☰ Menu
Educ@

Búsqueda por Índice

Filtro por título, resumen, autor, revista y año

Total: 41435 | Página 58 de 2072
0 resultados seleccionados

Casos clínicos criados por estudantes de Medicina no desenvolvimento do raciocínio clínico: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712025000300302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Leite Alves Félix Marinho
RESUMO Introdução: O raciocínio clínico (RC), fundamental no contexto da saúde, abrange a coleta de dados e a formulação de diagnósticos. O ensino baseado em casos e a aprendizagem por problemas integram habilidades clínicas e promovem o desenvolvimento profissional, mas o potencial da estratégia de criação de casos clínicos pelos estudantes ainda é pouco explorado. Objetivo: Esta revisão sistemática visa analisar a construção de casos clínicos por estudantes como uma estratégia pedagógica eficaz no ensino médico. Método: Realizou-se uma revisão sistemática segundo o protocolo PRISMA, com busca em cinco indexadores de artigos científicos, utilizando palavras-chave relacionadas a “raciocínio clínico”, “elaboração de casos clínicos” e “estudantes de Medicina”. A triagem de títulos e resumos, a leitura integral dos artigos selecionados e a extração de dados foram conduzidas por dois revisores independentes. Coletaram-se os dados demográficos, as metodologias empregadas e as estratégias de ensino. Apresentaram-se os resultados e as conclusões, além da análise do risco de vieses nos estudos. Resultado: Inicialmente, foram identificados 1.970 trabalhos. Após a triagem de títulos e resumos, selecionaram-se 25 artigos para leitura na íntegra, dos quais seis foram incluídos na revisão sistemática. Os métodos de construção de casos clínicos apresentaram grande diversidade em forma e conteúdo, envolvendo de 11 a 315 estudantes do primeiro ao quarto ano da graduação em Medicina, com atividades distribuídas ao longo de períodos variando de um dia a quatro semanas. De maneira geral, essa estratégia foi considerada adequada pelos autores. Conclusão: A construção de casos clínicos por estudantes representa uma estratégia valiosa para o desenvolvimento do RC na educação médica, contribuindo para a formação de profissionais mais capacitados e reflexivos. Há evidências de que possa ser útil na formação médica como método complementar, e não substitutivo, aos métodos tradicionais de ensino.

Ciência da implementação e justiça epistêmica na educação médica brasileira

PID: S1981-52712025000400801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Caramori Cunha Pacheco Bragança
RESUMO Introdução: A educação médica tem sido historicamente moldada por paradigmas que privilegiam perspectivas do Norte Global, o que tem contribuído para a reprodução de práticas e epistemologias descoladas das realidades locais. Este ensaio teórico propõe a ciência da implementação como um paradigma alternativo e promotor de transformação na educação médica brasileira, alicerçado na justiça epistêmica e na adaptação contextualizada de inovações educacionais. Desenvolvimento: Com base em uma análise crítica das raízes positivistas que ainda permeiam a formação médica, o texto problematiza a apropriação acrítica de modelos internacionais e evidencia formas contemporâneas de dominação epistêmica, como o ventriloquismo do Norte. Em contraponto, argumenta-se que a mudança educacional requer processos de implementação situados, capazes de reconhecer saberes locais, engajar ativamente os sujeitos envolvidos e promover práticas contextualizadas e sustentáveis. O artigo propõe uma leitura ampliada da ciência da implementação, articulando-a a noções como epistemologia situada, conceitos viajantes e modelos teóricos instrumentais como o Consolidated Framework for Implementation Research (CFIR). Conclusão: Ao adotar a ciência da implementação como referencial teórico e prático, defende-se uma educação médica comprometida com a produção local de conhecimento, com os princípios do Sistema Único de Saúde e com a superação das iniquidades epistêmicas que historicamente marcam o campo.

Competência em medicina baseada em evidências de uma universidade pública: influência do período de graduação

PID: S1981-52712025000400219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Silva Júnior Becker Gomes Leite
RESUMO Introdução: A medicina baseada em evidências (MBE) surgiu na década de 1990 para sistematizar a tomada de decisão clínica com base na pesquisa científica. Em meio à exuberância de informações, a MBE passou a fundamentar as decisões médicas em evidências sólidas. Embora tenha transformado a prática clínica ao adotar um enfoque objetivo e sistemático, ela foi criticada por desconsiderar aspectos subjetivos da experiência do paciente. A introdução da decisão compartilhada, formalizada em 2001, integra as preferências e os valores do paciente ao processo decisório sem perder a objetividade, promovendo uma abordagem mais holística e colaborativa. A incorporação da MBE nos currículos médicos permanece um desafio, muitas vezes abordada de maneira fragmentada. Dessa forma, mensurar a competência em MBE é fundamental para identificar lacunas no ensino e aperfeiçoar as intervenções curriculares. Objetivo: Este estudo tem como objetivos avaliar a competência em MBE entre os estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e identificar os fatores associados ao desempenho. Método: Foi conduzido um estudo transversal com 767 alunos da UFJF, do primeiro ao nono período. Os alunos foram avaliados com o teste de Fresno, que mede habilidades em MBE. Analisaram-se as seguintes variáveis: período da graduação, experiência em pesquisa, cursos extracurriculares sobre MBE e perfil socioeconômico. Realizaram-se a análise descritiva dos dados e a comparação pelos testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis. Resultado: Participaram 519 alunos, com a pontuação no teste de Fresno variando de 0 a 151, com medianas diferentes entre ciclos (ciclo básico: Md = 25, ciclo clínico: Md = 59, internato: Md = 48). O desempenho melhorou ao longo do curso, mas caiu ligeiramente no internato. Cursos extracurriculares e experiência prévia em pesquisa foram associados a melhor desempenho. Conclusão: O estudo mostra evolução na competência em MBE ao longo da graduação, com uma leve queda nos últimos anos. Intervenções externas, como cursos de MBE, melhoram significativamente o desempenho dos alunos. São necessários mais estudos para explorar novas ferramentas de avaliação e expandir a pesquisa.

