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Impacto da tutoria remota no desempenho dos estudantes de Medicina durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712023000300204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Queiroz Santos Barreto
Resumo: Introdução: Durante a pandemia da Covid-19, foi decretado, na maioria dos países do mundo, o fechamento de diversos setores da sociedade, inclusive das faculdades de Medicina, que passaram a ter aulas virtuais. Nesse sentido, o Cesupa adotou a estratégia de tutoria remota para dar continuidade ao semestre letivo. Tais mudanças trouxeram à tona as limitações do ensino remoto, que pode apresentar-se de distintas formas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar o impacto, na percepção dos alunos, da tutoria remota em relação à presencial quanto ao seu desempenho acadêmico, durante a pandemia da Covid-19. Método: Realizou-se um estudo transversal, descritivo e observacional com 250 alunos mediante a aplicação de questionários virtuais respondidos por discentes do quarto ao oitavo semestre do curso de Medicina do Cesupa, durante o período de fevereiro a dezembro de 2021. Os resultados encontrados foram considerados significativos se valor-p menor que 0,05. Resultado: Na pesquisa, notou-se que a tutoria remota demonstrou algumas desvantagens em relação à tutoria presencial, como maior dificuldade do aluno em se concentrar, sensação de estar menos preparado para a prova do módulo, maior dificuldade em sanar dúvidas, menor dedicação e menor motivação durante a tutoria remota. Entre os fatores que podem ser caracterizados pela associação a um pior desempenho acadêmico durante a tutoria remota comparando com a presencial, estão idade de até 20 anos, não ter outra formação complementar e estar no quarto ou quinto semestre do curso. Além disso, notou-se que o gênero não influenciou no desempenho acadêmico durante a tutoria remota. Conclusão: Diante disso, percebeu-se que os estudantes tiveram um pior desempenho acadêmico durante a tutoria remota quando comparada com a tutoria presencial, de acordo com a percepção dos participantes.

Implantação curricular para curso de Medicina: superando desafios

PID: S1981-52712023000200401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Miguel Diegues Gasques Baretta
Resumo: Introdução: A Lei nº 12.871/2013, também conhecida como Lei do Mais Médicos, buscou, entre outras ações, reordenar a oferta de cursos de Medicina, priorizando regiões de saúde com menor relação de vagas e médicos por habitante e com estrutura de serviços de saúde, além de estabelecer novos parâmetros para a formação médica no país. Por sua vez, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação em Medicina foram criadas para a organização, o desenvolvimento e a avaliação desses cursos no âmbito dos sistemas de ensino superior do país. As DCN decorrem de um longo processo de diagnóstico e propostas de intervenção nos cursos de Medicina desde os anos 1990, iniciado com o Projeto da Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico (Cinaem), mediante a observação de muitas experiências, nacionais e internacionais, que implementaram mudanças curriculares. Relato de experiência: Este trabalho tem como objetivo apresentar o processo de construção e implementação de um currículo orientado por competências, correlacionando, nesse processo, as metodologias de ensino aprendizagem e o modelo curricular. Discussão: Foram ofertadas oficinas de desenvolvimento docente com foco nas metodologias ativas de ensino-aprendizagem por meio de um movimento organizado entre os docentes, contemplando o aprendizado baseado em problemas, o aprendizado baseado em equipes, a preleção dialogada, a simulação realística e a problematização. Também se abordou, em módulos específicos, a avaliação do processo, do desempenho do estudante e da instituição. Conclusão: A implantação desse modelo curricular tornou-se um marco de mudanças na instituição, pois envolveu gestão educacional, infraestrutura e implementação no curso de Medicina, de modo a beneficiar a escola como um todo. A possibilidade de criação de cenários de ensino para além dos espaços das IES proporcionou maior conhecimento da realidade, abriu espaço para novos projetos destinados à comunidade e estimulou o intercâmbio entre o ensino, o serviço e a comunidade.

Integração ensino-serviço-comunidade no âmbito rural em Toledo, no Paraná

PID: S1981-52712023000400207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Silva Fraiz Stefanello Farinhuk Santos
Resumo Introdução: A integração ensino-serviço com vivências que incluam ambientes rurais na prática clínica é fundamental para o ensino de uma realidade mais próxima ao Sistema Único de Saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a visão dos usuários, estudantes de Medicina e profissionais de saúde de uma unidade de saúde sobre a integração ensino-serviço-comunidade no âmbito rural. Método: Trata-se de um estudo qualitativo realizado com esse público, sendo 15 entrevistas ao todo, em que se utilizou o referencial teórico fenomenológico-hermenêutico para construção das categorias de análise. Resultado: Os estudantes e profissionais identificaram como vantagens da Estratégia Saúde da Família na área rural o menor número de pessoas adscritas e o melhor acesso ao serviço. Tal fato contribui para a longitudinalidade do cuidado e a adesão dos usuários às propostas terapêuticas. Conclusão: O estudo aponta questões relevantes para fomentarmos o estágio rural nos currículos de escolas médicas, como a possibilidade de vínculos mais estruturados com a comunidade e com a equipe de saúde.

