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A morte e o processo de morrer: percepção dos estudantes de Medicina e de Psicologia

PID: S1981-52712025000100205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Nelson Leal Silva Mello Pedrosa Cavalcanti
RESUMO Introdução: Na formação dos estudantes de saúde, há uma escassez de debates sobre a morte e o morrer, provocando despreparo e sofrimento emocional no enfrentamento dessas situações. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o nível de medo que os estudantes de Medicina e de Psicologia apresentam diante do processo de enfrentamento da morte. Método: Trata-se de um estudo do tipo survey que utiliza a Escala de Medo da Morte de Collet-Lester envolvendo estudantes maiores de 18 anos, em diferentes períodos da graduação de Medicina e de Psicologia, com comparação com os grupos por meio de testes estatísticos adequados. Resultado: Entre os 333 estudantes que responderam ao questionário, evidenciou-se um maior medo da morte dos outros para ambos os cursos. Na Medicina, o medo da própria morte foi maior no final do curso (p = 0,045), e, na Psicologia, houve uma redução significativa do medo da morte dos outros no meio do curso (p = 0,039). Conclusão: Ter uma grade curricular que trabalhe questões clínicas e psicossociais sobre a finitude da vida pode auxiliar na redução das inseguranças e dos medos dos estudantes visando fornecer um cuidado integral de qualidade ao paciente.

Abordagens e percepções das iniquidades em saúde na formação médica: uma revisão de escopo

PID: S1981-52712025000200303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Santos Santos Ferreira Rico Almeida
RESUMO Introdução: Pesquisas apontam a existência de um abismo entre a formação médica e as necessidades das populações e dos sistemas de saúde, ao não considerarem as iniquidades em saúde no processo formativo dos estudantes, cujo resultado é uma força de trabalho mal preparada para os desafios do século XXI. Assim, são imprescindíveis estudos de monitoramento e avaliação de ações e estratégias formativas que possam subsidiar formuladores de políticas, gestores e controle social em uma reorientação do modelo formativo médico que contribua para uma atenção à saúde equitativa epidemiologicamente eficiente e socialmente justa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo mapear a produção científica internacional sobre a abordagem das iniquidades em saúde na formação médica, considerando temas, estratégias e percepções acerca da sua importância para o cuidado no processo saúde-doença. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo revisão de escopo, realizada nas bases de dados ou bibliotecas virtuais PubMed, Lilacs, SciELO, Web of Science, além de consulta a especialistas. Foram considerados artigos em inglês, espanhol e português, os quais, após os critérios de inclusão e exclusão, conformaram um corpus de 27 artigos. Resultado: Os artigos incluídos representam 12 países de três continentes que abordam iniquidades em saúde segundo diversos marcadores, como raça, etnia, gênero e sexo. As estratégias de abordagem das iniquidades durante a formação médica são distribuídas em disciplinas obrigatórias, eletivas, por meio de simulações clínicas, de maneira transversal ao curso, em palestras, workshops, tutorias ou ações extracurriculares. Todavia, a maioria dos estudos demonstram a pouca contextualização sócio-histórica dessas abordagens, reafirmando estereótipos, percepções negativas dos estudantes em relação aos marcadores sociais ou pouca compreensão de sua relação com o processo saúde-doença. Contudo, quando as iniquidades em saúde são abordadas de uma forma efetiva e crítica, parece haver ganhos importantes na aquisição de habilidades clínicas, responsabilização social, empatia e sensibilidade à história social dos pacientes. Conclusão: Há uma urgência em se avançar na reorientação de cursos médicos para um cuidado capaz de reconhecer as necessidades gerais e específicas dos indivíduos e grupos sociais nas suas diferentes trajetórias de vida, amparados nos suportes teóricos e políticos das iniquidades em saúde.

Analogias aplicadas à aprendizagem do sistema muscular no laboratório morfofuncional: um relato de experiência

PID: S1981-52712025000300400 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Lucena Gomes Dutra Carvalho Aarão Pinheiro
RESUMO Introdução: As estratégias utilizadas dentro de sala de aula têm se modificado com o passar do tempo, em especial no âmbito da educação médica. Promover o ensino da anatomia dentro do curso de Medicina é uma tarefa desafiadora para os docentes e discentes monitores, tendo em vista que ela é dita como um conteúdo mecânico e de difícil assimilação pelos alunos. Dessa forma, este trabalho visa relatar o uso de analogias como estratégia de ensino para anatomia em uma faculdade de Medicina do interior do Pará. Relato de experiência: A estratégia inovadora foi idealizada e aplicada por docentes e discentes monitores aos 56 estudantes do primeiro semestre do curso de Medicina. A proposta do trabalho foi incluir nas aulas analogias que auxiliassem a compreensão da anatomia do sistema muscular no laboratório morfofuncional, comparando estruturas do corpo humano com objetos do cotidiano. Desenvolveram-se quatro analogias: estrutura muscular microscópica (fibras, fascículo, músculo), estrutura muscular macroscópica (ventre muscular e aponeurose), músculo transverso do abdômen e músculos escalenos. Discussão: Poucos estudos utilizam as analogias para ensino na saúde e não há nenhum até então voltado para o ensino de anatomia. Os estudos existentes mostram que recursos de baixo orçamento, como as analogias, são eficientes para o ensino/aprendizagem. Conclusão: A experiência demonstrou ser excelente alternativa para o ensino-aprendizagem dos discentes, haja vista que eles atingiram os objetivos de aprendizagem. O conteúdo, que poderia ser monótono, foi trabalhado de forma lúdica e interativa, o que facilitou a construção ativa do conhecimento. A estratégia de analogias pode aumentar o interesse do aluno dentro de sala de aula e a fixação do assunto, contribuindo assim para a formação acadêmica do indivíduo.