Condições ameaçadoras à vida, conferências familiares e cuidado centrado no paciente: a experiência do PEDCONF

PID: S1981-52712025000300401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Soares Sanches Mello Garros
RESUMO Introdução: A comunicação entre profissionais de saúde (PDS), pacientes e familiares durante a internação hospitalar representa um desafio significativo para todos os envolvidos. Condições ou doenças que ameaçam a vida trazem complexidade ao cuidado e demandam uma comunicação eficaz e empática, um dos componentes centrais do cuidado centrado no paciente. Entretanto, nota-se uma carência de modelos estruturados de comunicação em língua portuguesa que apoiem os PDS, pacientes e familiares durante as conferências familiares em unidades críticas no Brasil. Relato de experiência: Foi desenvolvido um modelo de comunicação estruturado e proativo denominado PEDCONF, composto por quatro etapas: (P) preparo da conferência, (E) escuta ativa dos familiares, (D) discussão do contexto clínico e (CONF) convergência entre a família e os PDS para a elaboração de um plano de cuidados compartilhado. Esse modelo vem sendo aplicado em atividades de ensino-aprendizagem com os PDS por meio de conferências simuladas. Discussão: Embora a implementação de modelos estruturados e proativos de comunicação com familiares de pacientes críticos tenha o potencial de melhorar a confiança dos PDS em cenários de doenças ameaçadoras à vida, são necessários estudos que avaliem desfechos autopercebidos relacionados à confiança e ao desempenho dos estudantes durante as conferências em curto e longo prazos, em contexto local. Conclusão: O modelo PEDCONF apresenta-se como uma ferramenta promissora para aprimorar a comunicação entre os PDS, os pacientes acometidos por doenças ameaçadoras à vida e os familiares destes, promovendo um plano de cuidados compartilhado e harmonizado entre todos os envolvidos.

Currículo essencial de ultrassonografia na graduação médica: uma revisão da literatura

PID: S1981-52712025000200302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Santos Gonçalves Tempski Fraiz Martins
RESUMO Introdução: Tradicionalmente, inspeção, palpação, percussão e ausculta constituem os quatro pilares da medicina à beira do leito. A Ultrassonografia no Local do Atendimento (POCUS) tem se destacado em melhorar a acurácia do diagnóstico clínico. Objetivo: Este estudo teve como objetivo realizar revisão de literatura sobre currículos de ultrassonografia em cursos médicos. Método: Realizou-se uma revisão narrativa nas bases de dados PubMed, LILACS e SciELO, em que se utilizaram os descritores: “ultrassom”, “ultrassonografia”, “currículo”, “medicina” e “escola médica”. Resultado: Foram analisados 36 artigos com enfoque na integração da ultrassonografia ao currículo de Medicina. Identificaram-se 12 artigos que detalham currículos específicos, a partir dos quais foram elaborados quadros comparativos, agrupados por região anatômica ou área de conhecimento. Conclusão: A ultrassonografia está sendo integrada aos currículos médicos, contribuindo para o ensino de várias disciplinas, além de ser utilizada como apoio diagnóstico à beira do leito. Para sua incorporação curricular, é necessário considerar as competências a serem adquiridas dentro da perspectiva da formação do médico generalista. Sua adoção requer investimento em equipamentos e treinamento docente para que se alcancem os objetivos de aprendizagem.

Decolonizando a formação médica: análise das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014

PID: S1981-52712025000300212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Vieira Ribeiro Costa Oliveira Sanches
RESUMO Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014 para os cursos de Medicina representam a normatização na formação dos profissionais no Brasil. O documento prevê uma nova perspectiva na formação médica que alinhe os aspectos biológicos e determinantes sociais da saúde, juntamente com o processo de ensino. Objetivo: Este estudo propõe uma análise crítica das diretrizes sob a perspectiva da teoria decolonial, conforme discutida por autores como Quijano, Mignolo e Santos. Método: Trata-se de uma análise documental crítica das DCN de 2014 para os cursos de Medicina, na perspectiva da teoria decolonial. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e interpretativa. Resultado: Nessa análise, demonstra-se que, apesar das intenções de promover diversidade e inclusão, as DCN ainda necessitam ampliar o olhar, que vai para além da hegemonia de saberes eurocêntricos, o que possibilita trabalhar com epistemologias alternativas. Conclusão: Assim, a decolonização do currículo médico visa transformar a formação dos profissionais de saúde, capacitando-os para atuar de maneira crítica e ética em uma sociedade marcada pela diversidade cultural. Por fim, o estudo conclui que, embora as DCN representem um progresso, necessitam de uma reformulação que entenda a realidade local e que não se fundamente em critérios eurocêntricos pautados em estruturas de poder que perpetuam a exclusão e a desigualdade na formação dos médicos.

