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Do cotidiano à construção do pensamento lógico-matemático

PID: S0100-15741990000100006 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Fraga
Este artigo aborda um dos trabalhos de intervenção psicopedagógica que vem sendo desenvolvido anualmente, no NOAP-PUC/RJ, com crianças de comunidades de baixa renda, consideradas, pelas escolas públicas que freqüentam, portadoras de dificuldades em aprender.

Drogas: prevenção no cotidiano escolar

PID: S0100-15741990000300004 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Carlini-Cotrim Rosemberg
O presente trabalho descreve levantamento feito junto a 79 escolas paulistas de 1º e 2º graus sobre atitudes e atividades dos diretores e professores em relação à questão do abuso de psicotrópicos. 50 escolas (63,3%) responderam ao questionário e 44,8% destas afirmaram ter desenvolvido alguma atividade abordando o tema "drogas" nos últimos dois anos. Estas atividades tiveram, na maioria dos casos, caráter esporádico, e foram promovidas por entidades médicas, religiosas, policiais ou filantrópicas. Os professores pesquisados (Ciências, OSPB, Comunicação e Expressão) também disseram abordar freqüentemente o tema em sala de aula, embora somente 16% tenham recebido alguma formação específica para tal. Esses dados são discutidos à luz das teorias recentes sobre prevenção ao abuso de drogas na escola.

Ensino superior: ascensão ou redenção

PID: S0100-15741990000300006 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Rosa
Preocupado em apreender a percepção dos trabalhadores-estudantes quanto ao ensino superior, que é comumente explicada como crença no "mito" da ascensão social, este artigo recorre a outro campo explicativo: o dos motivos subjetivos da ação social destes estudantes e da imagem que fazem de si mesmos, nas instituições empresa e escola. Destaca, dentre outros aspectos, a consciência que tais estudantes têm das hierarquias e desigualdades sociais, quanto à questão da ascensão social. Esta é problematizada, especificamente, a partir das colocações de M. Weber sobre a vocação ascética, bem como da vivência da autora ao lecionar em faculdades isoladas particulares de pedagogia.

Estrutura familiar e trabalho na grande São Paulo

PID: S0100-15741990000100004 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Bruschini
O artigo descreve as transformações na família brasileira e paulista segundo os Censos a partir de 1960. Esta descrição introduz, como um cenário, dados do DIEESE de 1981 sobre a Grande São Paulo, que permitem descrever a família paulistana como predominantemente nuclear, jovem, com filhos menores de 7 anos e tendo em média 4,1 elementos. Uma análise da participação dos membros do grupo doméstico em atividades econômicas - conceito ampliado pela inclusão da categoria dos "biaqueiros"- revela que a posição ocupada no núcleo determina, em parte, a natureza da atividade que será desempenhada. O exame das taxas de atividade dos indivíduos, por outro lado, comprova a ocorrência de significativas diferenças em seus níveis de participação econômica conforme as estruturas familiares nas quais se inserem e o momento do ciclo de vida familiar em que se encontram.

Formação do magistério em São Paulo: do império a 1930

PID: S0100-15741990000100001 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Campos
Da extrema precariedade quantitativa e qualitativa dos tempos do Império, o sistema de instrução pública no Estado de São Paulo conheceu notável expansäo durante a 1ª República. As providências e os mecanismos para formar mestres e mestras para a incipiente rede de ensino foram alvo de abundante legislação, cheia de idas e vindas, improvisações e correções. O exame da sucessão de documentos legais e "reformas" com tendências divergentes evidencia a ausência de uma política educacional definida; além do estatuto especial da Escola Normal da capital (a "Escola da Praça"), permite também entrever como o ensino normal correspondeu menos à preparação de um magistério competente e mais às necessidades de formação de parcelas crescentes da população, especialmente do sexo feminino, como oportunidade de prosseguimento dos estudos após o curso elementar.

Interseções de gênero e classe: acomodação e resistência de mulheres e meninas às ideologias de papéis sexuais

PID: S0100-15741990000200002 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Anyon
O artigo discute as respostas de mulheres e meninas à estereotipia de papéis sexuais em diferentes classes sociais. Contrapondo-se à idéia prevalecente de que valores e atitudes internalizados por meninas são resultado de imposição unilateral da sociedade, argumenta que a construção da identidade de gênero envolve um processo permanente de acomodação e resistência. Tal processo é analisado como resposta ativa de mulheres adultas às ideologias contraditórias de papéis sexuais e ilustrado por exemplo empírico, de observação e entrevistas com crianças da 5ª série, pertencentes à classe trabalhadora e à classe média afluente.