Análise do ganho de habilidades técnicas em laparoscopia em residentes de cirurgia usando simulador virtual

PID: S1981-52712025000400201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Ferreira Szutan Ribeiro
RESUMO Introdução: O ensino da cirurgia vem passando por mudanças e por questões éticas, econômicas e legais, a sala de cirurgia não é mais o único ambiente para seu aprendizado. O treinamento em simuladores cirúrgicos (TSC) vem emergindo como um método eficiente, possibilitando ganho de habilidades. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o ganho de habilidades técnicas (HT) em laparoscopia por residentes de cirurgia geral (CG) após treinamento em simulador virtual e verificar se há diferença quanto a essa aquisição em relação à duração das sessões de treinamento e entre residentes de anos diferentes (R1 versus R2) submetidos às mesmas oportunidades de treinamento. Método: Realizou-se um estudo longitudinal prospectivo com residentes de CG utilizando o simulador Simbionix LapMentor®. Um teste com quatro tarefas laparoscópicas básicas essenciais (1. corte-padrão de gaze; 2. preensão e clipagem; 3. manobra com duas mãos; e 4. eletrocauterização) foi realizado no pré e pós-treinamento nesse simulador. Compararam-se dois treinamentos: distribuído: quatro sessões de duas horas com intervalo de duas semanas entre elas e massivo: duas sessões de quatro horas, com intervalo de seis semanas. Resultado: Para a realização das análises estatísticas, utilizaram-se os softwares SPSS 20.0 e Stata 17. Houve redução no tempo e no número de movimentos em todas as tarefas. Em relação ao tipo de treinamento, o distribuído foi mais veloz na tarefa 3 com a mão esquerda. Já o grupo massivo coletou mais bolas e perdeu menos bolas na tarefa 3; em contrapartida, ficou mais tempo com o cautério acionado sem o adequado contato com banda. Concernente ao ano de residência, R1s apresentaram uma redução da distância percorrida com o instrumento da mão esquerda na tarefa 4 após o TSC, ao passo que R2s não (p = 0,029). Conclusão: Houve ganho de HT, com redução do tempo e do número de movimentos. Diferenças em relação ao tipo de treinamento foram observadas na velocidade da mão esquerda, no número de bolas coletadas e no número de bolas perdidas da tarefa 3, e no tempo acionado sem contato na tarefa 4. Houve diferença na aquisição de HT em relação ao ano de residência apenas na distância percorrida com instrumento da esquerda na tarefa 4.

Aprendizagem baseada em problemas: feedbacks correlatos a níveis de conhecimento

PID: S1981-52712025000300207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Teixeira Bellusse Souza Duarte
RESUMO Introdução: Aprendizagem baseada em problemas (ABP) é uma abordagem educacional que promove a aprendizagem ativa e reflexiva ao envolver os estudantes na resolução significativa de problemas. O aprimoramento da performance dos estudantes depende do fornecimento de feedback objetivo e eficaz, apoiado por descritores de desempenho bem definidos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo validar um instrumento que fosse capaz de qualificar a performance e concomitantemente prover um feedback correlato a essa avaliação. Método: Para validação do instrumento de avaliação, utilizou-se o método Q-sort. O processo de validação foi realizado em quatro fases: 1. avaliação por dez juízes da correlação entre domínios de avaliação e feedbacks correlatos; 2. identificação de outlier na classificação dada pelos juízes; 3. análise do índice de concordância dos juízes na relação entre domínios e feedbacks, e necessidade de adaptações por meio do índice kappa; 4. submissão dos domínios e feedbacks para nova avaliação dos juízes. Resultado: Os domínios propostos e seus feedbacks correlatos foram validados pelo método Q-sort com coeficiente kappa de Fleiss igual a 1,0 indicando uma concordância perfeita entre os juízes. Conclusão: O instrumento validado fornece um meio confiável a ser utilizado nas avaliações de desempenho do estudante de Medicina, além de proporcionar feedbacks correlatos que podem auxiliar o tutor na entrega de feedbacks mais efetivos, aprimorando assim o processo educacional em ambientes de ABP.

