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RACISMO E REIVINDICAÇÃO DE RECONHECIMENTO NA EXPERIÊNCIA CURRICULAR

PID: S0100-15742024000100640 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Chaves Macedo
Resumo A partir da teoria pós-estrutural, problematizamos a distribuição tática da precariedade endereçada a pessoas pretas, diluída em políticas de Estado, em práticas institucionais e em relações intersubjetivas cotidianas. Em razão do caráter performativo da teoria, burilamos os diferentes modos de aparecimento da precariedade em algumas pesquisas, entendida como persistência de um traço do racismo. Argumentamos que a distribuição desigual do cuidado extrapola a dimensão material e vaza para os processos de subjetivação de crianças negras na experiência curricular. Diante da promessa de solução sempre adiada, trazem uma reivindicação que constrange as normas de reconhecimento, transitando para a exigência política de humanização, não apenas como gesto ético de cuidado, mas também de reparação.

REFLEXÃO COLABORATIVA DE DIDATAS COM BASE EM UM SELF-STUDY INTERINSTITUCIONAL

PID: S0100-15742024000100608 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Martínez-Galaz Henríquez-Rivas Climent-Rodríguez Vanegas-Ortega Mejía-Aristizabal
Resumo Apresenta-se um self-study exploratório com cinco formadores de professores especialistas em didática das ciências e da matemática de diversos países. A fim de caracterizar os processos reflexivos da comunidade, são realizados grupos de discussão nos quais são analisadas gravações das aulas dos formadores. Mediante uma análise de conteúdo identificamos dois tipos de intervenções preponderantes na reflexão dialógica: perguntas que levam a aprofundar a prática do outro e avaliações de seus aspectos significativos. Além disso, os aspectos pedagógicos da sala de aula e seu vínculo a elementos teóricos parecem caracterizar o conteúdo da reflexão. Esses processos reflexivos permitem ressignificar a prática dos formadores e mostram potencial em seu desenvolvimento professional.

RESISTÊNCIAS INSTITUCIONAIS E ANTIGÉNERO À IGUALDADE DE GÉNERO NA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL

PID: S0100-15742024000100642 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Monteiro
Resumo Este artigo examina as resistências à implementação de políticas de mainstreaming de género na educação em Portugal, destacando as dinâmicas de poder e as inefetividades que têm dificultado a integração de uma perspetiva de género no sistema educativo. Fá-lo analisando informação secundária, produzida no âmbito de avaliações de instrumentos de política, de documentos oficiais e da análise de controvérsias públicas. A partir desses dados, e com base num caso exemplificativo, explora como a emergência dos movimentos e forças antigénero tem condicionado e contestado as políticas de igualdade de género. O artigo discute ainda como a judicialização e a mediatização de casos controversos têm contribuído para enfraquecer o impacto das políticas de mainstreaming de género no setor da educação.

RESSIGNIFICAÇÃO DA AVALIAÇÃO-APRENDIZAGEM COMO PRÁTICA DE LIBERDADE

PID: S0100-15742024000100606 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Rodríguez-Venegas Villagra-Bravo Aravena-Kenigs
Resumo O objetivo do estudo é descrever a ressignificação das compreensões de docentes em formação inicial no tocante à avaliação. Este estudo de caso utilizou uma metodologia qualitativa de alcance exploratório-descritivo. Participaram 29 docentes em formação de uma universidade chilena. A coleta de informação se desenvolveu por meio de entrevistas antes e depois da implementação de um processo formativo baseado no enfoque da avaliação como aprendizagem. Evidenciam-se mudanças em compreensões e práticas, em particular os docentes em formação tomam consciência do caráter social e contínuo da avaliação. Conclui-se que o avaliar-aprender como prática de liberdade emerge de espaços colaborativos e democráticos e implicam uma libertação do medo do erro e da necessidade do controle externo.

