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FORMAÇÃO PARA O TRABALHO PARA JOVENS E ADULTOS: agenda de inclusão em uma universidade pública

PID: S1982-03052024000200306 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Bowman
Resumo Este texto reúne resultados de uma pesquisa etnográfica qualitativa que estuda os vínculos políticos e institucionais entre a educação de jovens e adultos e a formação para o trabalho na cidade de Chilecito, província de La Rioja, Argentina. O artigo aborda como tema central os processos de formação profissional dirigidos a jovens e adultos que não concluíram a escolaridade obrigatória. Em primeiro lugar, desenvolve os altos e baixos das articulações entre educação e trabalho a partir das políticas públicas nacionais produzidas nas últimas décadas na Argentina. Em segundo lugar, centra-se nas agendas que as universidades públicas construíram para atender às demandas e necessidades da população trabalhadora. Por fim, o artigo se detém – especificamente - no Programa Universitário de Ofícios e Formação Técnico-Profissional implementado, desde 2022, na Universidade Nacional de Chilecito. É uma experiência de ancoragem comunitária que visa desenhar, organizar e implementar um dispositivo de formação para o trabalho baseado nas necessidades produtivas e nas demandas de formação identificadas localmente, que responda às dificuldades de inclusão sociolaboral dos trabalhadores.

O DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO PARA PESSOAS IDOSAS: as bases legais do aprender ao longo da vida

PID: S1982-03052024000200239 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Cortêz Simões
Resumo Este artigo aborda o direito humano à educação da pessoa idosa e sua articulação com a política educacional. O processo de envelhecimento e transição no perfil da pirâmide etária demandam, no Brasil, maior atenção à promoção dos direitos sociais e à materialização de políticas públicas voltadas para o público idoso, entre estas as que dizem respeito ao direito à educação e a políticas educacionais que deveriam assegurá-lo. Nesse sentido, buscou-se apresentar as bases legais do direito à educação para a pessoa idosa, analisando as normativas vigentes, e suas alterações incorporadas pela Emenda Constitucional n. 108/2020, e Leis n. 13.535/2017 e n. 13.632/2018. Os resultados da pesquisa documental, em diálogo com as bases teóricas, demonstram a fragilidade da previsão legal do direito à educação para pessoas idosas, caracterizada pela generalidade, fragmentação e disfuncionalidade para legitimar a pauta como uma política pública específica. As alterações legais que inseriram as expressões educação e aprendizagem ao longo da vida e ensino ao longo da vida parecem mais ceder a influências da lógica produtiva do que prever, de fato, o alcance da população idosa, uma vez que as políticas identificadas não têm caráter permanente, tampouco financiamento próprio.

O DIREITO À EDUCAÇÃO DAS MULHERES: a experiência de uma escola para jovens e adultos

PID: S1982-03052024000200172 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Carrizo Tosolini Delprato
Resumo O artigo aborda reflexões sobre o direito à educação na perspectiva de mulheres com pouca escolaridade, com foco na experiência de uma escola para jovens e adultos em Córdoba, Argentina. Esta instituição atua num movimento social que desenvolve suas atividades no centro da cidade. A partir de uma abordagem etnográfica, são documentados eventos, observações de aulas e institucionais, entrevistas semiestruturadas com estudantes e líderes organizacionais, a fim de contrastar a relação construída em algumas práticas de leitura, escrita e oralidade sob a perspectiva de mulheres. O trabalho analisa entrevistas com 8 alunas da organização. A faixa etária das participantes varia de 29 a 65 anos. A análise é realizada por meio de abordagem qualitativa, que propõe hibridização entre as perspectivas socioantropológica e interseccional para compreender sujeitos e contextos na experiência de desigualdade e resistência. Reflete sobre as tensões entre a legislação em relação ao direito à educação sem discriminação de gênero e as experiências cotidianas das mulheres, bem como o papel da escola como resistência dentro do movimento social. Ressalta-se a importância de políticas educacionais inclusivas que reconheçam as resistências, os saberes e os direitos construídos por essas mulheres dentro do movimento social. Concluindo, apresentam-se resultados parciais de experiências e necessidades de mulheres com pouca escolaridade, envolvidas em movimentos sociais.

