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Fatores protetores e de risco à saúde mental de estudantes de Medicina na perspectiva deles

PID: S1981-52712025000300210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Custódio Cabo Fasanella Almeida Pavan
RESUMO Introdução: Muitos estudos têm evidenciado a alta prevalência de transtornos mentais entre os estudantes de medicina. Diversos fatores conhecidos contribuem para pôr em risco e para proteger os estudantes dos transtornos mentais. Objetivo: Este estudo teve como objetivos analisar, do ponto de vista dos estudantes, os fatores que influenciam a saúde mental deles, em particular fatores associados à estrutura do curso de Medicina, e coletar sugestões para intervenções que possam contribuir para reduzir o sofrimento e promover a saúde mental dos alunos. Método: Trata-se de um estudo transversal, observacional, qualitativo e analítico realizado em um curso particular de Medicina do interior do estado de São Paulo (Brasil), no ano de 2019. Desde 2006 o curso é estruturado em metodologias ativas, com três anos de internato. Os participantes responderam ao questionário online formulado pelos autores. Resultado: Participaram do estudo 263 estudantes (41,7% do total), com distribuição proporcional entre os seis anos do curso. A idade média foi de 22,9 anos (de 18 a 31 anos). A maioria dos participantes (66,5%) era do gênero feminino, e 25,5% (18,4 - 30,4%; IC 95%) reportaram possuir algum transtorno mental, diagnosticado por psiquiatras em 85,5% dos casos: transtornos de ansiedade (11,4%); transtornos depressivos (11,0%); transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (1,9%) e outros. Eis os sintomas mais mencionados pelos estudantes: desânimo (45,3%), irritabilidade (42,6%), angústia (38,4%) e tristeza (32,3%). Os fatores protetores da saúde mental mais lembrados foram: amigos e relações familiares (24%); estrutura do curso (22,6%); professores e funcionários (6,9%); prática de atividade física (6,9%). Eis os fatores agressores mais mencionados: complexidade, pressão do curso e cobrança (23,7%); questões relacionadas ao trabalho em grupos (20%); processo de avaliação do estudante (9,7%); hierarquia opressora e trote (8,1%); e insegurança profissional (6,2%). Estas foram as intervenções sugeridas: discussões sobre o tema ao longo de todo o curso em atividades curriculares (47,8%) e extracurriculares (29,7%); ações terapêuticas em grupo e individuais (21,7%); práticas integrativas (12,8%); e capacitação docente (6,1%). Conclusão: Embora existam fatores universalmente observados que favorecem a saúde mental dos discentes de Medicina e outros que a prejudicam, cada instituição de ensino deve identificar seus principais fatores de risco e protetores, corrigindo as fragilidades e tornando mais robustas as atitudes protetoras aos estudantes.

Formação médica e simulação clínica: partilhando um produto educacional para e com estudantes de Medicina

PID: S1981-52712025000400206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Duarte Batista
RESUMO Introdução: A atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014 para cursos médicos no Brasil destaca a importância de aprendizagens significativas e alinhadas ao Sistema Único de Saúde. Para isso, é fundamental adotar métodos inovadores que promovam a formação de profissionais críticos e autônomos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo apresentar a elaboração e avaliação/validação do Guia prático: processo de aprendizagem em contextos de simulação clínica na formação médica. Método: Este estudo caracterizou-se como um estudo qualiquantitativo de natureza transversal. Foram incluídos estudantes que estivessem cursando (regularmente matriculados) o sexto e o sétimo período no primeiro semestre do ano de 2024. O percurso de elaboração e avaliação/validação do produto educacional (PE) abrangeu três etapas: 1. aplicação da Escala de Satisfação com as Experiências Clínicas Simuladas (ESECS), 2. elaboração do PE - Guia prático: processo de aprendizagem em contextos de simulação clínica na formação médica - e 3. avaliação e validação do PE. Os processos de análise dos dados envolveram análise estatística e análise de conteúdo. Resultado: A etapa 1 envolveu 71 respostas, com 45 participantes do gênero feminino, sendo 74,6% no sétimo semestre e 25,4% no sexto, com idade média de 26 ± 7 anos. Todos relataram que já tinham participado de simulações na graduação em Medicina. Na etapa 2, desenvolveu-se a versão 1 do Guia prático: processo de aprendizagem em contextos de simulação clínica na formação médica com base na literatura. Na etapa 3, a partir de sete entrevistas, identificaram-se núcleos de significados: avaliação da simulação clínica (conforto, alegria e satisfação); aprendizado em simulação (antecipações do trabalho médico); fortalezas e fragilidades dos contextos de simulação; e o guia como instrumento para o aprendizado em medicina. Conclusão: As análises empreendidas sinalizam que uma abordagem bem estruturada e uma preparação adequada são essenciais para que a simulação clínica alcance seus objetivos pedagógicos. A elaboração do Guia prático: processo de aprendizagem em contextos de simulação clínica na formação médica como PE emergiu durante a presente pesquisa. O guia foi validado/avaliado e representa um avanço na estruturação e acessibilidade das informações para os estudantes sobre simulação clínica na educação médica.

