresentam grande dificuldade no processo de interpretação e produção textual de gêneros secundários. Esse estudo aponta, assim, a importância de um trabalho de letramento desde a escola fundamental até a universidade que envolva práticas nos mais diversos tipos de gêneros.

Textura do recurso pedagógico e implicações em atividade de encaixe realizada por indivíduos com paralisia cerebral

PID: S1413-65382009000200009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Paiva Braccialli
O estudo teve o propósito de verificar a influência da textura do recurso pedagógico no tempo despendido e no índice de retidão para execução de uma atividade de encaixe realizada por indivíduos com paralisia cerebral. Participaram do estudo 6 alunos com sequelas de paralisia cerebral do tipo espástica, com idade entre 7 anos e 8 meses e 28 anos e 1 mês. O participante deveria segurar o objeto e levá-lo a um ponto demarcado previamente para o encaixe e, após, retorná-lo à posição inicial. O objeto foi apresentado nas texturas lisa, intermediária e áspera, de forma aleatória. Para a coleta de dados, foi utilizada filmagem para posterior leitura pelo programa Kavideo, que possibilitou cálculos para observar o tempo despendido na tarefa e o índice de retidão. Foi realizado o estudo da normalidade das distribuições, verificada por meio do teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (Teste KS) e a comparação entre as texturas lisa, intermediária e áspera, no movimento de encaixe, por meio da análise de variância de medidas repetidas. Adotou-se para todos os testes nível de significância de 5% de probabilidade para a rejeição da hipótese de normalidade. O resultado do teste de análise de variância de medidas repetidas mostrou que não houve significância para as variáveis estudadas com o recurso apresentado nas três texturas. Porém, os dados da estatística descritiva mostraram que o encaixe do recurso com a textura lisa despendeu um menor tempo para execução da tarefa e, também, determinou um melhor desempenho com relação à trajetória do movimento.

Trajetória escolar do surdo no ensino superior: condições e possibilidades

PID: S1413-65382009000100006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Cruz Dias
Devido ao número relativamente pequeno de surdos que frequentam o ensino superior, este estudo objetivou conhecer as suas condições nesse nível de ensino. Participaram da pesquisa sete surdos universitários, na faixa etária entre 22 e 39 anos. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas individuais sucessivas, presenciais ou à distância, via internet, empregando o português falado, escrito ou a língua de sinais, com a mediação de intérprete. Realizaram-se dez entrevistas presenciais, gravadas e transcritas, e onze à distância, mediante e-mail e Messenger®. Os relatos foram analisados sob o ponto de vista sócio-antropológico, que entende os surdos como diferentes, linguística e culturalmente, pertencentes aos grupos minoritários e que frequentam, na maioria das vezes, uma escola organizada para ouvintes e padronizada. Os resultados apontam que as condições dos surdos no ensino superior são de dificuldades, de impedimentos, de abandono e de rejeição. Os surdos são obrigados a se responsabilizarem por sua aprendizagem, priorizando o trabalho extra classe para recuperação de notas. A escola se organiza de acordo com interesses e necessidades dos ouvintes, isto é: não há uma língua compartilhada com os alunos surdos, não há intérprete português-Libras, não há contexto bicultural, não há interlocução na escola. Concluiu-se que os surdos são capazes, produtivos, solidários e interessados em avançar no seu processo de escolarização, apesar dos empecilhos encontrados no interior do espaço escolar.

Uso de expressões orais durante a implementação do recurso de comunicação suplementar e alternativa

PID: S1413-65382009000300003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Deliberato
A literatura tem discutido a importância da implementação precoce de sistemas de comunicação suplementar e alternativa em pessoas com deficiência. Esta discussão está vinculada à preocupação com a aquisição e desenvolvimento da linguagem e suas diferentes possibilidades expressivas. Os autores também alertam que a intervenção precoce por meio de recursos e estratégias utilizando a comunicação suplementar e alternativa não impossibilita a aquisição e desenvolvimento da fala. Este trabalho teve como objetivo descrever as habilidades expressivas orais durante a implementação do recurso de comunicação suplementar e alternativo em um aluno com paralisia cerebral. Um aluno com paralisia cerebral de 11 anos de idade participou de um programa na área de comunicação suplementar e alternativa durante dois anos. Foram selecionadas 12 sessões durante o primeiro ano de intervenção. As sessões foram filmadas e após a transcrição dos procedimentos envolvendo recursos de comunicação alternativa foram estabelecidas as categorias de análises: expressão verbal; não-verbal e expressão verbal concomitante a expressão não-verbal. Por meio dos resultados obtidos foi possível identificar que o recurso de comunicação suplementar e alternativo favoreceu o uso das formas de expressões verbais, como no caso das vocalizações, palavras e emissões orais ininteligíveis.

