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Visão de mães sobre o processo educativo dos filhos com Síndrome de Down

PID: S0104-40602004000100009 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2004
Autores: Macedo Martins
Este artigo sintetiza dados de uma investigação realizada em Natal/ RN, a respeito da visão de mães sobre o filho com Síndrome de Down e sua educação, em escolas regulares, assim como analisa a sua participação no processo educativo e as expectativas em relação ao seu futuro. Para tanto, utilizou-se uma abordagem qualitativa, com vistas à melhor compreensão da problemática estudada. Empregou-se, como instrumento de coleta de informações, a entrevista estruturada. A partir das informações coletadas e analisadas, apreende-se que as mães, ao optarem pela escola regular, buscaram oferecer o melhor para seus filhos em termos educacionais. De forma geral, evidenciaram uma visão otimista sobre eles e crença em suas possibilidades, o que as fez buscar investir, de forma mais acentuada, na sua educação, visando ao seu crescimento pessoal, assim como ao seu desenvolvimento cognitivo e social.

A educação na ética kantiana

PID: S1517-97022004000300005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Oliveira
Este artigo trata da antropologia moral de Kant na qual estão inseridas as suas considerações sobre educação. Tal como a ética kantiana é tratada costumeiramente, não apreendemos o valor de sua parte empírica, muitas vezes negada. Tal parte empírica consiste nesta antropologia moral que nos capacita para acolher em nossa vontade, pela via da educação, especificamente pelo que Kant chama de “didática ética”, as leis morais em seus princípios assim como para assegurarmos sua eficácia no nosso mundo social. Uma vez que Kant afirma que “o homem, afetado por tantas inclinações, é na verdade capaz de conceber a idéia de uma razão pura prática, mas não é tão facilmente dotado da força necessária para a tornar eficaz in concreto no seu comportamento” devemos implementar nossas máximas de comportamento pela educação e pelo cultivo do nosso espírito. O que nos levará às teses de uma virtude ensinada ao jovem que, posteriormente, aprenderá a fazer uso da sua liberdade. Este estudo divide- se em seis pequenos itens, a saber, uma breve introdução, um estudo acerca da antropologia moral, a questão da educação dentro desta antropologia, uma breve análise da obra Sobre a pedagogia na qual privilegiamos os estágios da educação, tal como vistos por Kant, e a importante questão da formação do caráter e, finalmente, uma breve conclusão.

A escola e os educadores em tempo de ciclos e progressão continuada: uma análise das experiências no estado de São Paulo

PID: S1517-97022004000300002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Jacomini
Neste artigo discute-se a atuação dos educadores no processo de implementação dos ciclos e da progressão continuada nas redes públicas de ensino municipal e estadual de São Paulo em quatro momentos distintos: na Reforma de 67/68, na implantação do Ciclo Básico de Alfabetização em 1983/84, na instituição do regime de progressão continuada em 1998, (rede estadual paulista), e na adoção dos ciclos e da progressão continuada em 1992 (rede municipal de ensino da cidade de São Paulo). Considera-se que a efetivação das políticas públicas educacionais depende, em grande medida, da participação de seus principais protagonistas - os educadores. Por isso é importante saber como determinados condicionantes influenciam as concepções e a atuação dos educadores perante os ciclos e a progressão continuada. Tendo como referência quatro experiências realizadas em distintos momentos e com características particulares, busca-se analisar com base nos condicionantes materiais, ideológicos e institucionais- pedagógicos a resistência dos educadores em relação aos ciclos e à progressão continuada. Busca-se compreender como esses condicionantes interagem na determinação de uma concepção, muito comum entre os educadores, de que os ciclos e a progressão continuada são importantes na democratização do ensino e da aprendizagem, não obstante não existirem condições materiais e institucionais- pedagógicas para implementá-los. Sendo assim, eles contribuiriam para deteriorar ainda mais a qualidade do ensino. Com isso, quer- se neste artigo elucidar uma das controvérsias que envolvem os ciclos e a progressão continuada: a resistência dos educadores em aceitá-los e implementá-los.