Funcionalidade dos distratores ao longo de quatro anos: Teste de Progresso do Consórcio do Centro-Oeste

PID: S1981-52712025000400204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Souza Gaudard
RESUMO Introdução: O teste na modalidade de múltipla escolha permite avaliar uma ampla gama de conhecimentos. Quando bem elaborado, possibilita inferências válidas sobre a capacidade dos examinandos. Os distratores - alternativas incorretas entre as opções de resposta - devem ser desafiadores e plausíveis, sendo um ponto-chave para a qualidade do teste. Este estudo teve como objetivo avaliar a funcionalidade dos distratores no Teste de Progresso ao longo de quatro anos. Método: A escolha das opções de resposta dos estudantes do sexto ano do curso de Medicina que realizaram teste em 2017, 2018, 2019 e 2021, ou seja, teste 1, 2, 3 e 4, respectivamente, foi analisada. Classificaram-se os distratores como não funcionais quando escolhidos em menos de 5% das vezes ou não assinalados. A efetividade dos distratores foi de 0, 33,3, 66,6 e 100% para 0, 1, 2 e 3 distratores. Calcularam-se o alfa de Cronbach, a dificuldade e a discriminação. A comparação entre grupos foi realizada pela Anova. Resultado: Considerando a ordem dos testes: 1. participaram 680, 1.006, 1.548 e 1.073 estudantes; 2. obtiveram-se os seguintes alfas de Cronbach: 0,85, 0,84, 0,82 e 0,81; 3. analisaram-se 96, 99,100 e 98 questões, e identificaram-se 288, 297, 300 e 294 distratores; 4. dos distratores, consideraram-se funcionais 68%, 74%, 74% e 80%; 5. média e desvio padrão da dificuldade: 0,63 ± 0, 23, 0,57 ± 0,21, 0,58 ± 0,21 e 0,54 ± 0,23; 6. média e desvio padrão da discriminação: 0,22 ± 0,12, 0,21 ± 0,12, 0,20 ± 0,12 e 0,19 ± 0,13; 7. média e desvio padrão dos distratores: 2 ± 0,97, 2,2 ± 0,84, 2,2 ± 0,75 e 2,4 ± 0,83. Houve diferença estatística do teste 1 para o 4 em relação à dificuldade (p = 0,014) e ao distrator (p = 0,016). Conclusão: Houve incremento na proporção de distratores ao longo do tempo, com pico no quarto teste, que foi acompanhado de redução da dificuldade e discriminação. Uma revisão qualitativa permanente das questões se faz necessária para a adequação quanto à solidez estrutural e ao conteúdo.

Impacto da participação em baterias universitárias na saúde mental e desenvolvimento de acadêmicos de Medicina

PID: S1981-52712025000400214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Delany Garcia
RESUMO Introdução: Os estudantes de Medicina estão frequentemente expostos a altos níveis de estresse, o que pode comprometer a saúde mental e o desempenho acadêmico deles. Atividades extracurriculares, como a participação em baterias universitárias, têm se mostrado potenciais estratégias de apoio psicossocial, mas ainda são pouco exploradas academicamente. Objetivo: Este estudo tem como objetivo compreender o impacto pessoal e acadêmico da participação em baterias universitárias por estudantes de Medicina. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com coleta de dados por meio de formulário eletrônico contendo cinco questões abertas, respondido por 30 estudantes e egressos do curso de Medicina que participaram da bateria universitária. A análise seguiu os princípios da análise temática de conteúdo, identificando os principais temas e subtemas emergentes das respostas. Resultado: A participação nas baterias universitárias promoveu integração social, sentimento de pertencimento, desenvolvimento de habilidades interpessoais e alívio do estresse, sendo frequentemente associada à melhora da saúde mental. Além disso, os participantes relataram impactos positivos no desempenho acadêmico, como maior foco e motivação, e no desenvolvimento profissional, especialmente no aprimoramento da comunicação, empatia e capacidade de lidar com adversidades. Conclusão: As baterias universitárias representam um espaço de apoio emocional, aprendizado significativo e crescimento integral, com efeitos positivos sobre a trajetória acadêmica e profissional dos estudantes. O incentivo a tais atividades pode contribuir para o bem-estar e a formação de médicos mais humanos, resilientes e preparados para os desafios da prática.

Impacto do ensino de ultrassonografia à beira do leito sobre trombose venosa profunda na graduação médica

PID: S1981-52712025000400216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: França Fausto Tonon Rohnelt Kihana Longhi Pereira
RESUMO Introdução: A tríade de Virchow caracteriza a trombose venosa profunda (TVP) por hipercoagulabilidade, estase venosa e injúria endotelial. O ultrassom vascular é um método “padrão ouro” para o diagnóstico dos pacientes que apresentam essa condição, e vários estudos demonstram o benefício do ensino da utilização do ultrassom para a graduação. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar a contribuição do ultrassom para o ensino médico e o diagnóstico precoce de TVP. Método: Trata-se de um estudo transversal que envolve alunos de Medicina, com o propósito de capacitá-los a utilizar o ultrassom e realizar os pré e pós-testes para analisar a contribuição do método para o ensino nas suspeitas diagnósticas de TVP, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Resultado: Observou-se que, após a intervenção educacional sobre ultrassonografia Point of Care (Pocus), o conhecimento dos estudantes aumentou significativamente, refletindo uma melhora nos acertos de questões específicas sobre sinais, sintomas e locais de pesquisa da condição. Essa evolução é evidenciada pelo aumento expressivo na média de acertos do pós-teste e pela significância estatística dos resultados (p < 0,001). Conclusão: O estudo concluiu que a capacitação dos alunos a respeito da utilização da ultrassonografia Pocus proporcionou uma melhora significativa no conhecimento sobre o diagnóstico de TVP, ressaltando a importância de incluir esse treinamento no currículo médico como ferramenta de aprendizado sobre TVP.

