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A produção da maternidade no Programa Bolsa-Escola

PID: S0104-026x2005000100003 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Klein
Neste trabalho, analiso alguns processos de produção e veiculação de representações de maternidade, tomando como referência o Programa Nacional Bolsa-Escola. Meu estudo insere-se nos campos dos Estudos Culturais e dos Estudos Feministas, nas vertentes que têm proposto uma aproximação crítica com a abordagem pós-estruturalista. Para a operacionalização da pesquisa, selecionei um conjunto de documentos referentes a esse Programa, produzidos e publicados no período de 1999 a 2003. Exploro os textos do Programa tomando como base os conceitos de discurso, representação, identidade, gênero e poder com o intuito de analisar os diferentes modos pelos quais a maternidade é, ali, representada e significada.

A razão construtiva e o rendilhado poético de Maria Lúcia Dal Farra

PID: S0104-026x2005000300005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Cabañas
RESUMO O trabalho se detém na análise da produção da poetisa paulista Maria Lúcia Dal Farra, Livro de auras (1994) e Livro de possuídos(2002), tentando, principalmente, uma aproximação aos mecanismos construtivos que dinamizam seus universos poéticos. O foco da atenção centra-se no uso, por parte dessa poética, de uma ratio construtiva que se movimenta entre o canto e o decanto para simbolizar, como escrita feminina, a posse de um intelecto estético que a cultura androcêntrica só reservou ao uso masculino.

A teologia, o feminine

PID: S0104-026x2005000200010 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Valerio
O artigo retrata exemplos de mulheres e místicas que leram a Bíblia de uma forma nova e diferente de como a secular tradição masculina fez. Elas conseguiram reinterpretar sua experiência de fé com palavras originais e manifestam uma subjetividade cheia de dúvidas expressa sabiamente pelo uso da ironia. São elas: Domenica Narducci da Paradiso (+1553), que comenta com grande coragem a famosa proibição paulina "As mulheres calem em assembléia" (1Cor 14,34); Arcangela Tarabotti (+1652), que sem temor denuncia o escândalo dos enclausuramentos forçados; Sarah Grimké (+1873), que leva adiante uma leitura emancipacionista e igualitária das Sagradas Escrituras; Elisa Salerno (+1957), que encontra na má interpretação da Bíblia os fundamentos da exclusão feminina e acusa a Igreja Católica de "heresia antifeminista". O rastro de pensadoras nunca se exauriu e retoma vigor nos dias atuais com os estudos e as reflexões de teólogas que impulsionam suas igrejas a buscar novos modos de viver a igualdade e a diversidade, com o intuito de reconhecer na diversidade um valor imprescindível para a fé no Deus Uno e Trino.

Artifício e excesso: narrativa de viagem e a visão sobre as mulheres em Portugal e Brasil

PID: S0104-026x2005000300009 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Gonçalves
RESUMO Este artigo analisa as imagens de mulheres brasileiras e portuguesas construídas nos relatos de viajantes ingleses que estiveram em Portugal e no Brasil, nos anos finais do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX. Procura-se explorar como um registro moral, que acentuava crescentemente padrões de comportamento burgueses e que orientou o olhar de viajantes sobre o mundo, interferiu nos comentários e imagens que projetaram do universo luso-brasileiro. A conexão entre o mundo europeu 'civilizado' e as regiões marginais ao processo de constituição de uma ordem burguesa capitalista realizada pelos viajantes envolveu, em geral, um duplo processo de enfrentamento e negociação entre valores e concepções de mundo de universos culturais distintos. Assim, os relatos dos viajantes mostram esse espaço de constante remanejamento de sentimentos e de percepções sobre si próprios e os nativos

