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Percepção sobre o desenvolvimento da competência "raciocínio clínico" por graduandos de curso de medicina

PID: S1981-52712023000100204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Leitão Esteves
Resumo: Introdução: A forma como os médicos elaboram o raciocínio clínico é um tema relevante nas discussões sobre ensino médico pois, na atividade profissional, o objetivo final é obter diagnóstico e conduta corretos. O desafio está em evidenciar quais fatores influenciam no desempenho dessa competência. Objetivo: Esta pesquisa buscou compreender como o desenvolvimento da competência raciocínio clínico ocorre na percepção de estudantes de Medicina. Método: Com enfoque descritivo e abordagem qualitativa, procedeu-se a ordenação dos dados, classificação e análise final das informações oriundas de 36 entrevistas semiestruturadas com estudantes de graduação em Medicina, entre julho e setembro de 2020, em Curitiba, PR, Brasil. Resultado: Após análise temática, obteve-se a categoria percepção dos fatores que influenciam na aquisição do raciocínio clínico, com as subcategorias estrutura metodológica e curricular percebidos como os principais fatores influenciadores, através de características como interdisciplinaridade, interação precoce com atividades práticas, estímulo a autonomia e orientação docente. Participação em monitorias, ligas acadêmicas e projetos de extensão também foram valorizados, assim como a experiência do processo de apropriação desse aprendizado. Conclusão: A presente pesquisa aborda o tema raciocínio clínico e traz como contribuição a análise dos fatores influenciadores no seu desenvolvimento, durante a graduação, na visão dos estudantes. Seus resultados trazem benefícios para a educação médica, pois ampliam a compreensão do processo de desenvolvimento da competência raciocínio clínico.

Percepções sobre contribuições/desafios da integração ensino-serviço-comunidade a partir da experiência de uma disciplina cirúrgica

PID: S1981-52712023000300206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Mello Turci Said Carvalho Gomes Holliday
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) da graduação em Medicina enfatizam a formação no contexto da atenção básica de saúde e têm como eixos do desenvolvimento curricular as necessidades de saúde da população e a integração ensino-serviço-comunidade (Iesc), preferencialmente nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, a rede básica de saúde é um cenário de aprendizagem singular, pois proporciona aos alunos a possibilidade de eles vivenciarem as políticas de saúde e o trabalho multiprofissional, além de permitir que lidem com problemas reais, vinculando a formação médico-acadêmica às necessidades sociais da saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as características da integração ensino-serviço que contribuem para a universidade, os serviços de saúde e a comunidade, e as suas dificuldades e os seus desafios por meio da percepção dos discentes, usuários e profissionais de saúde envolvidos no ambulatório de cirurgia ambulatorial e no projeto de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) nas unidades de saúde em Tiradentes, em Minas Gerais. Método: Trata-se de estudo qualitativo que utilizou como instrumentos de coleta de dados entrevistas semiestruturadas com usuários, discentes e profissionais de saúde sobre a percepção da IESC. Para a análise dos dados, empreendeu-se a técnica de análise de conteúdo. Resultado: Os dados mostraram que a IESC permitiu melhorar a qualidade do trabalho no serviço de saúde, qualificar os profissionais ali presentes, além de ampliar a realização pessoal dos atores dessa interação. Também trouxe melhorias à atenção primária, possibilitando a compreensão da organização da prática no trabalho e maior resolubilidade da unidade básica de saúde. Ainda foi possível uma percepção dos desafios e impasses dessa integração a serem superados, como falta de estrutura e materiais, desconforto minoritário, mas, não menos importante, de pacientes a serem atendidos pelos estudantes e confronto da rotina dos profissionais de saúde locais com a universidade. Conclusão: A universidade inserida dentro da realidade social e dos serviços de atenção primária forma profissionais mais capacitados para problemas mais prevalentes ao mesmo tempo que beneficia a população e as equipes de saúde locais.

Perfil do egresso médico de uma instituição de ensino superior do Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712023000400214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Magalhães Melo Magalhães Silva Peixoto Peixoto Junior
Resumo Introdução: Nos últimos anos, ocorreu um aumento da quantidade de faculdades médicas no Brasil, e, concomitante a isso, houve a ampliação do interesse em melhorar a qualidade do ensino na Medicina. Um questionamento resultante dessa mudança é se esse aumento de faculdades de Medicina implicará a formação de profissionais capazes de atender às demandas da sociedade contemporânea. Uma forma de responder a esse questionamento é conhecer o perfil dos egressos das instituições. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o perfil dos egressos médicos formados em uma instituição de ensino superior do Nordeste do Brasil. Método: Realizou-se um estudo transversal do tipo pesquisa de campo com abordagem quantitativa. Egressos do curso de Medicina de uma instituição de ensino superior, formados no período de 2012-2019, foram avaliados por meio de um questionário enviado via e-mail, com perguntas de múltipla escolha. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição. Resultado: Analisaram-se 127 questionários, o que corresponde a uma taxa de resposta de 13,8%, e o sexo feminino predominou ao representar 67,7% da amostra. O conhecimento sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais durante a graduação foi relatado por 24,2% dos participantes. A maioria dos egressos demonstrou satisfação com o curso realizado e sentimento de preparo para atuação profissional como generalista. Em relação à residência médica, 90,5% dos egressos realizaram esse tipo de programa de especialização. A atuação profissional dos egressos na Estratégia Saúde da Família e no Sistema Único de Saúde (SUS) foi identificada em 66,9% e 84,3%, respectivamente. Sentimento de aptidão e de habilidade para lidar com educação em saúde, gestão da saúde e atenção à saúde da população foi identificado na maioria dos egressos. Conclusão: Identificamos uma boa satisfação ao final do curso e um sentimento de confiança para atuação profissional na maioria dos egressos. Aperfeiçoamento por meio de residência médica é um objetivo frequente entre os egressos. O SUS é um campo de trabalho para a maioria destes. Além disso, aptidões recomendadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais foram percebidas pelos egressos ao final da graduação. Futuros trabalhos com amostras maiores e multicêntricos são necessários para a avaliação do perfil dos egressos no Brasil.