Implementação do internato longitudinal integrado em duas escolas médicas: a primeira experiência no Brasil

PID: S1981-52712025000300402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Gianotto-Oliveira Bizário Buck Machado Machado
RESUMO Introdução: O internato longitudinal integrado (longitudinal integrated clerkship - LIC) é um modelo que enfatiza a continuidade na relação entre estudantes, pacientes e preceptores. Diferentemente do modelo tradicional, que é estruturado em rotações curtas e focadas em especialidades específicas, o LIC proporciona uma experiência de aprendizado contínua e integrada. Essa abordagem permite aos estudantes uma imersão mais profunda e abrangente nas diversas áreas da medicina, de modo a promover o manejo de doenças crônicas, o cuidado preventivo e a compreensão das necessidades dos pacientes ao longo do tempo, o que fortalece a formação médica holística. Relato de experiência: Este artigo relata a primeira implementação do LIC no Brasil, em duas escolas médicas privadas situadas em cidades paulistas de médio porte. Descrevem-se detalhadamente o planejamento curricular e as estratégias pedagógicas, como simulações clínicas semanais, discussões de casos e atividades teóricas integrativas. Houve participação ativa dos estudantes desde a etapa inicial de planejamento, respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014. O relato destaca os desafios logísticos e culturais enfrentados, assim como as adaptações feitas ao longo do processo. Discussão: Observou-se que o LIC trouxe benefícios claros para a formação dos estudantes, como maior integração entre especialidades e níveis de atenção, fortalecimento da longitudinalidade do cuidado e desenvolvimento significativo de competências clínicas. Contudo, houve dificuldades associadas à resistência institucional, à complexidade organizacional e à garantia de exposição equilibrada às diferentes especialidades. Os resultados obtidos foram similares às experiências internacionais, reforçando a viabilidade e relevância desse modelo em contextos brasileiros semelhantes. Conclusão: A experiência pioneira demonstra que o LIC é um modelo viável e promissor no Brasil, destacando a importância da flexibilidade curricular, do planejamento cuidadoso e do envolvimento constante dos estudantes para sua efetiva implementação.

Lei do Mais Médicos: avaliando o cumprimento dos critérios municipais para funcionamento de escolas médicas

PID: S1981-52712025000200207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Silva Santos Quintanilha
RESUMO Introdução: A Lei do Mais Médicos (LMM) conferia que as autorizações para o funcionamento do curso de Medicina deveriam ser precedidas de chamamento público para os municípios e para as instituições de ensino, com requisitos obrigatórios para a seleção. Objetivo: Este artigo objetivou investigar o cumprimento dos critérios estabelecidos no primeiro chamamento público pelos municípios selecionados e com escolas médicas implantadas por meio da LMM. Método: Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, com abordagem analítica de procedimentos de pesquisa documental, em que se utilizaram os documentos de legislação e os dados públicos do Ministério da Saúde como fonte de dados. Resultado: Pôde-se apreender que todos os municípios selecionados no primeiro chamamento continuaram cumprindo os critérios mínimos estabelecidos para os indicadores “número de equipes de atenção básica”, “existência de Caps” e “hospital de ensino”. Já para o indicador “número de leitos disponíveis do SUS por aluno igual ou superior a cinco”, constata-se que há uma fragilidade para essa análise com possíveis impactos negativos nos cenários práticos de ensino. Conclusão: Reitera-se a necessidade de se instituir um observatório para o monitoramento das condições mínimas dos equipamentos públicos de saúde, dos municípios que sediam escolas médicas oriundas dessa lei, para se assegurar a qualidade da formação médica no que tange à oferta adequada de cenários de prática e equipes de saúde.

Medicina do adolescente: matriz de competências para a graduação médica

PID: S1981-52712025000400217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Pinho Caldato Pinho Gato
RESUMO Introdução: A educação baseada em competências visa à formação de um indivíduo que, além de dominar os conhecimentos, possua as habilidades e atitudes necessárias para enfrentar os desafios complexos que aparecerão na vida profissional. Objetivo: O presente trabalho teve como objetivo contribuir para a criação de uma matriz de competência para o ensino da medicina do adolescente durante a graduação médica, a fim de que o egresso possa, ao final do curso, executá-la com autonomia e segurança. Método: O trabalho consiste num estudo exploratório quantitativo efetuado em quatro fases: 1. realizaram-se o levantamento bibliográfico e a criação da matriz-piloto; 2. fez-se uma pesquisa com especialistas (pediatras e médicos de adolescentes); 3. participou da pesquisa uma banca de juízes locais; 4. analisaram-se os resultados e elaborou-se a matriz definitiva. Ao final, foi proposta uma matriz composta por 24 competências essenciais em medicina do adolescente estruturada sobre três eixos temáticos. Resultado: Os resultados permitiram traçar um perfil de competências de acordo com o objetivo proposto e possibilitarão preencher uma lacuna existente na formação profissional, garantindo um treinamento em medicina do adolescente. Conclusão: Os achados deste estudo apontam para a necessidade de se refletir sobre a formação do médico generalista com a utilização de uma matriz de competências.

