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A belle époque das romancistas

PID: S0104-026x2002000200004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Houbre
O texto trata da presença crescente de romancistas mulheres no final do século XIX e início do século XX, o que transformou a paisagem literária da belle époque na França. Essa transformação foi notada com surpresa e contrariedade por alguns homens de letras que reagiam com comentários desqualificadores das obras dessas mulheres, muitas vezes fazendo afirmações estereotipadas sobre a inexistência nelas do dom de criar. Além de apontar a visibilidade que tais mulheres romancistas ganharam, a autora compara a maneira como apresentavam os personagens femininos e a relação entre os sexos com a forma como os romancistas homens construíam, na época, as suas narrativas. Na belle époque, o crescimento do número de leitoras, promovido pela ampliação da alfabetização feminina e de novas oportunidades de educação e aliado à atuação das feministas, parece ter proporcionado ambiente propício para que inúmeras mulheres abandonassem antigos pseudônimos masculinos e passassem a adotar pseudônimos femininos ou, até mesmo, a assinar seu próprio nome nos romances que escreviam.

A definição do acompanhante no parto: uma questão ideológica?

PID: S0104-026x2002000200015 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Hotimsky Alvarenga
Discursos médicos, jurídicos e sanitaristas reconhecem a importância que tem a presença do acompanhante no parto. Porém, a definição dessa personagem varia- nos diversos discursos em pauta. Descrevemos padrões de acompanhamento na cena do parto em um serviço de saúde ‘alternativo’ com uma proposta de parto ambulatorial realizado fora do hospital, assistido por obstetrizes, discutindo sua relação com as diferentes formas de sociabilidade, inclusive de relações de gênero, existentes entre as mulheres e os homens de distintas origens sociais que freqüentavam esse serviço. Por fim, discutimos os limites impostos, sobretudo pela legislação estadual de São Paulo e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, ao leque de ‘opções’ de acompanhante(s) elegidas pelas parturientes e aos membros de suas redes de relações.

A medicalização do parto e suas conseqüências: o exemplo da França no período entre as duas guerras

PID: S0104-026x2002000200011 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Thébaud
Na história da medicalização do parto, o período entre as duas guerras (1919-1939) aparece na França como um período de transição. Em um contexto de fraca natalidade, produziu-se nesse período, notadamente nas grandes cidades, a transferência de um número crescente de parturientes para as maternidades hospitalares que ofereciam cada vez mais segurança. Desenvolve-se aí então uma rede de consultas pré e pós-natais para acompanhar a gravidez e os cuidados com os bebês. O objetivo era salvar as mães e sobretudo as crianças. Enquanto que as parteiras temiam o declínio de sua profissão, o objetivo foi apenas parcialmente alcançado, porque a medicalização do parto e da função materna encontrou resistências e limites: o peso dos hábitos sociais e culturais, a insuficiência da proteção social da maternidade, as dificuldades das condições de vida de certas camadas da população, a ausência de uma rede coordenada de consultas para mulheres grávidas e recém- nascidos, uma distribuição muito desigual no território francês desses serviços, o apego das profissões de saúde ao exercício liberal e o medo da influência do Estado...

Angelita La Escapía e a fotografia viva de Marx: feminismo e passados presentes em Almanac of the Dead

PID: S0104-026x2002000100004 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Vilela
Análise de Almanac of the Dead à luz de teorias feministas e de uma perspectiva pós-moderna segundo a qual a noção de passados presentes é enfatizada através da exploração da metáfora da fotografia viva de Marx, mostrada no romance. A paixão da personagem Angelita pela fotografia de Marx é vista como uma forma de síntese entre a percepção indígena do tempo como eternos presentes- que é também resistência à opressão, uma vez que o passado não é jamais esquecido - e os conceitos marxistas de tempo e história.

Ao Brasil dos meus sonhos: feminismo e modernismo na utopia de Adalzira Bittencourt

PID: S0104-026x2002000100002 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Ramos
O texto associa o feminismo de Adalzira Bittencourt ao movimento modernista, tecendo relações entre sua utopia - não só de uma sociedade sob o poder das mulheres, mas também sua utopia de modernidade - e o sonho nacional que projetou a nação na década de 1920. Tece também relações entre o feminismo de Adalzira, na linha do Partido Republicano Feminino dos anos 1920 e 1930, e o discurso hegemônico que enfatizou a maternidade como missão da mulher no projeto de regeneração nacional, ou do cultivo da raça, sob as leis da eugenia ou da higiene que se espalharam pelo mundo ocidental.