Intenções de graduandos de Medicina em face dos preditores de fixação: Programa Mais Médicos na Bahia

PID: S1981-52712023000300205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Rocha Sarti Zandonade Siqueira Andrade
Resumo: Introdução: O déficit quantitativo e as desigualdades na distribuição de médicos agravam a crise global da força de trabalho em saúde. Muitas políticas têm sido adotadas para enfrentamento do problema, destacando-se pela sua abrangência o Programa Mais Médicos. Objetivo: Este estudo objetivou caracterizar, entre graduandos de Medicina do estado da Bahia, as intenções de especialidade médica futura e de fixação em áreas prioritárias definidas pelo Programa Mais Médicos, conforme os preditores apontados na literatura. Método: Trata-se de um estudo de corte transversal com caráter exploratório, realizado com estudantes dos cursos de Medicina de quatro universidades federais da Bahia. Resultado: Predominaram estudantes de 20 a 24 anos, com perfil socioeconômico mais baixo em relação aos estudos anteriores, naturais dos pequenos e médios municípios baianos, que afirmaram, em sua maioria, a opção pela residência médica em especialidades de outras áreas, que não as áreas básicas, após a graduação. Verificou-se uma disparidade entre o percentual de estudantes com intenção de trabalhar na atenção primária à saúde e aqueles que desejaram especialidades básicas, sendo ainda consideravelmente menor a opção pela medicina de família e comunidade. As estudantes do sexo feminino predominaram de modo evidente entre aqueles que desejaram as especialidades de áreas básicas e que vislumbraram um futuro trabalho na atenção primária à saúde, nesse estado. De modo contrário, os estudantes do sexo masculino escolheram, na sua maioria, especialidades de outras áreas, especialmente aqueles que tiveram os aspectos financeiros como motivação principal para escolha de carreira. Conclusão: O estudo acrescentou conhecimento ao corpo de literatura sobre as mudanças na formação médica no país e os efeitos de políticas indutoras de um perfil profissional generalista que atenda às necessidades sociais da população.

Internato rural nos cursos de Medicina no Brasil

PID: S1981-52712023000100224 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Lacerda Appenzeller
Resumo Introdução: A consolidação de programas de internato rural não é um fenômeno simples, embora sua importância atualmente seja reconhecida por alunos e professores como uma atividade diferenciada em seus itinerários formativos. As escolas médicas ainda enfrentam desafios consideráveis para concretizar esse tipo de atividade. Há evidências de que o oferecimento de experiências significativas durante a graduação e a implementação de um programa específico de treinamento para a zona rural, após a formação, são as intervenções mais efetivas para o recrutamento de estudantes para o internato rural e a retenção deles. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar os programas de internato rural em atividade no Brasil, por meio da avaliação dos projetos pedagógicos curriculares (PPC) dos cursos de Medicina, de modo a fomentar o debate sobre a formação médica para áreas rurais e remotas, e ressaltar a importância desse tipo de formação. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e de análise documental, com caráter quantitativo, com uma amostragem do acesso aos PPC de escolas médicas do Brasil com a existência de internato rural no currículo. Resultado: Nas 357 escolas médicas existentes no Brasil, os autores encontraram 18 programas com internato rural, o que representa 5% das instituições. A Região Sudeste, quando comparada com a Região Norte, concentra o maior número de escolas médicas no Brasil (148), porém o maior número de PPC com internatos rurais fica no Norte, totalizando seis (16%) em relação às escolas médicas da região. Ainda, nas 47 escolas médicas do Sudeste, identificaram-se, em Minas Gerais, apenas dois programas de internato rural. Conclusão: Nos PPC das escolas médicas brasileiras, identificaram-se poucos programas de internato rural. Por conta disso, são necessárias mudanças nos PPC, como inclusão de internato rural, inserção de competências bem definidas e baseadas nas necessidades de saúde das pessoas, construção do conhecimento e desenvolvimento de habilidades e atitudes para resolver problemas; tudo isso de forma condizente com a realidade do Brasil.

Intervenções terapêuticas com cavalos: uma ferramenta para o bem-estar dos estudantes?