As duas Fridas: história e identidades transculturais

PID: S0104-026x2005000100005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Bartra Mraz
Neste artigo, é feita uma análise do filme Frida (2003) dirigido por Julie Taymor e protagonizado por Salma Hayek e que tem como tema a relação amorosa entre o muralista Diego Rivera e a pintora Frida Kahlo. Não se trata absolutamente de uma biografia fílmica; enfoca apenas uma etapa da vida da pintora. De um lado, são feitas algumas comparações com o filme mexicano sobre a pintora, Frida, naturaleza viva (1983), de Paul Leduc, para contrastar as diferentes visões dos acontecimentos de uma mesma vida, por exemplo, com relação à política sexual. Por outro lado, explora-se até que ponto o polêmico filme de Taymor/Hayek é histórico, baseado na realidade, ou uma história contada pela imagem e pelo som a partir de uma biografia escrita.

Bruxas: figuras de poder

PID: S0104-026x2005000200006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Zordan
As mulheres que tanto a história como a imaginação popular mitificaram como "bruxas" constituem figuras que expurgam as fobias da Contra Reforma. As bruxas foram torturadas e queimadas para sinalizar os perigos de práticas e saberes à margem da Igreja e de outras instituições dominantes na Idade Moderna. Parteiras, curandeiras e carpideiras, as bruxas misturam em seu caldeirão os mistérios da vida e da morte herdados das tradições pagãs. Este artigo percorre textos de historiadores, em especial o de Jules Michelet, que no século XIX construiu a imagem romântica e martirizada da bruxa, e o manual de inquisidores do século XIV, o Malleus Maleficarum, que descreve os poderes da bruxa, sua aliança com o demônio e sua ameaça para o cristianismo. Os discursos instaurados por tais textos constroem tanto a imagem que glorifica a bruxa quanto aquela que a execra, mostrando ambas o potencial transformador de suas práticas e de sua ligação com a sexualidade.

Comercializando fantasias: a representação social da prostituição, dilemas da profissão e a construção da cidadania

PID: S0104-026x2005000300004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Guimarães Merchán-HamannI
RESUMO O presente artigo discute fatos, percepções e representações sociais do cotidiano das mulheres profissionais do sexo (MPS). Foram avaliados oito projetos de intervenção educativa sobre DST/Aids dirigidos a MPS, em cidades das regiões Sul, Nordeste e Sudeste. Foram realizadas entrevistas em profundidade e grupos focais. Os resultados revelaram que a representação da mulher que vende o corpo vem sendo re-significada para a realização de fantasias eróticas. As perspectivas de maior autonomia da profissão contrastam com a discriminação e a pressão psicológica. Foi mencionada a violência, praticada por clientes e policiais. Foram evidentes a importância do preservativo na negociação dos programas e o não-uso do mesmo em relações com envolvimento afetivo ou devido à concorrência. Conclui-se, sob a ótica da autonomia, que classe social, escolaridade, situação de crise econômica e estigma ocasionam discriminação, violência e risco de contágio de DST e HIV

Etnografias do brau: corpo, masculinidade e raça na reafricanização em Salvador

PID: S0104-026x2005000100009 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Pinho
Neste artigo, o autor pretende explorar desenvolvimentos do processo conhecido como reafricanização da cultura e da política em Salvador corporificados na cristalização transitória de determinada figura social conhecida como o brau. Essa seria uma inflexão de masculinidade informada pelas tensões raciais e de gênero em Salvador, assim como uma re-apropriação localizada de temas culturais da diáspora africana. Braus foram (são) jovens negros da periferia que re-inventam uma visualidade/corporalidade negra a partir de releituras da 'cultura' soul norte-americana e ao mesmo tempo são estigmatizados pela classe média como violentos, de "mau-gosto" e hiper-sexualizados, ou seja, excessivamente 'negros' e excessivamente 'masculinos', em uma hiperbolização que em certo sentido contradiz com sua estigmatização.