A experiência do corpo na dança butô: indicadores para pensar a educação

PID: S1517-97022004000300006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Nóbrega Tibúrcio
Neste artigo pretende-se refletir, apoiado em alguns ensaios de Merleau-Ponty e com base na fenomenologia, acerca do corpo e das narrativas e saberes que nele se anunciam na dança butô - modalidade que combina dança e teatro, criada no Japão na década de 1950. De modo geral, o corpo foi compreendido como elemento acessório no processo educativo, e essa compreensão ainda é predominante no contexto atual. Nossa reflexão tenta apontar outros caminhos de entendimento do corpo na educação, a partir de uma atitude que busca superar o instrumentalismo e ampliar as referências educativas, ao considerar a fenomenologia do corpo, e sua relação com o conhecimento sensível, como aquela capaz de amplificar a textura corpórea dos processos de conhecimento. Considerando a experiência do corpo na dança butô, apresentamos indicadores para pensar a educação, relacionados à experiência estética. Dentre eles destacamos: a plasticidade do corpo, a sua produção incessante de ressignificações, a sua abertura à inovação, a sua condição mutante, a sua ruptura com a mecanização gestual, a sua não dissociação entre homem e mundo, pensamento e sentimento. Todos esses aspectos que reúnem o saber recursivo, integrativo e criativo do corpo, são indicadores para pensarmos na educação, por tratar-se de uma nova possibilidade de leitura do real, a partir da linguagem do gesto, em que dialogam saberes e práticas inscritos na experiência corporal.

A prática da não- retenção escolar na narrativa de professores do ensino fundamental: dificuldades e avanços na busca do sucesso escolar

PID: S1517-97022004000200003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Glória Mafra
Este estudo descreve e analisa as percepções de professores sobre a prática da não- retenção escolar que busca possibilitar a alunos de camadas populares uma sobrevivência escolar mais prolongada. Para tanto, definiu-se como locus da pesquisa uma escola fundamental da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, que, desde 1995, assumiu o projeto político-pedagógico Escola Plural. A partir dessa reforma, mudanças radicais foram introduzidas na organização pedagógica das escolas e no trabalho docente objetivando construir uma escola mais includente e democrática. Numa abordagem qualitativa como procedimento central de investigação, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os professores, no sentido de configurar as práticas pedagógicas construídas por esses atores e apreender alterações nos aspectos relativos aos processos de escolarização dos educandos a partir da adoção dos ciclos de formação e da eliminação dos mecanismos de reprovação escolar. A análise do material discursivo, obtido com a realização das entrevistas, foi feita pelo método de análise de conteúdo. A conclusão é de que o princípio da não-retenção, no âmbito da escola pesquisada, não consegue desfazer, por si mesma, os nós imbricados no sistema de ensino e reverter o quadro de exclusão que ainda persiste. Sem que os processos de ensino, as práticas pedagógicas e as estratégias escolares se reformulem para adquirirem contornos menos punitivos, seletivos e excludentes, o avanço certamente se mostrará limitado a uma escola que exclui menos, mas que continua excluindo.

A reinvenção da escola a partir de uma experiência instituinte em hospital

PID: S1517-97022004000200005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Fontes
O objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância do método narrativo e da escuta pedagógica para a construção de discursos alternativos à fala hegemônica na educação, mediante uma atuação docente que investigue sua própria prática. Com base na escuta das falas de crianças hospitalizadas e em leituras de Walter Benjamin, este texto se propõe a subverter o pensamento que tem dominado o cenário educacional no Brasil. Embora esse pensamento hegemônico nos obrigue a acreditar que não existem alternativas, as propostas de reformas são plurais e desmentem a ideologia veiculada pela mídia. Essas reformas nascem na base da sociedade civil e estão articuladas com setores populares, cujos protagonistas são os educadores. As experiências instituintes em escolas públicas e fora delas procuram responder às mudanças de nosso tempo. A sociedade da informação mediática e do bombardeio visual abre mão da reflexão e da análise minuciosa da produção cultural e educacional que a invade, reproduzindo como se fossem dogmas os jargões que a mídia produz. Qual o lugar dos indivíduos excluídos na sociedade do espetáculo? Na sociedade de promessas de lucros fáceis, fama rápida e conhecimentos sem aprendizado? Em meio à complexa cultura informacional de discursos desconectados, o que parece ser comum, para a maior parte das crianças hospitalizadas no Brasil, é que elas são marcadas pelo ciclo da miséria, da exclusão e pela ausência de quem, as permitindo falar, escute suas vozes. Conclui- se que escutar a narrativa dos excluídos consequentemente tem implicações na ampliação de experiências educativas que possam contar uma outra história: a de um mundo mais humanizado.

