O presente estudo parte de interrogações sobre o intervalo existente entre o projeto e o trajeto em arte. A idéia que persigo diz respeito à percepção do tempo vivido durante o acontecimento da criação. Tais como pontos de passagem, este tempo refere-se ao “tempo em suspenso”, o tempo desterritorializado, que não pode ser medido ou espacializado. Há uma conexão entre os três tempos, kronos, aiôn e kairós, durante os desacertos a que nos submetemos ao aventurar-nos na experiência da criação, o que nos impõe eternos recomeços.
O texto apresenta as concepções de arte na Filosofia da Diferença e as implicações destas com a Educação. Coloca conceptos dos planos de imanência de Nietzsche e de Deleuze para traçar o solo de uma pedagogia ocupada em potencializar esteticamente a superfície da Terra. Deste modo traz Vênus, figura que expressa os efeitos insanos do amor, e a Terra, matéria que tudo absorve e de onde tudo vem, para mostrar o sentido trágico envolto na aprendizagem artística.
Este artigo desenvolve reflexões em torno das inúmeras imagens presentes nas instituições infantis e sobre o caráter pedagógico que elas assumem na educação das crianças. Trato as composições imagéticas dos espaços educativos como cenários, um dispositivo cênico-pedagógico que ultrapassa a função inicial de embelezamento das ambiências e atua como formas e fôrmas de ensinar, junto com as outras modalidades pedagógicas do currículo explícito.
O presente artigo busca detectar, a partir dos discursos de professores-doutores, pesquisadores da Faculdade de Educação da UFRJ, formas plurais e invariâncias na construção dos significados de pesquisa - tema particularmente relevante em um momento em que o papel da pesquisa tem sido colocado em questão, em projetos e políticas de formação docente. Argumentamos que a compreensão da pesquisa e de sua relevância como construções discursivas, intimamente ligadas ao pesquisador como sujeito multi cultural, pode avançar no sentido de promover a superação de narrativas-mestras e contribuir para a formação identitária plural de futuros professores e pesquisadores.
Este estudo é uma tentativa de embasar a compreensão do currículo na hermenêutica filosófica tal como a expõe Hans-Georg Gadamer. É um esforço de entender o currículo como processo interpretativo da realidade. Para alcançar esta pretensão investigativa, foi utilizado o método reconstrutivo do diálogo com alguns autores, que se ocupam tanto da prática como da teoria curricular.
Este trabalho mostra alguns caminhos percorridos e os traçados efetuados pelas pesquisas pós-criticas sobre o currículo no Brasil, divulgadas no Grupo de Trabalho (GT) de Currículo da ANPEd nos últimos dez anos. Inspirada nos trabalhos de Deleuze (1992 e 1998) e Deleuze e Guattari (1995 e 1997) o trabalho procura traçar linhas e acompanhar alguns movimentos curriculares para esboçar um mapa do currículo pós-crítico e registrar as orientações, direções e criações desses estudos. Os traçados esboçados por este estudo, portanto, têm por objetivo mostrar os mapas formados pelas pesquisas pós-críticas sobre currículo que, com base na perspectiva aqui adotada, evidenciam expansões, fraturas e aberturas nos quadros convencionalmente produzidos no campo do currículo no Brasil. Argumento que nos mapas montados por essas pesquisas existe uma criação: o currículo pós-crítico, que chamo aqui de currículo-mapa. Mostro, então, o esboço desse mapa, as linhas que foram traçadas e a potencialidade do currículo-mapa criado pelos/as pesquisadores/as do campo curricular brasileiro.
Este trabalho discute o entendimento de Agentes Comunitárias/os de Saúde de Porto Alegre (RS) sobre um conjunto de cinco anúncios televisivos de campanhas de prevenção ao HIV/AIDS, os quais tratavam, em sua maioria, de temáticas relacionadas às mulheres (empowerment feminino e negociação do sexo seguro). A análise dos dados procurou apontar, a partir dos Estudos Feministas e dos Estudos Culturais, alguns aspectos relativos à dimensão cultural e política da estratégia governamental de se valer da televisão, como uma instância pedagógica para apresentar campanhas de saúde.