Jeito de freira: estudo antropológico sobre a vocação religiosa feminina

PID: S0100-15741990000200005 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Grossi
A construção da vocação religiosa feminina é aqui analisada sob três ângulos: o das famílias camponesas, de onde provém a maioria das freiras, o das próprias freiras - que encontram no convento um espaço de realização individual - e o da Igreja Católica e sua necessidade de reprodução social. A forma como é construída a identidade da freira, a partir do estudo empírico em conventos no Sul do país, é investigada pelos rituais de iniciação e pela veiculação de valores como trabalho, santidade e hierarquia.

O cotidiano de uma escola pública de 1º grau: um estudo etnográfico

PID: S0100-15741990000200003 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Andrade
O cotidiano de uma escola pública de 1º grau em Uberlândia (MG) foi estudado através de técnicas etnográficas, para compreender como se produz o fracasso escolar. A partir dos resultados obtidos, revela-se uma dinâmica intra-escolar marcada por conflitos e antagonismos, identificados nos três níveis básicos que a caracterizam: entre professores e "especialistas", entre professores e alunos e entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento cotidiano. Estes conflitos são considerados como constitutivos da dialética do cotidiano da escola pública de periferia. Apresentam-se sugestões para uma atuação do profissional escolar como força progressiva no interior desta instituição, buscando sua transformação.

O discurso especializado sobre literatura infanto-juvenil na década de 50

PID: S0100-15741990000100002 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Mello Neto
Este artigo estuda, através dos conceitos opinião e atitude, o discurso especializado em literatura infanto-juvenil produzido no Brasil. Analisa diretamente os textos publicados na década de 50, quando houve forte influxo quantitativo, e, indiretamente, toda a produção sobre literatura para crianças e jovens. Dessa forma, procura explicar a produção dos anos 50, fazendo indicações para o estudo da produção atual. Por meio de recorrência a certas representações mitificantes sobre a criança, a escola e a literatura, a produção da década de 50 parece ter surgido em oposição ao que se chamou "ameaça dos quadrinhos".

O homem na matrifocalidade: gênero, percepção e experiências do domínio doméstico

PID: S0100-15741990000200004 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Scott
Percepções e experiências masculinas do domínio doméstico são comparadas às de mulheres em condições matrifocais, através de dados e depoimentos de moradores do bairro pobre de Coelhos, em Recife (PE). A expectativa de forte dominação masculina é contraposta a uma realidade onde a base decontinuidade e segurança do grupo doméstico é construída pelo lado feminino. Usando a idéia de ciclo de desenvolvimento do grupo doméstico, e focalizando as uniões e separações conjugais, argumenta-se que o gênero é um elemento diferenciador nas definições de como são vividas as fases do ciclo e de como é representada "a casa" nas estratégias de vida individuais masculinas e femininas.

O papel da pesquisa na pós-graduação em educação

PID: S0100-15741990000200007 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Warde
Para discutir o papel da pesquisa na pós-graduação em educação, proponho-me primeiro a expor a literatura que trata do tema, privilegiando os artigos que vêm exercendo uma função referenciadora para as muitas abordagens sobre o assunto.

Papel e função do erro na avaliação escolar

PID: S0100-15741990000300009 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Davis Esposito
Como é bem sabido, os índices de repetência e evasão nas escolas pública brasileiras são muitos elevados. Já há décadas, a busca de soluções para o fracasso escolar - que exclui um sem número crianças do acesso à educação e ao conhecimeno sistematizado - vem dominando a produção educacional no país.

Pressupostos epistemológicos da avaliação educacional

PID: S0100-15741990000300007 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Franco
Na maioria dos textos educacionais, ainda hoje, estão presentes as denuncias em relação aos alarmantes índices de evasão e repetência, seja a nível de 1º ou de 2º grau da escolas públicas.

Raça e oportunidades educacionais no Brasil

PID: S0100-15741990000200001 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Hasenbalg Silva
O artigo caracteriza a desigual apropriação das oportunidades educacionais por parte de brancos e não-brancos no Brasil, apontando os efeitos acumulados da discriminação racial no âmbito da educação formal. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar - PNAD de 1982 e em seu suplemento especial sobre educação, descrevem-se as trajetórias educacionais dos grupos de cor branca, preta e parda, onde se evidenciam as desvantagens no acesso à escola e no ritmo de progressão escolar por crianças não brancas, que resultam em profundas desigualdades educacionais em nossa sociedade.