Desafios enfrentados para o atendimento de pacientes surdos: um estudo com docentes de Medicina

PID: S1981-52712025000100207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Santos Costa Cirilo Cardoso
RESUMO Introdução: A surdez é caracterizada pela diminuição da capacidade de percepção de sons, e a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida legalmente como forma de comunicação para indivíduos surdos. Além disso, estabelece-se que a assistência à saúde das pessoas surdas deve ser conduzida ou mediada por profissionais treinados no uso da Libras. Contudo, o despreparo dos profissionais de saúde para se comunicar de formas que extrapolam a oralidade é uma realidade profusa no sistema de saúde brasileiro. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar os desafios enfrentados por docentes de um curso de Medicina para o atendimento de pessoas surdas. Método: Trata-se de uma pesquisa observacional, transversal, realizada por meio de um questionário on-line, cujo público-alvo foi composto por profissionais da saúde que lecionam no curso de Medicina de uma instituição particular de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O instrumento utilizado foi elaborado pelos pesquisadores com base na Attitudes to Deafness Scale. Realizou-se um pré-teste no qual a consistência interna, avaliada pelo coeficiente alfa de Cronbach, foi classificada como aceitável (0,76). Após a coleta, os dados foram tabulados no Microsoft Excel e analisados no software R. Resultado: O estudo contou com 89 participantes, dos quais 78% declararam não possuir nenhum conhecimento sobre Libras, 88% afirmaram que não se sentem preparados para atender pessoas surdas e 91% nunca realizaram alguma capacitação para conduzir esses atendimentos. Os principais desafios identificados foram o desconhecimento dos recursos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde para os pacientes surdos e a incapacidade de fornecer orientações adequadas. Os resultados também sugerem que os participantes com capacitação para atender pessoas surdas percebem como menores os desafios para os atendimentos. Ademais, participantes sem experiência prévia com pacientes surdos relataram maior dificuldade em guiar os alunos para o atendimento dessa população. Conclusão: Os resultados evidenciam numerosos desafios enfrentados pelos participantes para o atendimento de pessoas surdas. A análise dos achados reforça a falha estrutural na inclusão efetiva das pessoas com deficiência durante a formação profissional e nos serviços de saúde em geral.

Desenvolvendo competências em saúde planetária: integrando pensamento sistêmico e interconexão através da natureza na formação médica

PID: S1981-52712025000300202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Zandavalli Stein Camargo
RESUMO Introdução: Há uma falta de estratégias de ensino para explorar os domínios da Saúde Planetária (SP) denominados de Interconexão Através da Natureza e de Pensamento Sistêmico/Complexidade. A Teoria Ator-Rede oferece uma estrutura pedagógica para essa abordagem, pois discute a inseparabilidade entre humanidade e natureza. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a compreensão de estudantes de Medicina sobre os domínios Interconexão Através da Natureza e Pensamento Sistêmico/Complexidade da SP. Método: Trata-se de um estudo de caso exploratório com questionários sociodemográficos e respostas abertas, realizado entre 2022 e 2023, envolvendo duas turmas de estudantes de Medicina. Professores foram entrevistados, aulas foram gravadas e as atividades submetidas pelos alunos foram analisadas. Pequenos grupos de estudantes realizaram entrevistas com pacientes, apresentaram portfólios sobre SP e desenvolveram diagramas de rede. As atividades de Interconexão Através da Natureza incluíram uma trilha contemplativa no jardim da universidade e reflexões sobre momentos em que os alunos se sentiram parte do planeta. Resultado: Participaram do estudo 96 estudantes (87% dos 110 convidados) e nove professores (100%). Os discentes demonstraram uma compreensão abrangente dos pacientes dentro dos seus contextos psicossocial e ambiental ao descreverem as interconexões entre diversos atores humanos e não humanos ao longo de seus estudos de caso e diagramas de rede. As atividades de Interconexão Através da Natureza foram desafiadoras, e uma parte substancial alcançou o objetivo de refletir sobre a inseparabilidade entre natureza e humanidade ou a saúde das pessoas e do planeta. Conclusão: As metodologias utilizadas para o treinamento em Pensamento Sistêmico/Complexidade e Interconexão Através da Natureza contribuíram substancialmente para a compreensão dos alunos sobre os pacientes sob uma perspectiva sistêmica de SP e a relação intrínseca entre natureza, humanidade e saúde. Este estudo destaca a importância de incorporar essas estratégias de ensino para ampliar as perspectivas dos alunos sobre a SP.

