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Violência, cidadania e disciplinamento: controvérsias na escola

PID: S1981-416x2009000300011 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Cunha Pacheco
Resumo Compreender o fenômeno da violência na escola, bem como pensar soluções possíveis para o problema constitui-se o principal mote deste artigo. Partindo de uma análise histórico-cultural da educação e da constituição humana, buscou-se refletir sobre a diversidade humana e a possibilidade de construção da cidadania. Discutindo os sentidos e significados da educação para os gregos, a ideia de cidadania se sobressai a partir de um agir humano em consonância com a coletividade. Este ensaio configura-se no resultado de uma pesquisa de cunho bibliográfico, que além de discorrer sobre o sentido de “ser humano”, analisou de que forma esse humano se constrói no âmbito escolar diante de práticas educativas disciplinadoras. Questiona-se a crise da escola e as dificuldades enfrentadas pela docência ao lidar com uma realidade cada vez mais conflituosa. A análise da obra de Bueb (2006) é um exemplo da constante procura por soluções ao depauperamento de valores morais e éticos. A incapacidade de os professores resolverem conflitos se contrapõe a uma coragem de educar necessária na atualidade. Na revisão de literatura feita, autores como Hentig (2007), Bueb (2006), Brumlik (2007), Bergmann (2006), entre outros trouxeram grandes contribuições para esta discussão. Entender os conceitos de violência, cidadania e disciplinamento é questionar nossa própria realidade, não só escolar, mas principalmente ela. Nossa tarefa enquanto educadores, seja “oleiro” ou “jardineiro”, está justamente na desconstrução de uma realidade imposta, no questionamento de práticas e teorias educativas e na busca por uma convivência pacífica, que não negue conflitos, mas que saiba trabalhá-los.

Violências na escola

PID: S1981-416x2009000300014 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Macedo Bomfim
A violência tem se tornado um dos principais motivos de queixas de professores, pois, de evento esporádico, se tornou frequente na rotina da escola. Sua recorrência preocupa e o seu enfrentamento é considerado um desafio que se impõe aos pais, educadores e autoridades. Apesar disso, é um fenômeno pouco compreendido e sobre o qual pairam muitas dúvidas. Daí o interesse de realizar um estudo objetivando investigar a existência de violências no ambiente escolar; formas de manifestação e percepções de alunos e professores sobre esse fenômeno. O estudo foi realizado de agosto de 2006 a abril de 2007, em oito escolas públicas de três municípios do Maranhão: São Luis, Timon e Açailândia e envolveu 566 sujeitos, sendo 446 alunos do ensino fundamental e médio e 120 professores. Aplicaram-se questionários do tipo misto nos 566 sujeitos, sendo um instrumental específico para os professores e outro para os alunos e realizadas entrevistas em grupos focais com uma amostra representativa, composta de 52 alunos e 15 professores. Os dados foram analisados a partir das ideias de autores como: Abramovay e Rua (2002); Abramovay e Castro (2006); Gatti (2005); Nogueira (2004); Di Giorgi (2004); Morin, Ciurana e Motta (2003), que tratam sobre a temática. A leitura e interpretação dos dados mostraram que existem violências nas escolas investigadas e nos seus entornos; que a violência se expressa de diferentes modos, mais explicitamente por meio de agressões verbais e de incivilidades; ou sub-repticiamente, através de ameaças e de atitudes preconceituosas e que as relações interpessoais são fragilizadas.

Violências nas escolas e representações sociais: um diálogo necessário no cotidiano escolar

PID: S1981-416x2009000300005 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2009
Autores: Eyng Gisi Ens
As representações sociais comportam dimensões históricas, sociais e culturais, que se manifestam na tomada de decisão e nas ações no cotidiano escolar. Portanto, entender as representações dos múltiplos protagonistas do/no contexto escolar como dimensões da complexidade do fenômeno no cotidiano escolar, significa entender a escola, ela em si mesma, como complexa. Nesta perspectiva, foram analisadas as representações sobre as violências que se manifestam no cotidiano escolar, com o propósito de favorecer uma melhor compreensão sobre este fenômeno e subsidiar formas de redução e prevenção. A pesquisa foi realizada em duas etapas, a primeira etapa em 2006 e 2007, com 728 alunos(as) de ensino fundamental e médio e 57 professores(as) em sete escolas públicas do Estado do Paraná, mediante o método das evocações. A segunda em 2008, numa escola pública estadual de grande porte com pais, alunos, professores e profissionais pedagógicos e administrativos - agrupados como funcionários. Os dados foram obtidos mediante realização de entrevistas estruturadas. Os dados evidenciam que o fenômeno das violências nas escolas é percebido de modo diferente pelos diferentes protagonistas, o que pode estar associado ao fato deste fenômeno, não ter se constituído, em âmbito geral, nas escolas, em uma questão para análises coletivas e proposição de ações conjuntas. E pelo fato das representações sociais estarem fortemente ancoradas em concepções que são próprias de cada grupo social e do seu contexto. Assim cabe chamar a atenção para a necessidade de um maior aprofundamento da discussão coletiva, da definição de posicionamentos e estratégias de ação compartilhadas. E, em especial, a inserção dessa temática em cursos de formação inicial e continuada de professores para a educação básica.