Um saber sem escrita: visão de mundo do analfabeto

PID: S0100-15741990000400002 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Garcia
A sociedade complexa, em sua diversidade cultural, é fundada na leitura e escrita. Para aprender como o analfabeto se situa nessa sociedade, a pesquisa acompanhou, durante dois anos, dez adultos analfabetos de condições diversas quanto à escolarização, atividade, crença religiosa e sexo, residentes em Porto Alegre (RS), através do convívio e da análise de seus depoimentos e histórias de vida. Seus valores e atitudes no trabalho, nas relações com posse de propriedade, sucessão hereditária, os direitos de cidadão ou compromissos comerciais, assim como sua visão da escola e sua adesão e crenças religiosas baseadas na palavra escrita da Bíblia permitem apreender como, numa vivência conduzida pela oralidade, podem ser percorridos os espaços sociais construídos e regidos pela cultura letrada. A visão de mundo do analfabeto decorre de sua convivência com o mundo da escrita, do qual participa e no qual faz emergirem as incoerências e conflitos.

Uma escolinha de saber miúdo

PID: S0100-15741990000400005 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1990
Autores: Davis
O artigo visa descrever e analisar como se dá, por parte dos alunos de uma escola rural do Piauí, a construção do sistema alfabético de representação da língua escrita. Valendo-se da concepção teórica de Emilia Ferreiro e utilizando procedimentos semelhantes, os resultados apontam que, para alcançar o nível alfabético, as crianças precisam de alguns anos; isso se explica não só por fatores estruturais, como também, e sobretudo, por fatores internos à própria escola rural, notadamente pelas dificuldades da professora leiga em atuar como mediadora do conhecimento na relação ensino-aprendizagem.

A segmentação na escrita espontânea da criança na primeira série do primeiro grau

PID: S0102-46981990000100005 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 1990
Autores: Silva
Neste artigo mostramos que a criança, ao escrever espontaneamente, segmenta de acordo com as hipóteses que formula sobre a pronúncia desta ou daquela parte do enunciado. Nesse processo, ela não só propões soluções de segmentação já observadas na escrita ou na cartilha. E isso ela não o faz sempre da mesma maneira: segmenta, às vezes, as mesmas unidas maneira: segmenta, às vezes, as mesmas unidades gráficas de modo diferente e conflitante, o que vem comprovar que ela está elaborando e reelaborando continuamente suas representações lingüísticas, fato este que deve, sem dúvida, ser considerado pelo professor em seu trabalho de alfabetização.

Alfabetização: em busca de um busca de um método?

PID: S0102-46981990000200006 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 1990
Autores: Soares
O método foi, durante décadas, o problema central da alfabetização. Atualmente, porém, como conseqüência de estudos e pesquisas no quadro da psicogênese da língua escrita, é freqüente uma severa crítica à utilização de métodos, no processo de ensino/aprendizagem da língua escrita. Entretanto, a natureza teleológica da escola impõe a busca de paradigmas metodológicos, que não conflitam com a teoria psicogenética da aprendizagem da escrita desde que se entenda de forma não estereotipada com conceito de método de alfabetização.

Construtivismo e alfabetização: um balanço crítico

PID: S0102-46981990000200004 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 1990
Autores: Nunes
As contribuições e lacunas do construtivismo para a alfabetização são discutidas brevemente. Dentre as contribuições, salientam-se: (a) a filosofia de respeito ao processo de desenvolvimento do aluno; (b) os estudos da psicogênese do conceito de língua escrita; (c) as propostas para a formação do alfabetizador; (d) a posição sobre quando se devem alfabetizar as funções da avaliação. Dentre as lacunas, são discutidas: (a) a não-consideração das diferenças entre leitura e escrita: (b) a falta de explicações, para diferenças individuais; e (c) a não-consideração das conseqüências da alfabetização para a aprendizagem e o raciocínio via língua escrita e para a ampliação das possibilidades de ação do sujeito.

Crianças escravas no Brasil Colonial

PID: S0102-46981990000100004 | Revista: Educação em Revista (0102-4698) | Año: 1990
Autores: Valentim
Na historiografia do período colonial brasileiro, muito pouco se encontra a respeito da criança negra. Relatos de viajantes que estiveram no Brasil, sobretudo na primeira metade do século XIX, tornaram possível a compilação de dados em artigo: MOTT (1972) e MATTOSO (1988), por exemplo. Mas, julgando os dados obtidos insuficientes, remetemo-nos à tarefa de buscar, em outros meios da literatura acerca do período colonial, a situação da criança escrava. Reunimos fragmentos e costuramos visões que em seu conjunto tentarão dizer da situação da criança negra e escrava. Se lhe era proibido o acesso às igrejas? Se tão pouco valia, de que se ocupava? Como se educava? A leitura que fizemos do Brasil colonial desdobrou-se em várias interpretações e nos ocupamos, destacadamente, da obra de Gilberto Freire - Casa Grande e Senzala. Avaliamos a forma como Freire apresentou a criança e a mulher negra, sustentada pela visão da miscigenação entre negros e brancos como elemento possibilitador da harmonia e da união entre as raças, que anunciava e preconizava uma falsa democracia racial.
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