A assim dita crise da universidade vive a polarização entre os que, de um lado, lamentam os novos tempos, interpretados como perda crescente de substância acadêmica, e, de outro lado, os que desejam introduzir na vida universitária processos democratizantes. Trata-se de uma polarização geralmente aguda, pois se passa com rigidez de uma situação de fechamento autoritário típico, para uma de escaramento já talvez populista, rumo a condições ainda não experimentadas e por isso tidas como temerária.
Tendo em vista subsidiar as discussões a respeito de uma práxis administrativa escolar voltada para a transformação social, o artigo estuda a natureza do processo de produção pedagógico que tem lugar na escola, contrastando-o com o processo de produção material e investigando até onde o modo de produzir tipicamente capitalista pode generalizar-sena escola, a ponto de dar-se aí a completa subordinação real do trabalho ao capital.
O propósito deste trabalho foi examinar a questão do aleitamento materno do ângulo de um certo favorecimento desta prática e de sua duração, em se tratando de filhos homens. O que nos orientou foi a constatação, através do exame das estatísticas vitais, de um sub-registro acentuado de óbitos e nascimentos do sexo feminino. Muito embora neste trabalho não se tenha, sempre, chegado a diferenças estatisticamente significantes no sentido da hipótese de trabalho proposta, a prevalência e o tempo médio de amamentação sistematicamente maiores para os meninos, abrem perspectivas para estudos que possam aprofundar esta questão.
A pesquisa avaliou o desempenho em leitura de crianças na 1ª e 2ª séries do 1º grau, utilizando como critérios de proficiência três variáveis: a compreensão e o emprego de conhecimentos gramaticais durante a leitura e a interpretação após a mesma. Estas variáveis definem o perfil de proficiência de um instrumento denominado, Inventário de erros na leitura (IEL), que se baseia na concepção da leitura como um processo psicolingüístico. No IEL avalia-se a proficiência, analisando os "erros" da criança na leitura oral e as estratégias de autocorreção. A amostra foi constituída por 41 sujeitos aleatoriamente selecionados: 20 da 1ª série e 21 da 2ª. De uma extensa lista de resultados relacionados com os objetivos específicos, destacam-se como mais importantes os seguinte: os sujeitos corrigiram ou tentaram corrigir espontaneamente apenas 22,6% de seus "erros"; os sujeitos corrigiram 65,55% dos "errros" que resultaram em sentenças gramaticais incorretas e somente 12% daqueles que não deturparam a estrutura gramatical; os sujeitos corrigiram 64,85% dos "erros" que resultaram em sentenças sem sentido e apenas 10,05% daqueles que não destruíram o significado; de acordo com os critérios do IEL a proficiência dos sujeitos foi considerada regular. Os resultados confirmam que a leitura é efetivamente um processo psicolingüístico e sugerem um repensar sobre as práticas metodológicas relacionadas com o ensino da mesma.
Com a publicação desta primeira versão sobre a vida e obra de Ercília Nogueira Cobra espero desencadear novos estudos e receber críticas e sugestões no sentido de ampliar e aprimorar este trabalho. Parte da pesquisa foi financiada pela Fundação Ford, 3º Concurso de dotação de bolsas de pesquisa sobre a mulher da Fundação Carlos Chagas, inclusive a minha viagem a Caxias do Sul. Quero agradecer, também, a Marlyse Meyer e Zulaiê Cobra Ribeiro pelo insentivo e a Erich Gemeinder pela generosidade, ao proporcionar-me a consulta de vasto material em sua biblioteca.
Este texto corresponde a um seminário realizado na Secretaria de Assistência Social do Ministério de Previdência a Assistência Social em novembro de 1984.
O artigo sintetiza os principais dados colhidos por um levantamento realizado pela Comissão de Creche do Conselho Estadual da Condição Feminina do Estado de São Paulo, junto aos 38 berçários e creches em funcionamento nas empresas privadas paulistas. O objetivo do levantamento foi o de conhecer e analisar os problemas dos berçários e creches nos locais de trabalho, tendo em vista uma atuação do Conselho junto aos órgãos responsáveis pelo cumprimento da lei e pela fiscalização desses estabelecimentos e uma proposta de reformulação dos artigos relativos a esta questão na legislação trabalhista em vigor (CLT).