"... e Deus criou a mulher": reconstruindo o corpo feminino na experiência do câncer de mama

PID: S0104-026x2009000100004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Aureliano
As mulheres atingidas pelo câncer de mama passam, a partir da experiência da enfermidade, a travar novas relações com o corpo modificado pela cirurgia de mama (mastectomia), que provoca profundas alterações corporais. Considerando as representações simbólicas e sociais que envolvem o corpo da mulher e a associação das mamas à feminilidade, à sexualidade e à maternidade, pretendo discutir neste artigo como a ideia do corpo feminino e dos papéis sociais associados a ele foi histórica, social e culturalmente construída em nossa sociedade, como essa representação é percebida e reelaborada pela mulher mastectomizada e quais os discursos e visões (muitas vezes ambíguos) que passam a ser utilizados para a compreensão desse corpo após a experiência da doença. A pesquisa foi realizada com mulheres de dois grupos de ajuda mútua na cidade de Campina Grande, PB.

"Contando estórias feministas" e a reconstrução do feminismo recente

PID: S0104-026x2009000100014 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Schneider
Este ensaio propõe uma discussão do artigo de Claire Hemmings "Telling Feminist Stories", publicado pela Feminist Theory, buscando verificar de que forma a estória construída-desconstruída que a autora do artigo apresenta sobre o feminismo recente encontra ou não ecos na circulação de textos feministas considerados fundamentais para a própria estruturação teórica da área. Também discutimos como a utilização de alguns textos representativos influencia a consolidação de teorias do feminismo na contemporaneidade, principalmente aquelas afinadas com perspectiva pós-estruturalista. Discutimos as teses defendidas pela autora, buscando exemplificar nossa concordância ou discordância em relação aos argumentos fundamentais apresentados ao longo do texto através de exemplos crítico-literários.

A bicicleta, o ciclismo e as mulheres na transição dos séculos XIX e XX

PID: S0104-026x2009000100007 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Melo Schetino
Este artigo tem por objetivo discutir as relações entre a nova configuração da presença social das mulheres (e nesse cenário as posições de líderes dos movimentos por direitos civis femininos), a nova dinâmica social marcada pela valorização das atividades públicas de lazer (da qual o ciclismo é um exemplo privilegiado) e um novo invento (a bicicleta) na transição dos séculos XIX e XX. Inicialmente abordaremos os casos específicos da Europa (com destaque para a França) e dos Estados Unidos, buscando recuperar as pioneiras discussões e ocorrências acerca do envolvimento de mulheres com o ciclismo. Posteriormente, discutiremos o caso específico do Rio de Janeiro, a maior cidade e a capital do país à época, cujos dirigentes tinham aspirações de constituí-la na metrópole moderna brasileira.

A psicanálise e o dispositivo diferença sexual

PID: S0104-026x2009000300002 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Arán
Diante da nova cartografia das relações entre gêneros e das sexualidades na cultura contemporânea, pretendemos discutir em que medida a psicanálise se apresenta como mais um dispositivo da sexualidade tal como concebido por Foucault, o qual procura reinstaurar o modelo tradicional da diferença sexual, através da reiteração da norma heterossexual da dominação masculina. Além disso, indagamos ainda em que medida a psicanálise pode permanecer como uma teoria crítica e uma prática clínica que permita uma relação produtiva com as novas configurações de gênero no contemporâneo, abrindo brechas para a concepção de novas formas de subjetivação. Com esse objetivo analisaremos o debate psicanalítico sobre 1) os deslocamentos do feminino e a positivação da feminilidade; 2) o casamento homossexual e a homoparentalidade e 3) a clínica da transexualidade.