SEMPRE ELAS? VALORES E DIVISÃO DO TRABALHO DOMÉSTICO EM PERSPECTIVA COMPARADA

PID: S0100-15742024000100203 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Picanço Covre-Sussai Sento-Sé Araújo
Resumo De que forma os valores de gênero e as práticas em relação ao trabalho doméstico variam segundo os contextos nacionais e as características dos indivíduos? Para responder a essa pergunta, o artigo analisa os dados do Family and Changing Gender Roles, do International Social Survey Programme (ISSP), elegendo as questões sobre os valores de gênero e práticas na divisão do trabalho doméstico de 41 países de diferentes continentes através de análise multinível. Os resultados indicam que gênero, escolaridade, horas trabalhadas, religião e religiosidade influenciam valores e práticas de gênero. Mas, enquanto o contexto nacional no qual as pessoas vivem afeta os valores de gênero, os países se mostram muito mais homogêneos no que se refere às práticas relacionadas à divisão sexual do trabalho.

SERVIÇO DOMÉSTICO E EQUIPARAÇÃO LEGAL: DISPUTA ARGUMENTATIVA E FATORES ASSOCIADOS

PID: S0100-15742024000100204 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Fraga
Resumo O objetivo do artigo é analisar a tramitação e os argumentos favoráveis e contrários à aprovação da Convenção n. 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2011, e da “PEC das Domésticas”, no Congresso Nacional brasileiro, em 2013, regulamentada em 2015. Também busca examinar os possíveis fatores associados para essa quase equiparação legal dos trabalhadores domésticos ter se dado apenas naquele momento, e não anteriormente. Para isso, a metodologia utilizada é a análise de documentos produzidos durante os debates na OIT e no Congresso Nacional. Os resultados demonstram a disputa entre argumentos centrados em justificações, de um lado, econômicas e, de outro, social e ética. Indicam, ainda, um conjunto de seis fatores associados para a equiparação tardia.

TOPOGRAFIA DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

PID: S0100-15742024000100613 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Coelho Souza
Resumo O artigo situa os cursos de licenciatura em História localizados na Amazônia, de modo a verificar como eles encaminham a formação de professores. Assume como referência os estudos topográficos, pois percebe os cursos como “terrenos”. O “terreno”, então, é entendido por meio de alguns dos elementos que o constituem: os projetos político-pedagógicos (PPPs) de 10 instituições de ensino superior, totalizando 13 campi, localizadas no Norte do Brasil; e os currículos Lattes, entendidos como documentos basilares da trajetória acadêmica dos 183 docentes dessas instituições. Os dados sugerem que a dimensão didático-pedagógica ocupa espaço diminuto na experiência e na prática dos docentes dos cursos analisados.

TRANSPORTE ESCOLAR RURAL: LIMITES E OPORTUNIDADES PARA A ENRAIZAMENTO DA POPULAÇÃO

PID: S0100-15742024000100630 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Pino-Artacho Camarero-Rioja
Resumo No contexto do forte despovoamento que as áreas rurais experimentam e da contínua falta e investimento em serviços públicos em regiões de baixa densidade populacional, o texto aborda o impacto do transporte escolar como sistema para garantir não apenas o acesso à educação, mas a própria permanência das famílias rurais e a atração da população jovem. Com o uso de dados de registro e pesquisa, por um lado, e de entrevistas com informantes-chave e a população rural, por outro, realiza-se uma abordagem da acessibilidade, analisando infraestrutura, mobilidade para os estudos e as estratégias domésticas e comunitárias que a sustentam. Os resultados sugerem diferentes linhas de políticas públicas para garantir a acessibilidade escolar nos assentamentos rurais.

