Fatores protetores e de risco à saúde mental de estudantes de Medicina na perspectiva deles
PID: S1981-52712025000300210 |
Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) |
Año: 2025
Autores: Custódio Cabo Fasanella Almeida Pavan
RESUMO Introdução: Muitos estudos têm evidenciado a alta prevalência de transtornos mentais entre os estudantes de medicina. Diversos fatores conhecidos contribuem para pôr em risco e para proteger os estudantes dos transtornos mentais. Objetivo: Este estudo teve como objetivos analisar, do ponto de vista dos estudantes, os fatores que influenciam a saúde mental deles, em particular fatores associados à estrutura do curso de Medicina, e coletar sugestões para intervenções que possam contribuir para reduzir o sofrimento e promover a saúde mental dos alunos. Método: Trata-se de um estudo transversal, observacional, qualitativo e analítico realizado em um curso particular de Medicina do interior do estado de São Paulo (Brasil), no ano de 2019. Desde 2006 o curso é estruturado em metodologias ativas, com três anos de internato. Os participantes responderam ao questionário online formulado pelos autores. Resultado: Participaram do estudo 263 estudantes (41,7% do total), com distribuição proporcional entre os seis anos do curso. A idade média foi de 22,9 anos (de 18 a 31 anos). A maioria dos participantes (66,5%) era do gênero feminino, e 25,5% (18,4 - 30,4%; IC 95%) reportaram possuir algum transtorno mental, diagnosticado por psiquiatras em 85,5% dos casos: transtornos de ansiedade (11,4%); transtornos depressivos (11,0%); transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (1,9%) e outros. Eis os sintomas mais mencionados pelos estudantes: desânimo (45,3%), irritabilidade (42,6%), angústia (38,4%) e tristeza (32,3%). Os fatores protetores da saúde mental mais lembrados foram: amigos e relações familiares (24%); estrutura do curso (22,6%); professores e funcionários (6,9%); prática de atividade física (6,9%). Eis os fatores agressores mais mencionados: complexidade, pressão do curso e cobrança (23,7%); questões relacionadas ao trabalho em grupos (20%); processo de avaliação do estudante (9,7%); hierarquia opressora e trote (8,1%); e insegurança profissional (6,2%). Estas foram as intervenções sugeridas: discussões sobre o tema ao longo de todo o curso em atividades curriculares (47,8%) e extracurriculares (29,7%); ações terapêuticas em grupo e individuais (21,7%); práticas integrativas (12,8%); e capacitação docente (6,1%). Conclusão: Embora existam fatores universalmente observados que favorecem a saúde mental dos discentes de Medicina e outros que a prejudicam, cada instituição de ensino deve identificar seus principais fatores de risco e protetores, corrigindo as fragilidades e tornando mais robustas as atitudes protetoras aos estudantes.