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As contradições da filosofia burguesa e da razão moderna em Lukács e Horkheimer

PID: S1982-596x2023000301547 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Carbone
Resumo: Lukács e Horkheimer analisam as tensões e contradições da sociedade europeia na medida em que elas se refletem nas teorias filosóficas elaboradas pelos pensadores burgueses da era moderna: nesse terreno, essas contradições práticas refletem uma oposição conceitual entre binômios como sujeito/objeto, fenômeno/coisa em si, necessidade/liberdade etc. Ao abordar a questão da influência de História e Consciência de Classe (1923) sobre os ensaios de Horkheimer das décadas de 1920 e 1930, este artigo tem o objetivo de comparar as respectivas posições teóricas dos dois autores sobre o pensamento burguês e seu entrelaçamento com as transformações da moderna sociedade capitalista moderna.

Autonomia como ideal regulador da Universidade Moderna: sentidos e limites

PID: S1982-596x2023000301377 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Oliveira Gomes
Resumo: Neste artigo, a partir de pesquisa teórica, objetiva-se refletir sobre os sentidos do conceito de autonomia da universidade moderna e algumas das suas importantes limitações epistemológicas, políticas e curriculares. Para isso, buscou-se dados nas fontes bibliográficas citadas e referenciadas no texto, de modo especial no pensamento de Bacon, Kant e Descartes. A metodologia adotada consistiu na leitura, análise, comentário e crítica dos textos selecionados, tomando-se cada um enquanto unidade de sentido, mas também confrontando e problematizando os enunciados e teses diversas numa tentativa de “desconstrução” e “ampliação” de significados. Nesse exercício de reflexão, compreendeu-se que os diversos sentidos de autonomia são símbolos privilegiados da atividade universitária desde a sua origem até os dias atuais, atravessando o debate entre liberalismo e marxismo, característico da modernidade. Verificou-se que há possibilidades e limites contextuais para o exercício da autonomia e que o jogo entre ser e dever-ser da universidade atravessa diversos discursos e tempos, reunindo em torno de si uma complexa e contraditória rede de compreensões em torno deste conceito.

Autonomia, racionalidade e liberdade: o feminismo liberal está falido?

PID: S1982-596x2023000100315 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Mallmann
Resumo: A falência do feminismo liberal é apontada como uma realidade por filósofas feministas como Nancy Fraser. A partir disso, a presente pesquisa tem como objetivo esclarecer ideias centrais do feminismo liberal, as principais críticas direcionadas à teoria e a sua utilidade a um projeto feminista emancipador das mulheres, com base, principalmente, nos escritos de Martha Nussbaum. Autonomia, racionalidade e liberdade são as principais reivindicações do feminismo liberal, e por isso, busca-se demonstrar a interlocução entre essas questões e a objetificação, bem como esclarecer que existem interpretações diversas dentro do próprio movimento, a respeito de qual liberdade se interessa, e que nesse sentido, o feminismo liberal igualitário é o mais útil a um projeto emancipador.

Coletividades interseccionais e justiça integradora: interpretando a relação entre justiça social e interseccionalidade

PID: S1982-596x2023000201051 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Macedo Devechi
Resumo: O artigo discute a conexão entre a interseccionalidade e a justiça social nas pesquisas educacionais. Parte da apresentação da interseccionalidade como lente analítica multifocal para interpretação social, passa por sua articulação ao pensamento bidimensional de justiça social, como alternativa frente às perspectivas investigativas unidimensionais, para discutir acerca das coletividades interseccionais e de uma justiça integradora. É um estudo hermenêutico de trabalhos de Nancy Fraser e de intelectuais da interseccionalidade - como, Patrícia Hill Collins, Sirma Bilge, Ângela Davis, Kimberlé Crenshaw, Lélia González e Heleieth Saffioti. Conclui que investigações educacionais para a justiça social precisam estar vinculadas aos estudos interseccionais e, a interseccionalidade ao seu compromisso com a justiça social.

