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Quem “Liga” para o psiquismo na escola médica? A experiência da Liga de Saúde Mental da FMB - Unesp

PID: S1981-52712009000200019 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Gonçalves Ferreira Gonçalves Lima Ramos-Cerqueira Kerr-Correa Smaira Torres
A importância da saúde mental nas práticas em saúde fez surgir nas escolas médicas a demanda por uma capacitação aprimorada dos graduandos nessa área. Este artigo tem como principal objetivo descrever a experiência da Liga Acadêmica de Saúde Mental (LISM) da Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp como atividade de ensino extracurricular. Relatam-se sua formação, objetivos, dificuldades iniciais, composição, modo de funcionamento e principais atividades desenvolvidas desde 2004. Acredita-se que a LISM tem tido êxito em complementar a formação médica nessa área, pois atua na prevenção e promoção da saúde, incluindo atividades voltadas à saúde mental dos estudantes. Discute-se também criticamente a atuação das Ligas de Saúde Mental nas escolas médicas, incluindo alguns riscos, como o de favorecer a especialização precoce em Psiquiatria, de aumentar a falsa dicotomia entre saúde física e mental ou simplesmente reproduzir atividades acadêmicas oficiais. Tais atividades extracurriculares não devem desmobilizar a comunidade acadêmica na luta pela valorização, integração e inserção sistemática e longitudinal de temas de saúde mental no currículo oficial dos cursos de graduação, indispensáveis à adequada formação dos médicos generalistas.

Relato de experiência: o uso de simulações no processo de ensino-aprendizagem em medicina

PID: S1981-52712009000200018 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Varga Almeida Germano Chachá Souto Fontanella Lima
RESUMO Este trabalho relata a experiência, construída ao longo de dois anos, com o uso de estações de simulação da prática profissional no processo de ensino-aprendizagem do curso de graduação em Medicina da Universidade Federal de São Carlos. Seu referencial pedagógico está ancorado na concepção construtivista da aprendizagem e parte da premissa de que aprender não é reproduzir a realidade, mas ser capaz de elaborar uma representação pessoal sobre esta e seus conteúdos. Assim, a partir da vivência de situações simuladas, os estudantes são estimulados a ressignificar seus conhecimentos construindo novos saberes. Na Unidade Educacional Estações de Simulação da Prática Profissional, o estudante se defronta com pacientes simulados e tem a oportunidade de aprender fazendo, errando e aprendendo com os próprios erros. Ao refletir sobre o erro, constrói seu aprendizado por meio da identificação de lacunas de conhecimento e fundamenta cognitivamente suas capacidades. Professores acompanham o desenvolvimento dos estudantes, atuando ora como avaliadores, ora como facilitadores, ora como consultores. Esta estratégia pedagógica pode ser um instrumento poderoso para o desenvolvimento de competência na área clínica

Residência de medicina de família e comunidade: uma estratégia de qualificação

PID: S1981-52712009000200008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Castro Nóbrega-Therrien
Este artigo mostra os resultados de uma pesquisa sobre a avaliação do curso de Residência de Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, uma estratégia de qualificação para os profissionais do Programa Saúde da Família, com base na opinião dos alunos/residentes concluintes do segundo ano do curso. O processo avaliativo teve como foco a estrutura e o conteúdo das aulas teóricas, e, principalmente, os ganhos obtidos pelos alunos em conhecimentos, habilidades e atitudes, numa perspectiva de correção de rumos. Utilizou-se uma abordagem qualitativa, na modalidade estudo de caso, e o instrumento de coleta de dados foi um questionário com questões abertas. Os sujeitos totalizaram 20 alunos/residentes. Para a análise dos dados utilizou-se a técnica de análise de conteúdo, modalidade temática. Os resultados mostraram que os alunos estavam conseguindo adquirir as principais competências necessárias a um médico de família, mas é preciso realizar ajustes em termos de conteúdo do programa e das condições das unidades de saúde, campos de prática dos alunos/residentes.

