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Função social da escola e organização do trabalho pedagógico

PID: S0104-40602001000100008 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2001
Autores: Bueno
Este trabalho procura oferecer contribuição para a reflexão sobre a melhoria da escola pública de ensino fundamental a partir da perspectiva teórica que entende a escola como instituição social ímpar, pois, ao mesmo tempo em que possui formas de organização e de funcionamento muito semelhante a qualquer outra escola, apresenta peculiaridades que lhe são próprias, fruto da sua própria trajetória histórica. Tendo como interlocutor privilegiado o professor da escola pública de ensino fundamental, procura oferecer subsídios para a organização do trabalho pedagógico, de tal forma que esta própria organização, em si, se constitua em elemento fundamental para o desenvolvimento de processos de democratização do ensino no país.

Imagens das escolas: sobre redes de conhecimentos e currículos escolares

PID: S0104-40602001000100005 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2001
Autores: Alves
O artigo trata do espaçotempo escolar, entendendo-o como dimensão material do currículo. Busca, a partir de imagens criadas pelo artista/fotógrafo francês Robert Doisneau, mostrar que o espaçotempo escolar é composto de relações múltiplas entre múltiplos sujeitos com saberes múltiplos, que aprendem/ensinam, o tempo todo, múltiplos conteúdos de múltiplas maneiras.

O ensino de História no Paraná, na década de setenta: práticas de professores

PID: S0104-40602001000100014 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2001
Autores: Martins
Neste artigo, é ressaltada a importância do resgate da memória de professores nas pesquisas sobre educação e apresenta-se o resultado da pesquisa realizada sobre o ensino de História nos anos setenta, no momento em que a referida disciplina estava diluída na área de Estudos Sociais. O objetivo da pesquisa realizada foi o de analisar como a reforma de ensino de 1971, conhecida como a Lei n.o 5692, atingiu o ensino de História paranaense, mais precisamente na cidade de Curitiba e Região Metropolitana, levando em conta, além das fontes escritas − tais como documentos oficiais e currículo , os testemunhos orais de alguns professores de Estudos Sociais da época. Embora a metodologia utilizada tenha partido tanto de fontes escritas como orais, será dado destaque, neste artigo, à questão da reconstrução da memória das professoras que foram entrevistadas.

Pedagogia e pedagogos: inquietações e buscas

PID: S0104-40602001000100012 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2001
Autores: Libâneo
Um dos fenômenos mais significativos dos processos sociais contemporâneos é a ampliação do conceito de educação e a diversificação das atividades educativas, levando, por conseqüência, a uma diversificação da ação pedagógica na sociedade. Em várias esferas da prática social, mediante as modalidades de educação informais, não-formais e formais, amplia-se a produção e disseminação de saberes e modos de ação (conhecimentos, conceitos, habilidades, hábitos, procedimentos, crenças, atitudes), levando a práticas pedagógicas. Estamos diante de uma sociedade genuinamente pedagógica, conforme expressão de Beillerot. Nesses termos, minhas considerações neste artigo procuraram mostrar que a Pedagogia tem um papel fundamental na discussão dos rumos da educação brasileira, particularmente nesse momento de implantação da nova LDB.

Urbanidade e disciplinarização e o imigrante italiano nas relações sociais: o Método Facile

PID: S0104-40602001000100013 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2001
Autores: Corrêa
Este trabalho resulta de análise de textos que compõem o Método Facile, compreendendo-o como uma proposta educativa para imigrantes italianos no Brasil no início da república. Tal proposta se desenvolve por meio da possibilidade que tem o imigrante de aprender a língua portuguesa sem precisar de auxílio de professor, para o que esse método proporciona as devidas orientações. Ao mesmo tempo em que é permitido a esse imigrante a oportunidade de aprender a falar a língua portuguesa, são incutidas noções de civilidade, de cortesia, de abnegação com o trabalho, de devoção e de respeito a Deus. O Método Facile resulta de iniciativa da Sociedade Promotora da Imigração, tendo sido publicado em 1892.

