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Programa de mentoria online: espaço para o desenvolvimento profissional de professoras iniciantes e experientes

PID: S1517-97022008000100006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Reali Tancredi Mizukami
Apresentam-se, nesse texto, os referenciais teórico-metodológicos e resultados iniciais de uma pesquisa-intervenção sobre processos formativos de mentoras e de professoras iniciantes. A formação das iniciantes pelas mentoras ocorre no Programa de Mentoria do Portal dos Professores da UFSCar (www.portaldosprofessores.ufscar.br) e a formação das mentoras (professoras experientes) em reuniões presenciais com as pesquisadoras, autoras desse trabalho. A pesquisa e a intervenção têm como base uma metodologia construtivo-colaborativa e as principais ferramentas de coleta de dados são as narrativas - escritas e orais - e conversas interativas. Relativamente ao referencial teórico, compreende-se: a aprendizagem da docência como processo contínuo no qual influem crenças, concepções, além de conhecimentos de diferentes naturezas; a iniciação à docência como período conflituoso e ao mesmo tempo rico, de aprendizagens intensas, durante o qual o professor iniciante se torna efetivamente professor; que formadores de professores - assim como professores em geral - precisam de apoio para o seu desenvolvimento profissional; que a formação continuada deve ser centrada na escola, mesmo quando virtualmente, e focalizar o atendimento das demandas indicadas por professores considerando o contexto de atuação; que a educação online via internet é uma possibilidade importante para a formação de professores. Entre os resultados obtidos, destacam-se: a construção de novos conhecimentos profissionais pelas professoras iniciantes, mentoras e pesquisadoras; a vivência, pelas mentoras - professoras experientes e bem sucedidas -, de processos de iniciação semelhantes aos das professoras iniciantes que orientam; as potencialidades de comunidades de aprendizagem e das narrativas para a promoção do desenvolvimento profissional da docência.

Reformas educativas, viagem e comparação no Brasil oitocentista: o caso de Uchoa Cavalcanti (1879)

PID: S1517-97022008000300002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Schueler Gondra
Neste artigo, analisamos a viagem de Uchoa Cavalcanti (Inspetor de Instrução Pública da Província de Pernambuco) à Corte e às Províncias do Rio de Janeiro e São Paulo em 1879, por meio do relatório oficial dessa viagem, apresentado ao presidente da Província, e publicado no mesmo ano em Recife. Ao ler esse documento, procuramos observar as condições gerais da viagem e da narrativa construída pelo inspetor como estratégia para discutir as representações que produz, com especial destaque às relativas à Corte e à Província do Rio de Janeiro. Nesse sentido, analisamos as fontes manejadas pelo autor, articulando-as com o que é produzido pelo seu testemunho e experiência pessoal. O relatório, intitulado Instrução Pública - estudo sobre o sistema de ensino primário e organização pedagógica das escolas da Corte, Rio de Janeiro e Pernambuco possui 293 páginas, distribuídas em uma introdução, quatro partes e uma conclusão. No conjunto, o inspetor procura levar a bom termo seu objetivo de contrastar a ciência que possui com aquilo que observa in loco. Nesse exercício, o inspetor constrói uma narrativa que ajuda a problematizar teses recorrentes na historiografia (geral e da educação) que estabelecem a Corte e a província do Rio de Janeiro como modelos para a nação. Com base nesse relatório, a comparação intranacional se põe como exigência para fertilizar reflexões relativas à variedade das formas escolares em funcionamento no século XIX, ajudando a matizar a tese de um poder vertical que teria organizado uma única forma para o Brasil e para suas escolas.

Representações de estudantes universitários sobre alunos cotistas: confronto de valores