PID: S1981-52712023000300216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Evangelista Cesario
Resumo: Introdução: A literatura sobre educação médica vem mostrando que os alunos de Medicina vivenciam dificuldades quanto à sobrecarga de atividades e tarefas, culminando com estresse e depressão, muitas vezes associados aos desafios trazidos pelo modelo pedagógico da Aprendizagem Baseada em Problemas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo relatar os resultados de duas intervenções terapêuticas desenvolvidas com estudantes, tendo como foco situações-problema enfrentadas no curso de Medicina e como finalidade a promoção do bem-estar. Método: Trata-se de pesquisa de natureza qualitativa e exploratória. Criou-se um cenário para vivências psicodramáticas com cavalos. A amostra foi composta por duas discentes de Medicina, que atenderam ao critério de inclusão “participar do Centro Acadêmico”. As alunas atuaram como protagonistas-pacientes-participantes. As intervenções com cada participante foram individuais e agiram nos níveis intrapsíquico e sistêmico, considerando aqui o sistema educação médica. Além da dramatização em si no palco-arena, ocorreram entrevistas semidirigidas abertas, à guisa de aquecimento e compartilhamento dos resultados, no dia da intervenção e seis meses após. Resultado: As protagonistas-pacientes-participantes, provenientes de dois cursos diferentes, ambos com currículo organizado em Aprendizagem Baseada em Problemas, cursavam o sexto e oitavo semestres do curso. Os “dramas-sofrimento em relação ao curso” escolhidos para serem trabalhados foram “competição na tutoria” e “sobrecarga”. A dramatização trouxe à tona tomada de consciência do seu protagonismo em relação ao problema e da possibilidade de aquisição de novas respostas espontâneo-criativas, o que foi verificado seis meses após, por meio do relato das protagonistas-pacientes-participantes. O trabalho terapêutico realizado proporcionou às discentes melhora no bem-estar e melhor desempenho nas atividades estudantis, pessoais e sociais, de modo a prepará-las a ser as profissionais mais humanizadas que o SUS busca. Conclusão: Os resultados sugerem que o uso das “intervenções terapêuticas com cavalos” pode auxiliar as escolas médicas no cumprimento das DCN, pela via da promoção da saúde dos discentes de Medicina.

Meditação para estresse e ansiedade em universitários: um ensaio clínico randomizado

PID: S1981-52712023000100214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Malheiros Vanderlei Brum
Resumo: Introdução: O estresse é um estado no qual ocorrem ameaças à homeostase do organismo, com respostas adaptativas fisiológicas e comportamentais. A ansiedade é uma sensação desagradável advinda da percepção de uma ameaça potencial futura. Quando prolongados, ambos levam a repercussões metabólicas, cardiovasculares, imunológicas e neuropsiquiátricas. Os estudantes universitários são mais susceptíveis a sintomas de estresse e ansiedade do que a população em geral. A técnica de mindfulness permite que os seus praticantes se tornem mais conscientes de suas emoções, passando a responder de forma habilidosa ao estresse e à ansiedade Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia de um programa de mindfulness na redução de sintomas de estresse e ansiedade em estudantes de Medicina e Odontologia. Método: Trata-se de um ensaio clínico, randomizado, simples-cego. Acadêmicos regularmente matriculados do primeiro ao oitavo período desses cursos de uma instituição de ensino superior responderam ao Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) (n = 418) e ao Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) (n = 369). Os participantes que apresentaram sintomas de estresse e/ou ansiedade e aceitaram participar da intervenção (n = 59) foram randomizados em grupos mindfulness (programa modificado de duas semanas) e de controle. Ao final da intervenção, o ISSL e o IDATE foram reaplicados. Resultado: As prevalências globais de estresse e ansiedade foram de 67% (n = 280) e 76,4% (n = 282), respectivamente. Ao final da segunda semana, a redução dos sintomas de estresse e ansiedade foi de 30,8% e 22,2%, respectivamente. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos mindfulness e de controle (p > 0,05). Conclusão: Percebe-se uma alta prevalência de sintomas de estresse e ansiedade na população estudada. Um programa de mindfulness em formato reduzido não foi capaz de diminuir significativamente os sintomas de estresse e ansiedade em comparação ao grupo de controle, em acadêmicos de Medicina e Odontologia dessa instituição.

Mentoria científica na graduação em Medicina: repercussões na satisfação, engajamento e produção discente

PID: S1981-52712023000100201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Quintanilha Avena Portilho Pereira Nazar Andrade
Resumo: Introdução: A mentoria é uma estratégia acadêmica que está cada vez mais presente no curso de Medicina por promover benefícios, como a criação de ambientes de acolhimento e afetividade, e discussão de conteúdos médicos e de temas relacionados à formação profissional. Entretanto, pouco se discute acerca dessa estratégia com finalidades científicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos descrever a implementação do programa de mentorias científicas, investigar a percepção dos estudantes sobre a sua implantação e execução, além de mensurar indicadores de êxito. Método: Trata-se de estudo seccional descritivo, realizado em um curso de graduação em Medicina, localizado em Salvador/Bahia. Foram incluídos estudantes do terceiro ao quarto ano da graduação. Aplicou-se um questionário virtual, estruturado, anônimo, com perguntas objetivas relacionadas ao perfil discente, às percepções sobre o programa de mentorias científicas e à publicação dos trabalhos de conclusão de curso (TCC). Resultado: Dos 143 estudantes participantes, houve predominância de solteiros (90,9%), pardos (46,2%), do sexo feminino (72,0%), com idade de 25,3 ± 5,54 anos, que não participaram de programas de iniciação científica (88,8%). Dentre aqueles que participaram das mentorias (n = 101), 97,1% afirmaram que elas contribuíram para o desenvolvimento do TCC, 98,0% se mostraram favoráveis à manutenção de sua oferta e 85,0% consideraram a estratégia inovadora. No recorte temporal de dois semestres letivos, apresentaram-se 131 TCC, dos quais 27,5% foram publicados contando com a participação de 19 professores, com média de 1,89 produção/professor. Conclusão: Os estudantes de Medicina são favoráveis à implementação do sistema de mentorias científicas, tendo essa estratégia se mostrado factível e eficaz.