Aprendizagem e saúde mental na pandemia de Covid-19: vivência de ingressantes em Medicina

PID: S1981-52712025000200209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Braghetta Souza Nonato Pio
RESUMO Introdução: A pandemia do novo coronavírus resultou em medidas de contenção de sua disseminação, como a implementação de ensino remoto, e afetou o bem-estar dos indivíduos; assim, surge a necessidade de investigar as consequências sociais e emocionais para os alunos ingressantes em 2020 em uma escola de Medicina do interior paulista. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as repercussões da pandemia sobre a formação da turma ingressante de uma instituição de ensino superior paulista em 2020, analisando implicações acadêmicas e na saúde mental desses estudantes. Método: Trata-se de um estudo exploratório e qualitativo realizado por meio de questionário do tipo websurvey, na plataforma Google Forms, em que se solicitou aos estudantes de Medicina, ingressantes no ano de 2020, que avaliassem a aprendizagem durante o primeiro ano do curso, os pontos positivos e negativos do ensino remoto e as repercussões nos relacionamentos interpessoais, na aprendizagem e na saúde mental. Excluíram-se da amostra as duas primeiras autoras do trabalho científico (também ingressantes em 2020) e os discentes que se desligaram do curso entre a matrícula e a data da coleta de dados. Na sistematização dos dados, utilizou-se a Análise de Conteúdo na modalidade temática. Resultados: Participaram 33 estudantes, sendo 18 do gênero feminino e 15 do masculino, com idades entre 20 e 30 anos. A análise de conteúdo identificou 21 núcleos de sentido, e, a partir deles, elaboraram-se quatro temas que versavam sobre os prejuízos ao processo institucional e ao desempenho acadêmico, as mudanças e restrições nas relações interpessoais, os benefícios e malefícios do uso de tecnologias digitais, e as repercussões do ensino remoto na saúde mental dos estudantes. Conclusão: Este estudo pode fornecer insights importantes para compreender o verdadeiro impacto da pandemia na qualidade da formação dos estudantes, nas relações interpessoais e na saúde mental. Com base nesses resultados, propõe-se que a faculdade desenvolva um melhor preparo para situações em que o ensino remoto precise ser implementado, oferecendo apoio psicossocial aos estudantes nesses momentos atípicos e outras medidas institucionais que visem atender às necessidades psicológicas e educacionais dos discentes.

Arte e literatura: envolvimento de estudantes para formação humana e desenvolvimento de habilidades médicas

PID: S1981-52712025000100206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Florêncio Borges Nogueira Moreira Bastos
RESUMO Introdução: As artes são capazes de estimular os alunos a usarem a própria imaginação, o que proporciona o desenvolvimento de novas perspectivas e o pensamento crítico e criativo, importantes na resolução de problemas no exercício profissional. Para além da obtenção de conhecimento técnico, as artes favorecem uma postura ética e profissional, pautada na escuta, na sensibilidade, na empatia e no compromisso. Uma boa relação médico-paciente deve-se a um profundo humanismo do profissional, resultando em uma melhor coleta da história clínica e levando-o a realizar manejos mais assertivos, eficazes e racionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o envolvimento e o interesse artístico e literário dos estudantes de Medicina de uma instituição de ensino superior e a opinião deles sobre a importância desse envolvimento durante a graduação para a formação humana e o desenvolvimento de habilidades médicas. Método: Trata-se de um estudo do tipo descritivo transversal, realizado no segundo semestre de 2022, na cidade de Fortaleza, capital do Ceará, por meio de um questionário elaborado especificamente para esse fim. O trabalho segue os aspectos éticos com o CAAE nº 38707720.0.0000.5049. Resultado: Dentre os 200 participantes da pesquisa, 92,5% acreditam que arte e literatura são importantes na formação médica. Entretanto, apenas 38,5% demonstraram interesse em participar de grupo extracurricular que aborde o estudo das artes. Observou-se que aproximadamente 60% dos estudantes que desenvolviam alguma atividade artística a interromperam em decorrência do início do curso. Além disso, 56,5% acreditam que cursar Medicina os impossibilita de se envolver em atividades artísticas e literárias devido à falta de tempo ou de disposição em decorrência da rotina imposta pela graduação médica. Conclusão: Apesar de uma considerável parte dos estudantes de Medicina concordar com a importância das artes e da literatura na formação médica, muitos ainda não estão dispostos a experienciar isso durante o processo de aprendizagem, sendo essencial um maior incentivo desse envolvimento, tendo em vista a importância das artes e da literatura na formação humana do médico.

Associação entre espiritualidade, coping religioso e variáveis sociodemográficas em residentes de saúde do Recife

PID: S1981-52712025000100201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Jordán Caminha Barbosa Haimenis Freitas Falcão
RESUMO Introdução: A espiritualidade, ao viabilizar o coping religioso/espiritual positivo ou enfrentamento religioso/espiritual, promove o fortalecimento da resiliência, a construção de uma visão positiva de mundo e a mobilização da rede de apoio social, desempenhando um papel relevante na promoção da saúde física e mental. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar o coping religioso/espiritual por meio da análise da associação entre variáveis sociodemográficas/educacionais e o nível de orientação espiritual em residentes de saúde do Recife. Método: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e quantitativo de caráter analítico. A espiritualidade foi avaliada por meio da Spirituality Self Rating Scale (SSRS) e o coping religioso/espiritual, pela Escala de Coping Religioso/Espiritual Abreviada (CRE-Breve). Os dados coletados foram analisados no software Stata 12.1 com razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas estimadas, com intervalos de confiança de 95%. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) com CAAE nº 42807221.2.0000.5201. Resultado: Entre os 107 participantes, predominaram as seguintes características: faixa etária de 21 a 25 anos (45,8%), sexo feminino (79,4%), participação em programas de residência multiprofissional (50,5%) e matrícula no primeiro ano da residência (89,7%). Identificaram-se coping religioso/espiritual positivo médio, alto e altíssimo em 69,2%, coping religioso/espiritual negativo baixo ou nenhum em 93,4% e nível de orientação espiritual média/alta em 57%. Os residentes com pós-graduação lato sensu evidenciaram RP de 40% a mais para terem nível de orientação espiritual média/alta do que os que cursaram apenas a graduação, e na enfermagem essa razão foi 46% maior do que nas outras áreas. Conclusão: Os maiores níveis de orientação espiritual e coping religioso/espiritual positivo mostraram-se mais prevalentes nos profissionais de enfermagem, assim como naqueles com maior formação acadêmica.