Aparição do Viagra na cena pública brasileira: discursos sobre corpo, gênero e sexualidade na mídia

PID: S0104-026x2009000100005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Brigeiro Maksud
Este trabalho propõe uma reflexão antropológica sobre os discursos e imagens do corpo e da sexualidade na sociedade brasileira com base em um fenômeno social particular: o surgimento do Viagra na esfera pública nacional. Explora as conotações construídas e/ou ratificadas pela mídia impressa em torno deste medicamento, a partir da análise de conteúdo de reportagens publicadas em dois jornais de grande circulação, pertencentes à mesma organização empresarial e dirigidos a públicos distintos. O material analisado data de abril de 1998 a abril de 1999, período correspondente ao início - e ápice - do debate sobre o medicamento no país. O artigo trata dos simbolismos e das estratégias discursivas utilizadas pelos jornais na apresentação do remédio para o público geral e chama a atenção para um apelo a lógicas tradicionais de gênero, a despeito de um cenário contemporâneo de questionamentos acerca das relações entre os sexos e da sexualidade.

Bruxas e índias filhas de Saturno: arte, bruxaria e canibalismo

PID: S0104-026x2009000200012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Chicangana-Bayona González Sawczuk
O artigo indaga pela representação da mulher nas pinturas e gravuras sobre a bruxaria dos séculos XVI e XVII, procurando estabelecer uma tipologia iconográfica e percorrendo a construção de estigmas negativos imputados no corpo feminino e na sua degradação natural. O texto, apoiado em fontes visuais como pinturas e gravuras, principalmente da Renascença alemã, demonstra como as índias do Novo Mundo foram associadas com as bruxas da Europa e com o deus clássico Saturno, através do mito do canibalismo.

Conciencia ciudadana: cambio de mentalidades de las mujeres santiagueras y sus utopias

PID: S0104-026x2009000200006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Sóñora Soto
Este trabajo intenta visualizar en esta parte de América Latina el sufragismo y el feminismo, cuáles fueron sus aportes y sus puntos de mira. Es una interpretación otra, de las condiciones políticas que facilitaron una inserción parcial de las mujeres santiagueras a la consecución del voto. Se analiza como contribuyó la división de los partidos y su disputa por el control y el acceso al poder mediante estrategias y alianzas dudosas, cambiantes y temporales, además de considerarse por parte de la masculinidad hegemónica que la mujer no tenía una posibilidad real de comprender el momento político, el cual llevaba a la politiquería y a la corrupción. Ésto hizo también que las mujeres se mantuvieran de manera tangencial ante estos manejos. El voto de la mujer fue un simple juego de ajedrez de los partidos políticos, que consideraban ventajoso promover el sufragio femenino para obtener victoria ante estas luchas de poderes. No obstante, la mujer lo utilizó para sus fines, lograr derechos civiles y políticos y una participación más concreta en la sociedad con conciencia ciudadana, como sujetas de la historia, actoras y constructoras sociales al presionar para lograr sus demandas. Esta investigación también contribuye a un análisis sobre la situación de la mujer y su mentalidad, sus mecanismos sociales y las posibilidades de la transformación. Ha tocado la discriminación social y política. En este periodo, que abarca de 1902 a 1934, aunque la mujer haya logrado obtener derechos formales iguales, y a pesar de la no transformación radical de la condición de las mujeres, sí facilitó que un gran número de ellas tuviera acceso a la política y a la educación y sobre todo se percataron de la necesidad de autonomía en sus organizaciones.

Construindo uma política feminista translocal da tradução

PID: S0104-026x2009000300007 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Alvarez
Nosso projeto coletivo Translocalities/Translocalidades: Feminist Politics of Translation in the Latin/a Américas (Políticas Feministas de Tradução na América Latina) explora como discursos e práticas feministas viajam por uma variedade de lugares e direções e acabam se tornando paradigmas interpretativos para a leitura/escrita de questões de classe, gênero, sexualidade, migração, saúde, cidadania, política e circulação de identidades e textos. Sustentamos que a tradução é política e teoricamente indispensável para forjar epistemologias e alianças políticas feministas, antirracistas e pós-coloniais/pós-ocidentais, pois as Américas Latinas - enquanto formação cultural transfronteiriça e não territorialmente delimitada - devem ser entendidas como translocais em dois sentidos. O primeiro sentido que usamos - o de translocalidade - parte de movimentos além das concepções da "política da localização" empregadas pelo feminismo terceiro-mundista estadunidense. Mais do que "migrar" e "se assimilar", muitas pessoas nas Américas Latinas cada vez mais se movem de um lado para outro entre localidades, entre lugares historicamente situados e culturalmente específicos, ainda que porosos, atravessando múltiplas fronteiras, e não apenas entre nações (como deixa a entender o termo "migração transnacional", por exemplo). Empregamos a expressão translocal, então, em um segundo sentido, que chamamos de translocalidades, precisamente para capturar esses cruzamentos e movimentos multidirecionais.

