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O ensino da leitura e escrita segundo Antônio d’Ávila: Práticas escolares (1940)

PID: S2238-00942009000200007 | Revista: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Año: 2009
Autores: Trevisan
Com o objetivo de contribuir para a compreensão da história da formação de professores primários no Brasil, em especial de alfabetizadores, apresentam-se, neste artigo, resultados de pesquisa desenvolvida por meio de análise da configuração textual do manual Práticas escolares (1940), publicado pela editora Saraiva e escrito pelo educador paulista Antônio d’Ávila. Na análise desse manual, com ênfase nos capítulos referentes ao ensino da leitura e da escrita, encontra-se uma síntese dos saberes e das práticas derivadas, predominantemente, do ideário escolanovista e que eram consideradas necessárias para que os futuros professores pudessem exercer, com eficiência e êxito, suas atividades no magistério primário, especialmente as referentes ao ensino da leitura e escrita.

Organismos estatales de selección y control de manuales escolares

PID: S2238-00942009000100002 | Revista: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Año: 2009
Autores: García
The article studies the State Commissions for the regulation of Schoolbooks, instituted in Argentine at the beginning of the 20th-century. The analysis exhibits a gradual liberalization of the prescriptions and a reassignment of decisions to the publishers, as well as the institution of schoolbooks as ineludible tool of the pedagogical methodology throughout that century. The growing of the publishing industry resulted in a displacement of the functions of control and selection of the produced teaching materials from the State on teachers and publishing companies. The bonds between State proposals and market technologies entailed a state validation of the companies’ conveniences; one of its more harmful consequences was their increasing meddling in the pedagogical methodology to implement in the school.

Os primórdios da Universidade de São Paulo

PID: S2238-00942009000100007 | Revista: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Año: 2009
Autores: Filho
A criação da Universidade de São Paulo (USP) no início da década de 1930 comportou disputas de projetos quanto à sua organização. A Escola Politécnica de São Paulo pretendia tornar-se o núcleo da futura instituição. No entanto, a opção adotada em 1934 atribuiu essa incumbência à recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Isso provocou forte reação das antigas unidades profissionalizantes incorporadas à universidade, em especial na Escola Politécnica. O atual trabalho pretende acompanhar os conflitos entre a Escola Politécnica e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras nos tumultuados primórdios da USP.

Políticas de ações negativas e aspirações de famílias negras pelo acesso à escolarização na província do Maranhão no século XIX

PID: S2238-00942009000200004 | Revista: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Año: 2009
Autores: Cruz
O presente trabalho descreve aspectos da relação entre negros e a escolarização na província do Maranhão durante o século XIX. Utiliza fontes primárias impressas e manuscritas sobre a instrução pública. Caracteriza a ocorrência de políticas de ações negativas viabilizadas no período com objetivo de dificultar o acesso de negros ao ensino público, por meio de critérios com base na condição e na cor da pele. Destaca as aspirações de famílias negras pela escolarização de seus filhos, evidenciando que os negros não estiveram alheios ao significado social que o acesso aos saberes da leitura, escrita e contagem vinha recebendo ao longo do século.

A educação a distância no Brasil: conceitos e fundamentos

PID: S1981-416x2009000200008 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Mugnol
Este texto tem por objetivo fazer uma análise da trajetória histórica da Educação a Distância (EAD) no Brasil. Procura destacar seus principais momentos no transcorrer do século XX e início do século XXI. Discute seus conceitos, seus fundamentos e a função desempenhada por ela na realidade social do Brasil. A EAD é apresentada como uma modalidade de ensino que acompanhou o desenvolvimento do sistema educacional brasileiro e, a partir de 1996, vem recebendo significativo apoio do Governo Federal que, por meio do Ministério da Educação, tem incentivado o seu crescimento, tanto na esfera púbica quanto privada. Iniciativas como a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB) são tidas como exemplos que demonstram o interesse governamental em constituir a EAD como uma modalidade de educação capaz de democratizar o acesso ao ensino superior.