Perfil dos egressos de um mestrado profissional na área da saúde em rede nacional

PID: S1981-52712023000100206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Gomes Guilam Souza Machado Gomes Teixeira
Resumo: Introdução: O texto apresenta pesquisa com alunos egressos do Mestrado Profissional em Saúde da Família (PROFSAÚDE) que é uma proposta de formação em rede nacional composta por 25 instituições das cinco regiões do Brasil, realizada na modalidade de ensino a distância (EAD), voltada para o fortalecimento de conhecimentos relacionados à atenção primária à saúde, à gestão em saúde e à educação. Objetivo: Este estudo caracteriza o perfil sociodemográfico e de atuação profissional dos egressos da primeira turma de mestrado profissional em Saúde da Família em rede nacional e identifica as contribuições do curso para a atuação profissional e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa que utilizou um questionário com perguntas abertas e fechadas como instrumento de pesquisa. Resultado: Os resultados apresentam o perfil dos egressos, as motivações para realização do curso, os impactos no cotidiano de trabalho e na carreira profissional, bem como a repercussão do produto final do curso nos processos formativos de profissionais da saúde e na assistência. Conclusão: A experiência de formação de profissionais da saúde na modalidade EAD tem potencial pela capacidade de atingir equitativamente diferentes regiões do país, propiciando ao profissional-aluno ferramentas para examinar seu cotidiano e propor soluções aos desafios da atenção primária à saúde, como mencionado pelos egressos em relação à contribuição do produto final do mestrado.

Perfil pedagógico da preceptoria na residência médica em anestesiologia da cidade de Manaus

PID: S1981-52712023000200209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Souza Pulner Westphal Rosa Nunes Monteiro
Resumo: Introdução: A residência médica é identificada como o melhor programa de formação de médicos em especialidades, sendo desenvolvida em cenário de treinamento em serviço, de duração extensa, entendida como um espaço de educação e ensino constantes. Nela, o médico em formação desenvolve não unicamente habilidades técnicas, mas também práticas de conduta responsável. Objetivo: Este estudo teve como objetivos conhecer o perfil de formação profissional dos preceptores do Programa de Residência Médica em Anestesiologia, verificar a percepção deles sobre a sua prática educativa desenvolvida no programa e identificar os modelos pedagógicos utilizados no mesmo ambiente. Método: Trata-se de um estudo transversal, do tipo descritivo exploratório, com abordagem quantitativa e componente analítico, realizado no período de janeiro de 2017 a janeiro de 2018, em três instituições públicas de ensino que oferecem o Programa de Residência Médica em Anestesiologia na cidade de Manaus, no Amazonas. Os dados foram coletados por meio de um instrumento contendo informações sociodemográficas, um questionário validado (com foco na percepção acerca da preceptoria), acrescido de uma questão sobre o modelo pedagógico adotado. Resultado: A amostra do estudo foi composta majoritariamente por preceptores do sexo feminino (60%) e com maior titulação na residência médica (96,6%). Um percentual expressivo (80%) informou não possuir formação pedagógica para desenvolver a preceptoria. O modelo pedagógico tradicional foi o mais adotado na prática docente dos preceptores. Conclusão: Mostra-se a importância do diagnóstico situacional da preceptoria na residência médica em Anestesiologia, apontando a necessidade de formação docente para o desenvolvimento da atividade do preceptor, bem como sua valorização adequada, objetivando a melhor formação médica.