Contando estórias feministas

PID: S0104-026x2009000100012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Hemmings
Este artigo identifica e analisa as estórias dominantes que acadêmico/as contam a respeito do desenvolvimento da segunda onda da teoria feminista ocidental. Através do exame da produção recente de publicações interdisciplinares feministas e de teoria cultural, sugiro que, a despeito de uma retórica insistente sobre múltiplos feminismos, as trajetórias feministas ocidentais emergem de forma surpreendentemente singular. Critico, particularmente, uma narrativa insistente que vê o desenvolvimento do pensamento feminista como uma marcha incansável de progresso ou perda. Essa abordagem dominante simplifica a complexa história dos feminismos ocidentais, fixa autoras e perspectivas dentro de uma década específica e, repetida e erroneamente, posiciona feministas pós-estruturalistas como as 'primeiras' a desafiar a categoria "mulher" como sujeito e objeto do conhecimento feminista. Ao invés de propor uma história corretiva da teoria feminista ocidental, o artigo questiona as técnicas através das quais essa narrativa dominante é garantida, apesar de que tenhamos (nós, teóricas feministas) consciência disso. Meu foco, então, recai sobre padrões de citações, recortes discursivos e alguns de seus efeitos textuais, teóricos e políticos. Como alternativa, sugiro um realinhamento das principais teóricas (aquelas que efetuaram uma interrupção crítica na teoria feminista) com seus traços feministas no uso de citações, forçando assim o concomitante re-imaginar de nosso legado histórico e de nosso lugar dentro dele.

Cravo, canela, bala e favela

PID: S0104-026x2009000300010 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Schmidt
A partir da discussão sobre o lugar do corpo feminino subalterno, palco de conflitos onde se desdobram as tensões resultantes das relações desiguais de gênero, raça e classe no Brasil, este artigo se propõe a realizar uma leitura de textos ficcionais recentes - nomeadamente os romances As mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto, e Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, e o filme O céu de Suely, de Karim Aïnouz -, inserindo-os no debate de um projeto de tradução da agenda pós-colonial para o português. Decorrentes dessa abordagem, temas como a viagem, o deslocamento e o exílio farão parte da experiência subjetiva ficcionalizada que se irá enfocar, e serão, portanto, também objeto de interpretação.

Diferenças de gênero e medicalização da sexualidade na criação do diagnóstico das disfunções sexuais

PID: S0104-026x2009000100006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Rohden
O objetivo do artigo é analisar criticamente as contribuições internacionais mais importantes e atuais que têm tomado a etapa recente da medicalização da sexualidade como tema de pesquisa. A maioria dos trabalhos centra-se na produção da categoria e do diagnóstico de "disfunção sexual", seja considerando o caso masculino, mais amplamente estudado pela via da "disfunção erétil", seja o caso feminino, muitas vezes traduzido pela ideia de uma suposta complexidade da sexualidade das mulheres. A perspectiva que utilizo tem como referência os estudos sociais da ciência e, especialmente, as contribuições da antropologia e da história da medicina. Além disso, incorpora a matriz dos estudos de gênero e ciência que tem produzido uma poderosa visão crítica da produção científica dos dois últimos séculos, revelando como os condicionantes de gênero têm atravessado a relação entre produção do conhecimento e contexto social.

Discurso e "verdade": a produção das relações entre mulheres, homens e matemática

PID: S0104-026x2009000200016 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Souza Fonseca
Este trabalho apresenta um ensaio de análise desenvolvido numa pesquisa que investigou relações de gênero nas práticas de numeramento das/os alunas/os da Educação de Pessoas Jovens e Adultas (EJA). Na tentativa de compreender como essas relações, pautadas nas diferenças de gênero, constituem-se nas práticas de numeramento e constituem tais práticas, adotamos o conceito de gênero como uma categoria de análise, transitando pelas teorizações foucaultianas relativas ao discurso. Assumindo contribuições do campo da etnomatemática, problematizamos a racionalidade de matriz cartesiana como produtora de verdades sobre mulheres, homens e matemática. Neste artigo, descrevemos o enunciado "Homem é melhor em matemática do que mulher", identificado como produtor do discurso da superioridade masculina em matemática.