A "lei da vida": confirmação, evasão escolar e reinvenção da identidade entre os pomeranos

PID: S1517-97022001000100005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Bahia
O artigo analisa o significado do índice de evasão escolar na vida de uma comunidade de pequenos produtores rurais, imigrantes vindos da região da Pomerânia, norte da Alemanha. A população do município escolhido é composta por 90% de descendentes de pomeranos, que lá chegaram no ano de 1847. Embora o Espírito Santo não receba mais alemães desde a década de 1870, essas comunidades mantiveram o uso de seu dialeto, suas festas, seus costumes culturais e maritais, a continuidade da narrativa da tradição oral camponesa, enfim, o modo de vida camponês. No contexto da imigração brasileira, nenhuma outra etnia se concentrou tanto em áreas homogêneas e compactas como esta, concorrendo para modificar a estrutura fundiária e a vida rural dos estados onde se estabeleceu. Este trabalho aborda a relação entre o uso de várias línguas (portuguesa, alemã e pomerana) e a religiosidade luterana no cotidiano do grupo, os padrões de transmissão da herança da terra e a consequente valorização destes elementos no ensino confirmatório empreendido pela igrejas Luterana e Missouri, como pontos que permitem compreender os valores sociais e educacionais mais importantes para o grupo na reprodução da sua condição campesina. São examinadas as representações do grupo acerca do papel social desempenhado pela escola, pelo professor e pelo pastor, e sua relação com os elementos mantenedores de seu ethos camponês: a obediência às regras de reciprocidade, a conformidade com os princípios de hierarquia (autoridade paterna e pastoral) e a solidariedade com parentes e vizinhos.

A violência na escola: conflitualidade social e ações civilizatórias

PID: S1517-97022001000100008 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Santos
O reconhecimento da violência no espaço escolar como um enclausuramento do gesto e da palavra, uma das novas questões sociais globais, parece ser um caminho interpretativo fecundo. O que está em risco é a função da escola de socialização das novas gerações, pois a instituição escolar aparece enquanto locus de explosão de conflitos sociais em, pelo menos, 23 países nos quais a violência na escola foi considerada um fenômeno de sociedade. A compreensão das relações entre a escola e as práticas da violência passam pela reconstrução da complexidade das relações sociais na escola. No caso em estudo - a violência no espaço escolar, na cidade de Porto Alegre, entre 1996 e 2000 - são as combinações entre as relações de classe e as relações entre grupos culturais que permitem uma explicação: espaço social marcado por um desencontro entre a instituição escolar e as particularidades culturais das populações pobres das grandes cidades. Os programas contra a violência que existem nos principais países, inclusive em algumas escolas municipais de Porto Alegre, desenvolvem a metodologia de mediação de conflitos como uma das propostas de pacificação do espaço escolar: uma prática de negociação instaurada no interior da escola, em especial nos próprios grupos de alunos, através, por exemplo, da idéia de mediação pelos pares, de forma a criar responsabilidades e tentar satisfazer as necessidades dos jovens, mediante o desenvolvimento de um ambiente solidário, humanista e cooperativo.

As marcas da violência na constituição da identidade de jovens da periferia

PID: S1517-97022001000100010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Araújo
Este trabalho foi baseado em uma pesquisa, de caráter investigatório, que buscou compreender as vivências escolares de jovens alunos moradores da Vila da Luz, que se localiza na periferia de Belo Horizonte, cujo cotidiano é marcado pela violência, pela insegurança pública e pela exclusão social. Examinou-se como as vivências fora da escola invadem o cotidiano e reorientam atitudes e comportamentos dos alunos entre si, e destes em relação aos professores e a outros agentes escolares. Buscou-se caracterizar sociologicamente o ambiente escolar como espaço de interações complexas, no qual violência simbólica e agressão física se entrecruzam, propiciando um tipo de vivência escolar baseada no medo e na ansiedade. Focalizou-se a experiência e as representações sociais dos jovens alunos, com o intuito de compreender como eles constroem suas identidades, tendo a violência como pano de fundo em suas relações grupais e interpessoais. Assim, a investigação abriu possibilidades para se pensar a escola como espaço de mediação de conflitos e de convivência da diversidade cultural e social. Centrado em uma metodologia de pesquisa participante com ênfase no modelo interpretativista, este estudo permitiu aprofundar questões referentes à educação e subjetividade, sob a ótica de alguns teóricos importantes, tais como Anthony Giddens, Norbert Elias e Erik Erikson.

