☰ Menu
Educ@

Búsqueda por Índice

Filtro por título, resumen, autor, revista y año

Total: 41435 | Página 60 de 2072
0 resultados seleccionados

Programa Mais Médicos: reflexões sobre a seleção de municípios para novas escolas privadas

PID: S1981-52712025000100203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Moura Costa Cavalcante
RESUMO Introdução: As tentativas de organização do provisionamento profissional para saúde antecedem a criação do SUS, e os desafios são ainda maiores quanto à distribuição desigual de médicos nas diferentes regiões brasileiras, com especial dificuldade para sua adequação à atenção primária à saúde (APS). O Programa Mais Médicos (PMM) fortaleceu, a partir de 2013, a discussão sobre a formação de egressos com perfil generalista, com forte inserção nesse nível de atenção. Foi orientada a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para cursos de Medicina, de modo a reforçar a atuação no contexto local, fortalecer o ensino nas unidades básicas de saúde (UBS) e estabelecer a formalização de convênios com a gestão dos municípios selecionados, com vistas ao alcance de melhores resultados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o processo de seleção de municípios para a implantação de novos cursos privados de Medicina do Brasil a partir do primeiro edital do PMM. Método: Realizou-se um estudo qualitativo com análise documental de informações das diferentes etapas do PMM, disponíveis em registros e sites oficiais relacionados à seleção de municípios no período de 2013 a 2014. Resultado: O período estudado envolveu a publicação da primeira portaria normativa até o resultado final dos recursos, após 15 meses do início do certame. Foram selecionados 21 municípios com características diversas dos indicadores dispostos, a maioria localizada no estado de São Paulo. Conclusão: A proposta do PMM se alicerça na fixação do médico no interior e na potência da integração entre os sistemas de ensino e saúde locais. Ao contemplar especialmente municípios da Região Sudeste, que já possuía número expressivo de cursos, fica o questionamento quanto à oportunidade de real modificação no cenário de provisionamento de médicos no interior, em especial aqueles lotados na APS.

Programas de desenvolvimento ou de provimento docente? Retrato das escolas federais do Programa Mais Médicos

PID: S1981-52712025000400213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Silva Amorim Fraiz Moura
RESUMO Introdução: O Programa Mais Médicos (PMM) foi instituído em 2013 e tem como um de seus objetivos a reordenação da formação na graduação e na residência médica. Doze anos após, ainda existem dificuldades no provimento de docentes e servidores nos cursos abertos, bem como dificuldades para inserção das metodologias ativas e da formação docente continuada. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o perfil das escolas médicas federais do PMM quanto aos programas de desenvolvimento docente. Método: O presente trabalho descreve, por meio de pesquisa documental, as características gerais dos cursos federais abertos pela política de expansão e a existência e as características dos seus respectivos programas de desenvolvimento docente. Resultado: Observou-se que a maioria ainda não possuía programas de desenvolvimento docente em funcionamento, e, quando existentes, ofertavam-se apenas ações pontuais. Uma das dificuldades sugeridas pode ser a falta de profissionais qualificados nas localidades e o provimento de docentes para o pleno oferecimento de ações continuadas. Conclusão: Espera-se, a partir dos resultados apresentados, ampliar a reflexão a respeito do desenvolvimento docente nos cursos de Medicina provenientes da expansão, considerando as particularidades e os perfis dos cursos em instituições federais de ensino abertos a partir de então.

Reflexões após 3 anos: relatando o desabrochar de reumatologistas através de atividades profissionais confiabilizadoras.

PID: S1981-52712025000100403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Chakr Kohem Brenol Xavier Monticielo
RESUMO Introdução: As 14 atividades profissionais confiabilizadoras (entrustable professional activities -EPA) aprovadas pelo American College of Rheumatology (ACR) foram desenvolvidas para serem “o conjunto abrangente de tarefas ou responsabilidades que qualquer reumatologista deve ser capaz de executar”. Nosso objetivo foi apresentar e discutir a experiência de três anos de avaliação regular de residentes de reumatologia pelas EPA aprovadas pelo ACR. Relato de experiência: Nessa série de casos, todos os residentes de reumatologia do primeiro e do segundo ano foram avaliados a cada mês de maio e novembro (a residência começa em março) por meio de formulários anônimos on-line. Para a avaliação por EPA, os preceptores escolheram um de cinco níveis de confiabilidade. A prática não supervisionada foi definida como níveis 4 (“Tive que fornecer orientação menor”) e 5 (“Não precisei fornecer orientação para um cuidado seguro e independente”) combinados. Os relatórios individuais foram discutidos pelo supervisor do programa em reuniões de feedback separadas. Entre 2021 e 2023, analisaram-se 276 relatórios de 11 residentes avaliados por dez preceptores. O número de EPA com mais de 90% de classificação de prática não supervisionada nos semestres 1, 2, 3 e 4 foi, respectivamente, 1, 0, 2 e 11. A progressão geral foi estatisticamente significativa para 13 EPA e maior entre os semestres 2 e 3. Reuniões de feedback com uma agenda para os residentes e para o supervisor do programa contribuíram para o aprimoramento individual e a qualificação da formação. Discussão: A implementação de EPA na residência de reumatologia foi uma oportunidade para aumentar os feedbacks e qualificar o programa. A autonomia dos residentes era praticamente inexistente antes da última avaliação. Embora seja um valioso instrumento formativo na residência, a avaliação baseada em EPA necessita de uma discussão cuidadosa antes da adoção de pontos de corte para fins somativos. Conclusão: A avaliação de residentes de reumatologia pelas EPA aprovadas pelo ACR estabelece uma cultura de feedback regular, proporcionando oportunidade para a melhoria dos pós-graduandos e para a qualificação do programa. A prática não supervisionada foi conseguida majoritariamente no final da formação, e um maior incremento coincidiu com a mudança de ano de treinamento.