A educação básica no Brasil: vozes de professores da rede pública e privada

PID: S1981-416x2009000200011 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Akkari Silva
Nas duas últimas décadas vimos surgir no Brasil um debate público sobre a necessidade de melhorar a qualidade do ensino na educação básica, em particular no ensino fundamental. Esse debate gira em torno essencialmente de três dimensões: (1) as medidas legislativas favoráveis à reforma do sistema educacional brasileiro que se traduzem pela adoção da LDB (Lei de Diretrizes e Bases); (2) as desigualdades estruturais ligadas aos financiamentos da educação pública e (3) a falta de compromisso dos poderes públicos em favor de uma educação básica. Sem negar a importância dessas três dimensões, nosso trabalho de pesquisa qualitativa está comprometido em explicitar a voz daqueles que não são mais ouvidos sobre o assunto: os professores e os diretores das escolas públicas e particulares. Realizamos 40 entrevistas não diretivas com estes atores da educação básica nos Estados de Goiás, Minas Gerais e Paraná. Estas entrevistas tinham por objetivo determinar o que provoca a qualidade ou a falta de qualidade do ensino, a partir do ponto de vista dos professores e dos diretores. Procuramos, em particular, analisar as escolhas atuais e potenciais dos professores da rede pública no que se refere à escolarização dos seus alunos. Este último ponto parece-nos extremamente importante porque acreditamos que é necessário um retorno das classes médias à escola pública para esperar uma melhoria do ensino público.

A educação especial em escolas regulares: tramas e dramas do cotidiano escolar

PID: S1981-416x2009000300015 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Caiado Martins Antonio
O objetivo desta pesquisa é contribuir com a reflexão sobre a formação de professores para atuarem com alunos deficientes nas séries iniciais do ensino fundamental e refletir sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas nas denominadas classes inclusivas. Os dados empíricos foram construídos com fontes orais. Realizamos 102 entrevistas com professores que atuam nas séries iniciais do ensino fundamental, em sala regular de instituições de ensino regular, públicas ou privadas. Para análise e discussão dos dados utilizamos fontes bibliográficas e documentais, tais como: revisão bibliográfica, legislação, documentos de organismos nacionais e internacionais que abordam a temática em estudo. Assim, trabalhamos com eixos temáticos definidos a partir dos objetivos da pesquisa e dos conteúdos que emergiram das fontes. O foco deste trabalho é a formação do professor para atuar nas denominadas “classes inclusivas”. Nessa direção, organizamos dados referentes ao ano letivo de 2006 sobre: 1. o número de alunos com deficiência matriculados em cada escola; 2. o tipo de deficiência; 3. o tipo de serviço de apoio educacional especializado existente na escola; 4. a formação do professor, inicial e continuada; 5. o tempo de magistério; 6. o tempo de magistério em salas “inclusivas”; 7. as práticas pedagógicas nas salas “inclusivas”; 8. as sugestões dos professores referentes à construção de uma escola inclusiva. Os resultados revelam: um significativo aumento de alunos com variados tipos de deficiências frequentando salas do ensino regular; um clamor dos professores por formação centrada no processo de ensino-aprendizagem; as condições desfavoráveis de trabalho docente e vivência escolar.

A educação na restauração lemista da igreja: a missão de Tristão de Athayde e Stella de Faro no Ministério da Educação e Saúde Pública: 1934-1945

PID: S1981-416x2009000200005 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Mesquida
Se o padre Julio Maria foi um verdadeiro interprete e oráculo da ortodoxia católica no final do século XIX e início do século XX, encetando campanhas de divulgação do pensamento católico e de chamamento à Santa Madre Igreja aos católicos de nome, mas não de prática e de ação, Dom Sebastião Leme, a partir de 1916, desencadeará uma ação nacional, inicialmente a partir do Nordeste (Recife), depois tendo como centro irradiador da dinamização da Igreja, o Rio de Janeiro, no sentido de apressar a restauração. Dom Leme irá centrar sua ação no chamamento dos intelectuais católicos. Para tanto, fundou no Rio de Janeiro, em 1921 e 1922, a revista A Ordem e o Centro Dom Vital, órgãos de difusão do pensamento católico e de preparação de intelectuais. De Jackson de Figueiredo a Alceu de Amoroso Lima, Gustavo Capanema e Stella de Faro, entre outros, a investida de Dom Leme por meio da intelectualidade católica para disseminar as ideias e princípios católicos e exercer influência política, foi significativa e expressiva. No período em que Gustavo Capanema foi Ministro da Educação e da Saúde, a Dom Leme procurou exercer influência no governo e sobre a sociedade por meio dos seus “braços” cultos no Ministério: Alceu de Amoroso Lima e Stella de Faro. Enquanto Tristão de Athayde procurava colocar católicos em postos chave do Ministério, Stella de Faro procurava participar de Comissões cujas decisões poderiam favorecer a presença da Igreja na sociedade, em particular pelo reconhecimento da mulher como mestra, cidadã (exercício político do voto) e pela sua presença em obras de serviço social.