O ENSINO DE CIÊNCIAS NO BLOCO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO: a visão de professoras dos anos iniciais de uma escola do Distrito Federal

PID: S1982-03052024000200428 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Chagas Nunes Pedreira
Resumo Os anos iniciais do ensino fundamental marcam o primeiro contato que os estudantes possuem com conteúdos específicos de ciências e o primeiro passo para o letramento científico definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Alguns professores apresentam inseguranças relativas à abordagem dos conteúdos científicos que afetam o desenvolvimento de sua prática, podendo essa insegurança estar relacionada a sua formação generalista. Esse trabalho teve como objetivo investigar a visão de professores do Bloco Inicial de Alfabetização sobre a importância do ensino de ciências de uma escola do Distrito Federal. Um questionário foi respondido por nove professoras, sendo as respostas analisadas a partir da metodologia de análise temática. Encontramos que uma parte das professoras consideraram ter uma certa dificuldade em abordar conteúdos de ciências, mas relataram uma boa frequência de atividades práticas e de métodos relevantes para proporcionar a aprendizagem efetiva discutida em documentos como a BNCC e o Currículo em Movimento do Distrito Federal. Ademais, as professoras consideraram o ensino de ciências importante no Bloco Inicial de Alfabetização, principalmente na formação de um cidadão crítico e no desenvolvimento da relação eu-ambiente, além de apresentarem uma atividade pedagógica em concordância com o que é discutido na literatura como importante para o ensino de ciências.

O PAPEL SOCIAL DA PESSOA IDOSA: reflexões sob as lentes da teoria crítica do envelhecimento

PID: S1982-03052024000200224 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Gonçalves Moraes Câmara
Resumo O presente estudo tem como objetivo compreender como a teoria crítica do envelhecimento pode contribuir para as reflexões sobre o papel social da pessoa idosa. A abordagem metodológica utilizada na pesquisa é de natureza qualitativa. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e descritiva. A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida por meio de uma revisão de literatura integrativa. O estudo possibilitou algumas reflexões sob as lentes da teoria crítica do envelhecimento e o papel social da pessoa idosa, a partir da ancoragem na subjetivação e no olhar direcionado aos processos individuais e históricos lançados sobre o fenômeno. Em que pese a subjetivação que a teoria crítica do envelhecimento apresenta, é possível concluir que a contribuição principal da referida teoria para os estudos sobre envelhecimento e velhice está pautada na proposição de uma abordagem humanística, voltada para a heterogeneidade e as particularidades que toda e qualquer pessoa possui e de igual forma, a pessoa idosa.

O QUE MUDOU NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL PÓS-DITADURA? Entre o direito proclamado e o financiamento sistematicamente negado

PID: S1982-03052024000200053 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Freitas Pinto
Resumo A literatura mostra que, em toda a história da educação brasileira, a educação de jovens e adultos (EJA) ocupa um lugar marginal no âmbito das políticas públicas. Em geral, a modalidade é relegada a ações e programas fragmentados que não se constituem como políticas de Estado. Este trabalho buscou, a partir de revisão da literatura e da legislação, revisitar o histórico de políticas voltadas à EJA a partir do processo de redemocratização, iniciado em 1985, até os dias atuais. A análise nos permitiu reforçar o entendimento de que a subalternidade da modalidade é atravessada, substancialmente, pela falta de financiamento adequado. Ainda que o direito à EJA seja assegurado pela Constituição Federal, conclui-se que este ainda não foi concretizado, mesmo com a inclusão da modalidade na política de fundos. Portanto, é urgente um maior comprometimento por parte dos entes federados, em especial da União, para que este direito seja garantido aos milhões de jovens e adultos que o tiveram negado.