Perspectivas de estudantes da área de saúde sobre participação em programa intergeracional: potencialidades e desafios

PID: S1981-52712023000300207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Lopes Nogueira Cordeiro Costa
Resumo: Introdução: As habilidades de comunicação (HC) são competências indispensáveis para qualquer profissional da área de saúde, pois permitem maior adesão, compreensão e satisfação geral do paciente. O constante envelhecimento da população brasileira resulta cada vez mais na presença do público idoso no sistema de saúde. Esse cenário tem levado as escolas médicas a pensar em uma reformulação dos seus componentes curriculares no âmbito das HC, visto que esse assunto ainda apresenta lacunas. Nesse contexto, os programas intergeracionais possuem um valioso papel no desenvolvimento das HC por permitirem a interação entre diferentes gerações. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar as perspectivas de estudantes da área de saúde sobre a participação em um programa intergeracional no município de Paulo Afonso, na Bahia, intitulado “[Tec-Idoso]: utilização de tecnologia como ferramenta de inclusão digital e de apoio psicossocial ao idoso”, vinculado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Método: Trata-se de um estudo qualitativo e exploratório, realizado a partir de entrevistas semiestruturadas, utilizando o método de análise de conteúdo. Resultado: As seguintes categorias temáticas foram definidas: contato intergeracional, percepção e estigma com pessoas idosas, HC, impacto no desempenho acadêmico e impacto nas práticas profissionais futuras. Conclusão: Os resultados da presente pesquisa incluem melhora do desempenho acadêmico e da interação social por meio do desenvolvimento das HC, mudança de perspectivas perante o envelhecimento e preparação para o enfrentamento com mais confiança de situações da vida pessoal e profissional.

Perspectivas de estudantes de Medicina sobre a própria formação e competências para trabalhar com populações indígenas

PID: S1981-52712023000400204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Magalhães Rosa Souza Rossetto
Resumo: Introdução: A formação médica brasileira tem sido repensada a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais que mostram a necessidade de inserir nos currículos abordagens que considerem a formação de médicos generalistas, voltados à assistência de populações vulneráveis. Objetivo: Este estudo teve como objetivos descrever o perfil de estudantes de Medicina das universidades de Santa Catarina e analisar quais competências eles consideram necessárias para atender a população indígena. Método: Trata-se de uma pesquisa com abordagens quantitativa do tipo transversal e qualitativa de natureza exploratória. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário on-line com estudantes de Medicina do estado de Santa Catarina. Realizou-se a análise quantitativa dos dados por meio de estatística descritiva, e, no caso dos dados qualitativos, adotou-se a análise de conteúdo. Resultado: No perfil foi identificado predomínio de mulheres (66,95%), com idade média de 24,47 anos (± 5,35). Dos estudantes, 83,26% se autodeclararam de raça/cor branca, 76,99% nasceram na Região Sul do Brasil, 41,43% cursavam o ciclo básico do curso, e 45,61% não ingressaram por cota. Em relação à renda, 52,3% possuíam renda familiar de até cinco salários mínimos. As categorias que emergiram da análise foram habilidades comunicativas (capacidade de construir uma boa relação médico-paciente e de se comunicar), empatia (vontade de olhar o indivíduo pelas experiências dele e utilizar isso para auxiliar o tratamento), aspectos culturais (conhecimento antropológico e cultural da comunidade à qual for prestar assistência) e determinantes sociais (compreensão das vulnerabilidades específicas dessa população). Conclusão: O presente artigo permitiu refletir sobre o estudo da pluralidade acerca dos processos de saúde e doença no que diz respeito à saúde indígena, e analisou quem são os estudantes e de que forma a saúde indígena e as competências médicas para atender essa população estão sendo abordadas ao longo da formação no estado de Santa Catarina.

Perspectivas de uma comunidade universitária acerca da doação de corpos para estudo em anatomia humana

PID: S1981-52712023000100220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Prohmann Figueiredo Mendes Carvalho Almeida Gama Filho
Resumo: Introdução: O cadáver é uma peça insubstituível no aprendizado da anatomia humana, pois permite uma visão tridimensional das estruturas anatômicas. Entretanto, observa-se um cenário de escassez e aumento da demanda das peças cadavéricas nas universidades brasileiras. Logo, diversas instituições, amparadas no artigo 14 da Lei nº 10.406/2002 do Código Civil brasileiro, implementaram programas de doação de corpos interessados em trazer melhorias significativas na qualidade de ensino da disciplina de anatomia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o grau de conhecimento e as perspectivas de uma comunidade universitária a respeito da doação voluntária de corpos cadavéricos para fins educacionais e de pesquisa. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal e prospectivo com abordagem quantitativa e coleta de dados por meio de questionário individual. Os sujeitos incluídos foram os docentes e discentes da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), campus Dom Delgado. Os questionários eram relativos à obtenção de informações sobre o conhecimento e a opinião acerca da temática da doação de corpos. Resultado: Obteve-se um total de 264 questionários respondidos, os quais mostraram que 85,65% dos discentes e 87,1% dos docentes tinham conhecimento acerca da possibilidade da doação do próprio corpo. Contudo, observou-se que 94% dos entrevistados não sabiam que procedimentos eram necessários para a doação, e 86% não possuíam conhecimento acerca da legislação que permitia tal prática. Ademais, 27,65% dos participantes estavam aptos a doar o próprio corpo, 33,7% apontaram que não doariam e 38,9% informaram que não tinham opinião formada. O principal motivo apontado para doar foi: “para contribuir com o avanço da educação na área da saúde”, e para não doar: “quero ser enterrado ou cremado”. Conclusão: Existe um alto percentual de indivíduos que não conhecem os meios para realizar a doação de corpos, sendo evidenciado que os participantes apresentam baixa aptidão para doação. Contudo, existe um percentual significativo de indivíduos que não tem opinião formada sobre o assunto, demonstrando que a divulgação dessa temática é um meio para aumentar a adesão a tal prática. É importante realizar o desenvolvimento de programas de doação de corpos para solucionar a problemática.