A gestão da violência escolar

PID: S1981-416x2009000300010 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Leme
O trabalho analisa o desafio enfrentado atualmente pelos educadores brasileiros, a saber, o crescimento da violência escolar, constatado em várias pesquisas. Neste sentido, a evolução da violência escolar é focalizada em primeiro lugar, desde os primeiros registros de seu crescimento, que despertou a atenção dos pesquisadores, logo após a redemocratização brasileira, até dados mais recentes dos anos 2000. Em segundo lugar, o fenômeno é caracterizado em termos das suas formas de manifestação mais frequentes, que também têm variado ao longo da sua evolução, passando da depredação do patrimônio, inicialmente a transgressão mais frequente, para violências contra a pessoa. São também abordadas as variáveis já identificadas pelas pesquisas como associadas à manifestação da violência escolar, como, por exemplo, porte da cidade, tamanho do estabelecimento, desigualdade social, etc. Esta panorâmica permite observar, além do crescimento constante nos índices de violência escolar, a sua disseminação, e também, o agravamento do problema, em virtude das formas de manifestação terem se tornado cada vez mais explícitas e pessoais. Ante essa situação, é discutida a gestão da violência escolar, desde as políticas públicas já implementadas pelas administrações centrais até o que pode ser feito no âmbito da escola. Nesta perspectiva, discute-se as novas demandas que a violência na escola traz, não só para o diretor escolar, mas para todos os integrantes da comunidade.

A questão do corpo e sexualidade na formação docente

PID: S1981-416x2009000200010 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Strapasson
O presente trabalho tem o objetivo de esclarecer alguns aspectos da questão do corpo e da sexualidade na formação docente na perspectiva da psicologia e, para isso, o caminho percorrido é: do signo ao símbolo, do profano ao sagrado. Eros, o deus do amor, ou o próprio amor, é o representante maior da afetividade e da sexualidade. É Eros quem dá inteligência e coração à sexualidade. Eros tem duas faces, uma escura e uma luminosa. O seu lado escuro não deve ser simplesmente rejeitado ou negado, por ser desconhecido e ameaçador, mas sim acolhido e compreendido, e com isto, transformado. Para tal, precisasse de conhecimento. Não apenas do conhecimento informativo, mas de um conascimento, de um nascer com, de um emergir do conhecimento que nasce da experiência profunda do cotidiano e se mostra em palavras, gestos, tom de voz, no olhar, enfim, no corpo.

A representação social da homofobia na cidade de Lorena/SP

PID: S1981-416x2009000300013 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Koehler
Este trabalho é produto de uma pesquisa em andamento realizada pelo Observatório de Violências nas Escolas, do Núcleo UNISAL, Lorena/SP, que estuda conflitos, clima escolar, exclusão, preconceitos, direitos humanos, convívio, tolerância e respeito pelo “Ser” humano no ambiente escolar. O objetivo foi investigar a representação social em relação ao fenômeno da homofobia da comunidade de Lorena/SP, representados por adolescentes, adultos e idosos, com idade entre 16 e 84 anos, que transitavam pela praça principal da cidade de Lorena. Foram realizadas 671 entrevistas, 330 no ano de 2006 e 341 em 2007. Caracterizada como um survey longitudinal, pois uma determinada população foi estudada em ocasiões diferentes e representada por diferentes indivíduos o que permite a análise do processo de mudança no tempo. O instrumento de pesquisa utilizado foi uma entrevista do tipo semiestruturado com questões abertas e fechadas. Os dados das questões abertas estão submetidos à metodologia segundo os princípios da análise de conteúdo. Compreender o pensamento e a opinião das pessoas sobre a homofobia é fundamental para se pensar formas de esclarecer e instrumentalizar os educadores ao lidar com a temática em questão. A partir da categorização dos dados e da análise das respostas obtidas, almeja-se ações ao nível de prevenção primária e secundária que contribuam com as políticas públicas, assim como na redução do sentimento homofóbico, do preconceito e da discriminação relacionada à homossexualidade, consequentemente contribuir com a promoção dos direitos humanos.