Desenvolvimento de profissionalismo em estudantes do internato médico

PID: S1981-52712025000200801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Serra Brenelli Caranzano Fernandez Delbone
RESUMO Introdução: A formação profissional do médico moderno requer conhecimentos, habilidades e condutas ancorados na ética, além de autocuidado e autoconsciência. Desenvolvimento: os preceitos éticos implicam valores como integridade, honestidade, altruísmo, humildade, respeito à diversidade e transparência em relação a potenciais conflitos de interesse, que fazem parte da identidade profissional do médico. Os estudantes de medicina, no Brasil, ingressam na faculdade muito jovens, por volta de 18 a 22 anos, momento em que sua identidade pessoal ainda está em formação. Ao ingressar na vida acadêmica, o estudante entra em contato com valores da futura vida profissional, que exigirá dele conhecimentos, habilidades e atitudes específicos, além da postura profissional do médico, esperada pela sociedade. Nesse momento, a identidade profissional está em formação simultaneamente à identidade pessoal. Esse processo de formação é gradual e deve fazer parte do currículo de forma ativa, não apenas do currículo oculto, e os professores devem ser capacitados para essa formação. O desenvolvimento do profissionalismo ocorre desde o primeiro período com discussões em sala de aula, porém é no internato que o estudante irá experimentar essas situações de forma real. Não existe, na literatura, um modelo único validado para o desenvolvimento do profissionalismo, mas várias experiências vêm demonstrando ser promissoras, como vinhetas e apresentação de casos, simulação, portfólio, mapa conceitual e narrativas, entre outras. Esses métodos permitem feedback sobre a prática e as emoções do estudante. No internato a vivência em serviço proporciona o amadurecimento profissional simultaneamente ao pessoal, levando à necessidade de promover momentos em que os estudantes possam compartilhar suas experiências e refletir sobre elas com os professores que orientem essa discussão e reflexão, mostrando as melhores práticas éticas a serem aplicadas a cada situação. Conclusão: não existe uma fórmula única de sucesso para o desenvolvimento do profissionalismo. Os docentes envolvidos com esse ensino devem ter receptividade e acolhimento, além de vivência profissional e empatia para guiar o estudante em seu próprio processo de construção da personalidade pessoal e profissional.

Desenvolvimento docente para a educação das profissões da saúde: obrigatório e imprescindível

PID: S1981-52712025000200803 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Cintra Bollela
RESUMO Introdução: Programas de desenvolvimento docente (DD) são atividades voltadas ao aprimoramento das competências requeridas de educadores. Envolvem temas ligados ao desenho de currículos, ao ensino-aprendizagem, à avaliação do estudante e de programas, à produção de conhecimento (pesquisa) e à gestão e liderança de processos educacionais. No Brasil, após a regulamentação das diretrizes curriculares para a graduação em Medicina em 2014, existe uma obrigatoriedade para que as instituições de ensino criem e mantenham programas de DD nos cursos de graduação em Medicina. Desenvolvimento: As instituições brasileiras de ensino superior começaram a estruturar seus centros de DD para atender à legislação e, obviamente, para apoiar professores e preceptores responsáveis pela formação de médicos no Brasil e dar suporte a eles. A forma como essas iniciativas vêm evoluindo ainda é muito diversa, aleatória e nem sempre com avaliação da qualidade e efetividade das ações. Este ensaio aborda o tema DD a partir do contexto mundial e avança com uma análise sobre como a questão tem sido trabalhada no Brasil, a partir da percepção e experiência dos autores. A produção científica sobre o tema em nível nacional é incipiente, e acreditamos que a produção de conhecimento na área seja uma prioridade para os próximos anos, visto que o Brasil figura entre os países com maior número de escolas médicas no mundo. O olhar para a experiência internacional é fundamental, mas insuficiente, visto que o contexto brasileiro das escolas médicas e do próprio sistema de saúde é único e precisa ser compreendido e levado em conta nas ações de DD. Conclusão: A avaliação da qualidade e efetividade dos programas de DD em instituições de ensino da saúde é fundamental para a melhoria do ensino e do cuidado em saúde que, em última instância, deve garantir segurança ao paciente e sustentabilidade do próprio sistema de saúde.

