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A mulher na agricultura orgânica e em novas ruralidades

PID: S0104-026x2004000100016 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Karam
Conhecer e reconhecer o papel da mulher agricultora nos novos processos produtivos em curso voltados a atualizar o lugar do rural nas sociedades contemporâneas, a partir do sistema de produção da agricultura orgânica, é a pretensão maior deste trabalho. Interessa identificar as estratégias adotadas pela agricultura familiar para a dinamização e manutenção de modos de viver o meio rural, ao mesmo tempo que interessa identificar as possibilidades de trazer à visibilidade o espaço rural nas sociedades modernas. Nesse contexto é que se pesquisou a agricultura orgânica na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), analisou-se quem são os agricultores envolvidos no processo e, dentro dele, buscou-se apontar o papel que a mulher agricultora desempenha, desde o processo produtivo até a sociabilidade necessária à manutenção de um “meio rural vivo”, onde a agricultura orgânica aparece como uma estratégia.

Engendrando desenvolvimento e etnicidade nas terras baixas do Pacífico colombiano

PID: S0104-026x2004000100003 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Asher
Neste ensaio exploro como as organizações e redes de mulheres afro-colombianas moldam e são moldadas por iniciativas do Estado para desenvolver e modernizar a região do Pacífico. Argumento que, agindo assim, elas mobilizam e vão além da retórica desenvolvimentista do Estado e do discurso de uma etnia negra ‘gendrada’ e da tradição das organizações políticas negras da região.

Gênero e agricultura: a situação da mulher na agricultura do Rio Grande do Sul

PID: S0104-026x2004000100011 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Brumer
O texto examina as formas de inserção das mulheres na agricultura familiar, procurando explicar a seletividade de gênero do processo migratório. Primeiramente, aborda a distribuição da população, por sexo e por grupos de idade, em diversas regiões do Estado do Rio Grande do Sul, caracterizando o maior índice de emigração de mulheres jovens do que dos demais grupos etários e de sexo. Depois, trata da divisão do trabalho por sexo e idade, dos efeitos da modernização sobre o trabalho agrícola, da inserção dos jovens no trabalho da unidade produtiva familiar, das atividades fora da agricultura e dos procedimentos utilizados pelos produtores agrícolas para a transmissão da propriedade rural para os filhos. Finalmente, discute o possível efeito do acesso das mulheres rurais à Previdência Rural sobre suas perspectivas de permanecer ou não na atividade agrícola.

Gênero e insegurança no trabalho no Reino Unido

PID: S0104-026x2004000200010 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Purcell
O objetivo deste artigo é explorar a dimensão de gênero da insegurança do emprego no Reino Unido, focalizando, para tanto, as recentes tendências do trabalho temporário, que incluem o de prazo fixo, o sazonal, o sem vínculo empregatício, o contratado através de agência, o ocasional e outros tipos de trabalho temporário. Essas formas de trabalho são, inequivocamente, inseguras, sejam elas livremente escolhidas ou não. A primeira seção do artigo trata das pressões e resistências que têm, cumulativamente, levado à atual participação de mulheres no trabalho remunerado. Examinam-se, em seguida, as recentes tendências nos padrões de emprego no Reino Unido, com especial referência às diferenças entre mulheres em idade de trabalho, bem como à incidência e distribuição do trabalho de meio período. As tendências recentes e as diferenças de gênero no trabalho temporário são, assim, consideradas à luz desse contexto mais amplo. Finalmente, esses achados são confrontados com os argumentos no sentido de que o emprego atípico fornece oportunidades para um aumento da participação de mulheres na força de trabalho e para uma conciliação prática entre o emprego e os papéis e relacionamentos familiares.

Gênero e políticas públicas

PID: S0104-026x2004000100004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Farah
Análise da incorporação da perspectiva de gênero por políticas públicas desenvolvidas por governos subnacionais no Brasil. O artigo inicia-se com uma reconstituição da agenda de gênero e de sua relação com a agenda de reforma do Estado e das políticas públicas desde a década de 1980. Identificam-se a seguir propostas formuladas por movimentos de mulheres e entidades feministas no campo das políticas públicas. Com base nessas propostas, são analisados programas das áreas de saúde, combate à violência contra a mulher e geração de emprego e renda, destacando-se a maior ou menor aderência das iniciativas locais à agenda feminista.