Mentoria entre pares com estudantes de Medicina e Enfermagem: um projeto-piloto

PID: S1981-52712025000100215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Mendes Meira Versiani Silva
RESUMO A mentoria entre pares promove, por meio de um vínculo horizontal entre estudantes, o desenvolvimento de habilidades relacionadas à autonomia e à gestão pessoal dos estudos e da vida cotidiana. Um projeto-piloto de mentoria interprofissional entre pares foi desenvolvido na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), com o intuito de facilitar a transição acadêmica de discentes de Medicina e Enfermagem. Este estudo exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa, descreve como se deu a implementação do Projeto Mentoria da ESCS em 2022 e investiga o perfil sociodemográfico dos participantes, além de analisar a percepção deles sobre a experiência. Estudantes de graduação em Medicina e Enfermagem que participaram desta edição do projeto como mentores (veteranos) e mentorandos (calouros) compõem a amostra do estudo. Foram ao todo 14 mentores de Medicina e uma mentora de Enfermagem, bem como sete mentorandos de Medicina e seis de Enfermagem. O perfil predominante corresponde a estudantes do gênero feminino, com idade média de 23 anos, oriundas do Distrito Federal e que vivem com os familiares. Ocorreram encontros quinzenais em pequenos grupos mistos e encontros mensais com todos os participantes para discussão de temas de interesse coletivo. Os mentores e mentorandos afirmaram que a mentoria forneceu um ambiente de apoio mútuo e lhes proporcionou conhecimentos úteis para sua formação. A experiência oportunizou ainda a integração entre os cursos e permitiu uma troca de vivências que antecipa o futuro trabalho em equipe, promovendo o entendimento dos diferentes papéis profissionais e reforçando a importância da colaboração interprofissional. Os principais desafios relatados foram a dificuldade de agendar os encontros quinzenais e a limitação da participação de veteranos de Enfermagem. O projeto de extensão obteve êxito e confirma que a mentoria entre pares é uma ferramenta importante no acolhimento dos estudantes ingressantes e na sua adaptação ao contexto do ensino superior. O desafio que permanece é encontrar um formato (virtual, presencial, híbrido) de mentoria para a ESCS, com vistas a aumentar a participação e a aproximação de estudantes cujos cursos funcionam em campi diferentes, com agendas curriculares exigentes e distintas.

Metacognição na simulação clínica: eventos metacognitivos durante o briefing, a prática simulada e o debriefing

PID: S1981-52712025000300201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Cordeiro Santos Peixoto
RESUMO Introdução: A simulação clínica envolve diversos processos cognitivos e metacognitivos. No entanto, a metacognição, embora presente, muitas vezes não é valorizada pelos docentes nem reconhecida pelos discentes. Identificar a metacognição e apropriar-se dela transforma a aprendizagem, melhora o desempenho em simulações e aprimora a formação do futuro médico, tornando-o mais preparado para atendimentos complexos. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar, classificar e descrever se e como o processo metacognitivo ocorre na simulação clínica. Método: Trata-se de um estudo observacional, longitudinal, descritivo e qualitativo, realizado com acadêmicos de Medicina no estado do Paraná. Na coleta de dados, foram acompanhadas 16 simulações clínicas de duas unidades curriculares, ao longo de todo o semestre, dando origem a um diário de campo. Este foi analisado a partir do uso de categorias teóricas metacognitivas e pelo afloramento de categorias empíricas. Resultado: Os tipos de eventos localizados foram categorizados em conhecimento metacognitivo (40,7%), habilidades metacognitiva (30,3%) e experiência metacognitiva (29%). Referente aos subtipos de eventos, a maioria das ocorrências foi de conhecimento metacognitivo do tipo tarefa (61,8%), em especial na etapa de prática simulada, apontando intensa recuperação de conhecimento prévio e necessidade de tomada de decisão alinhada ao objetivo. Sobre a habilidade metacognitiva, o tipo de evento mais prevalente foi a avaliação (45,7%), o que denota preocupação com a escolha de condutas posteriores ao raciocínio clínico. No que concerne às experiências metacognitivas, a maioria dos eventos foi do tipo sentimento de dificuldade (71,5%), com manifestação principalmente na etapa do debriefing, além de apontar pouca familiaridade (3,9%) e confiança (14,7%). Conclusão: O estudo descreve e mensura a presença da metacognição ao longo das três etapas da simulação clínica. Além disso, analisa como eventos metacognitivos são influenciados por fatores externos que promovem a manifestação explícita da metacognição, especialmente por meio do discurso dos participantes. Os resultados destacam o papel central de conflitos e liderança na dinâmica metacognitiva, evidenciando como esses fatores moldam as interações, a autorregulação e o desenvolvimento de competências metacognitivas no contexto da simulação. Dessa forma, o estudo reforça a relevância da metacognição no aprimoramento do aprendizado com simulação clínica e aponta caminhos para o aperfeiçoamento dessa estratégia educacional.

