ESCOLAS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO INFANTIL NA CIDADE DE SÃO PAULO DE 1989 A 1992: O LEGADO DE PAULO FREIRE PARA O CURRÍCULO E A GESTÃO
PID: S1676-25922023000100122 |
Revista: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) |
Año: 2023
Autores: Nascimento
RESUMO Durante a administração da prefeita Luiza Erundina na cidade de São Paulo (1989-1992), tendo Paulo Freire e Mario Sergio Cortella como secretários de Educação, foram efetuadas diversas iniciativas voltadas para a melhoria da qualidade e democratização da educação paulistana. Uma delas foi o movimento de reorientação curricular, voltado para todas as etapas e modalidades da educação básica. Este artigo dedica-se a analisar como se deu essa reorientação nas escolas municipais de educação infantil (EMEIs), à luz dos princípios da teoria educacional freiriana. O objetivo é verificar como e se tais princípios se materializaram em ações concretas e quais teriam sido seus resultados nas políticas de educação infantil da cidade. O corpo de dados analisado compõe-se de documentos oficiais da Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo e de depoimentos de educadoras que atuaram na equipe da SME durante o período estudado. Como referencial teórico, utilizam- se obras de Paulo Freire e de outros autores situados no campo das teorias críticas da educação. Entre os achados, identificamos que quatro princípios freirianos sustentaram essa reorientação curricular: dialogicidade, reflexão coletiva sobre a prática, movimento (transformação) e implicação (comprometimento subjetivo com o processo). Verificou-se que a reorientação curricular resultou em transformações positivas para a educação infantil e para as outras etapas, como a significativa redução das taxas de repetência na 1ª série. Por fim, reafirma-se a viabilidade de o princípio constitucional da gestão democrática sustentar a gestão educacional, tanto no nível central dos sistemas quanto no nível das unidades escolares.