Gloria Anzaldúa, a consciência mestiça e o "feminismo da diferença: Gloria Anzaldúa, mestiza consciousness, and "feminism of difference

PID: S0104-026x2005000300014 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Costa Ávila
RESUMO Este artigo situa a contribuição fundamental de Gloria Anzaldúa sobre a consciência mestiça na história do feminismo, enfocando sua perspectiva epistemológica da diferença interseccional na articulação de uma política de coalizão contra a exclusão da alteridade dos lugares privilegiados da construção da modernidade. Ancorando-se nas reflexões acadêmicas sobre os escritos de Anzaldúa, as autoras destacam as maneiras pelas quais a teoria da identidade mestiça de Anzaldúa está antecipando não apenas críticas aos conceitos de sujeito, diferença e modernidade, mas também aquelas que enfatizam as distinções entre versões capitalistas e versões críticas do hibridismo cultural

Gênero e desejo: a inteligência estraga a mulher?

PID: S0104-026x2005000300012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Borges
RESUMO Neste artigo, eu analiso a idéia de que a inteligência é um atributo erótico do homem, enquanto a beleza é o que torna uma mulher atraente. Eu inicio por Immanuel Kant, filósofo do século XVIII, segundo o qual uma mulher inteligente pode despertar a admiração de um homem, mas não desejo e amor. Mais do que isso, uma mulher inteligente, mesmo que bela, perderia seu poder sobre os homens, pois a inteligência arruinaria a atratividade feminina. Eu mostro que essa visão antiga ainda está em voga atualmente. Muitos autores defendem a visão de que o que torna uma mulher atraente para um homem é a beleza, a inteligência sendo negativa ou indiferente. Alguns teóricos inclusive atribuem esse fato a uma essência natural do ser humano. Eu contesto essa visão, mostrando que a beleza tem um aspecto cultural e que não podemos falar de uma essência não-histórica do ser humano.

História do trabalho social: nascimento e expansão do setor associativo sanitário e social (França: 1901 - 2001)

PID: S0104-026x2005000200005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Diebolt
Sem direitos civis, sem direito a voto, sem a possibilidade de filiar-se a um sindicato e com dificuldades para militar nos partidos políticos, as mulheres encontraram na Lei de 1° de julho de 1901, sobre a liberdade de associação, uma brecha para ingressar com toda a força na cidadania. Desde a promulgação da Lei de 1901, elas criaram numerosas associações sanitárias e sociais, e foram pioneiras na constituição do conceito de serviço social. Elas fizeram tudo o que foi possível para criar novos empregos, o que contribuiu para a participação exclusivamente feminina no setor. Graças à abertura progressiva das profissões, as populações femininas, alvo das atividades dessas associações, conseguiram inserir-se no mundo do trabalho médico-social. Nos anos 1970, o setor sanitário e social expandiu-se como nunca e manteve a estrutura associativa. Nessas associações, são as mulheres que ocupam a maior parte das vagas, mas se trata de empregos pouco qualificados. Conforme o setor vai se institucionalizando, as mulheres vêem seus empregos escapando de suas mãos para passar para as dos homens. Esse setor associativo hoje em dia é amplamente utilizado pelos poderes públicos para pôr em prática políticas sociais, mas também para lutar contra todas as formas de pobreza e atuar diante de situações de urgência.

Histórias de resistência de mulheres negras

PID: S0104-026x2005000300006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Meneghel Farina Ramão
Esta é uma pesquisa intervenção na qual foram usadas oficinas de narrativas de histórias como dispositivo para estimular o empoderamento de mulheres. Essas oficinas, que contaram com a participação de dez mulheres em situação de violência de gênero, foram realizadas na sede da organização não-governamental Maria Mulher, situada na Vila Cruzeiro do Sul, no município de Porto Alegre. A partir de oficinas de narrativas de histórias em que se tematizaram histórias do feminino, especialmente afro-brasileiras, a pesquisa teve como objetivo principal compreender o que acontece com as mulheres que sofreram ou sofrem violência. Realizadas em cinco encontros nos quais as mulheres contaram e ouviram histórias e participaram de vivências, as oficinas oportunizaram espaço para narrar, ouvir e ritualizar as histórias das orixás e ressignificar as vidas a partir dessas vivências. Essa intervenção operou com as subjetividades das mulheres que fizeram parte da pesquisa e mostrou-se capaz de fortalecer algumas delas. A experiência constituiu um dispositivo de estímulo ao empoderamento das mulheres e contribuiu para o resgate da memória individual e coletiva desse grupo.