Atividades profissionais confiáveis para a residência em Medicina de Família e Comunidade no contexto brasileiro

PID: S1981-52712025000100211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Brito Caramori D’Abreu Cardoso Filho Cunha Bragança
RESUMO Introdução: As atividades profissionais confiáveis (APC) descrevem unidades de prática profissional essenciais de uma especialidade e, portanto, fundamentais a serem ofertadas como treinamento por programas de residência. As APC para residência em Medicina de Família e Comunidade (MFC) já foram descritas em outros países. No Brasil, ainda não há descrição das APC para a especialidade. Objetivos: Este estudo teve como objetivos elaborar APC para MFC no contexto brasileiro e validá-las através por meio da técnica Delphi. Método: Especialistas em MFC e docentes com expertise em educação médica analisaram as matrizes de competências nacionais para residência de MFC e as APC descritas anteriormente em outros países para a especialidade. Esse grupo central formulou APC considerando as necessidades de saúde da população, a legislação do Sistema Único de Saúde (SUS) e as especificidades da formação em MFC no país. Especialistas em MFC com experiência em atuação na residência médica foram convidados para compor um painel Delphi para avaliação das APC propostas. Considerou-se para consenso um índice de validação de conteúdo de 80%. Resultados: O grupo central elaborou 14 APC. O painel Delphi foi composto por um grupo de 24 preceptores e supervisores de programa, com tempo médio de experiência como educadores na residência de MFC de 11 anos. Foram necessárias duas rodadas para estabelecimento de consenso, e todas as 14 APC foram aprovadas. Discussão: O Brasil possui especificidades relacionadas à sua população e à organização do sistema de saúde que o diferencia de países onde as APC para MFC foram descritas. Há uma singularidade na formação em MFC no país, com a necessidade de desenvolvimento de APC locais. Isso foi evidenciado pela necessidade de formular APCs considerando a atuação em redes de atenção à saúde, a abordagem de vulnerabilidades e a atenção à saúde considerando o território de atuação. Conclusão: Este trabalho descreve uma proposta de elaboração e validação de APCs para a residência de em Medicina de Família e Comunidade no Brasil. A especificação dessas atividades tem potencial para apoiar a orientação de programas de residência na especialidade e redução das diferenças em formação em MFC no país.

Aula expositiva versus gamificação na fixação do conhecimento em estudantes de Medicina: um estudo randomizado

PID: S1981-52712025000100210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Oliveira Silva Carmo Andrade
RESUMO Introdução: Mesmo diante de uma geração de estudantes criada no ambiente dos jogos e da interatividade, a metodologia da gamificação associada a histórias interativas ainda não foi suficientemente testada por meio de estudos com maior poder estatístico. Objetivo: Este estudo visa comparar a fixação de conhecimento de estudantes de Medicina expostos à aula expositiva ou aula por meio de jogos e histórias interativas, e comparar os níveis de aquisição de conhecimento e de satisfação após a exposição às duas diferentes metodologias referidas. Método: Trata-se de um estudo randomizado, controlado e cruzado que compara o uso de aulas com gamificação e histórias interativas com o uso de aula tradicional. Os principais desfechos avaliados foram o nível de fixação de conhecimento um mês depois da exposição à última aula, o incremento de conhecimento antes e depois de cada aula, e o nível de satisfação ao final de cada aula. Realizou-se análise estatística usando-se o Teste dos Sinais de Wilcoxon, ao nível de significância de 5%. Resultado: Incluíram-se no estudo 83 estudantes do quinto e do sexto ano. A fixação de conhecimento no grupo de gamificação e histórias foi 3,6 vezes maior (p < 0,001) do que no grupo de aula expositiva. Os níveis de aquisição de conhecimento e a satisfação também foram superiores no grupo de gamificação. Conclusão: O presente estudo indica que a aula com metodologia de gamificação e histórias interativas é superior à aula tradicional na fixação do conhecimento em estudantes de Medicina. Além disso, observou-se também superioridade nos níveis de aquisição de conhecimento e de satisfação.

Autoeficácia ou inteligência para predizer o sucesso acadêmico ou profissional?