Monitoria acadêmica: uma formação docente para discentes

PID: S1981-52712023000400213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Souza Oliveira
Resumo Introdução: A monitoria acadêmica é um processo de formação e introdução à docência que é prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014 e tem o potencial de conferir maior competência à área de educação em saúde a qual é valorizada pelo Sistema de Acreditação de Escolas Médicas como um indicador internacional de qualidade. Objetivo: O estudo buscou identificar as principais potencialidades e desafios da monitoria acadêmica na formação médica. Método: Trata-se de um estudo observacional descritivo de caráter transversal realizado com 11 estudantes de Medicina, por meio de entrevistas semiestruturadas e com análise de dados feita a partir de uma abordagem qualitativa do tipo textual-discursiva. Resultado: Os códigos foram reunidos em quatro categorias: 1. motivações para participação, 2. desafios enfrentados, 3. aprendizados desenvolvidos e 4. carreira docente. A principal motivação foi currículo, seguido de interesse em aprender conteúdo. Os maiores desafios foram o desenvolvimento da responsabilidade e a explicação do conteúdo. Dentre os aprendizados, habilidades didáticas, aprendizagem significativa e metodologias de ensino foram as mais prevalentes. Em termos de carreira, a monitoria ao menos apresentou a docência como possibilidade para além da prática médica assistencial, e os aspectos ser facilitador, ter habilidades interpessoais e preocupar-se com o aluno constituíram a tríade - na visão dos monitores - de um “bom professor”. Conclusão: A monitoria acadêmica é uma prática didático-pedagógica capaz de estimular o interesse e a profissionalização da carreira docente. Além disso, deve ser incentivada pelas políticas públicas e institucionais com o objetivo de qualificar futuros médicos para que possam atuar como educadores em e na saúde.

Nível de conhecimento ético-legal dos graduandos em Medicina: estudo transversal no ano de 2020

PID: S1981-52712023000100222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Carvalho Soares Ferreira
Resumo: Introdução: A literatura refere como frequentes denúncias sobre má prática médica. Logo, a investigação de como é feita a formação do acadêmico de Medicina, no contexto ético-legal, pode contribuir para sua melhoria. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar e comparar o conhecimento de acadêmicos de uma faculdade de Medicina sobre aspectos ético-legais da profissão, a partir de sua formação nas disciplinas do eixo relacionado (“Ética Médica e Bioética”, “Medicina Legal” e “Deontologia/Perícia Médica e Boas Práticas”). Método: Trata-se de um estudo transversal com aplicação de questionário (agosto-novembro/2020) estruturado no Código de Ética Médica e Código de Ética do Estudante de Medicina - dez questões sociodemográficas e 12 objetivas (temas: “sigilo profissional”, “relações interpessoais do estudante de Medicina”, “publicidade médica”, “relação com pacientes e familiares”, “direitos humanos”, “princípios fundamentais”, “atividade médica” e “telemedicina”). Avaliaram-se 116 alunos: início, meio (durante curso do eixo ético-legal) e final da graduação. Para comparação, utilizaram-se os testes de Kruskal-Wallis e de Dunn. Para associação entre variáveis categóricas, adotaram-se o qui-quadrado e o teste exato de Fisher. Resultado: Identificou-se desempenho crescente com o avançar dos períodos, com diferença estatística entre as médias de acertos do primeiro, sexto e décimo/12°: 5,1; 6,7; e 7,8, (valor-p < 0,001). Já a análise por blocos temáticos não apontou associação estatística dos acertos com avançar na graduação (valor-p > 0,05) para temas de amplo alcance e desenvolvimento das competências desde o ciclo básico, como “publicidade médica”, “relação com pacientes e familiares”, “telemedicina” e “relações interpessoais do estudante de Medicina” - com ênfase em limitações do acadêmico no atendimento. Já para temas que exigiam competências inerentes às disciplinas do eixo ético-legal, encontrou-se tal associação (valor-p < 0,05), sendo: “sigilo profissional”, “direitos humanos”, “princípios fundamentais”, “atividade médica” e “relações interpessoais do estudante de medicina” - especificamente sobre uso de eletrônicos. Por fim, o maior percentual de acertos (95,7%) associa-se às “relações interpessoais do estudante de Medicina”, com ênfase nas limitações do acadêmico. Já as menores taxas apresentaram-se em “sigilo profissional” (18,1%), “atividade médica” (33,6%) e “direitos humanos” (25%)”. Conclusão: Existe associação entre a formação proposta pelo eixo ético-legal e aumento efetivo do nível de conhecimento no acadêmico de Medicina sobre os aspectos ético-legais da profissão.