Satisfação profissional de docentes de medicina: um estudo de caso

PID: S1981-52712009000300004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Costa
RESUMO Objetivo: Investigar a satisfação com a carreira docente de professores de medicina em relação à: motivação inicial, fatores de satisfação e desejo de permanência da profissão. Metodologia: Utilizou-se metodologia qualitativa; foram aplicados questionários e entrevista semi-estruturada aos professores de uma instituição federal de ensino superior. Resultados: 42,86% iniciou-se na docência como estudantes de medicina; 80% escolheram a docência por vocação, influência familiar e influência de professores e 20% por oportunidade; 57,14% consideram-se satisfeitos coma docência e 51,42% não pretendem se aposentar. Foram considerados como fatores de satisfação: possibilidade de atualização profissional, sensação de dever cumprido, contribuição com formação médica, contacto com jovens e com ambiente universitário. Os fatores de insatisfação citados foram os pedagógicos (33,33%), econômicos (30,95%), institucionais (14,28%) e relacionais (14,28%). Conclusões: Os pesquisados manifestaram atitude positiva frente à carreira docente e não possuem desejo de abandonar a carreira, pela grande satisfação pessoal. Esses achados podem contribuir coma reflexão sobre fatores que interferem na (in)satisfação da carreira docente e contribuir para que fatores de satisfação sejam aumentados, melhorando a produtividade e o bem estar de professores de medicina.

Saúde, democracia e organização do trabalho no contexto do Programa de Saúde da Família: desafios estratégicos

PID: S1981-52712009000100016 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Junqueirai Cotta Gomes Silveira Siqueira-Batista Pinheiro Melo
A democracia deve promover a satisfação de interesses diversos (o bem comum), o que é imprescindível à construção dos consensos, quando possível, entre os distintos atores. A partir demeados da década de 1970, o Brasil passa por importantes transformações político-democráticas, configurando-se em anos de mudanças nos paradigmas da saúde. Com a Constituição de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), os gestores, trabalhadores e usuários do sistema se deparam com uma nova forma de pensar, estruturar, desenvolver e produzir serviços e assistência em saúde - modelo de produção social em saúde. Entretanto, para promover o desenvolvimento da real ruptura com o modelo sanitário anterior - flexneriano -, as relações trabalhistas devem superar a precarização do trabalho por meio de medidas como investimentos consistentes nas áreas da gestão de recursos humanos, com a criação de meios de discussão para uma gestão democrática. O presente artigo tem como proposta repensar as relações entre a democracia e a saúde, a partir da análise reflexiva das práticas de gestão do trabalho no Programa de Saúde da Família (PSF), no contexto das reformas políticas. Entende-se que a efetiva consolidação do PSF como reorganizador da Atenção Básica, possibilitará configurar novos arranjos institucionais, capazes de repercutir na cultura sociopolítica do País, e contribuirá para a construção de políticas mais eficazes, justas e solidárias propostas pelo SUS.

Seleção para a residência médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro: percepção dos candidatos sobre o modelo da prova

PID: S1981-52712009000100015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Goldwasser Fonseca Lobo Coelho Santos Pereira
Este trabalho relata a opinião dos candidatos aprovados nos programas de residência médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que concorreram às especialidades, sem pré-requisito, quanto ao modelo de prova, baseado nas modificações propostas pela comissão do processo seletivo 2005. Na elaboração das provas, foram utilizadas como referencial as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação de Medicina e a Resolução da Comissão Nacional de Residência Médica. Um questionário estruturado, com questões fechadas, foi distribuído aleatoriamente aos candidatos aprovados nesse concurso. A maioria dos respondentes (84,16%) avaliou como “muito boa” ou “boa” cada etapa do concurso, sendo que a prova prática presencial com pacientes obteve o melhor conceito. Os autores discutem as competências necessárias na atenção à saúde e que serviram de base para as principais modificações introduzidas no processo seletivo. Outro ponto relevante foi a importância da integração interdisciplinar da comissão de seleção. O alto índice de aprovação mostra que as mudanças realizadas foram pertinentes, e os graus atribuídos às diversas etapas do concurso podem contribuir para o aperfeiçoamento do processo seletivo e como instrumento de avaliação educacional dos recém-formados das faculdades de Medicina.