PID: S1981-52712025000200202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Ferreira Fernandes Malloy-Diniz Ibiapina
RESUMO Introdução: Os crescentes desafios do ensino médico têm motivado pesquisas com estudantes de Medicina e médicos em formação. As escalas de autoeficácia avaliam aspectos intrínsecos ao sujeito e a capacidade dele de alcançar metas, superar desafios e se manter motivado a fim de alcançar seus objetivos. A percepção de autoeficácia dos médicos em formação pode orientar estratégias de aprendizagem e ensino. Objetivo: O estudo teve como objetivo avaliar as propriedades psicométricas e, em particular, a estrutura fatorial da Escala de Autoeficácia na Formação Superior (EAEFS) em estudantes de Medicina e residentes de pediatria. Método: A amostra do estudo foi de 269 participantes, entre eles estudantes de Medicina do quinto período (terceiro ano) e do sexto ano da Universidade Federal de Minas Gerais e residentes de pediatria do primeiro e segundo anos de diversas instituições em Belo Horizonte. Todos avaliaram a autoeficácia usando a EAEFS. Resultado: Os dados foram submetidos à análise dos componentes principais com rotação Varimax, que revelou sete componentes. Esses novos domínios foram nomeados: autorregular, aprender, realizar, avaliar, integrar, ampliar e participar. O alfa de Cronbach variou de 0,70 a 0,86 nos fatores encontrados. A variância total explicada foi de 63,7%. Conclusão: A EAEFS mostrou-se adequada ao ensino médico, mas revelou sete domínios em vez dos cinco propostos, provavelmente devido às particularidades que envolvem o ensino médico.

Avaliação 360 graus na Residência Médica de Família e Comunidade: percepção de cidadãos-usuários e preceptores

PID: S1981-52712025000400212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Souza Toassi
RESUMO Introdução: No contexto da Residência de Medicina de Família e Comunidade (RMFC), ferramentas de avaliação que busquem a qualificação da formação do médico residente devem ser (re)construídas no cotidiano dos serviços de saúde. Avaliação 360 graus ou multifonte destaca-se por envolver a participação de profissionais da equipe, de pacientes e do próprio residente, guiada pelo preceptor. Objetivo: Analisar a avaliação 360 graus na RMFC, na percepção de cidadãos usuários e preceptores. Método: Estudo de abordagem qualitativa (estudo de caso), aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa. Foi realizado em Unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) de dois municípios do Rio Grande do Sul, onde os residentes atuavam. A amostra foi intencional. Realizaram-se entrevistas individuais semiestruturadas com os cidadãos usuários atendidos pelos residentes e com os dois médicos preceptores. Essas entrevistas foram posteriormente gravadas e transcritas. Definiu-se o tamanho da amostra para os cidadãos usuários pelo critério da saturação teórica aliado à análise da densidade do material textual produzido. Analisaram-se os dados de contexto dos participantes pela estatística descritiva. Os dados qualitativos foram analisados pela análise de conteúdo. Resultado: Participaram do estudo 17 cidadãos usuários e dois preceptores. A avaliação 360 graus foi reconhecida como ferramenta avaliativa que fomenta e valoriza o protagonismo popular. Os cidadãos usuários perceberam que, ao fazerem parte da avaliação do residente, mudanças na conduta do médico residente podem acontecer. Nesse processo participativo, sentem-se privilegiados ao contribuírem para o trabalho do médico residente. Os preceptores reconheceram que a participação dos usuários e da equipe no processo avaliativo do residente contribui para a avaliação e fortalece a relação entre equipe-residente-usuários e o trabalho interprofissional na APS. Desafios foram percebidos na realização da avaliação do residente pelos profissionais da equipe, pela rotina de trabalho na APS e na condução do momento do feedback pelos preceptores. Ambiente adequado e relações de vínculo entre preceptor-residente foram considerados facilitadores do feedback. Conclusão: A avaliação 360 graus apresentou-se como estratégia efetiva de avaliação educacional na formação da força de trabalho em saúde. Traz a oportunidade para o médico residente evoluir, perceber seus erros e se aproximar dos usuários e da equipe. Novas pesquisas são recomendadas, incluindo a percepção dos residentes, da equipe e dos gestores.

Avaliação como disputa: o exame de ordem e os rumos da educação médica

PID: S1981-52712025000300801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Kanashiro
RESUMO Introdução: A proposta de um exame de ordem para médicos recém-formados tem gerado intenso debate na educação médica brasileira. Em meio à expansão acelerada e desregulada de escolas médicas, surgem preocupações com a qualidade da formação e a segurança do paciente. Contudo, o exame suscita questionamentos quanto à sua validade pedagógica, à eficácia regulatória e aos impactos sociais. Desenvolvimento: Este ensaio discute criticamente a proposta, analisando sua base teórica, suas consequências práticas e suas implicações éticas. Com base em revisão da literatura, experiências internacionais e dados sobre desigualdades no acesso à profissão, argumenta-se que uma avaliação terminal, sem feedback e voltada apenas à aferição cognitiva tende a reproduzir desigualdades e transformar-se em mecanismo de exclusão. O texto também explora os interesses políticos e mercadológicos envolvidos e propõe alternativas avaliativas mais formativas e justas. Conclusão: O exame de ordem, tal como proposto, não resolve os problemas estruturais da educação médica no Brasil. O caminho para a qualidade exige avaliação contínua, políticas públicas regulatórias e compromisso com a equidade na formação profissional.

