Neste artigo, a autora faz reflexões sobre a educação brasileira nos níveis básico e superior retomando aspectos dessa história, com o objetivo de demonstrar que esta educação historicamente não tem sido considerada pelo Estado efetivamente como um direito social. Trata-se de um trabalho que intenta sistematizar abordagens feitas em sala de aula em articulação com autores que estudam esse campo. Não se trata de um estudo profundo e pormenorizado. Por isso, tais reflexões estão sendo entendidas em um sentido bastante preliminar.
Inicialmente, analisa-se a distinção entre a função da formação e de controle da avaliação; um breve histórico da avaliação da Educação Superior no Brasil; o processo de elaboração e da implantação legal da nova Proposta; e, no último momento, que é a maior parte do trabalho, discutem-se as principais diferenças entre a Proposta e a Legislação.
O texto retoma a literatura crítica e múltipla que, a partir de diversas perspectivas teóricas, com ênfase em diferentes períodos históricos e países, trata das relações entre meios de comunicação de massa e representações das relações de gênero. Essa revisão bibliográfica seleciona trabalhos sugestivos para a discussão que se segue sobre as principais convenções das novelas brasileiras, gênero de programação que articula elementos do documentário e da ficção, tratando da nação em termos melodramáticos. Análise de títulos relevantes exibidos nos anos 70 e 80 sugere que novelas pautaram o espaço público brasileiro em termos que expandem o domínio convencionalmente definido como feminino.
Este artigo apresenta o processo de construção de uma nova especialidade médica, os Cuidados Paliativos, voltada a doentes “fora de possibilidades terapêuticas de cura”. A proposta surgiu nos anos 1960 na Inglaterra e foi implementada no Brasil no final dos anos 1980. A especialidade se caracteriza pelo acompanhamento do morrer e por postular uma “assistência espiritual” ao doente e a seus familiares, abarcando também o universo das emoções. Observação etnográfica e entrevistas com profissionais brasileiros constataram uma maioria de mulheres entre as equipes de saúde envolvidas nessa proposta. O artigo discute e analisa a articulação ente a construção da especialidade e as representações de gênero presentes entre os profissionais que, por seu turno, refletem imagens sociais difundidas sobre o morrer, crenças, emoções e papéis desempenhados por mulheres e homens nessas esferas.
Este artigo se ocupa de uma análise do artesanato indígena da Amazônia, confeccionado pelas mulheres ticunas, o qual se apresenta como um produto importante no desenvolvimento sustentado da comunidade rural Bom Caminho, no estado do Amazonas. Tratase de um cotejamento de dados observados e coletados no processo de consultoria realizada ao Sebrae/Amazonas no ano de 2004. Mostra o trabalho das mulheres como o elemento ordenador da economia doméstica na etnia ticuna, sob o primado de uma divisão sexual do trabalho que credita a elas responsabilidade maior pela manutenção da família.
O papel do amor na dinâmica da intimidade é inegável nas sociedades ocidentais, sendo inclusivamente um dos elementos centrais da vida social. O argumento de que o amor constitui o motor do desenvolvimento das relações interpessoais, sobretudo para as mulheres, representa uma peça fundamental na construção dos discursos sociais sobre a felicidade humana e os factores que a configuram. Tradicionalmente perspectivado como feminino, o amor tem sido apontado às mulheres como a sua suprema vocação,1 enredando-as, não raras vezes, num ideal de intimidade potencialmente castrador da sua autonomia e liberdade pessoal. Este artigo pretende reflectir criticamente a respeito das implicações da construção social dos discursos sociais sobre o amor na vivência da intimidade adulta feminina heterossexual, a partir de uma leitura feminista crítica. Discute-se neste documento a importância de assumir o discurso amoroso como um discurso paritário e democrático.
Este articulo tiene como objectivo discutir la relación entre espacio, tiempo e género en el contexto de comunidades pescadoras del Nordeste de Brasil. Centra-se en el analizis de essas categorias hacia la ótica femenina, destacando las transformaciones negativas ocurridas en el universo de género face a la modernización en general y el turismo en especial.