Por que e como reformar um currículo inovador? Um relato de experiência de Londrina

PID: S1981-52712023000100403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Diehl Costa Martin Gordan Almeida Coelho
Resumo: Introdução: O curso de graduação em Medicina da Universidade Estadual de Londrina foi o segundo do Brasil a adotar currículo integrado e Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL). Apesar de seu currículo inovador ter servido de referência a outras escolas, avaliações recentes mostraram a necessidade de reforma. Relato de experiência: As avaliações sistemáticas do curso indicaram os seguintes problemas: dificuldade de adaptação dos ingressantes à primeira série; desorganização da sequência de conteúdos ao longo do curso; falta de motivação docente para as atividades da primeira à quarta série; necessidade de incluir tópicos obrigatórios e novas tendências; e desgaste da metodologia (PBL) a partir da terceira série. Um amplo trabalho de reforma curricular foi iniciado, baseado na construção coletiva, culminando em mudanças, como: o desenho de uma primeira série mais acolhedora por meio da inclusão de nivelamento de ciências básicas e mentoria; a reorganização cronológica dos conteúdos; o redesenho dos módulos, agora organizados ao redor de grandes áreas ou especialidades afins; a adoção de metodologias ativas mais motivadoras; e a inclusão de novos conteúdos. Discussão: A adoção de novas metodologias ativas em substituição à PBL em alguns momentos apresenta vantagens estratégicas. A Aprendizagem Baseada em Equipes (TBL), mais estruturada que a PBL, pode ajudar na adaptação dos ingressantes à primeira série e facilitar a realização de metodologias ativas num contexto de escassez de docentes. A Aprendizagem Baseada em Casos (CBL) é mais motivadora e pode ser mais efetiva para desenvolver habilidades de raciocínio clínico nas séries pré-internato. Conclusão: O novo currículo, que incorpora as mudanças mencionadas, foi implantado em 2022. Novas avaliações mostrarão se as mudanças trarão melhorias ao curso em termos de adaptação, motivação e resultados de aprendizagem.

Preceptoria médica: percepções e perspectivas de novos médicos de família no Brasil

PID: S1981-52712023000200201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Ferreira Cazella Costa
Resumo: Introdução: O aprendizado em ambientes práticos consiste em um componente essencial da educação médica. Nas últimas décadas, as escolas médicas têm procurado imergir os estudantes em ambientes profissionais desde os primeiros anos do curso. Nesses cenários, médicos mais experientes, preceptores, são responsáveis por apoiar seus aprendizes no desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes profissionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as percepções e perspectivas de participantes do curso de Especialização em Preceptoria em Medicina de Família - UNA-SUS sobre preceptoria e educação médica. Método: O estudo quantitativo descritivo foi realizado em duas fases: “delineamento da população”, que incluiu dados acadêmicos dos participantes, e “questionário de pesquisa”, em que se aplicou um questionário por meio de uma plataforma digital. Resultado: O “delineamento da população” identificou 2.530 participantes do curso de Especialização, com predominância do sexo feminino e moradores da Região Sudeste. A fase “questionário da pesquisa” foi composta por 232 respondentes, dos quais 73,4% relataram reconhecer as contribuições de seus preceptores, e mais de 90% manifestaram interesse em atividades de ensino, valorizando sua valorização curricular e seu reconhecimento acadêmico. Conclusão: Nossos achados evidenciaram percepções positivas sobre a preceptoria e a propensão ao engajamento em atividades docentes dos participantes, reforçando a importância de debates sobre qualificação, recrutamento e retenção de preceptores.

Prevalência de comportamento suicida em estudantes de Medicina

PID: S1981-52712023000300210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Schlittler Celeri Azevedo Dalgalarrondo Santos Júnior
Resumo: Introdução: Médicos e alunos de Medicina são grupos de risco para o suicídio e comportamento suicida. Comportamentos suicidas abrangem fenômenos que vão desde pensamentos, planejamentos, tentativas e até a morte por suicídio. Sabe-se pouco sobre o comportamento suicida entre estudantes de Medicina brasileiros. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a prevalência de ideação, planejamentos e tentativas suicidas em uma amostra de estudantes de graduação em Medicina do Brasil, e identificar os fatores sociodemográficos, de vida estudantil e de saúde mais associados a esses comportamentos. Método: Participaram do estudo 722 alunos do curso de Medicina da Unicamp, durante os anos de 2017 e 2018, que responderam de forma voluntária e anônima a um questionário amplo, que incluía dados sociodemográficos, de vida acadêmica e de comportamento suicida. A análise estatística foi realizada por meio do teste de qui-quadrado, do teste de Mann-Whitney e da regressão logística múltipla. Adotou-se o nível de significância estatística de 95%. Resultado: As prevalências de pensamentos, planejamento e tentativas de suicídio ao longa da vida foram respectivamente 196 (27,3%), 64 (8,9%) e 26 (3,6%). Nos 30 dias que antecederam a pesquisa, 36 (5%) pensaram seriamente em pôr fim à própria vida, e 11 (1,5%) planejaram concretamente colocar fim a própria vida. Bullying, presença de transtorno mental, procura de assistência em saúde mental na universidade, uso de calmante sem prescrição médica, baixo nível socioeconômico, morar sozinho, religião (ateus, agnósticos e espiritualistas) e grau de religiosidade são os fatores que, conjuntamente, melhor explicam a chance de comportamento suicida. Conclusão: Alunos de Medicina apresentam prevalências importantes de comportamento suicida.