PID: S1517-97022008000200004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Menin Shimizu Silva Cioldi Buschini
A inclusão da política de cotas, nas universidades brasileiras, é recente. Apesar da adesão de várias instituições de ensino, esse tipo de política tem gerado posições contraditórias. Este estudo teve como objetivo investigar quais valores estão mais presentes na avaliação que universitários fazem a respeito de supostos usuários das cotas. Na pesquisa, foram aplicados diferentes tipos de questionários em 403 estudantes de uma universidade pública paulista, os quais objetivaram verificar se suas representações sobre esse tema variavam conforme as possibilidades de ingresso na universidade, a saber: vestibular simples, cursinhos para alunos carentes e cotas e, conforme os públicos-alvo enfocados, negros ou alunos de escolas públicas. Como método de análise, foi utilizado o programa ALCESTE e, como recurso complementar, a análise de conteúdo. Os resultados demonstraram que há uma rejeição às políticas relacionadas às cotas, uma vez que estas foram percebidas como mais ameaçadoras do que aquelas referentes ao vestibular e ao cursinho gratuito. Na grande parte das respostas dadas pelos alunos, fica evidente o conflito de valores: mérito versus igualdade compensatória. O vestibular, baseado apenas no mérito, é representado como o sistema mais justo para ingresso de alunos de escola pública e, principalmente de negros, na universidade. Valores como justiça, igualdade, esforço próprio, sobre os quais a maioria dos universitários respalda suas respostas contrárias às cotas, estão sendo questionados pelas políticas de ação afirmativa, o que indica que enfrentá-los é o grande desafio posto a essas políticas.

Sala de aula e teceduras subjetivas

PID: S1517-97022008000300009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Blum
O propósito deste artigo é pensar a tarefa docente tendo como foco as vicissitudes a que a relação docente-discente está submetida e as quais desviam alunos e professores dos ideais de ordem e de harmonia. Com o objetivo de analisar os fluxos intersubjetivos em sala de aula, abordam-se aspectos da psicodinâmica grupal com o uso das noções psicanalíticas de grupo de suposto básico e de identificação projetiva. Com esse procedimento, pretende-se ao mesmo tempo sondar até que ponto noções eficazes na clínica psicanalítica podem ser úteis para analisar e elaborar situações pertencentes ao campo da Educação, em particular, à sala de aula concebida aqui como espaço de produção de intercorrências psíquicas. Procura-se pensar o espaço intersubjetivo segundo uma lógica que considere a criação de uma terceiridade no ensinar e aprender. Introduz-se a noção de "terceira voz" (Ogden) para indicar a criação e recriação do outro intersubjetivo, que faz da atividade docente uma experiência geradora de turbulência emocional com efeitos diversos nas constituições subjetivas. O enrijecimento identitário, com o concomitante desdém e intolerância à diferença, pode ser uma forma de reagir àquilo que escapa ao controle e à previsibilidade e que enfraquece desse modo os movimentos transformacionais implicados no processo de aprendizagem.

Socialismo libertário, educação e autodidatismo: entrevista-depoimento de Jaime Cubero

PID: S1517-97022008000200012 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Valverde
A entrevista-depoimento de Jaime Cubero (1927-1998), figura ímpar dos meios anarquistas paulistanos, é precedida de considerações sobre socialismo libertário, educação e autodidatismo, demarcadas pela contraposição de aspectos da luta social no Brasil desde meados do século XIX e em parte do século XX. As considerações iniciais cumprem o papel de apresentação dos entornos da entrevista-depoimento, cedida no Centro de Cultura Social, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo, entre os dias 5 e 9 de maio de 1989.

Teoria, pesquisa e prática em educação: a formação do professor-pesquisador

PID: S1517-97022008000100007 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Nunes
O presente artigo tem como objetivos pontuar fatores que contribuem para a dissociação entre teoria e prática educacional, além de enumerar as estratégias para a sua reunificação. O texto trata do efeito devastador dessa ruptura conceitual, que se constitui em eterno dilema entre pesquisadores, professores e gestores da área educacional. Nesse cenário, por conta da ausência de um canal de comunicação entre a Ciência e as práticas pedagógicas correntes, os resultados de pesquisa registram o seguinte: a) a ocorrência de sentimentos de ameaça à credibilidade da Educação como profissão; b) a possibilidade de os cientistas inadvertidamente delinearem modelos conceituais distanciados da realidade das salas de aula; e c) o risco de os responsáveis pela formulação de políticas públicas passarem a defender práticas educacionais que se mostram ineficazes na atualidade. Assim, o artigo aborda diretrizes para a reunificação dos conceitos teoria e prática educacional, destacando-se: a) a formação profissional do professor-pesquisador; b) a participação do pesquisador no cotidiano da escola; e c) o trabalho colaborativo entre o pesquisador acadêmico e o professor da sala de aula. Por fim, são apresentados dois programas educacionais norte-americanos que, com sucesso, conseguiram associar a pesquisa acadêmica à prática escolar, tendo como suporte um modelo desenvolvimentista de trabalho.