Embates representacionais em busca de uma personagem: Maria Lacerda de Moura no tráfico de luzes e sons

PID: S0104-026x2009000200013 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Silva
A partir do documentário Maria Lacerda de Moura: trajetória de uma rebelde, o presente artigo analisa algumas questões ligadas ao delicado exercício de se recriar, por meio audiovisual, a biografia de personalidades históricas, em que o encontro de diferentes olhares, linguagens fílmicas e interpretações, bem como o embate entre imagem e texto, linguagem evocativa e historiografia, revelam de modo significativo o estatuto representacional aberto, imaginativo e sujeito a diferentes apropriações das realidades sociais e individuais, objetos das ciências sociais.

Enfrentamento da violência doméstica por um grupo de mulheres após a denúncia

PID: S0104-026x2009000200008 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Parente Nascimento Vieira
Este estudo analisa as formas de enfrentamento encontradas por mulheres vítimas da violência doméstica, no decorrer e após a denúncia, em Fortaleza, Ceará, Brasil. Com abordagem qualitativa e caracterizando-se como pesquisa participante, nove mulheres, que se denominaram vítimas de violência doméstica e romperam com o silêncio fazendo a denúncia, participaram do estudo, de agosto a outubro de 2007, no Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher (CERAM). Grupo focal, anotações no diário de campo e observações foram as técnicas de coleta de dados, e estes foram submetidos à análise categorial e discutidos com suporte no Modelo de Crenças em Saúde. O medo, a falta de apoio, a dependência financeira, a vergonha, a maternidade e a cultura emergiram do estudo como percepção da suscetibilidade e das barreiras identificadas; o risco de morte foi percebido como severidade; o apoio da família e de amigos, a lei, os setores de proteção e Deus foram os benefícios relatados, configurando-se como formas de enfrentamento. Para elas, a violência ultrapassou os limites da natureza física, pois envolveu sofrimento psicológico, emocional, econômico e social. Desse modo, essas mulheres romperam o silêncio presente nas relações violentas e procuraram estratégias para minimizar o sofrimento.

Entre o acadêmico e o popular: os rumos do feminismo atual

PID: S0104-026x2009000100013 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Navarro
O objetivo deste artigo é fazer uma breve comparação entre trabalhos recentes de duas feministas inglesas. O primeiro é o ensaio "Contando estórias feministas", de Clare Hemmings, e o segundo é o livro da jornalista Natasha Walter The New Feminism (O novo feminismo). O meu ponto de vista é que, embora a perspectiva de Hemmings seja acadêmica e teórica, e a de Walter, mais popular e prática, elas de certa forma coincidem sobre os rumos que o feminismo está tomando nos dias atuais.

Es el Chile de la post-dictadura feminista?

PID: S0104-026x2009000300004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Feliu
Este ensayo presenta las nuevas tendencias de los feminismos en Chile y analiza cómo pasaron a ser parte del texto social. El trabajo discute el hecho de que los discursos feministas, luego de la dictadura (1973-1990), continúan sin cuestionar la categoría "mujeres", que generaliza y suprime las diferencias de clase y raza entre ellas mismas. Tal presupuesto es analizado frente al acuerdo de los gobiernos democráticos chilenos con los intereses de la oligarquía y de la iglesia católica en la manutención del status quo.Parte de este compromiso viene restringiendo los discursos feministas a la estructura familiar nuclear, de forma que temas como clase, raza y sexualidad no alcanzan a ser enteramente problematizadas. En la medida en que las feministas chilenas no están cuestionando su lugar de enunciación, problemas como derecho reproductivo o el acceso de las mujeres al espacio público continúan siendo vistos desde una perspectiva privilegiada, que anula las discriminaciones existentes entre las mujeres.

Estudos de gênero e história social

PID: S0104-026x2009000100009 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2009
Autores: Pinsky
Busco mostrar em que os Estudos de Gênero podem colaborar com a História Social, argumentando a partir de três eixos: 1) avaliação da importância do olhar preocupado com gênero para uma compreensão mais acurada do social sob uma perspectiva histórica; 2) análise das abordagens teórico-metodológicas atentas à construção social das diferenças sexuais que dialogam com a disciplina histórica - a desenvolvida dentro dos marcos da História Social e a ligada ao pós-estruturalismo de Joan Scott " a partir de duas preocupações: a) destacar as possibilidades de ação humana e b) enfrentar questões gerais da disciplina; e 3) exposição de como o debate em torno dessas abordagens colabora para as atividades de pesquisa e a reflexão teórica. Meu objetivo último é tentar ajudar a aumentar o número de trabalhos de pesquisa em História que lançam mão do conceito de gênero no Brasil.
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