Avaliação do Teste do Progresso de uma faculdade de Medicina pelos pressupostos da Taxonomia SOLO

PID: S1981-52712025000100209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Resende Pereira Peixoto
RESUMO Introdução: A capacitação de futuros egressos das faculdades de Medicina para uma prática assistencial responsável e qualificada de atenção à saúde é um desafio. O objetivo é que estejam aptos para a resolução de problemas que demandem habilidades cognitivas de ordem superior. Sendo assim, a avaliação da aquisição de tais competências se torna muito importante. Um método de avaliação que vem ganhando atenção no ensino médico é o Teste do Progresso (TP). Teorias cognitivas têm trazido progresso em pesquisas educacionais relativas aos processos de avaliação. Utilizamos no nosso estudo a Taxonomia Structure of Observing Learning Outcome (SOLO) para avaliar e categorizar os itens do TP aplicado em uma faculdade de Medicina. A Taxonomia SOLO (TS) possibilita a análise cognitiva necessária para a realização de determinadas tarefas, permitindo uma observação integral da compreensão do entendimento do aluno. Utilizamos também no nosso estudo a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e calculamos para cada item de múltipla escolha (IME) do TP o índice de dificuldade (IDF) e o índice de discriminação (ID), e os correlacionamos com a classificação SOLO. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar características do TP aplicado em uma faculdade privada de Medicina, analisando seus itens pelos pressupostos da TS e correlacionando-os com a TCT. Método: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa e qualitativa. De acordo com os princípios da TS, foram realizadas a análise e a caracterização dos itens da prova de um TP aplicado em uma faculdade privada de Medicina e a correlação com o IDF e o ID. Resultado: Verificamos um equilíbrio entre a aprendizagem superficial (AS) e a aprendizagem profunda (AP) no total de itens e uma relação direta entre os níveis de AP e IME compostos por casos clínicos. Não verificamos diferença estatisticamente significativa entre as categorias SOLO quanto às médias do IDF e do ID. Conclusão: A análise das atividades avaliativas não deve ser restringida às propriedades psicométricas. Ferramentas taxonômicas, como a TS, podem auxiliar de maneira significativa a realização dessas atividades, de modo a conciliar as avaliações ao currículo, possibilitar a realização de provas adequadas ao nível de aprendizagem desejável e favorecer a progressividade do ensino.

Avaliação do conhecimento sobre espiritualidade e sua aplicabilidade por médicos docentes

PID: S1981-52712025000200211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Avelino Araújo Paiva Bachur Duarte Bernal Bachur
RESUMO Introdução: O papel da espiritualidade para os profissionais de saúde é imprescindível para garantir a abrangência biopsicossocial e melhorar a assistência integral ao paciente. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento sobre espiritualidade e sua aplicabilidade entre médicos docentes. Método: O presente estudo caracterizou-se por uma abordagem de caráter exploratório de campo virtual, descritivo e transversal, de base populacional. Adotou-se uma amostra por conveniência composta por médicos docentes do curso de Medicina de uma universidade privada. Para a análise do conhecimento sobre espiritualidade, adotou-se um instrumento composto por oito questões fechadas, e a aplicação na prática profissional foi avaliada por meio de cinco questões fechadas, enviadas por meio de um formulário eletrônico. Resultado: Participaram 41 médicos docentes, com idade média 46 + 11,59 anos. Sobre o conceito de espiritualidade, 24 (55,8%) indicaram as alternativas “A busca por significado e importância para a vida humana” e “Crença em algo que transcende a matéria”. Constatou-se que, embora a maior parte dos participantes reconhecesse a importância da abordagem espiritual no processo do adoecimento (83,7%), a minoria (23,3%) se sentia preparada para abordar essa questão em seus atendimentos diários. Conclusão: Observou-se que ainda há divergência na definição de espiritualidade e religiosidade. Sobre a prática, a barreira mais comum que desencoraja a discussão sobre religião/espiritualidade com os pacientes é a falta de tempo nas consultas.

Avaliação do estudante de graduação nas profissões da saúde: mudanças associadas ao desenvolvimento docente