O presente artigo insere-se no debate inicado por Patto 1984, e continuando por Freitag 1985 sobre as dissidências entre os autores que elas denominam os piagetianos brasileiros . Nosso objetivo aqui não é discutir afirmações isoladas de Patto 1984, Freitag 1985, Montoya 1983 ou Ramozzi-Chiarottino 1982.
Este estudo pretendeu desenvolver um diagnóstico opertório de crianças de um bairro sócio-econômico desfavorecido, localizado no município de Feira de Santana, Bahia. Adotando um enfoque piagetiano, este trabalho, no seu desenrolar, levantou possíveis relações entre o fato de as crianças estarem ou não na escola e o fato de elas estarem ou não exercendo atividades remuneradas, bem como o estágio de desenvolvimento operatório concreto em termos de alguns invariantes.
Este trabalho faz parte de um programa de estudos mais amplo sobre financiamento da Educação no Brasil, realizado pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas - IESAE e patrocinado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE. Em particular, este estudo analisa os possíveis efeitos complementares de duas medidas parlamentares tomadas em fins de 1983, ou sejam: as Emendas Constitucionais nº 23/83 (Passos Porto) e nº 24/83 (João Calmon). Dividido em quatro seções, envolve: 1) o histórico da vinculação de recursos para a educação, segundo os textos constitucionais e legais; 2) as bases da Emenda Passos Porto; 3) a Emenda João Calmon e sua regulamentação; 4) as conseqüências das disposições das duas Emendas e, por meio de sua articulação, os efeitos potenciais quanto a recursos adicionais para a área da educação. Na parte final, destaca os efeitos positivos de ambas Emendas sobre a disponibilidade de recursos para a educação e ressalta as múltiplas interfaces do financiamento da educação com as questões políticas, econômicas e, em especial, com a reforma tributária.
Assim que assumimos nossos trabalhos de monitoria de Língua Portuguesa, na delegacia de Ensino de Pindamonhangaba, em 28 de setembro de 1984, encontramos vários projetos em andamento, entre eles o da integração da escola de 8 anos. Sabia-se que um dos pontos de estrangulamento da almejada seqüência é o elevado índice de evasão e repetência na 5º série. Procurava-se uma razão técnica que justificasse tais fatos . Em vão. Não havia quebra ou impropriedade seqüencial com referência a conteúdos. Isto fora debatido e verificado. Nessa linha de pensamento ocorreu-nos então pesquisar o ponto de vista do aluno, contado por ele mesmo. Afinal, pensamos, quem sai da escola é ele.
O artigo se desenvolve em torno da questão do atraso escolar nas escolas rurais do Nordeste focalizando os alunos cuja idade ultrapassa os limites definidos a partir dos padrões oficiais. A idade média dos alunos da amostra (605 escolas, 5.500 alunos) é de 12 anos na 2ª série e 14 anos na4ª série com uma variação de 8 a 25 anos. A análise qualitativa é feita a partir dos dados quantitativos coletados pelo Programa de Avaliação da Educação Rural Básica no Nordeste (EDURURAL), em 1983. O atraso na entrada para a escola, o seu abandono temporário e a repetência são explicações possíveis, mas insuficientes; há necessidade de se compreender as múltiplas determinações do problema através da situação familiar, escolar e do próprio aluno. Reunindo os resultados, verificou-se que o grupo de alunos com idade acima dos 11 anos, na 2ª série, e, acima dos 13 anos, na 4ª série, pertencem a ambos os sexos, provêm de famílias mais pobres, com pais analfabetos. Na escola, situada na casa da professora, estão sob a responsabilidade de professora leiga, em classe multisseriada. Através de uma análise conjunta concluiu-se serem esses fatos componentes do processo de discriminação a que se acha submetida a população rural.
Esse artigo representa um breve estudo sobre as propostas e realizações educacionais do Movimento Operário na Primeira República (1889-1930). O autor relata idéias e os feitos pedagógicos das três grandes correntes do Movimento Operário do período inicial da República: socialistas, libertários e comunistas. A idéia central do texto é recuperar o esforço histórico das camadas trabalhadoras no sentido de resistirem à ideologia dos grupos dirigentes.