As sutilezas das faces da violência nas práticas escolares de adolescentes

PID: S1517-97022001000100009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Camacho
Este artigo busca lançar um olhar sobre a vida escolar de adolescentes de classes médias e de segmentos das elites, incidindo, porém, sobre a prática de violência contra seus pares em duas escolas da cidade de Vitória-ES, sendo uma pública e outra privada. A pesquisa constituiu-se em um estudo de natureza eminentemente qualitativa, que no entanto valeu-se também de dados quantitativos. No trabalho de campo os dados foram colhidos por meio das técnicas da observação, questionário e entrevistas individuais e em grupos e, também, por meio de depoimentos e da consulta a documentos. O estudo permitiu constatar que nas duas escolas investigadas as ações socializadoras incidem muito mais sobre o aspecto pedagógico do que na proposta educativa, que é deixada em segundo plano. Onde se constata a ausência de uma ampla abrangência da socialização, a escola não funciona como retradutora dos valores sociais e termina por permitir que idéias de discriminação e preconceito, por exemplo, invadam e se estabeleçam no espaço escolar. A falta de alcance da ação socializadora até o ambiente relacional promove o aparecimento de brechas que permitem aos alunos a construção de experiências escolares, dentre elas, a experiência da violência. Com todos os encontros e desencontros entre as escolas, observou-se que o ponto decisivo de convergência entre ambas é a presença da prática da violência, ainda que, em intensidade distinta e com faces envolvidas por sutis especificidades.

As vicissitudes da formação docente em serviço: a proposta reflexiva em debate

PID: S1517-97022001000200002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Aquino Mussi
Este artigo tem por objetivo apresentar algumas das conclusões de uma investigação realizada junto a professores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo que participam de grupos de formação em serviço, a fim de conferir visibilidade aos efeitos que a prática formativa concreta vem produzindo na profissionalidade docente. Destaca, em particular, as vicissitudes ocasionadas nesse grupo quando experienciam uma modalidade formativa contemporânea, pautada no modelo de formação reflexiva. As idéias desenvolvidas no artigo inscrevem-se no campo conceitual da psicologia institucional. A partir desse enquadramento teórico, o texto trabalha com o pressuposto de que os recentes paradigmas de formação docente em serviço, ao serem operados por práticas formativas concretas, promovem novas possibilidades de experiência de si para os professores, conferindo novas figurações de subjetividade para os professores no tempo presente - professor-reflexivo, professor-autônomo, professor-investigativo. No interior de relações institucionalizadas, a vivência destas figurações é metabolizada pelos docentes, que produzem uma forma peculiar de reflexão, não vislumbrada na pauta dos programas de formação. Instalados nas práticas concretas de formação em serviço, os professores produzem um tipo de reflexão particular que escapa dos objetos definidos no design formativo e do contorno reflexivo mapeado a priori. A reflexão tangível nas falas docentes narra o confronto desse protagonista com seu lugar instituído na profissão, problematizando o "dever ser" de seu ofício nos dias de hoje.

Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis

PID: S1517-97022001000200003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Kishimoto
A identificação dos brinquedos e materiais pedagógicos e a caracterização de usos e significações para profissionais de educação infantil de São Paulo, que atuam com crianças de 4 a 6 anos, justificaram uma pesquisa tipo survey, acompanhada de recursos etnográficos (entrevistas, observações, vídeos), no período de 1996/1998. Estudos mostram que, dentro de uma instituição infantil, a organização da rotina, o espaço físico, seus objetos e materiais educativos influenciam os usuários na representação, determinando, em parte, a maneira como adultos e crianças sentem, pensam e interagem nesse espaço, definindo formas de socialização e apropriação da cultura. Pretendeu-se diagnosticar, pela triangulação de informações de entrevista, observações e vídeos, as razões para escolha e uso de determinados brinquedos e materiais pedagógicos. Os resultados indicam que a educação infantil da rede pesquisada apresenta concepções de criança - destituídas de autonomia - e de educação infantil voltadas para aquisição de conteúdos específicos. Os brinquedos e materiais pedagógicos mais significativos são os chamados educativos, materiais gráficos, de comunicação nas salas; e os de educação física, para o espaço externo. Brinquedos que estimulam o simbolismo e a socialização, como jogos de faz-de-conta, construção e socialização, aparecem com percentuais insignificantes, apontando o pouco valor da representação simbólica e do brincar.