VIOLÊNCIA ESCOLAR NO CHILE: DESAFIOS A PARTIR DA VISÃO DOCENTE

PID: S0100-15742024000100611 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Benavides-Moreno Donoso-Díaz Reyes-Araya Pozo
Resumo Há mais de uma década o Chile impulsiona políticas públicas para reduzir episódios de violência escolar, sobretudo na dimensão identificada como violência da escola. São revistos os alcances do fenômeno e da transcendência das estratégias governamentais de atenção para a docência - como atividade fundamental das atividades escolares. O estudo qualitativo exploratório é baseado em entrevistas a professores de escolas particulares subvencionadas da região de Maule. A análise evidencia o pensamento e as dinâmicas docentes, identificando diversos pontos críticos, que no caso de serem atendidos incidiriam na diminuição da problemática. Finalmente, são formuladas propostas políticas que oferecem orientação e apoio à ação docente nos centros educativos.

VISIBILIDADE E RECONHECIMENTO SOCIOPOLÍTICO: O POVO DE AXÉ NAS PÓS-GRADUAÇÕES

PID: S0100-15742024000100636 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Amorim
Resumo A pesquisa reconstituiu trajetórias de estudantes e egressos de pós-graduação na área de ciências humanas que se identificam como povos de terreiros e que obtiveram formação nos últimos 10 anos, e analisou as repercussões da formação acadêmica nas instituições de ensino e nas comunidades de terreiro. A pesquisa qualitativa pautou-se pela interlocução com afrorreligiosas(os) de oito estados brasileiros e se constrói em perspectiva decolonial. Atenta-se ao impacto das ações afirmativas no ensino superior e aos adeptos de religiões afro-brasileiras. Os dados apontam o racismo religioso e epistêmico, e a sobreposição de discriminações no ambiente acadêmico, mas também diferentes estratégias de enfrentamento ao racismo.

YVONNE JEAN: UM OLHAR SOBRE A ESCOLA REGIONAL DE MERITI, RJ, 1948

PID: S0100-15742024000100629 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Anjos Ribeiro
Resumo Tomando por fonte o relato de uma visita da jornalista belgo-brasileira Yvonne Jean à Escola Regional de Meriti em 1948, o objetivo deste artigo é construir uma compreensão dessa narrativa sobre méritos e deméritos, sucessos e insucessos, inovações e problemas do modelo educacional praticado na escola e tendo em vista os desafios próprios da educação brasileira daqueles tempos. De início, a atenção recai sobre as práticas inovadoras da escola de Meriti conforme a descrição e interpretação de Yvonne Jean; depois, o foco se concentra nas ponderações críticas dela sobre o modelo de escolarização da escola visitada, instituição particular dirigida por uma partidária da Escola Nova e que se destacava no cenário do estado do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.

“REGINALDO PRANDI”, TERCEIRA MULHER DE XANGÔ: LEITURAS ERRANTES DE NOMES PRÓPRIOS

PID: S0100-15742024000100623 | Revista: Cadernos de Pesquisa (0100-1574) | Año: 2024
Autores: Riolfi Andrade Costa
Resumo Para compreender narrativas, é necessário entender como se chamam seus personagens e lugares. Entretanto, pouco se sabe a respeito de como, ao ler, estudantes do quinto ano do ensino fundamen- tal − anos iniciais − recuperam correferentes que permitam o discernimento de nomes próprios. Visando a analisar como esse processo se dá, convidamos 159 participantes, de 9 municípios brasi- leiros, para reagir a questões cujas respostas são nomes de pessoas e localidades. Descobrimos que 50% dos participantes não conseguem ligar os nomes de um texto da literatura afro-brasileira com os segmentos necessários para interpretá-los. O artigo expõe os desafios relativos à língua, ao texto e ao discurso possivelmente correlacionados com a construção das hipóteses equivocadas feitas pelas crianças.