Educação experiencial de Carl Rogers como perspectiva para a educação médica

PID: S1981-52712025000200802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Bicalho Oliveira Ribeiro
RESUMO Introdução: As demandas contemporâneas para a educação médica propõem uma formação ampliada que alie conhecimentos e habilidades humanísticos à necessária formação técnica e científica. Desde as Diretrizes Curriculares para a graduação em Medicina promulgadas em 2001, os cursos de Medicina do país atravessam movimentos de reestruturação curricular, buscando, entre outros aspectos, a construção do perfil do profissional empático e sensível a demandas sociais. O ensaio analisa contribuições que a teoria da educação experiencial, proposta pelo psicólogo Carl Rogers, pode fornecer à discussão sobre educação médica. Desenvolvimento: Carl Rogers (1902-1987) é um representante da psicologia humanista, e sua proposta, inicialmente direcionada à psicoterapia, ampliou-se para outros campos e constituiu a Abordagem Centrada na Pessoa. A valorização da experiência vivenciada na relação é uma das premissas de sua teoria, tanto para a psicoterapia quanto para a educação. A aprendizagem acontece quando experienciada e apropriada pelo sujeito, e esse processo é vivenciado pela pessoa toda, cognitiva e sensivelmente. A promoção dessa proposta está ligada a condições facilitadoras, três delas diretamente ligadas à atuação dos professores: compreensão empática, consideração positiva incondicional e genuinidade, que compõem um jeito de ser docente. Essa postura docente seria justificada pela noção de tendência atualizante, que levaria a uma crença nos estudantes como capazes de se direcionar para a aprendizagem. Outras duas condições facilitadoras da educação experiencial estão relacionadas à centralidade do problema e à forma de utilização dos recursos didáticos. A importância da postura docente e das relações professor-estudante é reconhecida por estudos no campo da educação médica, de maneira coerente com a proposta de Carl Rogers. Conclusão: A teoria da educação experiencial pode contribuir para a compreensão das possibilidades da educação médica, no sentido da formação dos estudantes no campo das aprendizagens necessárias para a formação humanística e reflexiva.

Elaboração do Mapa da Empatia em Saúde na Percepção do Paciente (MES-PP)

PID: S1981-52712025000100208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Bernardes Teixeira Said Peixoto Moura
RESUMO Introdução: A capacidade empática autoavaliada e os comportamentos empáticos dos médicos se correlacionam mal ou não se correlacionam com as perspectivas dos pacientes sobre o aspecto das interações médico-paciente. Assim, qualquer avaliação da empatia do médico deve considerar as perspectivas dos pacientes. Isso permite uma compreensão mais concreta da interação médico-paciente. Objetivo: Este estudo teve como objetivo elaborar um instrumento baseado no Mapa da Empatia em Saúde (MES) para avaliação do atendimento empático do estudante de medicina na perspectiva do paciente. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa e descritiva para construção de um instrumento capaz de avaliar a empatia clínica de estudantes de Medicina na perspectiva do paciente. O estudo teve três fases: 1. elaboração do Mapa da Empatia em Saúde na Percepção do Paciente (MES-PP): adaptação do MES; 2. adequação do conteúdo do instrumento: utilizando a técnica de painel de especialistas; 3. avaliação do grau de clareza e da exequibilidade do instrumento na população-alvo, no cenário de aprendizagem: distribuição para pacientes no cenário ambulatorial. Resultado: A adequação do instrumento para ser utilizado pelos pacientes, nos cenários de ensino em saúde, levou em consideração os pilares conceituais da empatia - tomada de perspectiva, compartilhamento emocional e preocupação empática -, bem como as sugestões dos especialistas e os pré-testes realizados com pacientes. Todas as sugestões foram debatidas pelos pesquisadores e acatadas, após consenso de que indicavam avanços e melhorias do instrumento, no sentido de viabilizar a utilização pelos pacientes em cenários de aprendizagem em saúde. A versão final do MES-PP apresenta quatro quadrantes contendo questões fechadas/emojis abordando os sentimentos e as necessidades do paciente perante o quadro clínico, bem como a percepção e a conduta do profissional de saúde em relação aos aspectos biomédicos, afetivos e sociais. Conclusão: A versão final do MES-PP mostrou-se de fácil entendimento e aplicação no contexto do ensino assistencial e foi considerada pelos participantes das diferentes fases do estudo uma ferramenta educacional com grande potencial instrucional no que tange ao desenvolvimento de empatia, no cenário de aprendizagem clínica.

Elaboração e validação de quiz de cunho interprofissional sobre aleitamento materno para estudantes de saúde

PID: S1981-52712025000100202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Falbo Neto Maia Veloso Barbosa Cavalcanti Serva
RESUMO Introdução: A prevalência do aleitamento materno exclusivo e do aleitamento materno no mundo está bastante aquém do desejado e preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), gerando consequências negativas para as mulheres, as crianças e a comunidade. A falta de capacitação dos profissionais de saúde para manejar as dificuldades enfrentadas pelas mães durante o processo de aleitamento é um dos fatores para o insucesso das taxas atuais. Evidencia-se, portanto, a necessidade do desenvolvimento de estratégias para aperfeiçoar a formação dos profissionais de saúde no que se refere ao tema “amamentação”. Precisam ser elaborados e implementados instrumentos inovadores, interprofissionais e fundamentados nas necessidades da atual geração de graduandos da área de saúde, que utilizam constantemente as tecnologias digitais. Objetivo: Assim, objetivou-se elaborar e validar um quiz de cunho interprofissional sobre aleitamento materno para estudantes da área de saúde, buscando melhorar as taxas de aleitamento materno na Região Nordeste do Brasil. Método: Elaboração e validação de um quiz de cunho interprofissional para a construção de conhecimentos sobre aleitamento materno na modalidade de educação a distância (EaD), utilizando o desenho instrucional baseado no ADDIE. A amostra responsável pela elaboração do quiz foi composta por grupo de especialistas em tecnologia da informação (TI), e um grupo de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde e da Faculdade Pernambucana de Saúde realizou a validação do conteúdo teórico e das técnicas de EaD. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Pernambucana de Saúde (CAAE n° 62652122.8.0000.5569). Resultado: Elaborou-se um quiz de cunho interprofissional com suporte de animações sobre aleitamento materno que propiciará a aquisição de conhecimentos fundamentais sobre essa temática para uso profissional e aconselhamento populacional. Conclusão: O quiz “Via Láctea - O caminho do aleitamento materno” apresenta regras de fácil compreensão, e sua aplicação contribuirá significativamente para a capacitação dos futuros profissionais de saúde no que se refere ao manejo do aleitamento materno.