Autoridade na escola e a insustentável leveza do ser

PID: S1981-416x2009000300006 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Gomes Lira Pereira
O aumento das violências das/nas escolas, bem como a crise de autoridade, tem motivado o desenvolvimento de pesquisas, inclusive as que as relacionam com a formação inicial e continuada de professores. Parte destas analisa a socialização profissional do magistério e encontra questões, como novas faces do “choque de realidade” dos docentes. Assim, efetuou-se uma investigação sobre as percepções dos licenciandos a respeito das violências, da autoridade e do seu próprio preparo para fazer face aos problemas emergentes. Os resultados, obtidos por meio de grupos focais realizados com estudantes de magistério, confirmam a sensação de despreparo para a imersão, ainda que gradual, na prática. Um dos temas silenciados na formação e na pesquisa é a autoridade do educador, como esta se define e se mantém. Parece ser um assunto tabu, de que se fala indiretamente, por meio do “controle de classe” e da indisciplina. Esta lacuna pode conduzir ao trato inadequado da realidade e à redução do ímpeto renovador dos novos mestres. Entre as propostas dos participantes, destacam-se a construção de um gradiente teoria-prática mais adequado, o caráter mais aplicado das disciplinas e o desenvolvimento da capacidade de encontrar soluções, sem receituários.

Concepção emancipatória: uma orientação na formação continuada a distância de professores

PID: S1981-416x2009000100010 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Cunha Vilarinho
A pesquisa investigou como a literatura pedagógica vem abordando a formação continuada a distância de professores a partir de periódicos nacionais classificados pelo processo Qualis/CAPES na categoria indicativa de qualidade A, incluindo também os trabalhos apresentados nas reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e os publicados pela Revista Brasileira de Tecnologia Educacional ao longo de cinco anos (2000-2004). Dos 37 artigos encontrados e analisados verificou-se que mais da metade se alinha à perspectiva emancipatória, o que sugere um movimento de superação da visão instrumental que marcou a formação docente nos anos de 1970 e 1980. Identificou-se, ainda, a presença de significativas contribuições que podem subsidiar a (re)formulação dessa formação.

Conflitos, sentimentos e violência escolar

PID: S1981-416x2009000300012 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Dani
Este artigo apresenta reflexões sobre a temática violência escolar seus conflitos e sentimentos. As informações para este texto foram coletadas durante o desenvolvimento da segunda etapa do projeto de pesquisa intitulado “Os conflitos e os sentimentos presentes na relação pedagógica e seus entrelaçamentos na construção da personalidade moral”. Nessa etapa, a pesquisa teve como objetivos identificar quais os sentimentos que afloraram nas situações de conflitos presentes na relação pedagógica e quais as significações que foram construídas pelas crianças envolvidas em tais situações, buscando compreender como esses elementos atuam na construção da personalidade moral autônoma (PUIG, 1998). Para tanto, o foco central dessa investigação direcionou-se para um estudo de caso de uma turma dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma escola da rede pública municipal da cidade de Santa Maria - RS, composta por 26 alunos com faixa etária entre 9 e 14 anos e a professora regente. Num período de três meses realizamos observações e atividades nas quais as crianças teriam de expressar seus sentimentos em relação às situações de conflitos. As observações realizadas foram caracterizadas como observações do tipo mais formal (WITTROCK, 1989) através de um sistema aberto (WITTROCK, 1989) e, registradas em um diário de campo. As atividades escolhidas foram: dinâmica de grupo e entrevista grupal, tendo como elemento motivador gravuras referentes ao ambiente escolar. Os resultados apontaram para a ideia de que a convivência baseada no conceito de agrupamento (CORTELLA; DE LA TAILLE, 2005) favorece a construção de significações que legitimam a violência nas relações interpessoais escolares.