Semiologia integrada: uma experiência curricular de aproximação antecipada e integrada à prática médica

PID: S1981-52712009000200017 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Marco ucchese Abud Martin
RESUMO Para evitar a fragmentação e a estereotipia e favorecer uma aproximação antecipada da pratica médica, foi introduzido o curso de Semiologia Integrada no programa do segundo ano do curso médico da Unifesp. Este curso inclui a realização de anamneses no hospital, seguidas de discussões que contam com a participação conjunta dos professores de Psicologia Médica e de professores de diferentes áreas da Semiologia (Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia e Geriatria). Foi dada atenção especial para apresentar ao estudante de Medicina um modelo que integrasse os aspectos biológicos, psicológicos e sociais do adoecer. Este artigo apresenta o projeto e as observações preliminares, que sugerem um importante potencial integrador tanto para os alunos quanto para os professores. São necessárias avaliações futuras para comprovar essas observações.

Ser médico no PSF: formação acadêmica, perspectivas e trabalho cotidianoPhysicians in the Family Health Program: academic training, perspectives, and routine clinical work

PID: S1981-52712009000300009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Gonçalves Soares Trol Cyrino
RESUMO Este trabalho investiga a formação acadêmica e a motivação de médicos do Programa de Saúde da Família (PSF) para atuarem na área e as vivências adquiridas. Trata-se de estudo exploratório, descritivo e qualitativo. As categorias de análise foram: carência de formação em atenção básica na escola médica e início da carreira; trabalho cotidiano do médico; visita domiciliar; relação multiprofissional na equipe; trabalho médico - realização profissional, rotatividade e falta de perspectivas; compreensão da população acerca do PSF. Os profissionais optaram pelo PSF por motivações pessoais, havendo pouco destaque e preparação para a atividade na graduação. Foi mencionada a importância dos agentes comunitários, do trabalho em grupos e das visitas domiciliares, apesar de alguns referirem impossibilidade de efetuar os dois últimos itens. Há insatisfação profissional devido a sobrecarga de trabalho, dificuldades no relacionamento multiprofissional, falta de retorno financeiro e de reconhecimento de outros profissionais e da população. Foram apontados falta de apoio e vontade política necessários ao êxito do programa. A pesquisa permitiu identificar falta de articulação entre escola médica e gestão municipal na formação de profissionais para atuação no PSF

Sistema de exercício online para apoio a aprendizagem de Medicina Legal na Universidade de Brasília

PID: S1981-52712009000100012 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Galvão Magalhães
O propósito deste estudo retrospectivo foi avaliar o padrão de utilização do sistema de exercícios on-line, facultativos, assíncronos, para o apoio à aprendizagem da disciplina Medicina Legal e Deontologia Médica na Universidade de Brasília. Os sujeitos foram 38 alunos que cursaram a disciplina no segundo semestre de 2005. O sistema oferecia conteúdos textuais e imagens que podiam ser acessados anonimamente. Para a resolução dos exercícios do tipo “verdadeiro” ou “falso”, alguns com imagens, era necessário que os alunos se identificassem por senha, o que permitiu o monitoramento. Os resultados mostraram que 32 alunos (84%) realizaram exercícios on-line, com uma média de 183 respostas por aluno, entre os que aderiram; 52% dos exercícios foram resolvidos nas últimas 24 horas antes da prova; 62,3% dos exercícios foram resolvidos entre 19h e 01h. Conclui-se que os alunos, num sistema facultativo, concentram seus esforços na véspera da prova, o que diminui a eficiência do sistema, sugerindo que técnicas de motivação para o uso regular desse tipo de sistema devem ser implementadas.