"a antropologia da infância chegou para ficar": entrevista com david lancy

PID: S1984-59872024000100500 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: lancy medaets tebet pires
Resumo O texto discute a consolidação do campo da antropologia da infância a partir de um diálogo com David Lancy, professor emérito de antropologia na Universidade do Estado de Utah, Estados Unidos, e uma das figuras-chave da institucionalização do campo naquele país. A partir de uma entrevista com Lancy na ocasião do lançamento da terceira edição de seu livro The Anthropology of Childhood, apresentamos as principais contribuições deste autor a um público lusófono e discutimos temas chave para os estudos da infância, como os usos da noção de agência, bebês, a variabilidade cultural das categorias de idade, além da contribuição da antropologia para as pesquisas sobre infância, parentalidade e educação. Para Lancy, a antropologia da infância dá visibilidade a compreensões alternativas, em relação à psicologia do desenvolvimento infantil, sobre a infância e sobre processos de aprendizagem, trazendo novas questões e novas perspectivas. Com base num amplo levantamento de pesquisas etnográficas, o autor afirma a significativa quantidade de registros feitos por antropólogos sobre as vidas de crianças em diferentes culturas, enfatizando as distinções entre, de um lado, as infâncias de povos originários e tradicionais e, de um outro lado, infâncias ocidentais e urbanas, que ele sugere agrupar, seguindo uma denominação cada vez mais frequente nos Estados Unidos, como sociedades “WEIRD” [extraño], um acrônimo para “Western, Educated, Industrialized, Rich and Democratic Societies”. Nesta entrevista, Lancy ressalta que os trabalhos antropológicos sobre infância em povos originários ou povos tradicionais, quando bem conduzidos, possuem o potencial de produzir um efeito de grande respeito e legitimidade às formas de pensar sobre a infância e educação desses povos.

Afeto e investigação filosófica com crianças

PID: S1984-59872024000100100 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: wolf
Resumo Thinking in Education, de Matthew Lipman, apresenta uma abordagem para a investigação filosófica com crianças (FcC) que busca desenvolver o pensamento crítico, criativo e cuidadoso. Para Lipman, esses tipos de pensamentos estão ligados principalmente a compromissos analítico-lógicos e, como tal, sua abordagem se preocupa apenas com um modo de conceitualizar o pensar. Para direcionar esse problema e criar espaço para outros entendimentos, apresento o conceito de afeto baseado na obra do filósofo francês Gilles Deleuze. A partir de uma perspectiva teórica, o afeto ajuda a aprofundar as relações entre o pensar, o corpo e a experiência na FcC; além disso, de um ponto de vista prático, ele expande e enriquece as práticas facilitadoras e a concepção curricular. Para explorar o afeto, primeiro mostro porque a FcC se beneficiaria de tal expansão teórica, enquanto examino as conexões já existentes na literatura sobre FcC. Após um breve resumo sobre a teoria do afeto e algumas de suas aplicações iniciais para a educação, proponho a leitura do afeto deleuziano ampliada por pensadores como Claire Colebrook e Brian Massumi. Por fim, exploro a investigação filosófica através do afeto e sugiro como as práticas facilitadoras e a concepção curricular podem responder no lugar dessa conceitualização. Essa resposta examina diversas áreas: a investigação, os conceitos, a comunidade e o compromisso ético-político.

Escola desinteressada: poesia como um caminho libertador e transformador na escola pública

PID: S1984-59872024000100300 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: ferreira
resumo Este texto oferece uma reflexão nascida de uma experiência com literatura, poesia e também filosofia na escola, com turmas do ensino fundamental nos anos iniciais. A experiência foi iniciada em 2011 e deu origem a um projeto de pesquisa, ensino e extensão, hoje em curso em escolas públicas. O projeto tem como fundamentação teórico-metodológica pensamentos críticos à escola voltada para a formação compreendida como utilitarista. Concepção esta que segue dominante, a despeito das inúmeras mudanças na base curricular, ao longo do tempo. Não parece razoável que a preocupação que promove as mudanças na organização curricular tome por base aspectos como o baixo rendimento na aprendizagem refletido em reprovações e “fracassos” ou no próprio abandono e evasão precoce da escola, sem que se questione as razões inerentes à experiência escolar. Diante desse fato, a reflexão aponta para a defesa de uma escola que possa ser compreendida como desinteressada na perspectiva de Gramsci e recorre à literatura e poesia como dispositivos para impulsionar o fazer pedagógico transformador. O estudo da literatura sobre poesia, assim como os resultados obtidos pela experiência em questão, permitem pensar uma concepção de escola revolucionária no sentido gramsciano e libertadora como propugnava Paulo Freire. Nesse sentido, propõe conexões com a felicidade, que conjuga o propósito da escola desinteressada com a filosofia de Epicuro. Na pesquisa, a poesia é compreendida como um caminho para se contemplar a valorização do lúdico, que é um aspecto dos mais relevantes para a aprendizagem nas infâncias.