Motivação intrínseca do estudante de Medicina no grupo tutorial remoto durante a pandemia pelo Sars-CoV2

PID: S1981-52712025000200205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Castro Pessoa Rodrigues Medeiros Caminha Falbo
RESUMO Introdução: Em se tratando de uma metodologia ativa que propõe desenvolvimento da autonomia do estudante, a motivação se torna crucial para a efetividade dos processos de aprendizagem. Em 2020, diante do contexto de pandemia pelo novo coronavírus, houve a necessidade de adaptação para o ambiente remoto de aprendizagem. Nesse novo cenário, colocou-se em pauta a motivação intrínseca dos estudantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a motivação intrínseca do estudante de Medicina em tutorias remotas na Aprendizagem Baseada em Problemas durante a pandemia pelo Sars-CoV2. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado na Faculdade Pernambucana de Saúde envolvendo estudantes de Medicina selecionados randomicamente entre julho de 2021 e agosto de 2022. Utilizou-se o Inventário de Motivação Intrínseca (IMI), traduzido, adaptado transculturalmente e validado. A análise do IMI foi feita por meio do cálculo da média aritmética dos 45 itens, compondo o escore médio geral (EMG), e definiu-se cada subescala/domínio por meio da média aritmética do conjunto de itens que a compõe, determinando o escore médio por subescala (EMS). Foram definidos os seguintes pontos de corte: ≤ 3,0 (não verdadeiro/não motivado), > 3,0 e < 6,0 (algo verdadeiro/motivado) e > 6,0 (muito verdadeiro/muito motivado). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Pernambucana de Saúde: CAAE 50408021.7.0000.5569 e Parecer nº 4.934.317. Resultado: Foram envolvidos 115 estudantes de Medicina. Em relação à motivação avaliada pelo IMI: três estudantes estavam desmotivados (EMG <= 3,0), correspondendo a 2,6%, 111 estudantes estavam motivados (EMG > 3,0 e < 6,0), correspondendo a 96,5% deles, e um estudante se mostrou muito motivado (EMG >= 6,0), correspondendo a 0,86%. Os estudantes, em sua maioria, afirmaram que tinham local próprio para estudo, sem ruídos e que conseguiam ficar sozinhos nesse ambiente (respectivamente 69,6%, 62,6% e 88,7%). A maior parte relatou ter internet de boa qualidade (78,3%), o computador foi o equipamento mais utilizado (93,0%) e com bom funcionamento referido por 92,0% dos estudantes. Conclusão: Os estudantes se mostraram motivados para os grupos tutoriais a despeito do contexto da pandemia pelo Sars-CoV2. Fatores socioeconômicos favoráveis em relação à estrutura da residência do estudante, como acesso à internet e computador, podem ter contribuído para a motivação.

O ensino do exame de fundo de olho na graduação médica: tendências na literatura

PID: S1981-52712025000200301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Oliveira Domingues Almeida Sobrinho Argentino Barbosa
RESUMO Introdução: O exame de fundo de olho (EFO) é um recurso semiológico importante e deve ser uma competência exercida pelo profissional médico, especialmente em contextos clínicos associados a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM) e quadros neurológicos. O ensino do EFO na graduação médica é um tema recorrente e desafiador na literatura com experiências que consideram não somente o ensino da oftalmoscopia direta (OD), mas também técnicas de exame que se baseiam na obtenção e análise de imagens do fundo de olho. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar e analisar na literatura experiências e tendências sobre o ensino do EFO na graduação médica. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva literária que coletou publicações compreendidas no período de 2013 a 2023. Resultado: Foram selecionados 44 estudos publicados no período. O uso de simuladores e de imagens obtidas com dispositivos acoplados a câmeras de telefones celulares apresentou-se em 52,3% dos estudos com conclusões positivas sobre a utilização desses elementos para a aprendizagem do EFO. A OD continua sendo uma técnica recomendada e ensinada, muito embora a maioria dos estudos identifique dificuldades em seu aprendizado e exercício. A maioria das pesquisas utilizou ambientes controlados, teve pouco tempo de seguimento no sentido de averiguar a eficiência dos processos de ensino testados e não definiu com clareza os objetivos educacionais e as metodologias de aprendizagem que devem ser empregados no ensino do EFO. Somente dois estudos foram conduzidos em ambientes autênticos de atendimento. Conclusão: Existem várias experiências relatadas sobre o ensino do EFO amparadas por diversos recursos que se mostraram pedagogicamente adequados. Estudos longitudinais e metodologicamente uniformes devem ser conduzidos para a obtenção de resultados reprodutíveis e comparáveis que possam garantir eficiência ao ensino do EFO na graduação médica.

Percepção de estudantes de Medicina sobre o acesso à educação étnico-racial na formação médica

PID: S1981-52712025000300208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Dantas Vieira Melo Santos Junior Alves Silva
RESUMO Introdução: Embora a influência da negritude tenha sido incontestável para a atual conformação populacional do Brasil, as relações étnico-raciais são pouco ou quase nada discutidas em ambiente educacional. No contexto da medicina, por exemplo, a população negra é invisibilizada em diversos aspectos do currículo em saúde, uma vez que a sua representatividade na bibliografia médica é escassa e as disciplinas que abordam o tema são insuficientes ou facultativas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção de estudantes de Medicina sobre o acesso à educação étnico-racial na formação médica. Método: Trata-se de um estudo transversal, de abordagem descritiva e quantitativa, com coleta de dados feita a partir de um questionário digital, semiestruturado e autoaplicável, desenvolvido pela equipe pesquisadora com base em estudos anteriormente publicados e no Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. A população do estudo foi composta por estudantes de Medicina que indicaram a sua percepção quanto à abordagem racial durante os diferentes cenários de aprendizagem do curso médico. As informações coletadas foram revisadas, tabuladas, analisadas e submetidas ao software R versão 4.0.0 para a obtenção de números absolutos e relativos. Observou-se a Resolução nº 510/20616 do Conselho Nacional de Saúde, e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o Parecer nº 6.001.343. Resultado: Participaram da pesquisa 330 estudantes, com média de idade de 23 anos e predominância do sexo feminino (66%). Quando questionados, 57,9% afirmaram reconhecer parcial ou totalmente a presença das pautas étnico-racial nas discussões dos grupos tutoriais, 50,9% dos participantes negaram perceber discussões relativas aos aspectos étnico-raciais nas atividades laboratoriais do ciclo básico, enquanto 50,9% e 82,4% reconheceram, respectivamente, a existência de uma abordagem racial nos ambulatórios de ensino e nas práticas de atenção primária à saúde. Em relação à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, 59,1% da amostra afirmou ter entrado em contato com o documento ao longo da graduação. Conclusão: A percepção dos estudantes de Medicina sobre o acesso à educação étnico-racial se mostrou variável conforme o cenário da graduação, sendo mais expressiva em contexto de atenção primária à saúde.