Oficina para elaboração de testes de múltipla escolha de ciências básicas aplicadas: relato de experiência

PID: S1981-52712023000200404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Feliciano Elias Osako Guimarães Troncon Bollela
Resumo: Introdução: A avaliação do estudante é componente essencial de todo programa educacional. O aprendizado das ciências básicas é fundamental para dar sentido ao que se aprende na fase clínica da formação de um profissional em saúde. Entretanto, a maioria dos treinamentos de elaboradores de testes de múltipla escolha (TME) é voltada à formulação de questões clínicas e não inclui abordagem específica para questões das ciências básicas. Relato de experiência: Foi realizada uma oficina para a capacitação docente na elaboração de TME de aplicação dos conhecimentos de ciências básicas, visando à elaboração de uma prova a ser aplicada no final do ciclo básico de seis cursos da saúde. O material instrucional foi elaborado pelos autores, que ofereceram uma oficina no formato on-line. Um diferencial dessa capacitação foi a aplicação de modelos de elaboração de enunciados com contextos definidos, utilizando momentos de preparo assíncronos e encontro síncrono. Após a oficina, aplicaram-se questionários sobre a satisfação e aprendizagem dos participantes. A maioria avaliou a oficina como boa ou muito boa e referiu aumento da percepção de capacidade para elaborar TME, e, ao final, somente 7% se sentiram pouco preparados para elaborar um TME seguindo as boas práticas. Houve melhora na qualidade dos TME elaborados, tendo como referencial os índices de dificuldade e discriminação. Discussão: Existem evidências do valor do desenvolvimento do corpo docente na melhoria da qualidade das questões produzidas. O formato de oficina proposto foi bem avaliado pelos participantes e contribuiu para a qualidade das questões de provas aplicadas ao final do ciclo básico. Conclusão: Estratégias como a descrita qualificam as avaliações dentro da escola e contribuem para a organização de provas externas.

Os efeitos de um treinamento sobre humanização entre médicos comparados a não médicos

PID: S1981-52712023000200207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Martins Almeida Malbergier
Resumo: Introdução: A categoria médica vem sendo considerada pouco competente nos atributos relacionados à humanização. Por isso, mundialmente e no Brasil, mudanças têm sido realizadas nas grades dos cursos de graduação em Medicina para ampliar as disciplinas de humanidades. Além dessas iniciativas, há necessidade de treinamentos em humanização para médicos que se formaram com grades antigas e aqueles que, mesmo graduados a partir das novas diretrizes curriculares, ainda precisam se atualizar na temática. Há poucos estudos quantitativos sobre treinamentos em humanização, especialmente para médicos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos de um treinamento sobre humanização para médicos em comparação a não médicos. Método: Realizaram-se treinamentos de 135 minutos sobre humanização para médicos e não médicos em um hospital psiquiátrico universitário em São Paulo (Brasil). As aulas foram ministradas com o uso de slides e acompanhadas de discussão e dramatização. Os sujeitos da pesquisa responderam a um questionário com 34 itens que avaliavam as autopercepções sobre conhecimentos, habilidades e atitudes em humanização antes e 15 dias depois do treinamento. Utilizaram-se testes não paramétricos para comparar os escores entre o grupo de médicos e não médicos. Além disso, realizaram-se regressões lineares múltiplas para as dimensões de conhecimentos, habilidades e atitudes, com o objetivo de avaliar se houve diferença significativa entre gêneros, idades, estados civis, número de filhos, vínculos profissionais, religião, anos de serviço. Resultado: Profissionais médicos e aqueles com seis ou mais anos de serviço apresentaram menores escores em humanização no pré-treinamento. O treinamento gerou aumento dos escores de humanização em todas as categorias profissionais, mas médicos apresentaram maior aumento e se igualaram às outras categorias. Conclusão: Com um treinamento rápido e de baixo custo, verificou-se o aumento da autopercepção em humanização em médicos e não médicos. A diferença entre as categorias profissionais deixou de existir na avaliação realizada após 15 dias do treinamento. Os resultados indicam que médicos podem aumentar suas autopercepções sobre humanização e se igualar aos outros profissionais.

Os papéis do professor de Medicina: diálogo entre teoria e prática no ensino superior

PID: S1981-52712023000400202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Costa Costa Pereira
Resumo: Introdução: Professores de Medicina são demandados em atividades complexas. As reformulações curriculares propostas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina no Brasil trouxeram mudanças nas atividades docentes, com a introdução de inovações na formação dos médicos. Em consequência, os papéis docentes têm sido submetidos a redefinições. Harden e Lilley são autores que se debruçaram sobre o estudo dos papéis dos professores de medicina. Objetivo: Este estudo foi realizado com o objetivo de conhecer a percepção de professores de medicina de uma instituição pública federal de ensino superior sobre os papéis que exercem como docentes. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, com realização de entrevistas semiestruturadas com dois grupos de professores de medicina, separados pelo tempo de experiência docente: grupo 1: professores com mais de dez anos de docência e grupo 2: docentes com menos de dez anos de carreira docente. As entrevistas foram submetidas à análise de conteúdo temática. Resultado: Os professores de medicina de ambos os grupos identificaram em sua atuação os papéis propostos por Harden e Lilley e foram além ao descreverem papéis adicionais que exercem em sua prática docente. Os do grupo 1 consideraram o papel de gestor e os do grupo 2 salientaram que devem ter disponibilidade emocional para lidar com as necessidades afetivas dos estudantes. Conclusão: Essas percepções podem proporcionar às instituições formadoras o conhecimento necessário para mobilizar investimentos institucionais para o desenvolvimento docente e poder contar com todo o potencial da atuação dos professores.