Filosofia para crianças: semente ético-política para uma cultura de paz a partir de um pensamento polivalente

PID: S1984-59872024000100102 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: Moreno
resumo Depois de ensinar a disciplina de Ética e aplicar as regras tradicionais da família escolar, os alunos não se apropriam de elementos éticos por vários motivos: não os consideram úteis, não entendem o contexto ou simplesmente não os afetam, anulando qualquer interesse por eles. Isso os impede de agir de forma tolerante no ambiente escolar, dificultando a mediação dos professores em relação a comportamentos que se opõem a uma cultura de paz. Diante disso, a Filosofia para Crianças (FpC) é proposta como uma aposta ético-política que permite fortalecer o pensamento crítico, criativo e cuidadoso, a fim de buscar uma cultura de paz. Diego Pineda, fundador da FpC na Colômbia, defende que é preciso desenvolver nos alunos habilidades de pensamento que, além do conhecimento ético-cidadão, os levem a tomar decisões acertadas na abordagem pacífica do conflito. O desenvolvimento gradual do pensamento, a proximidade com as comunidades de investigação, a incursão em habilidades cognitivas e éticas, produto das ferramentas pedagógicas do programa FpC, constituem uma preparação para assumir posições argumentativas diante de dilemas que ocorrem no interior dos conflitos escolares, o que ajudará o aluno a se estruturar e a alcançar decisões iluminadas pela razão.

Malditas invasões curriculares!

PID: S1984-59872024000100103 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: roseiro gonçalves delboni
resumo O artigo dialoga sobre imagens curriculares utópicas que, expressas na escola, representam os feitos ideais de condutas, comportamentos almejados para exaustão da vida nos currículos que insistem no enquadramento. Logo, o objetivo é questionar a lógica quase imperial de veiculação de imagens das práticas curriculares. O processo de captura imagética das práticas curriculares lança professoras e professores nesse meio de produtores-consumidores da sociedade do hiperespetáculo, de facilitadores da sociedade da transparência, propondo uma falsa eliminação das assimetrias das forças e tornando tudo uma espécie de entretenimento que visa a incessante renovação dos prazeres e das emoções. Para tanto, são fabuladas cenas de escola que brincam com a lógica das estabilidades curriculares. Se a escola e a professora se veem, nesse contexto, obrigadas a registrar os currículos em imagens quase midiáticas, interessa-nos produzir imagens no limite do aceitável. Afinal, o que se entende por currículos? Quais sentidos são produzidos a partir dessas invasões imagéticas? Uma escola que prolifera as imagens-perfeitas de sala de aula, de aluno, de professora etc. mais enlutam a vida que realmente a produzem. Na contramão, como produzir imagens para além do governo da vida? É possível afirmar a escola como uma potência do infinito?

a escrita e a oralidade na escola como potência na formação humana: conversações entre kopenawa, sêneca e filosofia com crianças