Jornadas de trabalho de mulheres e homens em um assentamento do MST

PID: S0104-026x2004000100017 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Salvaro
Este texto busca discutir a divisão do trabalho em um assentamento coletivo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Santa Catarina, marcado pela proposta de coletivização da terra e dos meios de produção. Nessa forma de organização, busca-se, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo MST, a transformação igualitária e solidária da sociedade, incluindo a construção de novas relações de gênero. O que se observou é que, no cotidiano, mulheres e homens, sujeitos históricos e culturais, apropriam-se desses discursos de gênero, ao mesmo tempo que buscam lidar com as contradições que se apresentam. Entre estas, colocam-se as diferentes jornadas de trabalho que, apoiadas em padrões relacionais fixos, determinam oito horas diárias para os homens na produção e quatro para as mulheres, em função do trabalho doméstico e do cuidado das crianças.

La mujer es puro cuento: la cultura del género

PID: S0104-026x2004000200005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Stolke
El término género se tornó un atajo, en la década de los 1970s, para designar la construcción cultural y no las bases biológicas del tratamiento desigual entre hombres y mujeres, además de la dominación de las mujeres por los hombres. En las últimas tres décadas de teorización feminista ese vocablo se tornó tan ubícuo como ambíguo pero, sorprendentemente, no existe una historia semántica de sus orígenes, de sus significados, ni de los varios abordajes. En este artículo demuestro que sexólogos y psicólogos americanos introdujeron la palabra gênero en los años 1950s, con la intención de distinguir el sexo anatómico del género social. Esa construcción biomédica de género es relevante para entender las dificultades epistemológicas, en la teoría feminista, con la conección entre género y sexo. El artículo aborda tres questiones relacionadas entre sí: 1) la costumbre, entre académicas feministas, de asociar el término género a las diferencias sexuales; 2) el dualismo heterosexual que caracteriza la noción médica original de género social y que persiste en gran parte de la teoría feminista, hasta fines de los años 1980s; y 3) la indisputada dicotomía cartesiana entre naturaleza y cultura que permanece como un hilván en las controversias sobre sexo y género. Este artículo, inevitablemente, no es conclusivo. Como sugiero, avances de la biotecnología pueden abrir nuevos panoramas en relación al dilema antropológico fundamental de conciliar la cultura con la naturaleza.

Na ante- sala da discriminação: o preço dos atributos de sexo e cor no Brasil (1989-1999)

PID: S0104-026x2004000200011 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Biderman Guimarães
O Brasil se caracteriza por elevados patamares de desigualdades nos rendimentos entre negros e brancos, homens e mulheres. Para analisar com medidas robustas o nível de discriminação prevalecente no mercado de trabalho procuramos, neste texto, controlar os efeitos de atributos individuais (como escolaridade e idade) e de características dos espaços de trabalho (como formalização da relação de trabalho, região geográfica e posição na hierarquia de ocupações). A partir da comparação entre duas bases de microdados da PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, relativas aos anos de 1989 e 1999, foi possível avançar três ordens de resultados. Em primeiro lugar, que a discriminação no mercado, no que concerne às mulheres, é ainda mais elevada que aquela medida pelo simples hiato entre os seus rendimentos e aqueles auferidos pelos homens; já com respeito aos trabalhadores/as negros/as, o efeito líquido que poderia ser atribuído à discriminação salarial parece menos elevado, na medida em que outros fatores, por vezes ainda mais importantes, atuam simultaneamente, explicando as significativas diferenças salariais que os separam dos/das trabalhadores/as brancos/as. Em segundo lugar, observamos que a década de 1990 reduz a intensidade com que fatores ligados à discriminação de sexo e cor atuavam sobre tais desigualdades; entretanto, tal redução é ainda de pequena monta e se sustenta nas perdas importantes ocorridas no salário médio dos homens, notadamente brancos. Em terceiro lugar, quando observados ao longo das distintas posições na distribuição de renda, os determinantes da desigualdade variam em sua importância, e os fatores ligados à discriminação de sexo e cor mostram-se os mais decisivos, em especial entre as mulheres e negros que chegam a galgar posições no topo da hierarquia social.

