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Professores de periferia: soluções simples para problemas complexos

PID: S0100-15741975000300005 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Barretto
O trabalho consiste na análise de cerca de 550 relatos feitos por professores primários da periferia da cidade de São Paulo, sobre dificuldades encontradas na sala de aula. As dificuldades são de natureza didático-pedagógica ou se referem a problemas de comportamento do aluno. O estudo evidencia os conflitos provenientes da confrontação de dois modos de vida urbanos: o representado pela escola, por intermédio de seu professor, um indivíduo pertencente às camadas médias da população, e o vivenciado pelos alunos, provenientes em sua maioria, das camadas populares. São analisados alguns dos recursos utilizados pela instituição escolar para a transmissão de valores, expectativas e aspirações peculiares a determinados grupos ou classes sociais.

Qual é a mulher que merecemos?

PID: S0100-15741975000400009 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Alier
Em vez de fazer uma rápida revisão das contribuições antropológicas mais recentes, prefiro retornar ao primeiro antropólogo a se ocupar, de uma perspectiva tanto histórica como estrutural, da condição social da mulher. Estou pensando em Lewis Morgan e sua obra “A Sociedade Antiga” que, como todos sabem, serviu de base para Engels na sua obra “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Quero sugerir que, a luz da teoria da História proposta por estes dois autores, tentemos repensar algumas questões básicas. Acredito que qualquer solução que se queira das a condição da mulher pressupõe, em primeiro lugar, uma compreensão das suas determinações historicamente específicas. Em síntese, o que Morgan sugeria era que, em última instância, é o grau de desenvolvimento das “artes de subsistência” que determina as formas de família em cujo âmbito se definem as funções e prerrogativas sociais do homem e da mulher.

Recursos humanos e materiais nas instituições escolares de grau médio

PID: S0100-15741975000200001 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Sander
O presente estudo pretende mostrar a existência de formalismo no sistema educacional brasileiro pela comprovação das hipóteses de que existe significativa discrepância entre os dispositivos legais e sua implementação nas escolas, e que essa discrepância é maior nas comunidades menos urbanizadas e nas escolas públicas. São estudadas a qualificação do diretor, a qualificação do corpo docente, a situação do pessoal técnico, o funcionamento dos serviços escolares e as condições das instalações e do material de ensino para testar as hipóteses propostas, cuja validade se confirma com elevado nível de probabilidade. O estudo se realizou com amostra de escolas secundárias do Estado do Rio Grande do Sul. O artigo descreve, também, a situação geral dos recursos humanos, técnicos e materiais a serviço das escolas secundárias do Rio Grande do Sul.

Relação entre sexo da criança e aspirações educacionais e ocupacionais das mães

PID: S0100-15741975000400004 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Campos Esposito
Esta pesquisa teve como objetivo verificar se as expectativas que mães de crianças de 4 a 6 anos de idade têm a respeito do futuro de seus filhos são influenciadas pelo sexo da criança. Procurou-se verificar também se isto ocorre de forma diferente conforme a camada social considerada. Para tanto foram analisadas as respostas obtidas através de entrevistas realizadas durante o ano de 1974 com 90 mães de nível socioeconômico médio e 90 de nível baixo em São Paulo e 90 mães de Ceilândia, D.F. A análise dos dados demonstra que as diferenças nas expectativas educacionais se acentuam conforme se passe da população de nível médio para a de nível baixo. Também foram encontradas diferenças entre as expectativas de realidade e o que as mães desejam idealmente para os filhos. Quanto às expectativas ocupacionais, verificou-se que elas também se diferenciam conforme o sexo da criança, sendo que existe uma maior flexibilidade na escolha de profissões para as meninas na amostra de nível médio.

Sub-cultura: uma terminologia adequada?

PID: S0100-15741975000300001 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Cardoso
Neste trabalho é analisada a descontinuidade apresentada pelo conceito de cultura e a dinamização que deve ser atribuída a este termo para que tenha utilidade como referencial teórico útil à compreensão de realidade urbana.

Subsídios do direito do trabalho para um debate sobre a situação da mulher

PID: S0100-15741975000400008 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Cardone
Um estudo que se proponha fornecer elementos jurídicos para debates sobre a situação da mulher deve partir, a nosso ver, da exposição do direito positivo. Sabendo-se quais interpretadas e aplicados pelos tribunais e que tipo de contribuição a doutrina oferece para essa interpretação e conseqüente aplicação, ter-se-á uma idéia do que sucede na sociedade a respeito da mulher, quanto à experiência jurídica de um ramo do Direito.