Um ensaio sobre as concepções de professores de Matemática: possibilidades metodológicas e um exercício de pesquisa

PID: S1517-97022008000300006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2008
Autores: Garnica
Este artigo tem como tema principal as concepções dos professores de Matemática. Considerando o termo “concepção” a partir do pragmatismo de Peirce, elabora-se um conjunto de parâmetros metodológicos - chamado de “método indireto” - a ser aplicado no estudo das concepções de professores de Matemática. Trata-se, em síntese, de investigar as concepções dos professores interpelando-os não sobre suas crenças, mas sobre suas práticas. Fundamentando essa abordagem indireta e explicitando-a em sua natureza qualitativa, o artigo segue apresentando, como exemplo, um exercício desse “método indireto”: um estudo sobre os critérios que os professores utilizam quando escolhem livros-texto para sua sala de aula, abordando, consequentemente, quais concepções de Matemática e de seu ensino e aprendizagem tais critérios desvendam. Partindo de depoimentos de professores de Matemática, o estudo indica que os professores agem com certa independência quando escolhem os materiais utilizados em suas atividades docentes. Buscam, ao mesmo tempo, apoio em uma vasta gama de livros didáticos, desconsiderando as particularidades de cada obra e as abordagens e perspectivas defendidas por seus autores. Embora submetam-se ao livro didático - considerado uma referência legítima e segura -, os professores o subvertem, buscando adequá-lo ao que consideram correto. Dessa constatação, algumas das concepções dos professores podem ser realçadas: o aluno, via de regra, é avaliado e classificado pelas lacunas que apresenta em relação aos conteúdos. Dessa postura, segue a valorização da precedência lógica dos conteúdos, de sua apresentação linear, e a defesa de “pré-requisitos” que viabilizariam o ensino e, consequentemente, implicam a legitimidade de aulas predominantemente expositivas.

A dimensão política da responsabilidade penal dos adolescentes na América Latina: notas para a construção de uma modesta utopia

PID: S0100-31432008000200003 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: García Méndez
O artigo trata da mudança de paradigma da justiça juvenil a partir da Convenção Internacional dos Direitos da Criança de 1989 - concretizada no Brasil com o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 - que influenciou toda a legislação da América Latina na área da infância. O texto mostra que a nova legislação supera a visão tutelar e afirma a visão garantista caracterizada, no plano das relações dos menores em geral com o estado e os adultos, pelo modelo da autonomia progressiva e, no plano do controle social, pelo modelo da responsabilidade penal dos adolescentes. Finalmente, o artigo critica o sensacionalismo com que é tratada a questão juvenil na América Latina e a não vinculação da mesma à política e à democracia, assim como a precariedade dos estudos jurídicos sobre o tema.

A pedagogia da imagem: Deleuze, Godard ou como produzir um pensamento do cinema

PID: S0100-31432008000100012 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Vasconcellos
O cinema para Deleuze pode ser visto como campo de experimentação do pensar e uma forma extraordinária de pensamento. É possível não só pensar com o cinema, mas mostrar que o cinema pensa, inequivocamente por intermédio de seus realizadores. E mais que isso, que é possível fazer pensar através do cinema, pela profusão de suas imagens e de seus signos. Dito de outra maneira, agora problemática: podemos construir uma pedagogia das imagens cinematográficas? Se não temos propriamente a resposta a essa questão, podemos apontar que Jean-Luc Godard parece tê-la proposto, pelo menos assim nos faz ver Gilles Deleuze. Esse é o tema de nosso artigo. Procuraremos mostrar neste texto a pedagogia da imagem godardiana partindo do pensamento do cinema proposto por Gilles Deleuze.

A prevenção de homicídios: a experiência do Programa Fica Vivo no Morro das Pedras

PID: S0100-31432008000200012 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Silveira
Os homicídios constituem um importante problema de segurança e saúde pública no Brasil. A despeito disto, programas de prevenção a estes eventos são raros em nosso meio. Em 2002, iniciou-se, em Belo Horizonte - Minas Gerais - o Programa de Controle de Homicídios - Fica Vivo. Inspirado na teoria da desorganização social para explicar o fenômeno criminoso, trata-se de um programa focalizado em áreas violentas, que articula ações de natureza policial com ações de suporte social. A avaliação dos impactos do programa na região do Morro das Pedras mostrou redução importante dos homicídios, assim como redução da violência no interior das escolas, das restrições ao livre trânsito na comunidade, de assaltos a ônibus, padarias e transeuntes. Estes resultados apontam que o modelo do Fica Vivo pode constituir uma importante alternativa preventiva para comunidades pobres com altas taxas de homicídios.