Conhecimento, Conteúdo e Utopia

PID: S1982-596x2023000100505 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Cezario
Resumo: O presente texto tem como objetivo expor uma visão sobre como o conhecimento, o conteúdo e a utopia são concebidos dentro das filosofias de Platão (2000; 2016) e Theodor Adorno (2009). Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que busca articular as ideias dos autores mencionados por meio de um diálogo de considerações que passa, especialmente, pelas ideias platônicas de justiça e verdade, como também pelas ideias adornianas de contradição e não identidade. Este estudo compreende que tais conceitos são importantes para se conhecer verdadeiramente as coisas e, com isso, acessar os seus conteúdos inerentes, como é a perspectiva de uma educação crítica.

Contos radiofônicos: a emergência de uma forma moderna de narração em Benjamin

PID: S1982-596x2023000301497 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Sanches Galuch Silva
Resumo: Este estudo analisa as narrativas radiofônicas de Walter Benjamin, como forma e conteúdo através do qual o autor buscou proporcionar para a infância de seu tempo uma possibilidade de experiência com o contemporâneo. Ao se pensar as peças do ponto de vista didático e do ponto de vista da aprendizagem, pode-se encontrar nelas a intencionalidade de Benjamin, bem como a atenção e o cuidado dado por ele a elementos aparentemente irrelevantes para o esclarecimento como Aufklärung, no cotidiano prosaico das massas. Esse cuidado o levou a questionar, a exercitar e a experimentar a transmissão do conhecimento por meios novos e metodologias inovadoras para a época, sem perder de vista a perspectiva dos vencidos, em sua batalha diária, ou seja, em seu cotidiano. As peças, portanto, não são modelos apenas em sua estrutura narrativa, mas também de uma intencionalidade pedagógica emancipadora que pode dialogar com a criança, mediante a ludo-linguagem de domínio e fluência das crianças. A infância, nesse sentido, é signo de uma nova subjetividade fortalecida e, assim, capaz de resistir e de se desviar dos encantos e das promessas do populismo fascista que, no século XXI, não deixou de rondar a todos.

Divergência convergente: o diálogo entre Paul Ricoeur e Claude Lévi-Strauss

PID: S1982-596x2023000100599 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Loschi Gagnebin
Resumo: Paul Ricoeur propõe uma filosofia do símbolo, que se encontra no limiar da inserção da hermenêutica em sua filosofia. Decisiva para esta fase, foi a interpelação de outras disciplinas que se constituíram por meio da análise da linguagem simbólica, entre as quais se encontra a antropologia estrutural de Lévi-Strauss. Dessa forma, definimos os termos mais específicos do diálogo estabelecido entre Paul Ricoeur e Claude Lévi-Strauss sobre a análise da linguagem simbólica do mito. Esta pesquisa nos auxiliou a compreender melhor a fase de abertura da hermenêutica ricoeuriana e suas aproximações e afastamentos com o estruturalismo lévi-straussiano, tão difundido em nosso campo acadêmico.

Diário de 07 de agosto de 1931 até o dia de minha morte

PID: S1982-596x2023000301719 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Benjamim
Resumo: No final do ano de 1930, Benjamin muda-se para um pequeno apartamento em Wilmersdorf, em Berlim. Rodeado pelos seus cerca de dois mil livros e podendo, pela primeira vez, realizar plenamente a sua vocação de escritor, como crítico literário, ele vive o ponto alto de sua vida profissional. Contudo, em 1931, após Anton Kippenberg negar o pedido de Benjamin de publicação de um livro seu sobre o centenário de Goethe, o filósofo cai em profunda depressão. Ele escreve, então, o texto “Diário de 7 de agosto de 1931 até o dia de minha morte”, que começa com uma sentença já não muito encorajadora: “Não prometo que este diário será muito longo. Hoje, recebi a resposta negativa de Kippenberg e, por isso, meu plano ganha a total atualidade que somente um impasse é capaz de oferecer”. Seu plano? O suicídio. Benjamin planejava reunir, neste escrito, uma síntese dos pontos centrais de seu pensamento, antes de tirar sua própria vida. O diário, de fato, não se estendeu longamente: ele segue apenas até o dia 16 de agosto, quando Benjamin desiste de dar continuidade ao texto e ao suicídio. Entretanto, seu anseio de sintetizar ao menos algumas de suas ideias mais originais consta nas poucas páginas, que ele se dedicou a produzir. No Diário, encontrar-se-ão iluminações ao conceito de história proposto pelo autor - em especial, pela atenção a partir de nova ótica que o filósofo, aqui, oferece ao conceito de origem (Ursprung) -, informações a respeito do debate entre Benjamin e Kraus, assim como uma discussão a respeito do papel do romance, no contexto da modernidade.