Construindo a autonomia moral na escola: os conflitos interpessoais e a aprendizagem dos valores

PID: S1981-416x2009000300009 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Vinha Tognetta
A partir de pesquisas que investigaram se o ambiente escolar influencia o desenvolvimento moral dos alunos e a maneira com a qual eles se relacionam e resolvem seus conflitos interpessoais, propõe-se uma reflexão, fundamentada na teoria construtivista, sobre a forma como os conflitos têm sido resolvidos na escola em duas perspectivas (tradicional e construtivista) e uma análise das consequências destes na formação moral dos alunos. Inicialmente é apresentado um breve quadro teórico que fundamenta essas investigações, descrevendo o desenvolvimento moral segundo a teoria de Jean Piaget e outros pesquisadores que compartilham dessa concepção, e são estabelecidas algumas reflexões sobre o ambiente sócio-moral da escola e a construção da autorregulação. Constata-se que, apesar de os educadores afirmarem que pretendem favorecer a formação de pessoas autônomas que vivam relações mais justas, respeitosas e solidárias, nem sempre conseguem fazer com que as crianças e os jovens pautem suas ações em princípios morais e autorregulem seus comportamentos. Em seguida, são apresentados os principais processos utilizados para intervir nas situações de conflitos interpessoais tanto pelos educadores que possuem uma perspectiva tradicional quanto na construtivista, compreendendo que estes transmitem mensagens que dizem respeito à moralidade. Os resultados encontrados indicam que, apesar dos professores terem objetivos comuns, o processo empregado nas escolas mais tradicionais favorece a manutenção de altos níveis de heteronomia em seus alunos. Constatou-se ainda que, por causa da concepção de que os conflitos são naturais nas relações e podem ser oportunidades para trabalhar os valores e regras e ao emprego de intervenções mais coerentes com o processo de construção da moralidade, tais intervenções contribuíram mais efetivamente para a melhoria das relações interpessoais e para o desenvolvimento da autorregulação.

Cultura material escolar e ensino religioso: um caminho para a formação do professor de ensino religioso

PID: S1981-416x2009000100013 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Rodrigues Gilz Junqueira
O presente artigo discute a cultura material escolar a partir de um conjunto de elementos que - direta ou indiretamente - subsidiam o processo de ensino-aprendizagem nas suas mais variadas expressões e espaços físico-sociais, como um caminho para a formação do professor de Ensino Religioso. Constata que, além de arquivos, de documentos textuais e iconográficos, de saberes produzidos pelos recursos pedagógicos e de políticas governamentais voltadas à adoção de livros didáticos para as escolas, essas mesmas fontes são também pontos de convergência de usos e sentidos educacionais. Fomenta, por isso, a necessidade de o professor de Ensino Religioso avaliar com mais propriedade as concepções pedagógicas, as práticas e os saberes vinculados aos materiais escolares utilizados nas atividades de ensino-aprendizagem. Identifica na pesquisa sobre cultura material escolar um dos meios de elucidar a complexidade inerente aos desafios da formação docente da área de Ensino Religioso, principalmente no que diz respeito à problemática da diversidade.

Curso normal: a formação de professores em nível médio, no Paraná (1996-2006)

PID: S1981-416x2009000200006 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Gomide Miguel
Este trabalho analisa as políticas educacionais para Formação de Professores para a Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, inserido na organização do sistema educacional brasileiro em nível médio, modalidade normal. Parte da compreensão do processo de reestruturação produtiva, das mudanças no mundo do trabalho e da reconfiguração do papel do estado interligados à educação, para apreender, neste contexto, as políticas para formação de professores em nível médio desenvolvidas no Estado do Paraná, entre 1996 e 2006. Analisa as orientações advindas da LBD 9394/ 96 e de documentos da Unesco, como a Declaração de Jomtien (1990) e Dakar (2000), consoantes com este projeto. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, na qual, por meio de análise de conteúdo de documentos, estabelece um diálogo crítico com base nas obras de Tanuri (2000), Miguel (2007), Saviani (2005) e Harvey (1993). Os resultados indicam que, no decorrer da história, entre políticas para permanência ou extinção do referido curso, essa modalidade de ensino resiste às pressões e, no Paraná, embora construído com base epistemológica materialista histórica, explicita orientações internacionais da Unesco e cumpre um papel dualista na formação de professores e na consolidação da educação brasileira.