Cinema e educação: um caminho metodológico

PID: S0100-31432008000100010 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Fabris
Este texto apresenta uma descrição analítica da experiência de uma pesquisadora em educação, que utilizou textos fílmicos em suas pesquisas. Nesse exercício, explicitam-se as condições atuais da relação entre cinema e educação e pesquisa em educação e a aproximação com duas filmografias (a hollywoodiana e a brasileira). Mostra-se a produtividade da articulação entre Estudos Culturais e os estudos foucaultianos em uma análise “visual crítica”. Comentam-se as principais pesquisas e estudos que ajudaram a tecer a trama metodológica apresentada e se descreve o making of das investigações. O processo que, didaticamente, se denomina como metodologia de pesquisa será o foco deste artigo.

Cinema e sexualidade

PID: S0100-31432008000100008 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Louro
Distintas posições-de-sujeitos e práticas sexuais e de gênero vêm sendo representadas, nos filmes, como legítimas, modernas, patológicas, normais, desviantes, sadias, impróprias, perigosas, fatais. Ainda que tais marcações sejam transitórias ou, eventualmente, contraditórias, é possível que seus resíduos e vestígios persistam, algumas vezes por muito tempo, e que venham a assumir significativos efeitos de verdade. Recorro a filmes dirigidos ao grande público para analisar representações recorrentes no cinema (a partir dos anos 1950) e transformações que vêm sendo observadas nas últimas décadas.

Corpo, cérebro e memória na era da tecla save: brilho eterno de uma mente sem lembranças

PID: S0100-31432008000100014 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Ferraz
O filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004) fornece instigante material para a discussão do estatuto da memória e do esquecimento na cultura contemporânea, na qual se expandem novas verdades provenientes do campo das neurociências, apoiadas em imagens do cérebro. No filme e em nossa cultura confrontam-se duas maneiras de se pensar a memória: a tendência atual de se reduzir o fenômeno da memória ao cérebro e uma concepção interiorizada, não-reducionista, vinculada aos saberes e práticas psi. Essa segunda abordagem pode também ser vinculada à concepção de memória proposta em 1896 por Henri Bergson, bem como à valorização nietzschiana do esquecimento, referida e parodiada no filme. Contrariando perspectivas reducionistas, cabe repensar o fenômeno da memória em seu vínculo com certos paradoxos do tempo vivido, assinalados por Bergson e por Kafka.

Desafios na juventude: drogas, consumismo e violências

PID: S0100-31432008000200010 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Conte
Este artigo se propõe a analisar, a partir de uma leitura da complexidade, o contexto, as prioridades, os dados epidemiológicos e as demandas para as políticas sociais destinadas à juventude. Questões que aparecem como relevantes são o consumo de drogas, o consumismo e as violências. Examinam-se os desafios em relação à organização de uma rede intersetorial de atenção integral com ênfase na educação permanente, com o objetivo de diminuir a vulnerabilidade e abrir espaços de cidadania para essa faixa etária.

E-ducando o olhar: a necessidade de uma pedagogia pobre

PID: S0100-31432008000100005 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Masschelein
O artigo defende uma pedagogia pobre como possibilidade de educação do olhar. A partir de duas observações, uma de Walter Benjamim e outra de Michel Foucault, o autor discorre sobre o caminhar, como um novo olhar, e sobre a crítica como ato de atenção, respectivamente. Trata-se a pesquisa crítica educacional não como insight e como conhecimento, mas como possibilidade de abertura para um espaço existencial, um espaço concreto de liberdade prática. É, portanto, de uma pedagogia pobre que a pesquisa educacional crítica precisa.