Empatia, abertura à espiritualidade e bem-estar em médicos que atuam em hospitais universitários: um estudo multicêntrico

PID: S1981-52712025000200201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Felix Gouveia Cardeliquio Santos Paes Santos Gouveia Veiga
RESUMO Objetivo: Este estudo multicêntrico - do qual participaram médicos de hospitais universitários brasileiros - avaliou empatia, abertura à espiritualidade e bem-estar que são aspectos fundamentais na formação médica. Métodos: Trata-se de um estudo multicêntrico transversal que incluiu mil médicos de qualquer idade ou sexo, com pelo menos seis meses de atuação em hospitais universitários públicos ou privados afiliados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Utilizou-se a Escala de Empatia, Abertura à Espiritualidade e Bem-Estar na Medicina (ESWIM), validada no Brasil, com pontuações de 1 a 5. Nessa escala, pontuações mais altas indicam maior empatia, abertura à espiritualidade ou bem-estar. A análise estatística incluiu os testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, com nível de significância de 0,05. Resultados: Dos mil médicos convidados, 445 completaram a pesquisa. As medianas (intervalo interquartil) foram 3,90 (0,60) para empatia, 4,00 (0,67) para abertura à espiritualidade e 3,00 (0,86) para bem-estar. Não houve diferenças significativas na empatia entre sexos (p = 0,047). Fatores como dinâmica familiar (p = 0,003), funções acadêmicas (p = 0,004) e status parental (p = 0,003) estiveram associados a maiores pontuações de empatia. Médicos mais jovens mostraram maior abertura à espiritualidade (p = 0,019), e houve variações regionais. As pontuações de bem-estar foram influenciadas por sexo, experiência, idade, especialidade, grau acadêmico e atuação na linha de frente da Covid-19, com clínicos da linha de frente apresentando menores pontuações de bem-estar (p < 0,001). Conclusão: Empatia, abertura à espiritualidade e bem-estar em médicos de hospitais universitários brasileiros são influenciados por diversas características.

Ensino de cuidados paliativos na graduação: desafios e caminhos apontados por estudantes e docentes médicos

PID: S1981-52712025000300213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Castro Campos Alves Marassi Rocha Silva
RESUMO Introdução: Este artigo analisa os desafios e fatores que favorecem a integração do ensino de cuidados paliativos (CP) no currículo médico de uma instituição pública, destacando sua importância para uma formação humanizada e alinhada às demandas atuais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar os desafios e fatores que contribuem para incluir CP na educação médica. Método: Trata-se de um estudo descritivo e exploratório com abordagem qualiquantitativa. Resultado: Os dados foram agrupados em três categorias: 1. percepção dos docentes sobre ensino e desafios, 2. estratégias para estruturar o ensino de CP e 3. caminhos sugeridos. Embora o ensino de CP seja essencial para humanizar a prática médica, enfrenta ações limitadas e barreiras culturais. Entre os desafios, estão a capacitação em comunicação de notícias difíceis e a superação do modelo focado na obstinação terapêutica. Manejo da dor, abordagem familiar e espiritualidade foram priorizados. Conclusão: O estudo destaca a necessidade urgente de mudanças curriculares para integrar o ensino de CP, de modo a alinhar-se às Diretrizes Curriculares Nacionais e melhorar a formação médica e institucional.

Especialidades mais desejadas e fatores que influenciam essa escolha numa faculdade pública brasileira