Relato do desenvolvimento de uma ferramenta educacional digital para o ensino do exame urodinâmico

PID: S1981-52712025000100214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Silva Medeiros Araújo Britto Dantas
RESUMO Introdução: O exame urodinâmico é uma ferramenta diagnóstica que avalia as funções de armazenamento e esvaziamento da bexiga. O exame é complexo, apresenta indicações precisas e exige interpretação e análise crítica dos seus resultados. O conhecimento em urodinâmica e das disfunções do trato urinário inferior está entre as competências almejadas para os médicos residentes em ginecologia e obstetrícia; todavia, não existe padronização do ensino dessa temática em muitos serviços de residência médica. A educação mediada por tecnologia é uma aliada no desenvolvimento de capacitação qualificada para profissionais de saúde com impacto na melhoria dos serviços ofertados. Nos programas de residência médica, essa estratégia educacional oferece oportunidades para reforçar os conceitos aprendidos e explorar outros não contemplados no período de formação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta educacional digital para ensino do exame urodinâmico dentro dos programas de residência médica em ginecologia e obstetrícia. Método: Trata-se de um estudo descritivo do desenvolvimento de uma ferramenta educacional, em que se utilizou o design instrucional contextualizado para nortear o processo de construção do conteúdo digital. Resultado: Entre março de 2023 e fevereiro de 2024, desenvolveu-se um módulo educacional em urodinâmica, aberto e gratuito, no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Sistema Único de Saúde (Avasus). O módulo apresenta carga horária total de 30 horas e tem como público-alvo médicos residentes em ginecologia e obstetrícia. Os recursos educacionais utilizados de acordo com o design instrucional proposto constituíram-se de vídeos, gráficos, imagens, casos clínicos ilustrativos, textos complementares, questionários direcionados e glossários. Conclusão: A ferramenta mostra-se prática, de fácil acesso, oportuna ao aprendizado, com possibilidade de ampliar o ensino sobre urodinâmica nos programas de residência médica e promover a educação continuada nas profissões de saúde.

Relação entre acesso por cotas e rendimento acadêmico de estudantes de Medicina

PID: S1981-52712025000400209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Brandão Guimarães Jatahy Lins Caldas
RESUMO Introdução: A política de cotas visa ampliar o acesso de grupos historicamente excluídos ao ensino superior. Contudo, ainda há controvérsias quanto ao impacto dessa política no desempenho acadêmico de estudantes de Medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o desempenho acadêmico, medido pelo coeficiente de rendimento geral (CRG), de estudantes de Medicina ingressantes na Universidade Federal do Pará (Ufpa) entre 2010 e 2018, comparando cotistas e não cotistas. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal e quantitativo, com análise de dados de 1.340 estudantes do curso de Medicina do campus de Belém da Ufpa. O CRG foi comparado entre os grupos por meio do teste t de Student para amostras independentes e análise por quartis. Analisaram-se variáveis categóricas com o teste do qui-quadrado (χ²), com nível de significância de p < 0,05. Resultado: A média geral do CRG foi de 7,55 ± 1,18. Os cotistas apresentaram média inferior à dos não cotistas (7,35 ± 1,22 versus 7,78 ± 1,09; p < 0,001). A diferença foi mais acentuada no primeiro quartil (6,4%), diminuindo nos quartis superiores. Conclusão: O desempenho inferior dos estudantes cotistas, especialmente entre os de menor rendimento, revela desigualdades persistentes que impactam a trajetória acadêmica. Os achados reforçam a importância de políticas de permanência e apoio institucional que considerem as condições socioeconômicas dos discentes, contribuindo para a equidade no ensino médico.