PID: S1981-52712025000300203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Flauzino Panúncio-Pinto Bollela Troncon
RESUMO Introdução: A avaliação dos estudantes nos cursos de graduação nas profissões da saúde tem importância essencial, podendo cumprir as finalidades somativa, formativa e informativa. No entanto, há poucos dados disponíveis sobre como ela se dá nas instituições brasileiras. Uma ação de desenvolvimento docente (DD), que consistiu em ciclos de oficinas para gestores e professores sobre programas institucionais de avaliação, com ênfase formativa, proporcionou oportunidade para explorar esse panorama. Objetivo: Este estudo teve como objetivo caracterizar as práticas avaliativas em cursos de graduação em saúde no Brasil, particularizando responsabilidades institucionais, métodos de avaliação e feedback ao estudante, e identificando mudanças nesses aspectos associadas às atividades de DD. Método: Trinta cursos de graduação em saúde de nove diferentes instituições de ensino superior (Regiões Nordeste, Sudeste e Sul) participaram dessa iniciativa, cujos gestores responderam a dois questionários sobre os processos avaliativos desenvolvidos. O primeiro questionário, aplicado antes das oficinas de DD, gerou 23 diagnósticos situacionais acerca do contexto, das responsabilidades sobre a avaliação, dos métodos adotados e do domínio de práticas de feedback fornecido aos estudantes. O segundo, aplicado um ano após o último ciclo de capacitação, gerou 36 conjuntos de respostas, expressando a percepção sobre mudanças. As respostas ao primeiro instrumento foram analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin. As do segundo foram expressas de modo quantitativo. Resultado: Antes das oficinas, em 70% dos cursos as práticas avaliativas eram de responsabilidade dos docentes, com pouca participação institucional. Mais da metade dos cursos focava a avaliação somativa, com limitações na formativa e no feedback. Os métodos de avaliação de conhecimentos e de habilidades clínicas eram variados, enquanto os do domínio afetivo se mostravam imprecisos. Um ano após as ações de DD, notou-se aumento expressivo da participação institucional, com maior equilíbrio nas responsabilidades entre professores e instâncias centrais. Na percepção de 89% dos gestores, o domínio das técnicas de feedback melhorou. Ademais, os diferentes métodos avaliativos tornaram-se mais adequados para cada fim. Conclusão: Aspectos da avaliação, como reduzida responsabilidade institucional, limitada prática do feedback fornecido ao estudante e adequação dos métodos, sofreram mudanças expressivas que, na percepção dos gestores, foram associadas à participação de professores e gestores nas atividades de DD.

Avaliação do raciocínio clínico de médicos e estudantes de Medicina: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712025000300301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Ellwanger Tureck
RESUMO Introdução: O desenvolvimento do raciocínio clínico é crucial para estudantes e médicos, pois permite uma prática médica de qualidade e investigação racional de casos. Esse processo combina raciocínio intuitivo e analítico, adaptando-se à complexidade dos casos. Durante a formação médica, os alunos passam por fases de elaboração de hipóteses diagnósticas até o desenvolvimento de scripts das doenças. Com o avanço tecnológico na medicina, compreender como o raciocínio clínico se adapta é essencial para garantir cuidados de saúde de qualidade. Objetivo: Este estudo visa analisar práticas de avaliação do raciocínio clínico, identificando lacunas e áreas de melhoria nos métodos avaliativos para promover currículos mais eficazes. Método: Este estudo revisa as principais formas de avaliação do raciocínio clínico em médicos e estudantes de Medicina. Utilizando uma metodologia de revisão integrativa, foram selecionados artigos e ensaios publicados nos últimos 20 anos, em qualquer idioma, que abordavam comparações ou discussões sobre instrumentos de avaliação. Resultado: Do total de 6.150 trabalhos inicialmente identificados, após a eliminação de duplicatas e a avaliação dos títulos e resumos, selecionaram-se 244 artigos que foram submetidos à leitura completa. Na revisão, mantiveram-se 122 artigos. Os métodos mais utilizados são questões de múltipla escolha (QME), teste de concordância de scripts (TCS) e exame clínico objetivo estruturado (OSCE), e mais de dez formatos de avaliação foram encontrados e discutidos. Conclusão: O instrumento de avaliação, além de poder providenciar notas objetivas para os alunos, molda o comportamento e, portanto, é fundamental para a formação cada vez melhor de médicos. Inúmeros métodos têm sido pesquisados no momento, e outros, como o TCS, estão sendo implementados em larga escala. Este estudo contribui para o esforço de compilar todos os dados existentes da literatura e descobrir quais métodos, no agregado, são considerados mais confiáveis e válidos.

Avaliação do sono e da sonolência diurna em estudantes de Medicina de uma universidade pública

PID: S1981-52712025000200203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Dias Leão Brasil Iglesias Lessa
RESUMO Introdução: Um sono de qualidade é fundamental para a consolidação da cognição, da memória e do aprendizado. A privação de sono tende a gerar efeitos negativos no processo de aquisição de conhecimentos, bem como efeitos adversos à saúde. Os estudantes de Medicina tendem a apresentar diversos distúrbios do sono devido à alta demanda do curso e à carga horária elevada. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a qualidade do sono e a presença de sonolência excessiva diurna em discentes de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e correlacioná-las com o semestre letivo em curso e a performance estudantil. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de caráter quantitativo, baseado na coleta de dados realizada por meio de um questionário. Participaram da pesquisa 517 alunos de Medicina regularmente matriculados na Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) da UFBA, do primeiro ao oitavo semestre. Utilizaram-se um questionário contendo perfil sociodemográfico e dois questionários autoaplicáveis, validados e adaptados para o português, com o propósito de avaliar a qualidade do sono e a sonolência diurna em amostra estratificada por semestres em oito grupos: primeiro (n = 61), segundo (n = 67), terceiro (n = 60), quarto (n = 64), quinto (n = 56), sexto (n = 70), sétimo (n = 67) e oitavo (n = 65). Para a análise estatística, adotou-se o software Statistical Package for Social Sciences (SPSS). Resultado: Observou-se qualidade de sono ruim (IQSP > 5) em 84,1% dos participantes da pesquisa que foi associada a um menor coeficiente de rendimento. A sonolência excessiva diurna esteve presente em 65,4% dos avaliados. Não houve diferença estatística significativa na comparação entre os escores das escalas IQSP e ESE com o semestre letivo cursado. Foi observada associação entre sonolência excessiva diurna e má qualidade do sono, gênero feminino e pior desempenho acadêmico. Conclusão: Existe alta prevalência de distúrbios do sono entre os estudantes de Medicina.