PID: S1981-52712025000300206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Leite Falleiros Mendes Lima Soares Oliveira
RESUMO Introdução: A decisão da carreira médica por parte dos(as) estudantes de Medicina repercute não apenas no(a) egresso(a) dessa graduação, mas também na sociedade em geral, já que a população deve ser assistida com uma combinação adequada de especialistas, a fim de reverter a escassez e a má distribuição de profissionais no Brasil. Nesse sentido, pensar acerca de quais áreas da medicina os(as) estudantes almejam seguir, bem como onde pretendem atuar, torna-se extremamente relevante. Ao longo do curso, o contato dos(as) estudantes com todos os níveis de serviço é impactado por diversos aspectos que interferem, positiva ou negativamente, nessa capacidade de escolherem suas futuras especialidades médicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar as áreas de atuação de maior preferência dos(as) estudantes de graduação do curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) nos 12 períodos e analisar os fatores que influenciam a escolha das especialidades médicas durante a graduação. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo exploratório com a aplicação de questionário quantitativo com 401 respostas válidas de discentes de Medicina do primeiro ao 12º período da UFU. Resultado: As principais especialidades desejadas foram cirurgia geral (9,8%), ginecologia e obstetrícia (8,7%), cardiologia (8%), pediatria (6,4%), neurologia (6,4%), psiquiatria (6,1%) e clínica médica (5,5%). A atuação na área de atenção primária foi a menos desejada (4,5%). Os fatores de influência com maior impacto nessas preferências identificadas foram afinidade pela área, ambiente de trabalho, conhecimento mais amplo ou específico e oportunidade de emprego. Conclusão: Esses achados podem orientar políticas de formação médica e decisões de estudantes, sendo necessárias pesquisas futuras para comparação em diferentes contextos e currículos.

Estilo de vida entre universitários: um desafio para os futuros profissionais da saúde

PID: S1981-52712025000100213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Mota Costa Carvalho Leite Lage Almeida
RESUMO Introdução: Os acadêmicos da área da saúde são os futuros profissionais responsáveis por orientar a população quanto à importância do estilo de vida saudável. Entretanto, as mudanças promovidas pela vida universitária podem representar um desafio para a manutenção de hábitos saudáveis, o que torna fundamental conhecer o estilo de vida desses universitários de forma a refletir sobre a qualidade da atenção à sua própria saúde e formação acadêmica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar de forma abrangente o estilo de vida e fatores associados entre acadêmicos da área da saúde. Método: Trata-se de estudo transversal, analítico e quantitativo, com amostra de 618 estudantes de uma universidade pública do Brasil. Para análise do estilo de vida, utilizou-se o instrumento Estilo de Vida Fantástico. Sintomas depressivos foram avaliados por meio do Patient Health Questionnaire 9 (PHQ-9), e sintomas de estresse e de ansiedade, por meio da Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21). Avaliaram-se, ainda, dados sociodemográficos, ideação suicida, entre outros. Realizou-se análise descritiva dos dados, assim como regressão de Poisson para análise bruta e ajustada. O estilo de vida foi considerado a variável dependente, e seu nível inadequado, a categoria de análise. Resultado: Observou-se prevalência de estilo de vida inadequado entre um quarto dos universitários. No modelo multivariado, verificou-se correlação significativa positiva entre a prevalência de estilo de vida inadequado e as variáveis depressão, pensamento de suicídio, ansiedade, insatisfação com a imagem corporal e sobrepeso; e correlação negativa com a variável bem-estar. Conclusão: Esses achados permitiram identificar que os comportamentos de saúde têm inter-relação com as dimensões física, psicológica e social dos estudantes.

Estudante silencioso: tímido ou negligente?

PID: S1981-52712025000200208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Figueiredo Falbo Neto Maia
RESUMO Introdução: Nas últimas décadas, o método de Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) vem se consolidando no cenário educacional mundial e brasileiro. O conhecimento do estudante e sua participação passam a ser peças centrais no processo de aprendizado, tornando a fala e a escuta relevantes na aprendizagem. Alguns indivíduos demonstram dificuldades no processo de fala e participação, sendo, genericamente, definidos como “estudantes silenciosos”. Na literatura, entretanto, ainda não existe uma definição clara da expressão. O estudante silencioso passa então a ser definido como negligente e pouco dedicado aos estudos, sendo visto como objeto de disfuncionalidade do grupo tutorial. Contudo, o estudo do silêncio e das ferramentas de comunicação tem apontado outros caminhos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a média do desempenho global do estudante silencioso em comparação com a média de desempenho de seus pares. Método: Trata-se de um estudo de corte transversal com componente analítico, realizado na Faculdade Pernambucana de Saúde. Participaram do estudo tutores com um ano ou mais de experiência na metodologia ABP e discentes com um semestre ou mais de estudo na metodologia. Excluíram-se os alunos transferidos durante o período de estudo, em licença médica/licença-maternidade e os afastados por interrupção do curso. Elaboraram-se um checklist e um vídeo tutorial que foram enviados, por meio de e-mail institucional, a todos os tutores do primeiro ao quarto ano de Medicina para a identificação dos estudantes silenciosos de seus respectivos grupos. Após recebimento das respostas dos tutores, solicitaram-se os dados sociodemográficos e as notas das avaliações do grupo tutorial (presencial e fórum), da avaliação cognitiva e do Teste de Habilidades e Competências de todos os estudantes do período definido. Os dados obtidos foram analisados com enfoque comparativo no desempenho global do estudante silencioso em relação a seus pares. O estudo seguiu a Resolução nº 510/2016 e foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da instituição e devidamente aprovado sob CAAE nº 47885021.0.0000.5569. Resultado: Quando comparamos o estudante silencioso com seus pares, identificarmos que a média das notas foram similares, não havendo significância estatística relacionada à diferença entre os dois grupos. Conclusão: Do ponto de vista teórico, o estudante silencioso acompanha as tendências de seus pares, aparentemente se capacitando e se qualificando ao longo da faculdade.