Aprender a ler entre cartilhas: civilidade, civilização e civismo pelas lentes do livro didático

PID: S1517-97022004000300009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Boto
Este ensaio tem por objetivo identificar o lugar social ocupado pela cartilha de primeira leitura nos usos e costumes da história da moderna escolarização primária. O propósito do estudo é o de averiguar o entrecruzamento entre o livro didático e as práticas da escola primária, mediante a clivagem analítica do campo da História da Educação. Prescrição, constrição, controle e confronto, o manual didático de ensino das primeiras letras propõe-se a destacar o contexto do letramento como alternativa para a oralidade do mundo infantil. Com tal pressuposto, o trabalho aqui desenvolvido debruça-se sobre a produção didática de um intelectual português de meados do século XIX, Francisco Júlio Caldas Aulete, abordando especificamente a Cartilha nacional de sua autoria. Esse livro de ensinar a ler e a escrever propunha um ensino, a um só tempo, simultâneo, calcado no aprendizado paralelo da leitura e da escrita; e explicitamente contrário à prática da soletração - o que aproximava o modo de ensino prescrito por Caldas Aulete da marcha do que posteriormente se caracterizaria como método analítico de alfabetização. Finalmente, pode-se compreender que o estudo da Cartilha nacional - a despeito de seu caráter tópico - remete a aspectos sócio-históricos de singular relevância, posto que havia ali um rascunho nítido de um projeto de país: civilidade, civismo e civilização eram os dísticos que norteavam a proposta do ensino no rito inicial da escola primária.

Autores e editores de compêndios e livros de leitura (1810-1910)

PID: S1517-97022004000300008 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Bittencourt
Este artigo apresenta reflexões sobre o problema da autoria do livro didático. O papel do autor do livro didático tem sido um tema polêmico por sua ambigüidade em relação a seus direitos e suas responsabilidades. O livro didático oferece retornos financeiros consideráveis para editores e autores, e esta condição implica envolvimentos mais complexos e tensos. O artigo procura, nessa perspectiva, traçar o perfil dos primeiros autores de livros didáticos brasileiros, no período de 1810 a 1910, com o objetivo de caracterizar o processo de intervenções de diferentes sujeitos nessa produção. As características da produção do livro didático como texto submetido aos programas curriculares, dependente das autorizações do poder educacional e das formas de comercialização e circulação, são indicadas para mostrar quem foram os autores que aceitaram essas imposições. Apresenta as imposições para a confecção dos livros diante das mudanças do público ao qual é destinado. Inicialmente produzido para professores, o livro didático vai se tornando livro do aluno. Nesse processo os referenciais pedagógicos e o público escolar passaram a exigir cuidados com a linguagem e exige-se a constituição de novos “gêneros didáticos” para o nível elementar. O perfil do autor do livro didático transforma-se, assim como sua autonomia, acentuando as relações entre editor e autor.

Autoscopia: um procedimento de pesquisa e de formação

PID: S1517-97022004000300003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Sadalla Larocca
Este artigo trata de um procedimento de coleta de dados denominado autoscopia. A autoscopia vale-se do recurso de videogravação de uma prática, visando a análise e auto-avaliação por um ou mais protagonistas dessa prática. Por meio da videogravação objetiva-se apreender as ações do ator (ou atores), o cenário e a trama que compõem uma situação. O material videogravado é submetido a sessões de análise a posteriori da ação os quais se destinam a apreensão do processo reflexivo do ator (ou atores), através de suas verbalizações durante a análise das cenas videogravadas. O artigo apresenta uma fundamentação teórica do procedimento de autoscopia, aborda vantagens e limites de sua utilização, bem como os cuidados a serem considerados e, finalmente, descreve as experiências das autoras em duas pesquisas em que o procedimento foi utilizado. A partir de duas experiências, apontam-se diferenças e semelhanças entre os trabalhos, especialmente relacionados aos participantes, objeto e à distribuição no tempo das videogravações. As autoras tecem considerações sobre o potencial formativo-reflexivo do procedimento, tanto em situações de pesquisa como de aprendizagem e formação de diferentes profissionais, considerando ser este um excelente instrumento de formação. No entanto, é vital que se tenha em mente a necessidade de reconhecer e devolver ao professor, enquanto partícipe autoscópico, a condição de sujeito de sua própria profissão, promovendo, portanto, além da avaliação de si, também a autonomia do seu pensar e fazer.