La cultura visual como concepto y como campo de estudios ofrece una serie de marcos teóricos y metodológicos para repensar el papel de las representaciones visuales del presente y del pasado y las posiciones visualizadoras de los sujetos. En este artículo se exploran algunas de los acercamientos a este campo de estudio, con especial énfasis en la génesis de los problemas que plantean y sus posibles repercusiones para la construcción de una nueva narrativa sobre la educación. Narrativa en la que las discursividades hegemónicas en torno a las representaciones visuales puedan ser revisadas y reequilibradas las posicionalidades subjetivas tradicionalmente subordinadas.
Este texto descreve, discute e analisa o modo como jovens universitários, espectadores regulares e/ou eventuais de cinema, atribuem sentido aos filmes que vêem. Tendo como empiria registros escritos e videogravados de oficinas de visualização de filmes - e como referência teórico/conceitual os estudos de recepção (ER) latino-americanos e a teoria do ato de espectatura (l 'acte de spectature) desenvolvida por Martin Lefebvre -, apresentamos neste trabalho elementos e conceitos-chave para a elaboração de uma teoria da significação de imagens fílmicas.
Este artigo trata de analisar os modos de representação do sujeito no campo da educação, a partir das marcas de enunciação assinaladas na produção gráfica das crianças, entendendo esses processos como formas possíveis de subjetivação. As questões suscitadas nesta discussão, partem num primeiro momento, da recorrência a historiadores gregos, tal como nos coloca Hartog especificamente a respeito de Heródoto e Tucídides, em seu livro intitulado O espelho de Heródoto, para os quais o olho e o ouvido caracterizam-se como os elementos chaves dos processos de representação e enunciação; num segundo momento, busco relacionar esses elementos ao trabalho da criança em processo de alfabetização, relativo à fabricação e à construção mítica do si mesmo para poder conquistar uma possibilidade de enunciação, tomando a produção gráfica da criança como instrumento e forma de representação.
O trabalho analisa - a partir de uma pesquisa de campo sobre a relação entre escolaridade e inserção profissional- a questão do desemprego e da construção de um imaginário social, que tem como base a concepção da necessidade da educação formal como solução para a conquista e manutenção do emprego, num mercado de trabalho altamente competitivo.
O artigo se situa no âmbito de uma justificação ética da educação. Discute a atualidade da estética, especialmente da estetização do mundo da vida para a ética, diante da perda de força persuasiva das explicações metafísicas. Apresenta os recentes modos de aproximação entre ética e estética e problematiza as possibilidades da experiência estética atuar sobre a sensibilidade moral.
Este estudo apresenta algumas reflexões sobre as relações entre a experiência na cidade, sob a perspectiva espanhola das “cidades educadoras”, e a realidade escolar, mais especificamente os processos de ensino e aprendizagem do teatro. Busca-se fornecer elementos para destacar a emergência e a relevância de novos espaços educativos, para compreender a contribuição do teatro no desenvolvimento de crianças e jovens de todas as idades, independentemente das suas condições sociais e culturais, e para repensar o papel das instituições de ensino e de outras redes que tecem a malha social e cultural da cidade, frente aos desafios da educação contemporânea.
Este artigo pretende abordar a relação entre gênero, artes visuais e educação, destacando a importância do tema e a sua quase ausência nas pesquisas sobre arte e educação no Brasil. Neste sentido, o objetivo do artigo é situar a discussão sobre o tema a partir das publicações existentes, além de lançar novas questões e apresentar autores que possam alimentar novas pesquisas na área. Com um foco especial para a formação docente em arte, o trabalho apresenta algumas abordagens e problematizações possíveis que podem nos fazer olhar a partir de outros pontos de vista para a docência em arte: o mito da genialidade artística e a “professora criativa” e relações possíveis entre gênero, docência em arte e poder.