Os podcasts como parte integrante da educação médica de acesso aberto e gratuito

PID: S1981-52712023000100213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Fernandes Vieira Silva Kubrusly Augusto
Resumo: Introdução: Podcasts são transmissões de áudio distribuídas através de internet e podem ser consumidas por meio de plataformas variadas. De estudantes a clínicos independentes, o perfil de quem consome podcast médico é variado e uma compreensão mais rica deste usuário é essencial para desenvolvimento eficaz do podcast. Objetivo: Revisar a literatura atual sobre uso do podcast como ferramenta de educação médica e entender sobre as etapas de elaboração de um podcast médico. Métodos: O estudo trata-se de uma revisão narrativa desenvolvida através de pesquisa em bases de dados realizada na Universidade Unichristus, na cidade de Fortaleza-CE. Foi realizada análise de artigos sobre podcast ou com dados sobre prevalência de uso, produção ou resultados do uso de podcasts para fins de ensino médico. Foi feita triagem por resumo e título de 165 artigos encontrados na base de dados no Medline com as palavras-chave Podcasts e educação médica, que resultou em 23 artigos que preencheram os critérios de inclusão. Resultados: A partir do conteúdo encontrado na literatura, a revisão foi dividida em sete categorias: formatos, duração do episódio, atividades realizadas enquanto se escuta um podcast, avaliação do aprendizado, sugestões, desenvolvendo um podcast médico e o podcast como ferramenta de ensino complementar. Conclusão: O meio é considerado promissor como ferramenta complementar aos métodos tradicionais de ensino, devendo os educadores se concentrarem no desenvolvimento de processos de avaliação desta tecnologia, refinando diretrizes baseadas em evidências para criação de novos podcasts.

PET-Saúde: contribuições para implementação da EIP e o desenvolvimento de competências colaborativas

PID: S1981-52712023000400203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Gonçalves Ferreira Cotta
Resumo: Introdução: Cada vez mais no cenário global vem sendo observado o avanço das iniciativas de educação interprofissional (EIP) com o intuito de gerar inovações e solucionar problemas nos cenários de saúde. Ainda que tímidas, no Brasil, tem-se notado a implantação dos seus preceitos em busca de práticas mais colaborativas, especialmente alinhadas às diretrizes e aos preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a implementação da EIP e o desenvolvimento de competências colaborativas na formação dos estudantes e na prática dos preceptores e docentes que participaram do PET-Saúde/Interprofissionalidade da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou como técnica de coleta de dados a análise documental. Foram analisados quatro documentos: o edital que dispõe sobre o programa, o documento de inscrição e os relatórios, parcial e final. Resultado: Destacaram-se três aspectos nos documentos avaliados: “cumprimento dos objetivos”, “desafios para efetivação da EIP” e “desenvolvimento de competências colaborativas”, e, assim, notou-se que, de modo geral, houve o cumprimento dos objetivos do programa, apesar dos desafios impostos pelo modelo hegemônico de formação uniprofissional e pela pandemia da Covid-19. Além disso, foi observado o desenvolvimento de competências fundamentais para uma prática integral em saúde, como: comunicação interprofissional, trabalho em equipe, resolução de conflitos, escuta ativa e qualificada, liderança colaborativa, clareza de papéis, entre outras. Conclusão: Apesar dos percalços, houve a aplicação da EIP e o desenvolvimento de competências colaborativas, as quais favorecem a prática interprofissional e o efetivo trabalho em equipe nos cenários de saúde.

Pacientes ginecológicas diferem de pacientes do pré-natal na apreciação da participação de estudantes de medicina nos atendimentos ambulatoriais