Ciclos de vida: algumas questões sobre a psicologia do adulto

PID: S1517-97022004000200002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Oliveira
Neste artigo pretende-se sistematizar algumas reflexões sobre a possibilidade de formulação de uma psicologia do adulto, a partir da definição do desenvolvimento psicológico como transformação que ocorre ao longo de toda a vida e da postulação da idade adulta como uma etapa culturalmente organizada de passagem do sujeito pela existência tipicamente humana. Com base na afirmação da importância das atividades e práticas culturais na constituição do psiquismo, especialmente por meio da realização de tarefas e da utilização de instrumentos e signos como mediadores da atividade psicológica, buscam-se caminhos para a historicização da psicologia do adulto. Para isto propõe-se uma compreensão aprofundada da organização de diferentes práticas culturais, da construção compartilhada de sentidos e significados, da internalização de modos de fazer, de pensar e de produzir a cultura em cada um dos seus âmbitos concretos, cuja finalidade é superar a prática mais comum na psicologia, isto é, a apresentação daquilo que é contextualizado historicamente como sendo universal. Com a intenção de aprofundar a compreensão de um grupo específico de adultos, inclui-se neste artigo a discussão de dados empíricos obtidos na fase preliminar de uma pesquisa sobre trabalhadores urbanos que freqüentam um curso supletivo com o objetivo de elevação da escolaridade associada à preparação para o trabalho. Implicações para a educação de jovens e adultos, subentendidas ao longo de todo o texto, são brevemente explicitadas no final.

Comprender y hacerse comprender: como reforzar la legitimidad interna y externa de los estudios cualitativos

PID: S1517-97022004000200008 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: van Zanten
El objetivo de este texto es de tomar en cuenta los aportes de un cierto número de publicaciones recientes de carácter metodológico, principalmente francesas, y nuestras propias reflexiones acerca de las condiciones de producción y de recepción de las interpretaciones cualitativas para proponer diferentes maneras de aumentar la legitimidad interna y externa de los estudios cualitativos, particularmente en la sociología de la educación. En la primera parte analizamos como mejorar la validez de las interpretaciones a través de la observación de un cierto número de reglas en la selección del campo de estudio y en la realización de entrevistas y observaciones. En la segunda parte nos interesamos a la manera de mejorar el trabajo de interpretación a través de la toma de distancia, el refuerzo de la coherencia interna y la aplicación de diversas estrategias de generalización.

Democratização do ensino: vicissitudes da idéia no ensino paulista

PID: S1517-97022004000200012 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Azanha
Partindo do reconhecimento de que o termo “democracia” pode prestaras a todo tipo de propaganda ideológica, há muita dificuldade em esclarecer a noção derivada de ensino democrático. Para contornar esse obstáculo, o A. distingue entre a propaganda e a ação democratizadora, atendo-se ao exame da segunda. Neste sentido analisa alguns esforços de democratização do ensino no Estado de São Paulo, através dos seguintes episódios: Reforma Sampaio Dória (1920); expansão da matrícula no ensino ginasial (1967-1969) e tentativa de renovação pedagógica proposta pelos Ginásios Vocacionais. Nessa análise procura também distinguir entre a idéia de democratização do ensino como prática de liberdade e como expansão de oportunidades a todos, procurando mostrar como no primeiro sentido pode haver uma degradação, em termos pedagógicos, da idéia de democracia política.

Dois manuais de história para professores: histórias de sua produção

PID: S1517-97022004000300010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Munakata
A Campanha do Livro Didático e Manuais de Ensino (Caldeme), instituída por Anísio Teixeira quando este assumiu o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), em 1952, buscou produzir livros didáticos e manuais para professores, entre outros materiais didáticos. Os manuais de História do Brasil e História Geral, para professores, foram encomendados a, respectivamente, Americo Jacobina Lacombe e Carlos Delgado de Carvalho, em 1953. Este artigo acompanha a produção desses manuais, apresentando, na medida do possível, os sujeitos nela envolvidos. Os conflitos e debates são expressos em um momento particular da história educacional e se articulam ao processo de mudanças também da produção historiográfica, podendo-se identificar as relações entre as diferentes esferas de produção didática. A escolha de professores universitários para a composição de obras didáticas situa as clivagens entre produções acadêmicas e as de caráter pedagógico. Nessa perspectiva situam-se as diferenças de projetos universitários perante o problema de formação de professores. Espera-se com isso elucidar aspectos de uma política pública educacional, de âmbito federal, até agora pouco investigada. Além disso, ao acompanhar as discussões suscitadas durante a elaboração desses manuais, procura examinar as concepções sobre história e ensino de história que então se confrontaram, assim como as aproximações e separações entre a produção acadêmica e a escolar.