Processo de ensino-aprendizagem em nefrologia: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712023000100305 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Santos Neto Alves
Resumo: Introdução: A redução da procura pelos Programas de Residência Médica em Nefrologia na última década é um assunto que vem ganhando relevância, notadamente nas discussões suscitadas pelas sociedades científicas e associações médicas por todo o mundo. Constata-se que há falta de interesse pela especialidade desencadeado por processos de ensino-aprendizagem inadequados no sentido de gerar interesse dos graduandos. Diante desse cenário, é fundamental compreender quais são os fatores que influenciam o processo de ensino-aprendizagem na nefrologia durante a graduação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as estratégias de ensino-aprendizagem em nefrologia e seus resultados durante a graduação em Medicina. Método: Foi realizada uma revisão integrativa de artigos publicados em inglês, espanhol e português sobre o ensino de nefrologia na graduação em Medicina, com busca em quatro bases de dados (PubMed, ERIC, SciELO e Lilacs). Usamos as seguintes palavras-chave em nossas pesquisas: “educação médica”, “estudantes de medicina”, “nefrologia”, “métodos de ensino” (em português), “medical education”, “medical students”, “nephrology” e “teaching methods” (em inglês) e “educación médica”, “estudiantes de medicina”, “nefrología” e “métodos de enseñanza” (em espanhol). Resultado: Observou-se um papel relevante do uso de metodologias ativas nos processos de ensino-aprendizagem como uma ferramenta promissora para ampliar o interesse dos estudantes pelo tema. Além disso, constatou-se que uma parcela dos educadores médicos envolvidos com o ensino da nefrologia é, na realidade, composta de não nefrologistas. Por fim, percebe-se um papel do uso de ferramentas on-line como estratégia para ampliar o interesse dos estudantes pela disciplina. Conclusão: Falta rigor no desenho dos estudos sobre a formação do estudante de Medicina em nefrologia, o que não permite aferir resultados precisos sobre o impacto das metodologias de ensino-aprendizagem. Estudos controlados randomizados bem desenhados, bem como o uso de estudos de coorte comparando metodologias de ensino-aprendizagem, são necessários para avaliar efetivamente as técnicas educacionais introduzidas nos currículos das escolas médicas.

Qualidade de vida e saúde mental de estudantes de Medicina na pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712023000100221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Arar Chaves Turci Moura
Resumo: Introdução: O isolamento social adotado no Brasil durante a pandemia da Covid-19 ocasionou mudanças emergenciais nas formas de ensino, como a utilização de aulas remotas. Além dos fatores estressores inerentes à restrição da mobilidade e do contato interpessoal, as incertezas acadêmicas geradas pelas alterações no cronograma acadêmico, associado a um atraso na prática clínica, podem ter representado fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais e para a piora da qualidade de vida dos estudantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida e a saúde mental dos estudantes de Medicina de uma escola médica durante o isolamento social na pandemia da Covid-19. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e analítico, que foi conduzido por meio de questionário autorrespondido que avaliou dados sociodemográficos, a qualidade de vida (WHOQOL-Bref) e a saúde mental (QSG-12 de Goldberg) de estudantes de Medicina da Unifenas no período de junho a outubro de 2020. Participaram do estudo 565 estudantes, de todos os períodos do curso. Realizaram-se análises descritiva e estratificada, e correlação de Pearson utilizando o pacote estatístico Stata versão 11.1. Resultado: Os estudantes perceberam a própria qualidade de vida como boa (64,3 ± 0,43), e a média de escore foi menor no domínio físico (52,22 ± 0,48) e maior no domínio das relações sociais (68,89 ± 0,79). A prevalência de transtornos mentais comuns foi alta (66,9%), e quanto pior a saúde mental, pior foi a qualidade de vida dos alunos (r -6126 - p = 0,000). Os fatores que impactaram negativamente a qualidade de vida e a saúde mental foram: menor renda, estar no ciclo básico, sexo feminino e uso de medicação autorreferida. O apoio recebido dos amigos, parentes e colegas teve impacto positivo na qualidade de vida. A percepção de qualidade de vida e de saúde mental foi melhor nos estudantes que responderam em agosto/setembro/outubro quando comparados com os que responderam em junho/julho. Conclusão: Os estudantes de Medicina pesquisados apresentaram boa percepção da própria qualidade de vida e alta prevalência de transtornos mentais comuns. Os resultados apontam para a necessidade de estudos qualitativos para aprofundar as informações sobre o impacto da pandemia na saúde mental dos estudantes.