Armadilhas da nova era: natureza e maternidade no ideário da humanização do parto

PID: S0104-026x2002000200016 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Tornquist
Este artigo trata de caracterizar brevemente o Movimento pela Humanização do Parto e do Nascimento no Brasil, o qual tem buscado promover modificações na assistência ao parto e ao nascimento, sobretudo no âmbito da saúde coletiva. Busca também refletir sobre as noções de Natureza e Maternidade, centrais no ideário do Movimento, bem como os limites de uma noção de empoderamento das mulheres nesse contexto.

As parteiras-chefes da maternidade Port- Royal de Paris no século XIX: obstetras antes do tempo?

PID: S0104-026x2002000200010 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Beauvalet-Boutouyrie
A Maternidade de Port-Royal, fundada em Paris em 1795, era um estabelecimento modelo que, além do atendimento às parturientes, possuía um curso para formação de parteiras, sendo uma das poucas escolas a fornecer formação clínica às alunas. O artigo analisa os primeiros cem anos da Maternidade, destacando a atuação das parteiras-chefes como diretoras de ensino e do atendimento às parturientes. Ressalta a situação excepcional das parteiras-chefes, que conseguiram manter a ascendência sobre os parteiros apesar das críticas e da luta pelo poder por eles desencadeada, e da crescente importância que esses profissionais vinham adquirindo no panorama obstétrico e hospitalar do século XIX. Aponta para a necessidade de pesquisa em outras escolas de parteiras francesas e européias para poder avaliar o grau de originalidade dessa experiência.

Bibliografia comentada sobre a assistência ao parto no Brasil (1972-2002)

PID: S0104-026x2002000200017 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Mott
A organização desta bibliografia teve por objetivos: 1) divulgar trabalhos sobre a assistência ao parto no Brasil, produzidos em diferentes áreas de conhecimento (história, antropologia, enfermagem, medicina, assistência social, psicologia e sociologia); 2) colocar em contacto pesquisadores que trabalham o tema; 3) dar espaço para assuntos, abordagens e autores não contemplados no dossiê. Foram referenciados e resumidos 77 trabalhos (artigos, dissertações, teses, relatórios, cartilha), produzidos por cerca de 50 autores, publicados ou realizados entre 1972 e 2002.

Chega de saudade, a realidade é que..

PID: S0104-026x2002000100013 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Oliveira Sant’anna
Este artigo retoma o tema da diversidade no movimento de mulheres, a partir de uma reflexão sobre o envolvimento da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) na III Conferência Mundial contra o Racismo. As condições que determinaram essa atuação são buscadas nos confrontos e negociações que marcaram as trajetórias da organização política das mulheres e do pensamento feminista no Brasil. Para as autoras, o debate sobre as condições específicas da subordinação, proposto pelas mulheres negras, abriu espaço para outras abordagens sobre o papel das mulheres nos sistemas de produção e reprodução, assim como sobre o caráter patriarcal e escravocrata da sociedade brasileira. Contudo, tais abordagens só passaram a ser incorporadas à prática do movimento feminista ao longo da preparação das Conferências de Beijing e Bejing+5. Nesse sentido, a participação da AMB em Durban sinalizaria o avanço no reconhecimento da identidade das mulheres negras, na afirmação da diversidade e na construção de uma agenda política que coloca no centro a intersecção das discriminações de gênero e raça.

Corporalidade e desejo: tudo sobre minha mãe e o gênero na margem

PID: S0104-026x2002000100008 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Maluf
Análise do filme Tudo sobre minha mãe, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, enfocando a personagem travesti Agrado. Depois de uma comparação com outros filmes que abordam o fenômeno transgênero, é feita uma discussão em torno da noção de corporalidade e da construção do sujeito, dialogando sobretudo com as teorias do corpo da etnologia ameríndia brasileira. O ensaio busca propor alguns elementos para uma reflexão sobre a importância da análise de experiências de margem na renovação teórica no campo dos estudos feministas e de gênero. A experiência corporificada de “tornar-se outro” dramatiza os mecanismos de construção da diferença e se apresenta como um empreendimento anti- hierárquico desestabilizador de políticas dominantes da subjetividade.

Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero

PID: S0104-026x2002000100011 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Crenshaw
Tanto os aspectos de gênero da discriminação racial quanto os aspectos raciais da discriminação de gênero não são totalmente apreendidos pelos discursos dos direitos humanos. O presente documento, baseado no crescente reconhecimento de que as discriminações de raça e de gênero não são fenômenos mutuamente excludentes, propõe um modelo provisório para a identificação das várias formas de subordinação que refletem os efeitos interativos das discriminações de raça e de gênero. Este documento também sugere um protocolo provisório a ser seguido, a fim de melhor identificar as situações em que tal discriminação interativa possa ter ocorrido e, além disso, defende que a responsabilidade de lidar com as causas e as conseqüências dessa discriminação deva ser amplamente compartilhada entre todas as instituições de direitos humanos.