Formação de professores e educação em direitos humanos e cidadania: dos conceitos às ações

PID: S1517-97022004000300004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Carvalho Sesti Andrade Santos Tibério
Este artigo relata a experiência do Projeto Direitos Humanos nas Escolas na elaboração e realização de um curso de formação de professores voltado para a difusão dos ideais e valores dos direitos humanos, da democracia e da cidadania como eixos norteadores de toda e qualquer prática escolar e não apenas de discursos pedagógicos. Cabe destacar que se trata de um desafio de grande envergadura dada as características históricas tanto da escola brasileira quanto da nossa sociedade em sentido amplo. Considerando tal desafio, apresenta de forma sintética os princípios, atividades e reflexões resultantes das experiências mais significativas dos três primeiros anos de trabalho desse projeto com escolas da rede estadual e municipal nos municípios de Osasco e São Paulo. Entre outras coisas, este artigo expõe as diferentes formas que o referido curso assumiu dada a dificuldade da criação de um formato de atividades capazes de tornar as práticas do cotidiano escolar um objeto de reflexão para os envolvidos diretamente com a ação educativa, assim como para as instituições escolares como um todo, e aponta importantes características que essa proposta de formação continuada de professores gerou na busca da elucidação dos desafios que a atual escola brasileira deve enfrentar na realização de sua função pública.

Injustiça na escola: representações sociais de alunos do ensino fundamental e médio

PID: S1517-97022004000200004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Carbone Menin
Neste artigo apresenta-se o relato sobre duas pesquisas que buscaram investigar como os alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares do município de Presidente Prudente representam situações de injustiça na escola, bem como seus agentes e os tipos de ações que cometem. Dois conjuntos de dados foram analisados: 1) respostas obtidas por meio de questões abertas incluídas num questionário aplicado em 480 alunos em 1999, em alunos da 8a série do ensino fundamental e 1a série do ensino médio, nas quais foram selecionadas, para análise, as respostas que tivessem a escola como local de injustiça; 2) respostas de alunos da 5a. série do ensino fundamental em questões sobre injustiça na escola aplicadas em 2003. Para análise teórica, foram utilizadas as abordagens da Psicologia do Desenvolvimento Moral de Piaget e Kohlberg e da Representação Social, criada por Moscovici. Comparando as duas pesquisas, a de 1999 e a de 2003, conclui-se que em nenhuma das séries a escola aparece como uma “comunidade justa” e que prevalecem os casos de injustiça retributiva e legal. Como principais agentes de injustiças aparecem, primeiramente, o professor perante seus alunos e, em segundo lugar, os alunos entre eles mesmos. Os alunos de escola particular apontaram mais o professor como agente de injustiças que os de escola pública. Entre esses as injustiças entre alunos foi mais citada. Os alunos de escola pública se posicionaram contra regras escolares que se opõem às necessidades pessoais com mais veemência que os de escola particular.

Livros didáticos em dimensões materiais e simbólicas

PID: S1517-97022004000300011 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Fernandes
O texto apresenta o relato de uma pesquisa em andamento sobre a memória de usuários de livros didáticos. As reflexões estão baseadas no trabalho de história oral, de coleta e análise de entrevistas com alunos e professores, que interagiram com esses materiais no espaço escolar, entre os anos de 1940 e 1970, e que são procedentes de diferentes localidades brasileiras. A proposta tem sido investigar as reminiscências do livro didático; quais têm sido aquelas que sinalizam suas interferências na formação social e cultural das pessoas e no seu imaginário; os papéis sociais, educacionais e culturais que o livro didático alcança na formação de gerações ou em localidades; e os valores atribuídos a esses objetos, que orientam, por exemplo, atitudes em prol de sua guarda ou preservação. A pesquisa faz parte de um projeto maior, “Educação e memória: organização de acervo de livro didático”, coordenado pela professora Circe Bittencourt, na Faculdade de Educação da USP, do qual fazem parte pesquisadores que trabalham com diferentes problemáticas, variadas áreas de conhecimento e que utilizam fontes distintas. E, nesse sentido, o trabalho procura contribuir também para a identificação de dados que colaboram para ampliar o número de informações gerais que instiguem ou complementem outras pesquisas possíveis relativas a esse objeto de estudo.