PID: S1981-52712023000400210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Sobral Wanderley
Resumo Introdução: A participação de estudantes nas consultas clínicas é essencial para a educação médica deles. Tal experiência permite a aquisição de habilidades técnicas e a transmissão de valores ético-profissionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar como diferenças na condição ambulatorial (atendimento ginecológico ou pré-natal), na apreciação de experiências anteriores e nos perfis sociodemográficos influenciariam a disposição das mulheres em aceitar a participação de estudantes em suas consultas. Método: De um total de 893 mulheres atendidas no ambulatório de ginecologia (52,6%) e de pré-natal (47,4%) do Hospital Universitário de Brasília de 2016 a 2019, foram selecionadas 743 (45,1% pré-natal) que referiam experiência prévia com a participação de estudantes em suas consultas. Foram adotadas escalas para avaliar a apreciação das mulheres sobre a comunicação interpessoal dos estudantes e a disposição e a falta dela em aceitar a participação deles. Foram utilizados o teste t para avaliar as diferenças, as estatísticas qui-quadrado para comparar as proporções entre os grupos, as correlações entre variáveis-chave e a regressão linear para estimar as variáveis associadas à boa vontade das pacientes quanto aos estudantes. Resultado: Razões de chance acima de 1 (p < 0,01) para mulheres do grupo ginecológico emergiram quanto à idade acima de 35 anos, não casadas, escolaridade aquém da educação terciária, multíparas, desconfortáveis com estudantes e menor aceitação de equidade de gênero dos médicos ginecologistas obstetras. Mulheres no grupo ginecológico apresentaram melhor apreciação da comunicação interpessoal, de um a cinco (4,75 versus 4,43, tamanho do efeito g = 0,605), maior disposição (4,58 versus 4,26, g = 0,625) e menor indisposição (2,35 versus 2,47, g = 0,143) em aceitar a participação de estudantes do que mulheres do grupo pré-natal. Na análise de regressão linear (n = 743), maior disposição em aceitar estudantes foi significativamente associada (em impacto decrescente), com melhor apreciação da comunicação interpessoal destes (p < 0,001), menor indisposição (p < 0,001), grupo ginecológico (p < 0,001), tolerância ao exame pélvico realizado por estudante (p = 0,017) e idade maior que 35 anos (p = 0,016). Conclusão: A experiência de comunicação interpessoal de suporte, principalmente no que concerne ao grupo ginecológico, teve impacto predominante na disposição das pacientes em aceitar a participação de estudantes nas consultas. No geral, a vontade de aceitar essa participação difere dependendo dos fatores da paciente (motivo da consulta, menor indisposição, idade) e do estudante (comunicação, gênero). Espera-se que os achados possam contribuir para fomentar parcerias estudante-paciente na perspectiva da articulação entre serviço e ensino em medicina.

Pandemia da Covid-19: um evento traumático para estudantes de Ciências Biológicas e da Saúde?

PID: S1981-52712023000100223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Ramos Braga Filho Carvalho Costa Carvalho Almeida
Resumo: Introdução: Os universitários de Ciências da Saúde se tornaram especialmente afetados pela pandemia do vírus Sars-CoV-2. As angústias intrinsicamente relacionadas à Covid-19 foram somadas aos impactos referentes às mudanças acontecidas nas instituições acadêmicas, particularmente a mudança para o ensino on-line, uma metodologia que pode gerar desconforto aos estudantes, além de vários obstáculos relacionados ao ensino e à aprendizagem, o que pode ter repercussões traumáticas importantes na saúde mental dessa população. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar a carga mental provocada pela pandemia da Covid-19, como um evento traumático ao ponto de desencadear transtornos psiquiátricos, como o transtorno do estresse pós-traumático (Tept), em universitários. Método: Trata-se de um estudo transversal e quantitativo, com orientação analítico-descritiva, mediante preenchimento de formulário digital anônimo, iniciado após prévia aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Os sujeitos foram estudantes de Ciências Biológicas e da Saúde de uma universidade estadual localizada na Região Sudeste do Brasil. A amostra foi constituída por 618 estudantes. Resultado: Foram respondidos 618 formulários pelos estudantes que pertenciam aos cursos de Educação Física (28,8%), Medicina (25,4%), Odontologia (18,1%), Ciências Biológicas (15,2%) e Enfermagem (12,5%). A presença de sintomas de estresse pós-traumático verificados pela Escala de Impacto do Evento-Revisada (IES-R) obteve prevalência de 32,7% (n = 202) entre os estudantes universitários das Ciências Biológicas e da Saúde. Conclusão: Houve impacto significativo na saúde mental dos universitários com presença de sintomas depressivos, ansiedade e estresse acima dos encontrados na literatura científica, e, consequentemente, constatou-se alta na prevalência do Tept.

Percepção do ensino remoto emergencial por discentes em uma escola de ensino superior de saúde

PID: S1981-52712023000100211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Motta-Passos Martinez Andrade Pinho Martins
Resumo: Introdução: Com a pandemia de Covid-19, instituições globais de saúde recomendaram a adoção de medidas restritivas, como o fechamento de unidades de ensino. As instituições de ensino tiveram que se adaptar ao ensino remoto emergencial de forma abrupta e com pouco tempo para preparo. Os alunos também tiveram desafios a serem enfrentados, como uso da internet e isolamento dentro de casa. O ensino superior na área de saúde também teve que se adequar a esse novo modelo com adaptação a práticas humanizadas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção da utilização do ensino remoto emergencial por discentes em uma universidade pública de saúde durante a pandemia da Covid-19. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, com delineamento transversal e abordagem quantitativa, realizada por meio de aplicação de um questionário com perguntas fechadas. O questionário foi dividido em quatro tópicos: caracterização da amostra, condições de uso da internet, condições do local do estudo e percepção do estudante acerca da utilização do ensino remoto. Resultado: Participaram do estudo 480 alunos dos cursos de Enfermagem, Medicina e Odontologia da Universidade do Estado do Amazonas. A maioria desses alunos utilizou wi-fi residencial, com qualidade de sinal regular, e aqueles que residem no interior do estado foram os mais prejudicados por conta da inconstância da internet. Os alunos assistiram predominantemente às aulas no quarto e apontaram a fácil desconcentração como o fator mais prejudicial das aulas remotas. A maioria dos alunos discorda da eficácia das avaliações para esse tipo de ensino, assim como avalia de forma insatisfatória a experiência com o ensino remoto. No entanto, a maioria concordou que é possível aprender o conteúdo teórico com qualidade no ensino remoto. Conclusão: A pandemia de Covid-19 acarretou uma mudança repentina de cenário. O novo modelo educacional, de educação a distância, trouxe novos desafios para o ensino. Os resultados evidenciam que os fatores que prejudicaram os estudantes foram a instabilidade da internet e a dificuldade em se concentrar durante a aprendizagem remota. Houve facilidade para os discentes esclarecerem as dúvidas das aulas com os docentes, o que corrobora o ensino e a aprendizagem da parte teórica por meio desse sistema.