Descrever o bullying na escola: estudo de um agrupamento de escolas no interior de Portugal

PID: S1981-416x2009000300004 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Pereira Silva Nunes
O bullying define-se como o comportamento agressivo entre pares, intencional e continuado. O bullying na escola registra-se em diferentes tipos tais como o físico, verbal e indirecto e em diferentes espaços. O objectivo desta investigação foi diagnosticar o bullying na escola e caracterizar as crianças vítimas quanto à prevalência, formas e locais de ocorrência do bullying. Também pretendemos, com base nos resultados e no conhecimento sobre programas de intervenção implementados, descrever um plano a ser levado a cabo pelo agrupamento em estudo. Foi aplicado um questionário adaptado de Olweus num agrupamento de escolas do Nordeste Transmontano, no interior de Portugal. As conclusões apontaram para a disseminação do bullying, cerca de uma em cada quatro crianças foi vítima de agressão pelos pares três ou mais vezes, na escola; verifica-se que existe grande diversidade de tipos de bullying, sendo os mais difundidos o recurso ao insulto seguido da agressão física. Quanto aos locais, o recreio foi o espaço mais mencionado apesar de ser um espaço muito valorizado pelas crianças. Os valores percentuais registados recomendam a intervenção que descrevemos de forma sumária.

Discriminação, justiça e educação: reflexões perplexas sobre o caso português

PID: S1981-416x2009000300003 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Cardoso
A luta contra as desigualdades constitui certamente o centro das atenções em todos os sistemas de educação. Apesar deste objectivo generoso, a realidade do sistema português demonstra que a busca da equidade está longe de ter chegado ao fim. O regime democrático melhorou certamente as condições gerais, no que diz respeito ao acesso formal à educação. Contudo, e na prática, a segregação de classe, sexo e etnia permanece como desigualdade de facto. Este artigo discute a realidade desta situação, como tentativa para descrever os casos de desigualdade na educação mais salientes em Portugal. Como tal, a discriminação de género e de religião são sublinhados com uma atenção especial no contexto português. A contribuição realça também os limites dos conceitos legais para a luta contra a discriminação, é a necessidade de repensar instrumentos utilizados na maioria dos sistemas legais. É o caso das leis contra a discriminação, mas também das medidas de acção positiva e do mainstreaming como instrumento processual contra a discriminação no sector da educação, bem como noutros sectores essenciais para a promoção dos direitos democráticos.

Formação de professores de artes: reflexões sobre a inserção dos acadêmicos nos espaços profissionais

PID: S1981-416x2009000200007 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Dozza
Este trabalho objetiva refletir sobre a inserção dos acadêmicos de artes pelo Estágio Curricular no universo da cultura mais ampla e da docência na escola, analisando o Eixo Docência em arte no currículo integrado de duas Licenciaturas - Música e Artes Visuais, implantadas em 2003 na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Apresenta-se uma reflexão teórica quanto às reformas curriculares e proposições legais para a formação dos professores de artes tendo por base fundamentos teóricos e históricos do materialismo dialético, em particular na compreensão do estágio como práxis teórica. Autores como Vázquez, Vieira Pinto e Pimenta informaram essa análise. Os dados empíricos foram coletados através de entrevistas, questionários, conversas informais com alunos, professores, coordenadores, além do estudo do Regulamento de Estágio e de transcrições de excertos dos relatórios dos alunos do terceiro ano das Licenciaturas em questão, realizados no final de 2005. Os estudos revelaram as dificuldades do trabalho com arte na escola por causa da falta de formação e compreensão dos sujeitos quanto à especificidade do conhecimento artístico. Por outro lado, o esforço teórico prático de todos os envolvidos, decorrente de planejamento, acompanhamento e avaliação sistemáticos, promoveu mudanças de concepções e ações tanto na escola quanto nas Licenciaturas.
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