Negociando o feminismo pop na cultura jovem feminina: um estudo empírico com fãs de grupos femininos

PID: S0104-026x2004000200006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Fritzsche
As Spice Girls são um dos mais bem-sucedidos grupos musicais da década de 1990, tendo se tornado especialmente famosas por sua exaltação do ‘poder jovem feminino’. Relacionado a um estudo que se baseia em entrevistas com fãs e ex-fãs desse grupo feminino, o presente artigo discute até que ponto fenômenos do ‘feminismo pop’ como as Spice Girls podem ser considerados uma fonte de empoderamento para meninas e jovens. O método documentário é utilizado por permitir a análise da recepção midiática como parte de uma cultura popular. Uma abordagem mimética em relação às Spice Girls no interior dessa cultura popular possibilita que suas fãs ocupem identificações diferenciadas na busca de seu próprio posicionamento diante das exigências contraditórias que a sociedade faz às adolescentes. Demonstra-se que suas complicadas negociações se referem a um empoderamento que não pode ser adequadamente categorizado como resistência ou incorporação ideológica.

Neutralidade pseudo- inscrita: a doméstica Lena, a dona de casa Alice e a intelectual Gertrude têm uma só incompreensão do valor

PID: S0104-026x2004000200007 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Meneghel
Uma leitura do tratamento dispensado pelo feminismo ao trabalho doméstico, preocupada com a relação entre o trabalho doméstico e a infra- estrutura que este proporciona à produção intelectual burguesa. Esta leitura, que busca desestabilizar os valores negativos regularmente agregados à subserviência doméstica, tem como base de análise as obras literobiográficas Autobiografia de Alice B. Toklas e Autobiografia de todo mundo, e o conto A Gentil Lena, todos de Gertrude Stein.

Novas tecnologias reprodutivas conceptivas: bioética e controvérsias

PID: S0104-026x2004000100005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Tamanini
Este artigo trata de alguns dos múltiplos aspectos éticos/ bioéticos e de gênero no campo das novas tecnologias reprodutivas conceptivas (NTRc). A literatura nele apresentada aponta para a pluralidade de situações e abordagens possíveis em um campo multidimensional e controvertido. Explicita alguns princípios éticos/ bioéticos do agir biomédico encontrados durante pesquisa com casais heterossexuais que fizeram reprodução assistida e com médic@s especialistas em reprodução humana no Sul do Brasil.1 Apresenta os pressupostos éticos/ bioéticos sancionadores do agir médico e da continuidade dos chamados tratamentos para engravidar, e analisa os mecanismos utilizados para reerguer as expectativas dos casais em situação de desconfiança ou de insucesso.

O feminismo brasileiro desde os anos 1970: revisitando uma trajetória

PID: S0104-026x2004000200003 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Sarti
Com base na experiência brasileira das últimas décadas, o texto aborda o feminismo como um fenômeno que, embora enuncie genérica e abstratamente a emancipação feminina, se concretiza no âmbito de contextos sociais, culturais, políticos e históricos específicos. O artigo mostra, inicialmente, o feminismo no Brasil, nos anos 1970, como um movimento de mulheres que se configura em oposição à ditadura militar e que foi se desenvolvendo, nas décadas seguintes, dentro das possibilidades e limites que se explicitaram no processo de abertura política. Argumenta-se, entretanto, que as dificuldades enfrentadas pelo feminismo brasileiro não dizem respeito apenas aos constrangimentos da conjuntura em que se manifestou, mas a impasses de ordem estrutural do feminismo, uma vez que as mulheres não são uma categoria universal, exceto pela projeção de nossas próprias referências culturais. Sua existência social e cultural implica a diversidade, instituindo fronteiras que recortam o mundo culturalmente identificado como feminino. A análise do feminismo, assim, requer a referência ao contexto de sua enunciação, que lhe dá o significado. Da mesma maneira, a análise das relações de gênero implica considerar a noção de pessoa, tal como concebida no universo simbólico ao qual se referem essas relações.