Reflexões sobre a utilização do Teste de Progresso na avaliação programática do estudante

PID: S1981-52712023000200804 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Troncon Elias Osako Romão Bollela Moriguti
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso (TP) constitui modalidade estabelecida e bem-sucedida de avaliação de conhecimentos do estudante das profissões da saúde, principalmente os de Medicina, com potencial de contribuir substancialmente para as finalidades formativa e informativa (controle de qualidade e indicação de melhoria nos processos de ensino e aprendizagem). Adicionalmente, o TP apresenta características adequadas à sua inclusão em sistemas institucionais de avaliação que privilegiem a finalidade formativa, como a avaliação programática (AP), mas que cumprem também a somativa. Nas escolas que vêm definindo ações visando à introdução da AP em seus cursos de graduação, é necessária a reflexão sobre as fortalezas e limitações da utilização do TP no sistema de avaliação. Desenvolvimento: A partir das considerações de um grupo de trabalho representativo de toda a instituição, incumbido de propor meios de introdução da AP em um novo currículo para o curso de Medicina, contando com assessoria internacional com experiência tanto no TP como na AP, elaborou-se reflexão sobre esse tema, baseada na experiência dos autores e em dados da literatura. Propõe-se que, dentro da perspectiva longitudinal da AP, o TP constitua um dos pilares na avaliação de conhecimentos. O TP pode servir de base para acompanhamento do estudante, no contexto da sua turma (coorte), e seus resultados devem ser discutidos com o mentor que o acompanha e lhe dá suporte. O TP deve ter também papel central na gestão, como fonte de informações para eventual revisão e qualificação do currículo e das suas atividades de ensino e aprendizagem. É previsível que a utilização do TP na AP traga diferentes desafios e barreiras, que serão mais facilmente superados se houver na instituição experiências já consolidadas de aplicação de exames institucionais e de desenvolvimento docente para a elaboração de questões objetivas de boa qualidade. Conclusão: A efetividade do TP dentro do sistema institucional de AP vai depender de medidas que visem aumentar a sua efetividade na avaliação e que estimulem a participação ativa do estudante, refletindo sobre seu desempenho no TP, com o apoio do seu mentor, de modo a se engajar em ações que fomentem a autorregulação da aprendizagem.

Relação entre os estilos de aprendizagem e simulação em cirurgia

PID: S1981-52712023000200206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Mauro Fraga Tomasich Silva Ribeiro Rocha
Resumo: Introdução: Constatou-se que o bom desempenho em técnicas convencionais não se transferia para as minimamente invasivas, e, com isso, foram criados os simuladores para melhor aprendizado. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar se a simulação em realidade virtual robótica promove habilidade para laparoscopia em acadêmicos de Medicina, associando a ferramenta VARK e o mind styles (GSD) para determinar se há correlação dos estilos de aprendizagem com a capacidade de desenvolver essas habilidades. Método: Realizou-se randomização de três grupos de acadêmicos de Medicina, em que um dos grupos fez simulação de um exercício de nó cirúrgico na caixa de laparoscopia (CL), e outro, o mesmo exercício no console do robô. O terceiro grupo não participou da simulção. Todos os participantes fizeram um teste prático na CL, e as performances deles foram avaliadas. Ademais, foram aplicados um pré-teste e um pós-teste, além do formulário VARK e GSD, para avaliar se havia diferença de performance entre os diferentes estilos de aprendizagem. Resultado: As notas das provas práticas foram relativamente homogêneas entre grupos e entre as categorias de Mind Styles e do VARK. Como não se encontrou diferença significativa entre os grupos, não foi possível demonstrar que os estilos de aprendizagem interferiram nos resultados deste estudo. Houve apenas diferença significativa entre as notas do pré-teste de pelo menos um par de grupos e entre os grupos laparoscopia e robótica com p-valor 0,038. Conclusão: Não houve significância estatística entre os estilos de aprendizagem e o desempenho nas tarefas propostas.

Relação entre resiliência, autoestima e burnout em estudantes de Medicina durante a pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712023000200208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Mesquita Alencar Timbó Silva Kubrusly Augusto
Resumo: Introdução: No Brasil, é perceptível a escassez de estudos avaliando a autoestima dos alunos de Medicina durante a pandemia da Covid-19. No campo acadêmico, sabe-se que indivíduos com alta autoestima e resiliência são mais propensos ao sucesso. De acordo com a literatura atual, a resiliência foi negativamente associada à ansiedade e à síndrome de burnout (SB). A SB tornou-se um problema de saúde pública por causa do aumento de sua incidência, principalmente entre os profissionais de saúde durante a pandemia da doença por coronavírus 2019 (Covid-19), tornando imprescindível o aprofundamento desse tema. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o nível de autoestima de estudantes de Medicina e sua associação com o grau de resiliência e de burnout durante a pandemia. Método: Trata-se de um estudo de coorte transversal com estudantes de Medicina do primeiro ao oitavo semestre realizado no Centro Universitário Christus, em Fortaleza, Ceará, Brasil. Foram realizados três pontos de corte: no início do semestre, no meio do semestre e no final. Aplicamos as escalas de Maslach, Wagnild e Young e Rosenberg, e um questionário sociodemográfico. Resultado: Estudantes com maior desgaste emocional apresentaram menor eficácia profissional (p < 0,001). A descrença e a eficácia profissional estão inversamente relacionadas (p < 0,001). Não houve variação significativa na prevalência de burnout ao longo do semestre (p = 0,593), mas essa prevalência foi alta desde o primeiro período do estudo. Além disso, quanto maior a resiliência, maior a autoestima (p < 0,001). Conclusão: Estudantes de Medicina apresentam altos níveis de burnout. Variações de burnout, resiliência e autoestima não se mostraram estatisticamente relevantes ao longo do semestre. Mais estudos são necessários para analisar essas variáveis.