OS ORGANISMOS INTERNACIONAIS E A EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA: ambiguidades do conceito e sua materialização na EJA do estado do Espírito Santo

PID: S1982-03052024000200398 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Valadares Oliose Oliveira
Resumo Este artigo problematiza como a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI, 2011, 2014) a Unesco e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) têm influenciado a política para a EJA no Brasil e no Espírito Santo – ES, de modo que a política local se faz em continuidade da política orientada para a América Latina. Toma-se para o debate o conceito de Educação ao Longo da Vida (ELV), que se destaca nos textos internacionais e é incorporado à política nacional e local. O pensamento de Gramsci é tomado como fundamento em sua concepção de educação. De abordagem qualitativa, a opção metodológica envolve a análise documental. A análise do material selecionado aponta que há menções dos documentos produzidos pela OEI no texto da política para a EJA no ES. Essa influência se confirma pelas apropriações de algumas orientações internacionais, em detrimento de outras. Os objetivos traçados internacionalmente se revelam, em termos locais, no alinhamento da EJA à BNCC, na inserção de itinerários formativos e em mudanças estruturais na modalidade, deixando em segundo plano políticas de prevenção do abandono escolar no ensino básico e a promoção de abordagens educativas para jovens e adultos no horizonte de uma educação crítica e transformadora.

POLÍTICA DE EDUCAÇÃO E CURRÍCULO: trabalho e subjetivação de adultos 50+

PID: S1982-03052024000200317 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Oliveira Silveira Oliveira
Resumo Este artigo problematiza a relação entre políticas de educação, currículo, envelhecimento e trabalho envolvendo indivíduos adultos 50+. O objetivo é analisar concepções de política de educação e de currículo da educação não formal nos processos de subjetivação de pessoas da faixa etária de 50+, em situação de trabalho. O processo investigativo pautou-se na abordagem qualitativa, tendo como procedimentos metodológicos estudos bibliográficos, análise de documentos e pesquisa de campo com realização de entrevistas, tendo como sujeitos pessoas com 50+. Os resultados das análises revelam fragilidades na articulação entre políticas públicas e diversidade etária, em uma perspectiva de direitos humanos e justiça social, frente à imposição de um padrão de produtividade. As reflexões e interpretações realizadas estimulam novas investigações frente aos desafios que se colocam à construção de políticas públicas e de currículo na perspectiva da conquista de direitos e da justiça social, considerando o processo de envelhecimento.

PROJETO PLENARINHA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: possibilidades e desafios na roda de conversa

PID: S1982-03052024000200439 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Huhn Voltarelli
Resumo Geralmente, projetos desenvolvidos junto às crianças da educação infantil partem do planejamento da própria instituição educativa, fruto do seu projeto político-pedagógico e/ou reuniões pedagógicas. Neste artigo, o projeto em questão, Projeto Plenarinha, é proposto pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) às instituições de educação infantil do Distrito Federal e, o que apresentaremos é fruto de uma pesquisa cujos objetivos eram analisar a participação das crianças, bem como os desafios e as possibilidades que permeavam esta prática pedagógica; verificar a compreensão docente acerca do Projeto; investigar a ação pedagógica relacionada ao desenvolvimento do Projeto e, ainda, identificar se as possibilidades participativas das crianças relacionadas ao Projeto Plenarinha durante sua execução eram efetivas em uma instituição de educação infantil do Distrito Federal. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados observação participante, registro em diário de campo, desenhos, fotos, gravação de voz e análise documental. Com base na análise dos dados que surgiram durante a pesquisa, refletiu-se a participação infantil a partir de três eixos: atividades relacionadas à Plenarinha; a roda de conversa e a escuta da criança; sendo que para este artigo o recorte para análise refere-se ao eixo “a roda de conversa”.

QUALIFICAÇÃO DA AVALIAÇÃO NA EJA: perspectivas de educadoras de Biologia em contexto regional