Residência médica em oncologia e especialidades correlatas no Brasil: panorama de 2022

PID: S1981-52712025000300211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Matos Juaçaba Silva
RESUMO Introdução: A residência médica é um meio de formação que tem por objetivo complementar a formação dos médicos em alguma especialização, por meio de uma atuação direta no campo de trabalho, mediante a supervisão de preceptores. Objetivo: Este estudo teve como objetivos analisar a oferta de programas e vagas de residência médica em oncologia no Brasil, em 2022, observando aspectos relativos à concentração de recursos e à capacidade instalada da formação em oncologia, segundo macrorregiões, e correlacionar essa oferta com dados de 2010 e 2003. Método: Trata-se de um estudo transversal que utilizou dados encaminhados pelo Ministério da Educação do Brasil concernentes aos programas oncológicos. Analisaram-se a capacidade instalada em centros e unidades de alta complexidade em oncologia, a população total, a incidência de câncer e os óbitos por câncer por região. Resultado: Encontraram-se 562 programas e 3.558 vagas. O Sudeste congrega 300 programas (53,48%); o Sul, 110 (19,61%); o Centro-Oeste, 41 (7,31%); o Nordeste, 88 (15,51%); e o Norte, 23 (4,09%). Dos 562 programas, 201 (35,83%) são oferecidos por centros de alta complexidade em oncologia e 193 (34,40%) por unidades de alta complexidade em oncologia. As instituições filantrópicas ofertam 41,28% (n = 232) dos programas, e as federais, 36,12% (n = 203). Conclusão: Há uma distribuição desigual dos programas e das vagas, apesar de o teste de Spearman (r = 0,9) ter mostrado uma forte correlação entre vagas, população, incidência de câncer e óbitos por câncer por região.

Roteiro de entrevista clínica voltado para atenção primária: uma abordagem tridimensional

PID: S1981-52712025000300405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Souza Oliveira Tigre Barroso
RESUMO Introdução: O ensino de competências que capacitem entrevistadores para integrar e executar eficientemente uma consulta é essencial na formação médica. No entanto, sem orientação adequada, os alunos dos anos iniciais da graduação em Medicina enfrentam desafios para produzir um registro clínico qualificado. Para aprimorar o cuidado oferecido, foi desenvolvido um roteiro de orientação para a coleta de dados durante as consultas médicas. Esse roteiro é baseado no método clínico centrado na pessoa, na consulta em sete passos e no registro clínico orientado por problemas, visando padronizar o registro e integrar o usuário ao Prontuário Eletrônico do Cidadão. Relato de experiência: Foi realizada uma pesquisa extensa nas bases de dados PubMed, SciELO e BVS com os descritores “registro clínico”, “educação médica”, “anamnese” e “anamnese de saúde familiar”. Além disso, utilizaram-se livros especializados como arcabouço teórico. O roteiro inicial foi analisado por especialistas em educação médica e prática clínica, e discutido com estudantes da graduação. Discussão: O roteiro combina três abordagens metodológicas distintas e complementares, de modo a ampliar o escopo de aprendizagem e sistematizar a consulta em etapas definidas. Inicialmente, são descritas etapas preparatórias e de primeiros minutos, focadas na organização e no acolhimento do paciente. Em seguida há a fase subjetivo, em que se colhe a demanda e se exploram tópicos relevantes à compreensão integral do paciente, como contexto sociocultural, histórico patológico pregresso e familiar, e aspectos de prevenção de doença e promoção da saúde. Na fase objetivo, são registrados os dados observados pelo entrevistador, incluindo resultados de exames físicos e complementares. Na avaliação, define-se a lista de problemas para a elaboração dos planos diagnósticos, terapêuticos, de seguimento e de educação em saúde, que são registrados no plano. Finalmente, são verificadas as dúvidas e dadas as últimas orientações. Após a consulta, sugere-se um momento de autoavaliação e relaxamento mental para o entrevistador. Conclusão: Com a utilização desse roteiro, pretende-se aprimorar as habilidades de comunicação dos entrevistadores, de modo a tornar a coleta de informações mais eficaz e oferecer suporte aos estudantes na gestão da consulta. Esse roteiro também funciona como uma ferramenta de humanização da relação entre entrevistador e entrevistado e do vínculo paciente-profissional de saúde.