Formação profissional de obstetrizes e enfermeiras obstétricas: velhos problemas ou novas possibilidades?

PID: S0104-026x2002000200014 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Riesco Tsunechiro
Refere-se às transformações na formação profissional de parteiras, obstetrizes e enfermeiras obstétricas no Brasil, desde a criação dos cursos de parteiras vinculados às escolas médicas, no século XIX, até as mais recentes experiências, mediante cursos de especialização em enfermagem obstétrica. Discute os modelos de formação dos profissionais que existem em outros países, considerando tanto o ensino independente da obstetrícia como a modalidade vinculada aos cursos de enfermagem. Apresenta proposta de um curso de obstetrícia para ser oferecido por escolas de enfermagem.

Interseccionalidade em uma era de globalização: as implicações da Conferência Mundial contra o Racismo para práticas feministas transnacionais

PID: S0104-026x2002000100012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Blackwell Naber
Este relatório analisa a interseccionalidade como uma abordagem feminista com significante impacto nos discursos e debates durante o Fórum de ONGs e a Conferência Mundial Contra o Racismo, em Durban, África do Sul. O termo “interseccionalidade” se refere às articulações entre a discriminação de gênero, a homofobia, o racismo e a exploração de classe. Falando do lugar de enunciação de mulheres de cor feministas situadas nos territórios geográficos dos Estados Unidos, as autoras enfatizam algumas questões-chave e tendências dos movimentos sociais que foram ignoradas pela mídia estadunidense. Alternativamente, o relatório examina como a introdução das “intolerâncias correlatas” na agenda da Conferência permitiu discussões mais amplas sobre os efeitos da globalização no agravamento do racismo e sobre as múltiplas opressões com relação à orientação sexual e aos direitos sexuais. As autoras argumentam que uma insistência na significância do gênero e da raça, bem como da classe, no contexto do capitalismo neo- liberal, coloca novas e importantes coordenadas nos mapas do feminismo transnacional e do crescente movimento anti- globalização.

Na trilha do gênero: pentecostalismo e CEBs

PID: S0104-026x2002000200006 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Couto
O trabalho discute a forma como a perspectiva de gênero tem sido incorporada no âmbito dos estudos sobre dois grupos religiosos que nas duas últimas décadas têm mobilizado a atenção de cientistas sociais no Brasil e em outros países da América Latina: os pentecostais e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Por meio da leitura atenta de expressivos trabalhos sobre esses grupos com enfoque nos referenciais de gênero e pobreza, a autora argumenta que o caminho trilhado rumo a uma perspectiva analítica de gênero nesses campos ainda exige das/dos estudiosas/os uma longa empreitada, embora o esforço e a coerência do trabalho nessa direção sejam consideráveis.

O Ciborgue Zapatista: tecendo a poética virtual de resistência no Chiapas Cibernético

PID: S0104-026x2002000100003 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Abdel-Moneim
A circulação global, entre 1994 e 2001, do neo- zapatismo e do ativismo solidário não- indígena como símbolos de resistência no ciber- espaço sugere a necessidade de novas formas de leitura dos movimentos sociais na era digital. Uma leitura feminista do binarismo local/global do espaço discursivo em torno da rebelião maia em Chiapas tanto afirma quanto contesta teorias predominantes pós-modernas sobre a relação entre corpo humano e tecnologias cibernéticas. Esse espaço híbrido transgride e confirma fronteiras entre ator/atriz e audiência, escritor/a e leitor/a, humano e máquina. A relação entre o teatro da resistência material na Zona de Conflito e o crescimento da resistência virtual no Ciber- Chiapas ilustra a natureza ciborgue material/tecnológica da rebelião de Chiapas.

Preconceito e discriminação como expressões de violência

PID: S0104-026x2002000100007 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Bandeira Batista
Neste ensaio discutem-se a construção do preconceito e a visibilidade das discriminações decorrentes, duplamente associadas à condição de emergência das diferenças: seja pela afirmação e manipulação da condição da diferença, seja por sua insistente negação ou dissimulação. Em ambos os casos, o não-reconhecimento das diferenças ou a falta de respeito a elas se fazem presentes, criando novos padrões de violência. A reflexão constrói uma ponte entre o preconceito e a violência, enfatiza as diversas formas de discriminação e exclusão, e compreende os seguintes aspectos: os parâmetros jurídicos em relação a co-existir e a re-conhecer; as ciências sociais diante da construção das diferenças/ dis-semelhanças; os fundamentos conceituais da categoria “preconceito” e suas derivantes em relação às de discriminação e exclusão social; os mecanismos do preconceito; a relação diferença- preconceito, imagem e racionalização do outro.