PID: S1982-03052024000200370 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Schneeberger Benvenutti Dickmann
Resumo A avaliação das aprendizagens na educação de pessoas jovens, adultas e idosas parte da identificação das identidades subjetivas e das intervenções pedagógicas para retroalimentar a aprendizagem. Nesta direção, este artigo emerge de indagações exploradas durante uma investigação de pesquisa de mestrado e tem como temática a avaliação da aprendizagem na EJA. O objetivo foi suscitar possibilidades de qualificação dos processos de avaliação das aprendizagens nos documentos orientadores para a EJA. Para tal, a pesquisa teve como população cinco educadoras de Biologia atuantes em unidades descentralizadas de EJA durante o primeiro semestre de 2023 em municípios de abrangência da Coordenadoria Regional de Educação de Joaçaba, Santa Catarina. A partir de uma entrevista semiestruturada, foram solicitadas sugestões para possíveis qualificações políticas para a avaliação da aprendizagem na EJA. As entrevistas foram interpretadas por análise de conteúdo. Como resultados, evidencia-se que apesar das educadoras não relacionarem a avaliação das aprendizagens com a aprendizagem, sugerem: a criação de uma legislação específica para a modalidade; que a avaliação seja reconhecida nas políticas educacionais; e que haja qualificação na formação docente. Conclui-se que tais sugestões – associadas a uma perspectiva emancipatória de educação – poderiam não apenas possibilitar uma avaliação contextualizada e inclusiva, mas também contribuir na reflexão do compromisso político com os direitos à educação de pessoas jovens, adultas e idosas.

SONS DA RESISTÊNCIA: a influência da musicalidade na participação ativa de mulheres na capoeira

PID: S1982-03052024000200160 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Oliveira Rocha
Resumo O presente estudo se propôs a investigar os desafios enfrentados por mulheres capoeiristas em sua busca por destaque e reconhecimento no contexto da capoeira, uma manifestação cultural afro-brasileira intrinsecamente imersa em dinâmicas socioculturais permeadas por conflitos de gênero. Utilizando abordagem de pesquisa de campo e adotando fundamentos conceituais e metodológicos da etnografia dialógica, o artigo explora especificamente contribuições da musicalidade da capoeira para o processo de emancipação dessas mulheres. O questionamento central orientador do estudo é direcionado para a compreensão de como a musicalidade na capoeira desempenha papel significativo no processo de emancipação das mulheres capoeiristas. A análise se desenvolve no contexto do coletivo Mulheres de Luanda, buscando promover um espaço reflexivo que propicie visibilidade e protagonismo feminino. Essa iniciativa visa criar um ambiente propício para o compartilhamento de experiências, a escuta atenta e a condução de debates fundamentais para a valorização das narrativas apresentadas pelas mulheres capoeiristas. Os resultados obtidos durante a pesquisa de campo revelam a persistência de preconceitos em relação à participação feminina na capoeira, destacando a existência de relações de poder que permeiam diversos aspectos, como o corpo, o jogo e a musicalidade dentro das rodas. Além disso, são identificadas barreiras que a própria capoeira e seus agentes precisam superar para integrar, de maneira mais efetiva, as mulheres nessa prática.

A APRENDIZAGEM/EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA COMO BASE FILOSÓFICA PARA PROPOSTAS DE EMANCIPAÇÃO

PID: S1982-03052024000200026 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Joaquim Oliveira
Resumo O presente estudo aborda a aprendizagem/educação ao longo da vida como base filosófica para subsidiar propostas de emancipação nos contextos de educação de jovens e adultos (EJA). Trata-se de uma investigação qualitativa de caráter teórico-conceitual. Busca-se explorar as contribuições teóricas freirianas e decoloniais para se repensar a EJA, confrontando a colonialidade do saber. O conceito de aprendizagem/educação ao longo da vida abrange diversos aspectos da vida, como desenvolvimento pessoal, competências laborais e participação cidadã, e é objeto de disputa ideológica entre abordagens humanizadoras e aquelas que servem à razão moderno-capitalista-colonial. Defende-se a aprendizagem/educação ao longo da vida como arcabouço filosófico para subsidiar propostas de emancipação dos grupos sociais subalternizados e para confrontar as múltiplas estruturas de opressão que operam sobre os sujeitos da EJA. Compreendê-la como filosofia da educação significa respaldar-se em alguns de seus princípios para repensar a natureza, a finalidade e o impacto da educação na formação humana, considerando as transformações históricas, os jogos de poder, o direito à educação e a condição material e subjetiva do ser. Esta abordagem contrasta com a visão instrumental-técnico-econômica historicamente dominante no campo da educação e que vem se apropriando das noções de aprendizagem/educação ao longo da vida sob o ponto de vista do ideário neoliberal. Entende-se a educação como necessidade humana ontológica, o que faz da aprendizagem/educação ao longo da vida um princípio fundamental da educação emancipatória e, portanto, como sua base filosófica.