Trabalho industrial x trabalho doméstico a ideologia do trabalho feminino

PID: S0100-15741975000400002 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Blay
Para compreender a atitude das trabalhadoras brasileiras para com o seu papel na sociedade, especialmente sua consciência profissional, é necessário considerar três aspectos mais importantes: o nível econômico do país, a maneira pela qual o mercado de trabalho absorve a força de trabalho feminina e a atitude da família, amigos e parentes relativas às carreiras profissionais femininas. Neste artigo, os dados foram analisados relativamente a este último aspecto, por meio de: a) aceitação - pela própria trabalhadora, pelos membros da família, parentes e amigos, de ambos os sexos - das carreiras profissionais das mulheres; b) divisão de trabalho dentro da família; c) tomada de decisão pelo homem e pela mulher na vida familiar. Revelou-se que a sociedade conserva como femininos os papéis e trabalho doméstico; que as mulheres são ostensivamente, ou não, desencorajadas pela família, especialmente pelos membros masculinos. Pela valorização do papel doméstico da mulher a sociedade utiliza o seu trabalho doméstico sem pagá-la e conserva a mulher ideologicamente fora do mercado de trabalho.

Um estudo quantitativo sobre a reprovação no curso primário

PID: S0100-15741975000100001 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1975
Autores: Camargo
Para verificar as causas e conseqüências da reprovação escolar, foram estudados comparativamente e caracterizados quantitativamente 1300 alunos, classificados em três grupos: não reprovados (R0), reprovados uma vez (RI) e reprovados duas vezes (RII) em função das médias das notas dos exames finais obtidas nas quatro séries do curso primário, nível socioeconômico e nível mental. Para a caracterização quantitativa utilizou-se a técnica de correlação parcial e múltipla, e para o estudo comparativo as de análise de variância (Teste F) e Teste de Tuckey.

A educação especial

PID: S0102-25551975000100001 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Reale
É com grande prazer que venho esta manhã, à Faculdade de Educação, para dizer algumas palavras sobre o tema “A Educação Especial”, congratulando-me com a Escola e com o seu Diretor, pela iniciativa de um curso, cuja oportunidade e necessidade seria dispensável enaltecer. Estamos, efetivamente, passando de uma era, em que nos perdíamos cada vez mais em generalidades, para descer ao conhecimento de valores específicos, a fim de que o mestre possa ser realmente habilitado ao exercício completo e adequado de sua profissão ou, por melhor dizer, de sua missão.

A lição do texto

PID: S0102-25551975000100003 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Salum
O que pretende este trabalho é muito simples: é oferecer uma singela contribuição para melhor funcionamento da aula de explicação de texto. É deste que, em trabalho reiterado, consciente ou inconscientemente, tiramos boa parte das nossas informações lingüísticas e estilísticas, é nele que observamos a inter-relação entre o código falado e o escrito e apuramos o nosso modo de escrever, é nele que nos adestramos e adestramos os alunos na prática da exegese rigorosa da fala, é fazendo a sua análise e, depois, sínteses inconscientes que aprendemos a estruturar os nossos textos ou colhemos sugestões para ensinar os alunos o planejamento das suas redações, e é finalmente da sua exegese literária acumulada que enriquecemos nossa visão da literatura e nos preparamos para o trabalho crítico.

As origens da Faculdade de Educação: a introdução dos estudos pedagógicos de nível universitário no estado de São Paulo

PID: S0102-25551975000100002 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Antunha
A Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, como unidade universitária integrada na estrutura da Universidade de São Paulo, é uma instituição de recente criação, embora suas raízes se estendam por um passado histórico bastante longo que nos seus inícios, se confunde com a própria criação do sistema público de ensino mantido pelo governo paulista. Na verdade, à Faculdade de Educação, ou às instituições de que é a legítima sucessora, têm estado vinculadas, direta ou indiretamente, algumas das mais importantes personalidades paulistas ligadas aos estudos, às pesquisas e às iniciativas e atividades educacionais.

Didática: perspectivas deste século

PID: S0102-25551975000100004 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Castro
Neste último quartel do século vinte, duas tendências contraditórias são observadas. Uma delas conduz, em certos setores da vida humana, à necessidade de olhar para trás, numa visão nostálgica das décadas iniciais do século, verificada, sobretudo no âmbito da arte e da moda. Em outros setores e mais especialmente em ciência e tecnologia, é a perquirição do que está por vir que se propõe, entendendo-se que para o “choque com o futuro” deverá a humanidade preparar-se.

Educação, televisão e pesquisa

PID: S0102-25551975000100007 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Di Dio
Duas posições antagônicas têm sido tomadas por escritores e educadores no curso da breve história da televisão. De um lado, entre os que viram na televisão um instrumento prejudicial, Norman Cousin, editor do “Saturday Review of Literature”, afirmou que “saiu do tubo da televisão tamanho assalto contra a mente humana, ataque tão avassalador contra a imaginação, tal invasão contra o bom gosto a ponto de serem superados os males causados por qualquer outro meio de comunicação, com exceção do cinema ou do rádio” (12). Com semelhante virulência, um relatório publicado pelo Banco Real do Canadá incluiu este parágrafo: “A televisão deturpa nossa imagem do mundo ao limitar nossa oportunidade de selecionar e isolar as cousas a que devamos dirigir nossa atenção. Crescemos acostumados à mais estranha das justaposições: o sério e o trivial, o cômico e o trágico...Eis ai um colapso de valores, uma fantasia de efeitos que lembra os destroços deixados por uma tormenta”(12).