Repercussões da pandemia de Covid-19 na saúde mental nos estudantes de Medicina de Pernambuco

PID: S1981-52712023000300208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Brito Silva Oliveira Santos-Veloso Lima
Resumo: Introdução: As pandemias, como a de Covid-19, resultam em perturbação psicossocial que pode romper os limites da capacidade de enfrentamento, de modo a gerar tensões e angústias que se expressam variavelmente entre os envolvidos. Objetivo: analisar as repercussões da pandemia de Covid-19 na saúde mental de estudantes de Medicina do estado de Pernambuco. Método: estudo transversal e descritivo-analítico realizado entre julho e agosto de 2021 com estudantes de Medicina das 11 faculdades de Pernambuco. Como variáveis dependentes, foram analisados os escores de ansiedade e depressão. Quanto às variáveis independentes, foram estudadas: escore de resiliência, características sociodemográficas e comportamentais, e condições de saúde. A coleta dos dados foi realizada por meio da plataforma Google Forms. Aplicaram-se o Inventário de Beck para ansiedade e depressão e a escala de resiliência de Wagnild e Young. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Maurício de Nassau, e os participantes concordaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados foram analisados pelo programa SPSS 25, considerando significativo valor p < 0,05. Resultado: participaram da pesquisa 416 estudantes. A amostra foi composta predominantemente por mulheres (60,9%), com idade média de 25 anos, das quais 73,8% tinham residência fixa no município da faculdade. Sintomas de ansiedade moderada e grave foram verificados em 27,2% e 10,3% dos avaliados, respectivamente. Observaram-se sintomas depressivos moderados em 17,8% dos estudantes. Cerca de 25% da amostra apresentou grau de resiliência baixo ou muito baixo. Resiliência alta (razão de chances [RC] = 0,18 [0,08-0,41]; p < 0,001) e suporte psicológico anterior à pandemia (RC = 0,36 [0,14-0,95]; p = 0,04) foram fatores de proteção; e cursar o ciclo clínico (quinto-oitavo períodos) foi fator de risco independente (RC = 1,95 [1,07-3,55]; p = 0,02) para ansiedade de moderada a grave. Resiliência alta (RC = 0,01 [0,02-0,11]; p < 0,001 e retornar à cidade natal durante a suspensão das aulas (RC = 0,41 [0,18-0,91]; p = 0,02) foram fatores protetores; e cursar o ciclo clínico foi fator de risco independente (RC = 2,74 [1,26-5,93]; p = 0,01) para depressão de moderada a grave. Conclusão: verificou-se uma alta prevalência de sintomas de ansiedade de moderada e grave, bem como de sintomas depressivos moderados. Um alta proporção dos estudantes apresentou grau de resiliência baixo ou muito baixo.

Resiliência e espiritualidade de estudantes de Medicina durante isolamento social devido à pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712023000400211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Morato Hostalácio Moura Castro Peixoto Moura
Resumo Introdução: A pandemia da Covid-19 repercutiu de forma negativa na saúde mental dos estudantes universitários. Nesse período de incertezas e desafios, o desenvolvimento de resiliência, isto é, a capacidade de lidar com situações adversas e se recuperar, fez-se necessário. Sob a ótica do isolamento social, a espiritualidade se mostra como um recurso importante de ressignificação, podendo exercer impacto positivo na resiliência dos estudantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar o grau de resiliência dos estudantes de Medicina durante o isolamento social causado pela Covid-19 e sua relação com a espiritualidade e fatores pessoais. Método: Trata-se de um estudo transversal misto realizado com estudantes de Medicina de instituições privadas e públicas brasileiras. Os dados foram coletados no período de junho a setembro de 2020 utilizando um questionário com perguntas sobre aspectos sociodemográficos e referentes à opinião acerca de pontos positivos e negativos do isolamento social, a Escala de Resiliência e a Escala de Atitudes Relacionadas à Espiritualidade (ARES). Para exame das respostas abertas do questionário, fez-se uma análise de conteúdo com categorização delas por temas. Resultado: Participaram do estudo 308 estudantes. Os escores médios encontrados demonstraram que os estudantes apresentaram moderada resiliência e alta espiritualidade. Observou-se correlação positiva fraca entre grau de espiritualidade e resiliência. As variáveis que impactaram positivamente tanto a resiliência quanto a espiritualidade foram alto nível de satisfação em estudar para ser médico, alto nível de felicidade com a vida nos últimos meses, maior qualidade de vida durante o isolamento, possuir religião e alta importância atribuída ao fato de ter uma religião. Estudantes do sexo feminino e na faixa etária acima de 25 anos apresentaram maior espiritualidade. Os pontos positivos mais citados estavam relacionados com relações sociais, lazer e desenvolvimento pessoal. Os pontos negativos e as dificuldades mais frequentes foram saúde mental-física-social e ensino remoto/adaptação a uma nova rotina. Conclusão: O estudo sugere que estudantes que apresentam maior espiritualidade são mais resilientes, sendo mais capazes de lidar com fatores estressores, adaptar-se e ter uma visão positiva em relação a situações adversas. Esses resultados podem contribuir para uma reflexão sobre estratégias educacionais que visem auxiliar os estudantes no enfrentamento de situações estressoras, como a vivenciada em decorrência do isolamento social.