O artigo discute as condições sociais da descoberta da primeira infância como objeto pedagógico e, em seguida, as funções sociais que a instituição escolar pode preencher quando baseada nesta definição da primeira infância. Para isto os autores analisam dados sobre: a expansão da escolaridade infantil; as mudanças no papel pedagógico das mães, associadas aos seus novos papéis profissionais; a evolução das necessidades de guarda em comparação com as educacionais; a difusão de novas concepções da psicologia sobre as crianças pequenas e as mudanças nas formas de atendimento. Na segunda parte são examinados vários aspectos da instituição escolar voltada para as crianças pequenas e as expectativas diversas que cada classe social constrói em relação a ela.
Este artigo apresenta resultados de pesquisa realizada com alunos de curso superior noturno. A intensa expansão do ensino de 3º grau noturno e particular nas duas últimas décadas produziu alterações significativas no perfil do jovem estudante de ensino superior. O estudo procurou retratar este perfil considerando a dupla situação de trabalhador e estudante que imprime características peculiares a este jovem. As relações com a família, trabalho, mundo social e a escola são examinadas a partir das representações desses jovens, colhidas por meio de questionários, debates, entrevistas e situações de sala de aula.
O presente artigo trata da mudança das relações de trabalho no interior das escolas. As mudanças apontadas indicam um processo de alteração em direção a relações especificamente capitalistas, diferentemente das disposições que afirmam não se aplicarem relações capitalistas, para essa modalidade de trabalho não material, em que o ato da produção não se separa do consumo. Foi demonstrado que o processo de divisão do trabalho e a introdução de tecnologias no trabalho escolar têm promovido a separação entre o processo de produção e o de consumo, viabilizando a diminuição do valor de reprodução da força de trabalho da educação; têm permitido a venda do produto de trabalho educativo independente do contato professor e aluno; têm viabilizado a exploração do trabalho na forma de mais valia, produção em escala caracterizando, assim, nova forma de relações de produção na educação. Do mesmo modo, a luta dos docentes, em particular, e dos trabalhadores, em geral, pode ser profundamente afetada por essas alterações.
O trabalho faz breve caracterização do ensino rural paulista dentro do contexto do ensino brasileiro e indica as especificidades de formação de corpo docente das escolas rurais do estado comparando-as com a realidade nacional. Analisa as condições de funcionamento e trabalho nas escolas rurais paulistas baseado sobretudo nas contribuições oferecidas pelo Fórum de Educação do Estado de São Paulo sobre a Escola Pública Rural, em 1984. Discute, finalmente, as propostas de formação do professor das escolas rurais encaminhadas pelos participantes do Fórum à luz das necessidades detectadas no sistema de ensino.
Esse trabalho tem como foco um aspecto bastante específicos dentre tantos temas e problemas educacionais com que nos defrontamos às vésperas de uma Assembléia Nacional Constituinte: a pré-escola.
A Administração escolar, enquanto corpo teórico-conceitual no qual pressupostamente se apóia a prática administrativa que se desenvolve no interior de nossas escolas e de sistemas escolares, debate se historicamente no Brasil com fogo cruzado de duas incompreensões. De um lado situam-se aqueles que entendem a administração escolar como um caso particular da ciência administração e como tal, supõem necessário apenas um pequeno esforço de adaptação para que os princípios gerais de administração possam dar conta satisfatoriamente dos problemas que se manifestam no cotidiano das instituições escolares.
A ONU (Organização das Nações Unidas) denominou, 1985, Ano Internacional da Juventude. Para este evento a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe) encomendou diagnósticos da situação do jovem em diferentes dimensões - seu papel nas tendências da dinâmica demográfica, alterações na organização familiar, condições de trabalho, escolaridade etc. - baseados fundamentalmente em dados censais. O diagnóstico brasileiro foi realizado por mim com a colaboração de Albertina Costa e foi divulgado pela CEPAL com o nome de Os jovens e as Mudanças Estruturais no Brasil ao Longo da Década de 70. Este artigo é o resumo de uma das dimensões abordadas naquele relatório. Trata de avaliar o impacto das intensas mudanças qualitativas e quantitativas ocorridas na estrutura econômica e social do Brasil, na década de 70, nas condições de trabalho de crianças (10-14 anos), adolescentes (15-19 anos) e jovens (20-24 anos). Na verdade propõe-se a duas tarefas básicas e complementares - a de mostrar como estas parcelas da população foram condicionadas a participar das tendências do mercado de trabalho ocorridas ao longo deste período, contribuindo a sua maneira para os novos contornos que assumiu a sociedade brasileira, e, em segundo lugar, como estas mudanças acionaram mecanismos de acesso pelos setores populares à identidade jovem.