A CAPOEIRA E O DESENVOLVIMENTO DO ESPORTE E DA LEGISLAÇÃO DESPORTIVA NO BRASIL ATÉ A DÉCADA DE 1960

PID: S1982-03052024000300279 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Lussac
Resumo A prática da capoeira sob a perspectiva do esporte teve como característica a apropriação de um saber corporal específico, modificando ou extinguindo diversos aspectos desta cultura popular. Neste sentido, este artigo objetivou analisar o processo de esportivização e de institucionalização da capoeira a fim de compreender o desenvolvimento do esporte e da legislação desportiva e suas respectivas relações e implicações com a capoeira até o final da década de 1960. As análises realizadas possibilitaram compreender melhor o desenvolvimento do jogo-luta no cenário esportivo e legislativo desportivo e de como o Estado brasileiro interveio nas manifestações populares e práticas corporais. Foi possível constatar que o processo de esportivização e institucionalização da capoeira acarretou impactos significativos e irreversíveis ao se apropriar do saber corporal popular da capoeiragem, reconfigurando seus saberes e fazeres sob outra perspectiva cultural, a esportiva. Criminalizada e carregando o estigma do passado, a prática da capoeira como jogo e como luta agregou novos elementos e ganhou novos contornos ao travar um diálogo, no decorrer do século XX, com as mudanças encontradas nos novos contextos onde esta prática se manifestou. Destarte, em que pese a importância histórica e cultural da capoeira no Brasil, mesmo com as garantias constitucionais de 1988 e com o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial já no século XXI, é correto afirmar que, a capoeira, legitimamente concebida como esporte nacional, ainda não conseguiu, no universo jurídico legal, ser contemplada com o destaque necessário e como um dos símbolos da matriz cultural e esportiva do Brasil.

A DOCÊNCIA EM ESCRILEITURAS: cartografia de um estilo animal

PID: S1982-03052024000100138 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Schwantz Rodrigues
Resumo Esta pesquisa compõe um atlas ao inventariar a docência, a partir do exercício de escrileituras, desde as possibilidades existenciais e pedagógicas. Utiliza o referencial teórico de Deleuze e Guattari, intercessores artísticos e científicos. Justifica-se pela inquietação percebida na produção radiofônica realizada por professores em formação inicial e continuada na oficina Conatus, ao dizerem de acontecimentos de um cotidiano escolar. Trata do conceito de estilo para acompanhar o movimento, a composição, a variação e a fuga de uma prática educacional. Se questiona: Como a constituição de um estilo afeta os modos de ser professor(a)? A partir do método cartográfico, mapeia em planos extensivos (por meio de matérias e rastros deixados pela oficina) e intensivos (captura das forças e signos de uma docência, concebendo a escrita de um bestiário em devir). Considerou-se, na análise em transcriação, que a ação de escrever-ler favoreceu o aparecimento de um estilo animal, evidenciando a necessidade de brechas de respiro de um fazer que diminui a força de agir.

A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO REFERENCIAL CURRICULAR DA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA

PID: S1982-03052024000400500 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Basílio França
Resumo A Lei n° 10.639/03, articulada ao ensino da área de Ciências da Natureza, possibilita o reconhecimento, a valorização da diversidade cultural e as contribuições africanas para o desenvolvimento científico. Neste estudo, objetiva-se identificar e analisar se e como a Lei nº 10.639/03 está prevista no referencial curricular estadual e no conteúdo programático da área de Ciências da Natureza, na tentativa de compreender seus objetivos, suas concepções e as diretrizes referentes ao ensino na área de Ciências da Natureza na perspectiva da Educação das Relações Étnico-Raciais. Esta pesquisa se caracteriza como sendo qualitativa, do tipo documental. Para tanto, analisa-se o currículo da Secretaria da Educação do estado e o conteúdo programático da área de Ciências da Natureza, na tentativa de identificar se a temática da Educação das Relações Étnico-Raciais está contemplada nesses documentos orientativos. Para a análise dos dados, aplicase a análise de conteúdo, a partir da qual observa-se que a Lei n° 10.639/03 não aparece de forma direta no currículo da Secretaria da Educação, mas de maneira transversal. No currículo da área de Ciências da Natureza, não se identificou qualquer menção à Educação das Relações Étnico-Raciais e essa ausência aponta para um currículo eurocêntrico, com base em epistemologias europeias/brancas, de forma a invisibilizar as contribuições do continente africano para o desenvolvimento científico ao longo dos anos.