Percepções distintas de cardiologistas e paliativistas sobre pacientes cardiopatas: oportunidade para integração de saberes

PID: S1981-52712025000400211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Quispe Cristofolini Carvalho Coviello Santi Carvalho
RESUMO Introdução: Dentre as condições que demandam cuidados paliativos (CP), as doenças cardiovasculares têm recebido destaque mais recentemente. A dificuldade de reconhecer a terminalidade em cardiopatias tem sido indicada como fator que compromete a qualidade do cuidado de fim de vida dos pacientes. Objetivo: Objetiva-se avaliar a percepção de cardiologistas sobre a expectativa de óbito e a necessidade de CP para pacientes portadores de cardiopatia avançada e/ou terminal. Método: Trata-se de um estudo observacional prospectivo no qual foram coletados em um dia dados demográficos e clínicos dos pacientes internados em um centro de cardiologia. Os cardiologistas que assistiam esses pacientes responderam a um questionário com duas “perguntas-surpresa” relativas à expectativa de óbito em um ano e na internação atual. A partir do padrão de respostas ao questionário, os pacientes foram classificados em perfis: doença em evolução/avançada não terminal (I/II), terminalidade (III) e fase final de vida (IV). Além disso, foram questionados quanto à necessidade de CP para cada paciente. Um paliativista respondeu às mesmas “perguntas-surpresa” com base em dados dos prontuários. Resultado: Avaliaram-se 242 pacientes (90% dos internados), dos quais 34 evoluíram a óbito na internação. Os cardiologistas e os paliativistas classificaram 35,5% e 4,1% dos pacientes como perfil IV, com acerto na previsão de óbito na internação de 32,6% e 70%, respectivamente. Os cardiologistas reconheceram a necessidade de CP para 93 pacientes, mas solicitaram avaliação dos paliativistas a apenas 13 (14%). Houve baixa taxa de reconhecimento da necessidade desses cuidados (38,4%), mesmo quando os cardiologistas acreditavam que os pacientes tinham expectativa de vida de até um ano (perfil III) ou que faleceriam durante a internação (perfil IV). Conclusão: Os paliativistas são mais assertivos na previsão de óbitos dos pacientes. Apesar de os cardiologistas reconhecerem a necessidade de CP, solicitam interconsultas da especialidade (CP) para minoria dos pacientes, reforçando a necessidade de capacitação específica em competências gerais de CP, maior articulação na condução dos casos, inclusive com auxílio de equipe multiprofissional integrada das duas áreas de conhecimento.

Perfil de silêncio na Aprendizagem Baseada em Problemas: percepção do estudante de Medicina

PID: S1981-52712025000200210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Dubourcq Marques Flor Padilha Caminha Falbo
RESUMO Introdução: O silêncio pode ser considerado uma forma de participação no grupo tutorial (GT) e não uma falha no desenvolvimento da habilidade de comunicação. Um estudante com fala ativa não está necessariamente colaborando com o grupo, pois a participação verbal não é sinônimo de colaboração. Em paralelo, o silêncio pode estar associado ao próprio aprendizado, refletindo uma escuta ativa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender os significados atribuídos pelos estudantes ao comportamento silencioso no GT, na perspectiva da aprendizagem colaborativa. Método: Trata-se de um estudo qualitativo que utilizou o grupo focal como estratégia para coleta das informações, realizado na Faculdade Pernambucana de Saúde entre setembro de 2022 e agosto de 2023, envolvendo estudantes de graduação em Medicina selecionados de forma intencional. Verificou-se o critério de saturação, e, por isso, realizou-se apenas um grupo focal. Utilizou-se a técnica da análise de conteúdo de Bardin, na modalidade temática apresentada por Minayo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com o CAAE nº 38005320.5.0000.5569 e Parecer nº 4.382.850. Resultado: Participaram do grupo focal nove estudantes de Medicina com representação do primeiro ao oitavo período. A partir da análise das falas, foram identificadas as seguintes categorias analíticas: perfis de silêncio e a interferência na dinâmica no GT. Os aspectos contemplados se referem aos de maior demanda nas falas, as quais foram analisadas de acordo com as interpretações e reflexões das pesquisadoras e a sua articulação com os pressupostos teóricos da aprendizagem colaborativa. Conclusão: Os estudantes trouxeram vários perfis de silêncio: por personalidade/timidez; o silêncio pela dinâmica disfuncional do grupo; silêncio por opção; por falta de motivação estabelecendo-se um ciclo; silêncio por falta de estudo. De acordo com os discentes, há mais prejuízo para o próprio estudante silencioso, porém de maneira indireta, o que pode afetar a harmonia do grupo.