Sensibilidade moral e a formação ética do estudante de Medicina

PID: S1981-52712025000400215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Junges Schaefer Abreu
RESUMO Introdução: A educação médica deve integrar capacitação técnica, ética e humanística, promovendo uma socialização crítica. O currículo oculto tem se mostrado um fator que influencia negativamente a formação ética dos alunos de Medicina. Objetivo: Este estudo investigou a influência do currículo oculto na formação ética e no desenvolvimento da sensibilidade moral dos estudantes de Medicina. Método: Utilizou-se uma abordagem qualitativa com entrevista coletiva realizadas com estudantes em regime de internato, no final do curso. As entrevistas foram analisadas por meio de uma metodologia de análise temática, observando categorias relacionadas ao ensino e à prática da ética. Resultado: Foram identificadas três categorias principais: impacto do ensino da ética, clima ético-organizacional e atitude profissional docente. Os estudantes consideraram o ensino da ética teórico e desconectado da prática clínica, com metodologias não interativas. O clima organizacional era caracterizado por competição, hostilidade e conflitos. Já a atitude dos médicos preceptores refletia críticas contínuas e desvalorização dos estudantes, influenciando negativamente o desenvolvimento da sensibilidade moral. Conclusão: O estudo revela que o currículo oculto interfere significativamente na formação ética, evidenciando a necessidade de uma maior integração entre teoria e prática, além de metodologias que estimulem a reflexão ética durante a formação médica.

Simulação de ligadura vascular utilizando modelo bovino

PID: S1981-52712025000100404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Hipólito Pereira Oliveira Kobayashi Silveira Costa
RESUMO Introdução: Como a dissecção venosa e a técnica de ligadura vascular assumem uma importância crítica, é crucial, perante sua relevância e eficácia, o conhecimento para a formação do acadêmico em Medicina. Relato de experiência: Diante do exposto, o objetivo do estudo foi relatar a atividade prática - simulando a dissecção e ligadura vascular em um modelo biológico não vivo - para acadêmicos do quarto ano do curso de Medicina, com a descrição das etapas do procedimento. Discussão: O treinamento prático em habilidades cirúrgicas para estudantes de Medicina é de suma importância, de modo a destacar sua relevância para a prática clínica futura e a segurança do paciente. Conclusão: O exemplo proposto teve boa aceitabilidade no treinamento de ligadura de vaso, e é notória a possível reprodução da prática, com boa qualidade e baixo custo financeiro, o que se torna viável para o ensino. Estudos adicionais são necessários para a validação da técnica.

Simulação realística no curso de medicina: o ensino da farmacologia

PID: S1981-52712025000200212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Santos Gabrielli Lima Bruch Almeida
RESUMO Introdução: A graduação em medicina possui o grande desafio de tornar as aulas, sobretudo do ciclo básico, como a farmacologia, mais dinâmicas. Esse novo cenário pedagógico deve incentivar a resolução de problemas e a integração prática-teórica, essencial para a formação médica. Nesse contexto, as metodologias ativas têm emergido como ferramentas eficazes para catalisar essa transformação. Entre essas metodologias, a simulação realística tem se destacado por sua capacidade de tornar as aulas mais dinâmicas e interativas, aumentando a participação dos alunos e facilitando a aplicação prática dos conceitos teóricos. A utilização da simulação realística nas ciências básicas, como a farmacologia, é particularmente relevante, especialmente considerando as limitações impostas pela proibição do uso de animais em práticas educacionais, que antes desempenhavam um papel central na formação médica. Objetivo: Validar e promover a utilização da simulação realística no ensino da farmacologia, com o intuito de explorar seu impacto na aprendizagem e na memorização dos alunos. Métodos: Foram convidados a participar do estudo alunos do quinto período do curso de medicina que estavam cursando a disciplina de farmacologia (n=131). Para avaliar a eficácia do uso da simulação realística em comparação com a leitura de casos clínicos, foram utilizadas as aulas práticas das duas turmas da disciplina para o ensino das metodologias em complemento à aula teórica a que ambos os grupos foram submetidos e, assim, comparar entre eles a aprendizagem e memorização através de questionários de avaliação aplicados imediatamente após o término das aulas práticas e 15 dias depois. Os temas abordados foram a asma e a diabetes mellitus. Resultados: A simulação de diabetes mellitus melhorou a aprendizagem logo após a aula (U=1075, p< 0.001) e não melhorou a memória de longo prazo dos alunos (U=1022, p=0.1490). A simulação de asma não melhorou a aprendizagem (U=1574, p=0.4505) e a memória a longo prazo (U=1222, p=0.3222). Uma análise global da experiência mostrou que a simulação realista melhorou a aprendizagem dos temas propostos (U=5282, p<0.01), entretanto quando se compara a proporção de acertos por questão de acordo com a metodologia de ensino, nenhuma diferença estatisticamente significativa foi encontrada (p=0.09). Conclusão: Verificou-se que a simulação realística tem um efeito positivo nas aulas práticas de farmacologia, contribuindo para uma aprendizagem mais eficaz e dinâmica. Esses resultados sugerem que a simulação realística pode ser uma ferramenta valiosa para o ensino das ciências básicas na graduação em medicina.