Metodologia qualitativa de pesquisa

PID: S1517-97022004000200007 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2004
Autores: Martins
Este artigo apresenta reflexões sobre o que significa fazer ciência no âmbito dos métodos e técnicas qualitativos da sociologia. Tem como pressupostos uma compreensão de metodologia como o conhecimento crítico dos caminhos do processo científico, que indaga e questiona acerca de seus limites e possibilidades; e o reconhecimento de que todo conhecimento sociológico tem, como fundamento, um compromisso com valores. A pesquisa qualitativa é definida como aquela que privilegia a análise de microprocessos, através do estudo das ações sociais individuais e grupais, realizando um exame intensivo dos dados, e caracterizada pela heterodoxia no momento da análise. Enfatiza-se a necessidade do exercício da intuição e da imaginação pelo sociólogo, num tipo de trabalho artesanal, visto não só como condição para o aprofundamento da análise, mas também - o que é muito importante - para a liberdade do intelectual. Discutem-se as principais críticas feitas à pesquisa qualitativa, em especial as acusações de falta de representatividade e de possibilidades de generalização; de subjetividade, decorrente da proximidade entre pesquisador e pesquisados; e o caráter descritivo e narrativo de seus resultados. Neste contexto, reflete-se sobre os problemas éticos envolvidos nesse tipo de pesquisa, e retoma-se brevemente a história que culminou com o predomínio do enfoque quantitativo, especialmente na sociologia norte-americana do pós-guerra. Em conclusão, o texto propõe que hoje o mais importante é produzir um conhecimento que, além de útil, seja explicitamente orientado por um projeto ético visando a solidariedade, a harmonia e a criatividade.

A construção do gênero e o brincar na Educação Infantil

PID: S0102-46982004000200010 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 2004
Autores: Kude Knüppe Plentz
Estudos mostram que crianças em idade pré-escolar apresentam tendência de se auto-segregar de acordo com o gênero, e que essa segregação leva ao desenvolvimento de diferentes conjuntos de habilidades sociais, estilos, expectivas e preferências. Com base nessas premissas e com o propósito essencial de obter subsídios para a compreensão do fenômeno das diferenças de gênero, os objetivos deste estudo foram: investigar as especificidades do brincar, as semelhanças e diferenças nos modos de brincar de meninos e meninas, na Educação Infantil, bem como descrever as brincadeiras, tanto em grupos do mesmo sexo quanto em grupos mistos, e investigar se as pessoas adultas induzem as brincadeiras tipificadas de sexo. Os dados foram coletados em instituições de Educação Infantil que atendem crianças de 4 a 6 anos. Os resultados mostram que: ocorre segregação entre meninos e meninas, devido à preferência de objetos de brincar diferentes; há interação entre ambos nas atividades não-tipificadas sexualmente; há influência das pessoas adultas na separação de gênero nas brincadeiras; as meninas organizam a brincadeira, despendem mais tempo na mesma atividade de brincar e tendem a excluir os meninos no momento da organização; os meninos são mais turbulentos, agitados e inquietos no brincar.

A escolarização da música: concepções e contradições

PID: S0102-46982004000100007 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 2004
Autores: Pires
Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama, dentro de uma perspectiva histórica, social e política, do processo de escolarização da Música no Brasil, desde o final do século XIX até os dias atuais, trazendo à luz concepções, valores e crenças que conduziram a prática pedagógica dos professores das escolas públicas ao longo dos anos. Pretende-se, também, analisar as concepções e contradições presentes na legislação educacional brasileira, e suas influências na formação e no perfil do professor de Música.

Aprender o método industrioso de ler com análise: o projeto de criação da Sociedade Phylopolytechnica de São João Del-Rei (Minas Gerais, 1824-1828)

PID: S0102-46982004000100008 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 2004
Autores: Morais
Neste artigo, analiso a tentativa de criação da Sociedade Phylopolytechnica de São João Del-Rei, uma instituição que se pretendia inaugurar em anexo à Biblioteca Pública da Vila. Os Estatutos da Sociedade mostram que variadas formas de acesso ao escrito foram “arquitetadas” pelas elites oitocentistas desejosas de instrução. Esses estabelecimentos, entendidos em seu contexto, são exemplares no que se refere à maneira como os homens do período procuravam, por meio da palavra escrita, atingir graus mais elevados de civilização e progresso.
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