A EDUCAÇÃO E O CAMPESINATO: o MST como ferramenta de empoderamento para homens e mulheres do campo

PID: S1982-03052024000400105 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Castro Leonel Rosário
Resumo O presente estudo é resultado de múltiplas pesquisas e levantamentos realizados por um grupo de três pesquisadores(as) vinculados(as) ao grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia (PPGEECA), da Universidade do Estado do Pará (UEPA). O objetivo central da pesquisa é fazer um breve resumo histórico das políticas públicas de educação no campo, entender sua importância ao longo dos anos, em consonância com os conceitos de Gramsci, e compreender como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) mobilizou-se para conseguir tais políticas públicas, a partir da década de 1990. Realizamos, em sua maioria, pesquisa bibliográfica e documental. Concluímos que a educação do campo, como prática libertadora, é empregada no processo de compreensão das lutas e demandas educacionais defendidas pelo MST. Ela interage com os gestos, desejos, valores e lutas pela terra, contribuindo para a construção de uma outra hegemonia que oriente a sua base militante.

A FORMAÇÃO EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO NA ÁREA CIÊNCIAS DA NATUREZA: entre o projeto pedagógico e as vozes dos formandos

PID: S1982-03052024000400316 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Santos Silva Lopes
Resumo A educação do campo surgiu a partir das lutas dos movimentos sociais por uma educação de qualidade, assegurando dignidade de trabalho e ensino aos povos do campo. Com essa preocupação, foram criados os cursos de licenciatura em educação do campo, que precisam propiciar, na perspectiva histórico-crítica, conteúdos culturais-cognitivos, além do preparo pedagógico-didático para a formação de professores. Considerando essas especificidades, o objetivo deste trabalho foi discutir a formação em um curso de licenciatura em educação do campo, na área de ciências da natureza, da Universidade Federal do Piauí. Os dados foram coletados entre 2018 e 2019 por meio de pesquisa documental e entrevistas semiestruturadas. Os resultados mostraram que a maior parte da carga horária do curso é dedicada às ciências da natureza, principalmente à biologia. Mais de 90% dos participantes da pesquisa afirmaram se sentirem preparados para lecionarem a disciplina de biologia, porém menos de 50% se sentem preparados para ensinar química e física, evidenciando a fragilidade na formação voltada para o ensino dessas duas disciplinas. Dentre os motivos apontados pelos sujeitos da pesquisa para não se sentirem preparados, a grade curricular do curso analisado foi o mais citado.