Tendências e distribuição dos programas de residência médica pediátrica no Brasil, na última década

PID: S1981-52712025000400202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Mendes Silva Serafim Rubim
RESUMO Introdução: A residência médica em pediatria passou por transformações significativas nos últimos anos, refletindo mudanças sociais e políticas de saúde. Além da formação técnica, essa especialização enfatiza uma abordagem abrangente do cuidado pediátrico, integrando aspectos de prevenção de doenças e promoção da saúde. Compreender as tendências de crescimento e a procura pela especialização em pediatria é crucial para a criação de políticas públicas, de modo a antecipar impactos na força de trabalho médica. Objetivo: Este estudo examina as tendências e a distribuição dos programas de residência médica em pediatria e suas áreas de atuação no Brasil, entre 2015 e 2024. Método: Foram utilizados como base para a pesquisa os dados registrados no Sistema da Comissão Nacional de Residência Médica (SisCNRM), acessível a partir de consulta pública na Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação (Fala.BR). Resultado: No Brasil, a residência médica em pediatria cresceu significativamente na última década, totalizando 52.978 vagas oferecidas e um aumento de 79% entre 2015 e 2024. Apesar do avanço, ainda há um número significativo de vagas ociosas, com um acúmulo de 14.499 vagas sem candidatos. As vagas seguem concentradas nos grandes centros urbanos, com 53,00% delas preenchidas na região Sudeste, em 2024. No mesmo período, nota-se um aumento de oportunidades para subespecialidades em 22,87%. Destaca-se a manutenção da neonatologia como a área de atuação mais procurada, seguida da medicina intensiva e neurologia pediátricas. A emergência pediátrica ganhou proeminência recente, bem como a recente incorporação da medicina do adolescente como área de atuação reconhecida. Conclusão: Há desafios persistentes na distribuição equitativa e no preenchimento de vagas em pediatria e suas áreas de atuação, indicando que a ampliação das oportunidades nem sempre é acompanhada de adesão aos programas. A falta de pediatras nos serviços de saúde evidencia uma fragilidade no sistema e compromete a qualidade da assistência prestada à saúde infantil. A evolução das necessidades de saúde da população pediátrica requer análise contínua para orientar decisões políticas em educação e saúde. Nesse contexto, torna-se necessária a implementação de ações estratégicas voltadas à formação de especialistas em locais de maior carência, como forma de ampliar o acesso a cuidados pediátricos de qualidade.

Testes formativos on-line: opinião e adesão de estudantes da área da saúde

PID: S1981-52712025000400208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Duque Silva Oliveira Dantas Albuquerque
RESUMO Introdução: A avaliação formativa promove uma postura ativa dos estudantes sobre sua aprendizagem; na dimensão conhecimento, os testes se tornam mais acessíveis no ambiente on-line, com feedback imediato, embora a adesão ainda seja um desafio. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a opinião e adesão dos estudantes de graduação da área da saúde aos testes formativos em ambiente on-line. Método: Trata-se de um estudo de avaliação de intervenção educacional realizado de agosto de 2023 a agosto de 2024, com estudantes de graduação de uma faculdade da área da saúde. Os testes formativos são planejados durante o desenvolvimento dos módulos em ambiente on-line. Os participantes receberam por e-mail formulário estruturado com variáveis sociodemográficas e perguntas sobre acesso, compreensão e estímulo aos testes formativos, utilizando escala de Likert de cinco pontos. Foi avaliada também a aplicação dos testes e adesão dos estudantes por meio de consulta ao sistema acadêmico Lyceum. O ranking médio acima de 3 foi considerado como critério de consenso, e utilizou-se o teste t para comparação de médias. Resultado: Do total de 141 estudantes, 76,59% relataram que o teste formativo sempre era disponibilizado em seus cursos. A avaliação foi considerada tecnicamente adequada, com instruções claras e questões suficientes. Os estudantes reconheceram que os testes ajudavam na organização dos estudos e na retenção do conhecimento, embora não se sentissem estimulados para a sua realização. A análise dos registros no sistema acadêmico mostrou que a aplicação do teste foi variável entre cursos e períodos, sendo a adesão maior nos cursos que elaboraram os testes em mais de três módulos por período (p = 0,024). Conclusão: Os estudantes mostraram-se bem-adaptados ao teste e ao ambiente on-line, embora não se sintam estimulados; uma maior exposição ao teste esteve associada a uma maior adesão dos estudantes. O estudo discute a importância de mudança do paradigma do processo avaliativo com mais ênfase nas avaliações formativas como estratégia de melhor adesão.