Situações de conflitos éticos relevantes para a discussão com estudantes de medicina: uma visão docente

PID: S1981-52712009000100008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Serodio Almeida
A formação ética e humanística dos estudantes de Medicina vem sendo bastante valorizada e questionada na atualidade. A discussão dos conflitos éticos que surgem durante o exercício da medicina é uma das estratégias de maior impacto para o desenvolvimento da competência moral dos estudantes. Com o objetivo de conhecer e analisar as situações de conflito consideradas mais relevantes para a discussão com os futuros médicos, pedimos a profissionais que exercem atividades de ensino com estudantes de Medicina na Unifesp-EPM que mencionassem até três situações importantes para discussão. Participaram da pesquisa 237 sujeitos. As respostas, registradas por itens e categorizadas por temas, foram comparadas aos assuntos abordados em cursos formais de ética das escolas médicas brasileiras e analisadas à luz da literatura especializada. Os temas que emergiram desta pesquisa podem ser explorados por diferentes estratégias de ensino-aprendizagem. Cabe às escolas médicas estimular as diversas disciplinas a abrir espaços formais para as discussões e investir na conscientização e no preparo docente para esta tarefa.

Tabagismo no currículo da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

PID: S1981-52712009000100005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Mattos Silva Franken
Este trabalho avalia a inclusão da problemática do tabagismo no currículo da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e investiga o envolvimento de alunos e professores de Medicina e Enfermagem em relação ao assunto. Coordenadores das disciplinas dos dois cursos dessa faculdade foram entrevistados sobre abordagem do tabagismo e engajamento pessoal no assunto. Pedimos que formulassem questões sobre tabagismo discutidas durante o curso. Entrevistamos 120 alunos do curso médico e 80 do curso de Enfermagem, aplicando-lhes as questões formuladas. Alunos dos dois últimos períodos dos dois cursos responderam, ainda, a perguntas sobre o trato com pacientes. Os resultados apontam suficiente carga horária destinada ao assunto, havendo disciplinas com aulas específicas sobre tabagismo e outras que abordam o assunto num contexto mais amplo. Os alunos tiveram êxito nos questionários, ficando claro que o assunto é abordado com competência. A maioria dos professores de Medicina tem contato com pacientes, mas um pequeno número questiona sobre o tabagismo, porém não orienta seus pacientes a abandoná-lo. Uma minoria dos professores de Enfermagem tem contato com pacientes, mas, quando tem, questiona e orienta seus pacientes sobre o assunto. Alunos dos últimos períodos dos dois cursos, na maioria das vezes, questionam sobre tabagismo, porém são inseguros quanto ao seguimento das orientações. Concluímos que os alunos formandos estão preparados para enfrentar os problemas referentes ao tabagismo, mas os professores estão pouco envolvidos.

Tendências de mudanças em um grupo de escolas médicas brasileiras

PID: S1981-52712009000500003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Lampert Costa Perim Abdalla Aguilar-da-Silva Stella
Realizado com um grupo de 28 escolas médicas brasileiras, este estudo mostra as tendências de mudanças para atender às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) com perspectiva de consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Faz parte do primeiro momento do projeto de avaliação de tendências de mudanças nos cursos de graduação das escolas médicas brasileiras, da Comissão de Avaliação das Escolas Médicas da Associação Brasileira de Educação Médica (Caem/Abem). As escolas responderam ao instrumento de pesquisa oferecido para sua auto-avaliação segundo a metodologia proposta, com resultados que mostram a percepção do curso como um todo na inter-relação de cinco eixos: Mundo do Trabalho, Projeto Pedagógico, Abordagem Pedagógica, Cenários da Prática e Desenvolvimento Docente. A maioria das escolas deste grupo (75%), na percepção de seus atores sociais, apresenta tipologia avançada e inovadora com tendência avançada para as transformações preconizadas no setor saúde. O eixo Desenvolvimento Docente mostra avanços menores em relação aos demais, o que sinaliza, neste momento do processo, um descompasso na dinâmica das ações para consolidar as mudanças. Demonstra a necessidade de aprofundar o estudo com o desenvolvimento dos processos avaliativos, que requer a construção de indicadores qualitativos e quantitativos capazes de auxiliar a identificação, o acompanhamento e a efetivação das mudanças.