Capacitação eficaz de preceptores em pediatria: desenvolvimento de material educacional digital para feedback

PID: S1981-52712025000100216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Lima Cunha
RESUMO Introdução: A falta de preparo adequado dos preceptores para realizar avaliação e fornecer feedback eficaz compromete o potencial de motivar e orientar o aprendizado de médicos residentes. Na maioria dos contextos da educação em saúde, existe uma falha percebida na capacitação dos preceptores. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever o desenvolvimento de um material educacional digital pautado nos princípios da andragogia, no ensino por competências, na aplicação de instrumentos de avaliação na prática clínica e feedback para aprimorar as habilidades dos preceptores de residência em pediatria. Método: Trata-se de um estudo metodológico para o desenvolvimento de um material educacional em formato de cartilha digital, criado na plataforma CanvaPro® e validado por especialistas. O processo incluiu pesquisa documental e bibliográfica para identificar vulnerabilidades na avaliação e feedback na residência médica, com ênfase no papel do preceptor como educador clínico. A validação foi realizada com pediatras preceptores experientes, seguindo o método Delphi para a obtenção de consenso de pelo menos 80% em cada rodada, com revisão dos itens discordantes. Participaram do estudo 13 juízes, 84% deles atuam como preceptores há mais de três anos. A coleta de dados ocorreu no 1º semestre de 2024. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética. Resultado: O manual educativo foi constituído por elementos textuais com conceituação de ensino por competências, andragogia, avaliação em ambiente de prática e feedback; links interativos complementares para o aprofundamento em temas específicos (preceptor; dicas para atividades à beira leito e estudo de caso; caracterização de competências e atividades profissionais confiáveis; conceituação de avaliação formativa, feedback e coaching). Foram realizadas duas rodadas do Delphi para validação do material, e a primeira obteve 80% ou mais de concordância em nove das dez questões apresentadas. A maioria das observações dos juízes foram acatadas. Conclusão: O material produzido foi considerado relevante e propício para auxiliar preceptores de pediatria a aplicar o instrumento Miniex, que inclui o fornecimento de feedback imediato à avaliação de desempenho, pelos especialistas que participaram da validação. Ademais, o material é visualmente atraente e projetado para oferecer uma experiência de aprendizado agradável, de conteúdo claro e prático para contribuir para a capacitação de preceptores de pediatria.

Capacitação para o desenvolvimento de diretrizes clínicas: um programa de ensino a distância

PID: S1981-52712025000400402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Araujo Parahiba Dorneles Belli Colpani Stein Vidal Maior
RESUMO Introdução: A capacitação dos profissionais é importante para a melhoria da qualidade metodológica das diretrizes clínicas em saúde pública. O ensino a distância (EaD) apresenta vantagens sobre o treinamento presencial tradicional para atingir públicos de diferentes locais. O objetivo deste artigo é descrever um programa de EaD para capacitação profissional focado no desenvolvimento de diretrizes clínicas em nível nacional. Relato de experiência: O programa envolveu tutorias de Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS) associadas a duas edições de um curso básico síncrono, um curso básico autoinstrucional e um curso avançado síncrono para o desenvolvimento de diretrizes, além de duas edições de curso síncrono e um curso autoinstrucional sobre o sistema Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE). Treze NATS foram tutorados para suporte metodológico no desenvolvimento de 20 diretrizes em diferentes áreas clínicas. Concluíram o curso básico síncrono para o desenvolvimento de diretrizes 48 participantes de 16 NATS e do Ministério da Saúde (MS). Concluíram o curso básico autoinstrucional para o desenvolvimento de diretrizes 263 participantes de 23 estados brasileiros e do Distrito Federal (DF). Concluíram o curso avançado síncrono para o desenvolvimento de diretrizes 37 participantes de 11 NATS e do MS. O curso síncrono sobre GRADE foi concluído por 58 participantes de 11 NATS e do MS, enquanto o curso autoinstrucional foi concluído por 114 participantes de 15 estados brasileiros e do DF. Discussão: Por meio desse programa, foi possível oferecer capacitação profissional em áreas como síntese de evidências, avaliações de tecnologias em saúde e diretrizes clínicas para 16 NATS, além de mais 200 profissionais atuantes em 24 estados da Federação. As avaliações positivas dos participantes e as notas médias satisfatórias nas atividades sugerem uma aceitação e satisfação geral com a qualidade e o conteúdo dos cursos oferecidos. Além disso, o programa apoiou o desenvolvimento de diretrizes clínicas no SUS. Conclusão: Cursos de EaD podem ajudar a melhorar as competências de pesquisadores e de NATS de diferentes regiões do Brasil para o desenvolvimento de diretrizes para o SUS com boa qualidade metodológica.
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