Viés de gênero na notificação de alunos com necessidades educacionais especiais

PID: S1413-65382009000300006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2009
Autores: Mendes Lourenço
Por que os meninos são mais indicados do que as meninas como alunos com necessidades educacionais especiais por seus professores (proporção de 2/3 contra 1/3)? Este estudo teve por objetivo comparar a descrição de professores de meninos e meninas identificados por eles como alunos com necessidades educacionais especiais. Os dados foram coletados a partir da coleção de 351 cadastros de alunos identificados como especiais. Esses cadastros fazem parte de um banco de dados iniciado em 2001 por um grupo de pesquisa e contém descrições espontâneas dos professores sobre as características das crianças que, segundo eles, justificavam a notificação. Tais descrições foram divididas em unidades de conteúdo e categorizadas. A freqüência em cada uma das categorias foi computada para os grupos, que foram divididos em função do gênero. Dos 351 cadastros, 66,1% referiam-se a crianças do sexo masculino, enquanto 33,9% eram de crianças do sexo feminino. A comparação da incidência das categorias nos dois grupos apontou como única diferença estatisticamente significativa: a indicação de meninos com base na categoria Problemas de Comportamento. Teorias explicativas existentes na literatura sobre viés de gênero na elegibilidade de meninos e meninas pelos seus respectivos professores são discutidas, bem como são apontadas as implicações científicas e a necessidade de mecanismos de monitoração deste tipo de viés que vem sendo sustentado pela área de Educação Especial e que contribuem para a construção de desigualdades sociais.

A influência dos métodos de ensino-aprendizagem-treinamento no desenvolvimento da inteligência e criatividade tática em atletas de futsal

PID: S1981-46902009000300010 | Revista: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Año: 2009
Autores: Silva Greco
Este estudo analisou e descreveu os métodos de ensino-aprendizagem-treinamento (E-A-T) utilizados em três equipes de futsal, participantes do Campeonato Metropolitano de Belo Horizonte, relacionando os mesmos com o desenvolvimento do conhecimento tático processual divergente (criatividade) e convergente (inteligência). Para isso, foram filmadas em cada uma das três equipes, 18 sessões de treino e realizada posteriormente, a classificação desses treinos através do protocolo de SAAD (2002) e utilizado por MOREIRA (2005). Já para a avaliação da evolução do conhecimento tático processual no interior de cada equipe foi realizada a bateria de testes KORA (MEMMERT, 2002). Os resultados apontaram a utilização de três diferentes métodos de ensino-aprendizagem-treinamento: analítico; misto (analítico- situacional); e situacional. O grupo que utilizou o método analítico apresentou melhoras em relação à inteligência de jogo, mas não em relação à criatividade tática. Já os grupos que utilizaram os métodos misto e situacional apresentaram melhoras significativas tanto para o desenvolvimento da criatividade tática como da inteligência de jogo. Concluindo, os resultados indicam que as metodologias ativas, baseadas no desenvolvimento tático parecem ser mais interessantes para a construção do conhecimento tático-técnico e da criatividade ao mesmo tempo em que, podem evitar um desgastante processo de ensino da técnica e uma especialização precoce.

A intervenção pedagógica sobre o conteúdo do treinador de futebol

PID: S1981-46902009000100003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Año: 2009
Autores: Mesquita Farias Oliveira
O presente estudo teve como objetivo analisar a intervenção pedagógica sobre o conteúdo de treinadores de futebol, nos escalões de escolinhas e infantis, em função da formação acadêmica em Educação Física e Desporto. A amostra foi constituída por 12 treinadores de futebol (n = 12), os quais foram filmados durante sessões de treino. O instrumento utilizado foi adaptado a partir do Systematic Analysis of Pedagogical Content Interventions (SAPCI) de GILBERT et al. (1999). Recorreu-se à estatística descritiva e à inferencial através da estatística não paramétrica, o teste de Mann-Whitney, para comparar os resultados entre grupos. O cálculo da percentagem de acordos, complementada pela estatística Kappa de Cohen, mostrou níveis aceitáveis de fidedignidade para as observações serem utilizadas como ferramenta científica. A realização deste estudo mostrou que: os treinadores incidiram as suas intervenções, majoritariamente, sobre os conteúdos de ordem técnica, sobretudo de caráter ofensivo; a informação foi emitida, preferencialmente, quando os jogadores estavam em ação; as instruções proferidas pelos treinadores foram, na sua maioria, de caráter geral, sendo que no “feedback” os treinadores utilizaram, sobretudo, o encorajamento; o meio exclusivamente auditivo foi o preferido na emissão de informação; a informação foi dirigida, preferencialmente, aos jogadores, a título individual. Na comparação entre grupos, verificou-se que os treinadores com formação acadêmica em Educação Física e Desporto emitiram, significativamente, mais instrução específica e recorreram mais ao questionamento, tanto geral como especifico, do que os treinadores não licenciados. Apesar dos treinadores em estudo, em geral, mostrarem uma abordagem centrada nos aspectos técnicos da fase ofensiva do jogo, os treinadores licencidos em Educação Fisica evidenciaram um conhecimento mais especifico do conteúdo do Futebol e concederam aos jogadores mais espaço para compreender e problematizar os conteúdos de aprendizagem.
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