Transição do ensino remoto para o presencial: perspectivas de estudantes de medicina após a pandemia de COVID-19

PID: S1981-52712025000100204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Ribeiro Augusto Dantas Souto Nascimento Fernandes
RESUMO Introdução: O retorno ao ensino presencial pós-pandemia nas escolas médicas brasileiras careceu de adequações por parte de estudantes e professores, no sentido de eles se reajustarem ao modelo de ensino tradicional após o regime remoto implantado. Objetivo: Este estudo determinou, sob a perspectiva dos estudantes, as principais estratégias pedagógicas pós-pandêmicas utilizadas, os desafios durante o período de transição, os benefícios do retorno ao presencial, o desempenho docente nesse contexto e as recomendações para a educação médica presencial pós-pandemia em uma universidade pública no Rio Grande do Norte, no Brasil. Método: Abordagens quantitativas e qualitativas foram utilizadas para coleta e análise de dados. A pesquisa envolveu 185 estudantes de Medicina, e suas respostas foram coletadas entre novembro de 2022 e maio de 2023. Resultado: De acordo com os dados, o uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) persistiu no ensino presencial. Os principais desafios incluíram aumento de despesas, incerteza em relação ao aprendizado e fadiga. No entanto, os estudantes valorizaram a interatividade, a motivação e a oportunidade de esclarecer dúvidas com os instrutores durante as aulas presenciais. Destacaram-se a necessidade de aulas dinâmicas, a adoção de uma abordagem de ensino híbrido e o uso ubíquo de tecnologia no ensino médico. Além disso, sobressaíram a importância da organização de horários, a diversificação das avaliações e o investimento em instrutores e infraestrutura. Conclusão: O estudo revela que as estratégias-chave de ensino remoto, como plataformas online e acesso assíncrono a recursos, integraram-se facilmente à educação presencial. No entanto, desafios como encargos financeiros e adaptação ao formato presencial foram notáveis. Apesar disso, os alunos enfatizaram os benefícios do aumento do engajamento e os melhores resultados de aprendizagem, destacando a importância de manter uma abordagem dinâmica e adaptativa à educação pós-pandêmica.

Treinamento por simulação em medicina: uma investigação cienciométrica de artigos indexados na Scopus

PID: S1981-52712025000400302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Luiz Gonçalves Osório Quaresma Maciel Silva Neto
RESUMO Introdução: O treinamento simulado (TS) na área da saúde é um método que expõe estudantes a cenários clínicos complexos em ambientes controlados, permitindo a prática e o desenvolvimento de habilidades sem risco ao paciente. No entanto, poucos estudos têm analisado o cenário do TS na educação médica no ambiente da universidade para o desenvolvimento de habilidades médicas. Objetivo: O estudo analisou o tema treinamento por simulação em saúde na educação médica, na universidade. Método: Identificamos artigos relevantes sobre TS e educação médica usando os principais termos de busca. A base de dados utilizada foi a Scopus. O VOSviewer foi utilizado para realizar a análise bibliométrica. Resultado: A análise incluiu 3.968 artigos. Houve um aumento de publicações sobre TS em educação médica. A maioria das publicações provém de países desenvolvidos, com destaque para os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá. O jornal BMC Medical Education foi o que mais publicou artigos sobre o tema. Identificaram-se os principais hotspots de pesquisa, tais como competência clínica, currículo e simulação por computador. Conclusão: O TS na educação médica vem ao longo dos anos chamando a atenção dos pesquisadores, com um aumento da produção científica na área. A análise bibliométrica sugere que essa área continuará a crescer, com ênfase em competência clínica, internos e residências, currículo, simulação por computador, treinamento cirúrgico, ressuscitação e inteligência artificial.

Treinamento sobre ginecologia pediátrica e adolescente na prática dos residentes em ginecologia e obstetrícia

PID: S1981-52712025000200204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Rosa Travassos Machado
RESUMO Introdução: A presença de crianças e adolescentes tem sido uma situação cada vez mais frequente nos consultórios dos médicos ginecologistas, e destaca-se que o atendimento dessas faixas etárias é muito diferente do atendimento de mulheres adultas. Assim, os profissionais precisam estar preparados para esse tipo de situação não só com conhecimento técnico específico, como também devem conhecer as leis que regulamentam a assistência a menores e as particularidades éticas do atendimento a essa população. Contudo, muitas vezes essa capacitação não ocorre na faculdade de Medicina nem na residência médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o treinamento em ginecologia pediátrica e adolescente (PAG) durante a residência médica em ginecologia e obstetrícia em um estado do Nordeste brasileiro. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal, do qual participaram 51 residentes em ginecologia e obstetrícia de oito instituições do estado da Bahia, por meio de aplicação de questionário online que avaliou os seguintes aspectos: conhecimento técnico-teórico e ético sobre PAG, autopercepção sobre conforto, confiança e competência no cuidado de crianças e adolescentes e acesso a conteúdo teórico e prático relacionado à PAG na instituição da residência médica. Resultado: A maior parcela já atendeu crianças e adolescentes na residência (78,4%), mas não havia ambulatório específico (86,3%), nem exposição anual em PAG na maioria das instituições (86,3%). Para a maior parte, a PAG foi assunto na residência menos de cinco vezes (70,6%), seguido por nunca (23,5%). Sobre a PAG, majoritariamente, consideraram o tempo destinado insuficiente (90,2%), gostariam de mais treinamento (96,1%) e afirmaram que desejam incluir na prática como especialista (66,7%). Por fim, em relação ao preparo, ao conforto e à confiança autopercebidos, o nível referido, na maioria das questões sobre crianças, foi entre 2 e 3, já sobre adolescentes o nível foi 4, em escala de Likert. A maioria acertou as questões de conhecimento específico. Conclusão: Embora grande parte tenha demonstrado conhecimento teórico e ético em PAG, os residentes em sua maioria têm pouco treinamento teórico-prático em PAG, sentem-se muitas vezes despreparados, desconfortáveis e pouco confiantes para lidar especialmente com crianças, assim gostariam de mais treinamento em PAG em seus locais de especialização.