A catação de caranguejo (Ucides cordatus) desenvolvida por mulheres caboclas em áreas do litoral norte da região amazônica, precisamente no nordeste paraense, possibilita a análise da problemática ambiental e relações de gênero a partir de uma abordagem antropológica sobre uma parcela da população tradicional amazônica. Quanto à questão ambiental, é tratada em termos de conservação, manejo e conhecimento de recursos ambientais. Evidenciou-se que a pesca desenvolvida nas áreas de manguezais na vila de Guarajubal é feita artesanalmente e direcionada à captura e beneficiamento do caranguejo, com o trabalho decisivo das mulheres a partir da maior demanda nos centros urbanos próximos. O trabalho das catadoras lhes possibilita manifestarem-se em relação aos problemas ambientais, ainda que no contexto local.
Este artigo toma para objeto de reflexão questões suscitadas por pesquisa com mulheres camponesas, autodenominadas e conhecidas como quebradeiras de coco babaçu, acerca de conflitos em que estiveram e se encontram envolvidas, elas e suas famílias, no Maranhão. Procura-se refletir sobre aspectos metodológicos suscitados pela análise de depoimentos de lideranças camponesas femininas que reconstroem, hoje, um tempo vivido no passado.
Este trabalho explora as correlações entre telenovela, consumo e gênero, buscando compreender como a mídia está articulada à promoção de bens e da cultura do consumo, e como gênero é um eixo importante em tal articulação. A pesquisa foi feita a partir de um estudo etnográfico de recepção de novelas, e se desdobra na análise da relação entre televisão e publicidade, discutindo a feminilização do consumo e a construção de certa imagem feminina hegemônica nas novelas e nos anúncios comerciais.
Ainda que pensada de maneira plural, identidade tem sido tomada por muitos autores como o cerne da constituição dos indivíduos que, todo o tempo, parecem ser interpelados sobre sua localização neste cenário cada vez mais diversificado. Este artigo propõe explorar esses chamados às identificações permeadas, particularmente, por construções de gênero e sexualidade. O recorte aqui privilegiado centra-se em propagandas vencedoras de festivais nacionais e em peças veiculadas em revistas de entretenimento. A análise das imagens e dos recursos de linguagem utilizados busca apreender como a propaganda reifica ou desestabiliza noções de gênero e sexualidade percebidas como tradicionais.
Este artigo está baseado em uma pesquisa etnográfica desenvolvida em uma escola municipal do Rio de Janeiro, entre agosto de 2002 e julho de 2003. Ele analisa como as meninas idealizam sua primeira relação sexual e como a escola se refere a esse aspecto da vida dos/as jovens e intervém sobre isso. Essa passagem está envolta por uma série de preocupações e planejamentos, principalmente para as meninas, que demonstram valorizar menos a virgindade em si e mais a primeira relação sexual. No plano das intenções expressas, elas reproduzem os ensinamentos escolares, que prescrevem não só o uso de um preservativo, mas também certo tipo ideal de relação entre garotos e garotas. Diante disso, percebem-se alguns limites na intervenção escolar.
¿Existe un feminismo latinoamericano? Creemos que sí, y que tienen sus propias raíces y su propio perfil, que abreva de las múltiples corrientes teóricas y filosóficas de los desarrollos actuales del feminismo. Creemos además que la situación periférica del continente le permite tomar y situar diversas lecturas, trazar redes conceptuales y aceptar el desafío de pensar y plantear sus propios problemas. Este artículo pretende dar cuenta de algunos de esos desafíos y recorridos.
A partir de uma experiência vivenciada como integrante do grupo que trabalhou a temática da migração de mulheres na Internationale Frauen Universität (IFU) em 2000, apresento neste artigo uma discussão sobre os fluxos migratórios de mulheres que deixam os países periféricos movendo-se em direção aos países de Primeiro Mundo para trabalhar como empregadas domésticas. Ocorre nesse processo uma verdadeira globalização da assistência, formando-se inclusive cadeias entre mulheres de diferentes nações, classes e etnias. As principais causas das migrações estão ligadas à luta pela sobrevivência, oportunidade de trabalho e estudo e conquista da independência em relação à opressão e à violência. Como proposta final, sugiro que, para conter os fluxos migratórios, são necessárias políticas públicas que venham ao encontro das necessidades básicas das mulheres em seus países de origem.