Imaginando Palmares: a obra de Gayl JonesImagining Palmares: the work of Gayl Jones

PID: S0104-026x2005000300010 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Coser
RESUMO O longo poema narrativo Song for Anninho (1981), da escritora negra Gayl Jones (Estados Unidos), interfere na narrativa da história colonial brasileira ao resgatar a figura feminina na República de Palmares, reescrever a saga de resistência dos palmaristas do ponto de vista imaginário de uma mulher negra do século XVII e, através dela, reinventar o cotidiano, os amores, as disputas e os sonhos das pessoas comuns que integravam o quilombo. O texto reflete sobre a verdade histórica, o aspecto construído de documentos, as seleções e exclusões da linguagem, e a importância do relato oral para o conhecimento de vivências e identidades à margem da história oficial. Nessa versão especial, o relato dramático do sonho, da luta e da destruição do mais famoso quilombo brasileiro usa a imaginação literária para expandir a memória e os arquivos de um dos fatos mais importantes da história das Américas, contribuindo para estimular o diálogo interamericano e iluminar a diáspora africana no Brasil e no continente.

La conciencia de la mestiza /Towards a New Consciousness: uma conversação inter-americana com Gloria Anzaldúa

PID: S0104-026x2005000300016 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Torres
RESUMO Este ensaio propõe uma leitura de "La conciencia de la mestiza/Towards a New Consciousness", de Gloria Anzaldúa, entretecida de um diálogo que busca possíveis pontos que unem as modalidades de pensar as identidades chicana e latino-americana, já que a obsessão sul-americana e caribenha pela identidade gerou inúmeros textos, tanto teóricos quanto ficcionais (inclusive os que, como o de Anzaldúa, deslizam entre um e outro gênero), que resistem à polarização (mesmo quando a incorporam), através do reconhecimento de uma cultura complexa, multi-facetada, em que os textos do colonizador/colonizado, opressor/oprimido, cultura dominante/cultura dominada são inextricáveis.

La iglesia católica y los encuentros nacionales de mujeres

PID: S0104-026x2005000200013 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Tarducci
La enorme influencia que tiene la Iglesia Católica en Argentina se pone de manifiesto de manera dramática cada vez que se intentan cambios legislativos que avancen en favor de los derechos humanos en general y de las mujeres en particular. Su tenaz oposición a la Ley Nacional de Salud Reproductiva, asi como a la Unión Civil o la Educación Sexual en las escuelas (estas últimas en el ámbito acotado de la ciudad de Buenos Aires), son algunos de los ejemplos más recientes. En tal situación, los Encuentros Nacionales de Mujeres se están transformando en el escenario de virulentas confrontaciones entre las mujeres enviadas por las paroquias con instrucciones precisas de imponer una visión fundamentalista en determinados temas y la inmensa mayoría de las participantes que, católicas o no, intentan debatir las prioridades del movimiento amplio de mujeres de Argentina.

Mestiçagem, igualdade e afirmação da diferença: pensando a política de cotas na universidade

PID: S0104-026x2005000300017 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Azeredo
RESUMO Escrito num momento em que no Brasil a mestiçagem estava na ordem do dia, pela relação que se estabelecia entre ela e a questão das cotas nas universidades para pessoas pobres, negras e indígenas, contida no anteprojeto de reforma universitária proposto pelo Ministério da Educação, este ensaio se inspirou no trabalho de Gloria Anzaldúa no sentido de contribuir para o debate sobre a introdução de cotas, através da discussão da noção de mestiçagem, analisando a fundamentação do anteprojeto formulada pelo então ministro da Educação, Tarso Genro, e por Boaventura de Sousa Santos e quatro textos publicados na época com posições contrárias à introdução de cotas. Tomando como base o conceito de consciência mestiça de Anzaldúa, o ensaio termina por argumentar que a reforma pressupõe uma reestruturação profunda da universidade, que está em crise justamente por seu caráter excludente ao longo de sua história.