Docência crítica: uma práxis que constrói vocações

PID: S1982-596x2023000200825 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Franco Scalet
Resumo: A história e a multidimensionalidade da docência oportunizam diferentes compreensões sobre sua gênese e desenvolvimento. As inúmeras contradições que configuram o ato pedagógico, podem ser consideradas como um dos elementos que dificultam explicar a docência de maneira linear e simplificada. Neste complexo contexto, questiona-se como a práxis pedagógica pode produzir condições de compromisso social e político com a docência, em substituição ao conceito de vocação? Para responder à esta questão, desenvolveu-se pesquisa crítico bibliográfica a partir do aporte teórico de Freire (1993, 1996), Nóvoa (2003) e Franco (2008, 2012, 2016), buscando consolidar a ideia de que ao desenvolver a docência na perspectiva crítica, esta práxis vai vocacionando o professor ao exercício da docência cada vez mais comprometida socialmente e com os ideais de humanização que a caracterizam.

Ensino superior angolano: educação como bem público face ao mercado

PID: S1982-596x2023000100235 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Paxe Nguluve
Resumo: A educação, a superior em particular, tem sido uma questão central nas políticas do Estado em Angola. E como compromisso, o Estado angolano tem-na definida como bem-público, o que implica uma série de medidas relacionadas ao seu acesso, seus processos de gestão e também os mecanismos de financiamento. Como resultado das disputas ideológicas na esfera do Estado, e também a emergência da economia de mercado em Angola, a condição de bem-público da educação é capturada pelos agentes do mercado que adentram a esfera da educação. A emergência dos empresários da educação, bem como as demandas do mercado de trabalho e as políticas de carreiras transformaram a educação numa questão que supera as agendas públicas dos governos. Neste texto, vamos relatar a realidade proporcionada pelas políticas da educação superior na esfera do Estado. Compreendemos que o Estado é colocado diante do desafio de salvaguardar a condição de bem público através da regulação do sector e seus processos, por outro lado, é impelido pelas dinâmicas dos grupos hegemónicos nas esferas políticas e económicas, a condescender com a privatização da educação.

Entre o ranking e o rating: A avaliação digital docente na era da sociedade métrica

PID: S1982-596x2023000100529 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Zuin Bianchetti
Resumo: Os processos avaliativos, na universidade, são perpassados por um ethos que prima pela quantificação e pelo ranqueamento. Em decorrência, observa-se cada vez mais a descaracterização da avaliação na sua acepção qualitativa e, consequentemente, formativa. A afirmação desse ethos, na universidade, bem como na sociedade, é facilitada pelos algoritmos de big data, os quais estão na base da constituição da chamada “sociedade métrica”, em que há uma tendência geral para utilizar formas quantitativas para realizar classificações sociais. Neste texto, com respaldo em revisão de literatura, objetiva-se refletir sobre dois processos de avaliação de docentes que atuam no ensino superior e que ultrapassam o espaço acadêmico pela sua dimensão pública espetacularizada: a) o ranqueamento da produção docente, por meio do índice h; e b) a avaliação realizada por estudantes em sites públicos, neste caso específico, o site de avaliação docente ratemyprofessors.com. A partir destas duas estratégias de avaliação, professores, pesquisadores e alunos envolvem-se em uma espécie de certame onde se mostrar, ser visto, monitorado, classificado passa a ser critério de aprovação (percebido) ou, no limite, perda de financiamentos e do próprio trabalho (cancelado).

Erich Fromm e a crítica à universalidade do Complexo de Édipo

PID: S1982-596x2023000201143 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Moreira Drawin
Resumo: O psicanalista e teórico social Erich Fromm (1900-1980) alcançou fama mundial e foi largamente traduzido em nosso país nos anos sessenta e setenta do século passado, mas, posteriormente, encontram-se poucas referências às suas obras na literatura acadêmica brasileira. O objetivo do nosso texto não é expor a teoria de Fromm em seus múltiplos aspectos, mas retomar a sua crítica ao naturalismo freudiano, como uma forma de subsidiar a discussão contemporânea acerca do caráter universal ou etnocêntrico da interpretação psicanalítica do mito edípico.