En el mundo psicológico y educativo se utilizan de modo relativamente impreciso las categorías de teoría implícita y representación social, el propósito de este artículo es presentar sistemáticamente el significado de cada una distinguiendo: la estructura y función de dichas categorías, la especificidad de su "carácter implícito", sus vinculaciones con el conocimiento científico, como así también, los procedimientos y estrategias metodológicas empleadas en su indagación. Posteriormente, y como consecuencia de este análisis, se establece una comparación crítica entre ambos conceptos, subrayando diferencialmente el origen individual y social de cada uno. Finalmente, se sitúan los rasgos antes identificados en el entramado conceptual de los programas de investigación y se proponen algunas condiciones para un diálogo posible.
O artigo aborda a cidade como possibilidade educadora, reforçando o papel da leitura de imagens na escola. A partir da cidade de Antônio Prado, RS, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o texto propõe a leitura da cidade em que a criança e o adolescente vivem como via de acesso para compreender e preservar não só o patrimônio público, mas a vida, visando à construção de um futuro menos predatório, mais crítico, sensível e amoroso. Nesta discussão, também é abordada a concepção de cidade desde Atenas e como se dá, na atualidade, a relação dos corpos humanos com os espaços urbanos, através de ações cotidianas como o morar, o caminhar e o conversar.
O artigo trata da possibilidade de uma relação entre o Movimento Modernista e o surgimento das universidades no Brasil, nos anos de 1930, em decorrência de um espírito de inovação que se autoconstruiu a partir da Semana de Arte Moderna de 22. O enfrentamento das velhas estruturas nas artes canalizou transformações também nas áreas política, social e educacional do País. Com base no exame do Pré-Modernismo e do Modernismo o artigo argumenta que a Universidade Brasileira nasce antropofágica, vivendo a dialética da construção-desconstrução de valores e percepções que lhe deram identidade e forma. Defende a idéia de uma universidade que, se auto-reformando, para falar com o mundo, atinge as mais inovadoras fronteiras do conhecimento universal, sem perder o enraizamento da cultura do País, mantendo suas especificidades e a qualidade de suas diferenças.
Neste artigo, interrogo aquilo que habitualmente pensamos ser o corpo - um fenômeno puramente biológico - e chamo a atenção para a existência de outros discursos e práticas sociais que circulam e se correlacionam na trama social, transformando e fabricando o corpo. Para tanto, estabeleço conexões com os estudos de Michel Foucault e de autores vinculados ao campo dos Estudos Culturais nas versões pós-estruturalistas. Num primeiro momento, abordo a questão do conhecimento e dos "objetos" associados às disciplinas acadêmicas como invenções - a fim de chamar a atenção para os efeitos das estratégias vinculadas ao campo biológico para o estudo do corpo humano na educação escolarizada. A seguir, trato do corpo como inscrição de acontecimentos cotidianos, vistos como falsos ou silenciados pela biologia, com a finalidade de questionar o papel dominante das práticas e das matérias escolarizadas.
Para problematizar concepções polarizadas na redução do sensível ou na exacerbação do racional que orientam ações educativas em artes plásticas, este ensaio propõe uma experiência de pensamento que faça emergir as contradições e ambigüidades da tensão filosófica, em torno das noções de imagem pictórica e imaginação poética a partir do antigo legado cultural de interdição ao olhar que se distrai com a variedade do mundo. Entre a sacralização ou a condenação filosófica que permanece e o que a dimensão ficcional da arte projeta à educação, podemos afirmar a imaginação poética como dinâmica de um pensamento proteiforme, que encontra sua força quando faz o corpo transfigurar a realidade para plasmar ações na convivência mundana.
A fim de tornar mais precisos alguns dos conceitos que fundamentam a pedagogia teatral, o presente artigo aborda as noções de theater game, dramatic play e jeu dramatique, partindo da origem desses conceitos, de seus princípios básicos e de autores que trataram dessas questões. A repercussão dessas diferentes práticas no Brasil aponta para uma diferenciação. Enquanto processos baseados nos theater games e no jeu dramatique se valem da linguagem teatral como princípio norteador, as práticas da vertente do dramatic play negam o interesse da arte teatral como fundamento de uma pedagogia para crianças e jovens, apoiando-se no faz-de-conta infantil e na noção de dramatização.