A INSURGÊNCIA DA CARTOGRAFIA NA PRODUÇÃO DE SABERES EXPERENCIAIS DE DOCENTES INDÍGENAS NO EDUCAR EM DIREITOS HUMANOS

PID: S1982-03052024000400101 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Costa Silva
Resumo O presente artigo analisa o uso da cartografia como metodologia da pesquisa, que potencializa modos de insurgência e engajamento do pesquisador e do percurso de produção de dados com saberes experienciais de docentes indígenas sobre educar em direitos humanos. A pesquisa foi desenvolvida na terra indígena Cana Brava, território do povo Guajajara, no Maranhão. Trata-se de um recorte da pesquisa de mestrado em educação da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da linha de pesquisa Educação, Diversidades, Diferenças e Inclusão, sob aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFPI, recebendo o parecer elaborado em conformidade com a Portaria 941/2022 do CNPq, relativo ao Mérito Científico da Pesquisa, pois apresenta questões instigantes a respeito da importância dos saberes indígenas para embasar políticas de educação em direitos humanos, descolonizando-a. Epistemologicamente, alinha-se a uma perspectiva decolonial e contracolonial de estudos e pesquisas, encontrando na cartografia com Deleuze e Guatarri (1995, 2010), Passos e Kastrup (2014), Rolnik (2018) fundamentos que dialogam com autores indígenas, como Ailton Krenak (2020, 2021), Daniel Munduruku (2017), Márcia Kambeba (2020), Viveiros (2014) e outros que subsidiam sobre Direitos Humanos, a exemplo de Candau (2018) e Baldi (2014). Metodologicamente, o estudo usa os círculos culturais como dispositivo cultural do grupo pesquisador formado por docentes indígenas. O modo de pesquisar da Cartografia é também um modo de educar em direitos humanos, enfatizando a experiência (Larrosa, 2016), bem como a produção de dados como uma itinerância nômade, circular e comunitária, a partir dos saberes da cultura local numa transversalidade rizomática de resistência. Assim, expressa-se como uma insurgência ao projeto de colonialidade que subsidiou a ciência moderna.

A MEDIAÇÃO EM UM MUSEU DE CIÊNCIA DE BELFORD ROXO/RJ COMO FORMA DE INCLUSÃO SOCIAL

PID: S1982-03052024000100334 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Henrique Júnior Pereira
Resumo Este trabalho investigou a importância dos museus e Centros de Ciências para a formação de mediadores, estudantes da educação básica em um museu de ciências localizado no município de Belford Roxo na Baixada Fluminense. O objetivo foi analisar as contribuições desse espaço, durante as etapas de concepção e implantação, na formação dos alunos mediadores bem como o impacto na perspectiva dos mediadores sobre a ciência. O que mudou na perspectiva deles sobre ciência? O papel do mediador é transformar o conhecimento científico em algo acessível por meio de atividades interativas e estimular o interesse do público em relação à ciência. A pesquisa foi realizada com uma abordagem qualitativa, utilizando um questionário online com perguntas fechadas e abertas para avaliar a participação dos alunos no processo de concepção e implantação do centro. Os resultados indicaram que estar em um Centro de Ciências proporcionou experiências importantes e inéditas para os alunos, despertando o interesse e a curiosidade em relação à ciência. O sentimento de pertencimento ao espaço também foi destacado pelos participantes. Além disso, a metodologia de formação dos mediadores foi de grande relevância para a compreensão da importância desses espaços para a educação e formação destes mediadores. Conclui-se que o envolvimento dos alunos é uma ferramenta importante para a consolidação de um Centro de Ciências e pode gerar o sentimento de pertencimento e engajamento necessários para a inclusão de toda a comunidade escolar.

A PERSONAGEM LAMPARINA: educação e racismo na revista O Tico-Tico (1928-1944)

PID: S1982-03052024000300011 | Revista: Revista Teias (1982-0305) | Año: 2024
Autores: Lage Mendes
Resumo O artigo versa sobre a personagem Lamparina, uma menina negra, criação de José Carlos de Brito e Cunha, que esteve presente nas histórias em quadrinhos da revista infantil O Tico-Tico. A estreia dessa personagem ocorreu em 1928, e sua última aparição se deu em 1944, sendo estes os anos que compreendem o recorte temporal adotado. Na revista foram vinculadas variadas seções de atividades lúdicas com o intuito de, por meio do entretenimento, educar os leitores em uma perspectiva moral, cívica e civilizacional. O objetivo central deste trabalho é compreender quais ensinamentos o autor pretendia transmitir aos leitores por meio de Lamparina, uma vez que a revista deve ser considerada como um instrumento educativo não escolar, cujo público-alvo seria as famílias com recurso financeiro para comprá-la e geralmente formado por crianças brancas. A metodologia emprega a análise documental, cujas fontes são as tiras de quadrinhos existentes na revista e que apresentam histórias em que a personagem aparece, com a intenção de explicitar estereótipos racistas. Pretende-se mostrar o que Lamparina evidencia sobre a representação e o imaginário social dos negros naquele momento.
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