Estudantes de medicina versus chatbots na resolução de um teste médico: um estudo comparativo

PID: S1981-52712025000400210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Maison Silva Glir Moré
RESUMO Introdução: A educação médica é avaliada globalmente por Exames Nacionais de Licenciamento Médico e Testes de Progresso. Recentemente, a inteligência artificial generativa (generative artificial intelligence - GAI), incluindo Large Language Models (LLM) e chatbots, mostrou potencial como ferramenta de suporte na educação médica, ao passo que estudos indicaram que seu desempenho é comparável ao de estudantes de Medicina em exames. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a efetividade de diferentes chatbots de LLM na resolução de questões do Teste de Progresso Napisul-II, comparando seu desempenho com o de estudantes do último semestre de Medicina, com vista à aplicabilidade pedagógica de LLM no ensino médico. Método: Foram utilizados dados do Teste de Progresso Napisul-II de 2023, aplicados em estudantes de Medicina do Sul do Brasil. Quatro chatbots (ChatGPT 3.5, ChatGPT 4.0, Bing AI e Bard) responderam três vezes ao teste. As respostas foram comparadas com as dos estudantes do último semestre do curso, de acordo com as áreas médicas inerentes ao TP e as categorias de raciocínio definidas pelos autores. A análise dos dados foi descritiva, utilizando taxas de acerto para comparar os grupos. Resultado: Os chatbots tiveram uma média de 80,81% de acertos em 116 questões, enquanto os estudantes de Medicina obtiveram uma média de 62%. O Bing AI teve a melhor performance, com 87,35% de acertos, seguido pelo ChatGPT 4.0 com 85,86%. Em áreas específicas, o ChatGPT 4.0 destacou-se em clínica cirúrgica (88,33%) e clínica médica (86,67%), enquanto o Bing AI teve o melhor desempenho entre os chatbots em ciências básicas (94,44%), ginecologia e obstetrícia (94,74%), saúde coletiva (83,33%) e pediatria (82,46%). O Bard, apesar de apresentar a maior amplitude de variação entre as áreas, e o ChatGPT 3.5, inferior aos outros chatbots, também superaram os estudantes em todas as categorias. Conclusão: Todos os chatbots estudados tiveram um desempenho superior ao dos discentes de Medicina do 12º semestre do bloco Napisul-II no Teste de Progresso. O Bing destacou-se com o melhor desempenho entre os chatbots, seguido pelo ChatGPT 4.0. Isso indica que os chatbots têm potencial de ser uma ferramenta auxiliar na educação médica, embora sejam necessários mais estudos para avaliar as possibilidades dela nesse contexto.

Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE) remoto para avaliar comunicação de más notícias em projeto universitário

PID: S1981-52712025000400218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Rocha Sena Pereira Moreira
RESUMO Introdução: As instituições de educação médica, historicamente, possuem falhas no incentivo ao desenvolvimento de competências em comunicação dos seus discentes, sobretudo dentro da comunicação de más notícias. O projeto “Dying: a human thing’’, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), complementa o ensino das habilidades de comunicação de notícias difíceis com metodologias ativas de ensino e avaliação por meio de simulações virtuais. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o desempenho dos discentes participantes do projeto “Dying: a human thing’’ no OSCE remoto e caracterizar a percepção dos estudantes sobre o próprio desempenho nas simulações virtuais. Método: Trata-se de um estudo com metodologia mista, quantiqualitativa, de caráter descritivo e exploratório. Foram incluídos na etapa quantitativa os estudantes participantes do projeto “Dying: a human thing” na edição 2021.2, que tiveram seu desempenho em comunicação de más notícias avaliado por um mesmo checklist, em dois OSCE online diferentes, separados por uma capacitação acerca do protocolo SPIKES, a fim de estabelecer uma análise comparativa entre as simulações. O checklist foi preenchido por professores capacitados sobre esse tema. Incluíram-se na etapa qualitativa, por conveniência, aqueles alunos que responderam a um roteiro semiestruturado para a análise de sua experiência nas simulações. A análise quantitativa ocorreu de forma não paramétrica, e, para o conteúdo qualitativo, as descrições dos discentes foram organizadas por categorias temáticas de acordo com o método de Minayo. Resultado: Observou-se melhora nas pontuações dos discentes após a capacitação virtual em comunicação de más notícias, sendo o OSCE remoto uma ferramenta adequada para mensurar o desempenho dos participantes desse projeto de extensão. Os principais sentimentos despertados nesse contexto foram medo e angústia diante desse contexto comunicativo. Conclusão: A comunicação de más notícias ainda é um desafio na prática médica e precisou ser realizada por meios virtuais durante a pandemia causada pelo Sars-CoV-2. Desse modo, aliar o desenvolvimento de habilidades comunicativas à familiarização com o modelo remoto é fundamental para a educação dos futuros médicos.
Reportar erro A