Este trabalho investiga o abandono de crianças no Recife, geradas nas relações castas e lascivas, sacramentadas e duvidosas, entre os anos de 1789 a 1832. Como provas da “fraqueza moral” ou “fruto da miséria”, eram os “miúdos” abandonados às intempéries e aos animais carnívoros, deixados em portas de casas e igrejas, ruas e becos quando foi instituída a Casa dos Expostos que visava acolher e criá-los, salvaguardar a honra de moças de família e desestimular o infanticídio. Paradoxalmente, os discursos, as interdições e a normatização relativas à sexualidade e à religiosidade que regulavam a vida dos colonos foi também o esteio para o costume de se abandonar bebês. Os sinais e fragmentos desses “pequenos” são encontrados nos livros de batismos que falam de crianças sem família, vidas excedentes e indesejadas, como fica patente no alto índice de mortalidade dentro da Instituição.
O artigo aborda um dos grandes silêncios da mídia global: o caso dos estupros de mulheres muçulmanas por soldados e mercenários norte-americanos no Iraque, através da análise das imagens dessas violências. O mediascape contemporâneo é um dos mais prolixos. No entanto, silêncios permanecem como estes - e outros - estupros de guerra. Com uma abordagem antropológica do significado da guerra, o artigo enfoca também a participação e as imagens das mulheres neste espaço masculino que é a guerra.
La discriminación de género ha sido discutida en distintos ámbitos académicos y reconocida por los Estados. Una de las agendas difundidas desde las tribunas mundiales y que atraviesa diferentes dimensiones nacionales, regionales y locales es impulsar la educación equitativa entre los géneros para promover el desarrollo humano. Se sabe que cada vez son más las mujeres que tienen acceso a la educación, sin embargo entre más altos son los niveles de exigencia educativa, menos son las mujeres que participan en el desarrollo de tecnologías y en la generación de conocimientos. Nuestro trabajo intenta demostrar algunos indicadores de género que pueden estar correlacionados con esos procesos de productividad científica en la Universidad Autónoma del Estado de México (UAEM) y que deberían ser parte de las estrategias institucionales para impulsar la equidad de género. La metodología usada es un análisis de estadística descriptiva, obteniendo los datos de la evaluación del desempeño académico de la UAEM del 2003. Así como un estudio cualitativo para conocer la percepción del éxito como parte del reconocimiento público de investigadores y investigadoras de la misma institución, para ello fueron entrevistadas cuatro mujeres y cuatro varones, pertenecientes a diferentes disciplinas y entre 30 y 45 años de edad.
El trabajo presenta un análisis de la relación poder-saber en el contexto universitario. A partir de la exploración de la estructura organizacional de la Universidad de Los Lagos, en la docencia y en la gestión institucional, se identifican los espacios del poder material y simbólico que ocupan los hombres y las mujeres. Se exponen los resultados de un análisis intergenérico a nivel de posiciones en el escalafón académico, las remuneraciones y la inserción de las mujeres al equipo docente tanto en la jornada laboral como en su distribución disciplinaria. La investigación busca develar los factores que determinan la distribución de los espacios de poder en la Universidad, estableciendo la relación que subyace entre los saberes que se conquistan y la naturaleza del poder que se ejerce.
No contexto religioso afro-brasileiro, alguns pesquisadores defendem ser o caboclo resultado do processo de nacionalização de hábitos africanos, em que o negro transmuta-se no que acredita ser indígena, a partir da imagem do índio na literatura romântica, tentando garantir um lugar para si no país após a escravidão. Neste artigo discute-se a pertinência desse argumento ao investigar a presença de entidades caboclas em sua vertente feminina, através de uma comparação destas com as imagens idealizadas de índias românticas. Advoga-se que, para entender a função das caboclas no panteão umbandista e em vidas de mulheres contemporâneas, será preciso dar ouvidos ao que elas dizem através de suas médiuns, relacionando seu discurso com as histórias de vida dessas mulheres e com a experiência social concreta das comunidades que se lhes devotam.
El artículo analiza el caso del proceso de elaboración de políticas de salud reproductiva en el Perú, en el contexto de las reformas de las políticas sociales implementadas durante los últimos 15 años. Las reformas en el sector de la salud sólo han reparado en forma parcial el acceso desigual de las mujeres a la planificación familiar, a los derechos reproductivos y a la atención materna. Las fuentes principales de desigualdad están relacionadas con la naturaleza segmentada del sistema de la atención de la salud que ocasiona, entre otros temas, que la mayoría de las mujeres sin seguro provenientes de las clases populares dependan de qué y cómo sean provistos los servicios públicos de la atención médica. Por otra parte, el continuo papel de sectores conservadores en los debates sobre políticas de salud reproductiva sigue teniendo un impacto sobre los servicios públicamente disponibles de planificación familiar.