Perfil dos egressos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá

PID: S1981-52712025000400205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Marcante Oberthir Badini Gibbert Oliveira Galera Fontes Lima
RESUMO Introdução: O conhecimento da trajetória e atuação dos egressos de um curso de Medicina, assim como sua percepção sobre o ensino oferecido durante a graduação, possibilita a identificação das necessidades e falhas no processo de formação médica. Objetivo: Este estudo objetivou descrever o perfil socioeconômico, de qualificação e de atuação profissional dos egressos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (FM/UFMT), campus Cuiabá. Método: Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e transversal, cujos participantes são médicos formados pela FM/UFMT, entre os anos de 1986 (turma 1) e 2021 (turma 57). Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário online, disponibilizado pela plataforma Google Forms e enviado aos egressos via e-mail. Resultado: Do total de 1.670 egressos, 344 (21%) participaram do estudo, sendo 55% do sexo masculino, 51% casados e com média de idade de 39,6 anos. Entre os entrevistados, 78,2% demonstraram satisfação com a formação recebida e 72,7% atuam como especialistas. Além disso, 82,3% cursaram ou estão cursando residência médica, e apenas 19,5% cursaram mestrado ou doutorado. Em termos de competências, 43,6% se consideram proficientes em gestão de saúde e 54,3% em educação em saúde. Conclusão: O estudo revelou que os egressos, predominantemente do sexo masculino e com idades entre 30 e 40 anos, atuam majoritariamente como especialistas. Identificou-se uma percepção positiva dos ex-alunos em relação à formação oferecida pelo curso e ao preparo para o mercado de trabalho. Recomenda-se a realização periódica de levantamentos sobre o perfil dos egressos, visando promover uma avaliação constante da formação proporcionada pela instituição.

Perfil epidemiológico e desfecho clínico de óbito de pacientes em cuidados paliativos num hospital universitário

PID: S1981-52712025000200206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Marques Amorim
RESUMO Introdução: Os cuidados paliativos visam a uma abordagem em prol da promoção da qualidade de vida de pacientes e de seus familiares perante doenças que ameaçam a continuidade da vida. É de responsabilidade da equipe multidisciplinar, em caso de doenças incuráveis e/ou terminais, oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas desnecessárias. Assim, compreender o perfil epidemiológico desses pacientes e o correto manejo terapêutico se torna urgente. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico, o desfecho clínico e o perfil dos médicos residentes responsáveis pelos cuidados destinados aos pacientes em cuidados paliativos internados no Hospital Universitário de Aracaju (HU-Aju), em Sergipe. Método: Trata-se de um estudo longitudinal com duração de um ano, em que se realizaram a análise de prontuários e a aplicação de questionários para a avaliação de pacientes e dos médicos residentes que estiveram responsáveis pelos seus cuidados. Resultado: Foram estudados 40 pacientes e 17 médicos residentes. Houve significância para a presença de neoplasia com metástase (p = 0,02), o uso de antieméticos (p = 0,0003) e a indicação de cuidados paliativos plenos (p = 0,08). A maioria dos pacientes obteve Índice de Comorbidades de Charlson > 5, Performance Status do Eastern Cooperative Oncology Group ≥ 3, Karnofsky Performance Status < 70% e Palliative Performance Scale ≤ 50%, e todos apresentaram certa tendência à associação, o que poderia possivelmente ser resolvido com um “n” amostral maior. Cerca de 17,64% dos médicos residentes referiram ensino insuficiente de cuidado paliativo durante a graduação, enquanto 29,41% referiram a mesma insuficiência durante a residência médica. Apesar disso, 85,71% das respostas à pergunta-surpresa foram compatíveis com a realidade. A maioria dos pacientes (75%) evoluiu a óbito durante um ano de pesquisa. Conclusão: O grande percentual de óbitos de pacientes e de acertos à pergunta-surpresa pode sinalizar uma indicação tardia dos cuidados paliativos no HU-Aju, provavelmente pelo entendimento equivocado de estes serem uma abordagem terapêutica necessária apenas no processo de terminalidade e fim de vida.

Perfil sociodemográfico e educacional do preceptor de residência de um curso pós-graduação em educação médica

PID: S1981-52712025000300209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Rodrigues Witkowski Fossari Eller Echeverria Barreto
RESUMO Introdução: A residência médica é uma modalidade de ensino e aprendizagem voltada à especialização, em que os médicos são submetidos a treinamento em unidades de saúde credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica. Nesses programas, os preceptores possuem, no mínimo, o título de residência médica. Contudo, não há critérios avaliativos quanto à qualificação pedagógica, à capacitação e à habilidade para exercer a função na maioria desses serviços de pós-graduação. São escassos os estudos sobre a situação sociodemográfica educacional, o grau de satisfação e a remuneração dos preceptores. Objetivo: O estudo tem como propósito descrever o perfil sociodemográfico e educacional do preceptor médico brasileiro, participante de um curso de pós-graduação em preceptoria médica no Brasil, no ano de 2022. Método: Trata-se de um estudo quantitativo e descritivo que visa ao levantamento interseccional, não probabilístico, do perfil sociodemográfico e educacional do preceptor de residência médica brasileira. A coleta de dados foi realizada entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, por meio de questionário eletrônico utilizando o Google Forms dirigido aos participantes de um curso de especialização em preceptoria de residência médica no Brasil. Resultado: Dos 144 entrevistados, 70,8% são do sexo feminino, com prevalência da faixa etária entre 40 e 49 anos. Os participantes atuam principalmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entre eles, 92,3% possuem certificado de residência médica. Quanto ao motivo da atuação, 83,3% afirmaram que gostam de ensinar. Sobre a satisfação pessoal, 64,5% a sentem “na maioria das vezes”. Além disso, 83,3% das instituições em que trabalham são exclusivamente públicas, e 61,1% não recebem salário para tal função. Por fim, 78,4% dos entrevistados afirmaram que não há avaliação de desempenho no local de trabalho. Conclusão: Os preceptores participantes predominantemente gostam da função e possuem experiência e qualificação para tal, embora muitos não tenham capacitação pedagógica específica em preceptoria, e a maioria não recebe salário para executar a tarefa. Os dados obtidos podem contribuir para implementar planos de cargos e carreiras, carga horária específica, tempo para estudo, piso salarial, direitos e deveres, promovendo melhoria do ensino de residentes.