Caminhos cruzados: educação e gênero na produção acadêmica

PID: S1517-97022001000100004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Rosemberg
O artigo discute a produção acadêmica contemporânea brasileira sobre educação e gênero (ou mulheres) a partir da análise de três fontes de dados: a base de teses e dissertações de programas de Educação filiados à ANPEd no período 1981-1998; o diretório de pesquisadores(as) Quem pesquisa o quê em Educação: 1998; e seis coleções de revistas especializadas em Educação e Estudos Feministas (de gênero). A análise do catálogo da ANPEd (1999) evidencia um aumento de teses/dissertações em números absolutos no período, uma concentração em certas universidades, de autoria e de orientação majoritariamente feminina. Tal perfil da produção acadêmica é confirmado, no geral, pelos dados sobre pesquisadores(as) incluídos(as) no diretório organizado pela ANPEd. Quanto à temática, nota-se dispersão e ausência relativa de questões que compõem a agenda educacional contemporânea. Teses e dissertações focalizam mais a condição feminina que o sistema educacional numa perspectiva de gênero. Esta particularidade foi também notada nas revistas especializadas em Educação. Por seu lado, as revistas feministas dão muito pouco espaço ao tema e disciplina da Educação. Daí os caminhos cruzados entre Educação e Estudos sobre a Mulher ou Gênero. O artigo conclui destacando os possíveis efeitos deletérios de tal fragilidade acadêmica no plano das propostas atuais sobre igualdade de gênero na educação.

Convergência e divergência na conexão entre gênero e letramento: novos avanços

PID: S1517-97022001000200008 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Stromquist
Este artigo examina as hipóteses teóricas e os resultados empíricos de três perspectivas distintas que orientam a pesquisa em alfabetização de adultos. É baseado em uma revisão da literatura recente sobre o tema, cuja maior parte apareceu em livros e periódicos em língua inglesa. As perspectivas são: alfabetização como uma habilidade básica descontextualizada; alfabetização como prática social imersa em condições locais (letramento); e alfabetização (letramento) como ferramenta para o empowerment individual e coletivo, especialmente de mulheres. As divergências encontradas referem-se: ao conceito de alfabetização/letramento, ao potencial atribuído à alfabetização para o desenvolvimento nacional e melhoria das condições sociais, à possibilidade de uma medida padronizada válida das habilidades de alfabetização, ao papel dos mediadores no processo de alfabetização e ao poder do contexto na determinação do letramento como uma prática estável. As convergências existem ao se considerar os programas de alfabetização como de difícil implementação e carentes de comprometimento político a longo prazo, de capacitação adequada de professores e de recursos financeiros apropriados aos objetivos declarados de alfabetização. Da perspectiva do empowerment de mulheres, o conteúdo das mensagens letradas e a necessidade de suporte multissetorial são cruciais. Taxas de analfabetismo estão decaindo lentamente em todo o mundo, mas o número absoluto daqueles incapazes de ler ou escrever está aumentando. Mulheres continuam a representar dois terços dos analfabetos. Condições atuais de pobreza e os mecanismos implantados para conter suas manifestações trabalham contra a participação dos alunos de programas de alfabetização e contra a subsequente aplicação das habilidades de alfabetização à vida cotidiana.

Descentralização, focalização e parceria: uma análise das tendências nas políticas públicas de educação de jovens e adultos

PID: S1517-97022001000200009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Di Pierro
O artigo situa a Educação Básica de Jovens e Adultos no interior da reforma do ensino implementada no Brasil ao longo da década de 1990, analisando como as diretrizes de descentralização da gestão e do financiamento, a focalização dos programas e beneficiários, bem como a desregulamentação e privatização seletiva dos serviços se concretizam nesse campo educativo. Avalia que a reforma educacional foi condicionada pelas metas do ajuste fiscal, o que acabou por redefinir o papel do Estado no financiamento e oferta dos serviços de ensino, levando a um deslocamento da fronteira entre as responsabilidades públicas e privadas na promoção da educação de pessoas jovens e adultas. Destacam-se as tendências à proliferação de provedores e à multiplicação de programas de educação de jovens e adultos implementados em parceria entre agentes governamentais e não-governamentais. Essas práticas inspiram-se em diferentes significados atribuídos aos conceitos de parceria e de serviço público não-estatal, que comportam tanto uma visão econômico-instrumental quanto uma perspectiva de democratização da esfera pública. Considerando essas diferentes significações e estratégias de concretização, o artigo analisa como o conceito de parceria vem sendo operacionalizado em três iniciativas federais de educação de jovens e adultos - o Programa Alfabetização Solidária, o Programa de Educação na Reforma Agrária e o Plano Nacional de Formação e Qualificação Profissional.