Trilhas de aprendizagem como estratégia para gestão de ações educacionais profissionais: uma revisão de escopo

PID: S1981-52712025000400303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: França Vieira Damasceno Lima Prado
RESUMO Introdução: A formação de profissionais de saúde no Brasil tem sido um tema de debate constante, com a necessidade de sistematizar ações educacionais que se coadunem com os diversos contextos de atuação. No entanto, a organização e gestão das ações educacionais para esses profissionais ainda são incipientes e pouco alinhadas com a prática cotidiana. Objetivo: Este estudo teve como objetivo sistematizar evidências sobre a organização e gestão de ofertas educacionais utilizando as trilhas de aprendizagem, a fim de identificar variações terminológicas e conceituais, e estratégias organizativas. Método: Trata-se de um estudo de revisão de escopo da produção científica sobre organização e gestão de trilhas de aprendizagem, visando gerar uma síntese de conhecimentos que possa contribuir para correlações com ações formativas no Sistema Único de Saúde, especialmente com a formação profissional de partícipes do Projeto Mais Médicos para o Brasil. Resultado: Selecionaram-se 76 estudos, publicados entre 2018 e 2023, com variação significativa quanto aos objetos de estudo e aos países nos quais foram realizados e publicados. Foi possível identificar 58 definições associadas às trilhas de aprendizagem, cujos significados eram similares ou se complementavam. As concepções apresentadas parecem mais alinhadas a estratégias de educação continuada centradas na atualização de conhecimentos disciplinares, sem necessariamente considerar o contexto como um produtor de conhecimentos. Quanto à organização pedagógica, diferentes abordagens foram identificadas como condutivista e funcionalista, e, em menor número, dialógica. Os resultados da revisão indicam a necessidade de aprofundar pesquisas que avaliem a viabilidade e sustentabilidade das trilhas de aprendizagem. É crucial, também, o envolvimento dos profissionais de saúde no planejamento e na implementação dessas trilhas para garantir sua relevância e adequação às necessidades dos serviços. Conclusão: A análise das trilhas como ferramenta de organização e gestão educacional revelou que são frequentemente tratadas como mera formalidade burocrática, com conteúdos genéricos, sobretudo em plataformas digitais. O desafio reside em ir além da oferta, garantindo uma educação permanente de qualidade e alinhada às necessidades do Sistema Único de Saúde.

Uso da impressão 3D no desenvolvimento do conhecimento em estudantes de Medicina: uma análise integrativa

PID: S1981-52712025000400301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Fujii Lima Santos Knauber Silva Coelho Marques
RESUMO Introdução: A impressão 3D é uma ferramenta com diversas aplicações na medicina, com ampla utilização para o ensino médico, podendo ser utilizada para pesquisas, educação e simulação para estudantes e residentes, mas com potencial ainda pouco explorado. Objetivo: O estudo buscou realizar uma síntese analítica do uso da impressão 3D para o ganho de conhecimento entre estudantes de Medicina, em comparação com o ensino tradicional. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, realizada nas bases de dados ScienceDirect, PubMed e Biblioteca Eletrônica Científica Online (SciELO), nos últimos cinco anos (2020-2024). Foram utilizados os descritores “3D printing”, “medical education” e “engagement learning” na primeira base de dados e “3D printing”, “medical education” e “learning” na segunda e na terceira base, nos idiomas português, inglês e espanhol, com o booleano “AND”. Resultado: De acordo com os 28 artigos selecionados, a impressão 3D para a construção do conhecimento entre estudantes de Medicina apresenta-se como uma importante ferramenta para o ensino médico, oportunizando uma aprendizagem profunda e significativa, estando relacionada à melhoria do aprendizado em curto prazo, à maior satisfação e ao engajamento do aluno em comparação com métodos tradicionais de ensino. As limitações do uso encontram-se na disponibilidade de materiais para impressão e na quantidade limitada de estudos para avaliação em longo prazo, havendo a necessidade de desenvolvimento de mais pesquisas. Conclusão: A impressão 3D utilizada de maneira estratégica e bem estruturada é uma ferramenta valiosa no desenvolvimento do conhecimento e das habilidades médicas.