Educando jovens sem-teto no Texas, Estados Unidos

PID: S0100-31432008000200009 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Windsor Thompson
O presente artigo discute jovens sem-teto nos EUA com foco em questões educacionais levantadas durante a implementação da Lei de Melhorias no Auxílio à Educação de Sem-Teto McKinney-Vento de 2001 (McKinney-Vento Homeless Education Assistance Improvements Act of 2001). Essa lei requer que os estados assegurem que todas as crianças sem-teto tenham o mesmo acesso à educação pública. Além disso, a lei requer que os estados identifiquem e removem obstáculos à educação de crianças sem-teto, tais como exigências de históricos escolares anteriores e prova de residência. Seguindo a descrição da condição de sem-teto, questões educacionais, e barreiras para jovens semteto, a Lei McKinney-Vento é descrita conforme sua aplicação no Texas. Finalmente, o artigo conclui que mais desenvolvimento, educação, e comprometimento de fornecedores de serviços em escolas e outras agências comunitárias será necessário para melhorar os resultados desses jovens altamente vulneráveis.

Educação, cinema e estética: elementos para uma reeducação do olhar

PID: S0100-31432008000100011 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Loureiro
O artigo explora as possíveis conexões entre educação e cinema a partir de uma perspectiva da reeducação do olhar, portanto, da sensibilidade estética. É possível uma reeducação do olhar em relação ao cinema? Mas que olhar seria esse? Que critérios teóricos adotar para realizar essa tarefa? Pensar em uma discussão sobre educação ou reeducação do olhar em relação ao cinema é, antes de tudo, refletir sobre o papel que os estúdios de Hollywood têm tido na produção de determinadas estéticas hegemônicas ao longo das últimas décadas e recuperar experiências que ousaram desafiar essa hegemonia. Com esse intuito, o presente artigo trata de elementos de uma teoria crítica em relação à estética do cinema a partir do encontro entre a filosofia Theodor Adorno e o cinema de Alexander Kluge.

Ensino médio noturno em escolas públicas paulistas: indicações de qualidade

PID: S0100-31432008000200017 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Adrião Garcia Silveira
Este trabalho resulta de um estudo comparado, desenvolvido em dez escolas públicas localizadas no Estado de São Paulo, nas quais se pressupunha a oferta do Ensino Médio Noturno de qualidade. Para a seleção dos casos investigados, consideraram-se indicadores elaborados no âmbito da pesquisa Ensino Médio: experiências em escolas públicas (2005) financiada pelo MEC/Unesco. Da análise das informações coletadas por meio de questionários endereçados aos profissionais e alunos do noturno de cada escola, aliada à observação de campo, apresentam-se características institucionais e fatores extra-escolares que, na opinião desses segmentos, constituem evidências da qualidade da escola. Dentre essas se destacam: flexibilidade curricular, liderança dos dirigentes, clima de diálogo entre profissionais da escola e estudantes e expectativa positiva em relação ao futuro dos alunos. Tais fatores confirmam estudos anteriores.

Experiência formativa, educação e os desafios para a construção de um novo Ethos

PID: S0100-31432008000200014 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Silva
Nosso objetivo neste artigo é pensar a relação entre a noção de experiência como acontecimento e seus vínculos com a educação enquanto lugar para a construção de um novo ethos. Para que a compreensão dos vínculos íntimos entre experiência e educação se expresse, reivindica-se nessa relação uma nova maneira de narrar, portanto, uma nova linguagem, na qual é restituído o valor da palavra como lugar da experiência humana. Por essa razão, privilegiam-se nesse jogo a conversação, o diálogo, o tato pedagógico e a capacidade de julgar e interpretar como aspectos importantes para uma prática pedagógica identificada com a imaginação poética e com o sentido de um saber-expressar, mais do que com o sentido de um saber-fazer científico, ainda que esses saberes não sejam considerados excludentes.

Formação estética audiovisual: um outro olhar para o cinema a partir da educação

PID: S0100-31432008000100007 | Revista: Educação e Realidade (0100-3143) | Año: 2008
Autores: Duarte Alegria
Este artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre educação e cinema no Brasil, enfocando a inserção de filmes em projetos educativos formais e não-formais. Nossos argumentos são desenvolvidos a partir de duas abordagens do problema: em uma delas, de caráter histórico, tecemos considerações sobre a gênese das relações entre essas duas áreas no Brasil; na outra, de caráter prospectivo, tomamos como referência um estudo exploratório, de base qualitativa, realizado com crianças de classes populares da cidade do Rio de Janeiro, sobre a relação que elas têm com o cinema, e um projeto de difusão do cinema na escola, do Ministério da Cultura da França, procurando pensar a formação estética audiovisual como uma possibilidade de olhar o cinema a partir da educação.
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