Proteção social, maternidade transferida e lutas pela saúde reprodutiva

PID: S0104-026x2002000200003 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Costa
Este artigo analisa a natureza das tensões presentes na saída das mulheres para o espaço público e na montagem dos sistemas protecionistas no Brasil. Situa experiências e revisões teóricas no âmbito da história das mulheres, das relações de gênero e dos movimentos feministas, na perspectiva da longa duração histórica. Lutas feministas e padrões de domesticidade reafirmam a casa como o lugar, por excelência, das práticas protecionistas, dispensando ou retardando a montagem dos sistemas públicos de proteção social. Relações entre as mulheres mantidas na administração da casa e as que asseguram sua saída para as atividades fora do espaço doméstico estabelecerão desigualdades nos acessos a direitos sociais. O artigo examina indícios de mudança dessa tendência histórica nas lutas pela universalização dos direitos reprodutivos nos anos 80 do século XX.

Reprodução e gênero: paternidades, masculinidades e teorias da concepção

PID: S0104-026x2002000200005 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Costa
Trata-se de uma discussão sobre reprodução e gênero, a partir de uma pesquisa realizada com homens que procuravam um ambulatório de reprodução humana na cidade de Campinas (SP) em busca de tratamento para esterilidade ou de informações e métodos de planejamento familiar. A pesquisa teve como objetivo estudar as representações masculinas da paternidade, analisando o que estas revelavam sobre a masculinidade e sobre as formas como gênero é constituído. O estudo apontou associações entre paternidade e masculinidade, entre fertilidade e masculinidade, mas sempre mediadas por gênero e por conexões específicas. O estudo levou, ainda, a uma reflexão a respeito das teorias sobre a concepção, em uma análise de como uma teoria duogenética da reprodução informa as representações dos entrevistados sobre paternidade e maternidade.

Sexualidades, artes visuais e poder: pedagogias visuais do feminino

PID: S0104-026x2002000200002 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Loponte
Este trabalho trata das relações entre sexualidades, artes visuais e poder, levando em conta as teorizações de Michel Foucault, principalmente a respeito de conceitos como poder e discurso. Analiso como a sexualidade feminina é colocada em discurso através das imagens produzidas pela arte ocidental, a partir de um olhar masculino bastante particular. Ao afirmar que essas imagens produzem uma pedagogia do feminino, pretendo contribuir para a ampliação das análises realizadas no campo do ensino das artes visuais (e, conseqüentemente, para a formação docente na área), que nos últimos anos, através das tendências metodológicas e teóricas mais recentes, vêm destacando o papel das imagens na educação sem, contudo, dar a devida importância a conceitos como gênero, sexualidade e poder.

Tempos modernos, novos partos e novas parteiras: o parto no Japão de 1868 aos anos 1930

PID: S0104-026x2002000200012 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2002
Autores: Homei
As shin- sanba, ou ‘novas parteiras’ medicalizadas, que apareceram durante o período Meiji (1868-1912) no Japão, parecem ter, aos olhos atuais, substituído rapidamente e sem conflito as ‘velhas parteiras’ (kyû- sanba) e as cada vez mais criminalizadas ‘parteiras não licenciadas’ (mumenkyo- sanba), enquanto a profissão de parteira foi se desenvolvendo progressivamente como profissão médica moderna. Este artigo sugere que a história das parteiras na era moderna foi mais complexa do que aquilo que se imagina atualmente. Primeiro, o surgimento e a prosperidade das shin- sanba estiveram intrinsecamente ligados às contingências do Japão moderno e ao inter-relacionamento de vários grupos de atores históricos - autoridades da higiene, sankai (ginecologistas-obstetras), outras parteiras e ‘clientes’. Segundo, ao longo da era moderna, as shin- sanba não substituíram outros tipos de parteiras; na verdade, os diferentes tipos co- existiram. Por fim, a existência e o status das parteiras dependeram em grande parte de um mercado de serviços de saúde marcado pelo laissez- faire, e as realidades desse mercado muitas vezes contradiziam a retórica médica que favorecia as shin- sanba em relação a outros tipos de parteiras.
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