Simulação in situ e suas diferentes aplicações na área da saúde: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712023000400218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Santos Lima Vieira Slullitel Santos Pereira Júnior
Resumo Introdução: A simulação in situ (SIS) consiste em técnica de capacitação que ocorre no local real de trabalho como um método relevante para promover a fidelidade ambiental no cenário simulado. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar o uso da SIS no mundo para compreender sua aplicabilidade na área de saúde. Método: Trata-se de uma revisão integrativa que adotou a seguinte questão norteadora: “Como tem sido utilizada a simulação in situ por profissionais da área da saúde?”. Foram realizadas buscas nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Web of Science, com as diferentes combinações dos descritores “simulação in situ”, “saúde” e “medicina” (em português, inglês e espanhol) e os operadores booleanos AND e OR, com utilização de filtro temporal de 2012 a 2021. Encontraram-se 358 artigos, nos quais se aplicaram os critérios de inclusão e exclusão, seguindo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA). Após revisão independente realizada por pares, com o uso do Rayyan, restaram 190 para esta revisão. Resultado: Os resultados mostraram que os Estados Unidos detêm a maioria absoluta das produções (97/51%), seguidos do Canadá, porém com grande diferença numérica (18/9,5%). A maior parte dos trabalhos está escrita em inglês (184/96,8%), é quase experimental (97/51%) e tem equipes multiprofissionais como público-alvo (155/81,6%). Os artigos têm 11.315 participantes e 2.268 intervenções de simulação. Os principais cenários de SIS foram os setores de urgência e emergência (114/60%), seguidos de UTI (17/9%), sala de parto (16/8,42%) e centro cirúrgico (13/6,84%). Os temas mais estudados foram RCP (27/14,21%), Covid-19 (21/11%), complicações do parto (13/6,8%) e trauma (11/5,8%). As vantagens apontadas incluem: atualização profissional e aquisição de habilidades e competências em ambiente próximo do real e de baixo custo por não depender de dispendiosos centros de simulação. Conclusão: Em todo o mundo, a SIS tem sido utilizada por profissionais da saúde como estratégia de educação na área de saúde, com bons resultados para aprendizagem e capacitações de diferentes momentos da formação profissional e com melhora da assistência. Ainda há muito o que expandir em relação ao uso da SIS, sobretudo no Brasil, na publicação de estudos sobre essa abordagem.

Tecnologia digital como instrumento de saúde em uma comunidade indígena no Vale de São Francisco

PID: S1981-52712023000300402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Nicacio Gomes Pereira Franca Carmo Souza Khouri Torres Armstrong
Resumo: Introdução: As comunidades tradicionais são grupos de indivíduos socialmente organizados que partilham comportamentos econômicos, socioambientais e culturais comuns. Entre elas, destacam-se as comunidades indígenas no Brasil, que vêm sofrendo o impacto da urbanização, do crescimento de doenças crônicas e epidemias e do aumento da insegurança alimentar. Relato de experiência: Este estudo teve como objetivo descrever as experiências da equipe de saúde, quanto ao uso de uma ferramenta de gestão de dados na assistência, em uma comunidade indígena no Nordeste brasileiro. Trata-se de um relato de experiência do uso de uma ferramenta digital nas ações assistenciais em uma comunidade tradicional. A equipe de saúde foi dividida em dois grupos: agentes comunitários de saúde e estudantes de Medicina. Discussão: A descrição das experiências e a análise das narrativas resultaram na identificação de 258 citações, que foram classificadas em 12 categorias, relacionadas ao objeto de estudo. Dentre estas, as questões ligadas aos benefícios da ferramenta foram as mais mencionadas (43,41%), em que os subgrupos abordaram diferentes reflexões. A segunda categoria mais citada se referia às limitações da ferramenta (15,11%), sendo a necessidade do sinal de internet o ponto crítico. Ou seja, esta pesquisa mostra vantagens da ferramenta na atenção à saúde, mas também explicita fragilidades inerentes ao seu uso, de modo a trazer questões importantes dessa vivência e estimular práticas semelhantes. Conclusão: Esse relato de experiência, como método científico, traz importantes questões vivenciadas, relacionadas à aplicabilidade prática de uma ferramenta digital em uma comunidade indígena. Apesar de ser inegável que há pontos de fragilidade evidentes, eles não comprometeram o resultado afirmativo da vivência, melhorando a assistência.
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