Uso da simulação realística em um curso de saúde mental virtual

PID: S1981-52712025000100401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Tavares Félix Azevedo Fortes Nascimento
RESUMO Introdução: A simulação realística é uma técnica conceituada para a formação de profissionais de saúde já empregada nas instituições de ensino e que oferece a oportunidade de aquisição de habilidades práticas. Relato de experiência: Assim neste trabalho, buscou-se descrever a experiência do formato de aperfeiçoamento virtual híbrido, mediado por tutoria, com foco na discussão da simulação realística, que foi a principal ferramenta para o treinamento de habilidades utilizada. Discussão: Neste trabalho, utilizou-se a abordagem quantitativo-qualitativa para discutir o uso da metodologia de simulação realística em uma turma de um curso de aperfeiçoamento em saúde mental. Descreve-se a avaliação da metodologia de simulação realística feita pelos participantes, que a consideraram positiva e expressaram a necessidade desse tipo de metodologia nas formações de profissionais da área de saúde mental. Conclusão: As metodologias ativas são utilizadas no ambiente acadêmico e ganham mais importância em ambientes de prática profissional onde os desafios são constantes e a formação deve dialogar com a rotina de trabalho do cursista.

Uso de substâncias para melhorar o desempenho acadêmico entre estudantes de curso preparatório: estudo transversal

PID: S1981-52712025000300204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Mendes Teixeira Leonhardt Lima Lima
RESUMO Introdução: A admissão à faculdade de medicina é altamente competitiva, particularmente entre estudantes de cursos preparatórios (cursinhos), que frequentemente enfrentam intensa pressão acadêmica. Para lidar com esses desafios, alguns estudantes recorrerem ao uso de substâncias como psicoestimulantes e medicamentos para melhorar o desempenho nos estudos. Objetivo: Identificar a prevalência e os fatores associados ao uso de substâncias para melhorar o desempenho nos estudos entre estudantes de um curso preparatório para o vestibular de medicina. Métodos: Trata-se de um estudo transversal e descritivo com estudantes matriculados em um curso preparatório privado localizado na região Nordeste de Minas Gerais, Brasil. Os participantes responderam a um questionário autoaplicável e anônimo, abrangendo dados sociodemográficos e uso de substâncias com a finalidade de melhorar o desempenho nos estudos. Os dados foram analisados ​​utilizando estatística descritiva e inferencial, incluindo os testes Mann-Whitney e qui-quadrado. Resultados: Entre os participantes, 28,4% relataram usar ou ter usado substâncias para melhorar o desempenho nos estudos. As substâncias mais utilizadas foram metilfenidato (40%), lisdexanfetamina (28%), cafeína (16%), guaraná em pó (8%), multivitaminas (4%) e sertralina (4%). O uso de substâncias para estudar melhor foi associado aos estudantes mais velhos, bolsistas de escolas particulares e aqueles que já haviam tentado o vestibular de medicina mais de três vezes. Entre os participantes que usaram medicamentos, a maioria não possuía prescrição médica. Conclusão: Os resultados indicam a necessidade de intervenções direcionadas para mitigar os riscos associados ao uso não supervisionado de substâncias, particularmente medicamentos, entre os estudantes de cursos preparatórios.

Usos terapêuticos da Cannabis: experiência de disciplina eletiva para introdução do conteúdo na graduação médica

PID: S1981-52712025000400401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2025
Autores: Ranieri Mazucco Scattone Nicoletti Filev Gomes-Medeiros
RESUMO Introdução: A Cannabis sativa L. possui histórico milenar de uso terapêutico e evidências científicas de aplicabilidade clínica em condições como dor crônica, náuseas e vômitos associados à quimioterapia, epilepsia e esclerose múltipla, além de crescentes evidências de potencial efeito positivo em diversas outras morbidades. Esse grande potencial terapêutico, justificado pela existência de um sistema endocanabinoide amplamente distribuído e com funções pró-homeostáticas, ainda é pouco presente nos currículos da graduação médica. Relato de experiência: Diante disso, o presente relato descreve a disciplina eletiva “Introdução ao sistema endocanabinoide e ao uso terapêutico da Cannabis spp. e derivados”, oferecida no terceiro ano de Medicina da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp). Com carga horária de 30 horas e formato híbrido, a disciplina reuniu 32 estudantes e abordou o sistema endocanabinoide, a formulação de produtos, as vias legais de acesso e a prática clínica. Discussão: A iniciativa buscou suprir lacunas na formação médica, considerando o aumento da demanda pelos efeitos terapêuticos da Cannabis no Brasil. Conclusão: A inclusão do tema na graduação médica mostra-se essencial para capacitar futuros profissionais perante as mudanças regulatórias e as necessidades clínicas emergentes.
Reportar erro A