Educação de adultos presos

PID: S1517-97022001000200011 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Portugues
Este artigo apresenta uma reflexão acerca das possibilidades e contradições da inserção da educação escolar nos programas de reabilitação do sistema penal do estado de São Paulo. As prisões, suas normas, procedimentos e valores observam a absoluta primazia na dominação e no controle da massa encarcerada. Decorre que a manutenção da ordem e disciplina internas são transfiguradas pelo fim precípuo da organização penal. Os programas e atividades considerados "reeducativos" inserem-se nesta lógica de funcionamento, pautando suas ações e finalidades pela necessidade de subjugar os sujeitos punidos, adaptando-os ao sistema social da prisão. Contudo, a resistência prisioneira ao controle é patente. A educação, de forma alguma, permanece neutra nesse processo de subjugação e resistência. Seus pressupostos metodológicos e suas práticas cotidianas podem contribuir para a sedimentação da escola enquanto recurso ulterior de preservação e formação dos sujeitos, nos interstícios dos processos de dominação. O artigo procura delinear as possibilidades para que as prerrogativas da gestão penitenciária não intervenham nas práticas educativas, prescrevendo suas ações, de forma a constituir uma alternativa para que os sujeitos encarcerados, mesmo nas condições hostis em que se encontram, disponham de oportunidade ulterior para produzir cultura e conhecimento, indicando caminhos rumo ao seu desenvolvimento humano; que lhes proporcione designar o mundo presente e futuro, num ato contínuo de criação e recriação, significação e ressignificação.

Formar o mestre na universidade: a experiência paulista nos anos de 1930

PID: S1517-97022001000200004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Evangelista
Este artigo apresenta resultados de pesquisa sobre a formação universitária docente na década de 1930, no Brasil. A investigação realizou-se coligindo fontes produzidas no período, tanto as originárias da instituição em estudo quanto as advindas de periódicos, legislação, jornais e obras educacionais, entre outras. A partir do corpus documental arrolado, pode-se verificar que em 1933, no estado de São Paulo, inaugurou-se a primeira escola de nível superior para o preparo do professor, o Instituto de Educação, originário da reforma educacional de Fernando de Azevedo. Em 1934 foi incorporado à Universidade de São Paulo e, em conjunto com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, responsabilizou-se pelo preparo docente em nível universitário. No IEUSP institucionalizou-se a primeira geração de professores universitários voltados à formação de professores primários e secundários, projeto enraizado no debate intelectual ocorrido especialmente nos anos de 1920. Embora uma das respostas à demanda pela profissionalização docente e modelo para outras iniciativas, o Instituto foi encerrado em 1938. Forças políticas ligadas ao estado intervencionista de Ademar de Barros e à Igreja Católica finalizam, em 1938, a primeira experiência brasileira de formação de professores em nível universitário.

La lectura como práctica cultural: conceptos para el estudio de los libros escolares

PID: S1517-97022001000100002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Rockwell
Este artículo presenta una perspectiva para el estudio de prácticas de lectura en aula basada en el trabajo del historia dor francés Roger Chartier. Para este autor, “los actos de lectura que dan a los textos sus significados plurales y móviles se sitúan en el encuentro entre las maneras de leer y los protocolos de lectura dispuestos en el objeto leído” (Chartier, 1993). Su análisis se centra en aspectos materiales del libro y prácticas de lectura, además del texto en sí. Se ilustra este abordaje con el análisis de una clase en una escuela rural mexicana. En este caso, la maestra presentaba un cuento tomado del libro de texto, siguiendo de cerca el protocolo implícito de la lección. Sin embargo, tan to el formato del texto como las maneras de leer influyeron en su interacción con el grupo. El artículo discute las relaciones cambiantes que los niños construyen con el mundo de la escritura a partir de su experiencia escolar. La historia de la lectura muestra una inflexión significativa entre la lectura intensiva del texto único y la aparición de patrones de lectura extensiva de múltiples textos, entre ellos, los libros escolares. Sin embargo, Chartier argumenta que el proceso de apropiación si em pre transforma las prácticas culturales y los significados, según cada contexto. Una mayor atención a las maneras de leer en las aulas puede revelar múltiples apropiaciones de los libros de texto que seña lan diversos tipos de relación, algunas más incluyentes que otras.