Escarafunchando os sentidos da docência: ofício e vocação

PID: S1982-596x2023000200875 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Fortunato Araújo Medeiros
Resumo: Este artigo, escrito na forma de um ensaio, tem como objetivo traçar uma discussão a respeito de um binômio particular ao magistério: ofício ou vocação. Nossa pergunta chave é: seria a docência um exercício de vocação, baseado no dom de ensinar e no apreço pelas pessoas? Por meio de três princípios da e para a docência, produzimos um diálogo articulado entre as premissas mais gerais a respeito do trabalho docente e as reflexões originadas da experiência cotidiana como professores formadores. Ao final, esperamos destacar a complexidade da profissão que é ofício e vocação.

Fetichismo da Mercadoria e Fantasmagoria na obra “Infância Berlinense: 1900”, de Walter Benjamin

PID: S1982-596x2023000100455 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Enoque Said
Resumo: O pensamento de Walter Benjamin ocupa uma posição particular e, pode-se até dizer, especial na história do pensamento crítico moderno. Sua obra, fragmentada, inacabada, hermética, atual, anacrônica e complexa, possibilita um passeio sobre uma diversidade de temáticas que vão desde a literatura, passando pela sociologia, filosofia, arte, história, entre outras. O objetivo principal deste artigo consiste, assim, em estabelecer mais um olhar em direção a esse pensador. Trata-se, sobretudo, de compreender como as temáticas do fetichismo da mercadoria e da fantasmagoria podem ser vistas em uma de suas principais obras semificcionais (“Infância Berlinense: 1900”). Foram selecionados, para fins deste trabalho, oito excertos. São eles: “O telefone” “Rua de Steglitz, esquina com a rua de Genthin”, “Mercado”, “Krumme Straβe”, “Um fantasma”, “O anãozinho corcunda”, “Blumeshof 12” e “Desgraças e Crimes”. Após a análise dos excertos, pôde-se observar que o conceito de fetichismo da mercadoria, cunhado por Marx no Capital e ampliado por Benjamin como um elemento de interpretação da realidade burguesa alemã da época de sua infância (fantasmagoria), pode ser visualizado na maioria dos excertos escritos pelo autor na obra “Infância Berlinense: 1900”.

Formação continuada docente: a perspectiva de caminhante e a (in)completude do ser

PID: S1982-596x2023000200767 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Moro Jung
Resumo: Este artigo objetiva investigar de que forma a proposta de educação continuada de uma escola de Educação Básica privada franciscana, localizada no Sul do Brasil, contribui na construção de si e da prática pedagógica de seus docentes. A metodologia é de abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso. Para a coleta de dados utilizou-se a entrevista semiestruturada, com escolha intencional dos participantes (professores, coordenadoras pedagógicas e alunos). Optou-se pela análise textual, cujo processo de auto-organização deu-se a partir da desordem em direção a uma nova ordem, passando pela emergência do novo para, finalmente, auto organizar-se de forma intuitiva. Os resultados apontam possíveis caminhos para o projeto formativo e confirmam que a participação dos professores na educação continuada ofertada pela escola contribui para a mudança no ser pessoa, incentivando-os a empreenderem inovações na prática pedagógica. Além disso, produziram aprendizagens significativas sobre a sua prática pedagógica e concepções de educação continuada, seus entendimentos no processo de autoformação (subjetividade) de si como seres em devir. Evidenciou-se que o despertar para a necessidade da educação continuada como contribuição para a autoformação do ser pessoa profissional é algo inerente ao ser humano na busca pela sua inteireza.

Governamentalidade e memória: quando a reflexão se torna flexão

PID: S1982-596x2023000100409 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Dourado
Resumo: Analisaremos o conceito foucaultiano de governamentalidade e os seus impactos sobre a memória. Veremos como aquilo que Foucault chama de governo contém em si uma forma específica de conduzir os sujeitos ao exame das próprias consciências, direcionando-as para um objetivo pré-estabelecido. Trataremos de explicitar a articulação entre memória e reflexão a fim de verificarmos como o sujeito que examina a sua própria consciência é um sujeito que reflete, essa reflexão, no entanto, quando influenciada pelo governo, se torna aquilo que chamaremos de flexão. Em seguida, veremos como a flexão é um modo particular de memória da sociedade competitiva, uma memória que contém em seu íntimo a competitividade. Por fim, indicaremos os impactos da flexão na memória e, por conseguinte, na educação.