PID: S1984-59872024000100112 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: schuler campesato
resumo Este texto trata de uma experimentação na formação de professoras da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental de uma escola pública da região metropolitana de Porto Alegre (RS), por meio de práticas de leitura, escrita e conversação, as quais se desdobram em experimentações com as crianças. Tal processo é pensado nas companhias de Sêneca (2018), com seu conceito de leitura e escrita, de Kopenawa (Kopenawa; Albert, 2015), a partir do conceito de palavra, e de Foucault (2004, 2011), considerando-se o conceito de subjetivação. Tal experimentação, que se deu no encontro entre a escrita e a oralidade, foi tomada para pensar nas contribuições para os estudos que compõem a filosofia com crianças. Nesse sentido, a leitura, a escrita e a contação de histórias teriam menos a ver com informações, e mais com o que estamos nos tornando, com a agilidade do nosso pensamento, com nossa sabedoria. Desse modo, conceitos da antiguidade greco-romana e das comunidades ameríndias brasileiras são tomados como ferramentas potentes para pensar a escola contemporânea como possibilidade, ainda, de formação humana. Para tanto, defende-se a conversação entre os vivos e os mortos via texto na escola, espaço público e coletivo, o que poderia ser tomado como uma perspectiva de subjetivação para um pensamento e uma vida mais afirmativos em tempos de tanta pobreza narrativa.

a filosofia da libertação para/com crianças: em busca da libertação e a criação de um povo sem idade

PID: S1984-59872024000100218 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: rosas
resumo Desde sua origem, a filosofia da libertação tem tido um aspecto tanto crítico quanto criativo. O primeiro busca examinar criticamente a dominação, a dependência e os efeitos permanentes da colonização. O segundo busca criar e recriar a libertação dos povos, desenvolvendo e reconstituindo modos de existir, imaginar, pensar e filosofar que superem os modos coloniais de existir, imaginar, pensar e filosofar. Logo, para a filosofia da libertação, a libertação dos povos se distingue das noções de emancipação e liberdade que escondem a realidade sob processos de ideologização. Um exemplo desse último é a noção moderna de emancipação. Neste trabalho, proponho abordar a função crítica e criativa da filosofia da libertação a partir de uma ótica infantilista, que não só considere as vozes das crianças, mas que também supere a visão moderna e adultista de emancipação. Isso será particularmente importante para continuar o legado da filosofia da libertação e sua missão de criticar e criar a partir da participação política e filosófica das vítimas dos processos de ideologização. Desse legado fazem parte as crianças, que, ao se envolverem em práticas pedagógicas de libertação, atuam como um povo, um ator político coletivo sem idade.

a mudança pós-moderna nos estudos da infância e suas implicações pedagógicas

PID: S1984-59872024000100216 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: luo
resumo Este artigo reflete sobre a mudança pós-moderna nos estudos da infância e o seu impacto na educação. À medida que os estudiosos questionam a noção moderna de infância, o discurso do pós-modernismo tem entrado no domínio dos estudos da infância, dando origem a várias novas perspectivas. As principais caraterísticas da mudança pós-moderna nos estudos da infância incluem: 1) a rejeição do essencialismo em relação à infância e o reconhecimento da diversidade inerente a ela; 2) a desconstrução de oposições binárias e a defesa da natureza heterogênea da infância e do conceito de “devir-criança”; 3) a dissolução do sujeito moderno associado à infância e à reconstrução do sujeito pós-moderno. Os estudos pós-modernos da infância trarão alguns impactos positivos para o campo da educação, como focar nas diferenças entre as crianças em vez de condensá-las num mapa unificado, além de remover o adultismo da educação e enfatizar a construção de novas formas de subjetividade infantil na educação. Contudo, isso também trará muitos desafios à educação, como o questionamento da essência da infância e da boa educação, o abalo dos alicerces da existência educativa devido à dissolução da infância, e a perda de significado educativo devido à construção fluida e mutável da subjetividade infantil. Isso destaca a importância de reconhecer que, à medida que a educação abraça o discurso da infância pós-moderna, tanto as suas promessas como os seus perigos irão permear o domínio educativo.
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