O valor (do) casamento na agricultura familiar

PID: S0104-026x2004000100013 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Stropasolas
O artigo aborda o questionamento de valores culturais na agricultura familiar e, especificamente, coloca em relevo as diversas representações que vêm sendo construídas por jovens e mulheres em torno da noção de casamento. Para discutir o significado, a importância e as redefinições em curso na categoria casamento, resgatam-se alguns depoimentos feitos por filhas/os de agricultores familiares no âmbito da minha pesquisa de doutorado realizada na região Oeste de Santa Catarina. A partir da análise das representações e das iniciativas da juventude rural, visualiza-se a emergência de conflitos no horizonte das escolhas dos modelos de família e casamento, processo que repercute nos projetos de vida formulados por moças e rapazes e que acarreta um viés de gênero no movimento migratório de jovens.

Observações sobre a libido colonizada: tentando pensar ao largo do patriarcado

PID: S0104-026x2004000100007 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Bensusan
Nestas observações procuro refletir sobre algumas conseqüências da maneira como pensamos e vivemos nossos desejos. Procuro contrastar nossos desejos com a idéia de liberdade e com a maneira como pensamos a natureza. Isso me leva rapidamente a pensar na pornografia, na identidade masculina e em seguida no nosso regime de auto-estima. Desemboco então em um conjunto de temas que se relacionam com as estruturas institucionais e emocionais do patriarcado sob um regime de heterossexualidade normatizada. Tento considerar esses temas sob um ponto de vista da experiência de quem foi treinado na masculinidade e se incomoda com suas conseqüências. Procuro encontrar um modo de repensar o agenciamento de nossos desejos e encontrar caminhos para um exercício de nossas capacidades de desejo que sejam, de alguma forma, mais livres.

Os direitos da mulher à terra e os movimentos sociais rurais na reforma agrária brasileira

PID: S0104-026x2004000100010 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Deere
Este artigo examina a evolução da reivindicação dos direitos da mulher à terra na reforma agrária brasileira sob o prisma dos três principais movimentos sociais rurais: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os sindicatos rurais e o movimento autônomo de mulheres rurais. O mérito maior por levantar a questão dos direitos da mulher à terra é das mulheres dentro dos sindicatos rurais. Os direitos formais das mulheres à terra foram conseguidos na reforma constitucional de 1988, e em grande medida isso foi um subproduto do esforço para acabar com a discriminação contra as mulheres em todos as suas dimensões. A conquista das igualdades formais, contudo, não levou a um aumento na parcela de mulheres beneficiárias da reforma, a qual permaneceu baixa até a metade da década de 1990. Isso aconteceu principalmente porque garantir na prática os direitos da mulher à terra não estava entre as prioridades dos movimentos sociais rurais. Além disso, o principal movimento social a determinar o passo da reforma agrária, o (MST), considerava classe e gênero questões incompatíveis. Próximo ao final da década de 1990, entretanto, havia uma consciência crescente de que deixar de reconhecer os direitos da mulher à terra era prejudicial ao desenvolvimento e à consolidação dos assentamentos da reforma agrária e, portanto, para o movimento. O crescente consenso, entre todos os movimentos sociais rurais, sobre a importância em assegurar o direito da mulher à terra, junto com um lobby efetivo, encorajou o Estado em 2001 a adotar mecanismos específicos para a inclusão de mulheres na reforma agrária.

Os empregos subalternos no setor de telecomunicações: comparações França- Alemanha

PID: S0104-026x2004000200012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Georges
Este artigo trata das transformações da atividade feminina, na França e na Alemanha, a partir dos anos 1960, com base em uma análise de empregos subalternos no setor público. O estatuto da atividade feminina se diferencia entre os dois países europeus, conquanto algumas similitudes possam ser igualmente reconhecidas. Assim, na Alemanha, ao contrário da França, as mulheres que não trabalham de maneira contínua distinguem-se das que têm uma carreira contínua tanto por sua situação conjugal, como pelo fato de terem filhos. A partir dessa constatação geral, analiso a influência da gestão do trabalho no setor público, nos diferentes países, sobre as normas e as práticas das mulheres ali ocupadas. Analisarei o papel social que cumpre um tipo particular de emprego, o das telefonistas do serviço de auxílio à lista, considerado aqui como protótipo de trabalho assalariado pouco qualificado, reunindo evidências de tipo qualitativo, para discutir as relações que essas trabalhadoras estabelecem com o trabalho e com o emprego.