Mulher-raça: a reprodução da nação em Gabriela Mistral

PID: S0104-026x2005000200002 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Fiol-Matta
O artigo desmascara a posição pública assumida por Gabriela Mistral como defensora dos povos indígenas, argumentando que no âmbito privado sua posição foi absolutamente oposta a qualquer afirmação sexual pública não-normativa. A autora sugere três operações críticas para a leitura da obra de Mistral sobre o sujeito da "raça" latino-americana: a recusa da negritude (Mistral reage a ela com ansiedade, sexualização e patologização, ou seja, com atitudes brancas estereotipadas), a cumplicidade da linguagem da diversidade com as práticas do pensamento supremacista branco (evidenciada em sua correspondência) e o papel da queerness no nacionalismo racializado de Mistral (sua atitude queer acabou ajudando a aprimorar a heteronormatividade e o projeto racial latino-americanista).

Mulheres budistas como líderes e professoras

PID: S0104-026x2005000200015 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Gross
No budismo, o papel do professor de dharma (religioso) é a função mais prestigiosa, e o professor de dharma tem mais autoridade do que qualquer outro líder. Apesar de os ensinamentos budistas não conterem nenhuma doutrina que limite essa função ao homem, na prática, em toda a história budista, foram pouquíssimas as mulheres que se tornaram conhecidas como professoras de dharma. Algumas pessoas acham que essas práticas não prejudicam as mulheres, porque estas podem, ainda assim, receber os ensinamentos, fazer as práticas mais avançadas e obter altos níveis de esclarecimento espiritual. Contudo, eu afirmo que o fato de não haver professoras de dharma reconhecidas foi nocivo seja para as mulheres budistas, seja para o próprio budismo. Isso tem a ver com o legado das comunidades de monjas em muitas partes do mundo budista, com os baixos padrões de educação para as mulheres, com o fraco prestígio de que gozam as praticantes mulheres, com a falta de modelos para as mulheres e com a perda da sabedoria feminina na herança do pensamento budista. Até que as professoras de dharma não forem amplamente reconhecidas e honradas, o budismo continuará sendo perseguido por seu passado patriarcal, com o prejuízo de todos.

O corpo feminino como objeto médico e "mediático"

PID: S0104-026x2005000200004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Natansohn
É comum na televisão brasileira a presença de profissionais da saúde, na sua maioria ginecologistas, que respondem consultas do público. É o caso dos quadros semanais de dois programas diários que aqui analisamos: o Note e Anote (Rede Record), de alcance nacional, e o Conversa Franca (Band-Bahia), regional, os quais denominamos "tele-consultas médicas". Pretendemos discutir, através da análise desses produtos, como a menstruação - e as vicissitudes vinculadas a ela - é representada na mídia, vinculada à idéia de impureza, sujeira ou como patologia, e como essas estratégias representacionais operam sobre a criação de identidades de gênero e participam na conflitiva relação das mulheres com seu próprio corpo.

O enigma da igualdade

PID: S0104-026x2005000100002 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2005
Autores: Scott
Scott estabelece, através deste artigo, uma discussão sobre os conceitos de igualdade e diferença, do gênero, das identidades individuais e de grupo, enfatizando a necessidade de historicidade do tema dentro da sociedade contemporânea. O artigo trata também de questões que envolvem as políticas de ação afirmativa, diferenças de gênero e raça no mundo do trabalho ou acesso de minorias a universidades. Scott argumenta que a questão da igualdade precisa ser entendida em termos de paradoxo.
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