Percepção do usuário da unidade básica de saúde sobre o atendimento dos acadêmicos de Medicina

PID: S1981-52712023000100217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Tirroni Isobe Polidoro
Resumo: Introdução: A importância do SUS no que concerne à sua tríade - universalidade, equidade e integralidade - é fundamental para a manutenção do direito à saúde, que, associada ao exercício médico estruturado e eficaz, garante melhorias na saúde da comunidade. Porém, fatores básicos de relações médico-paciente dificultam a prática efetiva da medicina na comunidade, interferindo em todos os níveis de atenção à saúde, como na atenção primária à saúde (APS), por meio das unidades básicas de saúde (UBS), ambiente que executa papel central na saúde da comunidade, como também proporciona aprendizagem acadêmica na área médica, promovendo um desenvolvimento crítico em relação à humanização em todas suas esferas socioculturais. A participação ativa do usuário nesse serviço, de modo a expor sua perspectiva sobre a prática realizada, é indispensável para a compreensão do desempenho em diversos aspectos da APS a fim de repercutir na qualidade de vida dos próprios usuários. Com base nisso, são necessárias pesquisas que compreendam a qualidade desse serviço na percepção dos pacientes. Objetivo: O objetivo da pesquisa consiste em compreender a percepção do atendido quanto à consulta realizada pelos acadêmicos de Medicina na APS. Método: Realizou-se um estudo qualitativo, com traços quantitativos, nos moldes de entrevista semiestruturada e dialogada com os indivíduos atendidos pelos universitários. A organização dos dados foi realizada pela técnica de análise de conteúdo e categorização. Resultado: Obtiveram-se duas categorias, de humanização na atenção ao usuário e da educação médica integrada ao serviço da APS, que demonstram, por meio das falas, uma prática humanizada e integral como resultado da interação entre estudantes e a realidade da comunidade. Conclusão: Na realidade local, os participantes destacaram a presença de uma educação humanizada presente nos atendimentos realizados, o que reforçou a importância do vínculo do acadêmico-paciente e comunidade, além de refletir um ensino médico que estimula o contato precoce com a APS, como meio de formação técnica e humana.

Percepção dos internos de Medicina acerca do atendimento destinado às pessoas com deficiência: modelo curricular insuficiente?

PID: S1981-52712023000400208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Silva Andrade Marinho Araújo Costa Filho d’Almeida Silva Machado
Resumo Introdução: O conceito de deficiência relaciona-se às limitações socialmente impostas aos deficientes por seus corpos não corresponderem ao modelo aceito como normal. Em geral, o acesso à saúde dessa população é precário, em parte, pela falta de preparação voltada ao cuidado dos pacientes deficientes durante a formação médica, demonstrando que os currículos das faculdades necessitam de revisão. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a percepção do aluno interno do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) acerca do modelo curricular atual no contexto da formação médica, especificamente voltado ao atendimento destinado às pessoas com deficiência. Método: Foi disponibilizado um formulário elaborado no Google Formulários, para coletar informações de internos da Faculdade de Medicina (Famed). Depois, realizaram-se entrevistas semiestruturadas via Google Meet mediante questões que objetivaram entender a relação entre futuros médicos e pessoas com deficiências, além da confiança do preparo para o atendimento a tais pacientes. Para exame do material empírico adquirido, utilizou-se a análise de discurso de Rueda. Resultado: Foram entrevistados 13 internos que relataram limitação no aprendizado do estabelecimento da relação médico-paciente em relação a pessoas com deficiência, durante o ciclo básico (do primeiro ao quarto semestre), evoluindo, principalmente, para o internato. Consideraram-se a educação, o entendimento das condições socioeconômicas e culturais do paciente, e a construção de um plano terapêutico executável as qualidades a serem desenvolvidas pelo interno. Quanto aos principais problemas relatados, destacou-se a dificuldade na realização do exame físico e na comunicação. Por sua vez, a ajuda de acompanhantes e o auxílio da equipe profissional foram apontados como aspectos positivos. Percepções referentes ao preparo para atender deficientes foram contrastantes: alguns relataram segurança por capacitações e conhecimentos empíricos, enquanto outros se sentiram inseguros ou incapazes. Percebe-se, também, importante consideração para haver adaptação curricular acerca desse tema, com intervenções nas disciplinas obrigatórias e optativas. Conclusão: Evidenciou-se que os entrevistados sentem dificuldades no atendimento destinado a deficientes, o que sugere alterações no currículo da Famed-UFC.
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