Pesquisa em saúde: a construção de um eixo horizontal e transversal no curso de Medicina

PID: S1981-52712025000300403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Corral Rodrigues Kanikadan Colombo-Souza Massoneto Ribeiro
RESUMO Introdução: A pesquisa desempenha um papel essencial na formação de estudantes de Medicina, proporcionando-lhes oportunidades de aprendizado aprofundado, desenvolvimento de habilidades críticas, compreensão da literatura científica e aplicação prática do conhecimento adquirido. Essas experiências de pesquisa contribuem para uma formação médica mais abrangente e preparam os estudantes para a prática clínica baseada em evidências. O objetivo deste estudo foi descrever a experiência de implementar um eixo de pesquisa em saúde no currículo de um curso de Medicina de uma universidade particular localizada na capital paulista. Relato de experiência: No currículo do curso de Medicina, inseriu-se o eixo de pesquisa em saúde em cinco semestres do curso, iniciando no terceiro e finalizando no sétimo, e realizou-se a apresentação dos produtos no oitavo. Discussão: A partir da implementação do eixo de pesquisa em saúde, percebeu-se uma participação expressiva dos alunos do curso de Medicina no programa institucional de iniciação científica. Também houve aumento na produção científica com artigos publicados em periódicos indexados nacionais e internacionais. Muitos trabalhos também foram apresentados em simpósios acadêmicos, congressos nacionais e internacionais. Apesar dos desafios institucionais, há alguns estudos que apontam para a necessidade de o estudante adentrar no universo da pesquisa científica e a importância do docente como orquestrador do processo de iniciação à ciência. Conclusão: A implementação do eixo de pesquisa em saúde na matriz do curso de Medicina promoveu uma reflexão dos alunos sobre a busca segura por referências científicas relacionadas à teoria e prática clínica, cumprindo dessa forma um papel fundamental no que tange à medicina baseada em evidências.

Procedimentos técnicos em urgências clínicas e cirúrgicas para ensino baseado em simulação

PID: S1981-52712025000100212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Silva Cavalcante Soares
RESUMO Introdução: A educação médica, durante longo período de tempo, caracterizou-se por um modelo de ensino tradicional, com capacidade de retenção de conhecimentos e aplicabilidade questionáveis. Nos últimos anos, mudanças estruturais foram implementadas nos currículos e planos pedagógicos dos cursos de Medicina, a fim de tornar o treinamento do graduando moderno e efetivo. O ensino baseado em simulação é uma ferramenta educacional ativa possível para esse propósito. Objetivo: Diante da escassez da literatura a respeito do assunto, idealizaram-se um estudo baseado na opinião de docentes da Universidade do Estado do Amazonas e a produção de uma lista priorizada de procedimentos técnicos em urgências clínicas e cirúrgicas em adultos a serem ensinados aos alunos por meio de simulação. Método: Para tanto, foi utilizado o método Delphi modificado, um processo de três séries de questionários aplicados a 22 docentes. O questionário inicial foi constituído por uma questão aberta, na qual o participante deveria citar no mínimo 12 desses procedimentos. Na segunda rodada, o participante recebeu uma lista com os 17 procedimentos eleitos no questionário 1, e foi solicitada a avaliação de cada um deles por meio da fórmula Copenhagen Academy for Medical Education and Simulation - Needs Assessment Formula (CAMES-NAF) modificada. Na terceira rodada, o docente recebeu a lista preliminar priorizada de procedimentos de acordo com a avaliação contida no segundo questionário e, por meio de escala Likert, pôde informar o seu grau de concordância com a lista de procedimentos apresentada. Com a utilização do Índice de Validade de Conteúdo (IVC), foi então elaborada uma lista priorizada e validada (IVC = 0,95), contendo os dez procedimentos ranqueados a serem ensinados aos estudantes de Medicina por meio da simulação. Resultado: Os cinco procedimentos da lista que obtiveram as maiores notas na fórmula CAMES-NAF foram: intubação endotraqueal, reanimação cardiopulmonar, manuseio básico das vias aéreas, acesso venoso central e suturas superficiais. Conclusão: No presente estudo, foi consensuada uma lista priorizada dos procedimentos técnicos em urgências clínicas e cirúrgicas em adultos a serem ensinados por meio de simulação aos alunos do curso de Medicina com base na opinião dos docentes da Universidade do Estado do Amazonas.
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