Transferências na formação médica

PID: S1981-52712009000400015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Lucchese Abud Marco
O aluno de graduação vive momentos intensos quando se depara com os primeiros pacientes durante a formação médica. Colocar-se à frente de um paciente, aflito, exige que o aluno compreenda as diversas demandas de seu paciente. O intuito deste trabalho é promover uma reflexão sobre os fenômenos psíquicos e emocionais presentes em qualquer relação assistencial e discutir suas implicações e efeitos. Buscou-se compreender melhor o que o estudante tem a oferecer ao paciente, ajudando-o a observar e a valorizar as reações que pode despertar em seus pacientes, apesar de seu conhecimento ainda incipiente dos aspectos biomédicos do adoecer. Foi feita uma tentativa de elucidar o fenômeno da transferência e explorar suas implicações na relação médico-paciente.

Transtornos emocionais e a formação em medicina: um estudo longitudinal

PID: S1981-52712009000100003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Benevides-Pereira Gonçalves
Transtornos emocionais como ansiedade, estresse e até mesmo burnout têm sido apontados em estudantes de Medicina durante o período de formação. Esta pesquisa investiga a ocorrência destes transtornos em 18 alunos ao longo dos seis anos de um curso de Medicina. Além de um questionário sócio demográfico, foram aplicados diversos instrumentos de avaliação (Idate, MBI, BAI e ISE), uma ou mais vezes em anos subsequentes. Os resultados evidenciaram que os transtornos foram mais intensos no terceiro e quarto anos. O sentimento de realização pessoal foi aumentando no transcorrer do curso, assim como as atitudes de desumanização. A exaustão emocional, por sua vez, apresentou decréscimo no final do curso. Sugere-se um estudo dos fatores de maior pressão, principalmente os relativos aos terceiro e quarto anos do curso, no sentido de modificá-los e/ou minimizar suas consequências nos estudantes. Por outro lado, disciplinas que promovam maior conhecimento do ser humano e, portanto, atitudes de humanização, devem ser implementadas e/ou receber mais destaque. A ênfase do curso deve ser pautada não só na capacitação técnica e desenvolvimento de habilidades, mas, especialmente, no conhecimento do ser humano e nas relações interpessoais e afetivas.

Transtornos psiquiátricos menores e procura por cuidados em estudantes de medicina

PID: S1981-52712009000300002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Cunha Neves Moreira Hehn Lopes Ribeiro Watanabe
RESUMO A carreira médica pode desencadear alterações patológicas na saúde mental, que podem ter início já na graduação. O objetivo deste identificar a prevalência de Transtornos Psiquiátricos Menores (TPMe) e a procura por ajuda em estudantes de um curso de Medicina. Trata-se de um estudo transversal, com uma população de 343 estudantes da primeira à quarta série, maiores de 18 anos. Foram realizadas entrevistas, em salas de aula, por meio de dois questionários estruturados, o Self Reporting Questionnaire (SRQ-20) e outro elaborado pelos autores. Análises descritiva, univariada, bivariada e estatística foram utilizadas mediante o programa Microsoft Excel. Os resultados evidenciaram que, entre os acadêmicos com TPM e, 41,6% (a maioria) moravam sozinhos e 75% eram mulheres. Entre os acometidos, 59,2% não conheciam qualquer programa e apenas 9,1% procuraram ajuda. O uso de medicamento foi duas vezes mais prevalente em mulheres com TPMe do que em homens, sendo antidepressivos e ansiolíticos os mais usados. A prevalência de 26,1% de TPMe nos alunos, associada a baixa procura por cuidados e a relatos de automedicação, demonstra a inefetividade dos atuais programas de apoio

Um estranho à minha porta: preparando estudantes de medicina para visitas domiciliares

PID: S1981-52712009000200016 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Ramos-Cerqueira Torres Martins Lima
Este trabalho descreve a experiência de preparação de alunos do primeiro ano da Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp para as visitares domiciliares da disciplina Interação Universidade-Serviço-Comunidade. Docentes de Psicologia e Psiquiatria coordenaram a atividade, realizada com dois grupos de 45 alunos por meio da técnica de sociodrama, que inclui as etapas de aquecimento, dramatização e compartilhamento. Os principais temas trazidos pelos alunos nas dramatizações foram: a) briga e violência; b) miséria e carência; c) desapontamento e desinteresse; d) impotência e fracasso; e) rejeição e desconfiança. Assim, muitas situações temidas e emoções raramente abordadas nos cursos médicos puderam ser vivenciadas e elaboradas em poucas horas. Esta experiência reforça a necessidade de preparar o graduando para entrar em contato com os múltiplos e complexos determinantes do processo saúde-doença e para atuar no cuidado à saúde segundo uma perspectiva interdisciplinar e intersetorial. É fundamental que o aluno tenha uma visão ampliada do paciente inserido na sua família e contexto sociocultural, se dispondo a um trabalho de parceria, colaboração e mútuo aprendizado.