Horkheimer, o Absoluto e a ambiguidade conceitual da teologia negativa

PID: S1982-596x2023000301567 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Bueno
Resumo: A obra Eclipse da razão, de Horkheimer, é tensionada por uma ambiguidade conceitual. No texto Meios e Fins, o conceito de razão objetiva tem uma fundamentação metafísica, que é contestada pela análise materialista exposta no texto Sobre o conceito de filosofia. Essa ambiguidade conceitual repercute nas reflexões teológicas tardias de Horkheimer, em que o conceito originalmente metafísico do Absoluto é recepcionado em termos materialistas. Nesse sentido, a teologia negativa postulada por Horkheimer reflete problemas relativos à fundamentação conceitual do materialismo dialético no campo filosófico. O objetivo deste artigo consiste em expor essa ambivalência, e também apontar os problemas conceituais envolvidos na fundamentação filosófica do materialismo dialético.

Hume e o debate contemporâneo sobre as razões motivantes

PID: S1982-596x2023000200899 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Souza
Resumo: Este artigo busca colocar a filosofia de David Hume diante de algumas teorias contemporâneas a respeito do tema das razões para agir ou motivantes. Há certa dificuldade em se afirmar que Hume aborda as razões motivantes, um conceito contemporâneo voltado a explicar aquilo que efetivamente impele um agente e referente ao lugar do desejo e da crença. Há dois grupos, intitulados respectivamente como humeanos e não-humeanos, de modo que, para o primeiro, supostamente mais alinhado a Hume, o desejo tem lugar garantido e até certa primazia na motivação para o ato e a crença, um papel limitado. Já para o segundo, o desejo não é sempre fundamental para motivar as ações e a crença pode tomar a dianteira nesse aspecto. Apesar do desafio de se colocar o próprio Hume junto a esses debatedores que orbitam sobre seu pensamento, é possível aproximar tais intelectuais no intuito de se investigar se Hume não teria uma perspectiva sobre as razões motivantes, quando ele reflete sobre a ação humana ao tratar das paixões, da crença e da razão. Esta investigação também contribui para se ampliar a compreensão a respeito das considerações de Hume sobre o uso do intelecto na esfera prática.

Metamorfoses em Emanuele Coccia: composições para habitar a educação e a formação docente

PID: S1982-596x2023000301465 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Rigue Sales Dalmaso
Resumo: Estes escritos visam proliferar relações filosófico-poético-educacionais a partir do contato dos/as autores/as com a leitura atenta do livro Metamorfoses, do filósofo Emanuele Coccia (2020), em meio a uma série de encontros de um Grupo de Estudos e Pesquisas em educação. Por meio de uma leitura-escrita Fiandográfica (DALMASO, 2016), a obra do autor foi sendo posta como intercessora, fazendo-a funcionar com aspectos de uma formação docente por vir, e capaz de angariar nascimentos presentes e futuros no campo educacional. Alguns componentes da obra - nascimentos, casulos e à deriva - foram centrais no enfoque criativo para dar consistência às noções metamórficas da educação e formação docente. Sobretudo, os escritos funcionam como um convite às alianças impensadas, traçando alusões e inventando problemas, a saber: como a metamorfose pode evocar uma composição com vida e a educação que temos? O que fazemos com os movimentos metamórficos que permeiam-atravessam a formação-vida? Como potencializar a vida-metamorfose pela via de processos educacionais? Estes alvos-perguntas não desejam ser respondidos, mas tangenciados e mapeados como possíveis, e persistem em nós como campo futuro, ainda inquietador, dando nascimento a textos, pensamentos, estratégias, educações, formações e vidas por vir.

Mito e emancipação em Walter Benjamin e Herbert Marcuse

PID: S1982-596x2023000301671 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Machado
Resumo: O presente artigo traça um paralelo e faz uma aproximação entre a concepção de mito em Walter Benjamin e Herbert Marcuse. Busca-se mostrar como estes autores, em certo momento de suas obras, propõem uma superação do mito a partir do mesmo, ou seja, sem abdicar de um certo potencial emancipatório presente em sua dimensão imagética e em seu vínculo com a fantasia.
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