Poder e igualdade: as relações de gênero entre sindicalistas rurais de Chapecó, Santa Catarina

PID: S0104-026x2004000100015 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Boni
A participação das mulheres na direção dos sindicatos, incluindo o Sindicato de Trabalhadores Rurais, tem aumentado nos últimos anos. O movimento sindical rural, historicamente masculino, não aceitava mulheres associadas até início dos anos 1980. Hoje, as mulheres vêm ocupando cargos nas direções executivas, o que não significa que os sindicatos tenham mudado suas práticas discriminatórias. Neste texto analiso as relações de gênero e poder que envolvem homens e mulheres dirigentes no oeste do estado de Santa Catarina. Mesmo com a abertura do espaço sindical para as mulheres e a instauração da cota mínima de 30% de participação feminina estabelecida pela CUT, não há muitas mulheres nos cargos de direção. Elas ficam ‘escondidas’ nos quadros de apoio, ou não participam igualmente, já que o sindicato não evoluiu quanto às suas práticas cotidianas, ainda discriminatórias. É uma batalha constante aliar reivindicações de classe à busca por igualdade de gênero e poder. Às vezes, as mulheres precisam escolher uma das bandeiras.

Relações de gênero e subjetividades no devir MST

PID: S0104-026x2004000100014 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Silva
Os relatórios internos e as diversas e distintas publicações do e sobre o MST produzidos nos últimos 20 anos desvelam processos que permitem perceber que outras preocupações foram constituídas em meio às lutas e disputas pela conquista da terra. Essas preocupações foram mudando, adquirindo outros contornos nas idas e vindas da produção de idéias, práticas e sujeitos de um Movimento em construção. Este estudo é um exercício crítico de reflexão sobre a natureza dessas produções nas relações cotidianas, nas tentativas de construir sujeitos militantes. Busca investigar como as mudanças foram sendo construídas e de que forma foram investidas sobre as relações de trabalho, sociais, políticas e, também, afetivas de mulheres e homens, bem como de homens e homens, e de mulheres e mulheres nas dobras do MST.

Sexualidade na sala de aula: pedagogias escolares de professoras das séries iniciais do ensino fundamental

PID: S0104-026x2004000100006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Ribeiro Souza Souza
Neste trabalho buscamos ver e entender como a sexualidade tem sido tratada nas práticas de sala de aula das séries iniciais, considerando que a percebemos como uma construção histórica e cultural. Examinamos narrativas de professoras sobre suas vivências em sala de aula envolvendo sexualidade, a fim de conhecer os discursos e as estratégias que atuavam na constituição da sexualidade das crianças através das pedagogias escolares utilizadas por elas. Nas experiências narradas, tornaram-se presentes a atuação e a correlação tanto de diversos discursos - da biologia, das identidades de gênero e sexuais, da criança inocente e assexuada, da família, da proteção - quanto de interdições - as explicações do campo biológico, as transferências de alunos, as nomeações pejorativas, as repreensões, as micropenalidades, por exemplo.

Trabalho familiar: uma categoria esquecida de análise

PID: S0104-026x2004000100012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Paulilo
A influência do marxismo na Sociologia do trabalho e no feminismo foi e ainda é muito grande, o que trouxe uma ênfase nos estudos sobre o operariado. Com isso, o campesinato tornou-se um tema de difícil articulação dentro do marxismo e do feminismo. Havia uma crença generalizada de que liberação das mulheres passaria necessariamente por sua independência financeira, fruto da inserção individual no mercado de trabalho. Como ‘encaixar’ aí as mulheres em regime de trabalho familiar? Elas não foram bem ‘encaixadas’, havendo com freqüência um ‘viés urbano’ perpassando as análises do trabalho feminino no campo. O surgimento de vários movimentos de mulheres agricultoras no Brasil colocou em cheque a visão corrente de ‘vítimas’ que se tinha sobre elas, na medida em que estão se impondo como ‘atoras’. Neste momento, porém, os movimentos feministas estão mais voltados para questões de reconhecimento, de identidade, que de redistribuição de renda, propriedades e, o que nos interessa mais, terra. Nosso objetivo neste trabalho é desvelar os preconceitos imbricados na análise do campesinato e trazer de volta questões sobre a condição econômica desigual das mulheres envolvidas na agricultura familiar, cujo acesso à terra se faz quase unicamente pelo casamento. O direito de tomar decisões sobre a própria vida pode ser desvinculado da obtenção de um salário individual, mas não do acesso a uma renda própria.
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