Uma chama que se apaga: residência de medicina preventiva e social

PID: S1981-52712009000400014 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2009
Autores: Massuda Barros Esteves Guimarães
O processo de extinção da residência de Medicina Preventiva e Social (RMPS) constitui um paradoxo diante da necessidade de médicos com especialização em Saúde Coletiva para atuar no Sistema Único de Saúde. O presente artigo realizou uma revisão do processo histórico de construção das RMPS e investigou a estrutura atual dos programas remanescentes a partir da análise dos cenários de prática e das atividades práticas e teóricas desenvolvidas. Ao final foi possível construir uma tipologia em que se identifica o tipo Generalista em Saúde Coletiva, que aborda as três áreas nucleares da Saúde Coletiva; o tipo da Epidemiologia, no qual o foco é exclusiva mente essa área; e o tipo da Saúde Comunitária, que se centra na Atenção Primária em Saúde. Do cruzamento do processo histórico de construção com a realidade atual, pode-se inferir que os fatores que têm contribuído para a extinção da RMPS são principalmente a ausência de políticas de Esta do para formação na área, bem como o não comprometimento de sujeitos sociais que se relacionam com essa residência, levando à existência de anacrônicas diretrizes orientadoras para formação profissional.

A apropriação de John Dewey na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (1944-1964)

PID: S2176-66812009000100009 | Revista: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (2176-6681) | Año: 2009
Autores: Cunha Garcia
Analisa a presença de John Dewey nas páginas da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, por meio de 88 matérias que mencionam o filósofo no período de 1944 a 1964, no intuito de compor um quadro analítico- descritivo sobre os vários modos de menção ao pensamento deweyano. As matérias foram classificadas em três categorias, de acordo com a relevância do nome Dewey no corpo dos textos, visando compreender quais aspectos do pensamento do autor - políticos, filosóficos ou pedagógicos - foram privilegiados em cada uma delas. A discussão fundamentou-se nas noções de “apropriação” e “recontextualização”, em que se considera o uso que um autor faz das ideias de outro ao elaborar os argumentos que deseja comunicar aos leitores em defesa de suas teses.

A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República

PID: S2176-66812009000100010 | Revista: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (2176-6681) | Año: 2009
Autores: Castro
Busca apreender o processo de instituição e disseminação de grupos escolares ocorrido durante a Primeira República no Estado do Paraná, tomando como referência a identificação e a análise das edificações e da sua arquitetura. Baseia-se no pressuposto de que o edifício escolar concebido e construído para esse fim é uma resposta histórica e geograficamente situada às demandas pedagógicas e higienistas vigentes. Materializa a arte e técnica de construir espaços, de estabelecer ordem e limites, de atender a demandas específicas, de expressar valores e de simbolizar a importância que a educação representa no período.

A construção do ethos como estratégia argumentativa: a polêmica sobre a avaliação da educação superior

PID: S2176-66812009000300003 | Revista: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (2176-6681) | Año: 2009
Autores: Nardelli
Com base na perspectiva teórica da análise do discurso (AD), articulada com estudos da retórica, este trabalho reflete sobre a construção do ethos discursivo que os enunciadores constroem no discurso elaborado pelo Grupo de Trabalho de Política Educacional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). Parte-se da hipótese de que ao instituir a obrigatoriedade da avaliação, o que se materializa por meio da promulgação da lei federal que criou o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), o enunciador pressupõe o caráter de coerção que as leis impõem sobre os indivíduos, fator que instaura situações de conflitos e, consequentemente, o surgimento do discurso polêmico, o que se comprova a partir das marcas linguísticas observadas, as quais revelam um ethos positivo do enunciador, que se constrói a partir do ethos negativo do Outro.
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