Fontes de recursos financeiros para a escola privada

PID: S0102-25551975000100006 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Melchior
Este trabalho trata das fontes de recursos financeiros já existentes. Ao mesmo tempo, outras fontes são sugeridas. As medidas paralelas decorrentes, principalmente, das novas fontes, são examinadas a título de sugestões. Introdutoriamente tratamos das formas de auxílio do poder público à escola privada.

O indivíduo e a sociedade nas perspectivas de J.-J. Rousseau e de J. Dewey

PID: S0102-25551975000100005 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Lima
No ano de 1762, um suíço residente em Paris publicou, na Holanda, um livro sobre educação. Tratado ou novela pedagógica, segundo a opinião particular de cada leitor, o <i>Emile</i> viria provocar uma revolução na pedagogia. As idéias ali expostas puseram em causa todo o sistema educativo da época, e questionaram, sobretudo, a formação humana em seus fins e meios.

Resumos de pesquisas estrangeiras

PID: S0102-25551975000100009 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Di Dio
A Revista da faculdade de Educação da Universidade de São Paulo propõe-se a divulgar os resultados de pesquisas, elaboradas no exterior, sobre problemas relevantes no campo da educação. A finalidade desses resumos analíticos é não só a de informar como também a de familiarizar nossos educadores com os problemas que preocupam os pesquisadores estrangeiros e com as técnicas empregadas na tentativa de resolvê-los. Nesse número, a escolha e a súmula das pesquisas, extraídas de periódicos especializados, ficou sob a responsabilidade de Renato A. T. Di Dio.

Santo Agostinho e o menino

PID: S0102-25551975000100008 | Revista: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Año: 1975
Autores: Nunes
Há muitos anos, adolescente, tive o prazer de ler a <i>Vida de Sto. Agostinho</i> escrita por Papini. Gravou-se-me na memória a descrição feita pelo autor, no prefácio do pequeno quadro de Sandro Botticelli na Galeria dos Ofícios, onde um velho de barba branca, vestido de capa vermelha, conversa com um pequenito na praia de um mar verde e translúcido semelhante ao do <i>Nascimento de Venus. </i>O velho inclina-se um pouco para a criança que, ajoelhada junto a uma poça, tem na mão uma espécie de concha. Olhei para a legenda por baixo do quadro: era Sto. Agostinho a quem uma criança confessa querer esvaziar o mar” (1). Depois dessa leitura, deparei por várias vezes com a explicação da cena descrita pictoriamente por Sandro Botticelli. Há pouco tempo, ainda, pude verificar a durabilidade dessa formosa lenda, ao examinar a lição dada por Alfredo Barth sobre a Santíssima Trindade na sua <i>Enciclopédia Catequética</i>. “O mistério da Trindade divina, ensina A. Barth, é insondável. Tomás Cantipratano (morto em 1280) narra a história de <i>Sto. Agostinho</i> que passava longas horas indagando sobre o mistério da Trindade. Certo dia, viu uma criança tirando com uma colherzinha a água do mar para pô-la numa pequena cova... É mais fácil para mim, disse a criança, transportar a água do mar para esta cova do que para a tua razão compreender o inescrutável mistério da SS. Trindade”. Barth narra, em seguida, a mesma lenda em relação a Alano de Lille (2).

A profissão de orientador educacional

PID: S0100-15741974000200004 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1974
Autores: Goldberg
Partindo da conceituação e dos pressupostos de Orientação Educacional, o artigo define a sistemática brasileira de Orientação e caracteriza o orientador em termos das condições legais de formação e exercício profissional.

Aspectos demográficos do planejamento educacional

PID: S0100-15741974000300004 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1974
Autores:
Pode-se definir a demografia como estudo dos aglomerados humanos. Uma primeira maneira de abordar esse estudo é tentar explicar os fatos demográfico. É p que se poderia denominar análise demográfica teórica. Mas pode-se, também, contentar com um estudo simplesmente descritivo e chegar a uma “descrição estatística das populações”. Porém, na realidade, essa distinção não é tão clara. Assim, não se poderiam estabelecer perspectivas de população sem um mínimo de análise demográfica.

Avaliação de competência no desempenho do papel de orientador educacional

PID: S0100-15741974000300002 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 1974
Autores: Goldberg
Em 1972, 107 sujeitos (37 orientadores educacionais de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; 45 estudantes de orientação desses Estados e 25 orientadores educacionais de escolas particulares de 1º grau, localizadas na cidade de São Paulo e com algum aspecto de renovação pedagógica) foram submetidos a uma escala Q com 70 itens descritivos do papel de orientador educacional. A partir da análise fatorial de seus resultados foi possível: a) identificar duas funções básicas dentro do papel de orientador educacional: a de MONITOR e a de ASSESSOR, correspondendo, respectivamente, a formas de intervenção DIRETA e INDIRETA junto ao orientando; b) constatar que os grupos valorizaram mais a função de MONITOR, especialmente no que respeita à Orientação Vocacional; c) elaborar um Inventário de Auto-Avaliação Profissional do Orientador Educacional (IAAPoe), garantindo-lhe validade lógica em termos do processo ORIENTAÇÃO-APRENDIZAGEM.
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