Lembranças da matemática escolar: a constituição dos alunos da EJA como sujeitos da aprendizagem

PID: S1517-97022001000200010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Fonseca
Pouco se tem refletido sobre a incorporação da experiência escolar anterior de alunos adultos que se re-inserem na Educação Básica. Este artigo focaliza a enunciação de reminiscências da matemática escolar protagonizada por alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), procurando revelá-las como um componente fundamental na constituição do aluno adulto como sujeito não só da aprendizagem da matemática, mas do próprio processo de escolarização. Mais do que meras referências a conceitos ou procedimentos de matemática aprendidos em outras oportunidades, compreendem-se, aqui, as reminiscências como efeitos da memória que permeiam a produção de sentido. O texto focaliza sua enunciação no âmbito das práticas discursivas que conformam os (e se conformam nos) processos de ensino-aprendizagem da matemática na EJA, tomando-a como ação social organizada, que institui a lembrança compartilhada da matemática escolar como árbitro da legitimidade coletiva. Ao se analisarem trechos de interações entre a pesquisadora e alunos que cursam o equivalente à 5ª série do ensino fundamental num projeto de EJA, destacam-se as dimensões semântico-pragmáticas da rememoração que nesse contexto se manifesta e que se considera autoconsciente, metacognitiva, e estruturada no discurso e pelo discurso. Por sua natureza sociocultural, essa rememoração, ao se fazer coletiva, atende a um chamado do presente, re-significando o passado.

Produção de textos narrativos em pares: reflexões sobre o processo de interação

PID: S1517-97022001000100003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Leal Luz
O artigo analisa o significado do índice de evasão escolar na vida de uma comunidade de pequenos produtores rurais, imigrantes vindos da região da Pomerânia, norte da Alemanha. A população do município escolhido é composta por 90% de descendentes de pomeranos, que lá chegaram no ano de 1847. Embora o Espírito Santo não receba mais alemães desde a década de 1870, essas comunidades mantiveram o uso de seu dialeto, suas festas, seus costumes culturais e maritais, a continuidade da narrativa da tradição oral camponesa, enfim, o modo de vida camponês. No contexto da imigração brasileira, nenhuma outra etnia se concentrou tanto em áreas homogêneas e compactas como esta, concorrendo para modificar a estrutura fundiária e a vida rural dos estados onde se estabeleceu. Este trabalho aborda a relação entre o uso de várias línguas (portuguesa, alemã e pomerana) e a religiosidade luterana no cotidiano do grupo, os padrões de transmissão da herança da terra e a consequente valorização destes elementos no ensino confirmatório empreendido pela igrejas Luterana e Missouri, como pontos que permitem compreender os valores sociais e educacionais mais importantes para o grupo na reprodução da sua condição campesina. São examinadas as representações do grupo acerca do papel social desempenhado pela escola, pelo professor e pelo pastor, e sua relação com os elementos mantenedores de seu ethos camponês: a obediência às regras de reciprocidade, a conformidade com os princípios de hierarquia (autoridade paterna e pastoral) e a solidariedade com parentes e vizinhos.

Programas de educação de jovens e adultos e pesquisa acadêmica: a contribuição dos estudos do letramento

PID: S1517-97022001000200006 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2001
Autores: Kleiman
O objetivo deste trabalho é apresentar elementos que permitam construir uma interface entre a pesquisa acadêmica e os programas no campo de Educação Básica de Jovens e Adultos. Serão discutidas contribuições para esses programas, que podem ser encontradas nos resultados das pesquisas qualitativas. Serão utilizados, em especial, dados obtidos de uma investigação, que se estendeu por cinco anos, de um projeto para formação do alfabetizador que visava a análise da interação entre professor e aluno em classes de alfabetização de jovens e adultos. A pesquisa em questão foi realizada em contextos naturais, com o objetivo de compreender uma determinada realidade social e não o estabelecimento de leis gerais. Portanto, a credibilidade dos resultados foi construída por meio da observação de múltiplos contextos e da obtenção de dados, por vários métodos, a partir das diversas perspectivas dos participantes nos contextos observados, por um período prolongado de tempo. Essa base empírica foi utilizada para avaliar as indicações do relatório encomendado pela Unesco ao Instituto Internacional de Alfabetização/Letramento (International Literacy Institute, EFA 2000) para apresentação no Fórum sobre Educação Mundial, realizado em Dacar em 2000, que apresentou, como um dos grandes desafios para o milênio, a permanência do alunos nos cursos de Educação Básica. Em relação ao problema do abandono dos cursos e programas pelos adultos, serão discutidos os fatores motivação e acessibilidade, apontados, nos documentos oficiais de desenvolvimento, como fatores relevantes para o sucesso ou fracasso dos programas.
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